Eu pai. Eu psicólogo.

O dia do Pai chegou e para assinalar esta data que se esforça por recordar aos pais a importância do seu papel na educação e vida dos filhos, mas que também, curiosamente, se esforça por incentivar os filhos a dizerem o quanto gostam e amam os pais, foi-me pedido um pequeno texto com o título “eu Pai, eu Psicólogo”. Logo eu, cuja experiência em ambas as facetas é ainda tão jovem.

Não considero que ambos os papeis sejam comparáveis e se o são, são-no tanto ou tão pouco como a experiência de escrever algo (de opinião) através do qual me irei expor a tantas outras perspetivas e opiniões. Um pouco como pai, que acaba por aqui ou ali ficar debaixo do olho de quem observa a “arte de quem educa”, principalmente quando a exigência das circunstâncias assim a dita (refiro-me aquelas desconfortáveis experiências que, imagino que a tantos pais também, e mães, nos reportam e quase transportam para uma vivência emocional quase adolescente).

A responsabilidade entre escrever um texto e educar uma criança só seria próxima se eu fosse um género de Dalai Lama, ou Papa Francisco, que quando falam tocam milhões. Lembro-me de ter assistido num documentário (não me lembro qual nem quando), que estimava o número de pessoas que em média uma pessoa conhece em vida (também não me recordo quantas). Onde quero chegar é que uma criança tem um potencial tremendo, e como pai sinto-o como uma responsabilidade enorme que de certa forma tenho de relativizar para não cair em dramas. Enquanto psicólogo, a responsabilidade é igualmente grande, ou não existiria um código ético e deontológico que procura nortear a prática, nem uma vontade interior de fazer a diferença na vida de pessoas que de certa forma não estão a conseguir melhor (por si ou por meio de outras estratégias). É certo que se vejo um filho meu como criança com potencial tremendo, assim o vejo toda e qualquer outra criança, e ter assumido o papel de psicólogo de crianças, jovens e adolescentes…. Acho que o fiz com a mesma ideia que tinha quando enquanto adolescente dizia convicto “Eu? Quero ter uns 5 filhos!”. Que vontade de rir me dá agora ?

Pensar no ter sem pensar na manutenção que esse algo que se tem implica pode revelar-se uma verdadeira aventura. O pânico que senti quando soube que vinha o segundo (sim, porque nenhum dos dois foi planeado), bateu numa parede que soou a música para os meus ouvidos e algodão doce para o meu coração “Na vida tudo se cria!”. Que bom, talvez a filosofia Carpe Diem se aplique à parentalidade como uma luva.

Como psicólogo, a responsabilidade que sinto ainda não encontrou parede semelhante. Antes pelo contrário! Sedento de Agostinho da Silva por quanto mais o conhecia, que acabei, durante a formação, perante um enorme precipício. “A psicologia é uma ciência pela qual tive sempre a maior das desconfianças porque sempre me pareceu uma detestável e condenável intervenção na vida alheia, uma quebra do que existe de mais sagrado, a intimidade espiritual de cada um.” Que tinha feito eu ao escolher tal via profissional? Que papel poderia eu desempenhar que melhor serviria a determinadas necessidades da criança, que os pais não pudessem suprimir?

A responsabilidade para com os pais sinto-a como um enorme desafio. Responsabilidade pelo respeito à individualidade de cada um e à sua historia. Respeito porque quando percebo… tenho os meus telhados de vidro. Deparar-me com crianças com as mais diversas dificuldades, sejam sociais, comportamentais, psicológicas ou emocionais, e constatar que tantos dos pais procuraram e procuram dar o melhor de si, numa luta que se estende a tantos outros dos seus papeis. Pai e mãe, marido e esposa, trabalhador e trabalhadora, homem e mulher, filho e filha… Hoje li que pai presente será sempre um herói para o seu filho (Acho que queriam escrever presente com letra maiúscula). Assim o será cada mãe, e provavelmente com poderes mais complexos e polidos.

Que erros estarei eu a cometer enquanto pai achando que estou a fazer o melhor? E como psicólogo? Sim, porque um psicólogo também é pessoa e também erra. Ainda que agarrado à responsabilidade e brio de querer e fazer por ser melhor profissional a cada dia.

Como psicólogo, gosto de me ver como um facilitador da condição humana.

Como pai, não consigo encontrar as palavras. Talvez, e lá está o drama, como um corajoso que diariamente procura estar para eles (são dois, um de 3 anos e meio e outro de 5 meses). Serei também aqui um facilitador da condição humana?

De certa forma soa a redutor num papel de pai. Mas não será mesmo isso ainda que numa escala diferente?

Como pai e como psicólogo, espero estar a contribuir para um mundo melhor. Sem grandes certezas, o que me recorda uma passagem do livro A insustentável leveza do ser de Milan Kundera. “O homem, porque não tem senão uma vida, não tem nenhuma possibilidade de verificar a hipótese através de experimentos, de maneira que não saberá nunca se errou ou acertou ao obedecer a um sentimento. Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado” … e continua “Nunca saberemos, de facto, se a intuição que nos determinou seguir certo sentimento foi correta ou não. Não há tempo para essa verificação. Por isso, precisamos de cuidar as nossas emoções com um carinho muito especial”

Não quero concordar ou discordar, mas a reflexão leva-me a que podemos e devemos fazer o nosso trabalho de casa para que enquanto pais e profissionais consigamos antecipar a antecipável.

Enquanto pai e enquanto psicólogo, cuidar das minhas emoções com um carinho muito especial, sem esquecer, cuidar dos outros com a mesma dedicação.

Um feliz dia do pai a todos os pais!

Um feliz dia a todas as mães!

Um feliz dia a todos!

Por Nuno Duarte

6 de Março – Dia Europeu da Terapia da fala

Acontece com alguma frequência receber pais de crianças que procuram Terapia da fala por identificarem sinais no seu filho/a de um desenvolvimento “atípico”, “diferente do dos meninos da sua escola”. Assim, é percetível que a Terapia da fala está a expressar a sua importância de dia para dia e que há preocupação na partilha de informação sobre a sua importância.

Sejam adultos ou crianças o Terapeuta da fala pode ajudar a melhorar a sua condição de vida. Se ainda existem dúvida sobre o seu papel ou em que áreas intervém é no dia de hoje “Dia Europeu da Terapia da fala” que desmistificamos o tema.

O Terapeuta da fala

Profissional responsável pela avaliação, diagnóstico, prevenção e tratamento das perturbações da comunicação humana, linguagem oral e escrita, compressão e expressão da linguagem. Engloba também outras formas de comunicação não-verbal, voz e deglutição. A Terapia da fala abrange indivíduos de todas as idades, desde os recém-nascidos aos idosos. Em bebé presta cuidados neonatais desenvolvendo competências comunicativas e de alimentação. Nas crianças promove competências de comunicação, linguísticas, vocais entre outras perturbações. Nos jovens ou crianças em idade escolar, tende a intervir em perturbações da leitura e da escrita. Na idade adulta interfere maioritariamente em perturbações de linguagem adquiridas ou deglutição.

No entanto, tem sempre como objetivo geral otimizar capacidades perdidas ou não adquiridas do indivíduo, melhorando, assim, a sua qualidade de vida (ASHA, 2007).

O papel do Terapeuta da fala na escola

Em contexto escolar o trabalho desenvolvido pelo Terapeuta da Fala centra-se na promoção da comunicação, intervenção em perturbações da linguagem oral, expressão escrita, perturbações da fala, perturbações da voz e Motricidade Orofacial.

Vejamos:

  • Perturbações da linguagem oral
    Atraso de desenvolvimento da linguagem, perturbação específica a linguagem, dificuldades de aprendizagem
  • Expressão Escrita
    Dislexia, disgrafia, disortografia
  • Perturbações da fala
    Articulação, gaguez, apraxia, disartria
  • Perturbações da voz
    Disfonia, afonia
  • Motricidade Orofacial
    Sucção, mastigação, respiração e a fala

Áreas de intervenção

 

Evidenciemos a necessidade de desmistificar o conceito de que o Terapeuta da Fala (TF) é o profissional de saúde que intervém, , na fala das crianças e adultos.

Noutros países somos apelidados de Fonoaudiólogos, Logopédas, Orthophonistes, Speech & Language Therapists or Pathologists porque, definitivamente, intervimos em todas as áreas que condicionem a comunicação oral/escrita de qualquer indivíduo, e não só meramente na fala.

Desta forma, se considera que não faz sentido ir a um rastreio de Terapia da Fala porque “fala bem”, consciencialize-se que o TF é o profissional de saúde responsável pela prevenção,  avaliação e  intervenção da comunicação humana e deglutição.

A importância dos rastreios em Terapia da Fala mede-se por serem de carácter preventivo, não definem um diagnóstico terapêutico mas conseguem despistar qualquer desenvolvimento atípico da comunicação oral/escrita.

Sabia que…

Desde o nascimento que o TF tem um papel fundamental para o desenvolvimento harmonioso do bebé? Presta cuidados na área da amamentação, alimentação e comunicação ao bebé e aos seus pais ou cuidadores.

Em crianças em idade pré-escolar,  a sua intervenção centra-se na promoção das competências linguísticas, vocais e de comunicação, bem como na intervenção das suas perturbações?

Em crianças e jovens em idade escolar exerce um papel crucial na intervenção das perturbações da leitura e escrita, na potencialização da comunicação e na gaguez?

Na idade adulta, o seu foco de intervenção é maioritariamente em perturbações adquiridas, patologias vocais e de deglutição, alterações fisiológicas na estrutura orofacial que limitam a funcionalidade dos órgãos fonoarticulatórios? E que ainda tem um papel preponderante na promoção das competências da comunicação e qualidade vocal?

Após a realização de cada rastreio é elaborado um relatório com as devidas conclusões retiradas da observação, e serão sugeridas recomendações, bem como aconselhamento sobre a necessidade de acompanhamento.

Não é necessário ter um problema ou uma doença para procurar um TF, nem existe uma idade definida para consultar um especialista nesta área. Neste sentido, uma observação feita atempadamente é tanto mais favorável quanto mais precocemente for iniciada a intervenção terapêutica.

Aproveite os rastreios que decorrem durante o mês de Janeiro e esclareça todas as suas dúvidas.

Estaremos no Dolce Vita de Miraflores na loja da Multiopticas nos dias 16 e 23 de Janeiro de 2016 (das 10h às 18h).

Este rastreio é direcionado exclusivamente para crianças e adolescentes. No entanto, na eventualidade de existir interesse por parte de um adulto ou seu cuidador poderá contactar-nos através do e-mail howto@sapo.pt ou 966 370 349 para marcação de rastreio.

Patrícia de Sousa Teixeira & Leonor Barruncho (Terapeutas da Fala)

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Faz parte do grupo de pais que todos os anos se questiona sobre o assunto?

Se na verdade o seu filho estuda, mas as notas continuam baixas, parece que o estudo não rende. Na época dos testes diz que correu bem mas depois tem resultados baixos, ou simplesmente diz “tive uma branca”. E depois todo este desempenho começa a fazê-lo estudar cada vez menos e ficar mais resistente às aulas?

Se isso acontece, pode ser o caso de alguma dificuldade de aprendizagem não diagnosticado, como Discalculia, Dislexia e Disortografia ou outras Perturbações Linguísticas, ou ainda alguma Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção. Caso tenha essa dúvida, deverá procurar uma equipa especializada para o despiste.
Caso não seja quaisquer nenhuma das dificuldades de aprendizagem especificadas, anteriormente, muitas das vezes pais os rotulam o filho como preguiçoso, quando na verdade pode-lhe estar a faltar um bom método de estudo e o crucial de tudo – MOTIVAÇÃO.

Por norma, todo o jovem sente-se motivado para aprender, porque isso faz parte da sua constituição. É intrínseca essa exploração inata, onde precisam descobrir coisas novas e, consequentemente, precisam de ajuda para isso. Não é por acaso que os processos de aprendizagem iniciam-se e desenvolvem-se em ambientes onde os jovens possam tocar, experienciar e perguntar tudo.

No entanto, a aprendizagem não depende, nem só do educador/professor, nem só do aluno, depende também de factores psicológicos, cognitivos, motivacionais e acima de tudo da relação que os pais e familiares têm com o seu educando e da sua participação académica.

Deixamos aqui algumas das muitas orientações e estratégias que podem desenvolver com os vossos educandos, para que estudar seja um eficaz momento de aprendizagem:

  • Consciencializar da importância do estudo – criar a necessidade de aplicar a matéria académica no seu dia-a-dia ou no seu futuro; criar a necessidade de o jovem aprender para atingir outros objetivos;
  • Tornar mais produtivo o estudo:
  1. Começar por estudar a matéria que menos gosta;
  2. Incentivar o estudo porque irá aprender mais e não pela nota;
  3. Procurar criar interesse para o aluno em todas as matérias leccionadas e apreeendidas;
  4. Não estudar sequencialmente as áreas de conhecimento parecidas, uma pode confundir a outra. Ex: Intercalar Português – Matemática; Ciências – História;
  5. Refazer as atividades dados em sala, diariamente – a prática autónoma desenvolve a aprendizagem.
  • Organizar o horário de estudo:
  1. Reservar pelo menos 2h de estudo diário;
  2. Procurar estudar os conteúdos apresentados pelo professor o mais cedo possível após a aula;
  3. Fazer um intervalo de dez minutos a cada 50 minutos de estudo;
  4. Estudar primeiramente os conteúdos mais difíceis – estudar alternadamente conteúdos onde haja mais ou menos dificuldade.
  5. Não esperar sentir vontade para começar a estudar na hora marcada; Seguir o plano de estudo até formar o hábito;
  6. Utilizar o domingo como dia de descanso, no máximo usá-lo para a leitura.
  7. Não esquecer de deixar espaço para o lazer, diversão e atividades motoras e ao ar livre fazem muito bem e estimulam o cérebro;
  • Tentar desmistificar o factor ”decorar”/“memorizar”, o importante é entender a ideia do conteúdo apresentado, seja através de esquemas visuais, seja através de tópicos e respetiva descrição;
  • Estudar antecipadamente e nunca na véspera de um teste – ter tempo para debater dúvidas e conhecimentos adquiridos;
  • Utilizar métodos e estratégias variadas e propostas de atividades desafiadoras e multi-sensoriais – quebrar a rotina em aprender sempre sentado numa cadeira, a ouvir, a escrever numa folha ou a ler num livro;
  • Manter sempre um bom relacionamento com o educando, e consequentemente, um clima de harmonia;
  • Oferecer-lhe segurança para que se sinta à vontade quando tiver dúvidas – dar abertura para que se expresse por meio do diálogo;
  • Evitar punições e ameaças, educar não se baseia só com castigo, porque senão o fracasso académico acaba por ser algo ainda mais negativo para o educando; Opte pelo reconhecimento do esforço, com elogios e recompensas (evitar as monetárias, e optar por recompensas construtivas, como um livro que queria muito ou até um passeio ou viagem);
  • Tente ser o exemplo, mostrando ter hábitos de leitura, incentivar atividades familiares educativas (como ida a museus, jogos educativos, leituras);
  • É importante que os pais disponham de algum tempo para auxiliar os filhos nas suas atividades escolares, demonstrando interesse e apoio pelos estudos, estimular o pensamento e reflexão do jovem, para identificar e analisar, ajudando-o a pensar com autonomia, ensinando critérios para filtrar as informações recebidas diariamente;
  • Os pais podem estudar com o filho, mas é importante que o auxilie a aprender a estudar sozinho. Cada sujeito desenvolve a sua capacidade de aprendizagem, nenhum filho tem que ser comparado a outro, pois cada um tem um ritmo diferente aliado as diferentes estratégias.

Estudar é aprender, é desenvolver-se, é tornar-se um jovem mais maduro e mais capaz. Então é algo bom e os educandos precisam ver isso de uma maneira positiva.

 

Por Patrícia de Sousa Teixeira

Ler é compreender e interpretar, é o processo que permite descodificar sinais gráficos e extrair informação. Embora seja uma competência fundamental, aprender a ler é um processo complexo, multifacetado, dinâmico e individualmente experienciado.

Escrever é transpor uma mensagem oral em sinais gráficos com significado. Ao contrário do desenvolvimento da linguagem oral, o processo de leitura e escrita não é um processo implícito, isto é, necessita de ser ensinado de forma explícita.

O processo de leitura e de escrita passa pelas seguintes fases:

  • Descodificação de letras e palavras (perceção e análise visual dos grafemas)
  • Correspondência símbolo-som (grafema-fonema)
  • Significação (envolve estrutura frásica com significado)

As causas das dificuldades são várias. Podem advir do desenvolvimento linguístico, do desenvolvimento psicomotor, de problemas emocionais (QE), do desenvolvimento cognitivo, da imaturidade ou de um meio ambiente desfavorável à sua estimulação.

Para desenvolver um plano de reeducação temos de considerar três variantes, o neurológico, o psicológico e o pedagógico. Este plano é individualizado e específico para cada criança/jovem, tendo em conta a sua maturidade e nível linguístico.

Os sinais de alerta que uma criança/jovem apresenta nas dificuldades de aprendizagem não estão somente nas negativas dos testes escolares ou de final do período.

Apresentamos alguns sinais de alerta:

  • Falta de concentração na realização das tarefas escolares;
  • A perda do orgulho pelo trabalho escolar;
  • Dificuldade ou falta de interesse na leitura/escrita;
  • Dificuldades de interpretação;
  • Lentidão acentuada e esforço excessivo na realização de tarefas;
  • Alterações emocionais (ansiedade, perda de confiança/autoestima, comportamento antissocial);

O  plano de reeducação específico e individualizado deverá ser composto por uma equipa multidisciplinar que aborda diferentes estratégias. Cada aluno é um caso específico, com características e capacidades diferentes, interesses diversos e personalidades únicas e desiguais.

Neste sentido, procuramos promover as funções globais do aluno através de estratégias adaptadas e refletidas.

Não menos importante são as metodologias de estudo personalizadas que desenvolvemos, com e para cada aluno, que se tornam ferramentas facilitadoras no processo de aprendizagem.

A base de toda esta reeducação tem como objectivo fulcral desenvolver e promover a autonomia, preparando crianças e jovens para a vida adulta.

Leonor Sofia Paiva Barruncho – Terapeuta da Fala How To….

A Psicomotricidade assume-se como uma nova vertente clínica em expansão no nosso país e apresenta-se como uma área de conhecimento transdisciplinar, que estuda e investiga as relações e as influências recíprocas e sistémicas entre as funções psíquicas e a motricidade.

Desta forma, a Intervenção Psicomotora permite que o indivíduo se conheça a si próprio e ao meio que o rodeia (Martins, 2001). O Psicomotricista é responsável por ajudar o indivíduo a adaptar-se e a corrigir aspetos comportamentais ou de aprendizagem (Fonseca, 2010), permitindo ao indivíduo desenvolver vários domínios e otimizar a ação, utilizando o corpo, o espaço e o tempo (Matias, 2005).

Dirige-se a todas as faixas etárias, com base em três modelos de intervenção: preventivo, educativo e reeducativo/terapêutico (Morais, Novais e Mateus, 2005). Ao nível preventivo é utilizada para estimular e desenvolver competências sociais; educativo porque promove o desenvolvimento psicomotor e potencia a aprendizagem; por fim no âmbito reeducativo/terapêutico é utilizada para adaptar o indivíduo com um desenvolvimento comprometido às suas alterações quer sejam motoras, psicológicas, afetivas e cognitivas (Morais, 2007; Morais, Novais e Mateus, 2005).

Nas sessões de intervenção Psicomotora é sobretudo utilizado instrumentos específicos, atividades lúdicas, técnicas de relaxação e consciencialização corporal, atividades expressivas e motoras e ainda permite experiências com o mundo exterior (Matias, 2005).

Através do corpo, desenvolve-se a atividade valorizando-se a intencionalidade e consciencialização da ação, explorado várias formas de expressão(Martins, 2001).

A Intervenção Psicomotora dá ênfase à qualidade da relação afetivo-emocional e têm como base sete fatores psicomotores: tonicidade, equilibração, lateralidade, noção de corpo, organização espácio-temporal, praxia global e praxia fina (Fonseca, 2001).

Psicomotricidade nas Necessidades Educativas Especiais

As atividades psicomotoras facilitam o acompanhamento e desenvolvimento de alunos especiais Psicomotricidade nas NEE. Ajudam a que a criança ponha em prática a sua capacidade de perceção, ação e contacto, de acordo com as suas possibilidades.

O trabalho dos fatores psicomotores, como é o caso do esquema corporal, lateralidade, estruturação espacial, orientação temporal e pré-escrita são fundamentais na aprendizagem (Magero e Moussa, 2011). Um défice num destes elementos irá prejudicar uma boa aprendizagem. E é aqui que a Intervenção Psicomotora vem dar o seu contributo, além de trabalhar em simultâneo a socialização e crescimento pessoal (Fonseca, 1988).

A Intervenção Psicomotora é uma aliada ao processo de inclusão educacional, pois permite observar as limitações do aluno, entendê-lo e verificar os seus avanços na aprendizagem, mesmo que sejam mais lentos que o normal (Bagatini, 2002). Através de atividades psicomotoras, as crianças e jovens têm a possibilidade de construir e vivenciar as relações entre corporeidade, afetividade e aprendizagem.

É uma ferramenta valiosa principalmente para os portadores de necessidades educacionais especiais, pois torna a ação mais significativa para eles. Dá-lhes a oportunidade de experienciar, de descobrir mais de si e do meio que o rodeia, propiciando o seu desenvolvimento (Magero e Moussa, 2011).

A psicomotricidade vai ajudar crianças com:

  • Dificuldades de coordenação motora (ex. problemas de equilíbrio e falta de destreza)
  • Dificuldades na motrocidade fina (ex. cortar, pintar dentro do risco)
  • Dificuldades na motrocidade grafológica (ex. pega no lápis e pressão fraca ou forte)
  • Dificuldades de aprendizagem
  • Dificuldade de aprendizagem específicas (ex.discalculia)
  • Problemas na concentração
  • Problemas de comportamento (ex.:agressividade e comportamento
  • Dificuldades de comunicação
  • Atraso no Desenvolvimento Psicomotor

Joana Gonçalves, Psicomotricista e Explicadora na How to…
para Up To Kids®

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Bibliografia:
Bagatini, V. (2002). Psicomotricidade para deficientes. Editorial Gymnos: Madrid
Fonseca, V. (1988). Psicomotricidade: psicologia e pedagogia (2th edition). São Paulo: Martins
Fontes
Fonseca, V. (2001). Psicomotricidade: perspectivas multidisciplinares. Lisboa: Âncora editora.
Fonseca, V. (2010). Manual de Observação Psicomotora – Significação Psiconeurológica dos seus Fatores (3th ed.). Lisboa: Âncora Editora.
Magero, C. e Moussa, I. (2011). A Psicomotricidade no processo de aprendizagem de portadores de necessidades educativas especiais.
Martins, R. (2001). Questões sobre a identidade da Prática da Psicomotricidade – As práticas
entre o Instrumental e o Relacional. In V. Fonseca & R. Martins (Eds.) Progressos em Psicomotricidade (pp. 29-40). Lisboa: Edições FMH.
Matias, A. (2005). Terapia Psicomotora em Meio Aquático. A Psicomotricidade, 5, 68-75.
Morais, A., Novais, R. e Mateus, S. (2005). Psicomotricidade em Portugal. A Psicomotricidade,5, 41-49

Morais, A. (2007). Psicomotricidade e Promoção da Qualidade de Vida em Idosos com Doença de Alzheimer. A Psicomotricidade, 10, 25-33

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E porque hoje, é o dia Europeu do Terapeuta da Fala, publicamos um vídeo que tão bem retrata o trabalho diário deste profissional de saúde

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=0onES_nhu-A]
Este vídeo foi elaborado pela nossa associação – APTF e, retrata muito bem o trabalho do TF em todas as suas áreas de intervenção.

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Combater o insucesso escolar constitui uma tarefa complexa e desafiadora para Pais/Cuidadores, Educadores e Professores. É emergente compreender o porquê destas dificuldades e procurar alternativas que possam minimizar e adequar todo o processo de aprendizagem de cada aluno.

Uma das grandes lacunas no êxito na aprendizagem deve-se a alterações linguísticas significativas – alterações no processo de desenvolvimento da compreensão e expressão oral e/ou escrita. Por isso, a necessidade de prevenção/vigilância do desenvolvimento linguístico da criança/adolescente evita posteriores sequelas educacionais, comportamentais e até sociais.

No entanto, a origem destas dificuldades é diversa e pode envolver outros fatores, como: orgânicos, intelectuais/cognitivos, emocionais e sensóriomotores, ocorrendo na maioria das vezes uma inter-relação entre todos eles. Além destes, deve-se ter em conta influências externas, como: diferenças culturais, ensino insuficiente ou inapropriado.

Atualmente os estudos apontam que as dificuldades de aprendizagem estão estreitamente relacionadas com um historial de défice na aquisição da linguagem, mas ainda, e não menos importante, em alguns casos, um possível défice na discriminação auditiva.

Salienta-se que défice na discriminação auditiva é distinto de défice auditivo. É comum que os despistes auditivos estejam adequados mas o aluno não discrimine sons muito idênticos (ex: /f/ e /v/) e que estas trocas também possam ocorrer na escrita. Quanto ao processo de aquisição da linguagem, e bastante aglomerante, este inclui quatro sistemas interdependentes: o pragmático (uso comunicativo da linguagem num contexto social); o fonológico (perceção/produção de sons das silabas e palavras); o semântico (respeito pelo significado das palavras) e o morfossintático (respeito pelas regras sintáticas e morfológicas que vão designar se a palavra e a frase está organizada e coerente).

2imagem@bolsademulher

Dentro de uma análise contextual, há necessidade de compreender que, mesmo na presença de uma pedagogia eficaz, as dificuldades de aprendizagem podem ocorrer e por vezes não chegam a desaparecer ao longo do processo de aprendizagem. Na prática, geralmente apresentam uma ampla variedade de queixas académicas e comunicativas, onde se inclui:

  • Dificuldades em cumprir ordens orais
  • Pobre desempenho em testes cognitivos verbais (orais), quando comparados com testes cognitivos não-verbais (escritos)
  • Dificuldades na leitura e no ditado
  • Dificuldades na interpretação da leitura
  • Dificuldades na expressão de sentimentos e acontecimentos (orais/escritos)
  • Erros de escrita significativos após a finalização do 2º ano
  • Dificuldades na manutenção de um diálogo
  • Dificuldades na produção, discriminação e segmentação de sons, sílabas e palavras
  • Dificuldades em manter a atenção, com e sem ruído

De forma sucinta são crianças/adolescentes que, frequentemente, solicitam repetição de informação, apresentam-se distraídas e consequentemente uma panóplia de prejuízos académicos.

Para finalizar e deixar claro uma reflexão atual da aprendizagem, devemos, acima de tudo, saber que não só de aquisições intelectuais caracteriza o bom aluno. Torna-se essencial entender que cada dificuldade de aprendizagem que o aluno apresente, deverá ser analisada minuciosamente. Cada caso merece uma intervenção, por vezes, distinta, e elaborado por uma equipa multidisciplinar. Porque também, e não menos importante, desenvolver as suas aquisições motoras em simultâneo com as restantes aquisições são o meio mais eficaz para atingir as funções mentais de atenção e memória, tão importantes no processo de aprendizagem.

Por Patrícia de Sousa Teixeira, Terapeuta da Fala colaboradora How To…
para Up To Lisbon Kids®

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A musicoterapia tem como objectivo principal melhorar a qualidade de vida através do desenvolvimentos das capacidades, da reabilitação ou tratamento específico e adequado. No entorno Educativo conseguimo-lo estimulando as capacidades apresentadas por cada indivíduo e potenciando todos os mecanismos funcionais e emocionais que esta oferece.

Salientamos alguns dos benefícios que a musicoterapia pode aportar a esta população de forma genérica:

  • Físicos – preservar ou recuperar praxias, preservar ou aumentar a força, a mobilidade e a coordenação, relaxamento, reabilitar ou manter a motricidade fina, recuperar a marcha ou o andar normal, diminuir as sensações de dor e de cansaço.
  • Socio-emocionais – reconhecer e expressar emoções, melhorar a auto estima, melhorar a interacção social e as habilidades comunicativas, elevar o estado de ânimo, reduzir comportamentos disfuncionais e estados de agitação, potenciar a participação.
  • Cognitivos – estimular a memória e a capacidade de concentração, orientar-se no momento real, preservar de agnosias, facilitar a recuperação da linguagem.

A musicoterapia ajudar a manter ou restabelecer o bem estar físico, emocional, social e espiritual, para além de proporcionar uma ajuda para que as pessoas gozem de uma maior autonomia pessoal, já que aumenta a sensação de controle sobre o seu ambiente familiar/social e sobre a sua situação.

O que compreende um programa de musicoterapia?

Um programa completo poderá ter um alcance muito amplo. No entanto, não existem, ou existem muito poucas instituições no nosso país que tenham implementado ou apostado por este tipo de terapias, mas, e com a oferta e diversidade que já existe, cada vez a sensibilidade é maior.

Perguntas habituais…

Em que consiste uma sessão de musicoterapia?

Nas sessões de musicoterapia e consoante os objectivos terapêuticos pré-determinados, são realizadas várias actividades como:

  • Cantar canções
  • Tocar instrumentos
  • Improvisações vocais e instrumentais
  • Jogos musicais
  • Audições Musicais
  • Movimento e expressão corporal com música
  • Análise de canções
  • Pintura/desenho com música
  • Relaxamento com música

As sessões têm sempre uma estrutura preparada para cada grupo ou pessoa individual em função das suas necessidades, habilidades e capacidades para que resulte sempre uma experiência com êxito e agradável para os intervenientes.

Quem é, e o que é um musicoterapeuta?

Um musicoterapeuta é um profissional com uma vasta experiência e vinculação com a música e está comprometido em utilizá-la com finalidades terapêuticas, para ajudar pessoas com necessidades especiais.

As competências de um musicoterapeuta profissional incluem três âmbitos importantes: musical, clínico e musico-terapêutico.

  • Musical – uso de instrumentos de acompanhamento, domínio da voz, improvisação, direcção de conjuntos, composição, arranjos, conhecimento de uma vasta variedade de repertório e estilos musicais, entre outros, assim como técnicas pedagógicas relacionadas com a Educação musical que permita uma adaptação aos diferentes níveis dos participantes.
  • Clínico – empatia, capacidade de observação, respeito, conhecimento de técnicas de relação de ajuda e psicoterapêuticas em colectivos concretos, avaliação, elaboração e planificação de tratamentos, e comunicação e trabalho em equipa.
  • Musico-terapêutico – conhecimento da psicologia da música, compreensão dos fundamentos teóricos da musicoterapia, conhecimento das diferentes orientações metodológicas, conhecimento de literatura científica sobre a matéria, assim como domínio de técnicas musico-terapêuticas próprias de colectivos específicos.

 

Por Marco Henriques, Musicoterapeuta,na How To…
para Up To Lisbon Kids®

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A How To… tem como preocupação fundamental o bem estar da criança/jovem, pois é-nos impossível apresentar resultados escolares satisfatórios quando não existe estabilidade. Neste sentido dispomos de parceiros qualificados para intervir nas mais diversas áreas nomeadamente a Terapia Familiar.

A Terapia Familiar e o sucesso escolar

O (in)sucesso escolar pode ser multifatorial. Em algumas situações está associado a dificuldades de aprendizagem, as quais podem ser do âmbito cognitivo ou apenas emocional. Neste último caso, podem estar relacionadas com instabilidade e problemáticas vividas na família, aos quais as crianças e jovens não são alheios.

Ausências prolongadas dos pais, discussões frequentes e por vezes fervorosas entre os vários elementos da família, sentimentos de incompreensão ou rejeição por parte dos filhos e/ou mau estar generalizado no seio familiar, proporcionam sentimentos de insegurança e outras fragilidades, que se podem manifestar através de desmotivação e consequentemente em maus resultados escolares.

A Terapia Familiar surge como um espaço de partilha destinado à comunicação entre os diversos elementos da família, onde se pretende fortalecer o sentimento de união, para que a criança ou o jovem mantenha o seu investimento orientado para o sucesso escolar sustentado pelo equilíbrio familiar.

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Conceito de Família

Um dicionário de Língua Portuguesa define o conceito de família como um conjunto de pessoas com relações de parentesco. No entanto, existem muitas outras definições em redor do conceito de família e não há dúvida que se trata de uma rede complexa de relações e emoções, onde passam sentimentos, sendo também um bem precioso que merece suprema atenção e reflexão e que é muito maior do que se possa imaginar, pois representa o passado, o presente e também o futuro.

 O que é a Terapia Familiar e qual o “papel” do Terapeuta Familiar?

A Terapia familiar é um diálogo que se constrói e se desenvolve no tempo, envolvendo um terapeuta disponível e uma família, normalmente em “sofrimento”.

O papel do Terapeuta Familiar consiste entre outras coisas, em avaliar e intervir nos conflitos familiares, conjugais e em situações relacionais que apresentem dificuldades. Pode ainda facilitar a comunicação, evidenciando as competências da própria família e ativando a sua participação na resolução dos seus próprios problemas.

O processo de mudança proposto em Terapia Familiar passa por progressivamente devolver às famílias a sua competência e capacidade em ultrapassar as suas crises e por vezes apoiá-las na resolução dos seus problemas, tanto no âmbito da saúde mental, como nos contextos psicossociais, educativos e judiciais;

Metodologia das consultas de Terapia Familiar

Nas consultas de terapia familiar, reúne-se toda a família nuclear, ou apenas alguns dos elementos que vivem em conjunto, com o objectivo de retratar e situar toda a dinâmica daquela família. Outros familiares poderão ser chamados a participar nas consultas.

Em que momentos a família procura ajuda? 

  • De uma forma geral, é um dos elementos da família que procura ajuda quando, em algum momento específico do ciclo de vida da família acontece uma situação preocupante, ou quando alguns dos elementos apresentam problemas de relação.
  • Quando existem problemas conjugais/casal;
  • Na presença de comportamento antissocial de crianças ou jovens adolescentes, tais como isolamento, insucesso ou absentismo escolar, abuso de drogas, comportamentos pré-delinquentes e/ou comportamento violento;
  • Após insucesso de outro tratamento, por exemplo quando as sessões de terapia individual foram utilizadas para discutir assuntos da família

Nuno Eduardo Pereira – Psicólogo (I.S.P.A.) / Terapeuta Familiar (Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar)
Colaborador – How To…

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