Poupar é uma ciência também no que diz respeito à educação dos filhos. A School Embassy foi buscar a sabedoria dos mais poupados para o ajudar a fazer face às despesas de mais um ano lectivo:

  1. Comprar no momento certo
    Comprar roupa ou calçado nos saldos para o ano seguinte é uma das práticas com mais sucesso entre os pais que querem conter despesa. É certo que os miúdos crescem sem darmos por isso, pelo que antecipar as compras só traz benefícios. Também não precisa de esperar por Agosto e muito menos pelo início de Setembro para comprar material escolar. Compre em Junho e de preferência antes de acabar o ano lectivo. É possível que encontre preços bastante atractivos, descontos e excedentes de stock nas prateleiras. Se esperar pelo começo das aulas para adquirir todo o material escolar irá pagar mais caro, encontrar produtos esgotados e ainda enfrentar a confusão típica do regresso às aulas;
  2. Fazer uma lista e segui-la
    Tente manter-se fiel às reais necessidades dos seus filhos fazendo uma lista do material necessário. E quando eles lhe pedirem tudo novo, responda: Eu sei que queres, mas precisas? É nesse momento eles vão perceber que comprar aquele lápis não faz sentido, quando há outros dois no estojo. Com esta prática desencoraja os seus filhos a acumularem objectos desnecessários em casa, ao mesmo tempo que lhes ensina noções de educação financeira.
  3. Títulos de compensação salarial
    Provavelmente a empresa onde trabalha já lhe falou deles. Hoje já pode usufruir de Ticket como compensação salarial e pagar quase todas as despesas relacionadas com educação, usufruindo de benefícios fiscais: mensalidades, livros, material escolar, apoio ao estudo, escolas de línguas etc. Faça um cálculo anual das despesas com a educação dos seus filhos e surpreenda-se: é bem possível que a poupança gerada ao longo dos anos pelo uso destes vales possa vir a pagar-lhes a universidade.
  4. Uniformes a preço justo
    A escola do seu filho é mesmo impositiva quanto à compra do uniforme? Provavelmente não. Repare que a maioria dos estabelecimentos de ensino apenas sugere a compra da farda em determinado local. Isto quer dizer que pode comprar o polo branco obrigatório numa loja da sua confiança, provavelmente a preços bastante mais acessíveis. Algumas instituições optam até por fornecer aos pais o logótipo da escola para aplicar no vestuário. Se não perguntar, nunca vai saber.
  5. Quanto pode custar uma escola?
    Já falamos sobre isto: o valor a pagar por uma escola, especialmente se falarmos de colégios privados, vai muito para além da mensalidade. Faça contas a quanto terá que pagar pela totalidade do serviço durante um ano (é provável que tenha que usar uma folha de cálculo). Os custos devem incluir deslocações, uniforme, prolongamentos de horário, alimentação, visitas de estudo, pagamento com vales educação, inscrição anual. Compare com outras escolas na mesma área, e só então decida. Se precisar de ajuda, contacte um especialista School Embassy.
  6. Lanches baratos e saudáveis
    A moda das lancheiras veio para ficar, para pequenos e graúdos. Em vez dos lanches da manhã e da tarde pesarem na mesada que dá ao seu filho, opte por incentivá-lo a preparar a sua própria comida de véspera. Lembre-o que esta é uma alternativa bem mais saudável e barata que a comida processada que vende o bar da escola. Com uma pesquisa simples na internet encontrará receitas rápidas para lanches deliciosos, que podem ajudar a dar largas à imaginação lá por casa. 
  7. Partilha de viagens
    Quantos vizinhos frequentam a mesma escola que os seus filhos? Se pensar um pouco, também eles desejam que os miúdos cheguem à escola a horas e em segurança, assim como poupar no tempo e nas despesas. Mesmo assumindo que os vizinhos não têm entre si uma relação tão próxima como antigamente, não há razão para adiarem o quebra-gelo. Conversem sobre a partilha de viagens com o intuito de levar/buscar os miúdos à escola. Uma semana ou um dia cada um – é irrelevante. Quando começar a funcionar, as vantagens serão inegáveis: mais tempo livre, menos combustível, mais ecológico e ainda faz novas amizades. Porque não? 
  8. Encarar a educação como um investimento
    Os custos com a educação vão avolumar-se à medida que filhos crescem. Não é surpresa que as suas despesas vão crescer por altura da universidade. Para evitar desequilíbrios nas contas familiares, é importante começar desde cedo a planear e a poupar com vista a suportar esses encargos. A educação é um investimento. E, no caso dos filhos, é uma despesa para a qual é importante estar preparado. Em países como os EUA, a criação de um fundo de poupança para a educação de cada filho é uma prática comum na qual pode inspirar-se para fazer um pé-de-meia.

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Quando um filho te diz que há um colega no recreio que lhe está sempre a bater, tentas ser sensato: Já disseste à professora? Quando ele te fizer isso vai logo ter com o adulto mais próximo e explica o que se passou. Mas depois ele responde que já fez isso tudo e que a situação continua a repetir-se. Tem medo da escola, anda mais ansioso. E tu também. Durante o trabalho a avó liga para te avisar que hoje o neto voltou da escola arranhado. O colega do costume. Então percebes que a pressão vai surgir de outros lugares. Haverá um novo tema de conversa durante os almoços de domingo em família. Respiras fundo, e decides. Amanhã é melhor passar pela escola, o braço dele está mesmo feio e esta situação é insustentável.

Sabes o nome dele, mas não o mencionas: Vim falar consigo porque há um menino que está constantemente a magoar o meu filho e alguém tem que fazer alguma coisa. Compreendo que há crianças com problemas mas os colegas não têm culpa, e ele já está com medo de vir para a escola. Recebes uma resposta, política, gasta, formatada: Não podemos fazer nada, os pais nem aparecem, não há funcionários para vigiar o recreio, já pedimos apoio mas tarda em chegar. No final da conversa, uma sugestão amarga, mascarada de profissional: ensine-o a defender-se e verá como isto deixa de acontecer.

Enquanto conduzes para o trabalho sentes-te ainda mais confuso, mas apoiado. Por um lado não te parece correto ensinar o teu filho a bater, mas por outro sentes que és negligente quando o impedes de ser vítima de um agressor. Afinal, foi o professor, em pessoa, quem te autorizou a usares os teus próprios meios para lidar com esta a situação. Ensinar o teu filho a defender-se parece justo. Instintos básicos de sobrevivência gritam mais alto, e entretanto, tu já não és tu, és só reacção. Dás um pequeno passo para fora daquilo que sempre foste, mas não interessa. Agora és uma fera a defender a sua cria e a ensinar-lhe tudo o que for preciso para se proteger.

Eficaz. Aprendeu a lição esse menino do costume. De qualquer forma também já ninguém queria brincar com ele, os pais que lhe dêem educação. Teve o que merecia e agora o teu filho já não tem medo de ir à escola. E tu voltaste a ser tu, aquilo foi uma situação isolada, mas serviu de exemplo: o teu filho já aprendeu que para se defender só tem dar um pequeno passo para se afastar daquilo que tu sempre lhe ensinaste, do que os teus pais sempre te ensinaram a ti.

Atacar é uma palavra legítima quando se é vítima de alguém. Bem que podia ser o menino agressor do costume a dizer isto. Esse que também é filho, neto e aluno de alguém e que usa a força, como o teu filho agora, para parar de ser vítima. Pequenos passos.

O apoio chegou mas agora nada parece servir para controlar os miúdos no recreio. A indisciplina aumentou muito e há grupos que se protegem a atuar à laia de gang organizado. Tudo pode ser dito, pensado, feito e acusado por impulso. Todos temem: eles já não são eles.

A situação está fora de controlo, e ninguém sabe como é que isto aconteceu de um momento para o outro. Nem tu, nem todos os que à tua volta deram pequenos passos isolados, para longe de si mesmos.

imagem@Robbie Cooper “Emmersion”

Vai visitar uma escola?

9 perguntas indispensáveis para fazer ao director

Embora a maior parte dos pais já tenham escolhido a escola onde irão colocar os seus filhos no próximo ano letivo, há também muitas escolas que já estão a para marcar visitas para o ano a seguir, aproveitando assim a interrupção letivas do verão.

Se ainda não tem uma opção definida para os seus filhos e vai visitar uma escola brevemente, este artigo é para si!

Escolher uma nova escola pode ser uma saga . Agora que domina a ciência complexa que está na origem desta decisão, queremos mesmo que faça boa figura no primeiro contacto com as escolas que seleccionou para o seu filho. São nove perguntas essenciais que o vão tornar um especialista na matéria aos olhos do director, e nove respostas que vão pesar na balança.

Ficam as nove perguntas indispensáveis a fazer ao diretor quando vai visitar uma escola:

1. O que distingue esta escola das outras?

Porque a resposta a esta pergunta pode ser vital na sua decisão, o director deve conseguir estruturá-la com a clareza e energia de um apaixonado. Uma escola segue o caminho que a direcção marcar.

2. Como asseguram a comunicação escola-família?

Este é dos aspectos interessantes de avaliar se pretende saber qual a abertura da escola à família. Há um sem número de ferramentas tecnológicas que permitem que os pais acedam com facilidade a tudo o que acontece na escola: visitas, actividades, projectos, avaliações, assiduidade. Não usufruir deste recurso é uma limitação séria a ter em conta.

3. Existe um programa de acolhimento para os novos alunos?

A integração numa nova escola pode ser problemática especialmente se não for planeada do lado de lá. No caso das crianças mais novas, deve existir uma forte articulação com a família. No das mais velhas, o envolvimento do director de turma e do representante dos alunos é essencial.

4. Qual o nível de rotatividade do corpo docente?

A estabilidade é fundamental para a qualidade do ensino. Uma instituição em que os professores estão constantemente a mudar de rosto talvez não os valorize tanto quanto deveria. Se o rendimento dos professores é afectado o do seu filho também, acredite.

5. Os colaboradores fazem formação contínua?

Uma escola lida com uma multiplicidade grande de serviços: alimentação, ensino, transporte, higienização dos espaços. É importante que cada área possa usufruir de um plano de formação planeado de acordo com as necessidades, e que contribua para a melhoria contínua das práticas.

6. A escola pratica inquéritos de satisfação com regularidade?

A opinião dos mais directamente afectados pelo serviço educativo não deve ser menosprezada. Por norma as crianças, os pais e os colaboradores reconhecem com bom rigor quais os pontos fortes e as práticas a melhorar numa escola. Este procedimento é também um bom caminho para fomentar hábitos de cidadania e para democratizar a gestão.

7. Em média quantos vigilantes existem por grupo?

O tamanho dos grupos e o ratio adulto-criança são elementos chave na manutenção da segurança física e emocional das crianças. Questione a direcção acerca dos recursos humanos que a escola disponibiliza para o nível de ensino que procura, e para os diferentes momentos da rotina: aulas, refeições e pausas.

8. Quantas vezes os alunos podem sair para o exterior?

Ter tempo e o espaço coberto que permita respirar ar puro ou esticar as pernas mesmo no Inverno, é muito importante para ter bom desempenho. Uma criança precisa de movimentar-se mais que um adulto e essa necessidade deve ser respeitada. Para além disso, as salas de actividade precisam de arejamento frequente durante estes intervalos para que sejam evitados os habituais contágios.

9. Que áreas são contempladas pela avaliação dos alunos?

Se é exigido aos estudantes que adoptem uma determinada linha de conduta ao nível do comportamento, da cidadania, dos valores e dos hábitos, não incluir esses elementos na avaliação é boicotar a sua importância na formação global do aluno. Que incentivo terão os mais novos em envolver-se em projectos sociais relevantes, se eles tiverem um efeito nulo nos resultados?

Uma escola é um lugar cheio de estímulos gerados por pessoas. Pequenos e grandes, com bata e sem bata, a caminhar ou a correr. No meio desta energia toda, do ruído, da pressa e do ânimo dos mais pequenos, há contradições que só os mais atentos conseguem ver.

Os olhos dos pais dizem tanto. A caminho da saída da escola, nos olhos de alguns pais pode sentir-se o vazio. Uma espécie de estímulo ao contrário.

Todos os pedidos de ajuda na escola são tímidos – nenhum pai ou mãe gosta de pedir ajuda para educar. As expectativas de um progenitor são sempre elevadas: se este filho nasceu de mim, tenho obrigação de conhecer-lhe todos os caminhos, todas as soluções. Mas quando os maus resultados se alongam por dois trimestres é preciso ganhar coragem, perder a vergonha. Parece evidente que acusar um aluno de ser preguiçoso quando um pai pede ajuda, é errado. Mas isto ainda acontece muito nas escolas, a ponto de os pais desistirem de perceber porque é que os filhos estudam, frequentam explicações e ainda assim não conseguem resultados. O rótulo preguiçoso, se dito com convicção, tende a convencer pequenos e graúdos. Muitas vezes, aquele pedido de ajuda era o último recurso disponível e o pensamento não serves para a escola ganha corpo.

Os olhos de alguns pais conhecem bem o chão das escolas, por outras razões. Também é difícil levantar a cabeça quando a primeira frase que se ouve à entrada da sala é “portou-se mal”, pela voz de um responsável, com todo o grupo a ouvir e a acreditar. Portar-se mal, para uma criança, é tão vago quanto portar-se bem. Uma coisa de super-heróis e vilões que se vê em desenhos animados. Mas a escola é um organismo vivo muito permeável, nada ficcional.

O que acontece na escola afeta tudo, especialmente os afetos.

Se já se dedicou muita literatura ao modo como certas práticas moldam as crianças perigosamente ao nível das emoções, muito pouco se escreve sobre como a escola é um lugar pouco humanizado para os pais. Ouvir que um filho chora o dia inteiro nos primeiros dias de escola porque é um mimado torna os pais confusos, a pensar que erraram em quase tudo desde o nascimento. Ainda assim, creem que quem trabalha nas escolas deve saber o que diz, que um especialista em matéria de educação merece credibilidade total. Por isso é que em algumas escolas (umas mais do que outras) há caras de pais e mães fragilizados que sorriem sempre, por dever de cortesia.

Os olhos de alguns pais também choram muito quando chegam ao carro. Quem lida com as crianças o dia inteiro é que sabe, mas ouvir de novo que está demasiado habituado a colo é como um punhal a invadir o peito. O momento da separação é sempre muito contra natura. Apetece é agarrá-los nos braços, pegar na mochila e só parar em casa. Se possível, prolongar a licença até que cumpram dezoito anos. De volta à realidade, o refúgio do carro parece o lugar ideal para desabar. Porém, chegar ao trabalho com os olhos inchados não é admissível – para a maioria dos pais, agir de acordo com a sua natureza deve pode demorar apenas alguns minutos.

O inverso de capacitar devia ter sempre falta a vermelho no livro de ponto. Mas ainda acontece muito nas escolas, porque nelas há alguns cuidadores em modo sobrevivência, a quem se esgotou a energia para uma palavra ou um ato mais humanizante do que fechar a porta da sala aos pais.

Os olhos dos profissionais nas escolas dizem tanto. Enquanto caminham pelos corredores, pode sentir-se como estão esgotados. Uma espécie de energia ao contrário que só os mais atentos conseguem ver, e talvez descrever um dia.

Se é verdade que não há pais perfeitos, é também certo haver professores com muito a melhorar. São 18 temas importantes, que às vezes ficam por conversar, 18 coisas que os pais deviam dizer aos professores:

  1. Quando leio as avaliações do meu filho sinto que preciso de saber mais ao nível pessoal e social. Como é o seu comportamento com os colegas, com os adultos, o que é que o apaixona mais na escola ou o que o torna mais desmotivado. Todas as coisas que os testes não dizem.
    2. Comece as reuniões por dizer o que os nossos filhos fazem bem e termine com uma mensagem de encorajamento. Se pelo meio tiver que nos puxar pelas orelhas, não será tão difícil lidar com os problemas.
    3. O dever de confidencialidade deve ser rigorosamente cumprido junto das crianças, dos pais e dos seus colegas professores. Debater em grupo os problemas que os mais novos têm em casa não é ético, nem profissional. Usar os alunos para satisfazer a sua curiosidade, menos ainda. Incomoda-me que o meu filho saiba pormenores (que ouviram dos professores) sobre outras famílias que eu não gostaria que soubessem da minha.
    4. Só reclamo quando a situação o justifica, por isso agradeço que me mantenha informado sobre o que está a ser feito para diminuir ocorrências graves. Os problemas não desaparecem só porque deixamos de falar sobre eles.
    5. As crianças precisam de aprender a brincar e isso poderia acontecer mais vezes. E também fora da sala de aula.
    6. A maioria dos conflitos entre as crianças surge em momentos como a entrada ou saída, os intervalos e pausas para almoço. Se a supervisão de um professor é suficiente o bastante para atenuar maus comportamentos, talvez fosse melhor agir por antecipação. De nada serve chamar o professor depois do pior já ter acontecido. Porque é que nunca se vê um professor no recreio?
    7. Nunca teci comentários sobre os TPC em frente ao meu filho, mas quando ele me diz que traz três fichas para fazer, confesso que respiro fundo.
    8. O meu filho é um excelente aluno, agradeço-lhe por isso. Pode encontrar outra forma de o desafiar que não passe apenas por ajudar os alunos com dificuldades? Ser solidário é importante, mas aprender coisas novas todos os dias também.
    9. Manter o controlo disciplinar do seu grupo é um investimento essencial. Esperar pelo momento de dar a nota para punir comportamentos é tarde (para quem não cumpre regras mas também para quem quer aprender).
    10. Os estudantes mudam a cada ano que passa, as formas de ensinar também. Acomodar-se a modelos de ensino desfasados da realidade não é vantajoso para ninguém. Atualize os seus conhecimentos.
    11. Por mais difícil que lhe possa parecer, por favor lembre-se que o meu filho é só uma criança. Na generalidade das situações, se ele não sabe é porque ainda não aprendeu – e todos temos o dever de lhe ensinar.
    12. Não confunda asneiras de criança com afrontas pessoais. Volte à sua infância e perceberá que os maiores disparates cometidos por si não foram premeditados com malvadez.
    13. Seja assertivo mas discreto nas reprimendas. Educar nada tem que ver com humilhar publicamente.
    14. Use o seu sentido de humor. Entrar na brincadeira pode fazer dos alunos seus parceiros em vez de opositores.
    15. A avaliação de desempenho promove a melhoria contínua e acontece em todas as áreas profissionais, independentemente do cargo que se ocupa. Resistir-lhe pode passar a mensagem de que há algo para esconder.
    16. Trabalhe em equipa com os vigilantes e operacionais de ação educativa e esclareça-os bem quanto aos seus deveres. Muitas vezes são estes elementos que fazem a ponte entre a escola e a família.
    17. Pertenço à associação de pais com algum sacrifício pessoal, para melhorar o serviço prestado aos alunos. Recorra a ela sempre que precisar de ajuda, mas saiba usar o dom da reciprocidade. Não há parcerias unilaterais.
    18. Não penso que os professores têm vida fácil, embora admita que todas as profissões causam desgaste. Ainda assim, peço-lhe um esforço para humanizar mais o ato de ensinar, sempre que lhe for possível. Assim vale bem mais a pena ir à escola.

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Localização, horário e instalações, são os primeiros aspetos que observa quando procura uma nova escola. Sabia que são também os menos importantes?

Há outros indicadores bem mais relevantes e muito pouco valorizados.
São 5 os critérios que os “detectives” School Embassy lhe oferecem para encontrar a escola certa:

1. A postura da escola face ao seu pedido de visita.
Não há desculpas para que o impeçam de ver o lugar onde o seu filho vai passar a maior parte do seu tempo acordado. Se isso acontecer, lembre-se que está perante um péssimo indicador de qualidade. As razões mais habituais para vedar o acesso aos pais são: as visitas perturbam o normal funcionamento das aulas; não há recursos humanos disponíveis para tantos pedidos; há um sítio na internet onde existem fotos e documentos que comprovam o bom funcionamento da escola; só pode visitar o espaço após o encerramento das aulas. Não é por algumas desculpas poderem parecer razoáveis à primeira vista que deixam de ser um mau prenúncio. Se quer perceber como funciona mesmo a escola onde pensa colocar o seu filho, insista em visitá-la em pleno funcionamento para que possa aperceber-se do ambiente, do nível de higiene e segurança das instalações, da qualidade da alimentação e tantos outros fatores que devem pesar na sua decisão. Também há casos em que as instituições escolhem somente um dia (normalmente ao fim de semana) para abrir portas aos visitantes. Estes cumprem apenas uma parte dos requisitos fundamentais – saiba que irá visitar um ambiente preparado especialmente para o receber, que pode não corresponder à realidade. A nova escola será como uma segunda casa para o seu filho.

Pagaria por uma casa que nem sequer visitou?

2. Atendimento ao telefone e durante a primeira visita.
Como em qualquer outro serviço, a forma como os clientes são tratados diz muito sobre o modo uma organização aborda a qualidade. Avalie se foi de facto bem recebido, se o fizeram sentir que a sua visita era desejada e se o atenderam com transparência, comentando as conquistas mas também os desafios quotidianos da escola. Um anfitrião carismático, para além de passar uma mensagem de orgulho e paixão pela educação, deve também interessar-se por conhecer o seu filho e por interagir com ele, mesmo que ainda não seja aluno. Se foi mal atendido, o seu filho será um alvo ainda mais fácil, não acha?

3. Conhecer o projeto educativo com pormenor.
Uma escola é muito mais do que um lugar onde o seu filho vai estudar. Há valores, comportamentos e competências que ele vai receber dela involuntariamente. Por isso é que é tão importante que a escola seja um modelo com o qual a família se identifique. Quando a escola é compatível com a família, os ganhos são indiscutíveis: há alinhamento entre a oferta educativa e os interesses reais do estudante, a exigência ao nível dos hábitos de estudo é partilhada, o ensino contribui para a superação das dificuldades do aluno e a comunicação com a família não é um problema porque as duas partes estão em sintonia. Se o objetivo da escola é ensinar, porque não perceber que plano traçou para o alcançar?

4. Averiguar qual a abordagem da instituição de ensino face à gestão dos comportamentos.
É relevante questionar a escola quanto à sua política disciplinar, mesmo que isso cause alguma surpresa do lado de lá (vai ver que vão pensar que é um especialista). É fácil de perceber como em algumas escolas as regras são claras e estão explícitas num documento acessível a todos. Outras há em que as práticas surgem sem planeamento, o que por norma gera problemas. O regulamento interno das escolas deve incluir um capítulo explícito sobre esta matéria, que inclua os deveres e direitos de alunos e colaboradores, assim como as medidas a aplicar em caso de violação das normas pelas partes. Se tem um filho em idade de pré-escolar ou creche (em que as crianças estão ainda a aprender o significado das regras), questione os profissionais quanto a procedimentos que usam para desencorajar um comportamento impróprio (morder, empurrar, agredir) e pondere até que ponto concorda com eles. Antecipar essa reflexão será útil nos momentos em que as coisas correrem menos bem. Se não imagina educar um filho sem regras, porque vai escolher uma escola que não as definiu?

5. Fazer as perguntas certas em relação aos custos.
Por menos óbvio que possa parecer, escolher uma escola pelo valor da mensalidade pode acarretar surpresas desagradáveis, já que as que as condições de frequência podem implicar despesas adicionais. É importante calcular o custo anual que a educação do seu filho terá, e analisar o seu impacto à luz do orçamento familiar disponível. Questione a escola sobre todos os valores a cobrar durante o ano: mensalidade e nº de meses a ser paga, valor da pré-inscrição, inscrição, renovação anual da inscrição, seguro escolar, custo da alimentação, uniforme, prolongamentos de horário, atividades de enriquecimento curricular, apoio educativo, preço médio das visitas de estudo e das colónias de férias. Se pede orçamentos para despesas pequenas, porque não calcular um grande investimento com educação?

Se é verdade que os pais não nascem ensinados, também é verdade que às vezes precisavam de um quadro de regras. Deixamos aqui 14 Verdades que os professores deviam dizer aos pais:

  1. O seu filho não é um amigo de circunstância, é alguém que deve receber dos pais formação de qualidade, sobretudo ao nível das atitudes e dos valores. Rirem-se juntos do colega que começou a usar óculos não é bom sinal.
  2. As crianças não são máquinas. Adaptar-se a uma nova realidade escolar ou familiar pode levar tempo e prejudicar as notas. Os testes não são a única coisa que importa no desenvolvimento.
  3. As capas de revista, os rappers e alguns super heróis animados são modelos normais para as crianças, se em dose controlada. Permitir que o seu filho se comporte como uma personagem de ficção o tempo inteiro é bem diferente.
  4. Os videojogos e a TV cumprem uma função de entretenimento, não são reguladores de comportamento. Os jovens não aprendem a viver socialmente se não se relacionarem com as outras pessoas.
  5. Existe uma hierarquia bem clara entre pais e filhos. Invertê-la não é natural.
  6. Dizer à boca cheia que o seu filho não consegue, é admitir que desistiu de o ajudar. Especialmente se ele estiver a ouvir.
  7. A educação física é tão importante como qualquer outra disciplina curricular. Se o seu filho inventa desculpas para não praticar exercício e os pais assinam em baixo, estão a errar duplamente: promovem o sedentarismo e ao mesmo tempo ensinam a mentir.
  8. Não marco trabalhos de casa se me garantir que (sem eles) vai acompanhar na mesma a matéria que o seu filho está a estudar. E as dificuldades.
  9. Desculpar-se pela falta de material como se de um erro seu se tratasse nunca irá tornar o seu filho responsável.
  10. Estacionar em segunda fila e perder-se na conversa com outros pais, enquanto eu espero, é de mau tom.
  11. Se o seu filho tem problemas sociais com colegas que não consegue resolver, procure a ajuda do professor. Não lhe compete abordar diretamente outras crianças pelas quais não é responsável. Disputas que não afetem o bem-estar físico e psicológico devem ser resolvidas entre os mais novos.
  12. Passar todos os dias à porta da escola e nem sequer entrar para perguntar como correu o dia, dá a entender que a educação ocupa o último lugar da sua lista de prioridades.
  13. Mesmo que tenha o dom da palavra, apoderar-se dela durante toda a reunião de pais perturba a minha gestão de tempo. Prometo dar-lhe toda a atenção numa reunião individual.
  14. Evite comentários impróprios sobre os professores em frente ao seu filho. Se pensar um pouco, verá que é ele quem está a afetar primeiro.

imagem@inspectorinsight

 

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Poema da mãe que eu não quero ser

Preparado o jantar, a roupa, o cão e a mochila,

depois do chefe, dos filhos, do pai e do supermercado,

eu nem sei.

Continuo  algures por aqui, entre a escola e o ballet.

Perguntam-me, chamam-me, pedem-me.

Preciso de ajuda?

Sim, se puder ficar com a pior parte.

Sou um movimento

que se deita tarde, se levanta cedo,

E os dias passam demasiado.

Avio expedições inteiras antes das nove,

faço-me em mil num brilharete,

e despacho tarefas em automático.

Mas tenho um segredo esquecido:

eu, nunca estou na lista de afazeres

(risquei-me às escondidas).

Assim, com um espaço livre na agenda,

pode ser que sobre tempo para procurar-me,

algures entre as outras coisas todas,

e encontrar-me, sem dar trabalho.

Antes que alguém dê pela minha falta.

imagem@vk.com

Alguma vez sentiu que o seu filho tende a estar no comando do seu dia e que já não consegue fazê-lo respeitar os seus pedidos, sem que uma birra ou capricho aconteça?

Alguma vez se perguntou como é que as escolas conseguem gerir bem tantas crianças pequenas e fazer com que comam, durmam, se vistam e se comportem como seres perfeitamente autónomos, bastante diferentes dos que tem em casa?

É verdade. Todos sabemos que as coisas podem tornar-se um pouco difíceis de gerir lá em casa. Muitas vezes isto acontece por uma razão simples: falta energia de um lado – o seu, e excesso do outro – o deles. O resultado é quase sempre desgastante: ou já não encontra forças para resistir e abre mão da sua vontade, ou explode (grita, bate com a porta, fala com agressividade). Aconteça o que acontecer, arrepende-se sempre. Acima de tudo não compreende porque é que depois um dia inteiro a fazer o que tem de ser feito, ainda tem de lidar com o doutor minúsculo a impor-lhe leis ao serão.

Voltemos ao tema das escolas – queremos ajudar. As boas escolas e os bons professores sabem como manter o controlo de muitas crianças iguais à sua, sem com isso colocarem em causa a trilogia de ouro nas relações entre adultos e crianças: afeto, respeito e admiração.

Creio que temos boas notícias. Pelo que conhecemos das melhores práticas, é possível que a causa de todos os seus problemas se prenda com uma frase feita: está a pecar por excesso.

 

Fala demais, espera demais, compra presentes demais, dá explicações a mais, promete o que não pode, sacrifica-se em demasia. E mesmo que tudo isso aconteça por uma razão maior (ama demais), colocar-se na posição de cordeiro só vai servir para que se transforme num adulto amargurado e cansado, sem combustível para educar.  Lembre-se sempre disto: os pais devem ser líderes fortes, poderosos estrategas. Filho lobo, Pai cordeiro.

É muito importante que esta mensagem o conduza a uma reflexão cuidada. Se muitos dos adultos que conheço assistissem a uma gravação do seu comportamento subserviente com os filhos, diriam: Aquele não sou eu! – e continuariam a negá-lo até à morte, alegariam que foi tudo uma montagem, instigariam a própria mãe a comprovar a existência do irmão gémeo cujo filho é um tirano.

Agora, certifique-se que o seu sentido de humor está em ON, porque vamos falar dos filhos dos outros, esses mal-educados. Podemos assegurar que não estamos a falar do seu filho, porque se ele na escola é perfeitamente autónomo, não há razão para preocupações. Há coisas que os miúdos dos outros fazem e dizem com uma fluência inacreditável, especialmente se olhadas à luz da reação dos coitados dos pais. Eis alguns estudos de caso:

Caso 1 – A sede.
Criança deitada no sofá a ver desenhos animados sente sede, após triunfar o duelo pela posse dos canais de televisão com o pai, que uma vez derrotado, se retirou para o quarto:

Tenho seeeede! Quero ááááágua! Ó mãããããae!

A mãe apressa-se a terminar o banho, veste-se ainda meia húmida e leva a água ao rapaz. Quando se aproxima, o filho bebe um gole e diz:

– Não quero mais, está muito fria. Sai da frente que eu quero ver!

 Caso 2 – O jogo.
O pai está sentado na esplanada, relaxado a ler enquanto a criança joga à bola. Sem aviso, sente um pé pisar-lhe a coxa. O filho ordena:

– Cordões!

Solícito, o pai aperta os cordões com dois nós para maior segurança. Sacode as calças. Lembra o pequeno que é melhor vestir o casaco, ao que ele responde com um esticar de braços. O pai veste-lho e volta à leitura. O filho pega na bola e afasta-se.

Caso 3 – O filme.
Hora de almoço dramática. A criança protesta dizendo comida da escola é muito melhor, que a barriga dói, que sente muito sono. Diz que a sopa de casa está mal passada, que a carne é muito dura e os legumes cheiram mal. A cada comentário os pais respondem com argumentos válidos e bem estruturados e aliciam a criança com o novo filme que combinaram ver após o almoço. A criança contrapõe sempre. Depois de muitas tentativas sem sucesso, alguém acaba por estrelar um ovo para abreviar o momento, reforçando a sobremesa para que a criança não sinta fome. Terminada a longa refeição, tudo passa, e a família reúne-se na sala para ver o filme.

Caso 4 – O peso.
A mãe estacionou em segunda fila já após o toque para sair. Entra na escola e gesticula para que a filha venha ao seu encontro. A criança vê, mas parece não reagir. Para ganhar tempo, a mãe vai buscar a mochila da escola, a mochila do lanche, o casaco e o guarda-chuva. Volta a chamar a criança que responde a meio da corrida:

– Espera, já vou!

Toca o telemóvel. A mãe suspira e pousa a mercadoria para resolver um assunto de trabalho que ficou pendente. A meio, é interrompida:

– Despacha-te que eu quero ir para casa, estou cheia de fome mãe, anda lá!

Faz um gesto para a criança aguardar com a mão. Buzinam para que retire o carro mal estacionado.

– Agora vou ficar aqui todo o dia enquanto tu falas ao telefone? Agora já não está com pressa, passou-se!

Terminada a chamada, a mãe veste o casaco à criança e pede-lhe que ajude a levar uma mochila, pois precisa de correr para ir tirar o carro.

– Não, leva tu, estou muito cansada.

A senhora carrega tudo sozinha. Com uma mochila a balançar no pulso, levanta a mão pesada e pede desculpas ao condutor. Abre a porta do carro, e enquanto a filha entra, guarda tudo na bagageira. Não parte sem antes colocar-lhe o cinto de segurança.

-Parece que é desta que vamos para casa.

Como ainda não recuperou o fôlego, e não se tratando de uma pergunta, a mãe decide ignorar.
Pensar que estes são casos reais é suficiente para colocar em OFF o sentido de humor, certo? E porque é importante ser solidário com estes pais que só pensam estar a fazer o melhor para os seus filhos, partilhamos consigo as estratégias que os profissionais das melhores escolas usariam em situações semelhantes. Quando analisar, note como a maioria das práticas de ensino aposta numa distinção muito clara entre decisões de adultos e decisões de criança, e em como raramente se misturam as responsabilidades. Repare como apostar na autonomia pode significar conquistar equilíbrio, tempo e espaço na relação com os mais pequenos. Tenha particularmente em conta como cada desfecho não significa amar menos as crianças, e como amar na medida certa, requer inteligência, consistência, e planeamento:

Solução 1 – A sede que ensina a beber.
Quando a criança diz precisar de água, o adulto responde que no momento está ocupado, e lembra que há garrafas pequenas de água em local acessível. À primeira oportunidade, o adulto elogia a criança por ter cumprido a tarefa e premeia-a, entregando-lhe um copo especial para guardar num local ao seu alcance, que pode usar daí em diante. Terminados os trinta minutos destinados à televisão, vão brincar juntos para o exterior.

Solução 2 – Jogar bem a bola.
No momento que a criança pousa o pé na perna do adulto, este pousa o livro como que em sinal de desaprovação e aguarda sereno que a criança regule o seu próprio comportamento, sem que seja preciso dizer-lhe como. Logo que o rapaz pousa o pé no chão, o adulto pega na bola e convida a criança a sentar-se para tentar apertar o cordão por si. Volta a pegar no livro não sem antes se mostrar disponível para ensiná-la, no caso de falhar várias tentativas. Não obstante o processo, dá-lhe um beijo e elogia-a assim que o cordão estiver apertado. Diz-lhe que vista o casaco. Devolve-lhe a bola.

Solução 3 – O filme certo.
Aos protestos da criança durante o almoço, o adulto responde apenas uma vez, usando um tom seguro. Esclarece que a refeição foi preparada de acordo com o que é necessário para que cresça saudável e que é importante que a coma em tempo útil para não se atrasar para ver o filme. Sempre que a criança voltar ao protesto, os adultos mudam de assunto, sem que no contexto surja a possibilidade de um prato opcional. Os adultos aguardam que a criança termine a sopa antes de avançarem para a refeição sólida e assim sucessivamente, desde que respeitando um intervalo de tempo razoável. Se tal não acontecer, terminam a refeição e vão para a sala ver o filme. A criança junta-se a eles quando terminar. Em caso de identificarem sintomas reais de sono, mau estar ou doença, os adultos podem mostrar-se flexíveis, explicando porquê.

Solução 4 – O peso desapareceu.
Logo que o adulto chega, esforça-se por manter contacto visual com a criança, sem se dirigir ela fisicamente. Quando consegue, gesticula para que venha ao seu encontro. Se lhe parecer que a criança está muito interessada na brincadeira, volta a gesticular para que perceba que pode brincar mais 1 minuto e posiciona-se de modo a observar a viatura mal estacionada. Quando se dá conta de um lugar livre por perto, sai para estacionar corretamente. Quando toca o telemóvel, avista a criança junto ao portão e pede-lhe para aguardar no interior. Atende. Quando regressa cumprimenta-a, pede-lhe para verificar se trouxe todos os seus pertences. Abre a bagageira e espera que a criança os guarde, ajudando com os objetos mais pesados. Senta-se no lugar do condutor, coloca o cinto de segurança e só arranca assim que a criança fizer o mesmo. Explica durante o caminho porque é que não aguardou no interior da escola, destacando que é sempre complicado estacionar na zona, pelo que a criança deve manter-se ao portão após o toque de saída.

São mudanças subtis de atitude que fazem toda a diferença, não acha? Optar auxiliar somente a criança naquilo que não é capaz de fazer sozinha, mostrar vontade de colaborar em vez de promover a dependência, influenciar mais por omissão do que por ação, é possível.

Os conselhos que por norma os pais ouvem antes de nascer um filho, ainda que bem-intencionados, podem ser bastante vazios de conteúdo, inúteis e desfasados da realidade. É verdade que é lindo ter um filho, é verdade que muitas coisas mudam, mas exatamente o que é que isso significa? Ninguém explica a um pai ou mãe inexperiente, que ser um bom líder familiar é muitíssimo relevante para conseguir educar sem comprometer severamente o bem-estar dos mais novos e dos mais velhos. Um filho vai sofrer e fazer sofrer, se desde muito pequeno os pais não trabalharem a sua capacidade de o influenciar e de o orientar como um treinador a um atleta. Educar pode ser muito divertido, acredite.

Imagina-se a ler este último parágrafo a um amigo seu com uma criança difícil? Então guarde-o num lugar perto de si para usar quando for conveniente e considere que toda a cautela é pouca, para tratar um assunto tão delicado. Pense: é o filho dele mas podia ser o meu. E vai ver que tudo corre bem.

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Atualmente, a distância que existe entre a escola e a família é uma questão difícil de explicar. Na maioria dos dias, entre o momento que toca para entrar e a última aula da tarde, não há comunicação. É fácil de concluir como nesta relação silenciosa perdem os dois elementos: ficam os pais privados de assistir, mesmo que à distância, a tudo o que de extraordinário acontece na escola com os filhos, e a escola negada de mostrar à sua comunidade e ao mundo, o valor do trabalho que desempenha.

Por vezes, o trabalho da escola dos filhos ocupa o tempo que é dos pais em casa, porque tem que ser, e o trabalho dos pais ocupa o tempo em casa que é dos filhos, porque também tem que ser. É tudo muito importante.

Entre a casa, a escola e o trabalho, o tempo vai-se extinguindo e dá por si a lidar com o sentimento de que não tem estado por perto tanto quanto desejaria. E de repente, tudo o que parecia realmente importante no dia-a-dia, torna-se secundário se comparado com o que pode deixar de estar a viver com os mais novos.

Os pais não conseguem multiplicar-se mais entre a gestão da vida familiar e profissional. Participar e intervir ativamente no percurso escolar dos filhos parece ser uma realidade imaginável apenas para alguns privilegiados aos quais o tempo sobra, incompreensivelmente.

Depois os miúdos passam por aquela fase em que tudo o que querem é afastar-nos, e a sensação de alienação cresce. Deixa-o à porta da escola e fica a observar os seus movimentos. Para onde ele se dirige, com quem começa a falar. O tempo em que conhecia bem os amigos do seu filho e os pais deles, ficou parado na sala de jardim-de-infância. Se ao menos pudesse entrar para olhá-lo da janela, só por um momento…mas perder-se-ia no edifício. Costuma reunir com a diretora de turma duas vezes no ano, sempre no mesmo espaço, e mesmo esse tem dificuldade em encontrar.

Tantas engenhocas nos dias de hoje, e ainda ninguém se lembrou de inventar alguma coisa virtual para encurtar a distância entre aquela sala de aula e o seu trabalho à secretária. Umas janelas virtuais para a escola.

Toda a gente passa por isso, mas não tem de ser sempre assim.

Vai ver que alguém já se lembrou dessa engenhoca, você é que ainda não inventou tempo para a descobrir.

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