Vamos deixar de catalogar as crianças, se faz favor?

“És um bebé!”; “És mesmo teimoso!”; “Só fazes asneiras!”; “Não tens vergonha de ser preguiçoso?”.

O que sentiríamos, pensaríamos e decidiríamos se, no nosso local de trabalho, o nosso chefe passasse a vida a dizer “és sempre a mesma coisa!”, “não fazes nada bem!” ou “estás sempre a queixar-te!”?”

Quantas vezes brindamos os nossos filhos com estes “mimos” e outros do género? Ou ouvimos outros pais fazê-lo com os seus? E quais as suas consequências para a autoestima da criança?

Quando estamos cansados e sem paciência para procurar as razões que estão por detrás do comportamento, é mais fácil catalogar, colocar rótulos. Mas isso traz consequências negativas no futuro, sobretudo na autoestima.

“A classificação reflete a tendência de nossa identidade de se defender da diferença que o outro representa. Rotular é enquadrá-lo numa categoria que o reduza e simplifique para nós. É preciso um esforço para se afastar dos referenciais próprios e observar a beleza da diversidade”. – Eliana Braga Atihé

Reflexões sobre catalogar as crianças

Como se sentirá quem é catalogado ou rotulado?

Tentemos colocar-nos naquele lugar. O que sentiríamos, pensaríamos e decidiríamos se, no nosso local de trabalho, o nosso chefe passasse a vida a dizer “és sempre a mesma coisa!”, “não fazes nada bem!” ou “estás sempre a queixar-te!”?

Teríamos vontade de melhorar ou nem por isso?

E o que decidiríamos fazer dali para a frente?

Tal como os adultos, também as crianças agem melhor quando se sentem melhor. E às vezes é tão simples fazer a diferença. Pense nisto. 

Foto de Paula Perrier | Modelo: Max Fama/Kids)

Crianças precisam de micróbios para desenvolver a imunidade, não de antibióticos – dizem os cientistas.

“Especialistas acreditam que o exagero na limpeza está a contribuir para uma série de condições crónicas que vão de alergias a obesidade.”

Claro que é muito importante lavar as mãos. Mas o grande problema, no ocidente pelo menos, é o excesso de zelo na desinfeção da casa e esterilização de objetos.

A ciência mostra que livrar-se dos minúsculos organismos chamados de micróbios com desinfetantes de mãos, sabonetes antibacterianos e doses exageradas de antibióticos estão a causar um impacto terrivelmente negativo no sistema imunológico dos nossos filhos, diz a microbiologista Marie-Claire Arrieta, co-autora de um livro chamado Let them eat dirt”.

Especialistas acreditam que o exagero na limpeza está a contribuir para uma série de condições crónicas que vão de alergias a obesidade. Marie-Claire Arrieta explica que ao nascermos não temos micróbios. O nosso sistema imunológico está subdesenvolvido. No entanto, assim que os micróbios entram em acção,  activam o nosso sistema imunológico que começa a funcionar corretamente.

O excesso de higiene é uma hipótese que explica por que as alergias, a obesidade e as doenças inflamatórias, são doenças que têm vindo a aumentar a nível mundial. De acordo com Marie-Claire Arrieta, não é apenas uma questão genética. “Os nossos genes simplesmente não mudam tão rápido”.

As crianças precisam de micróbios

A pesquisa mostra consistentemente que essa falta de exposição aos micróbios contribui para o aparecimento destas doenças. Os especialistas consideram que esta exposição no início de vida é necessária para que o nosso sistema imunológico seja treinado adequadamente e, eventualmente, possam evitar o desenvolvimento dessas doenças.

Um desses dados mostram que crianças que crescem num ambiente rural têm menos chances de desenvolver asma, segundo evidências epidemiológicas. O que o estudo sugere é que viver em um ambiente sem o excesso de limpeza é realmente melhor.

A mesma lógica se aplica ao benefício de quem tem um animal de estimação, especificamente um cão. Estudos também mostraram que limpar tudo o que os bebés põem na boca aumenta as hipóteses de desenvolver asma. A incidência de asma diminui quando a chucha é limpa na boca dos pais.

Claro que a higiene é essencial para a nossa saúde. Não devemos parar de lavar as mãos. Mas o correto é fazê-lo de forma eficaz para a prevenção de doenças. Antes das refeições. Quando vamos ao hospital. Quando estamos com gripe, etc.

O que passar disso, não é necessário. Se o seu filho estiver a brincar com terra, não precisa de ir a correr lavar-lhe as mãos. Deve haver um equilíbrio entre prevenir a infecção, que ainda é uma ameaça real na sociedade, mas também promover esta exposição microbiana que, para os estudiosos, é saudável.

Texto original publicado no TheStar, adaptado por Up To Kids

8 formas de reforçar a conexão com os seus filhos diariamente

A relação emocional entre pais e filhos é algo que está sempre em desenvolvimento. Constrói-se todos os dias e é feita de pequenas coisas. Por vezes, corre bem, outras vezes, nem por isso. E, nos dias em que corre menos bem, é realmente preciso reforçar a conexão.

No entanto, a parentalidade é um trabalho contínuo no qual, tanto os pais, como os filhos, aprendem constantemente.

Crianças que cresçam com uma forte ligação com os pais têm mais facilidade em relacionarem-se com as outras pessoas. Além disso, são crianças que crescem mais saudáveis e felizes.

Assistir ao crescimento dos filhos, e ao processo de se tornarem cada vez mais independentes é ótimo. Ao mesmo tempo, é um desafio, pois há que reforçar a conexão com eles, e esse é um trabalho diário.

Reforçar a conexão com os seus filhos: 8 formas de o fazer diariamente

Com todos os desafios do dia a dia, por vezes é difícil chegar a todo o lado. Contas para pagar, desafios profissionais (e nós que gerimos um centro de estudos bem o sabemos)… No meio de tantas coisas, educar um filho é um dos desafios mais importantes de uma família, mas também um dos mais difíceis.

Há várias formas de reforçar os laços e promover uma maior ligação entre pais e filhos

1 – Tempo

Dar o nosso tempo a alguém é das coisas mais importantes que podemos fazer. Passe tempo de qualidade com o seu filho, converse com ele, façam alguma atividade em conjunto, vejam um filme…

Esteja presente durante todo esse tempo, observe-o e tente conhecê-lo melhor. Não se distraia com redes sociais, e-mails ou roupa para lavar…

Este tempo, sem distrações, será muito valioso para reforçar a conexão com o seu filho.

2 – Tenha empatia

Saber ouvir e colocarmo-nos no lugar do outro é uma das características mais valiosas que o ser humano pode desenvolver.

Entenda o seu filho, os desafios pelos quais está a passar, as suas dúvidas e inseguranças, sem julgamento ou crítica.

Pode ser muito difícil para os mais pequenos exporem as suas inseguranças, por receio da reação da outra pessoa. Por isso, apenas ouça e mostre interesse.

3 – Organize-se

Se tiver uma rotina mais ou menos definida, isso irá deixar-lhe tempo para se dedicar ao que realmente importa. A organização diminui o stress e aumenta a produtividade.

Isto aplica-se a vários aspetos da vida, e a vida familiar não é exceção.

Tendo uma rotina de tarefas e atividades, será mais fácil focar-se naquilo que interessa

4 – Brinque!

Esta é uma das coisas que mais vai reforçar a conexão entre pais e filhos. Muitas vezes, os adultos esquecem-se de ser crianças, e é tão bom brincar! Desarrume, suje-se, invente e deixe a sua espontaneidade fluir, sem filtros.

Sugestão: monte um acampamento dentro de casa, ou no jardim, se o tempo permitir. Uma pequena aventura, sem sair de casa, com direito a lanternas no escuro e muitas histórias para mais tarde recordar!

5 – Respeite o espaço do seu filho

As crianças também precisam da sua privacidade. Deve manter uma relação próxima com o seu filho mas sem invadir o espaço dele. Desta forma, ele vai sentir-se mais seguro.

6 – Saia da rotina

Na tal organização, que referimos acima, é importante deixar espaço para algum plano ou atividade fora do comum.

Um passeio a algum sítio novo, por exemplo, pode ser o suficiente para reforçar a conexão entre pais e filhos e viverem novas experiências em conjunto.

Além do mais, é algo que vai ficar sempre na memória dos mais pequenos!

7 – Estimule a partilha de tarefas em casa

Desta forma, irá juntar o útil ao agradável! Talvez as coisas não fiquem tão bem feitas logo de início, talvez demore um pouco mais de tempo.

No entanto, as tarefas domésticas não têm de ser chatas. Podem até ser divertidas e ajudam no desenvolvimento da criança, que se sentirá mais útil e responsável

8 – Leia para o seu filho

Crie um momento especial e explore toda a sua criatividade neste momento de leitura, tentando interpretar as vozes e estados de espírito dos personagens.

Como vê não é assim tão complicado reforçar a conexão com os seus filhos. Mas, este será um trabalho a ser realizado diariamente, pois só assim se conseguem alcançar resultados.

Programa da Tartaruga para Pais em Portugal

É frequente que as crianças de idade pré-escolar sintam medo e se retraíam quando se confrontam com pessoas, situações ou ambientes novos. Mas acabam por ultrapassar este medo e este retraimento iniciais. 

Algumas crianças podem demorar mais tempo a sentirem-se à vontade e a lidar com estes desafios. Dificuldade em juntar-se a crianças da mesma idade para brincar, a separar-se dos pais para explorar o ambiente. Dificuldade em falar com adultos com os quais não têm contacto regular, e a participar em atividades do jardim-de-infância ou outras atividades.

Os estudos mostram que, quando se prolongam no tempo, as dificuldades da criança em lidar com estes desafios podem afetar:

  • o seu bem-estar,
  • a relação que estabelece com as outras crianças da mesma idade
  • e a sua adaptação à escola.

Perante estas dificuldades, os pais podem sentir-se preocupados ou frustrados e nem sempre sabem como ajudar os seus filhos.

É importante que os pais tenham consciência que nem eles nem a criança têm culpa por este tipo de comportamento. Mas podem aprender e implementar algumas estratégias que podem ajudar as crianças a sentirem-se mais à vontade no dia-dia e a lidar de forma mais eficaz com estes desafios.

 

Quais os objetivos do Programa da Tartaruga?

Este projeto pretende

  • Adaptar para Portugal, implementar e avaliar um programa de intervenção dirigido aos pais e às crianças.
  • Ajudar os pais a conhecer e a implementar algumas estratégias que lhes permitam fortalecer a relação com os seus filhos através do brincar
  • Promover a confiança dos seus filhos para lidar com situações novas
  • Aumentar a cooperação e obediência dos seus filhos.

Paralelamente, as crianças terão oportunidade de conhecer e praticar estratégias que as ajudem a iniciar a interação com outras crianças, a comunicar com outras crianças e com os adultos, a expressar e a lidar com as emoções negativas (e.g., medo, frustração) de uma forma eficaz.

Programa da Tartaruga: Como funciona?

O Projeto Tartaruga é um programa de intervenção gratuito. Composto por oito encontros semanais em grupo (com 5-6 famílias) com duração de cerca de duas horas, num dia/horário a combinar de acordo com a disponibilidade das famílias.

Quem pode participar? Onde se dinamiza?

Podem participar neste programa mães, pais e crianças de idade pré-escolar (3-5 anos).

Estes encontros serão dinamizados no ISPA-Instituto Universitário (Lisboa), por psicólogos do Centro da Criança e da Família, William James Center for Research, ISPA-Instituto Universitário.

Quem está a desenvolver e apoiar este projecto?

Uma equipa de psicólogos do Centro da Criança e da Família do William James Center for Research, ISPA-Instituto Universitário. O projeto é apoiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (SFRH/BPD/11484/2016) e pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Visite a página de facebook para mais informações. Ou contacte por email: mguedes@ispa.pt | programadatartarugaparapais@gmail.com

*O Programa da Tartaruga foi desenvolvido com base na evidência. Tem resultados comprovados nos EUA (Chronis-Tuscano e colaboradores, 2015).

 

As bebidas vegetais são boa opção para crianças pequenas?

“Até aos 2 anos de idade, não se deve utilizar as bebidas vegetais como substituto de um leite animal.”

O termo leite implica sempre que a fonte de proteína seja animal. Assim, a designação de “leite” vegetal não é adequada. Deve sempre falar-se de bebidas de soja, arroz, aveia ou outras semelhantes.

Até aos 2 anos de idade, não se deve utilizar as bebidas vegetais como substituto de um leite animal.  É esta a recomendação da Sociedade Europeia de Nutrição Pediátrica. Isto não quer dizer que as crianças mais pequenas não possam contactar com estes produtos ocasionalmente. Mas sim que não devem ser usados para substituir de forma regular o leite ou seus derivados.

Porque não se deve usar bebidas vegetais como substituto do leite antes dos 2 anos?

Em primeiro lugar porque as proteínas não são exactamente iguais às fornecidas pelos produtos lácteos.  As bebidas vegetais contêm substâncias que se desconhece o verdadeiro impacto no crescimento e desenvolvimento infantil. Por exemplo,  fitosteróis nas bebidas de soja.
Para além disso, também a suplementação vitamínica é muito mais deficitária do que nos chamados leites “adaptados” (leites “de bebé”), pelo que não devem ser usados como substitutos do leite em crianças pequenas.

A escola quer-se um lugar onde os nossos filhos estejam e sejam felizes

“You can be the greatest , You can be the best” – Hall of Fame, The Script

As piolhas terminaram mais um ciclo de escolaridade. Com sucesso. No próximo ano letivo irão frequentar o 3º ciclo de escolaridade, numa escola secundária pública.

Mais um ciclo que se fechou, que se completou. E mais uma vez contra as expectativas e vozes de velhos do restelo que ouvíamos, fechámos um ciclo com sucesso. Sem mais nem menos do que com o recurso ao que a lei prevê para situações como as das piolhas.

Não é facilitismo!

Eu trocava já, na hora com quem quisesse, a necessidade de “ao abrigo das alíneas x y z do Decreto-Lei 54 de 6 de julho de 2018”.

Não é favoritismo!

Um aluno com necessidades específicas requer respostas igualmente específicas e adaptadas à sua realidade, às suas competências, entre outros, de forma a colmatar as suas dificuldades e ter sucesso.

Não é privilégio!

É um direito, é o usufruir dos direitos que os vários decretos, portarias e despachos normativos – e, em última grande instância, a Constituição – preveem, sem retirar direitos a ninguém, nem usar mais do que aquilo que está previsto e salvaguardado.

Não é uma competição!

Apesar das suas notas incríveis e níveis altos, quando surgia um 51%, a minha reação era a mesma “parabéns, miúda! É só um teste, não é o espelho dos teus verdadeiros conhecimentos, não mostra o trabalho/tempo/estudo que dedicaste. É positiva. Melhorará numa próxima vez.

Não é dopping!

Não há nenhuma pílula milagrosa ou medicamento para a inteligência, o trabalho, o esforço, a dedicação.

Não é influência de ninguém!

Os pais, os professores, a lua, o sol, não têm influência nas notas a atribuir. São o que são, de acordo com os critérios aprovados. Não há notas inflacionadas nem notas mendigadas nem notas forretas.

Muitos foram os que duvidaram: saberiam um dia escrever? saberiam um dia ler sem ser por associação pictórica? conseguiriam um dia resolver os mesmos exercícios abstratos que os pares também realizavam? conseguiriam um dia andar de bicicleta? teriam um dia uma aula de educação física sem saltarem à vista comprometimentos motores e de equilíbrio? teriam um dia redução de horas de terapia de fala?

Mas, muitos foram também os que acreditaram.

E que nos ajudaram em todo este caminho árduo. E que estarão sempre do nosso lado, mesmo que a acompanhar-nos à distância.

Como também costumo dizer muitas vezes, parafraseando a personagem Locke, da série “Perdidos”: “Não me digam o que não consigo fazer!

Ergo o meu copo (com uma qualquer bebida lá dentro) e digo bem alto “Cheers!” porque, contra todas essas vozes, contra muitas estatísticas, com e sem apoio, com quem sempre acreditou em nós, chegámos mais longe, fomos mais.

Brindemos às piolhas, essas miúdas incríveis!

E, para terminar, pasme-se – até porque sou professora de profissão e adoro o que faço – que eu não dê a importância exacerbada às notas que seria suposto.

Que não veja a escola como único local de aprendizagem e que encare a escola como algo muito mais que aulas e avaliações. A escola quer-se um local de várias aprendizagens, a vários níveis, com vários intervenientes (professores, assistentes operacionais, assistentes técnicos, alunos, pais). A escola quer-se um lugar onde os nossos filhos estejam e sejam felizes.

Isso, para mim, vale muito muito mais do que qualquer número marcado numa qualquer pauta.

Agora, venham as férias em pleno. Para setembro, há mais.

“Por lhe ensinares a dizer “se faz favor” e “obrigada”. A arrumar os talheres quando acaba de comer, e a lavar as mãos depois de ir à casa de banho. Por lhe ensinares os números, as cores, o som dos animais… Por ensinares a brincar, a partilhar, a ser amigo...”

À educadora e auxiliares que ficaram o meu filho neste ano:

Muito obrigada!

Obrigada por o teres ajudado a crescer!

A frase está gasta mas não encontro melhor. É mesmo isso que te quero dizer: Muito obrigada por o teres ajudado a crescer.

Obrigada por todas as fraldas que mudaste. Pelo desfralde que tão corajosamente iniciaste e acabaste por ensiná-lo tanto a ele como a mim.

Obrigada pelos almoços que ajudaste a dar, pelos lanches, pela paciência para quando ele não queria comer.

Pelo colo que deste, pelas músicas que lhe cantaste, pelos beijinhos, festas e abraços que sei que lhe deste todos os dias. Pelas brincadeiras e jogos que fizeram juntos.
Por tomares conta dele.

Obrigada por tudo o que lhe ensinaste.

Por lhe ensinares a dizer “se faz favor” e “obrigada”. A arrumar os talheres quando acaba de comer, e a lavar as mãos depois de ir à casa de banho. Por lhe ensinares os números, as cores, o som dos animais… Por ensinares a brincar, a partilhar, a ser amigo…

Obrigada por diariamente gostares dele e fazeres com que ele goste de ti.

Obrigada por todos os momentos em que estiveste lá.

Obrigada por o teres ajudado a crescer!

Mãe

 

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Principais sinais de alerta para a PHDA de acordo com diferentes idades

É difícil de detetar e fácil de confundir.

Sim, é uma alteração neurológica cada vez mais comum mas, ao contrário do que possa parecer, nem sempre é simples identificar os sintomas da Hiperatividade com Défice de Atenção (PHDA).

Não pense que esta perturbação é provocada por falta de empenho ou de dedicação e até de uma eventual má educação dada pelos pais em casa. Não! Se o seu filho tem este problema é porque se verificam fragilidades nas ligações neuronais em determinadas áreas cerebrais, normalmente mais pequenas se comparadas com as de outras crianças.

O que é a PHDA

A PHDA é uma condição física crónica que se caracteriza pelo subdesenvolvimento e disfunção de algumas partes do sistema nervoso central.  Manifesta-se, regra geral, por volta dos 3 anos e, quase sempre, antes de atingir os 7.

Consiste numa perturbação do desenvolvimento neurológico que provoca um excesso de atividade motora, baixo controlo da impulsividade e/ou dificuldades de concentração. Estas crianças têm dificuldade em selecionar informação e em prestar atenção a dois estímulos em simultâneo.

Surge, geralmente na primeira infância, com diversos sinais de alerta, que variam consoante o género e a idade. Podem prejudicar ou ter impacto na aprendizagem e no desenvolvimento social.  Estima-se que afete entre 5 a 7 por cento das crianças em idade escolar e cerca de 4 por cento dos adultos.

Os especialistas não têm dúvidas, as crianças com hiperatividade não tratadas a tempo terão mais dificuldades na adolescência, tanto ao nível do aproveitamento escolar, como, também, da socialização. A falta de intervenção adequada pode ter um efeito devastador ao longo da vida.

Para que não persistam dúvidas: regra geral, as crianças e os adultos com hiperatividade têm uma inteligência acima da média e podem vir a aproveitar o seu potencial, caso sejam bem acompanhadas à medida que vão crescendo.

Não existe, todavia, uma intervenção que suprima esta condição neurológica, mas quanto mais cedo o diagnóstico melhor.

A equipa do SEI tem vasta experiência em lidar com esta perturbação, nomeadamente ao nível da deteção precoce e da implementação de estratégias psico-educacionais capazes de minimizar o problema, melhorando o desempenho escolar ou profissional e as relações interpessoais.

Dentro da PHDA há diferentes níveis de intensidade, ou seja, os sintomas vão variando de pessoa para pessoa, do mais ligeiro ao mais grave.

Neste artigo pretendemos assinalar os principais sinais de alerta de acordo com a idade da criança. Consulte a lista e observe o seu filho por um período de tempo, nos diversos contextos do seu dia-a-dia, e verifique se apresenta alguns dos sinais de alerta.

Lembre-se que, ocasionalmente, todas as crianças manifestam comportamentos mais impulsivos, agitados ou desatentos. É necessário saber distinguir os diferentes comportamentos de acordo com os contextos.

Se suspeitar que o seu filho possa ter uma PHDA consulte um profissional e solicite uma avaliação especializada.

Principais sinais de alerta para a PHDA

Idades compreendidas entre os 3 anos e os 7 anos

  • Apresenta dificuldades em iniciar tarefas e/ou rotinas diárias, como vestir ou arrumar os brinquedos;
  • Frequentemente, ignora ou cumpre tardiamente as instruções/indicações/pedidos que lhe são dados;
  • Apresenta/Manifesta dificuldade em manter-se sentada durante as refeições ou na realização de atividades de grupo comparativamente com as crianças da mesma idade;
  • Levanta-se, mexe-se ou conversa em situações onde é pedido/suposto ficar sossegada ou em silêncio;
  • Apresenta dificuldades em terminar uma atividade para iniciar outra;
  • Esforça-se para fazer as atividades/tarefas com cuidado;
  • Necessita de ser relembrada, frequentemente, para parar ou ouvir;
  • Tem dificuldade em prestar/manter a atenção comparativamente com as crianças da sua idade;
  • Vai buscar coisas/materiais sem permissão;
  • É incapaz de esperar pelas instruções/indicações da tarefa antes de a iniciar;
  • Demora bastante tempo e/ou necessita de encorajamento para realizar as suas rotinas diárias;
  • Apresenta dificuldade em relembrar-se das indicações/pedidos;
  • Apresenta dificuldade em lembrar-se/recordar-se de factos que aprendeu recentemente;
  • Tende a ficar aborrecida ou irritada (frustrada) em situações de menor importância;

Idades compreendidas entre os 8 anos e os 12 anos

  • Apresenta dificuldades em iniciar tarefas/atividades, principalmente/especialmente quando a tarefa/atividade apresenta mais do que um passo;
  • Frequentemente, é inquieta/irrequieta;
  • Frequentemente, é irrequieta, conversadora em situações onde é pedido/suposto ficar sossegada ou em silêncio;
  • Tende a esquecer-se do que acabou de ouvir ou ler, a não ser que seja algo do seu interesse;
  • Frequentemente, realiza as tarefas/atividades de forma apressada e/ou descuidada;
  • No quotidiano não é capaz de demonstrar todas as suas capacidades/competências, na escola ou na realização dos trabalhos de casa;
  • Desconcentra-se, e/ou fica “no mundo da lua”, frequentemente;
  • Frequentemente, muda de tarefa/atividade sem terminar as anteriores;
  • Apresenta dificuldades em lembrar-se do que fez no seu dia-a-dia;
  • Tende a esquecer-se de entregar/fazer recados e/ou os trabalhos de casa;
  • Esforça-se para não perder as suas coisas;
  • Apresenta dificuldades em esperar pela sua vez, para se juntar numa conversa ou atividade;
  • Preocupa-se, que se vá esquecer do que quer dizer, a menos que o diga imediatamente;
  • Apresenta dificuldades em pensar nas consequências das suas ações;
  • Frequentemente, fala ou faz coisas sem pensar nas consequências;
  • Trabalha devagar;
  • Apresenta dificuldade em terminar tarefas/atividades dentro de um período de tempo razoável;

Adolescência

  • Apresenta dificuldades em organizar-se ou estabelecer prioridades;
  • Apresenta dificuldades em iniciar os trabalhos de casa e/ou uma tarefa/atividade proposta/atribuída;
  • “Desliga”/Desconcentra-se quando está a ouvir alguém ou a ler;
  • Frequentemente, necessita de reler as informações dadas ou de pedir às pessoas que repitam o que disseram porque não se lembra;
  • Apresenta dificuldade em manter-se focada;
  • Frequentemente, se desconcentra da tarefa/atividade, a menos que a mesma seja do seu interesse;
  • Frequentemente, realiza as tarefas/atividades de forma rápida e desconcentrada/desorganizada, originando erros;
  • No quotidiano, não é capaz de demonstrar todas as suas capacidades/competências, na escola ou na realização dos trabalhos de casa;
  • Apresenta dificuldade em recordar-se/lembrar-se das informações quando necessário;
  • Esforça-se, na realização dos testes, para se recordar/relembrar o que estudou e/ou sabia na véspera;
  • Apresenta dificuldades em lembrar-se do que fez no seu dia-a-dia;
  • Frequentemente, esquece-se de escrever o que tem de fazer e de as fazer;
  • Frequentemente, age de maneira impulsiva;
  • Fala ou faz coisas sem pensar no que pode resultar;
  • Frequentemente, trabalha devagar;
  • Apresenta dificuldade em cumprir prazos e/ou em finalizar os testes dentro do tempo atribuído;
  • É inquieto/irrequieto frequentemente;
  • Frequentemente, não consegue parar de falar ou de mexer nos objetos com a mão.

Sempre tive pouca opinião no que diz respeito à palmada.

Acredito que todos nós uma vez na vida daremos uma.

Acredito também que é como os presentes. Custa muito mais a quem dá, e depois de oferecida não há como retirar.

A palmada é por si só o descontrolo de quem deu. Porque não conseguiu gerir a zanga que sentia. Muito mais do que o pouco controlo de quem a recebeu afinal “Estava mesmo, mesmo a pedi-las.”

Muitas vezes serve para sossegar o coração de quem a dá – apenas num primeiro momento – e sentir que resolveu o problema ou a insubordinação; no fundo, fez algo a respeito.

Fugir à palmada pode ser visto como uma “moda” das novas formas e modelos de parentalidade. Afinal de contas, também todos nós já levamos uma na vida. “E nem nos fez mal nenhum!…”

Estava mesmo a pedi-las”

 Mas será que se nos zangarmos com o marido, porque ele foi mesmo mesmo inconsequente e “estava mesmo a pedi-las” sai palmada? Porque razão deve ser diferente com as crianças?

Porque nos  compete educá-las?

E “a palmada no momento certo” não faz mal a ninguém?

Mmmm…Creio que a palavra certa no momento certo também não fará mal a ninguém.

Enquanto mãe preocupa-me mais que a palmada mostre à minha filha que é desta forma que se resolvem os problemas. Porque educamos muito mais com o que mostramos do que com o que dizemos ou repetimos.

Acredito  que talvez um dia também eu dê uma palmada por não conseguir gerir a zanga que sinto. No entanto, como acredito que a palavra certa no momento certo funciona tanto como a palmada que terei dado, pedirei desculpa à minha filha e certifico-me de que entende que não é essa a forma de resolver os conflitos.

Por isso em relação à palmada, a minha resposta será sempre um “Nim”. Porque podemos fazer diferente, explorar outros caminhos. É difícil. Mas o que é a parentalidade se não um desafio constante?

Porque depois de dada, a palmada, irá doer para sempre muito mais no coração de quem a deu!

image@plomimg.pw

Finalmente, o programa de acesso a manuais escolares gratuitos passa a abranger todo o ensino obrigatório. Saiba como fazer para obtê-los.

A tendência tem sido evidente, e está a cumprir-se o desígnio há muito antecipado. Os manuais escolares gratuitos têm-se tornado gradualmente acessíveis a um número maior de alunos em todo o país. No próximo ano letivo, todos os alunos do primeiro ao décimo segundo anos já não vão ter que pagar pelos livros escolares. Assim, todos os níveis de ensino obrigatório a partir do ano letivo 2019/2020 terão acesso gratuito aos manuais.

SAIBA COMO TER ACESSO A MANUAIS ESCOLARES GRATUITOS NO PRÓXIMO ANO

O ano letivo de 2019/2020 é o primeiro ano em que toda a escolaridade obrigatória vai receber manuais escolares gratuitos. O grande passo está tomado – agora interessa saber como obter os livros.

De acordo com o recém publicado despacho nº 921/2019 pelo Diário da República, no qual é aprovado o Manual de Apoio à Reutilização de Manuais Escolares, todos têm direito a um ensino que prima pela igualdade de oportunidades, sendo que esta medida se encaminha no sentido de assegurar que o ensino básico universal, obrigatório e gratuito chegará de forma gratuita a todos os alunos, de uma forma progressiva.

Este programa é aplicado, como já dissemos, apenas aos estudantes do ensino público, o que quer dizer que o ensino privado fica excluído. Se tem filhos a estudar no ensino público, poderá desde já contar com o facto de não ter que abrir os cordões à bolsa, pelo menos no que toca aos livros.

COMO TER ACESSO AOS MANUAIS ESCOLARES GRATUITOS?

Antes de mais, precisa de ter um computador com acesso à internet, uma vez que o processo deverá ser todo realizado através da plataforma MEGA.

O primeiro passo é efetuar o registo. Poderá ser feito de duas maneiras diferentes: no site ou em alternativa usando a app “Edu Rede Escolar” (disponível apenas para sistemas Android).

Depois de se registar como “encarregado de educação”, insere o seu número de contribuinte e os restantes dados de acesso ao portal das finanças.

Uma vez validado o registo, poderá ter acesso aos dados do seu educando, e poderá encontrar os vouchers a que ele tem direito relativamente aos manuais escolares, bem como acesso à lista de livrarias aderentes à iniciativa.

Será a esses estabelecimentos que deverá dirigir-se para levantar os livros, mediante a apresentação dos vouchers – não é obrigatório imprimir, basta apresentar em formato digital. Se pretender livros novos, deverá dirigir-se a qualquer uma das livrarias que constam na lista. Se optar por usados, será na escola que terá de os levantar.

Em caso de não poder usar a internet, há uma alternativa: dirigir-se à escola onde está matriculado o seu educando e pedir os vouchers em papel.

APONTE JÁ ESTAS DATAS!

Há duas datas importantes a reter:

  • 9 de julho será o dia em que serão emitidos os vales dos manuais escolares gratuitos dos alunos que continuam a frequentar a mesma escola no próximo ano letivo.
  • 1 de agosto é o dia em que serão emitidos os restantes vales.

QUE DESPESAS SÃO INERENTES A ESTE PROCESSO?

Nenhuma! A emissão dos vouchers não irá implicar qualquer despesa para os encarregados de educação.

QUAIS OS MATERIAIS PEDAGÓGICOS QUE NÃO SÃO GRATUITOS?

É também importante referir que mesmo assim ainda existem alguns materiais escolares pedagógicos que terão de ser adquiridos, uma vez que o  programa de gratuitidade e reutilização de manuais escolares não abrange nem os cadernos de atividades e fichas, nem os denominados packs pedagógicos.

CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES ACERCA DO USO DOS MANUAIS ESCOLARES GRATUITOS

Os alunos dos 1º, 2º e 3º ciclos do ensino básico devem devolver, no final do ano, todos os seus manuais escolares, exceto os manuais das disciplinas que no 9º ano vão a exame. Já os alunos do ensino secundário poderão manter os manuais das disciplinas às quais irão fazer exame nacional. Todos deverão proceder à devolução dos manuais após os exames nacionais.

Para se conseguir concretizar a premissa da reutilização dos materiais, os manuais escolares gratuitos devem preservados e entregues às escolas, pelos encarregados de educação. Tal significa que, ao longo do ano letivo, os alunos têm de se comprometer a não riscar os livros com caneta; se os anotarem a lápis, é essencial que no fim do ano tudo seja apagado. Os livros devem ser preservados e bem tratados para que possam ser transferidos, em excelente estado, aos seus próximos utilizadores.

QUAL O TEMPO DE VIDA DOS MANUAIS REUTILIZADOS?

O tempo de vida útil da reutilização dos manuais é de três anos letivos. Caso eles ainda não tenham chegado a esse tempo de vida e se encontrem já muito deteriorados, o encarregado de educação deverá pagar o valor de capa.

O QUE ACONTECE SE O ENCARREGADO DE EDUCAÇÃO NÃO DEVOLVER OS MANUAIS?

Neste caso, se o encarregado de educação não devolver os manuais, deverá pagar o seu valor.

E NO CASO DE O ALUNO NÃO PASSAR DE ANO OU NOS EXAMES?

Em caso de “chumbo”, os alunos podem manter os manuais até que as respetivas disciplinas sejam concluídas com sucesso.

Fonte Ekonomista