Todas as crianças sofrem com o divórcio. 4 Dicas para pais preocupados

Seja qual for a idade dos seus filhos todos sofrem de alguma forma com o divórcio. Quer seja no momento ou uns anos depois.

Apesar de todos os desencontros que a vida possa trazer, o único que não deve ocorrer é com eles mesmos, por esse motivo, seguem alguns conselhos/dicas para todos os pais preocupados:

1- Comunicar eficazmente com os filhos

Os filhos devem ser informados do que se está a passar, afinal, serão os principais afetados de todo o processo. Inevitavelmente um dos pais passará a estar mais ausente. O filho deve entender que a culpa não é sua e que o pai ou mãe não passa a gostar menos dele por não estar a viver debaixo do mesmo teto;

2- Os filhos em primeiro lugar

Independentemente de todas as alterações, seja na morada, seja uma nova companheira do pai ou companheiro da mãe, sejam irmãos, o filho deve sempre sentir que é amado e não foi esquecido no meio de todas as alterações na vida dos pais;

3- Uma boa relação entre todos.

É importante que todos se deem bem! Apesar do que possa ter ocorrido e da mágoa que possa ter trazido, há alguém que é fruto de algo que já existiu e que com certeza quererá que todos se deem bem. Que todos estejam presentes nas suas ocasiões especiais, sem rancores ou mau ambiente;

4- Sintonia na forma de educar

É importante que todos estejam em sintonia com a educação e decisões dos seus filhos. Os assuntos devem ser discutidos em particular para apresentar uma força unida apesar da rutura, de forma a não confundir os filhos e não criar situações em que se possa ouvir a frase “se fosse o pai/mãe deixava”.

O divórcio é uma mudança na vida dos pais, das famílias mas também dos filhos. Isto não deve ser esquecido pois é necessário dar-lhes a entender que a culpa não é deles e que são igualmente amados pelos dois.

Não se deve esquecer:

o divórcio é muitas vezes a ruptura necessária para a construção de uma estrutura mais firme no futuro.

 

Por Catarina Marques Lobo, Assistente Social

O que é a Psicomotricidade?

A Psicomotricidade é uma prática de mediação corporal que permite à criança reencontrar e desenvolver o prazer sensório-motor através do movimento e da regulação tónica, possibilitando depois a apropriação dos processos simbólicos, com forte acentuação da componente lúdica.

Que tipos de intervenção psicomotora existem?

  1. Preventiva: estimulação e promoção do desenvolvimento, em crianças sem problemáticas de desenvolvimento;
  2. (Re)Educativa: estimulação do desenvolvimento psicomotor e do potencial de aprendizagem;
  3. Terapêutica: intervenção nos problemas de desenvolvimento, de aprendizagem e/ou do comportamento.

Para que crianças?

A intervenção psicomotora, de carater reeducativo e terapêutico, é dirigida a casos em que os processos do desenvolvimento e da aprendizagem estão comprometidas e em que estão frequentemente implicados problemas psicoafectivos, de base relacional.

O Psicomotricista intervém essencialmente com crianças com perturbações do desenvolvimento e aprendizagem, que resultam, essencialmente, de condições, como:

  • perturbação da coordenação motora e outras limitações do movimento;
  • perturbações do espetro do autismo;
  • défices da comunicação verbal e não-verbal;
  • deficiência intelectual;
  • dificuldades na aprendizagem dos processos simbólicos (leitura, escrita e aritmética);
  • dificuldades na gestão dos processos de atenção (seleção, focalização e coordenação de estímulos);
  • problemas de memória e perceção (identificação, discriminação e interpretação de estímulos visuais, auditivos ou tácteis); mutismo seletivo;
  • perturbação da hiperatividade e défice de atenção;
  • perturbação da oposição ou conduta; problemas emocionais (instabilidade emocional, baixa autoconfiança, baixa tolerância à frustração);
  • problemas de autorregulação do comportamento (impulsividade, agitação, desinibição, agressividade, oposição) ou outras funções executivas (capacidade de planeamento, capacidade de síntese e analise) e problemas psicomotores propriamente ditos. Por exemplo, dificuldades na regulação tónica, no equilíbrio, na estruturação espácio- temporal, na noção do corpo, na lateralidade, na motricidade global, na motricidade fina e na oculo-motricidade).

Quais os objetivos gerais de intervenção?

A intervenção psicomotora tem como objetivo promover a vivência harmoniosa da criança no seu corpo, com os outros e com o meio envolvente, estimulando e facilitando o desenvolvimento global da criança e, consequentemente, os processos de aprendizagem.

Os objetivos de trabalho irão variar de acordo com a idade, o tipo e a gravidade da situação, sendo que se salientam alguns objetivos gerais:

  • Motivar as capacidades sensoriomotoras através das sensações e relações entre o corpo e o exterior;
  • Desenvolver a capacidade preceptiva através do conhecimento dos movimentos e da resposta corporal;
  • Organizar a capacidade dos movimentos representados ou expressos através de sinais, símbolos, e da utilização de objetos reais e imaginários;
  • Ajudar a mobilizar os seus recursos individuais, reforçar a sua identidade para reconquistar a sua autoconfiança;
  • Fazer com que descubram e expressem as suas capacidades, através da ação criativa e da expressão da emoção;
  • Melhorar as suas respostas motoras e a sua interação pessoal, fortalecer a aquisição de estratégias de resolução de problemas, de acordo com as suas capacidades e potencialidades;
  • Criar segurança e expressar-se através de diversas formas.

Que atividades/técnicas são utilizados?

Pode recorrer-se a:

  • Jogos de exercício, funcionais ou motores, com função de harmonizar os gestos e aumentar a sua eficácia;
  • Jogos simbólicos ou de imaginação, que favorecem a passagem do nível sensório-motor ao nível da representação;
  • Jogos de construção, que têm a sua fonte nos jogos simbólicos e evoluem para uma adaptação mais precisa à realidade;
  • Jogos de regras caracterizados por determinadas obrigações comuns permitindo o desenvolvimento da cooperação.

Em suma, o objetivo da prática de Psicomotricidade centra-se na globalidade da criança, tendo em conta quer os aspetos funcionais, quer os relacionais.

 

Por Mariana Silva, Psicomotricista

A importância dos Avós

Quão sortudas são as crianças que podem passar tempo com os seus avós! E o contrário também se aplica. É um privilégio!

Privilégio, na medida em que existe um vínculo especial entre avós e netos. É uma relação baseada no amor e na diversão. Enfim, é pura alegria.

Tornar-se avó/avô é um momento muito especial. Os avós estão livres da paternidade do dia-a-dia, sendo capazes de proporcionar tempo de qualidade aos seus netos, onde a brincadeira é constante. Por isso mesmo são avós!

Estar perto dos avós proporciona uma importante experiência de aprendizagem.

Ao estar com os avós, as crianças aprendem a valorizar os mais velhos. Aprendem a respeitar o que estes têm para oferecer. Através dos avós, têm a capacidade de compreender a importância do amor e da família e o legado da sua própria família.

Os avós geralmente são o elo de ligação mais forte com o seu património familiar.

A estreita relação entre avós e netos é muitas vezes marcada por fortes laços familiares. Estes laços florescem apesar de avós e netos terem pouco em comum em termos de idade, nível de maturidade e hiato geracional.

A chegada dos netos é como um sopro de ar fresco para os avós e as crianças divertem-se e aprendem muito com eles. A presença dos avós nos anos de
formação das crianças ajuda fortemente na construção do seu carácter.

Apesar das relações mudarem com o passar dos anos, tal como a relação entre pais e filhos, os avós estão sempre presentes para lembrar com carinho os bons momentos que viveram, vivem e viverão juntos.

Valorizemos os nossos Avós!

Por Telma Grazina, Psicóloga

Gerir o divórcio com filhos: dicas para pais preocupados

Seja qual for a idade dos filhos, todos sofrem de alguma forma com o divórcio. Poderá ser no momento da separação ou uns anos mais tarde.

Apesar de todos os desencontros que a vida possa trazer, havendo filhos o divórcio deve ser sempre gerido em torno deles. Assim, seguem alguns conselhos/dicas para todos os pais preocupados:

1 – Comunicação – Fortalecer o diálogo

Os filhos devem ser informados do que se está a passar. Afinal, serão eles os principais afetados de todo o processo. Inevitavelmente um dos pais passará a estar mais ausente (nem que seja de forma alternada). Os filhos devem entender que a culpa não é sua e que os pais não passam a gostar menos deles por não estarem a viver sempre debaixo do mesmo teto;

2 – Os filhos em primeiro lugar: redobrar a atenção

Independentemente de todas as alterações, seja na morada, seja uma nova companheira do pai ou companheiro da mãe, sejam irmãos, o filho deve sempre sentir que é amado e que não foi esquecido na vida dos pais;

3 – Evitar discussões e ambientes de tensão

É importante que todos se dêem bem! – Apesar do que possa ter acontecido e da mágoa que possa ter trazido, há alguém que é fruto de um amor que já existiu e que com certeza quererá que os pais consigam ter uma relação cordial e que estejam presentes nas suas ocasiões especiais, sem rancores ou mau ambiente;

4 – Sintonia na educação

É importante que todos estejam em sintonia com a educação e decisões dos seus filhos. Os assuntos devem ser discutidos em particular para apresentar uma força unida, de forma a não confundir os filhos e não criar situações em que se possa ouvir a frase “se fosse o pai/mãe deixava”.

O divórcio é uma mudança na vida dos pais, das famílias e dos filhos. É necessário explicar-lhes que a culpa não é deles e que são igualmente amados pelos dois.

Não se deve esquecer: o divórcio é muitas vezes a rutura necessária para a construção de uma estrutura mais firme no futuro.

 

Por Catarina Marques Lobo, Assistente Social

Os filmes e desenhos animados que as nossas crianças veem têm um grande impacto no seu crescimento, sobretudo na construção da sua identidade. Estes são considerados artefactos culturais, assim como os livros e música, pois são capazes de transmitir legados de cultura e, por isso, devem ser encarados pelos adultos com seriedade, uma vez que as crianças realizam as suas próprias interpretações do mundo com base em tudo aquilo que observam ao seu redor.  É por isso comum que a maior parte das crianças se identifique com as personagens do mesmo género, muitas vezes interiorizando um determinado comportamento, modo de pensar ou valor, por exemplo.

No presente artigo, a preocupação recai sobre as personagens femininas dos filmes da Disney (as histórias mais conhecidas pelas crianças): qual a mensagem que estas estão a passar, sobretudo às meninas que se identificam como semelhantes?

Em 1937 surge Branca de Neve, uma personagem conhecida mundialmente ainda nos nossos dias.

A sua maior qualidade: a beleza.

A princesa é retratada como uma jovem bondosa, uma boa dona de casa, indefesa e frágil. À sua semelhança surgem outras personagens nas décadas seguintes como a Bela Adormecida e Cinderela. As três princesas viram o seu final feliz concretizado por um príncipe.

Cerca de cinquenta anos depois de conhecermos a primeira princesa, surge Ariel, uma jovem que apesar de aventureira, opta por trocar a sua própria voz pela oportunidade de conhecer o seu príncipe encantado, ou seja, abandona a sua liberdade de expressão para ir ao encontro das expectativas de outros.

“Um gentleman evita conversar,
Mas derrete-se se vê bem o silêncio de alguém
Convém não dizer nada para casar”

(Canção de Úrsula no filme A Pequena Sereia)

É Bela (em Bela e o Monstro, 1991) que contradiz a ideia de que a maior qualidade de uma mulher deve ser a sua beleza, priorizando, assim, a inteligência. É a partir desta personagem que se observam quebras de estereótipos, até então observados nos filmes para crianças.

Seguem-se personagens mais aventureiras e desafiadoras das regras, como Pocahontas e Jasmine.

Pouco antes de 2000 surge Mulan, a heroína da China! E é a partir desta que se seguem muitas outras personagens femininas que tomam o controlo da sua própria vida, não se submetendo à vontade de outros, como Mérida (em Brave), Tirana (Princesa e o Sapo) e Elsa (Frozen).

Facilmente conseguimos compreender que as características destas personagens procuram representar o papel da mulher na sociedade, dai a sua evolução ao longo dos anos.

Posto isto, encontramos dois grupos bastante distintos de personagens femininas neste conjunto de filmes:

  1. No primeiro encontramos um conceito de feminilidade ligado à docilidade, submissão e, principalmente, ao ideal de beleza;
  2. No segundo grupo predomina a independência, as personagens têm uma voz própria e não dependem de outros (como príncipes) para ter o seu final feliz, criando a sua própria felicidade.

Apesar de se verificar uma evolução na representação do papel da mulher nas histórias de encantar, as princesas mais conhecidas desde tenra idade são as que pertencem ao primeiro grupo, em que predomina o ideal de que a menina deve ser sossegada e portar-se bem para ser linda.

Após uma análise – que poderia ser aprofundada a um nível microscópico – levanta-se uma última questão reflexiva: quais destas características e exemplos das personagens femininas da Disney desejamos passar aos nossos filhos?

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Por Mafalda Dias

“Ele tem uma maneira muito própria de falar mas quando entrar na escola vai ficar melhor… com o meu filho foi assim!”

Muitas vezes, pais, educadores e professores são capazes de detetar que uma criança apresenta uma dificuldade, ainda que ao fazer referência a esta, não consigam identificar qual a área exata onde esta dificuldade se insere.

É importante compreender que existem diferenças entre estes três conceitos, por fim a ajudar a identificar a área em questão.

Ao falar de comunicação falamos de um processo complexo onde ocorre a troca de informação que visa influenciar o comportamento do outro. Por exemplo: o bebé chora quando tem fome ou sono, ainda que inicialmente não o faça de forma intencional, os pais acabam por dar um significado àquele comportamento. A comunicação pode ser realizada de diversas formas e através de combinações verbais (uso da linguagem – oral ou escrita) e não-verbais (olhar, expressão facial, postura, gestos e linguagem corporal).

Por sua vez, exclusivamente humana, a linguagem é o instrumento de comunicação mais importante e poderoso. É através da linguagem que conseguimos desenvolver competências linguísticas de receção, transformação e transmissão de informações. Para haver receção de informação tem de se conseguir compreender a linguagem – linguagem compreensiva; e para que haja transmissão tem de ser capaz de formular a linguagem – linguagem expressiva. A linguagem diferencia-se em três componentes principais: a forma – regras que gerem os sons, bem como todas as suas possíveis combinações (fonologia), formação e estrutura interna das palavras (morfologia), e organização das palavras numa frase (sintaxe); o conteúdo – significado das palavras e interpretação das suas combinações (semântica); e o uso – adaptação e adequação da linguagem ao tipo de contexto social (pragmática).

A fala é o ato motor que permite que ocorra a transmissão de sons, de palavras e de frases, é o modo verbal oral de transmitir mensagens que envolve coordenação neuromuscular, e que permite que se realizem movimentos orais para que se produzam sons em unidades linguísticas. A fala pode ser caracterizada quanto à articulação – produção de sons realizada pelos articuladores; quanto à ressonância – equilíbrio do fluxo aéreo entre o nariz e a boca; quanto à voz – vibração produzida pelas pregas vocais na laringe; quanto à fluência – débito; e quanto à prosódia – que diz respeito à acentuação e à entoação das palavras e das frases.

Em caso de dúvida o Terapeuta da Fala é o profissional competente que o pode ajudar a compreender, e identificar qual a área onde se insere a dificuldade observada.

Quando procurar ajuda especializada?

Se na sua família, ou mesmo no seu dia-a-dia convive com uma criança que não consegue:

  • olhar na direção que é chamada;
  • manter ou iniciar um tópico de conversa;
  • fazer ou responder a perguntas;
  • estabelece relação/conversa apenas com pessoas conhecidas;
  • evita falar optando por apontar;
  • fala de maneira diferente;
  • utiliza palavras próprias;
  • escreve à sua maneira…

então é aconselhado que procure ajude especializada!

 

Por Drª Joana Lopes, Terapeuta da Fala

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Cão-terapeuta o mediador na interacção social de crianças com PEA (Perturbação no Espetro do Autismo)

A relação entre o ser humano e os cães remonta aos tempos da Pré-história, tendo sido o primeiro animal a ser domesticado pelo Homem. Contudo, foi apenas a partir da década de 60 que o uso de animais passou a ser reconhecido e utilizado pelos terapeutas profissionais como forma de intervenção terapêutica.

Os primeiros registos de uso de animais em terapia ocorreram em York, na Inglaterra. Em 1792, foi fundado o Retiro York que utilizou a Terapia com animais como uma resposta face às condições sub-humanas vividas pelos pacientes. Esta incluía ensinar os pacientes a desenvolver o autocontrolo por meio de animais que eram dependentes destes. Os efeitos mais significativos foram verificados através da diminuição das doses de medicação. Só a partir do século XX, a introdução de animais em instituições foi generalizada.

Em Portugal, embora não haja nenhuma entidade reguladora estabelecida, já se realizam intervenções com cães desde os anos 90.

O uso das Terapias Assistidas pelo cão em crianças com PEA tem-se demonstrado benéfica, pois contribui para um aumento significativo dos comportamentos positivos (ex: contacto físico e visual) e uma diminuição de comportamentos negativos (ex: agressividade e isolamento) (Martin & Farnum, 2002). São igualmente comprovadas reduções na tensão arterial, nos níveis de cortisol, stresse, bem como o aumento dos níveis de endorfina (Barker & col., 2005; Viau & col., 2010). Do mesmo modo, têm efeitos muito positivos na redução da dependência à medicação e proporcionam um espaço seguro para a livre auto-expressão.

O Autismo é considerado uma Perturbação Global do Desenvolvimento.

Neste sentido, todas as áreas na criança se encontram afectadas, apresentando dificuldades: na comunicação e linguagem, nas interacções sociais e no pensamento simbólico. Do mesmo modo, apresentam actividades/interesses restritivos e bizarros, comportamentos repetitivos e estereotipados, reacções de agressividade e angústia face a situações de mudança, hipo ou híper reacção a estímulos e alterações nas funções intelectuais.

Quanto aos défices na interacção social, as crianças com Perturbação no Espetro do Autismo demonstram muitas dificuldades em manter o contacto ocular durante as interacções, o que dificulta a compreensão e expressão contextualizada das emoções. As pessoas com PEA descrevem o rosto humano como demasiado estimulante, gerador de uma sobrecarga sensorial e de sentimentos de grande ansiedade e desorganização, daí tenderem a evitar o contacto ocular. Do mesmo modo, foi verificado por investigadores Italianos nos anos 90, que as pessoas com PEA apresentam um funcionamento dos “neurónios em espelho” menos activo e como tal apresentam fortes dificuldades em discriminar e perceber diferentes expressões emocionais no outro.

Um dos factores que pode contribuir para que a criança com PEA se sinta menos ansiosa ao interagir com cães, é que eles comunicam sobretudo através da linguagem corporal.

Existem estudos que referem que as crianças com PEA apresentam défices relacionados com a intermodalidade e as interacções com humanos exigem o desenvolvimento desta competência. Contudo, com os cães embora por vezes seja necessário interpretar alguns sinais visuais e sonoros associados, estes são menos complexos e como tal torna-se mais fácil a sua compreensão para estas crianças.

Algumas pessoas com PEA que apresentam dificuldades ao nível das competências sociais sentem-se mais confortáveis perto de animais, na medida em que ambos pensam de forma concreta e registam informações do mundo em termos sensoriais, o que poderá favorecer as aproximações espontâneas, a comunicação e o desenvolvimento de relações afectivas. O relacionamento face-a-face é assim evitado e mais distanciado, tornando a interacção menos ameaçadora (Grandin, 2010).

Por outro lado, a presença do cão parece funcionar como um objecto transicional na relação com as pessoas, que se revela muito difícil de gerir para estas crianças. O cão funciona então como um facilitador com características próprias e que reage e responde às acções da criança, permitindo-lhe atravessar as fases de desenvolvimento de uma forma menos stressante e adquirindo novas competências cognitivas.

Os cães apesar de olharem directamente nos olhos das pessoas e de utilizarem esta informação para obterem pistas do ambiente, o olfacto e a audição são sentidos como mais relevantes para eles.

Tendo em conta as dificuldades das crianças com PEA em compreender e integrar estímulos sensoriais complexos, é possível que estas características no cão facilitem a aproximação, de modo a que se sintam mais confortáveis e menos ansiosos no contexto de interacção, estimulando o envolvimento em actividades propostas e a expressão das emoções.

Assim, a relação com o cão permite estabelecer uma interacção simples, livre de ansiedade e medos, com a presença de uma rotina, companheirismo, exigindo responsabilidade no cuidar e consequentemente fortalecendo a auto-estima e o auto-controlo.

As Terapias Assistidas pelo cão mostram-se uma abordagem complementar e multifacetada para as crianças com PEA, permitindo não só ajudar quem se tende a isolar no seu próprio mundo, mas que também quem se encontra em desenvolvimento, e passo a passo mostra-se mais disponível para a relação com os outros.

Por último, diria que as Terapias Assistidas por animais constituem-se como uma nova porta de entrada das pessoas com PEA na sociedade, rumo à inclusão e com uma maior qualidade de vida.

 

Por Drª Telma Santos- Psicóloga Clínica, para Up To Kids®

 

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“O Henrique tem 4 anos acabados de fazer e, como tal, uma persistência gigante para alcançar o que quer. Hoje, no jardim-de-infância, o dia não lhe correu muito bem … Numa ida com a sua turma a uma feira temática, o Henrique encantou-se por um carrossel e quis, de imediato, andar nele. A senhora do carrossel disse-lhe que era só para meninos a partir dos 5 anos e o Henrique retorquiu, de “cara feia”: “Mas eu já sou crescido! E tenho quase 5 anos!”. A Educadora explicou-lhe, então, que sim, ele era crescido, mas que havia meninos ainda mais crescidos e que aquele carrossel era perigoso, poderia magoar-se. Além disso, havia um outro carrossel para meninos igualmente crescidos como ele, no qual os meninos mais velhos não podiam andar – era especial só para os meninos de 4 anos. O Henrique lá aceitou. No final do dia, quando a mãe do Henrique o foi buscar, ele prontamente lhe contou o sucedido, choramingando que a Educadora não o havia deixado andar no carrossel que queria. A mãe, abraçando-o e olhando para a Educadora, respondeu: “Pois é, meu fofinho, já és crescido! Sabe, nessas situações, eu costumo dizer que ele já tem quase 5 anos, porque assim pode ser que eles deixem… Depois, voltamos lá noutro dia e vemos se a senhora te deixa andar, está bem meu fofinho?”.

As crianças são muito espertas, mas isso já nós sabemos.

Sabemos também que têm um dom particular de nos levarem a fazer o que querem, a lutar com “unhas e dentes” (por vezes, literalmente) para marcar a sua posição. Conseguem levar-nos ao extremo do nosso limite de paciência, deixando-nos “à beira de um ataque de nervos”, com os cabelos em pé. Conseguem também fazer pairar na nossa cabeça um “eu queria dizer que não, mas não consigo” (cantarolado ao jeito da canção conhecida que passa nas rádios) a cada “olhar de Gato-das-Botas do Shrek” que nos lançam. É relativamente fácil sentirmos culpa cada vez que temos de as contrariar.

As palavras “Sim” e “Não”

Queremos, fundamentalmente, que as “nossas” crianças cresçam felizes, sejamos pais, cuidadores ou educadores. As palavras “sim” e “não” pertencem a essa esfera. Porém, parece-nos muito mais fácil utilizar o “sim”. Então, porque é que a palavra “não” custa tanto a aplicar? Numa perspetiva lógica e racional, a palavra “não” tem tantas letras quanto a palavra “sim” e ocupa exatamente o mesmo tempo de discurso. Já o impacto emocional e comportamental de cada uma delas é diferente.

A Bússola do “Não”

O “não” funciona como uma excelente bússola. As suas coordenadas ajudam as crianças, e também os adultos, a situarem-se a nível emocional e comportamental. Enquanto adultos, temos o dever de encaminhar as crianças no caminho certo para o seu “norte”, para os seus objetivos, para que o seu desenvolvimento ocorra da forma mais equilibrada e saudável possível. Aliás, as crianças pedem-nos essas coordenadas de crescimento a cada birra, a cada comportamento de oposição, a cada finca-pé.

Aprender a ouvir e a lidar com o “não” é tão essencial como a água para o nosso corpo. Aprendemos a relacionar-nos de forma mais adequada com o mundo que nos rodeia, melhorando a nossa tolerância à frustração (um dos segredos para seres humanos mais felizes).

Os benefícios do “Não”

São vários os benefícios que daí advêm:

  • maior resiliência
  • maior capacidade de adaptação aos inúmeros desafios da vida, em diversos contextos
  • maior autoestima
  • maior conhecimento dos limites na relação Eu-Outro
  • maior respeito pelo mundo envolvente
  • maior inteligência e equilíbrio emocional

No geral, a nossa tendência natural é querermos colocar as nossas crianças num redoma de vidro, numa espécie de “bolha de proteção mágica” para protegê-las de todo o mal do mundo. Muitas vezes de forma inocente, sem nos apercebermos das consequências futuras. Sabemos o quão desafiante pode ser a tarefa de ajudar uma criança a crescer, no meio de uma vida atarefada, agitada e igualmente exigente para nós, adultos.

Quantas vezes nos sentimos cansados depois de um longo dia de trabalho, que a nossa vontade é dizer que “sim” a tudo, talvez para compensar a nossa ausência física e afetiva e também para não termos de nos “chatear”, porque a paciência se esgota? Quantas vezes cedemos, mesmo depois de uma decisão tomada, porque nos “dói a alma” ver a criança chorar? E quantas vezes já nos apercebemos das “manhas” a que a nossa pequenada recorre para “levar a água ao seu moinho”?

As consequências do “sim”

As consequências da nossa dificuldade em dizer “não” far-se-ão sentir a cada etapa de desenvolvimento até à idade adulta, passando por adolescentes rebeldes, adultos infantilizados e desconhecedores dos limites do Outro, para quem tudo é negociável e tem de corresponder às suas exigências e expectativas, e ainda adultos acomodados às pressões exteriores, que cedem facilmente.

Colocar em prática

Como colocar, então, em prática a bússola do “não” de forma consistente e equilibrada?

Eis algumas sugestões (ter em atenção a idade da criança):

  • ser consistente, coerente e firme: não ceder constantemente à insistência da criança. A incoerência do adulto leva ao desenvolvimento de magníficas artimanhas de manipulação emocional.
  • desdramatizar ou o chamado “keep it simple: quando algo não corre como o desejado, evitar atribuir um peso emocional muito forte, conversando tranquilamente sobre o que não correu bem e pensando em estratégias para que, futuramente, corra melhor.
  • ensinar a esperar: ensinar que tudo tem o seu tempo e que, nem sempre, podemos ter o que queremos e quando queremos.
  • lembre-se: enquanto Adulto é o exemplo para a criança – é o seu modelo, funciona como espelho. A tendência natural das crianças é imitar, seguir o exemplo de quem é importante para si. É essencial adoptar um comportamente congruente, ensinando que os “nãos” e a frustração fazem parte da vida e, como tal, não são “o fim do mundo”.

É importante termos em mente que não há soluções mágicas e universais e que cada criança é uma criança e que todas merecem crescer com respeito e afecto. Merecem (e precisam!), igualmente, de balizas emocionais que as ajudem a ser mais equilibradas … porque serão, certamente, mais bem sucedidas ao longo da sua vida!

 

Por Alexandra Pinto, Psicóloga Clínica da Horas de Sonho, apoio à criança e à família, crl

 

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Do Normal ao Patológico: como olhar para o comportamento do seu filho

O desenvolvimento infantil não é linear nem contínuo, apresenta movimentos regressivos, surtos evolutivos e pausas. Neste processo nem sempre os ritmos de desenvolvimento e o tipo de comportamento de cada criança é o esperado pelos seus pais, cuidadores e educadores.

A capacidade de uma criança dar uma resposta comportamental adequada é geralmente posta à prova na ausência da satisfação imediata dos seus desejos ou quando é necessária uma regulação emocional face a situações de frustração, cansaço, sono, fome ou mesmo de desafio, traduzidas muitas vezes em comportamentos desadequados e até descontrolados que testam a paciência, dedicação e cansaço de todos.

A adequação na resposta comportamental de cada criança vai depender do seu nível de maturidade emocional, traduzido muitas vezes na capacidade de comunicar as suas emoções através de palavras mais do que em gestos, da maturação do sistema nervoso manifesta na capacidade de responder adequadamente ao controlo dos impulsos e das características da sua personalidade.

No campo da Psicologia podemos olhar as questões comportamentais no campo da “normalidade” como:

– Normal enquanto saúde e não doença, considerando que o comportamento não compromete física e psicologicamente a saúde da criança (pôr-se em risco ou colocar outros em risco, consumo e dependência de substâncias, entre muitos outros). Neste campo incluímos ainda os sintomas psicossomáticos consequentes de uma regulação emocional desadequada que a criança faz das pressões, exigências, desafios e mudanças no seu dia-a-dia. Uma criança que internalize muita ansiedade poderá apresentar várias queixas como dores de barriga, cabeça ou mesmo dificuldades ao nível do sono. O “silêncio” dos órgãos é muitas vezes um bom preditor de “normalidade” nas crianças.

– Normal enquanto estatística, tendo em conta o que é comum acontecer em cada fase do desenvolvimento. Muitas questões comportamentais relatadas por pais estão intimamente interligadas com fases de transição como acontece na infância, pelos 2-3 anos ou na adolescência, períodos de teste das suas capacidades, regulação de emoções e frustrações, teste de limites e exercícios de independência e autonomia. Dentro deste espectro podemos incluir as famosas birras e comportamentos desafiadores e irreverentes ou mesmo sentimentos mais exagerados e pensamentos mais radicais.

– Normal enquanto funcional, mantendo um comportamento adequado ao funcionamento na sociedade em que se insere e no que é esperado de si de acordo com os parâmetros estabelecidos pela mesma: cumprir um currículo escolar e desempenhar funções específicas na sua comunidade, mantendo comportamentos adequados no relacionamento interpessoal e nas atividades sociais. Uma criança com perturbações específicas do desenvolvimento e/ou alguma deficiência (perturbação do espectro do autismo, síndrome de Down, dificuldades específicas de aprendizagem, deficiência física, auditiva, visual ou mesmo motora, entre muitas outras) poderá ver assim comprometida a sua aceitação ou integração pelo comportamento que apresenta. Por muito que a inclusão seja já uma recente realidade para alguns temos ainda um longo caminho a percorrer neste campo.

– Normal enquanto social, referindo-se aos comportamentos socialmente aceites e tolerados pelos outros. A norma social define e tolera alguns comportamentos consoante a sua frequência, nível e a idade em que a criança/jovem o pratica. Brincadeiras de lutas, destruição de materiais, roubar pequenos objetos ou alimentos, entre outros, são comuns quando se restringem a um período de desenvolvimento da infância ou ao ajustamento de limites da adolescência. Apresentam-se como preocupantes comportamentos com um padrão repetitivo e persistente no desprezo pelos direitos dos outros e pelas regras de convivência social. Nestes incluímos comportamentos recorrentes de agressão a pessoas e animais, destruição de propriedade, roubo ou abuso de confiança ou violação grave de regras.

A fronteira entre normal e patológico é muito ténue porque num momento ou outro, todas as crianças mentem, tiram coisas que pertencem aos outros, agridem, gritam ou desobedecem. A diferença entre estes comportamentos e o que os psicólogos consideram como um problema de comportamento está na gravidade dos comportamentos, na duração, na frequência, no aparecimento dos mesmos em mais do que um contexto e na sua persistência através do tempo.

Há elementos a ter em conta nas crianças com perturbações nos seus comportamentos uma vez que estas apresentam de forma mais intensa, desmedida, generalizada e duradora comportamentos como: birras frequentes, amuos sucessivos, discussões constantes sem regulação dos afetos, constante questionamento das regras e recusa no seu cumprimento (“porquê?”, “não quero por sim”), tentativas deliberadas de provocação, culpabilização do outro, raiva e ressentimentos frequentes, linguagem deliberadamente má e agressiva e atitudes maldosas e vingativas. A indiferenciação do alvo e a ausência de constrangimento, vergonha, culpabilidade e falta de empatia são também sinais de alerta.

Nestes últimos casos, a avaliação psicológica e o acompanhamento psicoterapêutico assumem um papel fundamental para tranquilizar e ou dar esperança de um futuro mais feliz e psicologicamente ajustado para estas crianças e jovens.

 

Por Catarina Amador, Psicóloga Educacional da Horas de Sonho, apoio à criança e à família, crl

Hábitos orais – Uso da chucha, sim ou não?

Definidos como comportamentos repetitivos, os hábitos orais oferecem uma agradável sensação a quem os pratica, e encontram-se relacionados com as funções do sistema estomatognático – sucção, deglutição, mastigação, respiração e fala. Prova disso é que ainda na vida intrauterina, é possível observar que o bebé já chucha no dedo, pois este comportamento dá-lhe conforto e segurança.

Desta forma, podemos considerar que após o nascimento a chucha pode ter um efeito calmante, ajudando o bebé a autorregular-se perante alguma situação mais desagradável, ou até mesmo a reconfortá-lo. Não é por acaso que em inglês é chamada de pacifier. Para além disso, estimula as competências dos bebés, preparando-os para as atividades de sucção do leite – hábitos orais nutritivos, sejam eles feitos através do seio da mãe ou do biberão nos primeiros meses de vida.

No entanto é importante ter em conta que a chucha, é considerado um hábito oral não-nutritivo – assim como a sucção digital, a sucção da língua, das bochechas e dos lábios, o bruxismo (ranger os dentes) e a onicofagia (roer as unhas) – que poderão assumir sérias implicações no desenvolvimento das estruturas orofaciais da criança tendo em conta a intensidade, frequência e duração deste hábito, bem como a idade da criança. As estruturas orofaciais – lábios, língua, bochechas, palato e dentes, são fundamentais na mastigação, na deglutição, na respiração e na articulação dos sons da fala.

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