O mito dos bons pais

A culpa não é boa aliada dos pais. Mas existe, chateia e é preciso falar sobre ela e sacudi-la dos ombros com energia e vontade. Só assim lhe retiramos a força e ganhamos espaço para ser pais e, sobretudo, humanos.

Ontem deitei-me outra vez a lamentar-me das vezes em que podia ter sido melhor mãe. Revivi as cenas, uma por uma, pensei-lhes outros cenários e cheguei a imaginar-me outra, capaz de ter dado ao meu filho a resposta feliz e atenta de que era tão merecedor. Ontem deitei-me outra vez agarrada à ideia que eu própria construí daquilo que é ser-se boa mãe. E hoje de manhã ele voltou a saber olhar-me e sussurrou-me ao ouvido: “Gosto tanto de ti mamã…

É por isso por nós (e sobretudo por eles) que hoje proponho “despir” os bons pais de todas as boas intenções. Essas, que sorrateiramente nos vão atrapalhando o caminho…

Os bons pais já nascem ensinados.

Quando um filho nos nasce, nasce-nos pela primeira vez e é com ele que (re)nascemos também. Não só como pais ou como mães, mas também como pessoas. E ainda que outros já nos tenham nascido ou que outros se lhes sigam, cuidar de um filho (daquele filho) será sempre uma experiência única. Exigirá de nós a humildade da certeza de que muito está ainda por aprender, por melhorar, e por construir. Não esquecendo nunca que cada um de nós o fará de uma forma muito própria. À luz das coisas que nos façam bater o coração e dos desafios e aprendizagens que cada filho nos exija.

Sabem sempre o que fazer.

A parentalidade é um caminho cheio de curvas, de socalcos, de bancos para recuperar o fôlego, de vias rápidas e de atalhos desconhecidos, que por vezes nos desconcertam e em tantas outras nos permitem maior segurança. A parentalidade é tudo isto mas não é, nunca, algo que se aprenda nos manuais de procedimentos à boa maneira das viagens de aviões: “Ora agora coloque o colete de salva-vidas. Ora agora insufle-o. Ora agora respire a partir da máscara de oxigénio…” Bom seria. Ou talvez não… A parentalidade é uma aprendizagem constante, sem respostas certeiras e em que os aprendizes (pais e filhos) são os atores principais e criativos argumentatistas, capazes de dar luz e cor e emoção ao guião, construído (e reconstruído) vezes sem conta, a cada passo dado.

Não sentem culpa.

Sentem pois. E arrependem-se. E martirizam-se. E sofrem, sobretudo com o peso duro das expectativas dos outros. É a culpa de não terem agido assim ou assado. É a culpa de terem perdido a cabeça. É a culpa de não passarem tempo suficiente com os filhos. É a culpa de não terem percebido mais cedo que alguma coisa estava a acontecer na escola. É a culpa de terem sono, de comerem chocolates às escondidas, de estarem de folga e deixarem o filho na escola apenas e só porque querem ter um dia de crescidos… A culpa, a maldita da culpa, que rouba tempo e exige, insaciável, a perfeição sem fim. A culpa não é boa aliada dos pais. Mas existe, chateia e é preciso falar sobre ela e sacudi-la dos ombros com energia e vontade. Só assim lhe retiramos a força e ganhamos espaço para ser pais e, sobretudo, humanos.

Os bons pais sabem sempre o que os filhos precisam.

As crianças não trazem manuais de instruções e ainda que às vezes algumas dicas práticas nos deem um jeitaço e nos ajudem a pensar em formas alternativas de resolver as situações/dilemas com os quais nos vamos deparando, isso não quer dizer que funcionem sempre. Para se saber o que uma criança precisa, é preciso, tantas vezes, desaprender tudo o que pensámos ou ouvimos, ou ainda tudo aquilo que nos disseram e experimentar outros caminhos, ainda que audazes ou pouco testados. Para se saber o que uma criança precisa é preciso sobretudo aprender a ouvi-la, olhá-la nos olhos e tocar-lhe no coração, deixando que o nosso se abra, e sinta também.

Não mimam demais os filhos.

A experiência amorosa familiar é o primeiro contacto da criança com o maravilhoso mundo dos afetos. É ela que lhe permitirá amar os outros e ganhar coragem para se lançar em pleno voo, sempre que a vida assim apele. É também ela que permite entender a Casa (lugar no coração dos pais) como porto seguro, onde pode mostrar-se sem filtro e sem disfarce, a quem tem por ele um amor sem fim, capaz de resistir a todos os lados lunares. Os pais podem (e devem!) mimar muito os filhos e não é por isso que deixarão de balizar aqueles que são os seus comportamentos e de ensinar, com a doçura e a paciência necessárias, as coisas mais importantes, para que se tornem gente a saber mimar os outros.

Satisfazem sempre primeiro as necessidades dos filhos.

Voltando à analogia das instruções de segurança dos aviões, há uma razão pela qual a tripulação sugere que o colete salva-vidas seja colocado primeiro ao adulto e só depois à criança: para cuidarmos do outro, é preciso que estejamos cuidados. A parentalidade está carregada de desafios. Muitos deles capazes de alterar o padrão de satisfação de necessidades básicas como as do sono ou da alimentação adequada, ou a prioridade dada às necessidades sociais ou amorosas. Em nome dos filhos, os pais anulam-se vezes demais e acabam por deixar para depois atividades ou experiências, capazes de lhes proporcionar bem estar e satisfação pessoal, premissas fundamentais para ensinar os filhos a quererem, um dia, cuidar-se também.

Os bons pais gostam sempre de ser pais.

Existem mulheres e homens que preferiam não ter sido pais. Existem mulheres e homens que não gostam de ser pais, mas isso não significa que não gostem dos filhos. Significa apenas que, por variadíssimas razões, tiveram de assumir um papel com o qual não se identificam. Que sentem que tiveram de fazer mudanças que não desejaram e que não era assim que gostavam que tivesse sido. Não há com estes pais nenhum problema. A não ser o de terem todos os dedos apontados. De lhes gritarem aos ouvidos que não prestam e de quererem salvá-los, constantemente, do sacrilégio em que não vivem. Existem pais que não amam de paixão sê-lo. Mas ainda assim, sabem amar como ninguém os filhos que os tornaram em tal.

Os bons pais não erram.

Os bons pais erram a vida inteira. Tal como as boas pessoas fazem, só por serem pessoas. O que os bons pais trazem dentro de si (que é o que lhes permite serem verdadeiramente bons), é a capacidade de olhar para os tropeços e enganos como parte desejável da caminhada e deixar que a consciência e a aceitação os transformem para sempre e permitam reparar, com pó de ouro e de amor, cada “lasquinha” acontecida.

Os bons pais não existem. Existo eu, existes tu… e se o somos é porque um dia alguém nos olhou como ninguém e nos viu como os melhores do mundo. Imperfeitos e insubstituíveis. Até ao fim dos tempos…

Small Land Montessori, o novo colégio sustentável em Lisboa

Nos dias de hoje é prioritário falar em desenvolvimento sustentável. Quando pensamos em sustentabilidade é importante relembrar de que esta se estende a nível social, cultural, económico e ambiental!

Uma educação baseada no amor deve preparar a criança, enquanto futuro cidadão, para cuidar, saber ser e estar contribuindo de forma positiva para a sociedade. Desenvolver um efetivo sentido de participação na comunidade!

É indispensável educar para manter, preservar, restabelecer o equilíbrio da própria sociedade que foi quebrado pelo distanciamento do amor ao próximo.

O Colégio Small Land Montessori promove o respeito às necessidades humanas compatíveis com o uso sustentável dos recursos naturais e com as necessidades do nosso planeta. Fazendo isso, nutrimos o sentido de solidariedade global.

Esta é justamente a proposta de Maria Montessori, quando delineou o que chamou de Educação Cósmica. O seu objetivo foi chamar à atenção de todos para a importância do sentir-se integrante do todo universo. De que cada gesto, cada palavra, cada pensamento gera consequências.

É indispensável educar para manter, preservar, restabelecer o equilíbrio da própria sociedade que foi quebrado pelo distanciamento do amor ao próximo.

“Aqui promovemos, o respeito às necessidades humanas compatíveis com o uso sustentável dos recursos naturais e com as necessidades do nosso planeta, nutrindo a solidariedade global.
Ao pensarmos de forma sustentável podemos criar materiais e atividades cujas finalidades são carregadas de benefícios para o desenvolvimento global da criança – formando um cidadão que sabe ser e estar!

A verdade é que este tipo de atividades, para além de estimular a criatividade, contribui para contrariar gastos por vezes desnecessários com a compra de novos brinquedos para as crianças.

Small Land Montessori, o novo colégio sustentável em Lisboa
Jogo sensorial de encaixe e associação de cores. Feito com uma base de cartão, caixas de ovos e pompons.

“Ajude-me a crescer, mas deixe-me ser eu mesmo.” – Montessori

Montessori acreditava que todos nós nascemos com um determinado potencial. Que os adultos devem ajudar as crianças a desenvolver esse potencial. Deu-lhe o nome de – “Segredo da Infância”. Esse segredo precisa ser seguido pelo adulto com base em princípios fortes como:

  • ordem
  • liberdade de movimento
  • idioma
  • independência
  • ambiente preparado
  • liberdade
  • disciplina
  • desenvolvimento social
  • observação
  • música e artes.
Small Land Montessori, o novo colégio sustentável em Lisboa
Jogo de encaixe de pauzinhos de madeira numa caixa de ovos.

O método Montessori tem mais de um século de existência e assume-se como uma educação para a vida.

Dar autonomia, independência e liberdade supervisionada pelos educadores é a nossa forma de estar. Debaixo de ritmos de aprendizagem diferentes, as crianças são estimuladas a aprender com o mundo que as rodeia, respeitando-o.

Maria Montessori acreditava que os padrões de concentração estabelecidos na primeira infância tornam a crianças aprendizes confiantes e competentes nos anos posteriores.

Perante os materiais selecionados a criança tem a livre escolha de trabalhar com o que mais lhe interessar. Desengane-se, quem pense que as atividades são “sem acompanhamento”. O professor observa, acompanha tudo e atua como um mediador entre a criança, o material e o ensinamento que resulta dessa interação.

Tabuleiro de madeira com encaixes para rolhas de cortiça. Serve para contagens, sequências e motricidade fina.

“A tarefa do educador é preparar motivações para atividades culturais, num ambiente previamente organizado, e depois se abster de interferir” – Montessori

Os materiais variam de menos a mais avançados. Estes ão apresentados às crianças em apresentações individuais com base no nível da criança e não na idade.

Quando uma criança se junta ao grupo pela primeira vez, começa a trabalhar com as atividades da Vida Prática, que permitem que a criança se torne mais confiante. Apresentações sensoriais, matemáticas, linguísticas e culturais seguem o caminho de aprendizagem natural da criança. O ambiente preparado apoia o desenvolvimento da vontade da criança, convidando a criança a fazer escolhas independentes de uma certa quantidade de actividades.

Small Land Montessori, o novo colégio sustentável em Lisboa
Caixa sensorial. Feita a partir de uma caixa de sapatos, da qual puxamos diferentes pedaços de tecidos e materiais (diversas texturas e cores).

Valores e objectivos na Creche / Infantário Small Land de acordo com a nossa pedagogia:

  • Estimular a independência
  • Autoaprendizagem e autocorreção
  • Acompanhamento individual da criança
  • Ter boas maneiras, ser educado
  • Estimular a liderança, que é o cuidar dos outros
  • Musicalidade e liberdade de movimentos, com exploração sensorial
  • Celebração da vida

O papel do adulto é unicamente o de ajudar a criança a chegar ao êxito. Assim os materiais apresentados devem estar em consonância com o seu desenvolvimento cognitivo e motor. Desta forma Maria Montessori entendia que “a educação é uma ajuda à vida”.

 

Sim, eu sou essa mãe horrível

Sou a mãe horrível que só entra no carro quando vos vê entrar na escola.

A que pergunta sempre que entram no carro: “têm o cinto?”

Que diz coisas como “quem manda sou eu”, “porque eu disse”, “eu que vos volte a chamar”, “vou contar até 3”.

Sou a mãe horrível que estabelece horários de uso de tecnologia e fá-los cumprir.

A que não vos deixa ir para a água antes de colocar protetor solar.

Que vos pergunta sempre se levam o telemóvel, o cartão da escola o dinheiro das refeições, a flauta ou o saco de Educação Física.

Eu sou a mãe horrível que vos obriga a vir comigo para todo o lado porque não podem estar dentro de casa, sempre, para sempre.

A mãe horrível que vos leva a repartições de serviços públicos para que possam aprender coisas como tirar tickets, esperar, desesperar, expor uma situação, lidar com burocracias.

A que quer fazer férias com e sem vocês.

Que quer ir ao estrangeiro e aos concertos sem vocês porque vocês não querem ir.

Sou a mãe horrível que depois se sente horrivelmente culpada por fazer planos que não vos incluem.

A mãe que morre de medo que aconteça alguma coisa quando está longe de vocês.

Que já sente saudades vossas quando ficam algumas horas com os avós.

Eu sou a mãe horrível que se enerva e manda uns berros e diz coisas como “desapareçam da minha vista”.

A que vos chama a atenção quando estão a portar-se mal e não vos admite faltas de educação.

Sou a mãe que vos obriga a escrever resumos para as disciplinas de história e de ciências.

A que arranjou uma hora extra nos nossos horários loucos para estudarmos um pouco de matemática.

Sou a mãe horrível que vos enche o estojo de canetas pindéricas multicoloridas.

A que vos veste de igual. E diferente e de igual mas com cores diferentes porque vocês e eu gostamos.

Que vos diz “levem o casaco porque está vento/fresco”.

Eu sou a mãe horrível que insiste em dar-vos as vacinas, as vitaminas, levar-vos às consultas e explicar-vos como todas estas coisas são necessárias.

A mãe que vos leva para as minhas aulas na academia quando não querem ficar em casa ou não temos os avós para ajudar.

A que insiste em que usem o gel para o acne porque as borbulhas já começam a aparecer.

A mãe horrível que vos preparou intensivamente para determinadas fases da adolescência.

Sou a mãe horrível que vos deixa ver as séries de comédia da Fox Comedy.

A mãe que vos fala incessantemente do Harry Potter ou do Senhor dos Anéis ou do Indiana Jones mesmo quando vocês não querem saber disso para nada.

A que daria anos de vida para perceber como funcionam os vossos cérebros ou poder trocar de lugar convosco e evitar que o autismo não vos roube mais nada.

Eu sou a mãe horrível que assume que tem pouca paciência para mariquices no boné.

A mãe que está atenta a tudo e vos protege até da vossa própria sombra se assim tiver de ser.

Que, às vezes, já não vos consegue ouvir ao fim de um dia particularmente difícil e cansativo mas não resiste a ver-vos dormir.

Sou a mãe horrível que vai sempre aconchegar-vos e senti-vos respirar antes de se deitar.

A mãe que vos chaga a cabeça se vocês pisam o risco.

A que vos vai dando corda para que um dia não precisem de mim.

Eu sou a mãe horrível que, às vezes, pensa como seria a vida sem vocês e sente imediatamente um aperto no coração.

Sou a mãe que precisa de descanso e de dormir e de relaxar e de ver TV e de ler e de ter apenas uns minutos sozinha.

A que consegue atingir velocidades incríveis a caminho da escola quando lhe ligam da escola por vossa causa.

Sou a mãe horrível que vos ensina a rir dos vossos defeitos e falhas.

A que vos diz que eu devia ser como as aquelas mães que nunca têm chatices e despejam os filhos numa escola par alguém cuidar deles quando vocês estão particularmente inspiradas para o disparate e a agitação e a parvoíce.

Sou a mãe que se arrepende de ter uma boca destravada.

Sou a mãe horrível que tem um péssimo acordar e passou essa herança para uma de vocês.

Sou a mãe que vos ama tanto tanto tanto que chega a doer.

A mãe horrível que não fazia ideia do que era ser mãe. A que tem de aprender a sê-lo, todos os dias, um bocadinho.

No fundo, obrigada por ser a vossa mãe.

Mesmo, assim, horrível.

Os livros atuam na criança aos mais diversos níveis.  São versáteis e servem muitas funções, mas não são mágicos. Há que fazer um trabalho continuado para que os livros e tudo o que transmitem possa fazer sentido à criança e não apareça na sua vida como um pop-up sem contexto. Os livros transmitem muitas mensagens e, na maioria das vezes, até são diferentes de criança para criança. Por isso é preciso dotá-las de capacidades para a exploração completa de um livro e não o reduzir simplesmente à mensagem que nós achamos ou queremos que este passe.

Uma história por dia nem sabe o bem que lhe fazia.

Apesar do trocadilho, é bem verdade. Só ao ler, ouvir e explorar muitos, diferentes e bons livros as crianças conseguem retirar deles todo o seu potencial.

“Um livro é um brinquedo feito com letras. Ler é brincar.” (Rubem Alves).

O convívio diário com os livros nas suas diversas formas, como brinquedo, como objeto lúdico traz benefícios a vários níveis. Alargamento do vocabulário, promoção da empatia, e desenvolvimento do sentido crítico. Promove o aumento da concentração, do conhecimento do mundo e da gestão das emoções.  Aumenta a capacidade de imaginação e de outras dimensões da criança e do ser humano em geral. É importante ensinar aos nossos filhos o poder dos livros.

Acredito que o prazer na leitura. A consciência da sua importância é das ferramentas mais poderosas que podemos deixar na “caixa de ferramentas” das crianças. Para tal é importante que os adultos que fazem parte das suas vidas deem eles próprios o devido valor aos livros, uma vez que as crianças aprendem sobretudo por imitação.

Dar “acesso livre” aos livros e não os guardar como objetos preciosos que só podem ser manuseados com cerimónia é outra estratégia a ser adotada.

Por fim o que mata o gosto pela leitura é, entre outras causas, o facto de um livro ser apresentado como obrigação. (Alice Vieira)

“E ele fica apenas a brincar?”

“Mas o que é que ele faz entre a escola e a hora do jantar? Não achas que tem demasiado tempo livre?”

“Mas Ana, tem de entender que temos de lhe ocupar estas horas vagas. Se não ele não consegue aprender a utilizar o tempo de uma forma útil”

“Mas está a sugerir o quê, que o deixemos apenas a brincar?”

Sim, de facto estou a sugerir que as crianças devem ficar um tempo bastante alargado “apenas” a brincar. De preferência em espaços abertos. De preferência em espaços naturais. De preferência com outras crianças que não sejam necessariamente colegas. De preferência sem a interferência dos adultos.

No caminho para o sucesso não há lugares sentados

Numa sociedade cada vez mais acelerada e mais competitiva, é normal que sintamos que todos os nossos segundos acordados sejam no sentido de produzir alguma coisa. Quantas vezes chegamos a cortar nas horas de sono e de descanso para mais uma horinha no escritório?  Ou mais uns minutos para acabar aquele relatório. Parece que o sentar, só por sentar já não existe sem alguma culpa por não estarmos a ser “produtivos” para o nosso caminho de “sucesso”.

A brincar? No caminho para o sucesso não há lugares sentados

Neste caminho, resolvemos também levar as nossas crianças.

Muitas crianças têm um horário tão ou mais preenchido que os adultos. Começam as aulas muito cedo. Têm um dia repleto de aprendizagens, de absorção de conhecimento que muitas vezes continua para as AEC e outras atividades de enriquecimento curricular. Depois os ATL, centros de explicações e afins. E quantas vezes seguem para desportos, músicas, atividades de expressão, entre outras

A oferta é tanta, que muitas vezes o próprio fim-de-semana é sacrificado, perdendo-se tempo em família em prol das tais atividades.

“Ah, ele está nos escuteiros, porque tem de desenvolver as capacidades sociais”

“Está no xadrez para desenvolver o raciocínio”

“Está na música e no violino para desenvolver a motricidade fina e o ritmo. Também ouvi dizer que era muito importante para a leitura”

“Não quisemos abdicar da vela, para melhorar a concentração e a motricidade global”

Estas, entre tantas outras justificações para a sobrecarga horária das nossas crianças. Estas e a minha preferida do:

“Antes isto, do que ficar apenas a brincar”.A brincar? No caminho para o sucesso não há lugares sentados

Actividades extra-curriculares ou tempo para ficar a brincar?

A verdade é que existe hoje em dia uma oferta extremamente abrangente de atividades infantis e uma quantidade de informação que chega a sobrecarregar os pais na hora da tomada de decisões. As atividades extracurriculares, em certa medida, são de extrema importância para o desenvolvimento de diversas capacidades. Mas o brincar livre, ao ar livre e em ambientes naturais de preferência sem a interferência permanente de um adulto é também muito importante. Há que haver um equilibrio, como em tudo na vida.

Tanto nas atividades extracurriculares, como em grande parte do dia da criança, está sempre um adulto presente. Salvo raras excepções, nós adultos temos a tendência de orientar a criança para o que consideramos ser mais importante para o seu desenvolvimento. Para resolvermos as dificuldades imediatas do seu quotidiano. Para interferir nos pequenos conflitos entre crianças que possam aparecer. Ao fazermos isto estamos a tirar à criança a sua capacidade de decisão, de autonomia e de desenvolvimento então das suas capacidades sociais.

A brincar? No caminho para o sucesso não há lugares sentados

Que competências se desenvolvem a brincar?

O brincar não é “apenas brincar”. É o palco de diversas de aquisições de extrema importância no desenvolvimento psicomotor, académico e sócio-emocional. Ao colocarmos a criança ao ar livre, e sobretudo em ambientes naturais, a criança tem a hipótese de ter uma estimulação multisensorial. Isto vai permitir-lhe fazer uma generalização do mundo que a rodeia.

Mais do que isso, vai perceber a existência das flores, árvores, solos e vários animais que a rodeiam. Esta descoberta é essencial para a construção da sua curiosidade, espírito crítico e noção ecológica.

Por outro lado, sendo uma brincadeira livre, poderá subir às árvores, correr, saltar e realizar outras ações motoras. Estas ajudarão no desenvolvimento do equilíbrio, noção de corpo, estruturação espacial, avaliação de risco, resolução de problemas, entre outros. Estes factores serão necessários mais tarde para as aquisições académicas.

 

Sociabilizar desde criança

Se a esta brincadeira livre se associar o estar com outras crianças, a criança tem a oportunidade de inventar jogos e brincadeiras de grupo, fomentando a criatividade, o raciocínio na construção de regras, o trabalho em equipa, o ceder e perceber o lado do outro.

Se existirem conflitos, como é tão comum na infância, ao estarem livres as crianças terão a oportunidade de, sozinhas, encontrar o melhor caminho para resolver a situação. Todas estas aquisições são essenciais para o desenvolvimento da empatia, uma capacidade tão falada hoje em dia.

Desta forma, estando num parque, num recreio, num jardim, as crianças desenvolvem ao seu tempo, no seu ritmo e em conjunto, grande parte das competências que atribuímos a necessárias de serem desenvolvidas de forma estruturada e fechada.

A brincar? No caminho para o sucesso não há lugares sentados

Brincar é a preparação para a aprendizagem

Vários estudos já nos mostraram que o brincar e as várias fases do brincar são na realidade a preparação para aprendizagens mais permanentes e necessárias em outros períodos de vida, pelo que tirar mérito ao brincar é no fundo desvalorizar a infância e a sua importância.

Como dissemos, realmente existe um grande interesse em atividades extracurriculares. Claro que a presença adulta é sempre necessária na vigilância das nossas crianças. Mas tudo isso não tira mérito ao jogo e ao brincar. E acima de tudo, à agência da criança como construtura do seu próprio desenvolvimento.

Quero voltar a ser criança!

Quero comprar sacos de gomas, tropeçar nos atacadores e jogar ao ‘lá vai ai’.

Eu quero rebobinar a cassete dos Onda Choc e esperar pelo segundo toque para saber se o professor faltará à aula.

Quero ter um relógio com ponteiros que não mexem e comer batatas fritas para ganhar pega-monstros.

Ver o final do Roque Santeiro e não perder os Jogos sem Fronteiras.

Eu quero voltar a ter rodinhas na bicicleta e aprender – de uma vez por todas – a andar de patins.

Ir ao pão com vinte escudos e comer cigarros de chocolate.

Quero comprar revistas da Turma da Mônica e ir ao clube de vídeo escolher um filme.

Quero jantar em casa da vizinha, mostrar-lhe os meus sapatos novos e sentar-me à porta nas noites de calor.

Calçar as minhas colibri e cantar ao espelho as músicas do festival da canção.

Quero voltar a ser criança

Quero fazer coleção de blocos e borrachas coloridas.

Eu quero jogar ao STOP, ao macaquinho do chinês e tomar decisões difíceis com um-dó-li-tá.

 

Quero ir a festas de anos com tortas Dan Cake e rebuçados diamante e quero contar todos os meus segredos a um diário.

 

Ter uma bota botilde, saltar ao elástico a tarde inteira, voltar a pedir “mamã dá licença” e esmerar-me nos passos à gigante.

rebuçados diamantes

Quero escrever “Queres namorar comigo?”, fazer um quadrado para o Sim e para o Não e ficar a aguardar a pueril resposta que, com sorte, tem o desenho de um coração.

Eu adoro o presente – que é de facto, um presente!!

Mas só graças a um passado feliz, hoje vivo grata e a acreditar que o melhor está sempre por vir!

 

Por Filipa Salgueiro, enviado para publicação para Up To Kids®

Play With Me, os bonecos únicos que os miúdos adoram

A Play Handmade é uma marca de produtos artesanais criada em 2016. Nasceu da paixão pelo crochet e pelo mundo do imaginário infantil.

O conceito da Play Handmade é poder-se brincar e criar brinquedos com  técnicas, materiais e formas diferentes dos usuais hoje em dia. Explorar novas formas de criar, ajudará o seu filhos a explorar novas formas de brincar.

Play with me

Por isso a Play criou os Bonecos Play with me, que são artesanais, únicos, feitos à mão em crochet e à medida do seu filho. Os bonecos Play With me são feitos de acordo com o gosto de cada criança. São para rapaz e rapariga, fáceis de transportar e laváveis.

Mais do que um simples boneco, os Bonecos Play With Me são o que o seu filho quiser: um companheiro de aventuras, um animal de estimação, um amigo e confidente, uma companhia para as noites mais longas, uma princesa para as festas de chá, ou até um herói para o defender dos monstros e fantasmas.

Cada boneco é feito com muito carinho e dedicação. É só escolher o tipo de boneco, as cores e nós fazemos!

Como são essencialmente feitos a pensar nos mais pequenos, a Play Handmade aposta na qualidade. Todos os bonecos são 100% algodão de uma marca portuguesa conceituada e o enchimento é anti-alérgico. Todos diferentes, mas todos iguais!

Play

 

Conheça mais sobre estes bonecos na página de facebook da Play

Imagens da Play e da Viela Concept Store

O protetor solar ISDIN Fotoprotetor Pediatrics Transparent Spray indica um fator de proteção solar (FPS) 50+, mas os testes em laboratório revelam que deveria estar rotulado com FPS 15.

A Deco, publicou no dia 31 de maio 2019 o seguinte comunicado:

“As associações de consumidores da Bélgica e de Espanha também adquiriram, nos respetivos países, o protetor solar ISDIN Fotoprotetor Pediatrics Transparent Spray 50+ e enviaram-no para laboratório. Os resultados foram iguais aos obtidos pelo produto comprado em Portugal.

Este produto entrou no grupo de protetores selecionados para o teste que publicámos na TESTE SAÚDE n.º 139 (de junho/julho). Tal como em todos os testes que realizamos, enviámos os resultados aos fabricantes antes da publicação. A ISDIN apresentou argumentos que justificavam a repetição do teste. Comprámos novamente o produto e enviámo-lo para laboratório. Os testes confirmaram os resultados: o FPS indicado no rótulo não deveria ser 50+, mas 15. Em consequência, a proteção conferida não é “muito alta”, como refere o produto, mas “média”.

O FPS indica a capacidade para filtrar os raios ultravioletas do tipo B (UVB). Mas é também necessário defender a pele da radiação do tipo A (UVA). De acordo com a Comissão Europeia, o índice desta proteção deve ser um terço do FPS indicado, o que também não é cumprido pelo ISDIN Fotoprotetor Pediatrics Transparent Spray 50+.

Os testes foram realizados num laboratório independente e certificado, seguindo as normas da Organização Internacional de Normalização (ISO): ISO 24444:2010 Cosmetics – Sun protection test methods – In vivo determination of the sun protection factor (SPF) e  ISO 24443:2012 Determination of sunscreen UVA photoprotection in vitro.

Já demos conhecimento dos resultados ao Infarmed, para que verifique a situação e atue em conformidade.

A Direção-Geral da Saúde recomenda a utilização de um protetor solar com FPS mínimo de 30, independentemente do tipo de pele. Para as crianças, que têm a pele mais sensível, aconselhamos uma proteção superior.”

A Isdin reagiu à notícia nas suas redes sociais, onde podemos ler o seguinte comunicado:

“Em resposta à publicação da DECO (associação privada de Defesa do Consumidor) sobre os protetores solares ISDIN, junto enviamos em anexo o comunicado oficial que demonstra, em detalhe, a segurança do nosso produto.

NOTA INFORMATIVA: POSICIONAMENTO ISDIN SOBRE ESTUDO “DECO FOTOPROTEÇÃO”

Relativamente ao estudo da DECO sobre Protetores Solares no qual se indica que o produto ISDIN Fotoprotector Pediatrics Transparent Spray SPF 50+ confere uma proteção inferior à que é comunicada na rotulagem, apresentação comercial e publicidade, a ISDIN pretende destacar o seguinte:

● A ISDIN é uma empresa de referência na área da fotoproteção, que submete todo o seu portfolio de produtos às provas mais exigentes para garantir a sua eficácia.

Assim, as características do Produto que se fazem constar na sua rotulagem e nas peças publicitárias que lhe dizem respeito, entre as quais se encontram o Fator de Proteção Solar UVB (SPF) e a proteção UVA (UVA-PF), correspondem, em absoluto, aos resultados publicados em estudos realizados por entidades certificadas, especializadas, independentes e de grande prestígio.

Ler o comunicado completo aqui

 

O que aprendi com as crianças

Com as crianças aprendi que um ataque de cócegas salva o mundo.

Que um escorrega pode ser uma prancha num navio pirata, uma construção de areia uma cidade imaginária.

Com as crianças aprendi que temos tantas certezas porque muitas vezes deixámos de fazer perguntas.

Que o amor é a coisa mais pura do mundo e faz tanta falta…

Que uma palavra fere, mas também tem o poder de transmitir confiança.

Que um incentivo é tudo o que precisamos para acreditarmos em nós.

Que saltar em cima da cama é bom, que andar descalço na relva é maravilhoso, que fazer competições de “golfinhos” na praia é incrível.

A importância de brincar.

Que não é preciso muito para nos divertirmos, que com uma colher de pau e uma panela se faz música, que podemos fazer render um livro durante meses, por mais que na altura nos tenha custado gastar aquele dinheiro, talvez mais útil para outras coisas.

Com as crianças aprendi que só percebemos as diferenças quando alguém nos vem apontá-las, até lá somos apenas pessoas, iguais, irmãos.

Que o que é básico para uns é um luxo para outros.

Que o tempo é precioso e nem sempre sabemos usá-lo da melhor maneira.

Que encarnando super heróis somos capazes de tudo (e às vezes bastava pensarmos em nós como a Mulher Maravilha para aquela tarefa complicada parecer mais simples).

Que sujar é bom, e já me tinha esquecido.

Qual a sensação de saltar nas poças.

Que bons amigos nunca são demais e que o nosso primeiro instinto raramente nos engana.

Que cantar tem outro encanto, dançar outra dinâmica, sorrir outro valor.

Como é bom fazer bolas de sabão e tentar apanhá-las.

Com as crianças aprendi a importância de ser visto, reconhecido. A importância de ouvir e valorizar.

Como é importante estar verdadeiramente.

Que os telemóveis distraem e nos roubam momentos que não voltam mais.

Que o que dizemos importa e deve ser pensado.

Que a forma como vemos o mundo pode determinar a forma como elas o vão receber na sua vida.

Com as crianças aprendi o peso de saber pedir desculpas.

Que os bens materiais não interessam para nada, mas que algum dinheiro ajuda a levar os dias mais confortavelmente. Algum dinheiro, não uma fortuna, porque a riqueza verdadeira dos nossos dias está na forma como os vivemos. E não há fortuna nenhuma que nos salvaguarde isso.

Que a culpa que sentimos enquanto pais muitas vezes não é apontada pelos filhos.

Que os nossos filhos nos vêem com óculos de amor sempre postos e perdoam a maior parte dos nossos defeitos.

Com as crianças aprendi a importância de se ser criança.

De deixar os nossos filhos serem crianças sem lhe pormos constantemente o peso do amanhã nas costas, nem mil actividades, nem o stress que é e deve ser só nosso.

Aprendi a importância de esquecer o que não importa. De passar menos tempo preocupada com a casa e mais tempo a saber viver nela.

Com as crianças aprendi como é essencial não deixarmos morrer a que vive dentro de nós.

E fazermos perguntas ousadas.

Sem medo das respostas.

Sermos gentis. Abraçarmos mais.

Ligarmos menos ao que pensam de nós.

Sermos tão bons quanto fomos um dia, antes de o facto de sermos adultos nos ter distraído.

Com as crianças aprendi que não é preciso muito para ser feliz.

E é esse trabalho diário que pratico.

Olhar em volta e reter o que nos faz bem, deixar para lá o que não nos acrescenta nada.

Que nunca nos esqueçamos que os nossos filhos são (ou foram) crianças e nunca deixemos esmorecer a que ainda temos dentro de nós!

As mil e uma noites

Gosto de me manter atualizada sobre o que há no mercado editorial dos livros infantis.

Como mãe e como profissional da área da do livro infantil e da educação interesso-me por saber o que há nas prateleiras reais ou virtuais das livrarias e nas editoras. Perceber o que as famílias têm à sua disposição. Não tem que ser necessariamente o último livro editado ou sequer o mais falado, gosto de ter uma visão generalizada.

Nestas minhas pesquisas encontrei há pouco tempo mais um livro sobre AS MIL E UMA NOITES, uma coletânea de histórias e contos populares do médio oriente e do sul da Ásia que foram compiladas em árabe no Século IX. A versão final desta coleção foi publicada em 1889, depois de várias adaptações e traduções. Esta versão diz que é uma das mais fiéis à original e por isso despertou-me a curiosidade.

As mil e uma noites, a lenda.

Reza a lenda que o Rei Xariar, enraivecido por causa da traição da sua mulher com um escravo, manda matar ambos. A partir desse dia o Rei decide ter uma noiva diferente todas as noites e ordenar a sua morte na manhã seguinte.

Xerazade, filha de um dos conselheiros do Rei, voluntaria-se para ser sua noiva. Para evitar a morte certa, Xerazade conta histórias fascinantes ao Rei pela noite dentro. De manhã interrompe a narrativa e promete retomar na noite seguinte. O Rei fica tão encantado que não ordena a sua morte. Assim continuam por mil e uma noites até que o Rei decide não matar Xerazade. Confesso que não me lembrava muito bem das narrativas que fazem parte da coletânea, por isso fui reler algumas delas. Histórias como Sinbad, o Marinheiro, Aladino ou Ali Babá e os Quarenta Ladrões fizeram-me voltar à minha infância.

Mas desta vez li as histórias com outros olhos, outro entendimento e outra experiência. E o que mais me surpreendeu foi a capacidade de Xerazade prender a atenção e encantar o Rei durante as mil e uma noites.

Se acreditarmos na lenda, também acreditamos no poder que que as histórias têm. Nas crianças assim como nos adultos.