Costumo dizer às crianças e jovens com quem trabalho que trabalho com perguntas. Digo muitas vezes que gosto de as colecionar, guardar, emprestar, oferecer, dar – tal como se fossem coisas físicas que podemos levar no bolso e partilhar com alguém. O meu trabalho consiste em construir e desconstruir essas perguntas, em grupo, investigando as suas possíveis respostas.

Assim sendo, gostaria de partilhar convosco algumas perguntas que os meus alunos partilharam. Algumas delas são fruto da troca de correspondência que tenho levado a cabo com crianças e jovens de todo o país – e não só*

Deixo-vos o desafio de pensar e de perceber se estas perguntas vos incomodam ou não. Se tiverem esse efeito, suspeito que serão perguntas importantes para vós. **

12 perguntas para 2016 (e para toda a vida?)

  1. A filosofia é um acto para saber?
  2. Por que é que nos obrigam a comer lulas?
  3. Por que é que nós, as crianças, somos obrigadas a desenhar?
  4. O que é a filosofia?
  5. Por que é que eu sou eu?
  6. É possível deixar de pensar?
  7. O que é que sentimos enquanto e depois de estarmos a morrer?
  8. Por que é que não podemos andar para trás, no tempo?
  9. Por que é que existe o mundo?
  10. Qual é o sentido da vida?
  11. Por que existe o mundo?
  12. O que é ser tratado como uma pessoa?

*Espreitem no Blog
**Escusado será dizer que aceito e agradeço perguntas que queiram partilhar comigo.
Usem e abusem do e-mail joanarssousa@gmail.com

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Evidenciemos a necessidade de desmistificar o conceito de que o Terapeuta da Fala (TF) é o profissional de saúde que intervém, , na fala das crianças e adultos.

Noutros países somos apelidados de Fonoaudiólogos, Logopédas, Orthophonistes, Speech & Language Therapists or Pathologists porque, definitivamente, intervimos em todas as áreas que condicionem a comunicação oral/escrita de qualquer indivíduo, e não só meramente na fala.

Desta forma, se considera que não faz sentido ir a um rastreio de Terapia da Fala porque “fala bem”, consciencialize-se que o TF é o profissional de saúde responsável pela prevenção,  avaliação e  intervenção da comunicação humana e deglutição.

A importância dos rastreios em Terapia da Fala mede-se por serem de carácter preventivo, não definem um diagnóstico terapêutico mas conseguem despistar qualquer desenvolvimento atípico da comunicação oral/escrita.

Sabia que…

Desde o nascimento que o TF tem um papel fundamental para o desenvolvimento harmonioso do bebé? Presta cuidados na área da amamentação, alimentação e comunicação ao bebé e aos seus pais ou cuidadores.

Em crianças em idade pré-escolar,  a sua intervenção centra-se na promoção das competências linguísticas, vocais e de comunicação, bem como na intervenção das suas perturbações?

Em crianças e jovens em idade escolar exerce um papel crucial na intervenção das perturbações da leitura e escrita, na potencialização da comunicação e na gaguez?

Na idade adulta, o seu foco de intervenção é maioritariamente em perturbações adquiridas, patologias vocais e de deglutição, alterações fisiológicas na estrutura orofacial que limitam a funcionalidade dos órgãos fonoarticulatórios? E que ainda tem um papel preponderante na promoção das competências da comunicação e qualidade vocal?

Após a realização de cada rastreio é elaborado um relatório com as devidas conclusões retiradas da observação, e serão sugeridas recomendações, bem como aconselhamento sobre a necessidade de acompanhamento.

Não é necessário ter um problema ou uma doença para procurar um TF, nem existe uma idade definida para consultar um especialista nesta área. Neste sentido, uma observação feita atempadamente é tanto mais favorável quanto mais precocemente for iniciada a intervenção terapêutica.

Aproveite os rastreios que decorrem durante o mês de Janeiro e esclareça todas as suas dúvidas.

Estaremos no Dolce Vita de Miraflores na loja da Multiopticas nos dias 16 e 23 de Janeiro de 2016 (das 10h às 18h).

Este rastreio é direcionado exclusivamente para crianças e adolescentes. No entanto, na eventualidade de existir interesse por parte de um adulto ou seu cuidador poderá contactar-nos através do e-mail howto@sapo.pt ou 966 370 349 para marcação de rastreio.

Patrícia de Sousa Teixeira & Leonor Barruncho (Terapeutas da Fala)

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Hoje em dia há, cada vez mais, pais, educadores e profissionais a defender a importância do Brincar para a criança. A criança precisa de tempo para brincar. Brincar ajudará a criança a desenvolver várias aptidões e competências que se tornarão de extrema importância para um futuro equilibrado, tranquilo e feliz.

Este é um tema que queremos privilegiar neste inicio do ano letivo, para que os pais se lembrem que uma criança que brinca no seu tempo livre, poderá obter os mesmos resultados e apresentar o mesmo desempenho a nível escolar que uma criança que passa o tempo a realizar fichas de atividades.

Hoje destacamos os 7 direitos da criança a brincar, por Eduardo Sá:

« 1. As crianças têm direito a brincar todos os dias.
Na escola, entre as aulas e ao longo delas (sempre que o professor for capaz de pôr brincar a rimar com aprender). Em casa e ao ar livre – no quarto como num parque – sob o olhar, discreto, dos seus pais. Brincar só ao fim de semana não é brincar: é pôr uma agenda no lugar do coração.

2. As crianças têm direito a exigir o brincar como o principal de todos as deveres.
As crianças têm o direito a defender a primazia do brincar sobre todas as tarefas. A fórmula: «primeiro, fazes os deveres e, depois, brincas», tão do agrado dos pais, é proibida! Só depois do brincar vem o trabalho.

3. As crianças têm direito a unir brincar com aprender.
Brincar é o “aparelho digestivo” do pensamento. Liga a imaginação com tudo o que se aprende. Quem não brinca imita, repete, fabula, falseia ou finge. Mas zanga-se, sem redenção, com o aprender!brincar

4. As crianças têm direito a não saber brincar.
Brincar é uma sabedoria que nunca se detém: inventa-se, descobre-se, deslinda-se, desvenda-se. Brincar é confiar: no desconhecido, no que se brinca, com quem se brinca. Crianças sossegadinhas são brinquedos à espera dos pais para brincar.

5. As crianças têm direito a descobrir que os melhores brinquedos são os pais.
Apesar disso, têm direito a requisitar tudo o que entendam para brincar. Têm direito a brincar com as almofadas, com caixas de cartão, com os dedos, e com tudo mais que entendam, por mais que sejam não sejam objectos convencionados para brincar. Tudo aquilo que não serve para brincar não presta para descobrir e com brinquedos de mãos brinca-se de menos.

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6. As crianças têm o direito a desarrumar todos os brinquedos
(e a arrumá-los, de seguida, com um toque… pessoal). Têm direito a desmanchar os que forem mais misteriosos, mais rezingões ou, até, os divertidos. Quando brincam, têm direito a ter a vista na ponta dos dedos, a cheirar, a sentir, a falar, a rir ou a chorar. Não há, por isso, brinquedos maus! A não ser aqueles que servem para afastar as pessoas com quem se pode brincar.

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7. As crianças têm direito a brincar para sempre
A Infância nunca morre: apenas adormece. E quem, crescimento fora, se desencontra do brincar, não perceberá, jamais, que não há crianças se não houver brincar. » 
Eduardo Sá, para revista Pais & Filhos, publicado a 01.06.2012

Por Up To Kids®, todos os direitos reservados.

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Desde que acordamos até ao momento em que adormecemos…os nossos pensamentos deambulam na nossa mente, num frenesim doido em que revemos passos dados, planeamos passos a dar e fazemos opções, escolhas, a cada segundo que passa. Queremos controlar tudo, saber tudo, decidir sempre o certo. Mas o que é o certo? O certo agora, pode ser o errado amanhã…E o que é certo para mim, pode não ser para os outros…

Nós, pais, que temos em última análise a responsabilidade de optar por nós e de decidir, ou melhor, ajudar nas decisões tomadas pelos nossos filhos, ainda sentimos mais na pele o que significa viver na corda bamba!..

Somos verdadeiras muralhas, ou não…queremos transparecer que sim, mas sabemos que não, sabemos que nos desequilibramos, que podemos cair para o lado errado fazendo uma má opção, mas é a do momento, é a que nos parece melhor, é a que sentimos como a mais equilibrada e viramo-nos para eles, filhos, e dizemos com a certeza de quem tudo sabe e tudo pode, que “tudo vai correr bem”, “tudo vai passar”. E eles, crentes e de olhinhos esbugalhados, olhando para nós como se da nossa boca pudesse sair como por magia a solução para todos os seus problemas e dilemas, acreditam!.. E ainda bem! Porque sempre que um pai ou uma mãe diz que tudo vai passar, é porque quer com todo o seu ser que assim aconteça…e isso é válido, tão válido quanto a possibilidade de ser real.

O mais importante é que os nossos filhos percebam que damos 200% de nós para que tudo lhes corra bem. Fazemos 200% de esforço e sacrifício para que as nossas escolhas possam ser as melhores para eles e desejamos a 200% que as escolhas deles sejam deles, não nossas, mas que sejam as certas, ou seja, aquelas que os façam felizes.

Vivemos na corda bamba!..A cada segundo que passa fazemos escolhas e opções, temos sempre que pender mais para um lado que para o outro, e nós pais, temos que as fazer conscientes de que essas escolhas já não são só nossas!..

Mas também é importante assumir perante os filhos que a vida é isto mesmo, viver sempre com a certeza de que fazemos o melhor que podemos, damos tudo de nós e queremos sempre o melhor para os nossos, mas nem sempre acertamos nas escolhas, nem sempre escolhemos o caminho mais fácil e… também erramos. Ao assumirmos isto, podemos ser pessoas mais  plenas, menos martirizadas, menos culpabilizadas e culpabilizantes, mais honestas e mais humanas. E “ensinar” isso aos nossos filhos, mostrar-lhes que somos falíveis, que não somos  mágicos e que realmente não possuímos o dom de poder fazer com que tudo lhes corra bem mas tentaremos com cada molécula do nosso ser para que assim seja, isso é o que considero o nosso maior e mais importante desafio! Devemos transmitir aos nossos filhos que a vida é feita de escolhas e é uma aprendizagem constante…um processo em construção, jamais inacabado! E transmitir também que a liberdade de escolha é o nosso bem mais precioso. O poder optar, poder escolher, ser livre!. Esse é o tesouro a preservar. Aprender a crescer, a cair, a levantar, a reerguer e a perdoar. Perdoar…pois se não houver perdão constante, não se vive em pleno.

Temos então que saber viver na corda bamba!.. Uns dias mais equilibrados, outros dias menos, sempre preparados para a queda mas fazendo o possível para não cair…optando e pensando cada passinho…esperando que seja o melhor no momento para evitar uma queda, mas tendo coragem de o dar mesmo havendo hipótese dessa queda acontecer. Se acontecer, saber levantar com a mesma capacidade de decisão com que demos o passo…et voilá!..C´est la Vie! E a vida..é o que fazemos dela!..

Sejam felizes…ou pelo menos tentem!.. 

“Be happy…or die trying…

Por Maria João Cosme, para Up To Kids®
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A – Acordar cedo e cedo acalmar, antes da cama abraçar.

O ditado popular que aqui altero, faz todo o sentido. O sono está a ser maltratado por muitos lares em todo o país. Sabemos que a “higiene do sono” é fundamental. E todos os dias nos defrontamos com crianças com marcas de noites mal dormidas.

As famílias devem refletir:

  • Porque nos deitamos cada vez mais tarde?
  • Porque não retiramos (ganhamos!) dez ou quinze minutos antes das crianças se deitarem para podermos estar com eles de corpo e alma?
  • Porque há televisões ligadas até tão tarde?

Fica o desafio:
Sabemos as cilindradas dos carros, sabemos números de cidadão na ponta da língua.
Qual é o número de horas que o seu filho deve dormir? Devemos saber isso também.

B – Brincar, brincar, brincar…

Em todas as idades brincar é fundamental! Dá saúde, desenvolve, aproxima pais e filhos. Como quase tudo na vida, é simples mas fundamental. E, por vezes, (demasiadas vezes) parecemos desprezar este grande pormenor. Uma criança feliz, uma criança que brinca, fica com o seu sistema imunitário mais poderoso.

Um lar onde se brinca, onde se dá atenção às emoções positivas, os dias passam mais felizes. Um sorriso, uma brincadeira, um momento de atenção, não devem estar condicionados pelos problemas do dia-a-dia!

Questões:

  • Alguém já pagou uma dívida por não brincar com o filho?
  • Algum problema já foi solucionado porque se colocou uma cara de zangado?
  • Alguma vez já se arrependeu por ter tido uma brincadeira com o seu filho?

Fácil é rir quando tudo corre bem. E quem disse que a vida é sempre fácil?

C – Comer com cabeça, cozinhar com coerência.

Cada vez que abrimos uma lata à pressa (a não ser que seja uma de atum em água) corremos o risco de estar a comer mal. Comer bem é fundamental para a concentração, para o desenvolvimento, para ter boas notas, no entanto, precisamos de usar o cérebro na hora de cozinhar.

Muitas vezes, precisamos começar na lista de compras. Retirar algum tempo para pensar na lista, diminui a probabilidade de comprarmos os ingredientes errados.

Falava de coerência na cozinha porque se formos partilhar com amigos o que achamos ser saudável, até costumamos dizer as coisas certas. O problema começa na hora de concretizar. No meio de tanta informação, naturalmente que cada família deve ser capaz de tomar as suas decisões.

 

Notas finais

 

Custa-me que haja escolas com horários terríveis para o ritmo natural das crianças. Como alterar este dado está, mais ou menos, fora do nossa alcance, resta-nos ser determinados na defesa do sono dos nossos filhos. É no sonho, é no sono que se entrelaçam as redes para um dia feliz.  

Não há idade para deixar de brincar. Nunca é tarde para aprender a brincar. Acho inspiradora aquela frase: “Será que a criança que foi teria orgulho do adulto em que se tornou?”

Eu sonho com um mundo onde os pais também debatem qual a lancheira ideal para os filhos levarem para a escola ou qual o jantar saudável e saboroso que criam em menos de 15 minutos.

 

Por Alfredo Leite, para Up To Kids®
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Criar espaço e oportunidade para as crianças conseguirem dar os primeiros passos sozinhas é uma demonstração de amor e afecto verdadeiramente notável por parte de qualquer cuidador. Mas estimular a independência nos mais pequenos pode ser muito difícil, sobretudo quando esta parece representar simultaneamente uma ameaça ao território de domínio dos pais. Muitas vezes, na minha prática clínica, deparo-me com pais que insconscientemente alimentam esta dependência, como forma de garantir o controlo  dos seus filhos, numa espécie de “miminhos continuados”, que podem vir a custar um preço elevado no crescimento dos jovens.

Se queremos que as crianças de hoje se tornem adultos autónomos e responsáveis é conveniente ir fazendo pequenas atribuições de responsabilidade, de forma gradual e sem exageros! Uma criança que está sempre “colada” aos pais, sendo estes a resolver todos os problemas e questões que vão surgindo no dia-a-dia, ou tomando todas as decisões por si…  pode tornar-se um adulto inseguro, sem consciência da responsabilidade e muito dependente da opinião e aceitação dos outros.

Incentivar as crianças a crescer com segurança, implica abdicar do monopólio lá de casa e ir dando voz, responsabilidades e “poderes” aos mais pequenos… Porque mais cedo ou mais tarde os seus filhos precisam resolver problemas e tomar decisões sozinhos! Estarão realmente preparados? A autonomia e independência não é um processo imediato e biológico; pelo contrário exige um treino e desenvolvimento que muitas vezes não lhes proporcionamos.

Comece por pequenas tarefas em casa, como arrumar as suas próprias coisas (brinquedos, roupas, outros objectos…), até como uma oportunidade dos mais novos desenvolverem uma noção de organização e arrumação… atitudes que irão ajudá-los pelo resto da vida.

Tarefas domésticas, como arrumar o quarto, juntar a roupa suja, arrumar os livros, pôr e levantar a mesa, lavar a loiça. São pequenas atividades que fazem muita diferença na vida adulta dos filhos (sobretudo nos filhos rapazes que são tendencialmente mais poupados nestas tarefas… lembre-se que um dia, ele irá sair de casa e ser “desenrascado” vai ser-lhe muito útil!).

Ensine-o a ter opinião formada: converse com ele e discuta sobre assuntos da actualidade e que passam na televisão ou até mesmo sobre assuntos da escola. Incentive-o a falar sobre diversos temas e a dar sua opinião. Ouça com atenção, com curiosidade, sem julgamento, apenas questionando, com o objetivo de estimular a sua capacidade de pensar e reflectir os mais variados temas.

Não faça as coisas por ele (nomeadamente trabalhos de casa!). Orientar não é fazer por ele. A responsabilidade de fazer os trabalhos de casa é do seu filho, o seu papel é de “participante consultor”, apenas apoiando sempre que ele tiver uma dúvida ou esteja com dificuldade em entender uma questão… caso contrário que mensagem lhes estamos a passar? O que lhes estamos a ensinar?

Estabeleça regras e horários: ensine-o a ter responsabilidade quanto aos horários, por exemplo, não permita que chegue atrasado à escola, estabeleça horários para ver televisão, jogar e brincar. Isso faz com que a criança se discipline e se torne um adulto responsável;

Seja efectivamente um exemplo para o seu filho: as crianças copiam os modelos dos pais, portanto seja um exemplo de responsabilidade para ele.
Faça com que ele veja como deve ser quando adulto.
Não basta exigir… é importante mostrar como se faz.

Por Vera Lisa Barroso, para Up To Kids®
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Ter uma filha muda-nos de diversas maneiras, mas nunca teremos uma vida aborrecida ou rotineira. Um dia acordam com 2 anos e só querem comer na taça cor-de-rosa, vestidas de cor-de-rosa e se a papa ou o leite fossem cor-de-rosa ou roxo (também aceitável) seria perfeito. Desde esta idade começam a perceber que nem tudo é cor-de-rosa e as birras muitas vezes rebentam porque a mãe também não esta vestida de cor-de-rosa, nem de espírito porque já não vê o mundo através de lentes rosa ou roxas! Mas a mãe compreende, porque já esteve nessa posição e a coisa é chata.

No dia seguinte acordam com 6 anos, e arrependem-se de ter cortado o cabelo as Barbies numa das birras dos dois anos em que as Barbies não estavam vestidas de rosa! Agora quase carecas, as Barbies, as Monster High, as Violettas ou as Elsas têm que ser trocadas o quanto antes porque as amigas gozam, e nesta idade tudo é passível de ser trocado até a mãe, caso não ceda.

No outro dia, acordam com dez anos e tudo o que é rosa, roxo ou que roce estas cores é super foleiro e nem acreditam que a mãe tenha cedido a tal piroseira e portanto a culpa é toda nossa!
Mea culpa, claro  que têm razão: estas mães de hoje gostam tanto de rosa e roxo. Adoram!…

Talvez porque, quando as mães de hoje, eram pequenas meninas nos anos 80, 70, 60, havia o rosa, mas também havia tantas outras cores e brinquedos que os pais ofereciam às filhas aos quais, nós filhas gratas e amigas, agradecíamos  com sorriso meio rosa/amarelo
“-obrigada adorei! Mesmo! Era mesmo isto!”,  quando na verdade queríamos dizer:
“-Este careca? só havia mesmo um careca de quase dois quilos, com roupa castanha? Não havia nada mais levezinho ou mais colorido como a primavera?! Não sabem que com 7 anos, carregar um careca com peso real vai-me dar cabo das costas?”.

OK a ultima parte não dizíamos nem pensávamos, porque não havia o que Google.

Não dizíamos nem pensávamos porque era o que havia e nos aceitávamos. Sabíamos que em África os meninos e meninas não comiam e que ter brinquedos era um luxo. Se não acreditássemos, bastava assistirmos as noticias ao jantar com a família enquanto comíamos abundantemente, e engoliamos em seco as imagens de fome em África que nos invadiam a sala de jantar. Mudar de canal para o único outro canal, a RTP 2, era chato porque ai tínhamos que engolir cultura à hora de jantar e para isso ninguém, nos anos 80, tinha estômago. Mas o resto é tudo verídico.

A vida era monocromática, com alguns laivos de cor aqui e acolá, mas era simples muito mais simples para os pais que quando acrescentavam filhos ou sobrinhos à família era bem mais fácil de passar adiante o que já não servia. Mas agora o que fazemos com tanto rosa, tanto roxo?
Agora que aos dez anos quase no final da infância e inicio da pré-adolescência com tanta informação e tanta escolha, quando deixa o rosa de ser uma possibilidade (ou obrigação)?

Filha, já não gostas de rosa? Mesmo, mesmo? Tens a certeza, olha aqui super giro e fashiontrendy, super top e tal?
OK, não é necessário esse olhar de desdém que me faz sentir mais velha além dos meros 38 anos fantásticos super fixes e jovens, ok? Humpf! (Longo, longo suspiro). Algumas mães vão para os sites de venda online tentar livrar-se de móveis rosas, cortinas rosas, algumas até adaptadores de sanita rosa tentam. Vale tudo, mas quando nem por 1 euro a coisa vai, tentam as amigas, essas com também filhas da mesma idade, com o mesmo problema, e para evitar conflitos todas partilham o mesmo numero de telefone, o de uma associação qualquer que ou faca reciclagem ou então distribua o rosa para uma menina algures em Portugal que tenha acordado com 2 anos e esteja a fazer birra porque a vida não lhe corre bem, nem cor de rosa. Então assim o ciclo da a volta completa e recomeça.

Para as mães que sobreviveram ao rosa, começa outra fase a de todas as outras cores. Agora a coisa piora porque com tanta cor, com tanta pré-adolescência e adolescência, com mudanças de estado de espírito, corações partidos, amizades começadas, outras interrompidas, modas quem vêm e outras que vão sem que nos nos apercebamos, a coisa vai mudando, diariamente. As vezes é só mensal, outras trimestral e se coisa correr bem, semestral. Porque hoje, eles podem tudo e nós, capitulamos, mesmo protestando entre dentes.

Por isso, querida, já não gostas de rosa? Tens a certeza?

Escrita com ironia, mas baseada em factos verídicos.

Por Sónia Pereira de Figueiredo, para Up To Kids®
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“Todos nós podemos ser super heróis. O Homem aranha deita teias de aranha, o Super-homem vê através das paredes, o Capitão América tem um super escudo!. Todos eles têm uma característica que os define, mas para além dessa característica têm outras que fazem com que eles sejam quem são. O Super-Homem é o Super-Homem, O Homem-Aranha é o Homem-aranha e o Capitão-América é o Capitão-América. Todos eles têm um manancial de super poderes. Fui investigar quais são os tipos de super poderes que os super heróis têm. (…) E eles são sete. E eu, ao longo da minha vida, procurei encontrar aqueles que são os 5 super poderes para que eu pudesse ser, ou tentar aspirar ser, um bom líder através da minha educação:

.VOAR | SONHAR
O primeiro de todos dos super poderes, é Saber Voar. E saber voar é saber sonhar. Saber onde é que eu quero ir. Onde é que eu gostaria de estar. Onde é que eu me projeto. (…)

.SUPER VISÃO | ILUSÃO
O Segundo é ter uma super visão. É ver através da parede. O super Homem vê através da parede. Vocês têm de ter a ilusão de se reverem em algo. (…) Vocês têm de ter a visão, atravessar paredes, ver para lá daquilo que é a vossa realidade hoje.

.FORÇA DESCOMUNAL | TRABALHO
O Terceiro é ter uma força descomunal. Não há magias. Há trabalho. Há trabalho, há trabalho, há trabalho e há trabalho. E a seguir ao trabalho, há mais trabalho. Têm de querer ser o melhor no que quer que seja. Têm de trabalhar muito. (…)

.QUERER ILIMITADO | SACRIFÍCIO
O Quarto é o querer. E o querer vem antes do trabalho. Se eu não quero uma coisa, eu não vou trabalhar para a ter. E esse querer, sendo cada um de vocês o super herói, vocês têm de querer muito, e dentro do querer há capacidade de sacrifício.

.SUPER CONFIANÇA | ALEGRIA
O Quinto é a super confiança. Nada se faz sem alegria. Se vocês forem fazer as coisas que têm que fazer todos os dias sem alegria, nunca serão super heróis. No que quer que seja que cada um de nós se propõe na vida a fazer, ser um bom pai, ou ser um bom líder, se não tiverem alegria, se não forem super confiantes naquilo que estão a fazer, nunca serão super heróis.
(…)” – Luis Valente  in TEDxYouth@ColégioMilitarSchool (ver video com discurso completo)

O Luís valente é um dos maiores corações que conheço e, para além de ser das pessoas mais cómicas é também das mais inteligentes e sensíveis que conheci na vida.
O Valente conseguiu, nesta palestra, fazer uma boa analogia de tudo aquilo que quero transmitir aos meus filhos e também daquilo que me foi transmitido pelos meus pais que, naquele tempo, tiveram a “coragem” de me deixar voar e aventurar-me mesmo antecipando alguns muros mais altos, mas sabendo que, com o tempo, os iria contornar.
Emocionou-me ouvir frases que ouvi dos meus pais… emocionei-me quando o Valente falou do seu Pai porque sinto (e entendo profundamente) essa ligação com quem me passou estas informações, os meus queridos pais!
Este é um dos vídeos que temos mesmo de mostrar aos nossos filhos adolescentes!

Por Inês de Santar, para Up To Kids®
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Crianças transgénero. Uma palavra que nos assusta, seja pela estranheza, seja pela conotação muitas vezes dada. Crianças transgénero são crianças cujo expressão ou identidade de género é diferente da esperada tendo em conta o seu sexo biológico.

Falamos de crianças transgénero, por exemplo, quando uma criança rapaz brinca com bonecas, gosta de se vestir com vestidos ou prefere praticar ballet. Muitos cuidadores não veem (e bem) nisto qualquer problema em termos de desenvolvimento. Outros ficam assustados, com receio de que seja um indicador da orientação sexual dos filhos. No raciocínio de que “quer vestir vestidos e ir para o ballet? É gay”, reprimem os filhos, ensinando-lhes que é “errado” comportarem-se assim (muito baseado no pressuposto infeliz de que “ser gay é mau e/ou inferior”, (o que dará matéria para outro artigo).

Com efeito, a literatura indica-nos que o principal grupo que inflige maus tratos às crianças é o familiar, principalmente familiares mais próximos. Acontece que, muitas vezes, os cuidadores não estão preparadas para aceitar a expressão ou identidade de género não normativa dos seus filhos, o que pode desencadear, por um lado, sentimentos de culpabilização dos pais e conflitos no sistema conjugal (caso um dos pais integre mais facilmente estas questões) ou, por outro, rejeição do membro da família que seja transgénero.

Ler também Nós somos as mães dos homens de amanhã: Educar para a igualdade de género

Desfazendo a primeira confusão, criada com base nos estereótipos existentes: a orientação sexual é independente da expressão/identidade de género. Isto significa, por exemplo, que um rapaz gostar de vestir saias em nada indica qual é a sua orientação sexual. Impedi-lo de se expressar porque “é isto que os meninos/meninas fazem são” apenas o vai tornar mais triste e ensinar-lhe que é errado ser quem ele é.

A importância da família, enquanto instituição social responsável pela transmissão de competências sociais e morais às crianças e aos jovens, é inquestionável. Deste modo, uma comunicação efetiva no âmbito de uma relação positiva é essencial para a promoção de práticas parentais mais adaptativas. No que concerne a vivência de questões de expressão e identidade de género, estudos sugerem que tem um impacto significativo no desenvolvimento destas crianças e jovens, nomeadamente no seu ajustamento psicológico, perceção de suporte e envolvimento no meio social.

Para pais que possam ter dúvidas ou sejam curiosos, deixo-vos dois artigos interessantes de  ler, um com testemunhos na primeira pessoa  e um outro com alguns dos principais mitos sobre estas questões de género.

Andreia Pires Pereira, Psicóloga Clínica da Horas de Sonho, apoio à criança e à família,
para Up To Kids®

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É o mais difícil para qualquer mãe, e ainda mais para as que são galinhas, como eu.

Junho é o mês do fim do ano letivo. A euforia das crianças pelas férias misturadas com a ânsia dos pais, que sonham com dias em família e descanso, sem a correria de todos os outros meses do ano.

Junho é o mês das plataformas sociais e de todos os telemóveis se encherem de baba de mães, pais e avós com os feitos dos seus filhos.

Uns preparam-se para o 1º ano. Outros, já sabem ler e seguem para o 2º ano, convictos de uma maioridade, que graças a Deus ainda tarda. Outros já passam para o 5º ano, mudando muitas vezes de escola, e colocando aquele friozinho no coração de mães e pais.

Junho é o mês do equinócio do Verão, mas é também o mês em que as mães percebem que têm de abrir um pouco mais as suas asas. Aquelas que fecharam para proteger os filhos, mal eles nasceram e precisaram de sentir o calor e o cheiro do seu corpo.

É o momento em que se toma ainda mais consciência do quanto o ano letivo foi levado a correr entre o trabalho, a escola e as atividades extras, e passou a correr com os filhos a crescerem.

Não é que não tenhamos noção disso com o passar do tempo. Mas é naquele momento da festa de final de ano, em que os olhamos e os vemos tão cheios e orgulhosos de si, que sustemos a respiração por segundos… e num misto de amor incomensurável e de um sentimento de missão cumprida, que percebemos que as nossas crias já estão cada vez mais preparadas para o dia em que voarão do ninho.

É tão bom vê-los crescer.

Aquece-nos tanto o coração e faz-nos dar tanto sentido à vida.

Mas, ao mesmo tempo, é aquele momento em que percebemos que a fugacidade da vida nos pode pregar uma partida. Aí despertamos do stress da rotina do trabalho, para a magia de ter dado vida a outra vida.

O mês de Junho é mês de mudança de estação, mas é também momento de mudança em todos os corações de mães e pais.

É o mês de pararmos e cairmos em nós com a consciência de que a jornada é mais importante que o destino, e que a vida é para ser vivida e saboreada um dia de cada vez. Com momentos doce e amargos. Mas sempre saboreada, pois só temos uma oportunidade para o fazer.

Por Irina Gomes, para Up To Kids®
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