Mensagem que deixei ao meu filho adolescente na noite de Natal:

Querido filho:

Os preparativos para o natal tornaram mais claro e difícil que alguma coisa não anda bem entre nós. Fica descansado, hoje não vou falar das notas, da tua preguiça para levantar, nem do quarto desarrumado. Posso bem com a tua oposição às minhas reclamações, e até já aprendi a divertir-me com as tuas respostas em forma de suspiro controlado.

É mais grave.

Estamos distantes como nunca, e por mais que tente, parece que não consigo ligar-me a ti como dantes. Tu sabes que é verdade.

Quando te contar como tentei resolver isto na minha cabeça, vais odiar-me: ando tão preocupada, que pedi ajuda a literalmente todas as pessoas com filhos da tua idade que conheço. Sim, a alguns pais dos teus amigos, já deves estar a imaginar quem são.

Parece que te estou a ver a ler isto, e a mergulhar repentinamente a testa no travesseiro – sobreviverás. Não esperava deles uma cura milagrosa para o meu problema, contava sim com alguma sugestão que me surpreendesse, uma estratégia que tivesse resultado com eles e que eu pudesse replicar, para errar menos contigo. Mas nada, nenhum foi capaz de me ajudar na medida que eu precisava. Custa-me aceitar que os conselhos que me deram sejam tudo o que podemos fazer por nós: conformar-me  que na tua idade é assim mesmo, que te devo deixar estar alheado da tua relação comigo enquanto durar, e que por tempo indefinido possamos somente conversar de assuntos puramente funcionais – a que horas é que te vou buscar; se as calças que tu mais gostas já estão prontas; ou se tu achas que estar frente ao computador até de madrugada é normal.

Não me parece mesmo que a opção dar tempo ao tempo vá funcionar, e não é por detestar frases feitas.

Não gosto, acho perigoso ter com o meu filho uma relação de improviso, nem que seja a prazo. E porque há qualquer coisa que me diz que esperar que sejas tu a dar o primeiro passo é o mesmo que aumentar este intervalo vazio que aconteceu nas nossas vidas, pus tudo no papel, tal como fazia na escola antes dos testes, mas com muito mais cuidado. Tive mil cuidados, filho, para vermos se isto resulta melhor entre nós. Quem dera poder dizer-to, em vez de escrever, mas não consigo.

Vais pensar que não tem nada a ver, mas faço analogias muito óbvias entre ter que colocar este papel debaixo da tua almofada e a nossa vida quotidiana, porque parece que andamos mesmo a jogar às escondidas.

Sei que já não és uma criança, nem desejo que voltes a sê-lo, garanto-te. Deves pensar que o meu desejo é agarrar-te por debaixo dos braços e fazer círculos com o teu corpo pelo ar a grande velocidade, como quando eras pequeno. Nem penses, serias demasiado pesado. Mas já pensaste como estabelecemos tão pouco contacto físico? Podes abraçar-me de vez em quando, não te vou levantar a camisola da barriga e começar a fazer um alarido de sons com a minha boca, na tua pele arrepiada. Podes deitar a tua cabeça no meu colo quando estivermos no sofá, bem sei que perdi os teus caracóis de criança para a cera modeladora. Posso quando muito dar-te um beijo na testa, daqueles que já não te dou há meses, porque já nem sei como fazer para chegar a ti, sem que sintamos algum desconforto.

Agora compreendo porque cometi um erro em procurar ajuda junto dos pais dos teus amigos.

Tu não és o filho deles, tu és o meu filho, uma fusão da educação que te dei e da tua vontade. Demorei muito tempo a perceber isso porque temia a resposta, mas agora estou pronta.

Vá, podes dizer-me que começaste a caminhar com apoio nas minhas pernas. Que fui eu quem te ensinou a tomar banho sozinho e a apertar os cordões aos sapatos. Que fiz de conta que as tuas braçadeiras preferidas estavam furadas, só para que aprendesses a nadar com a minha mão insegura na tua cintura. Explica como não só não me arrependi disso, como ainda te contei que o fiz, alguns anos depois. Havemos de rir. Vais falar-me daquele aniversário em que te ofereci uma viagem a Londres para melhorares o inglês. A tua cara de alegria a rodopiar para espanto, quando eu disse que não ia contigo, porque já te achava capaz de ires sozinho, motivou a maior gargalhada familiar de que há memória.

Vais perguntar-me porquê, filho.

Porque foi que passei a vida toda a dizer que os miúdos não nos pertencem e que os geramos para oferecer ao mundo, preparados com o melhor que lhe pudermos ensinar. Porque estou  agora a reclamar daquilo que eu sempre procurei desenvolver em ti?

Eu não sabia que ia ser tão difícil, e é-me muito difícil explicar. O tempo passou depressa demais, tu cresceste com ele, e já não precisas de mim para planear as tuas conquistas. Eu sei, nada me deves, nem posso cobrar-te. Por isso, se devolveres outra vez este papel ao lugar entre o lençol e o travesseiro, prometo acreditar que não reparaste, não leste, nunca soubeste.

E continuarei a aprender o mundo sem ti, o melhor que puderes ensinar-me.

Mãe.

 

Resposta em  “Carta do meu filho adolescente em resposta à minha mensagem”

imagem@digistar

 

Querido Pai Natal

Há quanto tempo! Como tens passado?

Sei que já não esperas cartas de “meninos da minha idade”. Aos 16 anos já não se escrevem cartas, mandam-se (quanto muito) e-mails! Mas este ano resolvi dar notícias, é que tenho andado a pensar numas coisas…

Vou ser breve, sei que não tens tempo, sei que já deves andar muito atarefado de um lado para o outro a preparar pedidos e presentes para os meninos do Mundo! Lembro-me tão bem de nesta altura começar a ficar ansioso e a desejar brinquedos e jogos que só tu sabias que eu gostava! Só tu sabias o que eu queria, porque nesta altura alguém recebia e lia as minhas cartas, o que nem sempre acontecia o resto do ano. Nem sempre me trazias aquilo que pedia, mas tinha quase sempre uma surpresa! Uma surpresa que rapidamente se transformava em “mais do mesmo”, mas no momento de desembrulhar era bom. Aliás, o que era mesmo bom era ter uma árvore cheia de  presentes!

Não te preocupes! Este ano não vou escrever nenhuma lista de compras como antigamente, até porque a moda agora é mesmo enviar a lista por WhatsApp ou pedir dinheiro. O dinheiro funciona muito bem… é rápido, não se perde tempo nas filas das lojas e as pessoas nem têm de nos conhecer assim tão bem… basta serem patrocinadores de compras que, muitas vezes, nem sabem o que são.

Tantos anos focado nas minhas listas de desejos que nunca me apercebi que nem todos os meninos do Mundo recebem brinquedos e jogos no Natal. Até porque nem todos os meninos do Mundo têm uma casa onde colocar o “sapatinho” na lareira. Que estranho… durante tanto tempo achei que o Natal era só isto: presentes! E que às vezes até eras muito injusto e desatento, quando não trazias o que te pedia! Ficava mesmo zangado.

Hoje estou um bocadinho mais crescido e acho que começo a perceber o sentido do Natal… já percebi que não era uma questão de injustiça não ter as 30 coisas que tinha pedido na lista, já percebi que tive muito mais do que alguma vez precisei, mas percebi também porque é que as minhas listas eram cada vez maiores e no fim sentia-me sempre insatisfeito.

Afinal os presentes que eu precisava não podiam ser embrulhados com papel vermelho e laço dourado… mas só agora, anos mais tarde, me dei conta que tenho tanto no meu quarto e às vezes tão pouco dentro de mim.

Querido Pai Natal, hoje, teria trocado os meus presentes da árvore de Natal por…

1) abraços apertados dos meus pais;

2) ter a minha mãe a dizer-me “não te preocupes, estou aqui para te ajudar” sempre que tinha medos;

3) conversas longas com os meus pais;

4) ter o meu pai e mãe a chegar cedo a casa;

5) passeios de bicicleta ao fim-de-semana;

6) menos tempo em frente ao computador;

7) jantares em família e sem televisão;

8) jogos de futebol com o meu pai;

9) aulas de cozinha dadas pela minha mãe;

10) estar mais tempo com os meus pais.

Querido Pai Natal, este ano tenho um presente para ti! Deixo-te uma caixa cheia de paciência para os miúdos que dia 25 vão ficar chateados por não desembrulharem tudo aquilo que pediram… não te preocupes, eles só não entenderam ainda que os presentes importantes não se vendem em lojas, nem se amontoam em caixas coloridas debaixo da Árvore de Natal…

os presentes importantes estão presentes todos os dias do ano.

Feliz Natal a todos!

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Discussão com os seus filhos adolescentes

9 coisas que nunca deve dizer

As divergências entre um pai e seus filhos são um facto assumido da parentalidade. Quando as crianças crescem começam a afirmar a sua independência, e as coisas podem rapidamente transformar-se quando os seus “bebés-adolescêntes” se tornam desobedientes e e lhe faltam ao respeito. Quando se trata de discutir com os seus filhos, faça-o de forma justa evitando a todo custo estas nove frases:

1. Palavrões

Palavrões são completamente proibidos. Não retribua mesmo que o seu filho os diga contra si. Tudo o que fizer estará a moldar o comportamento e as atitudes do seu filho no futuro, quando for adulto.

2. Insultos

És um (insira qualquer rótulo aqui)”
Parte de ser justo numa discussão é conseguir expressar os seus sentimentos reais e preocupações. Depois trabalhar para resolvê-los. Rótulos e insultos não fazem nenhuma destas coisas e apenas provocam mágoa ou mais raiva. Estas palavras ficam gravadas nas memórias dos jovens e podem afetar significativamente os seus relacionamentos e autoestima durante os anos a seguir.

3. Arrependimentos infundados

Quem me dera que nunca tivesses nascido…” ou “Eu bem sabia que nunca devias ter nascido”
É fácil atacar a clássica birra infantil, “Mais valia não ter nascido”, com uma destas frases. Mas não solte a bomba. Questionar a existência do seu filho não é um pensamento que quer implantar na mente de um adolescente.

4. Culpabilizar

“Foste um erro”, ou “Acabaste com a minha vida!
Atribuir ao seu filho a culpa dos seus problemas não só não faz qualquer sentido como o torna imaturo para assumir responsabilidades de parentalidade. Nascer não foi um decisão dele – foi sua. E, mesmo no calor do momento, fazer uma reivindicação tão feia diz mais sobre si do que sobre ele.

5. Comparar

Porque é que não podes ser mais como ___?
Comparar o seu filho rebelde a um miúdo mais calmo e melhor aluno é um clássico dos pais nesta idade do armário (como se não fosse suficientemente má) e entram numa espiral de conflitos e “trombas” para toda a gente. Mas isso é (mais) uma fase, e ele está a tentar encontrar-se. Ele é ele, e pedir que seja outra pessoa é o mesmo que lhe dizer: “Não és suficiente bom para seres meu filho.”

6. Rebaixar

“Odeio-te”, ou “Não gosto de ti!”
Vamos torcer para que nenhuma dessas afirmações seja verdadeira. Inúteis e sem tacto, apenas criam um maior distanciamento entre pais e filhos. Mesmo que sejam verdadeiras naquele momento, não podem ser ditas como trunfo!

7. Não saber ouvir durante uma discussão com os seus filhos

“Cala-te! Não me interessa”
Ouvir é muito mais difícil e mais importante do que falar. O que causou o argumento inicialmente foi provavelmente uma falha de comunicação. Reforçar o facto de não querer ouvir uma explicação só vai aumentar os insultos e a desconexão entre ambos.

8. Ameaçar

Vou-me embora”, ou “Nunca mais volto!”
O seu filho precisa de si independentemente de dizer que não. Nunca lhe dê um motivo para se sentir abandonado. Se precisar de sair para apanhar ar, faça-o. Mas volte!

9. Enxotar

“Sai daqui!”
O s
eu filho precisa de um sítio seguro ao qual chama lar e que seja confortável para descansar. Tirar-lhe isso não só é contra a lei como provoca danos catastróficos no vosso relacionamento.

Manter a cabeça no lugar no meio de uma discussão com o seu filho requer plenitude, paciência e capacidade de autodisciplina e autocontrole. Mas como o pai/mãe, esta é a responsabilidade que assumimos quando planeamos uma família.

Seja o adulto, e certifique-se de que toda discussão com os seus filhos caminha em direção a uma solução – e lembre-se de guardar estas palavras desagradáveis para si mesmo.

 

Por Georgia Lee, originalmente publicado em Familyshare, com autorização para Up To Kids®

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Uma das queixas que mais ouço dos pais de adolescentes, é a de que eles não falam. Os pais tentam puxar algum assunto e nada. Muitos pais (e com toda a razão) ficam preocupados com este silêncio.

Falar é fundamental. Queremos estar inteirados das suas desventuras, dos seus sonhos, mas também sabemos que falar desenvolve a consciência.

Aqui vão dez pistas para colocar os adolescentes a falar.

1 – Lembre-se, a adolescência é uma fase difícil…
Pelo simples facto de estar preocupado com o seu adolescente, isso já é positivo. Por outro lado, não leve demasiado a peito este comportamento dele, provavelmente não está a falhar como pai ou como professor.

2 – Procure falar de si, para poder ouvi-lo falar dele.
Demasiadas vezes começamos as frases com “Conta-me o teu dia…” ou “Fala-me dos teus amigos…”. É importante o esforço de iniciar as frases por “eu”. Fale dos seus problemas, fale do seu dia, fale dos seus amigos e dê o exemplo. Claro que não é desejável que se transforme num adulto “secante”, capaz de falar do passado durante horas. No entanto, se oferecer um bom assunto, pode ser que receba na mesma moeda.

3 – Enfrente as suas vulnerabilidades sempre que desejar comunicar com um adolescente.
Ao contar episódios onde mostra algum erro ou alguma fraqueza, passa a ideia de que é humano e isso é positivo. Há quanto tempo não partilha um erro?

4 – Seja curioso.
Qual é a série que o adolescente costuma assistir?
Como se chama o pai do cantor preferido dele?
Descubra isto ainda hoje e tenha um tema de conversa.

5 – Evite ser demasiado crítico em relação aos gostos do adolescente.
Não será necessário invocarmos (até porque é polémica) a expressão “gostos não se discutem”, mas se for demasiado crítico, só irá afastar o adolescente.

6 – Faça perguntas. “O quarto está desarrumado” vs “O que podes fazer para melhorar o aspeto do teu quarto?” ou “As notas estão uma tristeza” vs “ Como te posso ajudar a estudar melhor?’”. As perguntas abrem pontes. As perguntas levam as soluções.

7 –  O adolescente não é o que fez, o adolescente não é uma ação.
Aprenda a distinguir “o que ele fez”, daquilo que “ele é”. Lembre-se: quanto melhor fizer esta distinção, mais hipótese está a dar ao adolescente de se desenvolver de forma saudável.

8 – Tenha os seus valores bem claros.
Se puder, escreva-os. Um adulto com valores (definidos e escritos) consegue educar melhor.
Um adolescente com valores, estará mais apto a comunicar.

9 – Se tiver demasiados constrangimentos, defina alguém de confiança para o ajudar a abordar as questões da sexualidade com o adolescente. Entendas as razões profundas das suas limitações sobre este tema. Se fizer esta reflexão, vai ficar um pouco mais apto para falar.

10 – Reescreva “O Principezinho” mas desta feita com um adolescente em vez de uma criança.

Hoje soube da história de uma adolescente que sofre de maus tratos do namorado.
A miúda (ou criança…) tem 16 anos. O namoro dura há 4 meses, e aquilo que começou por ser um namoro normal tornou-se numa relação perfeita. Mas afinal, só é perfeita para ele. – “Ele só é assim ciumento porque gosta muito de mim. A culpa foi minha, porque eu é provoquei!” (…)
16 anos e já sabemos onde “isto” vai acabar…
Ela deixou de poder sair com as amigas. Ele controlou-lhe o telemóvel, o e-mail, persegue-a nas redes sociais, e agora, terminando o verão, ela diz-me que não quer regressar à escola.
Quando começaram a namorar ele aparecia na escola dela para ver com quem falava, com quem andava, onde se sentava. Até os professores foram alvo do seu ciúme. Agora, ela não quer voltar, mas não sabe que é por ter vergonha desta situação. Ela não sabe como resolver este problema. Ela acredita que gosta dele e que são felizes. E que tudo o que precisam é um do outro.

“Minha querida, tu não precisas dele. Ele é que precisa de ti.” – Disse-lhe. Mas não a demovi. Zangou-se comigo. Disse-me que não tenho nada a ver com a vida dela e que já é adulta para cuidar de si própria.

Lembrei-me deste texto que não fui a tempo de lhe mostrar.

Espero que este texto te vá parar à mãos, e o leias com atenção.
Espero que transformes o teu futuro.
Que vás para a escola e continues o 10º ano (eu sei que tem sido difícil com a falta de apoio familiar que tens).
Que termines o curso como planeaste.
Que nunca desistas.
E lembra-te: o maior trunfo que tens nas mãos de momento é a opção de escolha.
Pensa nisto.


«O teu namorado de 16 anos não é nervoso, é uma besta

Enviar-te 35 mensagens durante o dia a dizer que te ama e a perguntar onde estás não é uma prova de amor. É uma prova de que ele é um controlador e que, se tu deixas que ele o faça e não pões um travão a tempo, a coisa só vai ter tendência para piorar ainda mais.

Fazer-te perguntas sobre dinheiro não é indício de estar atento aos tempos difíceis em que vivemos, e reflexo de uma educação de poupança. Falar muitas vezes disso indica, isso sim, que um dia ele vai querer controlar o teu dinheiro. Aliás, se dependesse dele, era ele que geria já a tua mesada. Quanto gastas. Quando gastas. Em que gastas. Quando deres por ti, estarás a pedir-lhe autorização para comprar coisas para ti.

Pedir a password do teu e-mail ou da tua conta de Facebook não é sinal de que vocês nada têm a esconder um do outro. Não é sinal de que, entre vocês, tudo é um livro aberto. Mesmo que ele insista em dar-te a password dele. Isso é um sinal de desconfiança permanente. E um passo grande para o fim da tua privacidade. Sabes o que é privacidade,

certo? É uma zona tua, onde mais ninguém entra. A não ser que tu queiras.

Os comentários sobre a roupa que usas ou o novo corte de cabelo não revelam um ciuminho saudável. Revelam que é ciumento. Ponto. Pouco lhe importa se tu gostas daquele top, daqueles calções ou daquelas calças apertadas. Entre os argumentos usados, talvez ele diga que já não precisas de te vestir assim, porque isso atrai a atenção de outros rapazes e tu já tens namorado. Se não fores capaz de lhe dizer, na altura, que te vestes assim porque te apetece, não para lhe agradar, pensa que este é o mesmo princípio que leva muitas sociedades a obrigar as mulheres a usar burka… Não é exagero. Controlar o que tu vestes é exatamente a mesma coisa.

Perguntar-te a toda a hora quem é que te telefonou ou ver o teu telemóvel, à procura das chamadas feitas e atendidas e das mensagens enviadas e recebidas não é um reflexo de pequeno ciúme. É um sinal de grande insegurança. Faças tu o que fizeres, dês tu as provas de amor que deres (na tua idade, o amor ainda tem muito para rolar, mas tu perceberás isso com o tempo), ele sentirá sempre que é pouco. E vai querer mais, e mais. E tu terás cada vez menos e menos.

Apertar-te o braço com mais força num dia em que se chatearam e lhe passou qualquer coisa má pela cabeça não é um caso isolado e uma coisa que devas minimizar porque ele estava nervoso. Aconteceu daquela vez e é muito, muito, muito provável que volte a acontecer. Um dia ele estará mais nervoso. E a marca no teu braço será maior. E mesmo que ele «nunca tenha encostado um dedo» em ti, a violência psicológica pode ser tão ou mais grave do que a física.

Gostar de ti mas não gostar de estar com os teus amigos não é amor. É controlo. E é errado. O isolamento social é terrível.Continuar a telefonar-te insistentemente depois de tu teres dito que queres acabar a relação, ou encher-te o telemóvel com mensagens a pregar o amor eterno, não significa que ele esteja a sofrer muito. Significa, sim, uma frustração em lidar com a rejeição. E se pensares em voltar para ele, pensa que da próxima vez que isso acontecer ele vai telefonar-te mais vezes. E enviar-te mais mensagens.

Guardares estas coisas para ti não é um sintoma da tua timidez. Não quer dizer que sejas reservada. É uma estratégia de defesa tua. E um pouco de vergonha, à mistura, não é? E que tal partilhares isso? Ficarias espantada com a quantidade de amigas tuas que passam por situações semelhantes.

Talvez a sua filha não leia isto. Mas que tal mostrar-lhe a revista, para ela pensar um pouco?» – ISTO NÃO É O QUE PARECE, Paulo Farinha, DN, 19 Junho 2013

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– Porque é que estou estranha? “Estranha”, como? Estás a falar do meu “despenteado” e dos meus gritinhos nervosos quando me rio, ou de andar mais distraída, e da minha futura ulcera?”

Adorava ter um bocadinho, vá, um niquinho, da descontração natural de tantas Mães que conheço. Que deixam os filhos de 13 anos irem sozinhos para a praia e que confiam imenso neles, mesmo sabendo que fazem asneiras tipo mergulhar de 15 metros de altura do bendito “Santuário da Guia” … Sim, existe! E eles vão lá para saltar mesmo correndo o risco de se esborracharem nas rochas durante a escalada de não sei quantos metros até ao topo.

MAS PORQUE É QUE ME CONTAM ESTAS COISAS?! Preocupo-me em demasia porque faço sempre aquela previsão estúpida da desgraça atípica – Lembro-me da Ally McBeal quando imaginava o que gostava mesmo de fazer em vez de agir de forma “politicamente correcta”. Pensamentos que tenho quase vergonha de assumir (há uma hipótese de haver pensamentos que nunca assumirei. Tipo aquela mulher que tinha os filhos em cativeiro…UPS! Já disse…): *Vou enfiá-lo numa bola gigante inquebrável sempre que sair de casa sem mim; *Telefona-me de 5 em 5 minutos; *Levas aqui uma lista com 20 páginas A4 das coisas que não podes mesmo fazer; *Podes ir mas tens que cá estar daqui a 5 minutos. Estas e outras assombram-me as férias… deles! Ando numa luta contra mim e… tenho tido bons resultados! Principalmente junto de Mães como eu. HISTÉRICAS! Já oiço coisas como: “Tu estás doida?”, “Porque é que o deixaste ir?” ou “Não achas que aquilo é perigoso para o miúdo?”. Quando oiço estas e outras sinto um misto de “estou no bom caminho” e “estou a abusar na dose”, ou não andasse eu numa luta interna! Sinto-me numa batalha onde o “inimigo” é o meu melhor, fiel e mais querido amigo. No final, todos seremos vencedores e derrotados… e isto, a mim, diz-me que tenho de ceder em coisas que outrora (outrora dá-lhe uma conotação distante – não foi assim há tanto tempo) critiquei nos outros. PIMBAS! IN YOUR FACE! Ser Mãe é entrar de olhos vedados numa casa e tentar encontrar a porta. Bater várias vezes contra as paredes e perceber que a saída é só uma… pela porta! Aceitar todas as cabeçadas que damos e deixar que os nossos filhos as deem também, tendo como alento que as mensagens que lhes passamos através da educação serviram para alguma coisa. Ser Mãe é perceber que os filhos não são só nossos e não ficar insana com isso… Ser Mãe é saber que se continuarmos neste registo vamos ser umas cabras de umas sogras! No fim, ser Mãe é… ser LOUCA! Hoje desabafo convosco na esperança de vos ouvir dizer “Ohhh Inês… Sou igual!”

Por Inês de Santar, para Up To Kids®
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As 4 atitudes básicas a desenvolver para assegurar uma boa relação com o seu filho adolescente

A adolescência é o pináculo da transformação. Ancestralmente e actualmente ainda em várias culturas era um período da vida do ser humano altamente valorizado e trabalhado pelas comunidades, em que os indivíduos eram intensamente orientados e acompanhados para a passagem à vida adulta. Actualmente, esta dinâmica desintegrou-se e tornou-se desértica.

Nas sociedades ocidentais actuais, a adolescência passou a ser um período como qualquer outro do desenvolvimento humano. Grande parte dos adolescentes sai da infância sem rumo, objectivos ou propósito. A desconexão que caracteriza este pico de mudança, transformação tão importante e decisivo leva a que os adolescentes vivam, muitas vezes, vidas vazias de conteúdo, vazias de sentido, de propósito. Muitos vivem abandonados de si próprios, de sonhos, de perspectivas, pairando apenas no lugar da aparência e do mundo virtual. Vivem desagregados de si. Vivem desenraizados do presente, numa ausência permanente do aqui e do agora, numa fuga constante para mundos de alheamento caracterizados quer pelo abuso de substâncias psicotrópicas, quer pelo abuso do meios de telecomunicação. É a derradeira fuga de si e do mundo real. O sofrimento é intolerável e o prazer é indispensável, desde que intenso.

E como encaram os pais esta realidade?! O que sentem com esta desorientação?!

A gestão parental da adolescência requer, de facto, muita entrega e dedicação. Requer tempo de reflexão e de aceitação. A base desta gestão assenta na relação que os pais mantêm com os filhos adolescentes e esta relação implica que existam desde cedo 4 atitudes básicas por parte dos pais:

Observar, escutar, aceitar e orientar.

1. OBSERVAR
Observar o que o seu filho anda a fazer. Quanto mais souber da vida do seu filho, melhor conseguirá lidar com ele e orientá-lo.
É importante saber o seu horário das aulas, saber onde vai depois das aulas, ver os cadernos, os trabalhos de casa, saber as datas de todos os testes, trabalhos e fichas.
Conhecer todos os amigos com quem se dá e se possível acolhê-los em casa.

2. ESCUTAR
Ouvir o mundo interno do seu filho. Quais as suas angústias, medos, sonhos, inseguranças. Quanto mais ouvir e conhecer o seu mundo interno, mais profundamente o conhecerá e melhor poderá entender as suas dinâmicas.
É importante ouvir as suas ideologias, crenças e formas de pensar, sem desvalorizar ou ridicularizar.

3. ACEITAR
O conflito geracional é transversal a todas as culturas e épocas. São os adolescentes de hoje que mudarão paradigmas, padrões e farão evoluir a humanidade. Existe um choque natural entre os padrões distintos de duas gerações, mas por mais difícil que seja, é indispensável conhecer e entender os que eles trazem de novo e aceitar.
O sentimento de que são vistos, escutados, aceites e entendidos dar-lhes-á confiança e sentido de compromisso com os pais ou educadores, para que se deixem ser orientados com respeito e confiança.

4. ORIENTAR
Se a observação, escuta activa, a aceitação e o entendimento são fulcrais para a relação pai/educador-adolescente, a orientação firme é também essencial. O adolescente tem que cumprir com as suas obrigações, na escola, em casa e nas diversas áreas da sua vida. Deve ser orientado no sentido do auto-conhecimento e contacto consigo próprio. Saber o que gosta, quais os seus talentos, motivações e dificuldades. Este conhecimento de si-próprio é indispensável para que se mantenha recto e coerente desde cedo com a sua essência, independentemente das múltiplas identidades que possa assumir na adolescência com os grupos de pares e ídolos.

A imposição de limites na adolescência tem que iniciar precocemente. As saídas à noite, as saídas com amigos devem que ser aceites com conhecimento pormenorizado de quem são os amigos, para onde vão, qual o programa e uma hora para chegar deve ser negociada. Dentro da liberdade deve ser imposta a responsabilidade de ter que cumprir com alguns limites. O adolescente irá sentir a segurança necessária e interiorizará a noção de que a liberdade implica ser responsável por si, pela sua conduta e atitude.

Os recursos de toda a camada adolescente são poderosíssimos para a evolução humana e das sociedades. A riqueza de capacidades, de criatividade, de inovação, de transformação é importantíssima para o crescimento global das comunidades. Os adolescentes são um contributo de extrema relevância que urge ser aproveitado e optimizado. O trabalho com os adolescentes deve ser investido para que haja uma boa canalização de todo o seu potencial.

Vamos a isso!

 

Sente que a sua agressividade está mais descontrolada. É como uma chama que vive dentro do seu peito ligada a um rastilho que quando acende, dispara para todos os lados sem avaliar as consequências.

Assim é a agressividade. Não olha a meios e simplesmente bombardeia.

Sei agora que a minha agressividade é uma forma de mostrar o meu poder aos outros, esconder a minha insegurança interna e proteger o meu lado mais frágil, mas encontrei esta forma de me defender. Quando sinto oposição, expludo ainda mais! Parece que o mundo não compreende isso e constantemente abrem campo para que o meu rastilho se acenda.

As crianças têm consciência, mas ainda assim não conseguem controlar os seus sentimentos para agir e reagir dentro de limites saudáveis.

Quando os filhos evidenciam comportamentos agressivos, a difícil tarefa de ser pai, para a qual nenhum de nós foi ensinado e que resulta de forma diferente para cada criança, torna-se ainda mais complexa e muitas vezes angustiante. Ouvimos tantas vezes os pais dizerem que parece que vivem num campo de batalha, que estão exaustos, tristes e que já não têm forças para mais.

Embora a agressividade seja algo que faz parte do ser-humano, directamente relacionada com a afirmação do EU ela também é um sinal de alerta para qualquer ameaça real ou imaginária, interna ou externa. A expressão da raiva surge sobretudo quando a criança sente que o seu bem-estar ou a sua sobrevivência podem estar ameaçados, despoletando emoções que as impedem de empreenderem os seus mecanismos de auto-regulação e adequação comportamental. A raiva alerta para o perigo e dá à criança a energia necessária para actuar e nesse sentido é positiva. No entanto ela também é uma forma de cada criança se expressar como pessoa. Qual de nós não se lembra de fases da sua vida em que a agressividade esteve mais à tona e quase sem percebermos ela se foi tornando uma forma mais habitual de agir e reagir, um círculo vicioso no qual nos sentimos incapazes de controlar os nossos impulsos agressivos, de escutar e de equilibrar as nossas necessidades com as necessidades dos outros…. É nesse momento que ela deixa de ser positiva e de cumprir a sua função.

Os pais, como educadores, precisam estabelecer limites firmes para que a criança possa continuar a desenvolver-se forte, independente mas também segura.

Ensinar uma criança a lidar com os seus sentimentos de agressividade e saber canalizar os seus impulsos para acções construtivas em vez de destrutivas é um trabalho moroso, no qual o amor, a disciplina e os limites têm que estar sempre presentes.

É fundamental que os pais compreendam e aceitem as diferenças de temperamento em cada um dos seus filhos, que os fará ter níveis de reacção diferentes, por vezes mesmo opostos, aos estímulos que o mundo lhes envia constantemente. Mas, seja qual for o temperamento deles, todos terão que aprender, com a ajuda dos pais, a identificar e nomear as suas emoções, tudo aquilo que o corpo sente, mas que ainda não tem nome. Saber que aquilo que estão a sentir é medo, raiva, alegria ou tristeza, é o primeiro passo para que se possa aprender a lidar e eventualmente controlar/adequar o comportamento, sem que sejam necessárias explosões desmedidas e por vezes descontextualizadas.

Depois da criança aprender a nomear e falar sobre o que sente, fica então preparada para começar a aprender a acalmar a intensidade e o desconforto desses sentimentos para eventualmente poder vir a compreender a sua origem.

Por Ana Galhardo Simões, Psicoterapeuta Corporal
para Up To Lisbon Kids®

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Anda a circular um vídeo que nos dói na alma. Vemos jovens que podiam ser os nossos sobrinhos ou filhos, os filhos dos nossos vizinhos ou os colegas dos nossos filhos, a levarem a cabo um conjunto de atividades violentas. Vemos uma vítima (ou serão todos vítima?) a ser esbofeteada e esmurrada várias vezes. A sua passividade também nos inquieta. Tudo é perturbador naqueles minutos. O vídeo deixa-nos tristes, com medo, deixa-nos impotentes e revoltados. No rosto do jovem agredido ficarão marcas. Ficarão marcas também na sociedade?

Serão essas marcas capazes de nos impelir a mudar alguma coisa?

Proponho algumas notas e reflexões para nos ajudar a lidar com a situação, com o choque, com este verdadeiro “murro no estômago”:

NOTA 1 – Nas Escolas o número de Assistentes Operacionais está a diminuir. Os Professores têm cada vez mais trabalho burocrático, os Psicólogos nas Escolas são uma miragem e outros estão mal preparados. Como se fosse pouco, as exigências são cada vez maiores e há a contaminação natural das convulsões sociais típicas da crise e das crises que vivemos.

REFLEXÃO – O que podemos fazer para forçar o poder a dar mais condições às Escolas? As Escolas precisam de mais Assistentes Operacionais, mais Formação (de qualidade, claro!) para os Professores, de mais espaço para se trabalharem as competências sociais, as emoções. E como sociedade civil, o que podemos fazer para ajudar as Escolas? Quais as salas que podemos ajudar a pintar, quais as sessões de sensibilização que podemos dinamizar, quais as associações que podemos criar?

NOTA 2 – Este tipo de acontecimento surge com alguma frequência. Só que a máxima “longe da vista, longe do coração” aplica-se de forma perversa. Como foi filmado e reproduzido nas redes sociais, torna-se mais evidente. Mais real. Mas não podemos esquecer que já aconteceu outras vezes e ninguém gravou. Há números que indicam mais de mil agressões por ano a Professores, Alunos e Funcionários. Os números são assustadores, mas importa reforçar que, no geral, as Escolas conseguem proporcionar ambientes positivos.

REFLEXÃO – Este tipo de acontecimento surge independentemente do nível social ou do tipo de Escola. Devemos estar atentos aos sinais. Porque temos a ideia de que “a mim é que não”?

Não precisamos de Pais ansiosos. Não é positivo demasiada preocupação. Mas ocupemo-nos das questões. Na alegoria da caverna a realidade são as sombras. Era a visão da realidade para os prisioneiros. Libertarmo-nos da escuridão necessita de esforço, de mudança de paradigmas.
Quais são as suas verdades sombra? Porque não põe em causa as suas certezas? O seu filho nunca vai ser vítima? Nunca vai ser agressor? Refletir com conta peso e medida sobre estas questões vai faze-lo estar mais atento. Mais presente. Vai faze-lo ir mais vezes ao quarto dele quando ele estiver entretido com as coisas da Escola. Vai ajudá-lo a quebrar mais vezes o silêncio. Vai dar-lhe mais motivação para o ajudar nas áreas que por vezes não se aprendem na Escola, como a área das emoções.

NOTA 3 – A frase “para educar uma criança é preciso toda uma aldeia” faz todo o sentido.

REFLEXÃO – Mas quantas vezes nos fechamos nos nossos apartamentos, quantas vezes nos limitamos ao nosso mundinho? Quantos de nós viram a cara, se por ventura assistem a um ato desprezível perpetrado por um jovem? E quantos de nós ficamos demasiado ofendidos, quando um estranho, num local público repreende a nossa criança por estar a fazer o que, supostamente, não devia?

A agressividade nasce com o ser humano. É a Educação, o contato com a família, com os pares, é a socialização que vai dando capacidade ao jovem de escolher comportamentos não agressivos.

Onde estão aqueles pais a falhar? Ainda tive receio de usar a palavra falhar, a situação está ainda “a quente”, irmos demasiado à pressa arranjar culpados, pode ser contraproducente. No entanto, terá que se fazer, mais tarde ou mais cedo, esta reflexão.

As marcas da violência estão na cara daquele jovem. Ficarão também na sua alma? Ficarão na minha? Ou amanhã já me esqueci? Farei alguma coisa de diferente?

Um dos meus grandes desafios como Psicólogo, é dar ferramentas para ajudar os Pais ou Professores a passar à ação. Para dar um exemplo, até porque o verão está a chegar, usaremos a questão das dietas. Não basta ler o livro das dietas, é preciso começar a comer melhor. Não basta querer comer melhor, deve começar-se pela qualidade da lista de compras. Com as competências sociais é semelhante, não basta ler, há-que praticar. Há, no entanto, uma boa notícia. Se lermos bastante, se lermos com atenção, se pensarmos sobre o assunto, começamos a abrir portas à mudança. Já aconteceu comigo começar a comer legumes salteados, sem entender bem de onde tinha vindo a ideia. Passados uns dias, descobri um livro onde estava essa sugestão e uma receita de legumes salteados. Eu já tinha lido e relido. Demorou um pouco até colocar em prática, mas aconteceu.

Ajude o seu filho a compreender melhor este mundo das competências sociais, das emoções, para não ser vítima nem agressor. Impelindo-o a passar a ação, dá uma “aula prática” e desenvolve nele algumas competências. Há quatro componentes fundamentais neste mundo de emoções. Conhecê-las ajuda a prevenir a violência. Pratica-las ajuda ainda mais. Tenha atenção a elas e veja ideias de atividades para ajudar os seus filhos a praticar.

1) A emoção dá sinais. Podemos sentir o coração a bater ou o aumento da transpiração. Podemos sentir “borboletas” na barriga. Ajude o seu filho a fazer uma lista destes “sinais”. Pensem em conjunto sobre alguma situação recente em que tenham sentido essas mudanças fisiológicas. Treine-o a ouvir o corpo. Melhor, treine-o a escutar o corpo. Converse com ele sobre a diferença entre escutar e ouvir. Reflita sobre a aceleração do dia-a-dia e da forma como este ritmo pode impedir que sejamos capazes de sentir estes sinais, de ter noção destes sinais. Tentem identificar outras expressões como “borboletas” na barriga para poderem conversar sobre os significados.

2) As emoções são boas ou más. Agradáveis ou desagradáveis. Não quer dizer que sejam simples. Geralmente, o leque de emoções conhecido pelas pessoas, é reduzido. É importante aumentarmos esse leque. Assim, não ficaremos pelo “estou bem” e pelo “estou mal”. Vamos abrir o leque. O espelho da alma (ou dos centros de prazer e desprazer do cérebro) é a face.

3) As expressões faciais são capazes de denunciar as seis emoções básicas e universais. Já agora, sabe quais são as seis? Pesquise com o seu filho em sites de referência ou em livros quais são essas seis emoções. Fale-lhe da importância de estarmos atentos às expressões faciais das outras pessoas. Conte-lhes estórias de detetives e de espiões. Debata com ele a importância de sabermos a cada momento se a nossa expressão está a dizer o que estamos a sentir.

4) As emoções costumam desencadear comportamentos. Geralmente comportamentos de fuga ou aproximação. De luta ou de combate. De ternura ou agressão. As emoções estão ligadas a comportamentos. Conversem sobre os possíveis comportamentos que podem advir das diferentes emoções. Conversem sobre as formas de controlar esses comportamentos. Conversem sobre os momentos em que devemos controlar esses comportamentos e os momentos em que nos podemos deixar ir.

Por Alfredo Leite, Mundo Brilhante, 
para Up To Lisbon Kids®

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O aluno de 13 anos entrou na escola Joan Fuster, na cidade de Barcelona, em Espanha, munido de uma besta, uma faca, uma pistola de chumbos e material para preparar um cocktail molotov, tendo atingido mortalmente um professor e ferido outras quatro pessoas, dois alunos e dois docentes, antes de ser imobilizado por um professor de Educação Física. O jovem foi descrito como uma pessoa normal e sem problemas de socialização aparentes. Os seus vizinhos viam-no como um rapaz “educado e discreto”, tal como a sua família. Na escola, contudo, é-lhe feita uma descrição diferente. Mas, apesar de admitirem o seu gosto por “coisas do exército” e os seus comentários sobre armas e mortes, os colegas e amigos não o consideravam um rapaz marginalizado, muito menos “com problemas”.
In: Jornal Público, 20 de abril de 2015

Nem todas as crianças são frágeis e inocentes.
A ideia central que rege actualmente o modelo da infância, segundo o qual as crianças são diferentes dos adultos e devem, por isso, ser tratadas de forma diferente é uma construção relativamente recente.
Ainda assim, há países que entendem de forma bastante diferente a questão da impunidade criminal que protege as crianças de serem tratadas como adultos, mesmo que os crimes cometidos sejam crimes de índole híper agressiva, como é o caso do assassínio, e aplicam a premissa de que se a criança teve idade suficiente para pegar numa besta e matar alguém também tem idade para ser punido pelo crime que cometeu.
O caso Inglês surge aqui como corolário da mudança fixando a idade penal nos 10 anos.
Uma criança de 10 anos é capaz de cometer um crime mais ‘adulto’ do que o próprio adulto. Já vimos isso, vemos cada mais, e percebemos todos os dias, pelas notícias que vão nos chegando em catadupa, que os centros de correção juvenil que antes se encontravam cheios de miúdos com mais de 17 anos, se encontram agora repletos de crianças de 13.
Mas então como proceder?
Para a sociedade em geral, que protege sobremaneira as suas crianças e as coloca numa espécie de pedestal sacrossanto, dificilmente conseguirá aceitar que uma criança com 13 anos possa ser condenada a prisão perpétua.
A tendência é para uma maior tolerância (e às vezes perdão) dos crimes cometidos por menores baseada em argumentos que se alicerçam na responsabilidade social do menor. Assim, não estando totalmente construída a personalidade do menor no seu todo, também a pena não deve ser assumida no seu todo. A moldura penal é assim balizada por uma questão de percurso de vida, isto é, uma criança mesmo que criminosa, não deverá assumir toda a responsabilidade da sua pena, pois que ainda não se assumiu totalmente na sociedade.
São-lhe vedados deveres na exata medida em que lhe são vedados direitos.
Por outro lado a delinquência é um comportamento, e os comportamentos são gerados na sociedade, ou se quisermos, são gerados pela sociedade, logo a sociedade deve absorver uma parte dessa culpa.
Mas será mesmo assim?
Vejamos novamente o caso Inglês. Recentemente um rapaz de 13 anos foi condenado a prisão perpétua por matar uma mulher de 47 anos à porta de um bar.
A lei inglesa não foi branda com o rapaz. Fechou completamente as portas, e para sempre, a uma possível recuperação ou arrependimento.
Por outro lado a família da mulher, referiu que não importava quantos anos o jovem iria ficar na prisão, porque continuaria a receber as visitas dos familiares e a sua família poderia voltar a ver o seu filho; coisa que a eles lhes estava impedido para sempre, pois que não voltariam a ver a sua filha.
Olho por olho, dente por dente?
Na questão da reabilitação importa notar que a tendência geral é para haver um decréscimo da delinquência após o início da maioridade e aproximação da idade adulta. Neste caso a institucionalização de menores até à idade adulta, ou até a uma idade aproximada da maioridade seria acrescentar responsabilidade ao menor, afastando-o da criminalidade ou aproximando-o da consciência e arrependimento do seu crime.
Se ao invés da reabilitação se avançar para a responsabilidade total da culpa, do pagamento efectivo do crime, a sociedade livrar-se-ia de forma mais permanente do jovem criminoso, e expurgava a raiva de alimentar pequenos terroristas em centros de reabilitação totalmente permeáveis à continuidade dos comportamentos, tanto pela facilidade de fuga, como pelos modelos de semi-internato, em que o jovem pernoita no centro mas é livre durante o dia.
Mas o problema é que as prisões são autênticas escolas do crime, e no caso português, em não se verificando a pena perpétua, o jovem criminoso acaba por ser liberto pior do que lá entrou. Talvez até mais afinado, mais escolarizado, mais revoltado.
A aprendizagem dos comportamentos socialmente desviantes na prisão far-se-á através da exposição às acções dos outros, maioritariamente adultos, e não se prevê que Portugal consiga no curto prazo responder às necessidades de um novo modelo de prisão juvenil.
Resta-nos esperar pela experiência dos países mais desenvolvidos, que separam o trigo do joio de acordo com o tipo de crime.
Uma criança de 10 anos que mata sadicamente um ser humano, é justamente inimputável?
O aumento da criminalidade muito jovem em Portugal ainda não assumiu os contornos de outros países, como é o caso da Inglaterra, França ou Alemanha.
Por enquanto resta-nos aumentar a prevenção nas famílias e nas escolas, porque o bairro, o terceiro fator de risco para a delinquência juvenil, já está totalmente fora de controlo.
Se a diminuição da influência da família é compensada pela procura de relações alternativas (à medida que os menores se aproximam da idade adulta), e se as alternativas existentes no bairro forem alternativas de crime, desonestidade e comportamentos desviantes, então estaremos cada vez mais perto da redução da idade penal em Portugal, e consequentemente, dos inimputáveis.

Por Uva Passa, no Blog Uva Passa
autorizado para Up To Lisbon Kids®

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