Somos muito mais do que aquilo que comemos, somos o que fazemos, mas também o que sentimos e são exatamente estes os três pilares de prevenção à obesidade: comer-fazer-sentir…

COMER / FAZER

É de pequenino que se semeiam bons hábitos alimentares capazes de garantir saúde a médio-longo-prazo. As diretrizes 5-2-1-0 recomendam que as crianças comam pelo menos 5 porções de fruta e vegetais ao longo de um dia, vejam menos de 2 horas de televisão, pratiquem 1 hora de atividade física e não consumam qualquer bebida açucarada (0).

Um estudo realizado nos Estados Unidos que analisou os hábitos alimentares e níveis de atividade física em quase 400 crianças pré-escolares revelou que uma em cada quatro crianças exibia um índice de massa corporal que a colocava na categoria de excesso de peso; 17% dos pré-escolares consumiam menos de cinco porções de fruta e vegetais ao longo de um dia; apenas 50% não consumia bebidas açucaradas e 81% via até duas horas de televisão, diariamente. Por fim, menos de 1% praticava atividade física.

As crianças em idade pré-escolar com excesso de peso (ou obesidade) têm quatro vezes mais probabilidade de se tornarem adultos obesos. Também sabemos que para uma criança se tornar obesa não precisa de ter tido excesso de peso desde sempre, pelo que é essencial combater uma vida sedentária e cultivar uma alimentação variada e equilibrada. Prevenir a obesidade é fundamental para evitar e prevenir doenças associadas, como diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, cancro… mas igualmente problemas de auto-estima e marginalização social, que levam tantas crianças e jovens a isolar-se, ficando ainda mais inactivas e fazendo da comida o seu melhor amigo.

SENTIR

Qual a relação entre emoções e problemas de excesso de peso? Toda! Imagine que a forma como “protege” ou “desprotege” o seu filho pode mesmo ser um factor de risco. Conhecíamos já o impacto negativo das atitudes negligentes, dos comportamentos de ameaça, humilhação ou crítica do comportamento das crianças… nomeadamente na criação de vinculações inseguras, manifestadas através de ansiedade ou comportamento evitante. Posteriormente, um estudo português realizado na Faculdade de Medicina do Porto confirmou que (na ponta extrema oposta) pais superprotectores não têm necessariamente melhores resultados.

A verdade é que uma preocupação e cuidado excessivos com os mais pequenos lhes transmite uma imagem de mundo perigoso e ameaçador que, por sua vez, aumenta os níveis de ansiedade e da hormona do stress – “o-famoso-cortisol”. Nestes contextos, “comer” pode compensar vazios internos, “oferecendo” a sensação de conforto e segurança que as crianças precisam, ao invés de conseguirem fazer escolhas mais saudáveis ou mesmo procurarem conforto emocional junto de alguém. Esta “compensação” com o alimento é sobretudo observável nas raparigas (que internalizam mais as suas emoções), enquanto os rapazes tendem a exteriorizar mais as suas angústias, nomeadamente sob a forma de comportamento agressivo ou desafiante.

Em suma, a fórmula de prevenção à obesidade exige:

1) mudar os nossos padrões para uma alimentação rica e variada;

2) introduzir a prática de exercício físico regular

3) atender aos casos de “alimentação emocional”, ensinando os mais novos a saber identificar e gerir as suas emoções e lidar com o stress, mas sobretudo garantir que a relação pais/filho está saudável e equilibrada.

Encaminhar uma criança ou adolescente para um técnico de saúde mental deve fazer parte das boas práticas da consulta Pediátrica, Familiar e de Nutrição em casos de obesidade, ou excesso de peso.

imagem@kojeni

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Experiências digitais na Adolescência: “like” / “dislike?

As nossas vidas foram irrevogavelmente alteradas com o aparecimento da Internet, mas para os adolescentes da atualidade (que já nasceram online) a realidade é praticamente digital. Não é estranho usar o telefone ou ipad para acalmar um bebé que chora, não é estranho ver crianças de 2 ou 3 anos agarradas a smartphones, não é estranho oferecer o primeiro telefone a uma criança de 10 anos… não é estranho ver um adolescente mergulhado em aplicações e redes sociais.

Para os adolescentes do século XXI “a vida” acontece nas redes sociais! E por isso ou conhecem bem as suas regras e normas de funcionamento… ou ficam de fora! Façamos então uma visita de estudo pelas redes sociais mais populares entre os jovens.

O Instagram permite a partilha de fotos e aplicação de filtros digitais, bem como compartilhá-los com outras redes sociais, como o Facebook, Twitter ou Tumblr, por exemplo. Quando se publica uma fotografia no Instagram, o objetivo é provocar reações na plateia: gostos, comentários, emojis… Um adolescente que acompanhei em consulta contou-me que ele e os seus amigos competiam entre si pelo maior número de seguidores e reações nas suas postagens. Talvez por isso, a grande maioria dos adolescentes com 16 anos tem mais de 1000 seguidores na sua conta e muitos deles nem sequer conhece (isto acontece mesmo em contas privadas). Muitos destes ‘posts’ chegam a concentrar 300 gostos, o que significa a aprovação de uma grande fatia dos seus seguidores. Outras fotos são publicadas em segundas contas (com nomes diferentes), para que não fiquem associados a si comportamentos como o consumo de álcool, drogas… ou presença em determinados sítios. Online é possível construir o perfil que se deseja.

Depois, sempre que um amigo publica uma fotografia de si, existe uma ‘obrigação social’ de gostar e essa obrigação é tanto maior, quanto a proximidade desse mesmo amigo. Uma opção segura, sobretudo para a selfie de um amigo é o emoji com corações ou elogios diretos como “que lind@”! Não é necessário muito mais do que isso para carregar as baterias de auto-estima de quem a postou. Sim, baterias que ‘carregam’ quando vêem os outros confirmar que são bonitos, admirados, seguidos, foco de atenção e, por isso, aprovados pelos outro; ou baterias que ‘descarregam’ quando este cenário não acontece.

Mais do que uma moda, a exibição contínua de auto-retratos (ou outras fotografias pessoais) pode denunciar tanto excesso… como falta de amor próprio! A linha que separa uma realidade da outra está (de uma forma simples) nas sensações e/ou expectativas que o usuário tem aquando da publicação: uns são vistos como exibicionistas, outros como carentes de afirmação e aprovação pelo grupo… ambos podem ser tanto criticados pelos pares, como admirados ao jeito de celebridades! É por isto que a adolescência é uma fase tão exigente!

Mas outra parte da realidade escondida nas fotografias que se publicam, são os comentários que se fazem. Que tipo de relações sociais estamos a construir na rede? Verdade que muito do que aqui lemos é transversal a adultos, mas quando pensamos em adolescentes a grande diferença consiste no facto de estarem em pleno processo de formação. Sabemos, por exemplo, que algo tão simples como a utilização de abreviaturas nas mensagens tem consequências no processamento cerebral e na linguagem.

Quando vemos adolescentes comunicarem grande parte do tempo em chat, jogarem online, namorarem através de aplicações, conviverem em grupos virtuais… quando vemos adolescentes constantemente atrás de um ecrã será pertinente questionar quais as consequências ao nível das competências emocionais e sociais? Dificuldade na expressão e leitura das emoções nos outros, falta de empatia, maior agressividade… Já em 2012, um estudo publicado pela Universidade de Coimbra alertava para uma percentagem significativa de cyberbullying nas camadas jovens através de SMS e redes sociais, mas sobretudo para a elevadíssima percentagem de jovens que admitiam ter presenciado casos de agressividade e humilhação pública na rede.

Instagram, Snapchat, Pokémon Go-Pro, chat’s de jogos online… há um mundo de interação adolescente que gera trilhões a nível mundial e muito contribui para esta falência socioemocional das futuras gerações. A comunicação mudou: antigamente, os adolescentes precisavam de conversar ‘na rua’ ou por telefone com os seus amigos. Hoje em dia, os adolescentes comunicam de forma vaga para uma legião de seguidores e desconhecidos e por esta razão é fundamental cuidar da imagem na net. Alguns adolescentes chegam mesmo a apagar posts que não atingem um número mínimo de gostos. O tempo de espera para chegar a 40 gostos, por exemplo, é de cerca de 2h… a partir daqui o post é apagado ou guardado para ser novamente publicado em melhor hora (normalmente, após o horário escolar). As selfies são ótimas oportunidades para mostrar uma roupa gira, um acessório novo, uma comida de fazer água na boca, um local diferente ou uma atividade interessante. Depois espera-se a reação dos seguidores, que é bem diferente se vem de um usuário masculino ou feminino, através de um sistema de comunicação emoji bastante desenvolvido! São mesmo muitos os adolescentes escravizados pela imagem perfeita, como principal impactante no bem-estar emocional e qualidade de vida.

O Snapchat é outra plataforma de publicação de fotos e vídeos, mas com a particularidade das postagens desaparecerem 24h depois. Isso diminui significativamente a pressão sobre todos (os que publicam e os que são alvo de publicação), mas também justifica as muitas horas que os adolescentes dispensam diariamente ao seu telefone, a produzir material novo para a web (excepto facebook que, para os adolescentes, é um currículo público, logo um aborrecimento atualizar) e a tentar gerar conversas em chat, muitas vezes sem a intenção de obter uma conexão real posteriormente. O que não é surpreendente, porque em chat, uma conversa que não gere interesse rápido pode terminar sem qualquer explicação, o que em conversas ao vivo será mais difícil de acontecer. Estamos mergulhados na cultura do rápido… do “fast relationship”.

Os adolescentes estão em constante mudança e a melhor forma de os conhecer ainda é interagindo com eles, observá-los com atenção, questioná-los sobre gostos, interesses, sentidos… Para os adolescentes watsapps, snaps e chamadas de vídeo são a vida real… Contudo, a capacidade de usar a tecnologia de forma segura, aproveitando todos os seus benefícios depende em grande parte da relação que tem com os seus filhos!

Nunca tivemos uma geração tão “social” e, simultaneamente, tão carente de pessoas.

A minha agenda: ATIVIDADES EXTRA-CURRICULARES? Check!

Ter uma atividade após um dia de escola é proporcionar à criança a possibilidade de poder descontrair, divertir-se, fazer algo do seu interesse, ter contato e conhecer “exercícios” diferentes, estimular outras competências (que não são desenvolvidas em período escolar), bem como alargar a sua rede social.

Muitas vezes, a grande questão é que atividade escolher? Nunca se esqueça, a criança deve ser sempre envolvida nesta escolha (excepto no caso de actividades recomendadas por questões de saúde e/ou prescrição médica, que deverão ser frequentadas, mesmo que as crianças não gostam tanto)! É natural que os mais pequenos escolham (ou tenham preferência por) atividades que os seus amigos frequentam e por isso lhes sejam já familiares; mas cabe aos pais, estimular os seus filhos a experimentar atividades diferentes… para que estes consigam formular a sua opinião pessoal acerca das mesmas.

Atividades com amigos é um bom ponto de partida, mas quando se torna a única fonte de motivação para as frequentar então deve conversar com o seu filho e tentar perceber o que o leva a escolher e/ou resistir a uma ocupação? Muitas vezes é apenas uma “desculpa” e os pais devem tentar perceber a verdadeira origem da resistência. A criança já tem muitas atividades e está apenas a evitar mais uma? A criança não gosta mesmo daquela atividade? A criança não gosta de nenhuma atividade? A criança tem dificuldades em experimentar/ participar em situações novas? A criança quer mais tempo para fazer outra coisa? É uma questão de insegurança e real necessidade da criança se sentir incapaz de experimentar uma situação nova, sem a presença de alguém que lhe dê suporte? E poderíamos continuar a fazer questões, porque existem muitas razões na base de um “sim” ou um “não”. Nada como conversar com o seu filho (numa atitude de abertura e aceitação), para que ele se sinta seguro para partilhar aquilo que o incomoda e que está na origem das suas escolhas. O entendimento de uma recusa é muito mais importante do que a recusa em si!

Não existe um número ideal de actividades que o seu filho pode acumular no horário semanal, nem um número ideal por faixa etária. Este número está muito mais dependente das características de personalidade, da capacidade de gestão pessoal de tempo, do interesse e valor das actividades para as crianças e do seu envolvimento com estas… do que a idade que têm. Algumas crianças podem integrar muitíssimo bem várias atividades diferentes e outras (com a mesma idade) atrapalhar-se com duas. Nunca se esqueça que a gestão de atividades após um (longo) horário escolar varia de criança para criança e é muito importante que, enquanto pai e mãe, saiba perceber, acompanhar e respeitar o ritmo e capacidade do seu filho na hora de o inscrever em várias actividades, caso contrário, torna-se muito mais penoso do que vantajoso.

Já diz o ditado “quem tudo quer, tudo perde”! O excesso de atividades pode promover crianças exaustas, sonolentas, pouco tolerantes, irritáveis, desconcentradas em sala de aula, desmotivadas… lembre-se que o objetivo é fomentar o contacto com exercícios diferentes (de forma a aproveitar todos os seus benefícios) e não um contato exaustivo, capaz de provocar uma resistência generalizada a todo o tipo de actividades.

O ideal seria que as crianças pudessem brincar a seguir à escola e depois de recuperadas energia e baterias, as pudessem canalizar para “um tempo” diferente e estimulante! Decidam em conjunto (e em conformidade com as dinâmicas familiares) os horários das atividades dos pequenos. Uma regra valiosa e que nunca deverá ser esquecida é que um dia deve contemplar:
1) tempo para estudar na escola;
2) tempo para brincar depois da escola (preferencialmente com os amigos);
3) tempo para realizar actividades diferentes (sejam desportivas, artísticas, musicais…)
4) tempo para estar com a família.

Respeitando a existência destes 4 tempos, o mais equilibradamente possível… temos uma criança feliz!

Boas atividades extra-curriculares!

 

imagem@Vk.com

As vivências no contexto familiar e, mais concretamente, o relacionamento com os pais é determinante para as crianças aprenderem a lidar com as emoções.

É no seio familiar que surgem, normalmente, os primeiros conflitos e onde as crianças são colocadas à prova na regulação das suas próprias emoções, para que estas não comandem as suas atitudes, numa desgovernada ultrapassagem de limites.

Muitos pais queixam-se sobre a difícil capacidade dos seus filhos gerirem a frustração, quando não lhes dão aquilo que pretendem, quando não lhes proporcionam uma atividade na hora que desejam ou mesmo quando lhes pedem que interrompam ou terminem aquilo que que lhes está a dar prazer para fazerem uma outra qualquer tarefa que não lhes agrada. O habitual descontrolo vivido em muitas casas é resultado de um processo de aprimoração da inteligência emocional que está ainda em construção. Portanto, ainda que estas situações sejam desagradáveis ou mesmo muito desgastantes, são muito necessárias para ajudar o seu filho a desenvolver as suas habilidades emocionais. Por outras palavras, os conflitos lá em casa são ótimas oportunidades de treino, pelo que não as desperdice!

Ainda que a genética possa ter um palavra nesta questão e os pais com padrões emocionais mais instáveis possam constituir “fator de risco”; a verdade é que pode aproveitar conflitos para ajudar o seu filho a tornar-se um expert emocional! E já desde a primeira infância, uma fase de desenvolvimento marcada pelo aumento da mobilidade e dependência da criança, em que a criança pode ensaiar as suas competências emocionais.

Sempre que os pais se mantêm regulados, firmes e confiantes (transmitindo segurança e clareza nas suas mensagens) ajudam os seus filhos a regular-se em conflitos, com impacto a curto e longo prazo! De forma contrária, quando os adultos reagem de forma brusca ou irritada para com os seus filhos estão a aumentar a probabilidade destes também agirem impulsivamente e apresentarem mais birras do que seria de esperar na sua idade.

Pai e mãe sejam modelos de emoções e reações!

  1. ALERTA VERMELHO: ajude o seu filho a identificar quando está sob o controlo de uma emoção como a zanga ou frustração;
  2. STOP: ajude o seu filho a controlar o primeiro impulso, que pode ir desde um descontrolo verbal (dizer algo sem pensar, gritar) a um descontrolo físico (agredir, partir objetos). Sempre que sentir a “onda” do impulso imagine um grande sinal de STOP e esse é o momento para se distrair de forma a diminuir a intensidade da emoção e aliviar pressão, “baixando a temperatura”!
  3. BAIXAR A TEMPERATURA: ajude o seu filho a regular e acalmar estados emocionais descontrolados: afastar-se um pouco, sentar-se num local confortável e respirar lenta e profundamente; contar de 50 até 0, ouvir uma música que o acalme, caminhar e apanhar um pouco de ar, pensar em algo que gosta de fazer… ou outros recursos internos que funcionem bem em momentos como estes;
  4. NÃO AGIR DE CABEÇA QUENTE: ensine o seu filho a não tomar decisões em momentos de zanga, raiva, irritação ou frustração; pelo contrário, a encontrar soluções, apenas nos momentos em que está calmo e sereno. É preciso existir um intervalo de tempo entre o sentir e o agir;
  5. REFLETIR: sobre as razões que o fizeram perder o controlo do que estava a sentir. Este é um excelente momento, para pais e filhos partilharem aquilo que sentiram no momento em que se iniciou o conflito.

Atenção, vontade e empenho são fundamentais para interromper padrões de comportamento impulsivo e desenvolver boas habilidades na forma como se lida com os conflitos. Agora nunca se esqueça que isto é um trabalho em equipa e começa de cima para baixo. Lembre-se que pode transmitir ensinamentos valiosos, normas e máximas de vida importantíssimas ao seu filho… contudo, ele vai sempre seguir o seu exemplo!

imagem@flickr

Criar espaço e oportunidade para as crianças conseguirem dar os primeiros passos sozinhas é uma demonstração de amor e afecto verdadeiramente notável por parte de qualquer cuidador. Mas estimular a independência nos mais pequenos pode ser muito difícil, sobretudo quando esta parece representar simultaneamente uma ameaça ao território de domínio dos pais. Muitas vezes, na minha prática clínica, deparo-me com pais que insconscientemente alimentam esta dependência, como forma de garantir o controlo  dos seus filhos, numa espécie de “miminhos continuados”, que podem vir a custar um preço elevado no crescimento dos jovens.

Se queremos que as crianças de hoje se tornem adultos autónomos e responsáveis é conveniente ir fazendo pequenas atribuições de responsabilidade, de forma gradual e sem exageros! Uma criança que está sempre “colada” aos pais, sendo estes a resolver todos os problemas e questões que vão surgindo no dia-a-dia, ou tomando todas as decisões por si…  pode tornar-se um adulto inseguro, sem consciência da responsabilidade e muito dependente da opinião e aceitação dos outros.

Incentivar as crianças a crescer com segurança, implica abdicar do monopólio lá de casa e ir dando voz, responsabilidades e “poderes” aos mais pequenos… Porque mais cedo ou mais tarde os seus filhos precisam resolver problemas e tomar decisões sozinhos! Estarão realmente preparados? A autonomia e independência não é um processo imediato e biológico; pelo contrário exige um treino e desenvolvimento que muitas vezes não lhes proporcionamos.

Comece por pequenas tarefas em casa, como arrumar as suas próprias coisas (brinquedos, roupas, outros objectos…), até como uma oportunidade dos mais novos desenvolverem uma noção de organização e arrumação… atitudes que irão ajudá-los pelo resto da vida.

Tarefas domésticas, como arrumar o quarto, juntar a roupa suja, arrumar os livros, pôr e levantar a mesa, lavar a loiça. São pequenas atividades que fazem muita diferença na vida adulta dos filhos (sobretudo nos filhos rapazes que são tendencialmente mais poupados nestas tarefas… lembre-se que um dia, ele irá sair de casa e ser “desenrascado” vai ser-lhe muito útil!).

Ensine-o a ter opinião formada: converse com ele e discuta sobre assuntos da actualidade e que passam na televisão ou até mesmo sobre assuntos da escola. Incentive-o a falar sobre diversos temas e a dar sua opinião. Ouça com atenção, com curiosidade, sem julgamento, apenas questionando, com o objetivo de estimular a sua capacidade de pensar e reflectir os mais variados temas.

Não faça as coisas por ele (nomeadamente trabalhos de casa!). Orientar não é fazer por ele. A responsabilidade de fazer os trabalhos de casa é do seu filho, o seu papel é de “participante consultor”, apenas apoiando sempre que ele tiver uma dúvida ou esteja com dificuldade em entender uma questão… caso contrário que mensagem lhes estamos a passar? O que lhes estamos a ensinar?

Estabeleça regras e horários: ensine-o a ter responsabilidade quanto aos horários, por exemplo, não permita que chegue atrasado à escola, estabeleça horários para ver televisão, jogar e brincar. Isso faz com que a criança se discipline e se torne um adulto responsável;

Seja efectivamente um exemplo para o seu filho: as crianças copiam os modelos dos pais, portanto seja um exemplo de responsabilidade para ele.
Faça com que ele veja como deve ser quando adulto.
Não basta exigir… é importante mostrar como se faz.

Por Vera Lisa Barroso, para Up To Kids®
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Estamos mesmo a tempo de parar e refletir sobre a nossa postura face a tudo o que nos rodeia. Parece que a almejada felicidade que todos sonhamos para nós e para os nossos filhos, passa por um caminho que podemos fazer! Precisamos de seres humanos mais positivos e, por conseguinte, mais criativos, com bom sentido de humor, mais tranquilos e capazes de identificar mais oportunidades nas suas vidas.

Sabemos que pessoas mais positivas e felizes são mais produtivas nos seus trabalhos, estabelecem relações mais profundas e estáveis com os outros, são mais solidárias e saudáveis.

Vamos, então, ajudar os mais novos a combater a negatividade que tanto limita o nosso potencial de crescimento e afeta as relações que estabelecemos com o mundo. Não é preciso inventar a roda, para sermos mais positivos precisamos apenas de encher o nosso dia-a-dia com boas experiências, das pequeninas às maiores, tudo conta para que grão a grão encha a galinha o papo!

Eis um cérebro negativo:

1

Se reparar, neste cérebro cheio de “negatividade”, não existe espaço para boas experiências. É tão versado em situações negativas que se torna especialmente hábil a ver apenas negativo à sua volta e as boas experiências não só não têm lugar, como dificilmente são reconhecidas na sua linha de horizonte.

E agora, um cérebro positivo:

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De forma inversa, um cérebro carregado de experiências positivas limita o espaço para experiências negativas e fica muito mais apto a encontrar oportunidades, onde outros avistam fracassos.

Posto isto, escolher entre viver o positivo ou sobreviver ao negativo é uma escolha que acarreta, ainda assim, algum esforço pessoal, uma vez que herdamos dos nossos antepassados uma tendência negativista que nos molda o cérebro. A necessidade constante de estar alerta para os perigos e antecipar onde estariam os tigres escondidos foi fundamental na proteção e sobrevivência da espécie. Contudo, nos dias de hoje, esta tendência negativista é muito mais  bloqueadora do que promotora de potencial evolutivo. A parte positiva é que, com trabalho, podemos contraria-la!

Positividade ​a la carte:

1) Agradecer: é relativamente comum estarmos focados naquilo que não temos e darmos por adquirido aquilo que temos; quando assumimos esta posição é também fácil sentir permanente insatisfação e negatividade, porque a galinha da vizinha é sempre maior que a minha! Apreciar e valorizar tudo aquilo que temos e conseguimos até ao momento cria em nós um sentimento de harmonia e reduz a sensação de estarmos sempre com algo em falta. Ajude o seu filho a pensar e a enumerar as muitas coisas que tem e já conseguiu, seja uma cama fofinha onde dormir à noite, uma refeição quente quando tem fome, um copo de água quando tem sede, a possibilidade de correr, a capacidade de imaginar um mundo de brincadeiras infinitas, o facto de ter uma família que o ama e faz tudo para que seja feliz… a lista pode ser mesmo infindável quando olhamos com o nosso “cérebro verde”, ao invés de um “cérebro vermelho”.

2) Rir: recomenda-se para todas as ocasiões e não, apenas, para quando o rei faz anos! Quantas vezes por dia comunica através do riso? Afogados na correria do dia-a-dia, muitas vezes esquecemos de rir e tornamo-nos demasiado sérios. Quando rimos estamos a emitir uma expressão positiva, a aliviar a tensão muscular, a diminuir o stress e a ansiedade, a reforçar o nosso sistema imunitário e até a diminuir a dor. Sempre que rimos o nosso sistema cardiovascular ativa-se, pelo que tanto a frequência cardíaca como a pressão arterial aumentam, o que eleva o fluxo de oxigénio no sangue, bem como o fluxo sanguíneo nos órgãos; depois das artérias tanto dilatarem, a pressão arterial e a tensão muscular diminuem até que perdemos a força de tanto rir! Lembra-se da sua última barrigada de riso? Ensine o seu filho a rir, a rir dos seus próprios erros, a rir com as suas dificuldades, a rir de momentos embaraçosos… o riso torna a vida mais leve, para além dos múltiplos benefícios para a saúde em geral. Sempre que ri pinta o seu cérebro de verde!

3) Ajudar: dar sem esperar nada em troca, oferecer um sorriso, um abraço ou mesmo uma mãozinha é mesmo muito gratificante. É nestes laços solidários que vamos criando com as pessoas (pertençam ao nosso mundo de conhecidos, como ao mundo dos desconhecidos) que constatamos muitas vezes o nosso valor, pelo que, quando cuidamos dos outros, estamos igualmente a cuidar de nós e da nossa existência. Ensine o seu filho a fazer diariamente algo por alguém… seja ouvir com atenção alguém está ávido de falar, seja ceder o lugar a alguém com menos vitalidade, seja fazer um recado importante, seja carregar um saco de compras a alguém que está muito carregado… é no detalhe que o seu 3 filho se evidencia por fora mas, sobretudo, cresce por dentro. É neste crescimento interno que semeamos mais positividade no cérebro.

4) Reciclar pensamentos: nada como centrifugar pensamentos negativos, até porque pensamentos são processos electroquímicos que acontecem na nossa cabeça e, muitas vezes, de forma bastante diferente da realidade. Deixar ser, ao invés de pensar como deveria ser… uma vez que pensar de forma negativa é muito mais corrosivo do que benéfico! Quantas vezes nos focamos apenas nos detalhes negativos das situações, generalizamos situações como se fossem a base de toda a realidade, tiramos conclusões precipitadas, amplificamos experiências ou vivemos aprisionados com os “deves” e “não deves”? Ensine o seu filho a reciclar pensamentos e a libertar-se do tóxico: sempre que for assaltado por um pensamento negativo, registe e tentem reformular em conjunto, acrescentado algo positivo. Ex. “Eu não sou capaz de...” para “Eu tenho tido dificuldade em fazer___, mas vou continuar a tentar e aos poucos conseguirei sempre fazer melhor… afinal se fosse fácil todos o fariam!”.

5) Desbloquear problemas: por vezes ficamos encalhados numa situação que nos cega a racionalidade, esconde soluções e paralisa a nossa ação. Lembre-se que existe sempre um caminho para seguir perante um problema: comece com uma pausa, respire profundamente e, quando estiver mais calmo, esboce um plano de hipóteses para começar a dissolver o problema. Aqui o objectivo é mudar o foco do nevoeiro negativo que paira na nossa cabeça, para um olhar atento na procura de soluções. Ajude o seu filho a definir problemas, criar planos, implementar os diferentes passos e depois a avaliar resultados. A excessiva preocupação não impede a ocorrência de problemas, apenas limita a vivência positiva e quando algo acontece, é na busca ativa de soluções que cultivamos positividade.

6) Assumir o comando da vida: percebendo que temos um papel ativo na nossa vida (podemos mudar e criar) e abandonando o nosso lado passivo que sofre pelo infortúnio do destino. Encontrar culpados para os nossos problemas, ou dificuldades, apenas serve para nos vulnerabilizar e limitar no nosso potencial de transformação da realidade. Não deixe de lembrar o seu filho que é ele quem escolhe a forma como sente e reage a realidade, bem como, também é ele que pode fazer algo para a mudar algo negativo para positivo. Se podemos escolher… porque não escolher o positivo?

7) Experimentar coisas novas: aumentando o nosso repertório de bem-estar ou identificando facilmente aquilo que não nos faz bem e não queremos repetir. Muito mais positivo do que um conjunto de bens materiais novos é o impacto de experiências na nossa vida. Vivenciar experiências é criar memórias, um álbum de fotografias que faz a diferença na hora de ver e sentir o mundo que nos rodeia. Estimule a vivência de novas experiências na vida do seu filho: um passeio num local desconhecido, o contacto com artes diferentes, uma conversa com alguém de outra cultura, a criação de algo fora da sua 4 zona de conforto, a participação num projecto social, a conquista de um desafio jamais imaginado… várias são as possibilidade de colorir o positivo dentro de nós.

8) Apreciar as experiências: o mindfulness, ou a consciência momento-a-momento, é a arte de saborear profundamente tudo aquilo que fazemos. Dirigindo a nossa atenção para o momento presente, sorvemos plenamente o aqui e o agora, retirando um partido único da atividade com que estamos implicados e intensificando a memória da experiência, quando ela já faz parte do passado. Ajude o seu filho a usar todos os seus sentidos sempre que experiencia algo. Como seria ver​, reparando em todos os pormenores, cores e efeitos; como seria tocar sentindo todas as texturas, temperatura e peso; como seria cheirar tentanto decifrar todos os aromas; como seria ouvir discriminando todos os sons e melodias; como seria degustar sentindo todos os sabores, temperaturas, consistências… já pensou em aplicar a atenção plena às boas experiências, amplificando o impacto do positivo que elas nos proporcionam?

9) Modelar: a melhor forma de ensinar o seu filho a ser positivo é ser positivo! 🙂 Se implementar a positividade no seu dia-a-dia vai contagiar os que estão à sua volta, nomeadamente o seu filho, que cresce rodeado de boa energia e percebendo que a felicidade é um caminho e não uma meta; é um processo que se constrói passo a passo, em pequenas coisas, todos os dias!
Um pensamento positivo pela manhã pode mudar todo o seu dia, uma mudança diária pode mudar toda a sua vida…
Seja positivo, fica o desafio a toda a família!
Por Vera Barroso, para Up To Kids®
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