Sempre tive pouca opinião no que diz respeito à palmada.

Acredito que todos nós uma vez na vida daremos uma.

Acredito também que é como os presentes. Custa muito mais a quem dá, e depois de oferecida não há como retirar.

A palmada é por si só o descontrolo de quem deu. Porque não conseguiu gerir a zanga que sentia. Muito mais do que o pouco controlo de quem a recebeu afinal “Estava mesmo, mesmo a pedi-las.”

Muitas vezes serve para sossegar o coração de quem a dá – apenas num primeiro momento – e sentir que resolveu o problema ou a insubordinação; no fundo, fez algo a respeito.

Fugir à palmada pode ser visto como uma “moda” das novas formas e modelos de parentalidade. Afinal de contas, também todos nós já levamos uma na vida. “E nem nos fez mal nenhum!…”

Estava mesmo a pedi-las”

 Mas será que se nos zangarmos com o marido, porque ele foi mesmo mesmo inconsequente e “estava mesmo a pedi-las” sai palmada? Porque razão deve ser diferente com as crianças?

Porque nos  compete educá-las?

E “a palmada no momento certo” não faz mal a ninguém?

Mmmm…Creio que a palavra certa no momento certo também não fará mal a ninguém.

Enquanto mãe preocupa-me mais que a palmada mostre à minha filha que é desta forma que se resolvem os problemas. Porque educamos muito mais com o que mostramos do que com o que dizemos ou repetimos.

Acredito  que talvez um dia também eu dê uma palmada por não conseguir gerir a zanga que sinto. No entanto, como acredito que a palavra certa no momento certo funciona tanto como a palmada que terei dado, pedirei desculpa à minha filha e certifico-me de que entende que não é essa a forma de resolver os conflitos.

Por isso em relação à palmada, a minha resposta será sempre um “Nim”. Porque podemos fazer diferente, explorar outros caminhos. É difícil. Mas o que é a parentalidade se não um desafio constante?

Porque depois de dada, a palmada, irá doer para sempre muito mais no coração de quem a deu!

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Educar para a verdade, ou mentir para poupar os filhos?

Quem tem filhos, tem medos.

E desde o primeiro momento que o nosso maior medo é vê-los sofrer. Ou não ver, mas que sofram ainda assim.

Para um bebé recém chegado pouco há a temer. A não ser o teste do pezinho, ou as primeiras vacinas – principalmente para pais de primeira viagem.

Com o tempo aprendemos que “é um mal necessário”, são breves os momentos de dor e que os beijinhos do pai e da mãe tudo curam. As crianças crescem, os pais também – é inevitável.

E das vezes seguintes, aquando as idas ao médico e respetivas vacinas perguntam-nos com os olhos mais ternurentos do mundo “Vai doer?” enquanto deixam cair uma lágrima ou se escondem atrás de nós.

Respondemos quase sempre “Não. Claro que não!” Mas será essa a verdade? Ou apenas a verdade em que nós pais queremos acreditar para que não sofram, porque não queremos vê-los sofrer?

Só que essa não é a verdade.

E podemos nós, só porque somos pais, mentir-lhes?

Vai doer sim. Mas vai passar. E no dia em que explicarmos isso aos nossos filhos estamos a educá-los para a verdade. Estamos a respeitar o medo que sentem mas estamos também a estimulá-los a serem mais fortes do que ele.

No dia em que fizermos isso os nossos filhos saberão o que esperar. Não nos dirão: “Tu mentiste! Doeu e muito.”

Haverá para nós pais, dor maior do que ver a desilusão espelhada naqueles olhos pequeninos?

No dia em que dissermos “Vai doer mas vai passar” mostramos aos nossos filhos que apesar de  encontrarem experiências dolorosas (ao longo de toda a vida), os nossos braços irão abrir-se sempre, os mimos não acabarão e a nossa voz dirá sempre, mas sempre a verdade!