Crianças com necessidades especiais de cuidados de saúde

Alguns atrasos de desenvolvimento, como a demora em segurar a cabeça levantada, podem constituir um primeiro indício de deficiência mental. Contudo, algumas crianças com um atraso ligeiro desenvolvem-se normalmente durante os primeiros anos de vida. Mais tarde, a fala, o movimento e as competências escolares podem ficar muito atrás dos das crianças da mesma idade.

Quaisquer desses atrasos deverão ser interpretados com muito cuidado, uma vez que as crianças se desenvolvem com ritmos diferentes. Se o seu filho apresentar sinais de atraso no desenvolvimento, consulte o médico, que poderá recomendar-lhe que vigie e aguarde. Entretanto, pode ser feito um exame físico para excluir a possibilidade de problemas de audição, de visão ou de fala.

Como diagnosticar?

O médico poderá indicar um especialista em desenvolvimento pediátrico ou em neurologia pediátrica, bem como uma equipa de pessoas especializadas da avaliação de problemas no desenvolvimento. Far-se-ão testes para identificar a natureza do problema e para planear uma estratégia adequada. Com base nos testes, o grau de deficiência é identificada.

A educação é a pedra basilar do tratamento de crianças portadoras de deficiência mental. Há escolas, algumas no âmbito do ensino público, que proporcionam aulas para crianças com necessidades especiais.

O diagnóstico de deficiência mental pode afetar muito os familiares que por vezes têm sentimentos de culpa ou de revolta. A maioria dos pais quer saber se os filhos irão algum dia conseguir funcionar com autonomia. Essa é uma situação possível em muitos casos. As crianças nesta situação precisam de todo o amor e de toda a orientação para conseguir o seu potencial máximo.

Deficiências de aprendizagem

Uma deficiência de aprendizagem é um problema que afeta a capacidade do cérebro de interpretar informações. Essas limitações podem ser expressas em termos de dificuldades específicas na fala, na escrita, na coordenação física, nos impulsos comportamentais e no intervalo de atenção.

Podem afetar o rendimento escolar (leitura, escrita e matemática), as rotinas diárias ou as interações sociais.

A deficiência de aprendizagem define-se como uma diferença importante entre a inteligência de uma pessoa e as competências que adquiriu em cada idade específica. A perturbação de aprendizagem é um termo mais abrangente, que engloba tudo o que cause um défice continuado no funcionamento do cérebro em desenvolvimento.

As causas das perturbações de aprendizagem não estão ainda totalmente explicadas.

Parece que a maior parte das deficiências tem origem em problemas de articulação de informações provenientes de regiões diferentes do cérebro. Alguns investigadores são de opinião de que, em muitos casos, a origem das perturbações se situa antes do nascimento.

Algumas áreas que estão a ser investigadas são:

– Erros no desenvolvimento do cérebro do feto;

– Fatores genéticos ou ambiente familiar;

– Tabaco, álcool e estupefacientes (como a cocaína) consumidos pela mãe enquanto grávida;

– Problemas do feto durante a gravidez, como, por exemplo, falta de oxigénio;

– Toxinas ambientais.

 

Por Paula Norte, psicóloga clínica

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Os ciúmes na criança. O segundo filho.

Os ciúmes, presentes durante toda a vida da criança, podem manifestar-se na idade adulta, mas não durante o aleitamento.

A explicação é muito simples: os ciúmes surgem sempre numa situação a três, e para o bebé, do ponto de vista afectivo, só existem duas pessoas – ele e a mãe.

O bebé, vai percebendo, a pouco e pouco, que a mãe também tem de dar atenção a outras pessoas e essas pessoas transformaram-se automaticamente em seus rivais na disputa do carinho materno.

O estabelecimento de novas relações com a mãe deve ser gradual, para evitar ao filho ciúmes desnecessários.

Os carinhos e mimos dados na altura própria, a demonstração de que o filho desempenha um papel da maior importância e a progressiva introdução de normas de conduta irão levando à superação do problema.

Os ciúmes dos irmãos representam um problema mais difícil.

O segundo filho, costuma chegar, quando o primeiro tem 18 meses a três anos e meio. A consequência é de que a mãe tem de dedicar a maior parte do seu tempo ao novo bebé. Para o filho mais velho é como se o mundo se desmoronasse.

A criança com ciúmes pode ter comportamentos exagerados nomeadamente:

  • A agressão física ao irmão,
  • A enurese (nova perda do controle dos esfíncteres), 
  • O retrocesso na fala,
  • Ou o regresso a comportamentos anteriores já superados.

De uma maneira geral, estes comportamentos costumam ser dirigidos em dois sentidos.  Anular o irmão, ignorando-o, e reconquistar a mãe, fazendo-se mais pequeno e procurando ter graça de qualquer modo.

Os ciúmes são uma das muitas crises por que passam as crianças e não se lhes deve dar excessiva importância. No entanto, deve procurar-se diminuí-los o mais possível e facilitar a sua superação.

Uma situação critica de ciúmes pode revelar comportamento incorrecto da mãe.

A superação desta crise passa pelo sentido materno de justiça, não significando aqui justiça dar igualmente a ambas as partes. Falar de partes iguais entre um bebé recém-nascido e uma criança de três anos é como dividir um peixe igualmente entre uma pessoa e um gato. O importante é dar a cada um aquilo de que precisa. E não tirar a um aquilo que não faz falta ao outro.

A criança desta idade costuma descobrir rapidamente que consegue atrair para si a atenção da mãe, se se aproximar do irmão. Deve-se estimular este processo, pois permite muitas vezes solucionar o problema.

Em qualquer caso, o que se deve fazer é distinguir as duas crianças, e não compará-las. Não quer dizer que um dos filhos é melhor que o outro. O  que se passa é que um deles é maior. Dar realce às possibilidades reais da criança maior e às limitações verdadeiras da mais pequena, salientar as diversas vantagens das suas diferenças pessoais e a possibilidade de se completarem, costuma ajudar a melhorar a situação.

Normalmente, o problema começa a solucionar-se quando a criança se relaciona com outras, nas suas brincadeiras, e dá escape às suas rivalidades, mais ou menos desportivamente, dentro do grupo.

Não devemos esquecer que o filho mais novo também pode vir a sentir ciúmes do mais velho.

Durante o processo de separação entre o bebé e a mãe, podem surgir ciúmes desse tipo após os dois anos.

Como é lógico, este tipo de ciúmes é mais atenuado. A criança viveu sempre com o irmão e a rivalidade pelo carinho da mãe já lhe é familiar. Todo este problema se costuma repetir do segundo filho para o terceiro, e assim sucessivamente, mas sendo cada vez mais atenuado quanto maior é o número de irmãos.

 

Paula Norte, psicóloga na Psicomindcare para Up to Kids

Sabia que a música tem uma grande influência no desenvolvimento da linguagem das crianças?

Muitos estudos demonstram a importância da estimulação precoce em aulas de músicas, mas também no quotidiano da criança, tanto em casa como no jardim de infância, tendo um grande potencial nos vários níveis de desenvolvimento infantil.

A conexão estabelecida entre as pessoas e os sons é tão primordial que se inicia antes mesmo do nascimento. Sabe-se que a formação das estruturas auditivas no bebé se dá por volta do 5º mês de gestação. Nesse período, o bebé tem contato com a sua primeira referência de ritmo musical: o batimento cardíaco materno.

Antes de nascer, ele já reconhece o timbre da voz da mãe e já responde a estímulos sonoros: Após o sistema auditivo estar formado, já aprecia todo o reportório musical e os sons com os quais a mãe tem contacto.

Como reage o nosso cérebro à música

O nosso cérebro parece ser moldado pelas experiências proporcionadas nos primeiros anos de vida, e o cérebro de um músico tem características diferentes do cérebro de uma pessoa que não tenha tido contacto com a música na infância.

Muito se tem investigado acerca da influência da música no desenvolvimento da criança, bem como na possibilidade de ajudar na recuperação de lesões no cérebro, tanto em crianças como em adultos.

Esses estudos comprovam a influência da música nas capacidades comunicativas da criança, verbais e não verbais, na sua autoconfiança, nas suas capacidades espácio-temporais, no desenvolvimento cognitivo e motor, nas funções executivas, na memória e na aprendizagem de línguas estrangeiras.

Ao fazer música ativamos sinapses dos sistemas sensorial, cognitivo (simbólicos, linguísticos e da leitura), motivacional, sinapses que veiculam a aprendizagem, a estimulação da memória, o planeamento de movimentos, etc.

Várias investigações sugerem que a música altera a forma como o cérebro processa os componentes da linguagem, melhorando a perceção dos sons, incluindo os sons da fala e, consequentemente, a sua relação com a leitura e escrita.

A música e a aprendizagem

Para aprender a ler, a criança deverá já ter desenvolvido a consciência de que as palavras são constituídas por sílabas e estas por sons (consciência fonológica). A criança deve ser capaz de se abstrair do significado das palavras para pensar, discriminar, comparar e manipular os sons que as compõem e, dessa forma, conseguir realizar tarefas:

  • Dividir frases em palavras.
  • Encontrar ou evocar palavras que rimam.
  • Dividir palavras em sílabas.
  • Encontrar palavras que comecem pela mesma sílaba ou som, entre outras.

Estas atividades são fundamentais para a aprendizagem da leitura e da escrita mais tarde, no seu percurso escolar. Deverá ter desenvolvido também a percepção auditiva e este é um processo complexo, que depende do processamento auditivo e é constituído pela receção e interpretação dos padrões de fala; discriminação entre sons (espectro, características temporais, sequência e ritmo) reconhecimento, memorização e compreensão da fala.

A música e a linguagem

A música e a linguagem são dois estímulos auditivos, estruturados de uma forma semelhante (ambas consistem num determinado número de sons que se organizam segundo determinadas regras) e que utilizam o mesmo sistema auditivo e aparelho vocal.

A aprendizagem destes elementos musicais e linguísticos parece ser semelhante, recorrendo aos mesmos processos auditivos e a partilha destes mecanismos parece ser responsável pela influência da música no desenvolvimento das capacidades de consciência fonológica.

A música e os seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia) podem ser utilizados para estimulação da linguagem pelos pais e/ou educadores, mas também como método de intervenção nas perturbações de leitura e escrita, perturbações fonológicas, perturbações do processamento auditivo, entre outras. Podem ser feitas diversas atividades tendo sempre em conta os objetivos delineados para trabalhar com a criança. Beneficiando não só o desenvolvimento da consciência fonológica, mas também a perceção/sensibilidade auditiva, o processamento (motor e auditivo), a atenção e a comunicação verbal e não-verbal.

A música tem então um papel muito importante no desenvolvimento da criança, em especial na aquisição e desenvolvimento da linguagem. Portanto incentive desde cedo ao gosto pela música, oiça e explore a música em família.

O seu filho já ouviu musica hoje?

Marta Nunes, terapeuta da fala

6 Alimentos para hidratar o corpo e combater os dias de calor

Hidratar de forma adequada é imprescindível para mantermos o corpo e a mente sãos!

Os picos de calor conduzem frequentemente a situações de desidratação, que por vezes se confundem com cansaço ou irritabilidade.

Eis alguns alguns alimentos top que devem ser consumidos regularmente de forma a evitar o desconforto na época mais quente do ano:

1. Água

Nada mais simples para hidratar de forma equilibrada. Ter atenção à natureza, qualidade da água, características próprias no funcionamento do sistema renal, historial clínico.
O mais sensato será variar no tipo de água, escolher águas de boa mineralização, alterando com águas de nascente de menor mineralização, dessa forma não sobrecarregamos os rins nem criamos descompensações.

2. Sumos naturais (água de coco, gengibre, lima)

De sabor agradável e de elevado conteúdo em eletrólitos, são óptimos re-hidratantes. Importante não adicionar açúcar.

3. Infusões

(hibisco, rooibos, cavalinha, urtigas, hortelã,…)

Podem ser ingeridas como refresco ou como alternativa é possível fazer agradáveis e refrescantes gelados.

4. Melancia, meloa, melão, uvas, maçãs, pêras, pêssegos (aproveite a maior variedade de fruta desta época).

Óptima opção para um lanche prático fora de casa ou para uma agradável passeio, basta preparar a fruta numa caixa e  podemos assim desfrutar de um snack saboroso e nutritivo e hidratar o nosso corpo em simultâneo.

5. Alface, germinados, courgette, pepino, saladas.

Para uma refeição ligeira, são óptimos ingredientes, para além de hidratarem de forma eficaz.

6. Sopa de gaspacho

Pode compor uma refeição leve e surpreendentemente refrescante e que desperta os sentidos pela riqueza dos ingredientes (tomate, pimentos, ervas, especiarias).​

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O que se passa com o meu filho?

Aceitar que se passa algo e pedir ajuda é um passo extremamente difícil de dar.

Os pais ficam muito assustados quando os seus filhos apresentam um problema. Quando andam sempre tristes, quando são rebeldes ou têm comportamentos inadequados. Alguns pais demoram a pedir ajuda pois sentem vergonha pelos comportamentos inadequados dos seus filhos. Sentem-se responsáveis ou têm receio de ser vistos como “maus cuidadores”.

Aceitar que se passa algo e pedir ajuda é um passo extremamente difícil de dar. O que se passa com o meu filho? É a questão a fazer. No entanto, só demonstra o amor pela criança e como o bem-estar dela é significativo para os pais. Este é o primeiro passo e o mais importante.

A procura do psicólogo pode dever-se à criança estar recorrentemente zangada, triste, assustada com alguma coisa.

Ou então,  porque algo negativo aconteceu com ela e precisa de ajuda para ultrapassar essa situação. Quando as crianças ficam doentes ou magoam alguma parte do corpo (exterior) vamos ao médico para que este ajude a criança a sentir-se melhor. Quando a criança vai a um psicólogo, a função dele é ajudar a securizar as “feridas internas”, os seus sentimentos. Os pais devem explicar aos seus filhos o motivo real pelo qual eles decidiram leva-los a um psicólogo, comunicando-lhe as suas preocupações.

A recuperação das más experiências é facilitada em terapia pela relação que se estabelece entre o terapeuta e a criança, num ambiente que se torna seguro, confidencial e de confiança. Este espaço terapêutico é bastante diferente da escola ou da sua casa; naquele espaço a criança sente que pode expressar o que nos outros não se sente confortável. Ali é um local seguro onde ela pode mostrar os seus problemas e os seus sentimentos, sem se sentir julgada ou com receios de magoar os sentimentos de alguém.

A relação terapêutica ajuda a criança a integrar as experiências de vida a dar-lhe sentido e até a expressar os sentimentos mais difíceis através do brincar. O terapeuta vai ajudar a criança a sentir-se melhor sem, necessariamente, ela ter de explicar as coisas. Na prática as crianças demonstram muito mais os seus sentimentos nas brincadeiras do que a falar sobre eles. O brincar é o meio primário de comunicação, o discurso torna-se secundário. As terapias com mais sucesso (bons resultados) são aquelas onde a criança brinca. Nem sempre é fácil para as crianças colocarem em palavras os seus sentimentos.

Brincar é vital para o desenvolvimento social, cognitivo e psicológico.

Brincar é a forma mais simples que a criança tem de se expressar, é algo que vem “de dentro” da criança. Crianças que não brincam não se desenvolvem saudavelmente, fisicamente e psicologicamente. O brincar é a forma pela qual a criança contacta com o seu ambiente e dá sentido ao seu mundo.

O psicoterapeuta está treinado para usar o brincar (forma natural da criança se expressar) para dar sentido aos sentimentos, pensamentos e comportamentos da criança e ajuda-la a compreende-los. Ele é especialista em compreender e dar significado ao brincar da criança.

É crucial as crianças sentirem e saberem que os pais apoiam a terapia e o processo terapêutico. Estes devem ser consistentes e encorajarem as crianças indo as sessões regularmente, sem fazer perguntas sobre o que se passou nas sessões.

Através do suporte emocional a criança vai conseguir compreender sentimentos confusos e aprender a lidar, de forma mais apropriada, com situações de conflito nos vários contextos. A terapia vai promover a resiliência da criança e a esperança de descobrir novos pontos de vista. Vai ajudá-la a diminuir a ansiedade e a melhorar a sua auto-estima.

A psicoterapia permite à criança a oportunidade de explorar e de se conhecer, de dar sentido ao seu mundo. Vai ajuda-la a encontrar meios saudáveis de mostrar o que sente. A desenvolver relações mais saudáveis e a preparar-se para encarar as dificuldades futuras de forma mais assertiva e tranquila.

 

Por Joana Duarte, psicóloga clínica na Psicomindcare, baseado em: British Association of Play Therapists, para Up To Kids®

A criança e o corpo humano

Uma criança considera o seu corpo como sendo igual ao de outras pessoas, e parte, portanto do princípio de que todas as outras crianças têm um corpo como o seu. A mãe e o pai são considerados da mesma maneira, são eles mesmos, e a criança não vê qualquer semelhança entre os corpos grandes e peludos e o seu próprio corpo, pequeno e macio.

As primeiras perguntas aparecem normalmente quando a criança repara numa outra criança, do seu sexo oposto, despida. “O que é aquilo?”. Perguntará então, e tudo o que ele quer é que lhe digam o nome (vagina) e talvez o nome correspondente para aquilo que ele próprio tem (pénis).

Não há motivo nenhum para que este assunto seja abordado com uma excessiva carga de embaraço ou atrapalhação por parte dos pais. Procure, portanto, aceitá-lo com calma e concentrar-se de modo a conseguir dar ao seu filho uma informação simples e precisa que responda exatamente à pergunta específica que ele lhe fez. É evidente que não terá de «pôr todo o assunto a nu», contando-lhe tudo, até aos mais pequenos pormenores.

É preferível deixar que a criança vá fazendo as perguntas sobre as partes que ainda não compreende à medida que ela própria sente que há ainda  mais qualquer coisa por explicar. Não será, senão por volta dos cinco, seis ou sete anos que o seu filho lhe fará a tal pergunta crucial: “Como é que o pai põe a semente na mamã?” Ao fim de anos de respostas curtas, mas sempre específicas, verá que lhe é perfeitamente fácil de responder.

Se deixar que se forme uma atmosfera estranhamente «especial» de cada vez que o seu filho lhe dirige uma pergunta qualquer respeitante ao sexo, acabará por se ver arrastada para uma pura farsa.

Cada família a sua educação

Algumas famílias acham que é preferível permitir que os filhos vejam o pai e a mãe nus para que possam ter a possibilidade de ver a diferença entre os sexos quando adultos. Outros pais acham que é preferível exatamente o contrário, isto é, não permitir que os filhos os vejam despidos. No que diz respeito ao sexo e às crianças pequenas, provavelmente a melhor atitude é não fazer da questão um problema de grandes proporções. Não interessa saber se a criança vê ou não os pais nus, desde que a atmosfera seja simples, descontraída e perfeitamente normal. Uma timidez exagerada que a leva a soltar um grito e a agarrar apressadamente numa toalha de cada vez que o seu filho entra inesperadamente na casa de banho só fará com que a criança se admire e pergunte a si mesma por que motivo a mãe terá ficado embaraçada.

Da mesma maneira, uma «passagem de modelos nus» cuidadosamente preparada irá, muito possivelmente, deixar a própria criança embaraçada, porque não saberá como é que os pais querem que ela reaja.

Portanto, comporte-se como sempre se comportou e não procure ser deliberadamente «antiquada» ou conscientemente «moderna».

 

Paula Norte, psicóloga na Psicomindcare para Up to Kids

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Educar uma criança significa conduzir a criança, o que prossupõe uma relação entre um adulto, que sabe conduzir, e uma criança, que precisa de ser conduzida, de um patamar de saber insuficiente para um de conhecimento aumentado. Esta relação deve ser benéfica para a criança e não deve ser assente na crença de que o adulto conduz altivamente a criança e que esta se deixa conduzir passivamente.

Aprender tem origem na palavra apreender que implica o uso das mãos. Aprender vem de prender, isto é, de ligar, unir o que estava separado. Com as mãos se estabelece ligações afectuosas, o primeiro aprender que temos na vida veio do agarrar afectuoso das nossas mães.

As primeiras aprendizagens são feitas pelas interacções afectuosas entre a mãe e o seu bebé.

Para uma criança estar disponível para as aprendizagem escolares e para que possa ter sucesso, os saberes básicos tem de estar consolidados. Estes saberes assentam no diferenciar entre o que é presença e o que é a ausência; entre o bem-estar e o mal-estar; entre o feio o belo; entre o bom e o mau, entre o amor e o ódio, entre construir e destruir; entre verdade e mentira; entre liberdade e opressão; entre mulher e homem; entre pais e filhos; entre gratidão e inveja; entre o que causa mal-estar e o que causa alivio, entre outros.

Os saberes básicos transformam-se em aprenderes fundadores que devem ser feitos sempre através de interacções afectuosas, pois são saberes que provocam muitas angústias e se estas não forem contidas, em vez de estimularam o crescimento paralisam-no. Em vez de termos um aprender claro que promove o crescimento saudável das crianças temos um aprender confuso que vai comprometer o crescimento e o desenvolvimento saudável da criança. Esta vai ficar presa nesse nível onde surgiu a confusão.

Quando os aprenderes da vida ou aprenderes fundadores ficam bem consolidados, a criança está preparada para os aprenderes escolares. Se houver uma falha num aprender isso implica que houve falhas anteriores nas dimensões de acolhimento, suporte, contenção, organização e estimulação no processo educativo da criança.

Não podemos esquecer que existe uma ligação entre a saúde mental e a saúde pedagógica e aceitar que para aprender bem é preciso pensar bem, e para pensar bem é preciso estarem completos os aprenderes fundadores baseados em distinções de afetos.

Quando as confusões da criança diminuem, as angústias ficam suportáveis, a tristeza atenua-se, o pensar torna-se mais claro e eficaz, os aprenderes quer escolares quer os básicos, acontecem. A criança que consegue pensar bem aprende bem e o aprender bem leva a um pensar ainda melhor.

Segundo João dos Santos a educação deve inspirar-se numa pedagogia de relação. A escola se proporcionar um ambiente de pedagogia de relação poderá criar condições para desbloquear aprenderes fundadores que ficaram bloqueados. João dos Santos e os seus educadores acreditavam que quando criavam um ambiente de acolhimento em que a criança, desvalorizada e bloqueada, sentia que existia um interesse real por ela enquanto pessoa, fazia com que a criança se valorizasse aos seus próprios olhos centrando-se nas suas habilidades e capacidades atuais, e não nas suas dificuldades, insuficiências e insucessos. Este bom acolhimento permitia retomar a aprendizagem dos aprenderes fundadores que falharam ou ficaram bloqueados.

Uma pessoa só aprende quando encontra suporte e contenção suficiente e sobretudo se se sentiu estimulado. As crianças na escola precisam de encontrar professores que lhe ofereçam suporte, contenção e estimulação.

A escola deve ser vista pela criança como um local de aventura onde o professor é o guia.

A família e a primeira responsável pela consolidação dos aprenderes fundadores quando estes falham vai ser difícil para a criança aprender os saberes escolares. Por isso família e escola devem caminhar lado a lado.

Joana Duarte, psicóloga clínica

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Umas das das primeiras funções que o bebé apresenta é a capacidade de sugar tanto na mama como na tetina, no dedo ou na chucha, a sucção é um reflexo inato e está presente desde a vida intrauterina. É através dela que a criança tem os primeiros contactos com o mundo exterior, satisfazendo, além da nutrição, as suas necessidades afetivas, ajudando o bebé a acalmar-se e promovendo o seu desenvolvimento emocional. Para além disso, é também através do movimento de sucção que o bebé desenvolve os músculos orais, e que ajuda o crescimento da face.

É importante referir que quando o bebé suga na mama esta molda-se naturalmente à boca do bebé e quando suga na tetina é a boca do bebé que terá de se adaptar a esta. Se optar pelo uso de chucha convém saber que para cada faixa etária existe um tamanho recomendado, que deverá corresponder ao tamanho da boca da criança.

O aleitamento natural é a forma mais eficiente para proporcionar a plena satisfação da criança, funcionando como um factor de proteção, uma vez que o bebé sentirá uma menor necessidade de chuchar, no biberão, chucha ou dedo, para além de que também possibilita um adequado desenvolvimento da mastigação, respiração, deglutição e fala.

O uso prolongado da chucha, do biberão ou chuchar no dedo podem trazer alterações no crescimento facial, na arcada dentária e na mobilidade dos lábios ou da língua, necessária para a produção de fala. Além disso, podem ainda alterar a forma como a criança respira, mastiga, engole ou respira.

Existe então uma altura certa tanto para tirar a chucha e o biberão para evitar risco de prejudicar o desenvolvimento normal da criança.

O biberão poderá ser retirado por volta do oito ou nove meses de idade, que é quando começam a aparecer os dentes de leite. Como alternativa ao biberão pode ser utilizado o copo com bico, caneca ou a colher.

Já a melhor altura para a retirada da chucha é entre os dois anos e meio e os três anos fase em que normalmente as crianças abandonam a necessidade de sucção e completam a dentição de leite.

Quando esses hábitos persistem após a idade recomendada, principalmente depois da erupção dos dentes maior será o risco de alterações como:

  • Alterações dentárias (mordida aberta anterior, mordida cruzada, espaço entre os dentes, etc.)
  • Alterações no desenvolvimento craniofacial (reduzido desenvolvimento da mandibula, palato alto e esteito)
  • Alterações das funções estomatognáticas (alterações na mastigação, fala, deglutição e respiração)
  • Alterações na musculatura da língua, lábios e bochechas;
  • Maior probabilidade de desenvolvimento de otites médias.

Estas alterações irão depender das características faciais da criança, da frequência, duração e intensidade com que chucha.

Estratégias para prevenir o uso prolongado da chucha ou chuchar no dedo:

– Definir horários e critérios de utilização da chucha: até aos 6 meses pode utilizar a chucha de forma continua, mas depois dessa idade só pode usar para dormir ou para acalmar.

–  Substituir o hábito de chuchar no dedo por mordedores  ou a chucha até aos 18 meses.

– Durante a noite os pais podem estar atentos e ir tirando o dedo da boca ou dar um boneco para a mão.

– Ocupar as mãos da criança com jogos ou brinquedos sempre que leve o dedo à boca, para a distrair.

 

Marta Nunes, Terapeuta da Fala

 

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Ama os teus filhos todos os dias

Todos os pais amam os seus filhos à sua maneira. Todos eles se questionam se o estão a fazer da forma correta. Será que existe uma fórmula, uma dose correta de amor que devemos dar aos nossos filhos? Não existe nenhuma fórmula nem dose correta. Nunca criança alguma ficou doente ou morreu por excesso de amor.

Os pais apaixonam-se pelo filho no momento em que o idealizam, em que sonham com ele. Esse amor vai crescendo, conforme a gravidez avança. Após o nascimento, quando conhecem o rosto, quando pegam no seu filho parece que este amor, que já era tão grande, ainda fica maior. Com o choro do bebé chegam as primeiras angústias, pois os pais ainda não conhecem bem esta linguagem, não sabem o que fazer. Questionam o que estão a fazer bem e o que estão a fazer mal. Não fique preso ao que lhe dizem ser o correto, simplesmente, siga o seu coração e ame o seu filho. Não o deixe chorar para “ele aprender”, pois nos primeiros meses os pais são os que dão voz ao que ele precisa. O bebé por vezes chora só porque não quer estar sozinho, quem gosta de estar sozinho? Afinal ele passou 9 meses sempre acompanhado… E amar o seu filho não quer dizer que tem de fazer tudo perfeito. Esse desejo da perfeição poderá levar a estados de ansiedade, que poderá passar para ele e para a vossa relação. Como Winnicot refere, uma mãe tem de ser apenas suficientemente boa.

A mãe suficientemente boa e que ama o seu filho, sabe que amar também é saber dizer não. Mas amar é acalmar as birras do seu filho, aceitar as asneiras e os seus erros. Não é dar tudo o que o ele quer, é não dizer sim a tudo o que ele diz ou pede. Amar é estar sempre ao seu lado e aceitá-lo, é abraça-lo e dizer-lhe todos os dias o quanto o ama. Os filhos aprendem mais com amor do que com castigos. Um abraço, uma conversa, um “amo-te meu filho” é muito do que precisa para crescer. A coisa mais importante, o “brinquedo” mais importante para as crianças é o tempo que os seus pais passam com elas a brincar. Não há brinquedo nenhum no mundo que uma criança pequena trocasse por brincadeira com os pais.

Amar é também aceitar que o seu filho é um ser que tem de crescer e voar, é deixa-lo crescer, por muito difícil que seja aceitar que ele já não precisa “tanto” de si. Porque lá no fundo os filhos precisam sempre dos pais, eles são sempre os seus portos de abrigos.

Ama os teus filhos todos os dias.

Por Joana Duarte, psicóloga

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Conhecer as emoções no comportamento das crianças

A infância é o período do desenvolvimento no qual ocorrem mudanças rápidas e importantes. Com o crescimento emerge a necessidade da criança em descobrir o mundo à sua volta. Este é um movimento de exploração que quando apoiado pelos adultos cria confiança e é responsável pelo comportamento nas relações sociais.

É comum que a criança apresente comportamentos de oposição, faça birras e diga “não vou”, “não faço”, “não quero”. Esta é uma fase em que está a explorar o mundo e a descobrir os limites. O papel dos pais passa por mostrar que se preocupam com ela e ajudá-la a saber até onde pode ir, porque as regras e os limites são laços de afeto e proteção. A consistência das respostas e a disponibilidade para ensinar a criança a gerir as contrariedades vão facilitar a aprendizagem da expressão das emoções nas situações de frustração e a resolvê-las da melhor forma.

O conhecimento emocional é fundamental para o ajustamento da criança, favorecendo a construção das relações sociais positivas, sucesso escolar, controlo dos impulsos e autoconfiança. As crianças emocionalmente competentes são capazes de regular adequadamente as emoções, possuem mais recursos e estão mais aptas a resolver problemas e a lidar com os acontecimentos da vida mais stressantes.

Cada emoção tem uma função diferente no desenvolvimento favorecendo a adaptação da criança aos diversos contextos: o medo ajuda a regular ações impulsivas; a vergonha facilita o ajustamento social; o prazer promove o estabelecimento e manutenção das relações interpessoais adequadas; a culpa promove o sentido de responsabilidade e expressão do comportamento empático; a raiva permite mobilizar estratégias de confronto.

As emoções têm um papel importantíssimo no ajustamento psicológico e social, e contribuem tanto para a sua adequação como para o seu desajustamento.

No caso de inadaptação (ex. perturbação do comportamento) poderá haver um comprometimento do desenvolvimento normal da criança, nomeadamente ao nível social e das relações com os pares pela dificuldade que têm em desempenhar o comportamento previsto pelas normas sociais. Podem revelar enviesamentos no processamento e na avaliação dos estímulos que desencadeiam as emoções, uma menor compreensão e conhecimento sobre as mesmas, ou mesmo problemas na avaliação de consequências de uma determinada forma de expressão emocional. É por isso, comum, que estas crianças recorram a estratégias agressivas de resolução de problemas e que as considerem adequadas.

O prejuízo destes comportamentos pode ser elevado, incluindo envolvimentos em atos de violência, dificuldade na manutenção de vínculos afetivos e sociais, e dependência de drogas.

Como ajudar:

  • Ajudar a compreender o que sente, o que deseja e como conseguir. Quando sente algo negativo, explicar que é natural e procurar uma solução construtiva;
  • Ajudar a acalmar-se em situações de tensão (respirar fundo, pensar em coisas positivas). Elogiar sempre que demonstre capacidade de autorregulação;
  • Utilizar a linguagem dos sentimentos “Estou orgulhoso de ti”, “Estás triste porque não podes jogar Tablet”;
  • Centrar-se nos sentimentos positivos embora falar igualmente sobre os negativos.
  • Falar com a criança sobre as emoções – favorece a aprendizagem na expressão dos sentimentos e na regulação das emoções;
  • Evitar dizer “Não fiques triste” – A criança tem o direito a ficar triste, deve sentir e aprender a regular esta emoção para que se possa adaptar.
  • Nomear as emoções, encorajando a criança falar – Sem a julgar ou criticar, deve ouvir a sua experiência. Pode relacioná-la com situações passadas vivenciadas pelo adulto, descrevendo os seus sentimentos e como procedeu.
  • É importante ensinar as crianças a controlarem os seus comportamentos e pensamentos e a falarem sobre os sentimentos. A capacidade de falar sobre o que sente ajuda a criança na regulação das emoções e dos comportamentos negativos, favorecendo a expressão de sentimentos e a troca de afetos.
  • Após uma situação de conflito, a criança apresenta uma desregulação emocional elevada. Por isso é importante que os pais apenas nomeiem a emoção e deem espaço à criança para se acalmar. “O que sentes agora é raiva. Falamos mais tarde”.

Crianças irritadas que não recebem orientação emocional tornam-se adultos agressivos e com raiva. Os pais devem reconhecer e lidar com a raiva dos seus filhos, ser empáticos, mas não tolerantes. A um ritmo adequado para a criança, devem começar a colocar o que a criança sente em palavras e orientá-la de forma construtiva, dando-lhe oportunidade de se acalmar.~

Sugestões:

  • Imagens retiradas de livros/revistas com expressões faciais (tristeza, alegria…) – Nomear cada emoção, “O que ele/ela está a sentir?”, “Como é que tu sabes que está triste/feliz…?”, “Como é que as pessoas mostram que estão tristes/felizes…?
  • Leitura de um livro infantil, explorar com as crianças as emoções das personagens de acordo com as imagens. Explorar emoções alternativas – “Que outra emoção poderia ter sentido nesta situação?” – Ajudar a desenvolver a compreensão das causas das emoções dos personagens.
  • Refletir 5min. Sobre o que pode fazer para ajudar o seu filho quando sente/expressa tristeza, raiva, medo.

Ana Filipa Ricardo, psicóloga

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