Promover a auto-estima, ou 10 coisas que aprendi na palestra “Saber dizer não!”

Promover a auto-estima, implica saber dizer não. Dizer bem. Dizer um “não” que desenvolve o cérebro. Assim:

1 – O Marshmallow de Walter Mischel

Na barriga da mãe, tudo está bem. Não há frustração. Só aí.  Cá fora, a vida vai trazer desafios, obstáculos e…frustrações…

O “não” ajuda a enfrentar a vida. 

2 – Procure estar com outros “pais” em contexto de aprendizagem

Os rostos variavam nas emoções transmitidas, mas havia um traço comum: a expectativa! A palestra prometia.

Será que sabemos dizer “não” aos nossos filhos? Dizemos “não” com a frequência e intensidade desejadas? 

A nossa proposta era darmos pistas para aquilo que gostamos de chamar “o não que desenvolve o cérebro”. Pistas dadas numa reflexão conjunta. 

No confronto. Com provocação. Estes “pais”, todos reunidos, melhoraram as suas competências. 

3 – Reflita com profundidade sobre as causas das suas  eventuais dificuldades em dizer “não”

Só assim, através da reflexão profunda é que podemos desenvolver ferramentas para o desenvolvimento pessoal e aproximarmo-nos da educação que desejamos, e que contempla o “não” consciente capaz de ajudar a desenvolver a auto-estima. 

4 – Uma das chaves  está na assertividade 

A vida não é feita de “nãos”, mas sem o “não” a vida não acontece. 

A relação, as relações, precisam da individualidade e a individualidade começa com o aceitarmos as nossas diferenças com assertividade. Aceitando, o próximo passo é apresentá-las aos que nos rodeiam. E essa apresentação é com os nossos “nãos”. Uma boa apresentação rima com assertividade

Assertividade, como a certa altura da palestra, e muito bem, gritou uma “mãe” na primeira fila. Ficámos felizes, porque soubemos que era professora. O professor capaz sabe o significado de assertividade. O professor fantástico, além de saber, exercita-a. 

5 -Quando diz “não” sem sentir culpa, ganha liberdade, foge da angústia

Numa “educação positiva”, o “não” também (claro!) faz parte! Lá está, é a importante questão do equilíbrio. 

Há cada vez mais Educadores de Infância a pedirem o tema “Saber dizer não!”. E cada vez mais Professores a fazê-lo também. Estaremos numa sociedade permissiva? Deixamos as nossas crianças fazer tudo o que querem? Ou será que estamos (apenas) mais atentos? 

Um pouco de ambas. Mas preocupam-me muito as duas primeiras. 

6 – Procure inspirar-se, motivar-se e agir, além de (apenas) saber 

A adesão dos encarregados de educação à palestra “Saber dizer não!” foi, mais uma vez, esmagadora. Mas, mesmo assim, antes de começarmos, a  fantástica Educadora Luísa Figueira, já me fazia um pedido, porque muitos outros pais tinham ficado de fora da sessão. Ela desejava a apresentação que eu ia utilizar. 

Não valeria de nada. A apresentação não era daquelas cheias de texto e teoria. Ela ajudava o dinamizador a…inspirar, motivar  e levar as pessoas a agir…mais do que (apenas) ensinar! 

7 – Ler, estudar, pensar…analisar…muito importante…só que não chega…treine os “nãos”

Há que haver uma comunhão. Um grupo com as mesmas necessidades que se reúne e partilha. Este pode ser o início do seu treino. Treine. Vá dizendo. É na relação que crescemos. Todos. Não podemos ficar só a ler. 

No final da palestra, uma “mãe”, acercou-se de mim e agradeceu, referindo as suas dificuldades em dizer “não” e a forma como agora se sentia mais segura. 

Senti a palestra como algo…como hei-de dizer…terapêutico! Desculpe, não sei se é a palavra certa, mas como sou médica foi isso que eu senti!”

De seguida, voltou a assumir a sua dificuldade em dizer não. E isso deixa-nos felizes! Quem abandonou as esperanças, deixa de usar o “não. E os “pais” não podem perder a esperança. Quem pensa que sabe tudo, tem caminho para o fracasso.

8 – Confiança, confiança,…

Uma criança presente na palestra, foi convidada a subir ao palco. E eram cerca de 150 pessoas a olhar para ela. Subiu, contou uma história. Ouviu as palmas. E mostrou ter algo cuja essência é, em parte , o “não”. Mostrou ter auto-estima. 

Na sua vida, de certo que ouve “nãos” da parte da família, nomeadamente dos pais. 

Mas de certo que já começa a usar os seus próprios “nãos”. E essa auto-estima será fundamental. Usará o não com os pais, com os amigos…e até com ela mesma, num exercício de autocontrole. 

Ela mostrou confiança. 

O cérebro das crianças, há que (re) lembrar, está em construção. E o “não” ajuda a esse desenvolvimento. A confiança vem também de vermos ao crescer, a confiança do adulto. O adulto que faz de…adulto! E confiança não é nunca falhar. 

9 – Dizer “não” de boca fechada

Dizer  “não” só se faz com a boca? Não. Há um “não” fundamental dito pela expressão. Expressão corporal. Expressão facial. “Cara de não”. Não confundir com cara de zangado, descontrolado ou em pânico. O adulto confiante faz a sua “cara de não”. 

Funciona bem com crianças até os 4 anos. Mas também com os adultos. Tentarei fazer a minha quando me tentaram mexer na luz da sala. Gosto de ver a cara das pessoas. Preciso. Não vou debitar. Há relação. E essa relação, tem “sins” e tem “nãos” para poder ser completa. Como a boa relação entre pais e filhos.

10 – Focar no curto prazo é um problema

Muitas vezes na relação com as crianças um “sim” é evitar um choro, uns gritos…uma briga… 

Aos adultos, cabe a capacidade de olharem para o futuro. De projectarem os seus atos no longo prazo. Não é fácil. Por isso, qualquer reflexão em cima de dados científicos, qualquer trabalho em cima do estudos do desenvolvimento cerebral, só podem ser úteis. 

Aos “pais”, cabe a responsabilidade de terem uma vida, para além do acompanhar os filhos. Viverem também a liberdade dos seus “nãos”.

Aos adultos, cabe a capacidade de olharem para o futuro, dizia eu…como a Educadora Cláudia Ribeiro, para dar um exemplo luminoso. Ou como a Educadora Andreia Salvador, para dar outro. Como tantas pessoas com responsabilidade na educação que dizem “não!” à ausência de um (bom) “não!”. 

 

Teste do Marshmallow de Walter Mischel, a explicação

7 Princípios para olharmos para os professores com olhos de ver

De uma forma geral, será mais produtivo olharmos para os docentes, para o seu trabalho e para a sua missão, refletindo sobre estes princípios:

1 – A educação começa na família e depois segue no sistema de ensino

O maior sinal de que uma sociedade está doente, é começar a desrespeitar quem garante o futuro dessa mesma sociedade. E a educação é a base e a rampa de lançamento do futuro de uma nação que se preze. A educação começa na família e depois segue no sistema de ensino…

2 – Desrespeitar é, por exemplo, não desmontar ideias falsas.

Há dias, em Fátima, centenas de docentes (professores e educadores de infância,…) participaram com uma entrega poderosa, numa ação de formação que dinamizei. No fim de uma semana de trabalho, ainda conseguiram motivação e espaço no cérebro para evoluir. É que, porque há muita gente (e gentinha) que se esquece: Ser docente não é pêra doce! Já vão longe (espero eu!) os mitos das “progressões fáceis”. Já dormem as falsidades sobre as “férias gigantes”. Já estão esquecidas as comparações marotas com as “Finlândias”, até porque na Finlândia, o importante é o apoio aos docentes.

3 – O desgaste, o (mau) stress e as injustiças, existem.

Muitas profissões sofrem deste desgaste, no entanto, a carreira docente tem particularidades. Em Fátima, por exemplo, os docentes observavam-me com atenção, mesmo estando cansados. Escutavam-me com desejo, mesmo havendo uma certa desilusão com o rumo do país. Interrogavam-se com fervor, mesmo não havendo comunicação social para fazer eco daquele esforço. O desenvolvimento pessoal, a formação, a busca pela actualização, é feito, muitas vezes, na sombra. A meio da sessão, recebemos um telefonema. Era o Presidente da República! Pois não era. Ninguém telefonou.

4 – Eu fui a Fátima, amanhã estarei em Setúbal e segunda-feira, ainda nem sei.

Esta instabilidade de horários e locais, faz-me empatizar com os melhores professores. Aqueles que também viajam e chegam a lugares novos quase todos os anos, mantendo a maioria das vezes o espírito positivo, porque pensam no melhor para os seus alunos (que não têm culpa). Também eu faço Palestras e (trans) Formações em salas quentes, salas frias, longe de casa, muito longe de casa, muito cedo, muito tarde,…e faço com entrega…porque penso nos melhores. Porque o mundo está numa mudança abrupta e constante.

5 – Um educador deve estar consciente dessas mudanças, e deve estar atento a métodos mais eficazes, mais atuais.

As minhas sessões nem sempre acabam com “beijinhos e abraços”. O meu trabalho não é (apenas) motivar. Procuro agitar e dar caminhos. Procuro tocar nas feridas. As feridas existem. O cérebro humano está em constante mudança, por isso a formação é fundamental. Por vezes, sou mal interpretado. Outras vezes acham que sou “demasiado duro”. Não faz mal. Porque a maioria entende que o meu objetivo é nobre, sempre focado nos alunos e nas melhores práticas…se um docente é dos que (apenas) diz que faz (mas não faz) o natural é ele sofrer nas minhas sessões. Pretendo que eles saiam mais fortes. Mais próximos de fazerem o que sabem que tem que ser feito. E a psicologia pode doer. Tentamos ir pela positiva, mas pode doer. Mas é nessa luta que os melhores se colocam. Acertar, falhar, tentar, acertar, falhar…

6 –  É fundamental darmos estabilidade.

Um docente com estabilidade, fica mais aberto para ouvir. Mais capaz de escutar. Mais próximo de limar as arestas da sua ação pedagógica. Claramente, um dos maiores desafios: a estabilidade do docente. Felizmente, vejo cada vez mais equipas de psicólogos e afins, como uma equipa excelente em Sines, por exemplo. Ou no AE Cego do Maio, na Póvoa de Varzim. Ou os profissionais do “Afirma-te” em Idanha-a-Nova. E os docentes, os pais e os alunos precisam deste esforço de todos.

7 – A esperança é a última a morrer

No fundo, eu sei que um dia as condições podem melhorar. Terão os sindicatos que melhorar também. E a classe política terá que ser mais capaz. Entretanto, alguns professores vão desistir. Outros vão adoecer. Outros vão ter um esgotamento. Outros serão perseguidos por uma turma vítima da ausência dos pais.

Mas a maioria seguirá. Sem precisar de boa imprensa, ou de um telefonema de um famoso. Mesmo com a desilusão de estarmos num país onde o tal pilar, a tal base, é tantas vezes alvo de ingratidão. Seguirá empatizando comigo, quando tento que melhorem. Seguirá buscando o seu equilíbrio, com ou sem apoio da equipa de psicologia. Seguirá buscando a estabilidade interna, no que pode controlar.

A intensidade do amor não é sempre igual.

Como a intensidade da fé também não é sempre constante. Lembrei-me disto em Fátima…

Não são constantes, mais isso não significa algum erro. É mesmo assim. Nem o sol tem sempre a mesma radiância. Agora, tem que existir amor, isso tem. E o sol não foi um sonho.E os melhores docentes lá seguirão, tentando ter uma maior quantidade de momentos onde são capazes de persistir, capazes de melhorar práticas, capazes de enfrentar injustiças, exercitando o amor à escola, aos alunos, mas, principalmente, o amor a si mesmos.

 

Imagem de Pexels por Pixabay 

 

A passagem ou sete questões para desinquietar

A vida pode ser só isso. Uma passagem. Ou talvez não. Nesta altura do ano, por razões óbvias, dou por mim a refletir mais sobre este assunto. Morrer, na verdade, pode não ser só morrer…

Será que a ciência pode estar de mãos dadas com a espiritualidade? Cada vez mais, sei que sim. Mas esta não é a primeira pergunta que desejo deixar nesta minha passagem por aqui…

A pergunta está relacionada com o nosso desenvolvimento como pessoas. Com o nosso contributo. Com o dar para receber. Com o dar…sem pensar em receber…

Da reflexão, vem uma prática melhor. Cá vai então:

PERGUNTA UM

Quais são as reflexões que poderíamos (até como espécie!) fazer, se considerarmos que morrer não é só morrer?

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Há dias, falava com os meus miúdos sobre a renovação celular. Mesmo que, por vezes, seja difícil imaginarmos, as células, na sua renovação, vão-nos dando (literalmente) um corpo novo de tempos a tempos.

Isto leva-me à:

PERGUNTA DOIS:

A passagem do tempo, permite esta renovação…será que aproveitamos?

É comum escutarmos queixas sobre a velocidade. A velocidade da vida. Realmente, se não soubermos aproveitar, tudo passa (tudo passará…e nada fica…nada ficará…como dizia o cantor).

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A semana passada, em Guimarães, num estabelecimento de ensino de referência, com um excelente ambiente, educadores motivados, lideranças presentes, tive uma grande lição.

Não foi só a vontade de melhorar, demostrada por desejarem receber uma formação. Não foi só a maneira como se esforçaram para investir. Não foi só a forma como me receberam.

No fim de um dia de trabalho, era um grupo intenso, dedicado, atento…a minha velocidade até feriu alguns. Estavam dispostos a refletir. A ficar. A pensar. Com calma.

Educadores com vontade de deixar um legado! Esta foi a lição. Comprovei. Quando este intuito está presente de forma clara e intencional, a passagem da nossa formação é mais. É passagem, mas fica. É rápido, mas mantém-se. É curta, mas perdura assente no legado. É mais.

PERGUNTA TRÊS

Como educador, que legado quer deixar? Como mãe, como tia, como auxiliar, como porteiro, como motorista, como educador…qual será o seu legado?

Lembremos sempre: os auxiliares também educam. Também será pertinente terem um legado para deixar.

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No outro dia reconheci uma pessoa que já tinha estado numa formação anterior. Fiquei um pouco a observar o seu rosto. A forma como me fitava, era como se me bebesse.

O seu rosto, um símbolo.

Reconheci esse símbolo.

Reforcei (ainda mais!) o meu empenho.

PERGUNTA QUATRO:

Pense na forma como tem olhado para a vida…como tem pisado no chão…qual a marca da sua passagem…pense se será clara e pertinente.

Os seus olhos querem beber a vida?

Use símbolos. Se usar os símbolos certos, no rosto, nos rituais, nas brincadeiras com as crianças, na sua privacidade, se usar os símbolos certos, a vida retribuirá com empenho!

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Não somos perfeitos. Pelo contrário. Temos problemas. Muitas vezes desejamos ir para a direita, mas vamos para a esquerda. Sabemos as teorias. Sabemos os ideais. E falhamos. Por isso, muitas vezes, como castigo, impedindo-nos de desfrutar a vida, impedido-nos de fazer valer a passagem, fugimos das emoções positivas.

Fugimos porque sentimos culpa.

Voltando à renovação, se eu nutrir bem o meu corpo, com a alimentação, ele sairá reforçado mais à frente.

PERGUNTA CINCO

Alimenta as suas células de emoções positivas?

Se reforçar com emoções positivas também sairá reforçado. E não precisamos de avisar o mundo! De publicitar! Não precisamos. Na penumbra, muitas vezes em segredo, é aí. Outras vezes, com uma pessoa. Outras vezes, com a pessoa. Por nós. Sem fazer mal a ninguém. E vamos sair reforçados para poder ajudar os outros mais à frente.

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Nelson Mandela, ou mais recentemente, Malala Yousafzai, são inspiradores.

Esta última, com 11 anos, já dava sinais de resiliência e luta. Nelson Mandela, vinte e sete anos preso, soube sair um homem (ainda) melhor.

A minha mãe, impossibilitada de ir ao funeral do pai, do meu avô, mandou-me uma mensagem para eu ler no funeral. Com o coração apertado e quase sem voz, li a mensagem perto de um punhado de familiares.

O meu pai, cruzando a ponte Vasco da Gama, fala-me com tranquilidade (aparente!) da sua mudança de vida. E inspirou-me.

Foi difícil, mas inspiraram-me.

PERGUNTA SEIS:

Quem é que o inspira? Jesus Cristo?  Santa Madre Teresa de Calcutá? Princesa Diana?

Os inspiradores ajudarão nesta passagem. Tenha-os. Vivos em si.

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Saint Nobody, uma música de Jessie Reyez, tem um letra incrível e um poderoso vídeo clip. Ando a revê-lo.

Fala de passagem, de entrega, de dedicação, de não sermos santos, fala da importância da fé, da importância da fé em nós próprios…porque isto não pode ser só uma passagem.

Trabalhemos. Trabalhemos ainda mais. Tenhamos a noção de que acaba. Mas pode ser só o começo…

PERGUNTA SETE

Pode ser só o começo…vai deixar algo por dizer…algo por fazer?

 

Será que os meus filhos sabem disto?

Havia uma rede social nas janelas da minha rua. Será que os meus filhos sabem disto?

Havia também tempo que andava com calma. Vagaroso, sem se atropelar. Olhávamos, víamos, esperávamos pelas pessoas sem ter telefone portátil. Será que os meus filhos têm noção disto?

Não estou a ser saudosista (caso haja carga negativa no termo). Gosto de olhar para o futuro. E se o passado me pode ensinar, posso tentar usar esses conhecimentos para ser mais feliz hoje, planeando um futuro melhor amanhã.

Vou tentar ficar mais tempo sentado num muro, a ver passar.

E vou mobilizar os miúdos para me acompanharem. Terei sucesso?

Vou experimentar usar um despertador a sério, para dar ao meu cérebro uma folga do telemóvel. Pelo menos, uma folga de uma hora.  A primeira hora da manhã, pode contar a história do resto do dia. Vou sugerir à família que me acompanhe.

Havia uma magia em ouvir um disco até ao fim. De ponta a ponta. Poderei tentar fazer isso com os meus filhos? Vou tentar!

E as escadas rolantes? Ainda me lembro de fazer uma espécie de excursão a Lisboa para ir subir numa escada rolante. Hoje, confesso, faço uma certa censura aos elevadores e escadas rolantes. Ainda há dias, no prédio onde vive a nossa amiga Deolinda, convenci o mais novo, e subimos pelas escadas!

Dizem que elas são ridículas. E a parte da minha vida construída à sua volta, é do tamanho do sorriso mais sincero. Escrever à mão. Escrever cartas. Como podemos sugerir aos nossos filhos que o façam? Será útil? Serão mesmo ridículas? Contribuirão para o desenvolvimento cerebral? Escrever num teclado será igual a escrever à mão?

Quando tossia (e se eu tossia!) o remédio era um pacho de álcool no pescoço. Vim depois a descobrir que isto era ridículo. Já há xaropes. Medicamentos. Comprimidos.

Vamos lá agora andar para trás e usar remédios naturais

E porque não? Vamos experimentar! Cebola no quarto para a tosse, um golinho de água para os soluços…vamos experimentar. Claro, com responsabilidade. Mas há um saber escutar o corpo que devemos recuperar. Para conhecer o que funciona (e não connosco).

Se sofremos com remendos nas calças, também havia razão para isso. Se as calças picavam, usávamos na mesma. E hoje? Faz-se um remendo? Usamos roupa readaptada? É dar espaço à criatividade.

Sempre vi os meus avós a apanhar sol. Um, nas arcadas de um prédio onde havia um talho. O outro, no seu quintal onde regava.

E hoje, vou quebrar a rotina, vou buscar a mais nova, um pouco mais cedo, e vamos à praia. No caminho, falo-lhe dos avós. E olharemos para o futuro.

Hoje fiz um amigo!

Ainda mal o ano começou, e eu já fiz um amigo!

Como diz o Sérgio Godinho, coisa mais preciosa não há. E é verdade, não achas?

Ainda não sei se digo a toda a gente ou se fica um amigo secreto…porque não? Há que ter magia, há que acreditar…há dias, eu disse que o Pai Natal não existia, porque era uma certa raiva a falar…saiu-me…estou arrependido.

O meu amigo (ou será uma amiga?!) tem mais ou menos a minha idade.

Somos parecidos, no entanto, há coisas completamente diferentes na nossa maneira de ser. Parece ser esse o sal da amizade. Como na vida!

A variedade, como o sal da vida.

Não é o quanto somos iguais. Na disputa, nas discussões e nos desacertos, há tanta luz como na luz. Talvez até mais. Haja clareza nas discussões e boa fé.

É um amigo novo. Tenho vontade de o tratar bem. Quero dar-lhe atenção plena. Quero esfregar-lhe creme nas mãos, sem que se esqueça do mais importante: a hidratação vem de dentro, há que beber água.

Vou dar-lhe pistas para o ajudar a educar os filhos! Tenho, naturalmente, as minhas dificuldades em educar os meus, mas ao ensinar com o coração, sem pretensões, vou melhorar a minha própria forma de educar.

Vou, em breve, completar um sonho. Ficar com ele debaixo de umas mantas quentinhas. Sem esquecer a rua! Lá fora é a nossa casa. A casa da aventura. No frio, no sol…

Espero partilhar aquela “técnica” dos 10 segundos…li num livro…quando a ideia de fazermos algo nos surge na cabeça, iniciamos uma contagem decrescente. Ao chegar ao zero, levantamo-nos e vamos fazer! Simples.

Vou contar-lhe uma lenda (na verdade, uma história inventada por mim).

Diz assim: Há uma jóia rara que entrou num dedo. E agora, é ainda mais reluzente. O dedo. E a jóia. Mas não o devia ter feito! Foi um erro ter entrado! Aconteceu. Agora, para retirar a jóia, implica cortar o dedo. Corta-se?

Com isto, vou ajudá-lo a entender que somos humanos. Falando vamos crescendo. O erro faz parte.

Vou ajudá-lo a dormir melhor em 2019. Insistir para que tenha uma rotina ao deitar.

Não sei se vou falar com ele hoje.

Vou perguntar a sua opinião sobre a desbunda.

Vinho. Beberei vinho com ele. Nunca sermos só os dois. Claro. Assim, não faria sentido. Mas espero ser amigo dele para sempre.  E cada vez mais. Tenho a sensação de já o conhecer há anos…terei estado zangado com ele? Teremos tido altos e baixos?

Se me estiveres a ler, meu amigo Alfredo Jaime de Oliveira Leite, também conhecido como Xanico, auto-apelidado de forma irónica de “Doutor”…tem um bom ano de 2019!

Sei. Se estivermos bem, quem está à nossa volta, família, outros amigos, desconhecidos, e, claro, outros amigos secretos, vão estar cada vez melhor! Com mais sorrisos. Este é o desejo.

Vou proteger-te meu amigo. Vamos brincar. Vamos ser crianças à vontade. Seremos amigos. A sério. Para sempre.

E tu? Contas ser teu amigo? Contas ser tua amiga? Tens sido?

Não desprezes o poder de uma boa resolução com objetivos e metas, com um bom plano. Faz-te (cada vez mais) teu amigo em 2019.

A Felicidade secundária ou pequenos prazeres da vida

As emoções positivas que procuramos nas nossas vidas, são, algumas vezes, consideradas como “felicidade de segunda”.

A maioria das vezes são os grandes marcos (casamento, nascimento dos filhos, ganhar um prémio monetário grande,…) que referimos como “os momentos” da vida.

E pela negativa, é semelhante. Dizemos que os piores momentos são os funerais, os divórcios…

Há algo perigoso nesta consideração.

Os chamados “pequenos prazeres” têm uma grande importância!

Claro que não estou a falar dos (maus) atalhos…drogas duras, sexo à balda ou comida em exagero. No entanto, aquela refeição de sushi que nos custou a conseguir (porque trabalhámos para ter verba para a pagar), o escorrega com os sobrinhos ou filhos…o treino onde superámos a nossa marca pessoal, baseado no trabalho dos treinos passados…o encontro com o amigo ou com a amiga…as conversas louquinhas à “Gato Malhado e Sinhá” em que cada um se aplica. E se dá. Com alma.

O importante é que estes prazeres depois não tragam “mal ao mundo”, como se costuma dizer.

Sabemos distinguir.

Não estamos a fazer apologia ao hedonismo, pelo hedonismo. Estamos a elogiar o prazer que vem quando, com esforço, com empenho, fazemos algumas tarefas simples. Até podem ser sem planificação. Sem premeditação. Mas há esforço. Um esforço positivo, claro. Não é estar apenas de corpo presente. É levar a alma que referi acima.

Estas emoções positivas têm lugar na vida. Óh se têm. Olhemos para elas como uma força motriz.

Como algo que nos diferencia. Como algo que melhora o mundo.

Caminhemos então no parque (em ocasiões especiais, às vezes temos mesmo pressa) olhando para a verdade das cores.

Vivamos o afeto de um abraço (que deverá ser sempre especial) como uma experiência capaz de dizer: vale a pena viver!

Passeemos no jardim, testemunhando a nossa própria presença. Como se fôssemos o nosso próprio sol.

Usufruamos de um amigo, de um sol, de uma lua, de um segredo, de uma pequena paixão,… As pequenas experiências, serão somadas na conta da nossa felicidade. E são elas que vão levar o nosso legado a bom porto.

Oremos. A sério. Como uma roda que nos eleva. Sem frases feitas ou lugares comuns. Com fé.

Só podemos trabalhar felicidade a longo prazo, a tal realização, a passagem de testemunho, a obra e a capacidade de ajudar, se olharmos para a delicada importância das emoções positivas do dia-a-dia.

Agora, começa a chuva. Há quem use guarda-chuva. Capa.

Há investigação científica que mostra que as emoções positivas também têm efeito protetor. Com consciência, joguemos-nos então neste mar misterioso de bons e saudáveis pequenos prazeres.

Isso faz de nós (mais e melhores) humanos.

 

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Como licenciado em psicologia (ramo educacional) que escolheu criar um projeto independente de “formação” para escolas, entendi logo que as minhas próprias competências de comunicação, de colaboração e a criatividade, eram fundamentais.

Quer para o sucesso do projeto em termos de modelo de negócio, quer em termos de sucesso no objetivo principal: ajudar a desenvolver competências e soft skills ou competências transversais. Para chegar aos docentes com quem trabalho, tenho que ser o exemplo, pelo menos de algumas, dessas competências. Também nós aprendemos pelo exemplo, não são só as crianças. E também pela inspiração que nos pode dar alguém entusiasmado e com resultados.

Mais do que levar informação, procuro agitar e colocar a refletir. E esse deve ser também o caminho do docente do século XXI.

O próprio Perfil do Aluno alerta para esta necessidade. Criar conhecimento numa era em que a informação (que não é o mesmo que conhecimento!) está ao alcance de todos, é imperativo! Porque “saber” é diferente de “ter consciência”.

Há uma preocupação que marca o meu trabalho:

Como vamos desenvolver competências transversais nos alunos, se não as tivermos?

As escolas (à atenção do Ministério da Educação) deviam ter mais capacidade e autonomia de investimento em sessões de formação capazes de ajudar os docentes a ganhar competências, em vez de, muitas vezes, os ajudar a ganhar (apenas) créditos.

O educador que deseja ajudar os alunos a desenvolver competências transversais (soft skills) tem que ser o primeiro a refletir sobre as suas e a querer melhorar, sendo um exemplo de colaboração, capacidade de comunicação e de inovação.

Como formador, procuro também proporcionar experiências que coloquem os participantes a refletir. Dar o exemplo é fundamental.

Da reflexão virá a mudança.

Mais do que passar informação, é necessário dar ferramentas para cada um criar o seu conhecimento. As minhas próprias metas, cruzam-se com o impacto que pretendo ter nos docentes presentes nas sessões. Pretendo:

1. Manter-me entusiasmado;

2. Procurar as minhas próprias experiências de formação;

3. Exercitar a empatia;

4. Provocar a minha reflexão, trabalhar de forma colaborativa e inovar(…);

5. Comunicar;

Se eu fizer, serei mais capaz de o ajudar a fazer. E assim, todos juntos faremos uma escola (ainda) melhor

Afinal para que serve a Escola?

Há muita gente que casa por casar. Que vota por votar. Que anda cá por ver os outros andar. Há muita gente que vive por viver.

E a escola? Porque vão à escola os nossos filhos?

Às tantas vão à escola porque nós também fomos, porque “toda a gente vai”… Não será importante pensarmos as razões que nos levam a acreditar na escola? Até há uns anos, acreditávamos que a escola traria emprego.

Hoje, num mundo em mudança, sabemos que não é bem assim. Há muitos empregos que ainda nem foram inventados. E, por outro lado, cada vez mais empresas estão atentas a algo mais do que apenas “o currículo”, na hora de escolher colaboradores.

Quando nos colocamos em bicos de pés e exigimos dos nossos filhos apenas que tenham boas notas, estaremos a pensar verdadeiramente no futuro deles? Ou será que, como adultos, desejamos ter filhos com boas notas, numa espécie de competição com outros pais?

Há muita gente que diz que deseja filhos felizes. Mas depois, exige notas. Quadros de honra e afins.

Não estou, de forma alguma, a fazer a apologia das “más notas”. Mas sei que há crianças e jovens infelizes nas nossas escolas. Sei que há crianças e jovens infelizes por causa das nossas escolas. Sei que há professores que desejavam fazer diferente. Debater mais. Falar mais da vida nas entrelinhas do currículo escolar. E sei que há pais a “apertar” com os professores por causa dos exames.

Sabemos que as máquinas, as tecnologias, estão a chegar.

Se queremos crianças com um futuro, com uma ocupação, com um trabalho, não será importante reforçar neles as características que nos distinguem das ditas máquinas? É fundamental saber. As matérias são, no geral, importantes.

E ser? E entender? E compreender o mundo? E saber pensar? E criar? Se é importante saber, então se pensarmos nestas outras competências, teremos um caminho diferente a percorrer.

Queremos que eles tenham boas notas. Neste exame que é a vida

Vá, agora com profundidade…

Vi que foi o máximo. Foi divertido. Queres voltar e tudo.
Encolheste a barriga para aquela foto (quem nunca?!), saíste de uma face rosada sorridente e fofinha, para um estado de histerismo em menos de um segundo (entre o clique da foto e o instante seguinte).
Vi que as gambas estavam lindas na foto, mas que passaste o tempo a “chorar” porque foram caras.
Vi a foto com mais “gostos”. E lembro-me de que nem querias ir àquele local.
Vi as frases todas.
“Não há bem que sempre dure.”
“ A recarregar baterias.”
“A minha dieta são Bolas de Berlim.”
“Paraíso escondido.”
“Também mereço.”

Agora com profundidade…

Olha para as tuas férias e identifica os momentos que te fizeram mesmo crescer, descansar…

Identifica as experiências proporcionadas à tua família, às tuas crianças…

Pensa com quem estavas. O que estavas a fazer. Pensa no que foi mesmo marcante.

Às tantas, aquela dor, ou o sacrifício de uma visita a alguém que estava longe, no fim de uma estrada sem holofotes, foi o que nunca quererás apagar. Foi o marcante. Nem foi, afinal, sacrifício.

Se não fizeres a reflexão, corres o risco de, para o ano, encheres as férias com nada.

Eu já fiz a minha.
Sei o que me cansou, no bom e mau sentido. Sei o que desejo repetir. Sei com quem tive os melhores momentos. E porquê.
Sei em que fotos encolhi a barriga. Metaforicamente falando, claro. Não tenho barriga.
Sei o que foi o máximo. Divertido. Sobretudo, sei o que não quero voltar a fazer. Também sei que há coisas inevitáveis.
E sei que há acasos difíceis de repetir. Mas o importante é estarmos abertos a esses acasos. E sermos flexíveis para enfrentar o inevitável.

Gostei das partilhas. Agora, partilha contigo mesmo. Com profundidade.

 

LER TAMBÉM…

E se não houver sol? Uma mão cheia de coisas…

Já todos sabemos como acabou o Gato…o Gato Malhado…lembras-te?

Mesmo assim, gostamos de reler. Talvez haja uma esperança de chegarmos ao fim e ele – o final – ser diferente, não é?

Como se reler um livro, rever um filme ou reencontrar uma pessoa, fosse capaz de trazer finais diferentes. Não. Não é capaz.

Sei que deves estar a pensar: “Então mas as pessoas não mudam?!“. Mudam. Mas pouco.

Nestas férias, temos um final à nossa espera. Voltaremos para a barriga da cascavel? Provavelmente.

A mim ninguém me tira da ideia…a cascavel tem um chocalho! Eu, se fosse o gato, teria ouvido o chocalho! E teria fugido.

O problema não é esse, bem sei. O problema era a vontade do gato! Eu não quero acabar na barriga da cascavel.

Não quero férias como uma tarde de verão.

Não desejo terra à vista, como quem grita “fim à vista”. Vou beijar demorado, vou acordar cedo, vou tentar o equilíbrio entre a rotina e a falta de regras. Vou beijar roubado, vou acordar tarde…

E vou fazer mais uma mão cheia de coisas. E se não houver sol?

Quero reencontrar-te diferente no fim destas férias porque fizeste o mesmo. Quero ler em ti outro final, porque reescreveste as tuas histórias.

Vou fazer isso também, numa mão cheia de coisas:

  1. Vou contar aos meus filhos a história de uma nuvem feia, má, triste, suja,…E vou explicar a força do vento. O vento capaz de empurrar as nuvens feias para longe. Essa força está dentro deles. Falarei de persistência, de resiliência, claro está. Mas falarei da nuvem e do vento.
  2. Vou contar ao amor da minha vida a história de uma brisa fresca, traiçoeira, aborrecida…e vou explicar a força da prevenção. Esta brisa, chamada “a idade a chegar” pode ser terrível! Mas, como me preparo, hei-de ter sempre um casaquinho. Não se pode confiar neste clima. A partir de certa idade, um casaquinho vai sempre bem. Falarei de regar o amor, claro. E de brisas que afinal, com preparação, não são alterações climáticas. São naturais.
  3. Vou contar sobre o meu sonho matinal. Sonho onde reúno os amigos (aqueles três…quatro…) com frequência. É a história de um cardume navegante, conquistador, capaz de cortar as águas porque está em grupo.
  4. Vou contar sobre o avô Jaime e sobre a forma como morreu. A forma como deixou um legado de boa disposição, de humor, de sorriso e de vinho tinto (daquele incapaz de deixar mancha). De vinho tinto capaz de deixar marca. Uma marca boa.
  5. Vou contar a história do sorriso doce mais inexplicável. A luz surpreendente, surgindo como uma música de ANAVITÓRIA, ou melhor, Rubel em “Quando bate aquela saudade”. Vou contar sobre o sonho. Sonho.

Sonho com o gato a fugir da cascavel.  Não, não chega a casar com a andorinha, mas está escrito com outro fim, com outra cor e luz. Sonho com o chocalho a avisar. Sonho com uma noite de verão que, no fim de contas, pode ser a vida toda. E se não houver sol?

Sonho que, afinal, em vez de gato, sou um sol.

Boas férias.

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