É o mais difícil para qualquer mãe, e ainda mais para as que são galinhas, como eu.

Junho é o mês do fim do ano letivo. A euforia das crianças pelas férias misturadas com a ânsia dos pais, que sonham com dias em família e descanso, sem a correria de todos os outros meses do ano.

Junho é o mês das plataformas sociais e de todos os telemóveis se encherem de baba de mães, pais e avós com os feitos dos seus filhos.

Uns preparam-se para o 1º ano. Outros, já sabem ler e seguem para o 2º ano, convictos de uma maioridade, que graças a Deus ainda tarda. Outros já passam para o 5º ano, mudando muitas vezes de escola, e colocando aquele friozinho no coração de mães e pais.

Junho é o mês do equinócio do Verão, mas é também o mês em que as mães percebem que têm de abrir um pouco mais as suas asas. Aquelas que fecharam para proteger os filhos, mal eles nasceram e precisaram de sentir o calor e o cheiro do seu corpo.

É o momento em que se toma ainda mais consciência do quanto o ano letivo foi levado a correr entre o trabalho, a escola e as atividades extras, e passou a correr com os filhos a crescerem.

Não é que não tenhamos noção disso com o passar do tempo. Mas é naquele momento da festa de final de ano, em que os olhamos e os vemos tão cheios e orgulhosos de si, que sustemos a respiração por segundos… e num misto de amor incomensurável e de um sentimento de missão cumprida, que percebemos que as nossas crias já estão cada vez mais preparadas para o dia em que voarão do ninho.

É tão bom vê-los crescer.

Aquece-nos tanto o coração e faz-nos dar tanto sentido à vida.

Mas, ao mesmo tempo, é aquele momento em que percebemos que a fugacidade da vida nos pode pregar uma partida. Aí despertamos do stress da rotina do trabalho, para a magia de ter dado vida a outra vida.

O mês de Junho é mês de mudança de estação, mas é também momento de mudança em todos os corações de mães e pais.

É o mês de pararmos e cairmos em nós com a consciência de que a jornada é mais importante que o destino, e que a vida é para ser vivida e saboreada um dia de cada vez. Com momentos doce e amargos. Mas sempre saboreada, pois só temos uma oportunidade para o fazer.

Por Irina Gomes, para Up To Kids®
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