Quando vires uma criança com telemóvel a jantar num restaurante, antes de julgares, lembra-te que não sabes nada sobre aquela família.
Não sabes quando foi a ultima refeição quente daquela mãe. Quando foi a ultima conversa ininterrupta que os pais tiveram. A que horas a família se levantou, nem a que horas se vão deitar.
Não sabes se a criança come bem ou passa dias sem levar comida à boca. Ou quantas vezes os pais tiveram que sair de locais públicos para que as birras da criança não incomodem os outros.
Não sabes quantos meses se passaram, sem que fossem a lado nenhum.
Não sabes quantas horas de trabalho carregam nos ombros. Nem que tretas aturam ao longo do dia. Ou quanto ansiavam por uns momentos de sossego.
Lembra-te que não sabes nada sobre aquela família e isso tira-te o direito de julgar.
Não sabes se a criança raramente pega no telemóvel. Se os pais passam horas por dia a brincar com os filhos. Se normalmente a criança janta sem nenhum aparelho electrónico por perto (nem mesmo a TV para os pais verem as “noticias”).
Não sabes quantos livros a mãe leu à criança.
Não sabes que pais são aqueles, e que criança virá a ser a que vês.
Sabes um momento. Apenas um único momento de toda uma vida. E esse momento não vale nada!
Por isso, quando vires uma criança com telemóvel, a jantar num restaurante, pensa duas vezes antes de largares as tua pedras, lembra-te que também tens telhados de vidro, e que na verdade não sabes nada!
Uma criança que lê será um adulto que pensa, porque não há um domínio mais amplo de conhecimento do que aquele que os livros nos oferecem.
Uma criança que lê será um adulto que pensa
Fomentar a leitura em qualquer idade é sempre sinónimo de enriquecimento, mas incentivar este hábito entre os mais jovens da sociedade é uma garantia total de um futuro melhor. Uma criança que lê será um adulto com ideias próprias e mentalidade firme. Será capaz de questionar e de compreender mais facilmente o seu lugar no mundo.
Uma criança que lê será um adulto que pensa, porque não há um domínio mais amplo de conhecimento do que aquele que os livros nos oferecem. Quando lemos estimulamos o raciocínio e desenvolvemos a imaginação. Somos mais receptivos a tudo: as crianças, por não terem preconceitos, são capazes de depositar toda a criatividade na leitura.
Uma criança que lê será livre para sempre
Ler ajuda-nos a pensar. Pensar liberta-nos. Assim, se o seu filho gosta de passar tempo a ler, é um ótimo sinal. Na verdade, essa será a forma mais eficaz que terá para explorar sozinho o desconhecido, opiniões e condutas que a vida oferece. Isto ajudará a formar a tolerância da criança, a empatia, o respeito e a solidariedade.
Muitas vezes os adultos surpreendem-se ou sentem-se incomodados quando se deparam com opiniões diferentes das suas. Estes “conflitos” advêm sobretudo, por acreditarem que somente as suas ideias são válidas. Felizmente, este tipo de pensamento deriva sobretudo da ignorância.
Ler é como viajar
Ler é como viajar, em todos os sentidos. Ajuda-nos a abrir a mente. Uma criança que lê descobrirá outras culturas, outros modos de vida, outros costumes e saberá que existem outras coisas além do que conhece no seu dia-a-dia. Ter esta consciência fará com que se torne num adulto que não fará juízos de valor gratuitos. Um adulto mais tolerante, compreensivo e bem resolvido.
O refúgio contra as misérias da vida
Por sorte ou azar, o mundo dá vida plena aos que acreditam ser loucos. Já dizia Dom Quixote: lia e lia até que encontrou a forma de viver baseado nas suas crenças e ilusões. Isto permitia-lhe ser feliz, enquanto que à sua volta continuava preso a uma realidade convencional que julgava a sua maneira de viver.
Os “loucos” que leem são capazes de encontrar refúgio das misérias da vida. Os restantes vivem-nas sem sequer terem consciência disso. É preciso deixar uma criança chorar e rir ao ler um livro. Permitir que se apaixone por uma história e apoiá-la se decidir “ir com tudo” no campo da imaginação que está ao seu alcance..
Unamuno empregou as palavras corretas ao pedir que as crianças cresçam a ler porque assim serão adultos menos vulneráveis, menos indefesos e mais humanos.
Leitura é a fábrica da imaginação
Existem diversas actividades que ajudam a desenvolver e melhorar a imaginação independentemente da idade que tenhamos. A leitura é uma fábrica inteira onde é forjada e recolhida toda criatividade dos seres humanos.
Uma criança que lê será uma criança que pensa, afirmou algum pensador genial, e não estava enganado. Ler é brincar, é entretenimento, é construir sonhos, é refletir, é um estado de ânimo, é isolamento e companhia, é prazer. Ler é brindar às lembranças do que já fizemos um dia e ao que ainda queremos fazer. Move as incertezas mais internas para depois nos aproximarmos delas.
Uma crianças que lê, é uma criança feliz.
“Ler é como pensar, como rezar, como conversar com um amigo, como apresentar ideias, como ouvir as ideias dos outros, como ouvir música, como contemplar uma paisagem, como dar um passeio no praia” -Roberto Bolaño
O pincel da coragem, o pincel da calma e o pincel da motivação
Eu sei que estão chateados comigo mas não percebo porquê
Estamos a começar a fase das provas de aferição do segundo ano dentro das expressões, tanto as físicas-motoras como as artísticas. As escolas estão a organizar-se para que as mesmas ocorram, sente-se alguma ansiedade no ar e é notório para quem costuma ir às escolas.
Eu sabia disto e estava preocupada.
Vera (nome fictício) era uma menina do segundo ano com grandes problemas de imagem corporal, auto estima, expectativas e com algumas dificuldades ao nível da realização motora, tanto fina, como global.
As provas não iriam ser fáceis para ela, isso eu conseguia prever.
A relação com o colégio não era óptima.
A Vera vinha de um jardim de infância pequeno. Passou para um colégio grande onde estava constantemente na sombra das irmãs, que também lá andavam. A relação que tem com a professora é sobretudo de medo, o que é aliás o seu padrão para com os adultos. Medo de que não esteja a fazer bem, medo de que vá desiludir, medo de fazer perguntas porque já devia saber as respostas.
Esta semana cheguei pela hora do habitual, dentro do período de almoço. Percorri os diversos espaços de recreio a procurar a Vera e nada. Acabei por me cruzar com o diretor que me informou que estava na sala, juntamente com outros colegas que não tinham acabado o trabalho da manhã. É uma prática habitual no colégio da Vera, o que a prejudica bastante, visto que necessita realmente daquele espaço de tempo para brincar e recarregar energias. Fui para a sala e bati à porta para pedir que a Vera me acompanhasse para a terapia.
As palavras são potentes armas
– Ainda bem que veio! – disse a professora, bem alto, à frente dos 9 alunos que lá estavam, incluindo a Vera – A Vera está impossível! A semana passada foi a prova de expressão físico-motora e ontem a de expressão artística. A Vera não fez nada! Sabe o que é nada? Nada! E hoje está ali, olhe, ainda nem pegou no lápis, só olha para o caderno e para o teto. Nada! E olhe que eu sei que é fácil! É fácil e ela de certeza que sabe!
A Vera estava encolhida a tentar esconder as lágrimas.
– Se isto continua assim – continuou a professora – nem sei como é que vão ser as de português e de matemática!
Chamei a Vera e fomos para a sala. Pela má relação corporal que vive, a Vera tem realmente dificuldades em admitir que não consegue fazer e lida muito mal com a frustração. Detesta tentar coisas novas e diferentes. Mas por outro lado, é brilhante a matemática e escreve muito bem, numa letra muito bonita. No português também é boa, mas, pelas suas dificuldades em expressão, por vezes tem dificuldade em perceber o que não seja literal.
Comunicar eficazmente. O pincel da coragem, o pincel da calma e o pincel da motivação
– Vera, o que se passou ontem? – perguntei com calma – Não estou chateada, só quero que tu me contes o que se passou, porque não consegui perceber e quero entender se estás bem…
– Eu não fiz nada e portei-me muito mal – respondeu ela, olhando para as mãos que estavam sob o colo.
– Não fizeste nada, ou a professora disse-te que não fizeste nada? Percebeste o que era para fazer?
– Eu achava que sim… e fiz o que a professora me tinha mandado… o meu trabalho estava um pouco diferente dos outros, mas cada menino fez à sua maneira, não achava que estivesse mal… Mas depois a professora olhou, fez uma cara muito chateada e disse que eu não tinha feito nada… Eu sei que estão chateados comigo, mas não consigo entender o porquê…
– E não perguntaste, Vera?
– Não Ana, nem hoje… estamos a ler um poema muito difícil. Eu entendo as palavras que estão escritas, mas tudo junto não faz sentido… E nem vou perguntar à professora. Ela diz que é fácil e que eu tenho que saber, mas eu não consigo… E depois ela diz que as provas de aferição vão correr muito mal… Nem quero pensar…
– E como é que isso te faz sentir? – perguntei eu, tentando ser o porto de abrigo que precisava naquele momento.
– Mal Ana, muito mal… e já sei o que vais perguntar, onde é que me sinto mal, não é? Nas mãos, Ana, sinto-me muito mal nas mãos… Eu olho para elas mas elas não se conseguem mexer…
– Vera, acho que sei do que precisamos! Vamos buscar o pincel da coragem, o pincel da calma e o pincel da motivação! Aposto que se passarmos esses pincéis nas nossas mãos elas vão ficar cheias de força!
E ficaram.
Mensagens claras, crianças esclarecidas, crianças mais calmas
Os seus ombros voltaram para baixo, consegui ver o seu pescoço, as costas endireitaram-se e os pés pararam de bater repetidamente no chão. A minha Vera estava de volta. O mundo terá sempre desafios destes para a Vera e para as nossas outras crianças. É sempre importante dar-lhes estes pincéis da calma, coragem e motivação. Mas acima de tudo, temos de ser claros nas mensagens que passamos para as nossas crianças. Se lhes dissermos apenas que fizeram mal, sem indicar o que esperávamos delas, sem ouvirmos o seu feedback e sem elogiarmos o que fazem bem, não estamos a mostrar-lhes o caminho. Estamos apenas a ser ervas daninhas.
Aproximam-se semanas intensas, o ano letivo está no fim e o cansaço começa a aparecer em todos os elementos da escola. Mas que essa não seja a desculpa para sermos pedras no caminho, quando devíamos estar a regar as nossas flores.
Promover a auto-estima, ou 10 coisas que aprendi na palestra “Saber dizer não!”
Promover a auto-estima, implica saber dizer não. Dizer bem. Dizer um “não” que desenvolve o cérebro. Assim:
1 – O Marshmallow de Walter Mischel
Na barriga da mãe, tudo está bem. Não há frustração. Só aí. Cá fora, a vida vai trazer desafios, obstáculos e…frustrações…
O “não” ajuda a enfrentar a vida.
2 – Procure estar com outros “pais” em contexto de aprendizagem
Os rostos variavam nas emoções transmitidas, mas havia um traço comum: a expectativa! A palestra prometia.
Será que sabemos dizer “não” aos nossos filhos? Dizemos “não” com a frequência e intensidade desejadas?
A nossa proposta era darmos pistas para aquilo que gostamos de chamar “o não que desenvolve o cérebro”. Pistas dadas numa reflexão conjunta.
No confronto. Com provocação. Estes “pais”, todos reunidos, melhoraram as suas competências.
3 – Reflita com profundidade sobre as causas das suas eventuais dificuldades em dizer “não”
Só assim, através da reflexão profunda é que podemos desenvolver ferramentas para o desenvolvimento pessoal e aproximarmo-nos da educação que desejamos, e que contempla o “não” consciente capaz de ajudar a desenvolver a auto-estima.
4 – Uma das chaves está na assertividade
A vida não é feita de “nãos”, mas sem o “não” a vida não acontece.
A relação, as relações, precisam da individualidade e a individualidade começa com o aceitarmos as nossas diferenças com assertividade. Aceitando, o próximo passo é apresentá-las aos que nos rodeiam. E essa apresentação é com os nossos “nãos”. Uma boa apresentação rima com assertividade
Assertividade, como a certa altura da palestra, e muito bem, gritou uma “mãe” na primeira fila. Ficámos felizes, porque soubemos que era professora. O professor capaz sabe o significado de assertividade. O professor fantástico, além de saber, exercita-a.
5 -Quando diz “não” sem sentir culpa, ganha liberdade, foge da angústia
Numa “educação positiva”, o “não” também (claro!) faz parte! Lá está, é a importante questão do equilíbrio.
Há cada vez mais Educadores de Infância a pedirem o tema “Saber dizer não!”. E cada vez mais Professores a fazê-lo também. Estaremos numa sociedade permissiva? Deixamos as nossas crianças fazer tudo o que querem? Ou será que estamos (apenas) mais atentos?
Um pouco de ambas. Mas preocupam-me muito as duas primeiras.
6 – Procure inspirar-se, motivar-se e agir, além de (apenas) saber
A adesão dos encarregados de educação à palestra “Saber dizer não!” foi, mais uma vez, esmagadora. Mas, mesmo assim, antes de começarmos, a fantástica Educadora Luísa Figueira, já me fazia um pedido, porque muitos outros pais tinham ficado de fora da sessão. Ela desejava a apresentação que eu ia utilizar.
Não valeria de nada. A apresentação não era daquelas cheias de texto e teoria. Ela ajudava o dinamizador a…inspirar, motivar e levar as pessoas a agir…mais do que (apenas) ensinar!
7 – Ler, estudar, pensar…analisar…muito importante…só que não chega…treine os “nãos”
Há que haver uma comunhão. Um grupo com as mesmas necessidades que se reúne e partilha. Este pode ser o início do seu treino. Treine. Vá dizendo. É na relação que crescemos. Todos. Não podemos ficar só a ler.
No final da palestra, uma “mãe”, acercou-se de mim e agradeceu, referindo as suas dificuldades em dizer “não” e a forma como agora se sentia mais segura.
“Senti a palestra como algo…como hei-de dizer…terapêutico! Desculpe, não sei se é a palavra certa, mas como sou médica foi isso que eu senti!”.
De seguida, voltou a assumir a sua dificuldade em dizer não. E isso deixa-nos felizes! Quem abandonou as esperanças, deixa de usar o “não. E os “pais” não podem perder a esperança. Quem pensa que sabe tudo, tem caminho para o fracasso.
8 – Confiança, confiança,…
Uma criança presente na palestra, foi convidada a subir ao palco. E eram cerca de 150 pessoas a olhar para ela. Subiu, contou uma história. Ouviu as palmas. E mostrou ter algo cuja essência é, em parte , o “não”. Mostrou ter auto-estima.
Na sua vida, de certo que ouve “nãos” da parte da família, nomeadamente dos pais.
Mas de certo que já começa a usar os seus próprios “nãos”. E essa auto-estima será fundamental. Usará o não com os pais, com os amigos…e até com ela mesma, num exercício de autocontrole.
Ela mostrou confiança.
O cérebro das crianças, há que (re) lembrar, está em construção. E o “não” ajuda a esse desenvolvimento. A confiança vem também de vermos ao crescer, a confiança do adulto. O adulto que faz de…adulto! E confiança não é nunca falhar.
9 – Dizer “não” de boca fechada
Dizer “não” só se faz com a boca? Não. Há um “não” fundamental dito pela expressão. Expressão corporal. Expressão facial. “Cara de não”. Não confundir com cara de zangado, descontrolado ou em pânico. O adulto confiante faz a sua “cara de não”.
Funciona bem com crianças até os 4 anos. Mas também com os adultos. Tentarei fazer a minha quando me tentaram mexer na luz da sala. Gosto de ver a cara das pessoas. Preciso. Não vou debitar. Há relação. E essa relação, tem “sins” e tem “nãos” para poder ser completa. Como a boa relação entre pais e filhos.
10 – Focar no curto prazo é um problema
Muitas vezes na relação com as crianças um “sim” é evitar um choro, uns gritos…uma briga…
Aos adultos, cabe a capacidade de olharem para o futuro. De projectarem os seus atos no longo prazo. Não é fácil. Por isso, qualquer reflexão em cima de dados científicos, qualquer trabalho em cima do estudos do desenvolvimento cerebral, só podem ser úteis.
Aos “pais”, cabe a responsabilidade de terem uma vida, para além do acompanhar os filhos. Viverem também a liberdade dos seus “nãos”.
Aos adultos, cabe a capacidade de olharem para o futuro, dizia eu…como a Educadora Cláudia Ribeiro, para dar um exemplo luminoso. Ou como a Educadora Andreia Salvador, para dar outro. Como tantas pessoas com responsabilidade na educação que dizem “não!” à ausência de um (bom) “não!”.
Teste do Marshmallow de Walter Mischel, a explicação
A crítica excessiva dos pais mutila o cérebro emocional dos filhos
A educação que recebemos em crianças e o tipo de relacionamento que estabelecemos com os nossos pais deixam-nos marcas profundas ao longo da vida.
A atenção ou a negligência, a crítica ou o elogio, determinam o estilo de apego que iremos desenvolver nas relações futuras. Terá um enorme impacto na imagem que formamos de nós mesmos, na nossa autoestima e na forma como encaramos a vida.
No entanto, tudo parece indicar que as consequências da crítica na infância não se limitam ao nível psicológico, mas também alteram a configuração do cérebro da crianças. Neurocientistas da Universidade Binghamton descobriram que, quando os pais criticam excessivamente os filhos, as áreas do cérebro dedicadas a processar estados emocionais, ficam afetadas.
Crítica constante dos pais bloqueia o processamento emocional das crianças
As crianças podem criticar a maneira como o cérebro percebe e processa a informação emocional? Esta foi a questão que alguns neurocientistas levantaram e, para responder, recrutaram 87 crianças com idades entre 7 e 11 anos.
Primeiro, pediram aos pais que falassem sobre os filhos durante cinco minutos. Assim, conseguiram avaliar o nível de crítica destes pais. Depois analisaram a atividade cerebral das crianças enquanto viam uma série de imagens de rostos que mostravam diferentes emoções. Descobriram que os filhos de pais muito críticos prestavam menos atenção às expressões faciais emocionais, sem conseguir distinguir emoções positivas de negativas.
Na prática, as crianças sujeitas a críticas constantes evitam prestar atenção aos rostos que expressam qualquer tipo de emoção. Obviamente, a longo prazo, tal comportamento poderá afetar as suas relações com terceiros e poderá ser uma das razões pelas quais as crianças expostas a altos níveis de crítica correm maior risco de sofrer de depressão e de ansiedade.
Para evitar o desconforto causado pela crítica, o cérebro infantil é “desconectado”
Todos nós temos tendência a evitar coisas que nos fazem sentir desconfortáveis, ansiosos ou tristes. Mas observou-se que as crianças cujos pais são muito críticos são mais propensas a usar estratégias para evitar pessoas ou situações que as deixem pouco confortáveis.
Na verdade, é um mecanismo básico de proteção: quando estamos perante uma situação da qual não gostamos mas não podemos escapar, o nosso cérebro tende a “desconectar-se”. É exatamente o que acontece connosco quando estamos numa reunião chata que não nos podemos livrar. No entanto, esta situação é perigosa quando repetida por um longo tempo durante toda a infância, pois o cérebro infantil não será capaz de estabelecer as conexões necessárias para processar adequadamente as informações emocionais.
As crianças que são vítimas de críticas constantes evitam focar e processar as expressões emocionais de raiva, nojo ou desconforto dos pais para não sentirem os sentimentos aversivos que estas geram. Como resultado dessa mutilação do sistema de processamento emocional, também se tornam incapazes de perceber as expressões positivas dos outros.
De facto, não é o primeiro estudo que analisa o impacto no nível cerebral de uma educação negativa.
Pesquisas anteriores realizadas na Harvard Medical School revelaram que os gritos danificam o cérebro infantil, especificamente o vermis cerebelar, uma área fundamental para manter um bom equilíbrio emocional.
Como criticar realmente construtiva para as crianças?
Existem dois tipos de críticas: críticas destrutivas, que não levam a lado nenhum e só geram desconforto; e críticas construtivas, que nos permitem crescer e melhorar algo. Infelizmente, estima-se que 9 em cada 10 críticas “construtivas” realmente não o sejam.
Como podem os pais garantir que as críticas que fazem aos filhos os ajudam realmente?
Concentrar-se no comportamento, e não na criança.
Isto significa não usar rótulos que generalizam tais com como “estás/és muito desorganizado”.
Os pais devem ser o mais precisos possível e dizer: “não arrumaste os brinquedos, vais ter de o fazer”.
Informe-se antes de criticar.
Muitas vezes criticamos supondo que as nossas conjecturas são verdadeiras. Portanto, antes de dar vazão à raiva ou ao desapontamento, pergunte o que aconteceu. Ouça a versão da criança e tente entender sua perspectiva, embora não signifique que concorde. No entanto, uma crítica baseada na empatia é muito mais construtiva.
Foque-se na solução, em vez de enfatizar o erro.
Todos nós cometemos erros, mas se as críticas permanecerem a esse nível, isso não servirá para crescer. Portanto, é conveniente perguntar à criança o que pode fazer para resolver o problema ou propor diretamente algumas soluções.
Introduzir um elemento positivo.
Diz-se que para cada crítica cinco elogios são necessários. Uma no cravo outra na ferradura. Não devemos limitar-nos a destacar o negativo nos nossos filhos, mas também a reforçar as características positivas. Por exemplo, pode dizer: “Ontem apanhaste os brinquedo sem eu ter de chamar a atenção, muito bem. Eu gostava que fosse assim todos os dias. Era sinal de responsabilidade”.
Todas as crianças sofrem com o divórcio. 4 Dicas para pais preocupados
Seja qual for a idade dos seus filhos todos sofrem de alguma forma com o divórcio. Quer seja no momento ou uns anos depois.
Apesar de todos os desencontros que a vida possa trazer, o único que não deve ocorrer é com eles mesmos, por esse motivo, seguem alguns conselhos/dicas para todos os pais preocupados:
1- Comunicar eficazmente com os filhos
Os filhos devem ser informados do que se está a passar, afinal, serão os principais afetados de todo o processo. Inevitavelmente um dos pais passará a estar mais ausente. O filho deve entender que a culpa não é sua e que o pai ou mãe não passa a gostar menos dele por não estar a viver debaixo do mesmo teto;
2- Os filhos em primeiro lugar
Independentemente de todas as alterações, seja na morada, seja uma nova companheira do pai ou companheiro da mãe, sejam irmãos, o filho deve sempre sentir que é amado e não foi esquecido no meio de todas as alterações na vida dos pais;
3- Uma boa relação entre todos.
É importante que todos se deem bem! Apesar do que possa ter ocorrido e da mágoa que possa ter trazido, há alguém que é fruto de algo que já existiu e que com certeza quererá que todos se deem bem. Que todos estejam presentes nas suas ocasiões especiais, sem rancores ou mau ambiente;
4- Sintonia na forma de educar
É importante que todos estejam em sintonia com a educação e decisões dos seus filhos. Os assuntos devem ser discutidos em particular para apresentar uma força unida apesar da rutura, de forma a não confundir os filhos e não criar situações em que se possa ouvir a frase “se fosse o pai/mãe deixava”.
O divórcio é uma mudança na vida dos pais, das famílias mas também dos filhos. Isto não deve ser esquecido pois é necessário dar-lhes a entender que a culpa não é deles e que são igualmente amados pelos dois.
Não se deve esquecer:
o divórcio é muitas vezes a ruptura necessária para a construção de uma estrutura mais firme no futuro.
O bebé cresceu? 6 ideias para adaptar o quarto à criança
O seu filho cresceu e o seu quarto já não está adequado às suas necessidades e gostos? Ou está à espera de um bebé e está a começar a planear o quarto dele?
Este post vai ajudá-la a pensar no quarto dos seus filhos, tanto agora como no futuro. De uma forma prática apresentamos soluções que permitirão aos seus filhos desfrutar do quarto e sentirem-se bem nele por muito tempo.
Vejas as nossas ideias, em colaboração com o Habitissimo:
1. Transformar o berço em cama
Existem alguns modelos de berço que podem ser transformados em camas de solteiro ou mini-camas, estando essa opção já prevista no seu fabrico. Tudo o que precisa defazer é seguir as instruções que vieram com o berço para o transformar na cama que precisa. Alguns modelos já vêm com gavetas ou escrivaninhas incorporadas, para que o quarto da criança seja ainda mais prático. Apesar de este tipo de berço não ser dos mais baratos, o facto de não ter que os trocar na infância da criança já o torna um bom investimento, uma vez que o usará por muitos anos.
2. Uma cama de sonho
Apesar de conseguir encontrar à venda mini-camas, o ideal é investir logo numa cama de solteiro, a pensar no crescimento do seu filho. No entanto, as mini-camas não precisam de ser logo descartadas, desde que tenha em mente que a terá de trocar mais tarde. Pense no quarto como um espaço de sonho e imaginação para a criança, e faça da cama uma peça especial e que dá o mote ao resto da decoração. Dessa forma, poderá ser mais fácil escolher entre cama de solteiro ou mini-cama.
3. Aproveite o espaço criando nichos e estantes
Outro ponto em que deve pensar desde a concepção do quarto é o armário e restantes espaços de arrumação. Para o armário, uma boa ideia é fazer as portas em fórmica (o material dos quadros brancos) para que as crianças possam desenhar nelas à vontade. Depois, coloque prateleiras, estantes, nichos e caixas para que a criança consiga arrumar tudo e guardar os brinquedos sozinhos. Se tem pouco espaço, pode sempre colocar uma cama suspensa e por baixo fazer a área de brincadeira, com algumas caixas de arrumação.
4. Secretária de tamanho adaptado
Maria Montessori defendia que o mobiliário deve ser todo adaptado às idades e alturas das crianças. Mesmo que o seu filho ainda não saiba ler nem escrever, irá gostar de estar numa mesa adaptada ao seu tamanho e necessidades. Assim, poderá colocar brinquedos, desenhar, ou fazer outras actividades plásticas. Pense na secretária como parte integrante da decoração do quarto na fase de planeamento, para que ocupe menos espaço. Com algumas alterações, essa secretária poderá ser também usada quando o seu filho crescer.
5. Uma tenda para leituras
A ideia das tendas nos quartos surgiu com o intuito de criar um espaço sossegado para que as crianças se pudessem sentar e ler. Como as crianças são imaginativas, essa tenda também pode fazer parte de brincadeiras e ser uma casa ou um castelo, sendo por isso muito apreciada por elas. Existem vários modelos de tenda à venda, mas se prefere algo do estilo “DIY” existem muitos vídeos a ensinar como criar uma tenda.
6. As cores das paredes
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Esta última dica é para quem quer poupar e não estar a mudar o quarto dos filhos a cada fases do crescimento. Para o conseguir, escolha cores menos evidentes nas paredes como tons pastel, o cinzento ou apenas o branco. Isso não vai retirar o aspeto infantil ao quarto, mas vai deixá-lo mais moderno e com um tempo de vida útil mais longo.
Esperamos que tenha gostado das nossas dicas e as incorpore no quarto das suas crianças!
Educar para a verdade, ou mentir para poupar os filhos?
Quem tem filhos, tem medos.
E desde o primeiro momento que o nosso maior medo é vê-los sofrer. Ou não ver, mas que sofram ainda assim.
Para um bebé recém chegado pouco há a temer. A não ser o teste do pezinho, ou as primeiras vacinas – principalmente para pais de primeira viagem.
Com o tempo aprendemos que “é um mal necessário”, são breves os momentos de dor e que os beijinhos do pai e da mãe tudo curam. As crianças crescem, os pais também – é inevitável.
E das vezes seguintes, aquando as idas ao médico e respetivas vacinas perguntam-nos com os olhos mais ternurentos do mundo “Vai doer?” enquanto deixam cair uma lágrima ou se escondem atrás de nós.
Respondemos quase sempre “Não. Claro que não!” Mas será essa a verdade? Ou apenas a verdade em que nós pais queremos acreditar para que não sofram, porque não queremos vê-los sofrer?
Só que essa não é a verdade.
E podemos nós, só porque somos pais, mentir-lhes?
Vai doer sim. Mas vai passar. E no dia em que explicarmos isso aos nossos filhos estamos a educá-los para a verdade. Estamos a respeitar o medo que sentem mas estamos também a estimulá-los a serem mais fortes do que ele.
No dia em que fizermos isso os nossos filhos saberão o que esperar. Não nos dirão: “Tu mentiste! Doeu e muito.”
Haverá para nós pais, dor maior do que ver a desilusão espelhada naqueles olhos pequeninos?
No dia em que dissermos “Vai doer mas vai passar” mostramos aos nossos filhos que apesar de encontrarem experiências dolorosas (ao longo de toda a vida), os nossos braços irão abrir-se sempre, os mimos não acabarão e a nossa voz dirá sempre, mas sempre a verdade!
Crescem a cada segundo, surpreendendo-nos com as mais fascinantes tiradas, com declarações súbitas que nos demonstram que, apesar de nós, eles existem. Eles existem e bebem de tudo o que está ao seu redor, seja em forma de vivências, seja em forma de diálogo.
É por esta razão que importa cada vez mais não esquecer que tudo o que dizemos fica registado. Pode não ser transmitido de imediato, mas fica lá. Todos os comentários que fazemos à sua frente, a forma como verbalizamos as emoções, as críticas que fazemos aos outros e a nós próprios.
Há uns dias, a minha filha veio dizer-me “Sabes, mãe. A X diz que a comida que comemos vai para as pernas”. Inocente à partida, a declaração. Mas não é.
A minha leitura, depois de alguns segundos, foi a de: foi dito a esta criança que tudo o que ela come vai para o seu corpo. Mas em vez de lhe ter sido passada esta mensagem de uma forma positiva, do género todos os nutrientes, toda a comida que ingerimos vai trazer alguma coisa ao nosso organismo, é importante comer laranja ou manga por causa da vitamina C, o que lhe foi dito foi aquilo que muitas de nós ouvimos a crescer e que algumas de nós perpetuámos já em adultas; “um segundo na boca, uma eternidade nas coxas”.
Enquanto adulta eu tenho a capacidade de perceber, analisar e tirar conclusões sobre esta simples frase. Sim, aquela segunda taça de gelado provavelmente vai fazer menos bem do que deveria, e seria mais sensato parar na primeira.
Mas a uma criança está a passar todo um peso.
Um sentimento de culpa associado a algo que deveria, em primeiro lugar, ser visto como algo positivo: comer.
Educo a minha filha para ser consciente em relação à comida e ela diz muitas vezes “aquilo faz mal porque é só açúcar e não ficamos sem fome, nem tem vitaminas”. Pode ser informação a mais, mas ela apreendeu-a de acordo com a educação alimentar que recebe. E a sua conclusão tem a ver com saúde, não tem a ver com as alterações que eventualmente teria no seu corpo. Nunca ouviu nem ouvirá algo como “se comes doces vais ficar gorda”. E acho que é disto que se trata quando a tal colega lhe falou da comida ir para as pernas. Subjacente à mensagem estava lá um “vê lá o que comes se não queres ficar com pernas gordas”.
É mesmo isto que queremos passar às nossas filhas de cinco anos?
Basta da ditadura da beleza, da pressão da sociedade… Se educarmos os nossos filhos a serem gentis com eles próprios (também pela forma como encaram a comida e a compreendem) e com os outros, certamente haverá uma geração menos focada nas diferenças e mais engajada no que realmente importa.
Dias depois desta conversa, a minha filha disse-me: “A X diz que eu sou gorda”.
Mais uma vez o peso da palavra, usada para ferir, para magoar. E a minha filha não é gorda. Tem barriga de bebé mas é toda ela músculos e agilidade, força e destreza. E mesmo que assim não fosse, custa-me que a palavra usada pela amiga tenha sido “gorda”. Como acusação.
Fiz o que senti que deveria. Desconstruí.
“Tu não és gorda, Mariana. E se fosses não era nada simpático dizer-te isso para te deixar triste. Tens tantas coisas que ela podia ter apontado, mesmo que estivesse triste contigo. Coisas que tu podes melhorar. Como “às vezes falas alto comigo e eu não gosto” ou “fico triste quando não tens cuidado a brincar com os brinquedos que trago de casa”. O que lhe respondeste?”. E ela foi sucinta: “Que não era gorda. E fui brincar”.
Isto acontece porque a Mariana tem uma autoestima que lhe permite passar por cima do problema. Não a atingiu o comentário porque para ela não é relevante. Mas e se fosse? Veio de uma das pessoas de que ela mais gosta e podia deixar marcas. Aprofundar inseguranças.
Fiquei triste. Pensei que a mãe da outra menina podia melhorar a forma como comunica as suas ideias. Os seus preconceitos. Porque infelizmente a imagino a comentar o peso ou o excesso dele relativamente às outras pessoas como sendo algo do género ”não queremos ser aquela pessoa…”.
Os outros podem não ser bons connosco
Uma das autoras que mais gosto de ler (e que não escreve sobre parentalidade) fala muito da relação que tem com a filha de 12 anos e da sua vivência com as outras raparigas na escola. De como fortaleceu a confiança dela mostrando-lhe que os outros, por mais que façamos, podem não ser bons connosco. E que tantas vezes a culpa não é nossa. Não há nada que possamos fazer, simplesmente nem toda a gente vai gostar de nós. E relatava uma situação em que a bully da escola dizia à filha que a roupa dela era horrenda (para que fique registado era pura maldade, a miúda é incrível e veste-se de uma maneira original, isso sim, mas que por vezes acredito que suscite aquela inveja tola dos 13/15 anos…). A resposta da filha foi “Já eu gosto muito da tua. Acho que te fica super bem”. Para mim foi uma chapada. Achei aquilo maravilhoso. Interiorizei, acho que foi a maneira mais bonita de lidar com a situação e a mãe não estava por perto. Ela tinha aprendido aquilo com a mãe, sim, e com a forma como a mãe a ensinou a lidar com os outros.
Nem sempre é ou será fácil, mas cabe-nos a nós não criar este sistema de críticas.
Eu sei que os alunos de aparelho, de óculos, os mais gordinhos ou magrinhas, altos, com maminhas, ou falta delas, os marrões, etc sempre foram alvos. E talvez nunca deixem de ser. Mas quero acreditar que podemos mudar pelo menos o número de miúdos que vão ter dedos apontados na sua direcção.
Somos todos tão diferentes por dentro, por que razão deveríamos ser todos iguais por fora?
A diversidade é importante.
A gentileza salva vidas.
Acreditem.
Há demasiadas crianças a sofrerem depressões à conta da maldade alheia.
Há crianças que decidem acabar com a própria vida.
Quando os nossos filhos apontarem as características dos outros, tentemos que se foquem em características que realmente importam. Sem lhes tirar a oportunidade de questionar, é certo, mas abrindo a sua mente.
Por exemplo “aquela senhora tem o cabelo verde”.
Em vez de dizermos “que horror!”, poderíamos perguntar, “o que é que achas disso?” E enaltecer a coragem que é preciso para andar com um cabelo diferente na rua sem ter receio do que os outros pensam.
É um trabalho em construção.
Mas quando a minha filha ouvir que é gorda ou algum impropério do género, quero que quando já não tiver a capacidade de sacudir o pó dos ombros seja capaz de dizer “e se for? Por que é que me estás a dizer isso?” Ou “em que é que isso muda a nossa relação?”.
Até lá continuarei a dizer-lhe aquilo que quero que nunca esqueça: é importante é ser bonito por dentro.
Detesto matemática! – Sinais de alerta de discalculia
“Odeio matemática!” – É frequente ouvirmos os nossos filhos/alunos fazerem este tipo de desabafo. Com igual frequência podemos cair no erro de achar que se trata de simples preguiça ou desmotivação para aprender a disciplina. Contudo, a frustração associada a esta frase tão frequentemente pronunciada pode, por vezes, refletir uma verdadeira dificuldade em aprender e desenvolver o cálculo matemático. À dificuldade de aprendizagem associada ao raciocínio lógico-matemático dá-se o nome de Discalculia ou Perturbação da Aprendizagem Específica, com défice no Cálculo.
Podemos generalizar que todas as crianças que não gostam de matemática têm discalculia?
Claro que não. Mas existe um conjunto de sinais de alerta relacionados com esta dificuldade de aprendizagem a que pais e professores devem estar atentos. Quanto mais cedo for feito o despiste da discalculia, mais cedo se implementará uma estratégia de reeducação para a criança. Isto poderá evitar o desgaste de repetidas situações de stress relacionadas com problemas escolares, os quais resultam muitas vezes numa crescente desmotivação em prosseguir os estudos.
Os sinais de alerta associados à discalculia dependem da idade/fase escolar da criança
Pré-escolar:
– Dificuldade em compreender o sentido do número;
– Dificuldade em aprender a contar;
– Dificuldades na identificação de número. Quer a nível visual (por ex. trocas entre o 2/5, o 3/8 ou o 6/9) quer a nível auditivo;
– Dificuldade em memorizar números;
– Dificuldade em organizar objetos de uma forma lógica: por formas, cores ou tamanhos;
– Dificuldade em reconhecer grupos e padrões;
– Dificuldade em usar conceitos comparativos tais como: maior/menor; mais alto/mais baixo;
– Dificuldades na lateralidade: distinguir entre a esquerda e a direita;
Idade Escolar:
– Dificuldade em compreender a linguagem e os símbolos matemáticos: “diferença”, “soma”, “igual”, “+”, “-“, “=”, etc.;
– Dificuldade em compreender o valor obtido pela modificação de um número: limitações em perceber que os números 560, 605 e 506 são diferentes, apesar de constituídos pelos mesmos três números (“5”, “6” e “0”);
– Dificuldade em resolver problemas matemáticos básicos através da soma, subtração, multiplicação e divisão;
– Dificuldade em compreender que 5 é o mesmo que 3+2 ou o mesmo que 4+1. Que 5+4 é igual a 4+5, ou que 8×2 é igual a 2×8;
– Dificuldade em desenvolver competências para a resolução de problemas matemáticos mais complexos;
– Fraca memória de longo prazo para funções matemáticas;
– Pouca familiaridade com o vocabulário da matemática;
– Dificuldade em resolver problemas matemáticos de forma oral, nomeadamente no caso de problemas muito extensos, e na presença de informação desnecessária e demasiadas abreviaturas;
– Dificuldades na compreensão do conceito de medida;
– Relutância em participar em jogos que requeiram o uso de estratégia;
– Dificuldades visuo-espaciais na leitura e escrita de números;
– Dificuldade em identificar as horas, por não conseguir distinguir o ponteiro das horas e dos minutos;
– Dificuldade em compreender o valor das moedas. Ex. A criança não compreende que uma moeda de 1 euro é igual a 2 moedas de 50 cêntimos ou 5 moedas de 20 cêntimos.
Se o seu filho ou aluno apresenta alguns destes sinais, poderá ser sinal de uma discalculia. Nesse caso, deverá recorrer a ajuda técnica especializada para fazer uma avaliação psicopedagógica da criança e despistar eventuais dificuldades de apredizagem. Só assim poderá implementar-se um plano de intervenção adequado que ajude a criança a colmatar as dificuldades sentidas e promover o seu sucesso escolar.
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