Querido filho adolescente,

Quero que saibas que nem sempre uso as palavras corretas para te dizer aquilo que penso e sinto, e que isso te pode fazer sentir triste, zangado ou inseguro…

A minha intenção é sempre fazer-te perceber o que é melhor para ti, mas também sei que quando te digo “tens de fazer isto porque eu mando”, tu ficas sem vontade de cumprir, sentes que não tenho em conta as tuas necessidades e a comunicação entre nós fica bem mais difícil. Talvez sintas muita pressão quando te digo “Devias ter sido tu a fazer isto” e a tua forma de te protegeres é argumentares dizendo que não percebes porque é que tens de ser tu.”

Às vezes dou-te sugestões sobre como deves resolver os teus problemas e digo coisas como “se eu estivesse no teu lugar eu fazia desta forma” ou “mas porque é que não fazes antes como te estou a dizer”, e digo-te sempre isto com boa intenção, mas pensando bem posso estar a transmitir-te a ideia de que tu não és capaz de resolver os teus problemas e tornares-te demasiado dependente de mim para os resolveres no futuro.

Por isso, vou tentar dizer-te mais vezes que gostei de determinada atitude que tiveste, que adoro o teu esforço para alcançares os teus objetivos. Vou também tentar perguntar-te mais vezes se precisas da minha ajuda e oferecer-me para, em conjunto, encontrarmos uma solução, em vez de te dar a solução que me parece melhor, pois penso que assim te vais tornar mais autónomo e vais sentir que estou por perto sem me estar a impor.

Também quero que sintas que presto atenção ao que sentes e que experimentes o cuidado que tenho para contigo, e por isso vou dizer-te mais vezes coisas como “compreendo como te deves estar a sentir” ou “deve ser muito difícil passar por essa situação, se precisares de ajuda diz”.

Tudo o que faço é porque te amo, e isso para mim é tão óbvio, que penso que também o é para ti, e por isso, muitas vezes, esqueço-me de te dizer diretamente o quanto gosto de ti, mas sei como é importante ouvires estas palavras, e por isso vou dizer-te mais vezes “gosto muito de ti” e “é muito bom estar contigo”.

Não sou perfeito (há alguma pai/mãe que seja?!), mas vou tentar ser, a cada dia, um bocadinho melhor e ajudar-te a crescer mais feliz, confiante e tranquilo, começando pelas palavras que usarei contigo.

Por Cátia Teixeira, Psicóloga Clínica

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Mãe… Pai… Há algumas coisas que vos gostava de conseguir dizer por palavras, só que muitas vezes não tenho as palavras certas, mas hoje vou tentar. Estejam com atenção! Aqui vai…

Eu sei que há uma coisa que vos deixa um bocadinho zangados… é quando eu faço birras… Mas olhem, quando eu faço uma birra, eu não preciso que me dêem tudo só para eu parar de chorar. Isso ensina-me que chorar é uma boa maneira de conseguir o que quero, mas na verdade eu até nem gosto de chorar, faz-me sentir mal.

E há também outra coisa… eu às vezes só faço birra para ter um bocadinho da vossa atenção, se vocês perceberem isso se calhar eu vou conseguir controlar-me melhor.

Lembrem-se de uma coisa, o que eu mais quero é a vossa atenção, e se vocês não dizem nem fazem nada quando eu me estou a portar bem, o que eu penso é que vocês não me estão a ligar. Mas se assim que eu faço um disparate vocês vêm logo ter comigo (mesmo que seja para ralhar), então eu fico a achar que vocês só me vão ligar se eu me portar mal e, por isso, volto a fazê-lo. Às vezes fico um bocadinho confusa, afinal vocês não querem que eu me porte bem?… Prefiro que me dêem atenção quando me porto bem, e quando eu fizer algum disparate (se não for nada de grave), não me dêem atenção. Eu vou acabar por perceber que não vale a pena fazer isso para vos ter por perto.

Quando vocês me impõem regras, vocês já devem ter percebido que eu às vezes não gosto muito e, na verdade, preciso testar um bocadinho para perceber até onde é que vocês estão realmente dispostos a deixar-me ir. Mas, sinceramente, eu fico um bocadinho assustada quando não sei quais são os limites, fico perdida e desorientada… Acho que eu preciso de regras, mesmo que às vezes pareça ficar zangada, não deixem de as colocar e me fazer cumpri-las.

Há momentos em que vocês me criticam muitas vezes e não me dizem as coisas boas que eu tenho e que sei fazer, e nessas alturas eu acabo por acreditar mesmo nisso, afinal de contas, vocês são os meus pais e se vocês o dizem é porque é verdade, mas isso deixa-me desanimada, insegura e faz-me sentir ainda mais pequenina.

Sabem… eu fico mesmo feliz quando vocês me elogiam pelas coisas que eu consigo fazer. Para vocês, podem parecer pequenas coisas, mas na verdade eu sou pequenina e, por isso, para mim, essas coisas são muito grandes! Eu gosto muito dos vossos mimos, aplausos e elogios nesses momentos.

Eu sei que às vezes sou um pouco mexida, que faço disparates e que vocês, por vezes, estão muito cansados, mas eu não faço de propósito para vos chatear ou zangar… preciso que me aceitem como sou, me compreendam e que tenham um bocadinho (do tamanho do mundo) de paciência e tolerância comigo.

Eu preciso muito que me respeitem, mas eu preciso também que lá em casa não mandemos todos o mesmo… para eu me sentir segura, eu preciso sentir que são vocês quem toma as decisões nas situações mais importantes. Não eu… Na verdade, eu não gosto muito de lutas de poder. É uma coisa estranha eu estar a “lutar” com um adulto para ver quem ganha.

E só mais uma última coisinha… eu não estou à espera que vocês sejam perfeitos, eu vou amar-vos sempre. Mesmo que às vezes diga o contrário, não é verdade, está bem?! É só porque estou zangada.

Há muita coisa que não vos consigo dizer por palavras. Ainda sou criança e isso é difícil para mim, mas se me fizerem sentir segura e protegida e me ajudarem a falar de sentimentos, tenho a certeza que, quando for mais crescida, vou conseguir fazê-lo muito melhor. Conto convosco para isso. Amo-vos muito!

A vossa filhota

(5 anos)

Cátia Teixeira, Psicóloga Clínica

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Querido Pai Natal

Há quanto tempo! Como tens passado?

Sei que já não esperas cartas de “meninos da minha idade”. Aos 16 anos já não se escrevem cartas, mandam-se (quanto muito) e-mails! Mas este ano resolvi dar notícias, é que tenho andado a pensar numas coisas…

Vou ser breve, sei que não tens tempo, sei que já deves andar muito atarefado de um lado para o outro a preparar pedidos e presentes para os meninos do Mundo! Lembro-me tão bem de nesta altura começar a ficar ansioso e a desejar brinquedos e jogos que só tu sabias que eu gostava! Só tu sabias o que eu queria, porque nesta altura alguém recebia e lia as minhas cartas, o que nem sempre acontecia o resto do ano. Nem sempre me trazias aquilo que pedia, mas tinha quase sempre uma surpresa! Uma surpresa que rapidamente se transformava em “mais do mesmo”, mas no momento de desembrulhar era bom. Aliás, o que era mesmo bom era ter uma árvore cheia de  presentes!

Não te preocupes! Este ano não vou escrever nenhuma lista de compras como antigamente, até porque a moda agora é mesmo enviar a lista por WhatsApp ou pedir dinheiro. O dinheiro funciona muito bem… é rápido, não se perde tempo nas filas das lojas e as pessoas nem têm de nos conhecer assim tão bem… basta serem patrocinadores de compras que, muitas vezes, nem sabem o que são.

Tantos anos focado nas minhas listas de desejos que nunca me apercebi que nem todos os meninos do Mundo recebem brinquedos e jogos no Natal. Até porque nem todos os meninos do Mundo têm uma casa onde colocar o “sapatinho” na lareira. Que estranho… durante tanto tempo achei que o Natal era só isto: presentes! E que às vezes até eras muito injusto e desatento, quando não trazias o que te pedia! Ficava mesmo zangado.

Hoje estou um bocadinho mais crescido e acho que começo a perceber o sentido do Natal… já percebi que não era uma questão de injustiça não ter as 30 coisas que tinha pedido na lista, já percebi que tive muito mais do que alguma vez precisei, mas percebi também porque é que as minhas listas eram cada vez maiores e no fim sentia-me sempre insatisfeito.

Afinal os presentes que eu precisava não podiam ser embrulhados com papel vermelho e laço dourado… mas só agora, anos mais tarde, me dei conta que tenho tanto no meu quarto e às vezes tão pouco dentro de mim.

Querido Pai Natal, hoje, teria trocado os meus presentes da árvore de Natal por…

1) abraços apertados dos meus pais;

2) ter a minha mãe a dizer-me “não te preocupes, estou aqui para te ajudar” sempre que tinha medos;

3) conversas longas com os meus pais;

4) ter o meu pai e mãe a chegar cedo a casa;

5) passeios de bicicleta ao fim-de-semana;

6) menos tempo em frente ao computador;

7) jantares em família e sem televisão;

8) jogos de futebol com o meu pai;

9) aulas de cozinha dadas pela minha mãe;

10) estar mais tempo com os meus pais.

Querido Pai Natal, este ano tenho um presente para ti! Deixo-te uma caixa cheia de paciência para os miúdos que dia 25 vão ficar chateados por não desembrulharem tudo aquilo que pediram… não te preocupes, eles só não entenderam ainda que os presentes importantes não se vendem em lojas, nem se amontoam em caixas coloridas debaixo da Árvore de Natal…

os presentes importantes estão presentes todos os dias do ano.

Feliz Natal a todos!

imagem@freetimefun

As dificuldades de comunicação aparecem muitas vezes na base de conflitos que acontecem na adolescência. Muitas vezes não criamos espaços de comunicação e disponibilidade para ouvir o outro. As emoções e os afectos precisam de tempo e de espaço para se poderem expressar.  Ouvir as diferentes opiniões e negociar regras é essencial em todas as faixas etárias, mas com especial enfoque na adolescência. Converse, converse sobre tudo, sobre as coisas que rodeiam o seu filho. Podem ser coisas aparentemente simples, sem grande carga de seriedade. Verdadeiramente importante é estar presente e disponível.

A falta de tempo que parecemos ter, nos dias que correm, para estar em família deixa os jovens muitas vezes em auto-gestão e entregues a pequenas e grandes decisões para as quais não possuem a maturidade suficiente. As consequências desses desafios para os quais não possuem recursos são imprevisíveis.

Alguns jovens vão conseguindo, como forma compensatória, os ténis da moda que desejavam, o último modelo de telemóvel, o jogo para o computador que todos os amigos jogam… Na realidade fazia mais falta aquele abraço forte e protector, aqueles 15 minutos de conversa, aquele apoio que diz “apesar de não concordar contigo, gosto muito de ti filho(a)!”.

São essencialmente as pequenas coisas do dia-a-dia que desgastam as relações e afastam pessoas. Mesmo entre pais e filhos. Quando os pais têm um envolvimento emocional que lhes  permite a construção de uma ligação afectiva com os seus filhos e, simultaneamente, sabem definir limites de um modo consistente, os seus filhos têm uma adolescência mais fácil, porque está muito mais orientada – na sua ausência, o adolescente sente-se perdido e desinvestido pelos próprios pais.

É conhecido de todos que os adolescentes têm uma necessidade muito grande de testar limites, bem como desafiar tudo e todos, o que faz desesperar muitos pais! No entanto, crescer e aprender não é fácil.

Enquanto pais, a missão passa por ajudar o adolescente a autonomizar-se com estabilidade e segurança, o que implica ajustamentos da sua relação com ele e do tempo que lhe dedica.

Como está a sua relação com o seu filho adolescente?

Vera Lisa Barroso, Psicóloga Clínica, Equipa Mindkiddo – área infanto-juvenil, Oficina de Psicologia
para Up To Kids®

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A música é considerada a linguagem universal, um meio de comunicação em todo o mundo e  entre todas as pessoas. Mas nada é tão importante como o papel que desempenha no  desenvolvimento do ser humano…
Desde o nascimento, que os pais instintivamente se ligam aos filhos através da música:  adormecem e acalmam as crianças com canções de embalar, brincam e interagem com canções e rimas divertidas. No entanto, se os pais souberem o impacto da música no desenvolvimento psicológico dos seus filhos, poderão estar mais atentos e trazer mais activamente a Música para o seu dia-a-dia.
Quando é que a criança começa a ouvir?
A audição é um dos primeiros sentidos a desenvolver-se: o bebé começa a ouvir por volta dos 5 meses, na barriga da mãe. Nessa altura, a mãe poderá começar a ouvir música clássica ou relaxante e também cantar para o seu bebé, de forma a que ele reconheça a sua voz e as músicas que o vão embalar mais tarde.
Quais os benefícios da música para o desenvolvimento da criança?
Diversos cientistas, investigadores, neurologistas e psicólogos têm-se debruçado sobre o papel da música no desenvolvimento da criança a vários níveis.

Desenvolvimento Cognitivo

Inúmeras pesquisas, desenvolvidas em diferentes países e em diferentes épocas, particularmente nas décadas finais do século XX, confirmam que a influência da música no desenvolvimento da criança é incontestável. Algumas delas demonstraram que o bebé, ainda no útero materno, desenvolve reacções a estímulos sonoros.
Diversos estudos demonstram que existe uma forte correlação entre a aprendizagem da  música e o desempenho académico. Tocar um instrumento, ter aulas de música ou ainda apreciar de forma activa a música, potencia a aprendizagem cognitiva, particularmente no campo do raciocínio lógico, da memória, do espaço e do raciocínio abstrato. Ao nível cerebral e do desenvolvimento neurológico, as recentes investigações sugerem que a música expande os canais neuronais e potencia a ligação entre os dois hemisférios cerebrais.

Ler também A Importância da Música na Aprendizagem de uma Língua 

Desenvolvimento Sócio-Emocional
Pesquisas comprovam algo que muitos pais e educadores já imaginavam: os bebés tendem a permanecer mais calmos quando expostos a uma melodia serena e, dependendo da aceleração do andamento da música, ficam mais alertas.
Quando a criança estuda música em conjunto, torna-se mais comunicativa e convive com regras de socialização. A criança aprende a respeitar o tempo e a vontade do próximo; a criticar de forma construtiva; a ter disciplina; a ouvir e interagir com o grupo.
É através do repertório musical que a criança se inicia como membro de determinado grupo social, desenvolvendo a sua identidade cultural e o sentido das regras e valores da sua sociedade em que se insere.

Desenvolvimento Motor
Através do movimento e da dança ao som da música, assim como através da aprendizagem de um instrumento musical, a criança desenvolve a sua motricidade grossa e fina, respectivamente.
Em suma, a Música tem um papel fundamental na vida do Homem e, mais especificamente, no desenvolvimento da criança.
Incentive o gosto pela música, oiça boa música com o seu filho e tudo isto desde muito cedo, de forma informal e descontraída.
No sentido de beneficiar mais profundamente da música, em vários níveis de desenvolvimento, aconselha-se a aprendizagem mais formal da música, através de aulas e estudo de um ou vários instrumentos musicais.

Termino com uma citação de Aristótles “A música torna os corações dos homens felizes: então, e apenas com base nisso, poderíamos assumir que os mais novos deveriam ser treinados para isso.”
Sara Gonçalves, Psicóloga – Oficina de Psicologia,
para Up To Lisbon Kids®

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Não são raras as vezes em que os pais oferecem alimentos, maioritariamente, doces e fast-food, como recompensa por algo que o filho fez. Se se porta bem, pode comer sobremesa, se tira boa nota pode ir comer um hamburger… Que efeitos têm estas atitudes a médio e longo prazo na vida da criança?

A alimentação tem um papel central na vida emocional das pessoas em termos de como gerem as emoções e como a comida é moderada pelo seu estado emocional. Os alimentos são codificados com significados (ex.: prazer, culpa, satisfação, aborrecimento etc.), que são aprendidos desde a infância através de processos de recompensas e associações e fornecem-nos um rico conjunto de crenças sobre a comida. Da mesma forma, tentando controlar a ingestão da nossa própria comida ou a de terceiros, estamos a atribuir significados a alguns alimentos.

Assim se compreende a importância das atitudes parentais em relação à alimentação dos filhos. Para além de determinarem a forma como se relacionam com a comida, também são importantes para o processo de aprendizagem social e emocional da criança.
Algumas investigações têm estudado o efeito das recompensas no comportamento alimentar, como por exemplo: “Se comeres os vegetais eu vou ficar satisfeito contigo”, chegando à conclusão que recompensar o comportamento alimentar parece melhorar preferências alimentares das crianças.
Por outo lado, outra investigação explorou o impacto de usar a comida como recompensa, em que o acesso ao alimento é contingente a outro comportamento, por exemplo: “Se te portares bem, podes comer um chocolate.”. Os resultados sugeriram que usar a comida como recompensa aumenta a preferência por esse alimento, podendo ter um efeito negativo nos hábitos alimentares da criança. Deste modo, as associações recompensatórias ou punitivas que envolvam comida podem fazer com que a criança estabeleça uma relação disfuncional com os alimentos. Por exemplo, poderão, sem se aperceberem, usar a comida como meio de regular as suas emoções e, muitas vezes poderão comer porque interpretam os sinais internos de necessidades emocionais como fome. Quando o seu filho está triste, aborrecido ou ansioso costuma querer comer alimentos calóricos? Fique atento e se a resposta for afirmativa, procure ajuda profissional.
Então o que fazer se o seu filho já estiver habituado ao uso dos alimentos como recompensa?
1 – Pense nos motivos pelos quais o faz. Não haverá outras formas de mostrar apreço pelo comportamento positivo do seu filho?
2 – Crie formas de substituir a comida por outros reforços. Dar atenção especial à criança, encorajamento e elogios são as recompensas mais gratificantes a curto e a longo prazo, estreitam as relações familiares e não custam dinheiro! Pode dar um elogio verbal, dar beijos e abraços, dar-lhe uns minutinhos extra de brincadeira, fazer um jogo juntos, deixá-lo ir para a cama 15 minutos mais tarde, levá-lo a um sítio que ele goste, deixá-lo ir brincar a casa de um amigo, etc…

Por Raquel Carvalho, Psicóloga Clínica – Mestrado Integrado em Psicologia (FPCE-UC) Equipa Mindkiddo – Oficina de Psicologia, para Up To Lisbon Kids®

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