7 Princípios para olharmos para os professores com olhos de ver

De uma forma geral, será mais produtivo olharmos para os docentes, para o seu trabalho e para a sua missão, refletindo sobre estes princípios:

1 – A educação começa na família e depois segue no sistema de ensino

O maior sinal de que uma sociedade está doente, é começar a desrespeitar quem garante o futuro dessa mesma sociedade. E a educação é a base e a rampa de lançamento do futuro de uma nação que se preze. A educação começa na família e depois segue no sistema de ensino…

2 – Desrespeitar é, por exemplo, não desmontar ideias falsas.

Há dias, em Fátima, centenas de docentes (professores e educadores de infância,…) participaram com uma entrega poderosa, numa ação de formação que dinamizei. No fim de uma semana de trabalho, ainda conseguiram motivação e espaço no cérebro para evoluir. É que, porque há muita gente (e gentinha) que se esquece: Ser docente não é pêra doce! Já vão longe (espero eu!) os mitos das “progressões fáceis”. Já dormem as falsidades sobre as “férias gigantes”. Já estão esquecidas as comparações marotas com as “Finlândias”, até porque na Finlândia, o importante é o apoio aos docentes.

3 – O desgaste, o (mau) stress e as injustiças, existem.

Muitas profissões sofrem deste desgaste, no entanto, a carreira docente tem particularidades. Em Fátima, por exemplo, os docentes observavam-me com atenção, mesmo estando cansados. Escutavam-me com desejo, mesmo havendo uma certa desilusão com o rumo do país. Interrogavam-se com fervor, mesmo não havendo comunicação social para fazer eco daquele esforço. O desenvolvimento pessoal, a formação, a busca pela actualização, é feito, muitas vezes, na sombra. A meio da sessão, recebemos um telefonema. Era o Presidente da República! Pois não era. Ninguém telefonou.

4 – Eu fui a Fátima, amanhã estarei em Setúbal e segunda-feira, ainda nem sei.

Esta instabilidade de horários e locais, faz-me empatizar com os melhores professores. Aqueles que também viajam e chegam a lugares novos quase todos os anos, mantendo a maioria das vezes o espírito positivo, porque pensam no melhor para os seus alunos (que não têm culpa). Também eu faço Palestras e (trans) Formações em salas quentes, salas frias, longe de casa, muito longe de casa, muito cedo, muito tarde,…e faço com entrega…porque penso nos melhores. Porque o mundo está numa mudança abrupta e constante.

5 – Um educador deve estar consciente dessas mudanças, e deve estar atento a métodos mais eficazes, mais atuais.

As minhas sessões nem sempre acabam com “beijinhos e abraços”. O meu trabalho não é (apenas) motivar. Procuro agitar e dar caminhos. Procuro tocar nas feridas. As feridas existem. O cérebro humano está em constante mudança, por isso a formação é fundamental. Por vezes, sou mal interpretado. Outras vezes acham que sou “demasiado duro”. Não faz mal. Porque a maioria entende que o meu objetivo é nobre, sempre focado nos alunos e nas melhores práticas…se um docente é dos que (apenas) diz que faz (mas não faz) o natural é ele sofrer nas minhas sessões. Pretendo que eles saiam mais fortes. Mais próximos de fazerem o que sabem que tem que ser feito. E a psicologia pode doer. Tentamos ir pela positiva, mas pode doer. Mas é nessa luta que os melhores se colocam. Acertar, falhar, tentar, acertar, falhar…

6 –  É fundamental darmos estabilidade.

Um docente com estabilidade, fica mais aberto para ouvir. Mais capaz de escutar. Mais próximo de limar as arestas da sua ação pedagógica. Claramente, um dos maiores desafios: a estabilidade do docente. Felizmente, vejo cada vez mais equipas de psicólogos e afins, como uma equipa excelente em Sines, por exemplo. Ou no AE Cego do Maio, na Póvoa de Varzim. Ou os profissionais do “Afirma-te” em Idanha-a-Nova. E os docentes, os pais e os alunos precisam deste esforço de todos.

7 – A esperança é a última a morrer

No fundo, eu sei que um dia as condições podem melhorar. Terão os sindicatos que melhorar também. E a classe política terá que ser mais capaz. Entretanto, alguns professores vão desistir. Outros vão adoecer. Outros vão ter um esgotamento. Outros serão perseguidos por uma turma vítima da ausência dos pais.

Mas a maioria seguirá. Sem precisar de boa imprensa, ou de um telefonema de um famoso. Mesmo com a desilusão de estarmos num país onde o tal pilar, a tal base, é tantas vezes alvo de ingratidão. Seguirá empatizando comigo, quando tento que melhorem. Seguirá buscando o seu equilíbrio, com ou sem apoio da equipa de psicologia. Seguirá buscando a estabilidade interna, no que pode controlar.

A intensidade do amor não é sempre igual.

Como a intensidade da fé também não é sempre constante. Lembrei-me disto em Fátima…

Não são constantes, mais isso não significa algum erro. É mesmo assim. Nem o sol tem sempre a mesma radiância. Agora, tem que existir amor, isso tem. E o sol não foi um sonho.E os melhores docentes lá seguirão, tentando ter uma maior quantidade de momentos onde são capazes de persistir, capazes de melhorar práticas, capazes de enfrentar injustiças, exercitando o amor à escola, aos alunos, mas, principalmente, o amor a si mesmos.

 

Imagem de Pexels por Pixabay 

 

Mães depois dos 30 anos têm filhos mais inteligentes. Estudo confirma.

A partir de uma certa idade começa a ser comum para as mulheres serem “bombardeadas” com as típicas perguntas. “Então para quando um bebé?”. “Já está na hora de vir um menino, não?”.

Hoje em dia a maternidade é cada vez mais adiada por diversas questões. Financeiras, profissionais, relações pessoais, entre outras. Afinal,  ainda bem! Segundo a ciência, ser mãe depois dos 30 anos é bastante benéfico para o bebé.

De acordo com um estudo realizado por Alice Goisis, uma professora associada em Demografia no Centro de Estudos Longitudinais localizado no Departamento de Ciências Sociais da University College London, em Londres, as mulheres que são mães pela primeira vez depois dos 30 anos têm filhos mais inteligentes, ou seja, apresentaram resultados cognitivos e comportamentais superiores aos dos filhos de mulheres com idades entre os 25 e 29 anos.

Após analisar os dados do Millennium Cohort Study (MCS), um estudo nacional que acompanhou mais de 18.000 nascimentos ocorridos no Reino Unido por volta do ano 2000, a investigadora pode concluir que as mães que têm o primeiro filho aos 30 anos ou mais são as que têm maior probabilidade de manter altos níveis de qualificação, de se casar e de coabitar no momento do nascimento e de ter altos níveis de renda familiar. Além disso, estas mães, tendem também a ter um melhor comportamento de saúde em comparação às mais jovens. Menor propensão a fumar e tendem a amamentar por um período superior a 4 meses.

Mães depois dos 40 anos

O mesmo não se passa com mulheres que são mães pela primeira vez a partir dos 40 anos.  Apesar de terem características semelhantes às de 30-39 anos, os seus filhos não só não apresentam níveis significativamente diferentes de resultados cognitivos e comportamentais, como até correm maior risco de obesidade em comparação com crianças nascidas de mães com idades entre os 25 e 29 anos.

Se estás a pensar em ter filhos, as melhores idades para o fazeres é entre os 30 – 39 anos. Isto, segundo a ciência.

Obviamente, não existe melhor altura do que aquela em que te sentires realmente preparada para esse passo tão importante da tua vida!

 

Por Sábias Palavras, adaptado por Up To Kids

Conta Comigo | De Marta Coelho | Ilustrações Ana Rita Malveiro | Editora Máquina de voar | Uma parceria Up To Kids

 

Conta comigo é um dos primeiros dois álbuns ilustrados que nascem de uma parceria da Up To Kids com a editora Máquina de voar Editora.

 

SINOPSE

O que há de comum a todos os pais do mundo? A vontade de proteger, o desejo de estar perto, a presença de um amor eterno e inabalável. Todas as promessas que são ditas em voz alta e as que os pais sussurram ao ouvido são, no fundo, Conta Comigo.

FICHA TÉCNICA

Marta Coelho e aRita

32 páginas . 200 x 230 mm
ISBN: 9789899970854
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Preço site: 9,54 €

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Não tenhas medo | De Marta Coelho | Ilustrações Ana Rita Malveiro | Editora Máquina de voar | Uma parceria Up To Kids

 

Não tenhas medo é um dos primeiros dois álbuns ilustrados que nascem de uma parceria da Up To Kids com a editora Máquina de voar Editora.

 

SINOPSE

Não tenhas medo ilumina os possíveis obstáculos no caminho que, com os pais eternamente por perto, serão sempre ultrapassados. Palavras doces sobre auto descoberta e confiança nas características que nos tornam únicos, palavras que mesmo depois de lidas ficarão para sempre no subconsciente do amor.

FICHA TÉCNICA

Marta Coelho e aRita
32 páginas . 200 x 230 mm
ISBN: 9789899970661
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Pais presentes criam filhos independentes e autónomos

Tão interessante perceber que o que os pais mais querem é filhos independentes e autónomos. Querem que façam as coisas por eles, que não dependam de ninguém. Querem que não estejam atrasados no desenvolvimento. Que não haja nada de errado quando parece que já deviam ter dado aquele passo ou ter dito aquela palavra.

O foco está todo em forçar a independência. E “forçar” é a palavra-chave aqui, que advém das nossas crenças. Da forma como nos sentimos perante a “dependência” e que nos leva agir de uma forma, por vezes, até inconsciente na relação com as crianças. Se a relação tiver um começo que é a dependência e um fim que é que independência, um fim como sendo um objetivo, o nosso foco está, na maioria das vezes, nessa independência.

E na verdade, famílias, o foco deveria estar nas seguintes perguntas:

O que eu posso ser agora para o meu filho para que ele venha a ser independente de uma forma saudável?

O que é necessário para que ele sinta que tem os recursos todos para ser quem é?

Quando nos focamos apenas no quer ser independente, estamos com toda a nossa atenção no futuro e a forçar o desenvolvimento da criança. Fora do ritmo da criança. É, por exemplo, quando pegamos o bebé pelos braços para ele começar andar, quando ele ainda não demonstrou sinais para o fazer. É o que fazemos quando começamos a forçar as palavras, sem que a criança comece a fazer sons com a voz. Com isto, não significa que o melhor seja não interagir com a criança. A diferença que eu quero reforçar aqui, é o quanto é importante estarmos presentes no agora.

Como?

Observando como estou a sentir-me. Reconhecendo, observando a criança, sendo um canal facilitador para o seu desenvolvimento, como as margens de um rio que vai desaguar no oceano.

Maria Montessori

Maria Montessori tem uma frase que ajuda a perceber esta questão: “ajuda-me a crescer, mas deixa-me ser eu mesmo”. Montessori diz que a criança nasce com um mestre interior. Uma vozinha que lhe diz o que precisa de fazer naquele momento. E essa vozinha, muitas das vezes, devido ao nosso ego, à falta de conhecimento, é lhe dito que não tem espaço para se expressar. É o exemplo da criança que quer subir as escadas e os pais acham extremamente perigoso. Neste caso, é necessário apenas que o adulto esteja a suportar aquilo que a criança quer fazer naquele momento.

O que seria se permitíssemos que a voz da criança se expressasse mais?

Para existir independência da criança, é necessário que haja uma dependência que lhe transmita segurança. Uma base de sustentação, um espaço único de expressão, de liberdade para ser quem ela já é.

A dependência e a independência fazem parte do mesmo círculo. Vivem muito bem uma com a outra. E são necessárias à nossa existência saudável quando nos ajudam a expandir e a crescer.

 

image@ Lorri Lang por Pixabay 

Os primeiros dentes do bebé: sintomas, cronologia e soluções

O aparecimento dos primeiros dentes num bebé é também um dos primeiros grandes desafios para os pais.

Conseguir acalmar os nossos filhos nesta fase é muito importante pois o nascimento dos dentes poderá gerar várias alterações no equilíbrio do bebé.  E, se o bebé está com dores ou desconfortável, irá consequentemente afetar toda a harmonia familiar.

Nascimento dos primeiros dentes

Desde o período de gestação que os dentes estão em desenvolvimento na boca (Odontogênese).  Formam-se no interior dos ossos maxilares e deslocam-se progressivamente para fora da gengiva, rebentando  naturalmente o 1º dente por volta dos 6 meses de vida, mas cada bebé tem o seu timing. Não há motivos para preocupação se os dentes do seu filho não rebentarem “by the book”. A erupção dentária não está relacionada com o desenvolvimento do bebé e criança, e pode variar muito de criança para criança.

Por exemplo, no caso dos meus filhos, o mais velho começou aos 5 meses, a segunda teve o primeiro dente aos 9 meses, e os dois filhos mais novos deve ter sido na altura suposta porque não me lembro!

Dor e desconforto no bebé

O nascimento dos dentes, por regra, causa dor e desconforto no bebé e consequentemente nos pais, pois todos queremos que os nossos filhos se sintam bem. Não há pior sentimento do que o da impotência no que respeita a ajudarmos um filho. Vê-los em sofrimento tira-nos o chão. Especialmente quando somos mães/pais de primeira viagem, em que todos estes primeiros pequenos sofrimentos dos nossos filhos são muito dolorosos para nós.

As erupções dentárias duram geralmente até aos 3 anos de idade, o que nos parece uma eternidade na altura. Ao fim destes primeiros 3 anos, o bebé terá uma dentição de 20 dentes (10 em cada arcada).

Por que ordem caem os primeiros dentes?

Podemos consultar a tabela abaixo, mas mais uma vez, é representativa pois há bebés e crianças que apresentam outros tempos e ordem de queda dos dentes de leite.

Será um dente?

Quando os bebés ainda não conseguem exprimir por palavras ou gestos o motivo do choro, enquanto pais temos de fazer uma espécie de “exclusão de partes” até perceber o que se passa, para podermos ajudar.

Choro pode significar fome, sono, gases ou desconforto (febre, dores, dentes, ou até fralda por exemplo). Começamos por excluir as mais fáceis.

Quais os principais sintomas de um dente a nascer?

  • Choro e irritabilidade, provocados pela dor
  • Gengivas doridas e inchadas
  • Salivação mais abundante (e tendência a meter os dedos ou objetos na boca)
  • Perda de apetite
  • Bochechas vermelhas, muitas vezes apenas do lado da erupção dentária
  • Dificuldades em adormecer e, nalguns casos, sono agitado

Poderá ainda apresentar:

  • Febre
  • Dermatite da fralda
  • Distúrbios digestivos (cólicas e diarreia), entre outros.

Nota: Se o seu bebé manifestar alguns destes sintomas durante mais de 3 dias, consulte o seu médico para excluir qualquer outra causa.

Quanto tempo demora a dentição de leite a nascer? Cronologia.

Uma erupção dentária dura cerca de 8 dias*. Tendo em conta que a dentição completa corresponde a 20 dentes, contas feitas, são cerca de 160 dias que um bebé poderá estar desconfortável e a viver momentos pouco agradáveis.

* Fonte Macknin ML & al Symptoms associated with infant teething: a prospective study, in Pediatrics. 2000; 105: 747 – 752

O que podemos fazer?

São várias as mezinhas caseiras de alivio da dor de dentes e das gengivas dos bebés. Na minha experiência, todas eles de pouca dura, ou seja, aliviam apenas momentaneamente.

O que usei no meu filho mais novo foi uma solução oral homeopática, sem açúcar e sem sabor que recomendei às minhas amigas, e também vos recomendo aqui, chamada Camilia®.

Benefícios de administrar Camilia® para perturbações atribuídas ao crescimento dos primeiros dentes

  • Atua nos principais sintomas associados ao crescimento dos 1ºs dentes, verificando-se alivio no bebé
  • Através da sua ação local e sistémica, vai atuar não só a nível da dor nas gengivas, mas igualmente na febre, diarreia, irritabilidade e sono agitado que o bebé possa sentir
  • Solução estéril, sem conservantes, sem álcool e sem qualquer tipo de constituinte nocivo para o bebé que é, basicamente, o mesmo que fazer um preparado em casa
  • Os efeitos secundários são pouco frequentes, breves e transitórios. No caso do meu filho, os efeitos secundários foram nulos
  • Higiénico: não precisa de massajar a gengiva porque se apresenta em unidoses, fáceis de transportar e de administrar
  • Sem açúcar: não provoca cáries

Calendário da dentição

Podem visitar o site para informações mais personalizadas, e se clicarem em Eu quero preencher o calendário de dentição do meu filho on-line e de borla, acedem a um calendário pessoal que podem personalizar para cada filho, marcar a data em que caiu cada um dos dentes e depois imprimir.

Camilia® acalma o seu bebé e devolve a paz à sua família

Camilia® é um medicamento homeopático indicado para os sintomas associados ao nascimento dos primeiros dentes. Através da sua ação local e sistémica, Camilia® vai atuar não só a nível da dor nas gengivas, mas igualmente na febre, diarreia, irritabilidade e sono agitado que o bebé possa sentir.

Camilia® é uma solução oral sem qualquer constituinte nocivo conhecido para o bebé, sem açúcar e sem sabor. A posologia recomendada são 2 a 3 unidoses por dia. O bebé deverá ser colocado em posição sentada e o conteúdo deverá ser vertido na cavidade bucal.

Prático e higiénico, Camilia® oferece a solução ideal aos problemas mais comuns associados à primeira dentição.

 

 

“É inegável que o irmão mais velho acaba por perder algum espaço quando nasce o mais novo. No entanto, vai ganhar um irmão mais novo e isso é algo extremamente importante.”

Como preparar uma criança para a chegada de um “irmão mais novo”

A passagem de uma criança de filho único para irmão mais velho é um momento de alguma ansiedade para os pais. Sabemos que irá implicar sempre algumas mudanças. No entanto, parece-me importante referir que, na maior parte das vezes, os adultos complicam bem mais do que as crianças. É óbvio que se trata de uma transição significativa, mas que geralmente se faz de forma mais ou menos pacífica. Para isso, aqui ficam algumas ideias e conselhos para reflectir.

1 – Antecipe as mudanças de rotina

Este aspecto é fundamental. Antes do bebé nascer (e sempre que possível), as rotinas do dia-a-dia (dar banho ou dormir, por exemplo) devem passar a ser realizadas regularmente pelo pai, pelo menos 1-2 meses antes do nascimento. Esta habituação vai fazer com que a criança não sinta que foi por causa do irmão que a mãe deixou de as fazer. Assim vai permitir que não exista tanta competição relativamente a esse aspecto. Como é lógico, a mãe pode e deve estar presente, mas se passar a ser um momento mais “do pai” acaba por facilitar a dinâmica familiar após o nascimento.

2 – Não exija demasiado

Por vezes, a vontade de que a criança se vá preparando para o facto de vir a ter um irmão mais novo faz com que os pais insistam muito na ideia de que isso vai trazer muitas responsabilidades ao mais velho.
É normal que se digam frases como:
-“vais ter que te portar bem, porque o teu irmão vai estar a ver”;
-“agora vais ter que ajudar, porque vais ser o mais velho”;
-“tens que aprender a fazer algumas coisas sozinho, porque já sabes que agora a mãe e o pai vão ter menos tempo”.
Na verdade não é necessário estar sempre a repeti-las. Claro que algumas dessas coisas vão acontecer e devem ser antecipadas, mas o tempo também ajuda a que se estabeleçam por si e se tornem gradualmente uma realidade.

3 – Tente gerir a gravidez com bom senso

A gravidez é um período de tempo interminável para grande parte dos casais e para as crianças mais ainda. Nove meses é muito tempo e essa espera acaba por ser muito longa. Assim, se a criança for pequena é preferível envolvê-la mais no fim da gravidez, para que seja mais perto do momento do nascimento. Assim o entusiasmo não vai esmorecendo e ela acaba por usufruir mais quando surgir o irmão.

4 – Mantenha a atenção especial ao filho mais velho

É inegável que o irmão mais velho acaba por perder algum espaço quando nasce o mais novo. No entanto, vai ganhar um irmão mais novo e isso é algo extremamente importante. Para tentar minimizar essa sensação de perda, pode tentar fazer o seguinte:
  • Comprar um pequeno presente para o bebé “dar” ao irmão mais velho quando nascer
  • Tentar que esteja sempre algum adulto (pai ou mãe) com o filho mais velho quando tiverem visitas em casa. Geralmente as crianças sentem que já não são a prioridade de quem vai a casa, pois passa a ser o bebé. Assim é importante manter sempre um atenção especial nesses momentos. A melhor opção é sentar-se no chão a brincar com ela quando for alguém a casa, para que esteja mais distraída nesses momentos
  • Ter sempre algum presente pequeno em casa para dar ao mais velho, se as visitas só levarem para o bebé (é um bom plano “B”)

5 – Crie momentos de “filho único”

Aproveite enquanto o bebé é pequeno para passar momentos a sós com o filho mais velho. Ele vai-se sentir importante e perceber que, mesmo após o nascimento do irmão, continua a ser especial. Ele precisa disso e os pais também.

6 – Seja tolerante, mas não abdique das regras

É muito importante que haja alguma condescendência para algumas chamadas de atenção que o irmão mais velho possa fazer. Não é o mais frequente, mas por vezes surgem regressões de comportamento como voltar a querer usar chupeta ou biberão, por exemplo. Nestes casos é preciso lidar com elas com alguma paciência. No entanto, o mais habitual é aumentar as birras e o nível de exigência para que os pais dêem mais atenção. Principalmente quando estão a pegar no bebé ou a tratar dele. É claro que se deve ser mais tolerante nessas situações, principalmente nas primeiras semanas, mas aos poucos deve tudo regressar à normalidade. As regras mais importantes devem sempre ser mantidas e nem tudo é aceitável para chamar a atenção. É fundamental que os pais e a criança interiorizem isso para que tudo funcione corretamente.
O principal conselho é que se deve tentar usufruir destes momentos o melhor possível, pois são alturas fantásticas na vida de toda a gente. E, mesmo que seja um pouco atribulado no início, vai ver que vale bem a pena!

Os bebés não comem só papas

Nos dias de hoje a correria é muita e a alimentação saudável e adequada dos nossos bebés nem sempre é facilitada. Aprender a mastigar bem os alimentos é crucial e só aprendemos com experiências e prática, mas já pensaram que é pela experiência que aprendemos?

Dentro da barriga da mãe

Vamos ao início de tudo quando os bebés ainda estão dentro da barriga da mãe. Aí experimentam diferentes estímulos, imprescindíveis para o seu desenvolvimento sensório-motor oral.  Por exemplo, sentem diferentes sabores e o cheiro de tudo o que a mãe come. A exposição a esses estímulos sensitivos e gustativos é fundamental para a programação sensório-motora envolvida nas funções orais, inicialmente na sucção, deglutição, respiração, mais tarde na mastigação e, por fim, na fala da criança.

Quando nasce

Durante o desenvolvimento intrauterino o reflexo natural para a sucção começa-se a desenvolver às 29 semanas e fica completamente maturado entre as 34 e 35 semanas. É o reflexo natural para a sucção que permite a sua primeira alimentação e é a sucção que estimula o crescimento adequado das estruturas oro-faciais (lábios, dentes, língua e músculos). Por vezes há bebés que apresentam alterações nas funções orais e necessitam de ajuda especializada. Por exemplo, de terapeuta da fala mesmo que ainda em internamento de neonatologia.

Só assim o bebé estará preparado para receber alimentos de novas texturas, período em que se inicia a fase da mastigação. Diversos estudos indicam que o bebé entre o 6º e o 12º mês apresenta movimentos rotatórios da mastigação, já sendo então capaz de comer a bolacha e o pão. Com os devidos estímulos, a mastigação é uma função aprendida e muito importante para o desenvolvimento facial da criança.

Afinal como podemos estimular a mastigação e promover uma boa diversificação alimentar?

E se dermos também fruta ou outros alimentos em tiras? Assim estarão a apresentar os alimentos em duas texturas distintas, contribuindo para uma maior aceitação dos mesmos, sendo que a aceitação é um fator indispensável para um bom desenvolvimento da ação mastigatória.

E se os incentivarmos a comer sozinhos, quer com a mão ou com a colher (sujar faz parte!). Estamos a proporcionar-lhe importantes experiências sensoriais que vão potenciar o seu desenvolvimento sensório-motor.

Importante saber que a partir de 1 ano de idade os bebés já são capazes de mastigar bem os alimentos de textura mole e que a partir dos 15 meses deverão aceitar já diferentes sabores, texturas e consistências. Continua a ser fundamental deixá-los tocar, brincar e explorar os alimentos antes de os levar à boca.  Aos 2 anos já conseguem aceitar duas texturas na boca, mastigar e beber autonomamente de forma adequada.

A reter

  • Fomentar o prazer em comer apresentando alimentos adequados nutricionalmente irá permitir uma dieta variada e equilibrada no futuro.
  • Oferecer às nossas crianças uma alimentação variada em sabor, textura, consistência, temperatura, aspeto visual e cheiro e permitir-lhes experiências sensoriais e orais diversificadas irá contribuir para um desenvolvimento adequado da musculatura oro-facial e dento-esquelética e prevenir assim futuras alterações nas funções da sucção, mastigação, deglutição e fala.

Por Terapeuta da Fala Joana Teodoro

Crianças com necessidades especiais de cuidados de saúde

Alguns atrasos de desenvolvimento, como a demora em segurar a cabeça levantada, podem constituir um primeiro indício de deficiência mental. Contudo, algumas crianças com um atraso ligeiro desenvolvem-se normalmente durante os primeiros anos de vida. Mais tarde, a fala, o movimento e as competências escolares podem ficar muito atrás dos das crianças da mesma idade.

Quaisquer desses atrasos deverão ser interpretados com muito cuidado, uma vez que as crianças se desenvolvem com ritmos diferentes. Se o seu filho apresentar sinais de atraso no desenvolvimento, consulte o médico, que poderá recomendar-lhe que vigie e aguarde. Entretanto, pode ser feito um exame físico para excluir a possibilidade de problemas de audição, de visão ou de fala.

Como diagnosticar?

O médico poderá indicar um especialista em desenvolvimento pediátrico ou em neurologia pediátrica, bem como uma equipa de pessoas especializadas da avaliação de problemas no desenvolvimento. Far-se-ão testes para identificar a natureza do problema e para planear uma estratégia adequada. Com base nos testes, o grau de deficiência é identificada.

A educação é a pedra basilar do tratamento de crianças portadoras de deficiência mental. Há escolas, algumas no âmbito do ensino público, que proporcionam aulas para crianças com necessidades especiais.

O diagnóstico de deficiência mental pode afetar muito os familiares que por vezes têm sentimentos de culpa ou de revolta. A maioria dos pais quer saber se os filhos irão algum dia conseguir funcionar com autonomia. Essa é uma situação possível em muitos casos. As crianças nesta situação precisam de todo o amor e de toda a orientação para conseguir o seu potencial máximo.

Deficiências de aprendizagem

Uma deficiência de aprendizagem é um problema que afeta a capacidade do cérebro de interpretar informações. Essas limitações podem ser expressas em termos de dificuldades específicas na fala, na escrita, na coordenação física, nos impulsos comportamentais e no intervalo de atenção.

Podem afetar o rendimento escolar (leitura, escrita e matemática), as rotinas diárias ou as interações sociais.

A deficiência de aprendizagem define-se como uma diferença importante entre a inteligência de uma pessoa e as competências que adquiriu em cada idade específica. A perturbação de aprendizagem é um termo mais abrangente, que engloba tudo o que cause um défice continuado no funcionamento do cérebro em desenvolvimento.

As causas das perturbações de aprendizagem não estão ainda totalmente explicadas.

Parece que a maior parte das deficiências tem origem em problemas de articulação de informações provenientes de regiões diferentes do cérebro. Alguns investigadores são de opinião de que, em muitos casos, a origem das perturbações se situa antes do nascimento.

Algumas áreas que estão a ser investigadas são:

– Erros no desenvolvimento do cérebro do feto;

– Fatores genéticos ou ambiente familiar;

– Tabaco, álcool e estupefacientes (como a cocaína) consumidos pela mãe enquanto grávida;

– Problemas do feto durante a gravidez, como, por exemplo, falta de oxigénio;

– Toxinas ambientais.

 

Por Paula Norte, psicóloga clínica

image@shutterstock

 

Perturbação de aprendizagem não verbal

Já ouviu falar?

É uma dificuldade ainda pouco conhecida, mas existe.

Há crianças que leem bem e escrevem de forma correta.

Revelam uma boa capacidade de memória.

Falam bastante e, muitas vezes, numa idade ainda precoce, mostram-se muito curiosas fazendo muitas perguntas, o que os leva a serem vistos como crianças com grande capacidade de aprendizagem.

Mas, com o tempo, revelam dificuldades de compreensão, expressão e relacionamento social.

Por exemplo, leem um texto, mas têm dificuldade de resumir o essencial, de realçar o mais importante.

As ironias, ou a expressão corporal são “pedras no sapato”, tão difíceis de entender, que se transformam num obstáculo a novas amizades e ao bom relacionamento social.

Sinais a ter em atenção:

RACIOCÍNIO LITERAL

Crianças com perturbação de linguagem não verbal tendem a encarar tudo de forma literal.

Um adulto, já universitário, confessou-nos que passou muito tempo em criança assustado com a possibilidade de um dia ser deixado sozinho na linha do comboio, tudo porque, quando se portava mal, a mãe dizia-lhe: “vou-te pôr na linha”. Este tipo de compreensão à letra é próprio de quem tem dificuldades ao nível da linguagem não verbal.

A expressão corporal é outro desafio. Um sorriso nervoso, num meio de uma conversa triste, pode levar uma criança com perturbação de linguagem não verbal a rir à gargalhada porque não entende o peso do sinal que lhe foi transmitido.

Uma dificuldade que contribui, muitas vezes, para que estas crianças sejam geralmente muito dependentes dos pais, precisamente porque sentem grandes dificuldades em relacionar-se com os pares.

DIFICULDADES MOTORAS:

Problemas de coordenação e de movimento são comuns.

Geralmente estas crianças e adultos passam a ideia de “desajeitados”. Recortar um desenho com uma tesoura, por exemplo, ou até mesmo andar de bicicleta podem ser tarefas difíceis.

RELAÇÃO ESPAÇO-VISUAL:

Apesar das dificuldades de relacionamento que apresentam é comum estas crianças manterem-se demasiado perto da pessoa com quem comunicam. O que se justifica com a dificuldade que têm em relacionar o que veem com o espaço em que estão.

Pela mesma razão é bastante habitual que recordem facilmente o que ouviram, sem que o consigam relacionar com o que viram.

NA ESCOLA:

Devido à dificuldade em compreender conceitos mais abstratos são alunos geralmente com dificuldades ao nível da matemática, sobretudo na resolução de problemas com uma componente que exija uma compreensão escrita.

O que está na origem do problema e como procurar ajuda?

Por enquanto não se sabe ao certo que disfunção no cérebro provoca o Perturbação da Aprendizagem Não Verbal. Não há por isso um tratamento para o problema, mas é possível encontrar estratégias que o permitam superar da melhor forma.

Com a idade os sintomas tendem a ser mais evidentes. As crianças geralmente percebem que entendem o que os rodeia de uma forma diferente dos restantes amigos ou colegas de escola. Sem ajuda poderão desenvolver problemas de ansiedade, que no limite podem levar a comportamentos compulsivos.

Procure a ajuda de um especialista.

Um psicólogo educacional ou um psicopedagogo, será capaz de traçar uma estratégia que passará sempre por identificar quais são as maiores dificuldades do seu filho e as competências em que revela maiores potencialidades.

A intervenção envolverá sempre os pais, que querem ajudar os filhos, mas muitas vezes sem saber como o podem fazer.

Um especialista, dar-lhe-á instrumentos para que o dia a dia possa tornar-se mais fácil. Há truques de linguagem que podem, de forma imediata, levar o seu filho a sentir-se mais compreendido. O apoio especializado ajudá-lo-á também a fazer a ponte com a escola, com indicações que podem facilitar a abordagem dos professores.

Acima de tudo não desanime, ao tentar resolver um problema estará também a permitir que o seu filho descubra o que tem de melhor, uma aprendizagem que terá boas recompensas no futuro.