A timidez nas crianças

Encontramos muitos pais que se questionam e preocupam com a timidez dos seus filhos. Dizem que os filhos não conseguem olhar nos olhos, que qualquer palavra só tirada a ferros. Que estão muito metidos consigo próprios. Que não conseguem falar com estranhos, nem mesmo num café para simplesmente pedirem a sua torrada… Um conjunto infindável de pequenas grandes coisas que vão condicionando a vida dessas crianças e preocupando os seus pais.

O que afinal a timidez?

A timidez pode ser definida como um desconforto ou inibição em situações de interação pessoal, que interferem na concretização de objetivos pessoais, profissionais ou sociais.

Pode comprometer de forma significativa a realização pessoal. Constitui-se num fator de empobrecimento da qualidade de vida, mas, por si mesma, não é considerada como uma perturbação.

Passa a ser problemática quando inviabiliza o normal funcionamento da pessoa, das suas atividades, compromete relações pessoais e diminui a qualidade de vida.

O que está na base da timidez é que pode ser problemático ou indiciar questões que precisam ser resolvidas, nomeadamente:

  • Medo de falar;
  • Medo do desconhecido;
  • Falta de autoestima;
  • Dificuldade em fazer e manter amizades;
  • Dificuldade nos relacionamentos sociais;
  • Ou qualquer situação traumática que pode não ser consciente….

Num grau moderado, todos os seres humanos são, em algum momento de suas vidas, afetados pela timidez. Esta funciona como uma espécie de regulador social, inibidor dos excessos. A timidez funciona também como um mecanismo de defesa que permite à pessoa avaliar situações novas através de uma atitude de cautela e buscar a resposta adequada para a situação.

Fisiologicamente parece estar ligada à amígdala (responsável pelas emoções ligadas ao medo e à ansiedade) e ao hipocampo que fazem com que as pessoas se sintam constantemente ameaçadas e de forma mais intensa do que outras pessoas com um nível de atividade regular destas zonas cerebrais.

É muito importante que os pais procurem ajuda no momento em que reconhecem que esta característica já está a comprometer a qualidade de vida dos filhos.

E mais importante ainda é que diariamente incentivem as crianças a vencer esse medo e a entrar em relação.

Seja com os senhores do supermercado, seja com os do café que a família frequenta, tudo são boas ocasiões para lhes pedir que paguem a conta, peçam a fruta, etc. Que desmistifiquem esse movimento de se dirigirem aos outros, para que seguidamente possam ir estando mais preparados para o fazer com os colegas da escola e com os professores.

Uma criança excessivamente tímida vai ficar bloqueada nas suas competências de relacionamento interpessoal. Isso vai ser prejudicial ao seu desenvolvimento.

Precisamos de os apoiar e ensinar como fizemos para eles começaram a andar ou a falar. Isto para que não fiquem isolados e sem vida social. Convidar amigos para programas de fim de tarde ou fim-de-semana, conhecer os pais dos seus amigos de escola, providenciar atividades “sociais” para as nossas crianças é tão importante como tudo o resto. É nessa interação “supervisionada” que muitas vezes encontramos as palavras certas. Os conselhos sábios e a intervenção imediata correta para ir ensinando os nossos pequenos como é este mundo das relações!

Nem sempre nascemos com essa competência inata…

image@kidoz.in

Socorro, a mãe está doente. E agora?

“O cancro não passa despercebido. É muito importante ir preparando as crianças para as várias etapas, desde a quimioterapia, à perda de cabelo e à cirurgia.”

O diagnóstico de cancro chegou depois de umas longas semanas de angústia no corre corre de exames e mais exames para finalmente receber o pior dos diagnósticos! E agora? Porquê eu? O que é que eu fiz de errado para merecer isto?

São muitas das perguntas que passam pela cabeça desta mãe que ainda está atordoada com a notícia! Logo depois vem a grande
preocupação com a família… Como é que eu vou contar aos meus filhos? Quem é que vai garantir a organização da casa e das suas vidas?

Socorro, a mãe está doente. E agora?

Triste, nervosa e cheia de medo, conversamos sobre a melhor forma de falar com os filhos, que entretanto já começavam a intuir que algo de errado se poderia estar a passar e começavam a dar sinais de algum nervosismo e mal-estar. As crianças precisam sempre de saber a verdade, que lhes deve ser contada de acordo com as suas idades, sem rodeios, mas com otimismo e força positiva.

Como é que eu vou falar como os meus filhos sem desabar a chorar em frente a eles?

Será que os pais não podem chorar em frente aos filhos?

Claro que podem… Nem seria natural que fosse de outra maneira. Quando perdemos alguém choramos em frente dos nossos filhos, quando estamos fracos ou doentes também choramos em frente aos nossos filhos, quando nos despedimos deles também choramos e em mais um cem número de situações choramos! Chorar não faz dos pais, seres fracos, nos quais os filhos
não se possam apoiar quando tudo está mais negro, chorar não implica não dar esperança…

Pelo contrário, chorar faz de nós pais, seres humanos com sentimentos e com capacidade de aceder às suas emoções. Com a normalização do sentir os pais também ensinam os filhos que podem chorar, que podem angustiar-se e não desabar! Que o dia seguinte acorda sempre mais sereno e com forças para podermos continuar…

É fundamental que os pais numa situação de doença conversem com os seus filhos, chorem com eles, mas no dia seguinte mostrem-se capazes de levantar a cabeça e continuar a lutar.

A possibilidade de perder a mãe

Para uma criança a possibilidade de perda da mãe é algo que marca profundamente. Mas que não melhora por ser deixada à parte dessa etapa dramática e dura que a família está a viver. Talvez vão amadurecer mais rápido, talvez se sintam tensos e com excesso de responsabilidade. Talvez precisem de se sentir úteis, talvez vivam angustiados. Mas nestes momentos os pais não os podem libertar de nada disso.

Por mais que queiram os filhos vão sentir, vão mudar e vão ser parte integrante da doença. Proteger os filhos nestes casos é permitir que eles participem de acordo com as suas idades. É manter a casa calma e organizada, com a ajuda de todas as pessoas que for necessário envolver. E as crianças saberem sempre quem vai garantir o seu dia-a-dia, as suas deslocações para a escola e para as atividades; É continuarem a viver um ambiente calmo e organizado; É saberem que podem colocar todas as questões, dúvidas e angustias aos pais.

A importancia do pai

Nesta situação o pai é fundamental porque talvez a mãe não esteja com tantas condições para acolher as dúvidas dos filhos e o pai
poderá ser uma peça chave nesse processo. E agarrarem-se de mão dada à esperança que tem que permanecer de “pedra e cal” com mais força do que em qualquer outro momento…

As explicações devem ser claras, objetivas mas não precisam de ser muito detalhadas, sobretudo se estivermos a falar de crianças mais pequenas. O cancro não passa despercebido. É muito importante ir preparando as crianças para as várias etapas, desde a quimioterapia, à perda de cabelo e à cirurgia.

É preciso que as crianças saibam antecipadamente, mas sem dramas, o que é que vai acontecer, sobretudo como é que a mãe vai estar. O cansaço, os enjoos, os vómitos, as diarreias… para que possam integrar que todos aqueles sintomas fazem
parte do processo e não fiquem constantemente na incerteza do que está a acontecer à sua mãe. Quando uma criança imagina, tudo é sempre mais terrível, dramático e traumatizante, do que quando sabe em primeira mão e de forma adequada à sua idade.

Falar com os filhos é fundamental em qualquer família, mas quando se trata de uma doença grave não é fundamental é imprescindível!!

Síndrome do ninho vazio

O Síndrome do ninho vazio é uma condição que se caracteriza pelo aparecimento de quadros depressivos, sobretudo nas mães, com a saída dos filhos de casa. É um momento de adaptação e transição que afeta todas as famílias. Em algumas mulheres faz despoletar emoções de tristeza e vazio, pelo sentimento de perda da função de mãe na vida dos filhos.

Os filhos consomem ao logo dos anos tantas horas de trabalho e de reflexão que, sobretudo as mulheres, ficam vazias depois da sua saída e é preciso reinventar novas formas de se sentirem mães.

Na verdade precisam de construir um novo formato de maternidade que já não passa por todas as grandes e pequenas, boas e más situações do quotidiano! Sim porque ter os filhos em casa por vezes também é cansativo e exasperante…

Já não passa pelos gritos, o vai estudar ou o por favor arruma o teu quarto…

Para alguns parece que parte de nós se perde com a vossa saída e é preciso reconstruir a vida e a identidade. Como se a nossa identidade estivesse colada à maternidade!?

Mas é verdade que isso acontece muitas vezes e que nem sempre os casais mantêm uma base sólida que lhes permite usufruir com alegria dessa nova etapa da vida e fica um vazio difícil de explicar e sobretudo, ainda mais difícil de sentir!

A força das relações construídas perde-se com o tempo e a distância?

Será que conseguimos ao longo de todos os anos, construir relações suficientemente fortes, próximas e vinculadas que consigam resistir à inevitável distancia que a saída dos filhos exige?

Sim porque a saída dos filhos implica sempre alguma distância para que possam realmente construir as suas vidas e as suas famílias. É muito importante que tenham tempo e espaço para se construírem como adultos que vivem fora das “saias dos pais”. Mais importante ainda é que os pais respeitam esse afastamento, que não é um afastamento no Amor!

É preciso arranjar novas formas e estar na vossa vida, sem nunca vos impedir de voar. Por vezes é difícil estar e não estar ao mesmo tempo. Estar, participar, ser presente, mas não invadir ou intrometer. É uma linha difícil que exige muita maturidade e bom senso e que nem sempre é fácil de definir para os pais…

É importante que os filhos, com amor, também possam ir mostrando essa linha. Para que pouco a pouco todos se possam ir adaptando a essa nova realidade, com a alegria que ver-vos crescer deixa no coração de quaisquer pais.

Desejamos os períodos de férias onde estamos todos juntos, os jantares de família e todos os outros momentos em que os nossos filhos feitos homens e mulheres são um bocadinho nossos novamente… No final damos por nós discretamente a respirar fundo porque já não estamos habituados a tanta confusão…

Acima de tudo é preciso acreditar que o vínculo é forte e duradouro. Para que cada um de vocês, filhos adultos, possa voar sem medo e os pais possam ficar sem medo de vos perder….

Photo by Sam Wheeler on Unsplash

Resistir à tempestade é não desistir de ser Feliz…. É criar instantes de vida que valham por si mesmos.

Vivemos num mundo moderno, em pleno século XXI, onde as exigências são enormes….

As mulheres com todas as suas conquistas, passaram a trabalhar fora de casa, sim porque antes também trabalhavam muito, mas dentro de casa, onde infelizmente não eram vistas nem apreciadas. Passaram a ter voz ativa, uma palavra a dizer, mas não deixaram de estar um pouco sozinhas da gestão doméstica e educação dos filhos. Alguns homens, justiça seja feita, adapataram-se e aprenderam não só a partilhar como a responsabilizarem-se pela dinâmica familiar, outros nem tanto…

As crianças estão mais sozinhas, com menos apoio familiar e em dinâmicas sociais vazias, num culto de imagem que torna as relações mais líquidas e quase sem vínculo…

Ensinamos desde pequenos que a vida é dificil e que a carreira se começa a desenvolver desde o nascimento, com um conjunto infindável de atividades extra-curriculares que pensamos serem úteis no seu desenvolvimento, mas que na verdade as impede de brincar e de serem simplesmente crianças.

A ansiedade e a depressão

A ansiedade e a depressão são as novas doenças do século, que avassalam todos sem dó nem piedade e cada vez mais as pessoas estão desesperadas, sem saber que caminho seguir. Na generalidade não compreendem a razão de estarem assim, mas sentem-se incapacitadas para prosseguir como antes. Não identificaram os sintomas que com certeza já iam aparecendo e quando finalmente não conseguem mais ignorar, porque o mal-estar é permanente e parece comandar as suas vidas, já não podem passar sem medicação. Infelizmente isto é verdade também nas crianças e jovens, que cada vez mais sofrem de distúrbios de ansiedade, que lhes retiram qualidade de vida.

Sofremos cada vez mais de hiperatividade mental! Sobrecarregamos o nosso pequeno computador, como se ele não se desgastasse e cansasse de tanto pensamento, tantos afazeres, tantas listas que inundam a nossa cabeça e não nos deixam dormir! Precisamos fazer tudo em tempo útil, estar em todo o lado, cumprir com as obrigações familiares e profissionais e ainda assim ter tempo para amar e ser feliz!

Parece que tem sido impossível completar essa tarefa que a vida moderna nos impõe. O custo tem sido a tristeza das nossas crianças, a nossa tristeza e todos os distúrbios e patologias que temos vindo a desenvolver.

O mar que em tempos beneficiava de períodos de tranquilidade, hoje está repleto de ondas ininterruptas, que batem com força na areia e por vezes fazem buracos complicados de tapar ou disfarçar. O mar está claramente bravo e difícil de navegar….

“A nossa mente é como a água, quando está calma e em paz, pode refletir a beleza no mundo. Quando está agitada, pode ter o paraíso em frente e não o reflete!”  – David Fischman

O que é que cada um de nós pode então fazer para resitir a esta tempestade?

Diria que antes de mais precisamos todos de Respirar!

Precisamos de sair do alheamento que a hiperatvidade nos confere para vivermos mais inteiros, mais conscientes, mais presentes em nós e nos outros. Precisamos criar tempo e espaço para simplesmente parar e Respirar!

Por parar não nos estamos a referir a meditações complexas logo pela manhã. Sabemos que existe um conjunto infindável de tarefas para completar antes de podermos sair de casa. Não! Basta acordar 15 minutos antes da hora fulcral, para poder executar todas as tarefas com calma e de forma consciente. Porque não tirar uns minutos para nós próprios para começar o dia respirando o seu dia, sem pensar… Praticar esse estado de presença consciente ou mindfulness, não é nada que requeira muito do seu tempo e muito menos da sua cabeça!

É um estado que possibilita a nossa autoregulação. Viver no momento presente e aliviar o excesso de energia na zona da cabeça, a hiperatividade mental, preocupação e confusão que nos esgota e nos obriga a ligar o piloto automático na execução das tarefas quotidianas, anulando a possibilidade de estarmos atentos e conscientes.

Quando vivemos com o piloto automático ligado é como se vivêssemos na estratosfera! Viver na estratosfera é o contrário do que o mundo exige de nós e todas as nossas tarefas ficam dificultadas.

Precisamos de Caminhar e sentir os nossos pés no chão! Precisamos de nos enraizar na vida, no aqui e no agora, na nossa capacidade de acção e concretização… Precisamos de nos apropriar do nosso corpo e do nosso sentir. Caminhar possibilita não só a nossa autoregulação como o nosso enraizamento. Quando estamos ligados à terra estamos centrados e conectados a receber e escoar a energia do nosso corpo. Esse porcesso dá-nos a segurança e a base para que possamos experimentar a vida sem medo e em plenitude.

Estar vivo não é um acaso inútil ou um lanche grátis, que nem nos soube assim tão bem! Estar vivo é uma responsabilidade para connosco, com os outros, com a nossa felicidade e o nosso caminho! Dizem que felicidade é um instante de vida que vale por si mesmo… Vamos produzir mais instantes aos quais possamos chamar de Felicidade!

Resistir à tempestade é não embarcar na loucura que são as exigências da vida moderna. É criar espaços para Parar, Respirar e Conectarmos com nós próprios no dia-a-dia agitado do século XXI.

Resistir à tempestade é não desistir de ser Feliz…. É criar instantes de vida que valham por si mesmos.

O corpo contém a história de cada indivíduo e é por meio dele que devemos procurar resgatar as emoções mais profundas, como se fosse uma viagem na qual podemos desvendar alguns mistérios, aos quais a mente sozinha não tem como aceder. A proposta é possibilitar, através do contacto com o corpo enquanto organismo vivo e expressivo, revivências de carácter emocional e afectivo, acompanhadas de uma tomada de consciência capaz de dar suporte à reorganização do vivido.

A viagem através dos nossos 7 centros energéticos vitais.

Acredito que a saúde e o bem-estar do indivíduo dependem do fluir da energia em todas as dimensões que compõe o ser-humano. O funcionamento dos chakras está diretamente relacionado com o estado psíquico da pessoa, originando bloqueios e conflitos que alteram o seu funcionamento e comprometem o fluxo energético, determinando o estado da nossa saúde.

O corpo humano encontra-se dividido em três grandes áreas:

  • A área inferior (dos pés até a cintura)
    Que está relacionada com os processos de absorção, eliminação e nutrição e da qual fazem parte o chakra da Raiz e do Hara.
  • A área central (do umbigo até abaixo do coração)
    Que corresponde ao chakra do Plexo Solar e relaciona-se com os aspectos de transmutação, metabolização e distribuição de energia.
  • A área superior (do coração até o topo da cabeça)
    Que envolve os chakras do Coração, Garganta, Terceiro Olho e Coroa, com um movimento energético para cima e que se relaciona com a componente espiritual e com os estados progressivos de consciência.

Os 7 Chakras

Arquetipicamente cada um dos chakras representa também uma das forças elementares da vida, numa interpretação simbólica da função energética de cada um destes centros: Terra, água, fogo, ar, som, luz e pensamento. Psicologicamente também correspondem a áreas fundamentais da nossa vida, tais como: sobrevivência, sexo, poder, amor, comunicação, imaginação e espiritualidade e o seu fluxo determina algumas funções psicológicas.

  • O primeiro centro, o chakra da Raiz, tem como função primária enraizar, no sentido de um compromisso com o corpo e um dese­jo de sobrevivência. A Raiz tem como qualidade principal o Grounding, que representa a nossa capacidade de contacto com a nossa realidade interna e externa, é as nossas competências de sustentação, assertividade e concretização. Representa assim uma espécie de compromisso com o corpo e um desejo de sobrevivência que se liga à energia da terra.

A pergunta básica deste chakra é então, “onde estão as minhas fontes de força?”, onde é que vou buscar o que me alimenta, me protege e me permite viver em bem-estar físico e emocional.

  • O segundo chakra é o Hara, cuja qualidade é a Serenidade. Ao contrário da Raiz que nos ensina a formar a nossa base e o centro da nossa atenção está no Eu, o Hara compreende já a mudança do Eu para o Outro, da singularidade para a dualidade e permite-nos descobrir o reino dos sentimentos e dos desejos. Este centro tem como função primária a carga ou emoção. Este centro está intimamente ligado ao umbigo e à sensação de contacto via conexão com o cordão umbilical. Na infância é o centro do bem-estar, sustentado por experiências agradáveis no seio. Duran­te e após a adolescência relaciona-se com a sexualidade. Ao longo do desenvolvimento, a líbido passa então da boca para os genitais.

A questão chave que se coloca para trabalhar este centro é “Quem sou eu e como uso a minha força?”.

  • O Chakra do Plexo está relacionado com o Poder pessoal, Vontade e Vitalidade. Liga-se à nossa parte emocional e à nossa capacidade de lidar com os conflitos.

Este centro reflete a nossa parte emocional, a nossa personalidade, o nosso Ego e tem como função mais profunda a transmutação da energia para que ocorra transformação. Os bloqueios a este nível dificultam a transmutação e a passagem do fluxo energético da parte inferior do corpo, para a parte superior, o que gera uma separação no organismo, perfeitamente visível em alguns corpos. É o centro do poder, de ser capaz e de adquirir o nosso “direito de agir”. São as questões dos vínculos, fronteiras, limites e autoconfiança.

A questão central deste chakra é “Como reconhecer fronteiras, como lidar com o conflito construtivamente?”.

  • O quarto Chakra, tem como qualidade a Alegria, a celebração da vida e a função essencial é a compaixão. O Coração é o centro da união com o próximo, com a vida e com o mundo. Relaciona-se com a compaixão, a habilidade de amar profundamente e de formar relacionamentos. Quando este chakra está em desequilíbrio, o peito parece contraído, a respiração profunda e difícil e verifica-se uma tendência à depressão. Nestas circunstâncias, a pessoa pode ter a tendência de se isolar, ter medo dos relacionamentos interpessoais e sofrer com falta de amor-próprio.

Para trabalhar o Chakra Cardíaco, a questão que se coloca é “Como melhorar as minhas qualidades de contacto?”.

  • Chakra da Garganta tem como qualidade a Expressão, a Comunicação e a Partilha. O elemento deste chakra é o som. A garganta como canal de expressão está ligada à forma como estamos ligados ao coração, expressamos os nossos sentimentos, a nossa perceção e a nossa criatividade. Os bloqueios deste centro por excesso de energia, são característicos de pessoas que falam muito mas dizem muito pouco. É como se descarregassem a energia em excesso através da verborreia, porque a garganta, as mãos e os pés são os lugares do corpo através dos quais podemos descarregar energia e libertar tensões. Por outro lado, uma deficiência energética é visível em pessoas que apresentam dificuldades na comunicação. Garganta apertada, ombros tensos e voz sem ritmo.
  • O Terceiro Olho tem como qualidade a Clareza Mental. O centro da Fronte ou Terceiro Olho relaciona-se com a perceção visual, psíquica e intuitiva – olhar para fora e ver por dentro. Está assim relacionado com a nossa clarividência, que é a capacidade de ver claramente, não com os olhos mas com todo o nosso sistema de perceção intuitiva, que nos leva para lá do tempo e do espaço.

A pergunta associada a este chakra é “Para onde vou, como concretizar os meus sonhos?”.

  • Por fim o Chakra da Coroa, cuja qualidade é a Espiritualidade e Transcendência. O centro da Coroa é o canal de comunicação com o cosmo. Relaciona-se com o pensamento, a consciência, a informação e a inteligência. Está ligado ao nosso modo de pensar, ao nosso sistema de crenças e à ligação ao superior, numa abertura para algo maior do que o ser, onde se dá a integração de todas as nossas qualidades.

As distorções/perturbações deste chakra são o excesso de pensamento, como no caso das pessoas que estão sempre na cabeça ou no inverso, a incapacidade de pensarem por si próprias, radicalismo e sistemas de crenças fechados.

Este chakra corresponde ao “direito de saber”, que inclui não só o direito à informação, à verdade, à educação e ao conhecimento como ao direito espiritual de nos conectarmos com o divino, seja qual for a nossa conceção espiritual.

A pergunta associada a este Chakra é “Quais os meus valores e como comportar-me eticamente?”

Experimente esta viagem e descubra-se a si próprio…..

Chegou tímido, receoso e a tentar disfarçar a tristeza que estava estampada no olhar. Olhava para baixo e tinha dificuldade com as palavras!

As palavras são difíceis e procura mais contacto e menos conversa. Para falar precisava de entrar dentro de si e expressar um pouco do que sentia. Era mais fácil viver “fingindo” e disfarçando a tristeza, a ansiedade e a insegurança.

No início não me apercebi logo das suas necessidades e fui conduzindo as nossas consultas com dificuldade. Não queria conversar, desenhar, pintar ou qualquer outra atividade…

Com o tempo descobrimos o monopólio e tudo ficou mais fácil. Enquanto jogávamos foi possível falar um pouco sobre as suas dificuldades, a sua ansiedade, os seus medos, mas também sobre a sua valentia e persistência, que o fazem não desistir de tentar ser feliz.

Fomos inventando formas de estar em relação…

Foi no vínculo que finalmente pode expressar as suas necessidades e no corpo que encontramos um caminho para as satisfazer.

Foi no toque, no contato, no abraço que pode refazer etapas importantes do seu desenvolvimento…

A nossa identidade, segurança e sustentação provêm do toque, dessa experiência de contato que nos nutre física e emocionalmente. Por vezes esse contato é pouco nutritivo, ou as nossas necessidades são reprimidas antes da nossa oralidade estar satisfeita, e ficamos parados ou congelados nessa etapa. Ficamos com zonas cinzentas que precisam ser revividas de forma positiva para devagarinho se irem tornando menos cinzentas, como se reconquistássemos direitos associados a cada uma das etapas do desenvolvimento.

Esses bloqueios no nosso desenvolvimento condicionam a nossa energia interna, a nossa constituição física e o nosso caráter.

As duas primeiras fases do desenvolvimento dizem respeito à dependência relativamente aos pais e as outras duas, ao movimento em direção à independência relativamente a eles.

O contacto físico é fundamental nessas primeiras duas etapas, nas quais as crianças atingem o seu estado de ser e de bem-estar através do contacto e do toque dos seus cuidadores. A criança precisa de vinculação e sustentação para se sentir nutrida em termos físicos e emocionais.

Como providenciar e ir ao encontro destas necessidades em contexto terapêutico?

Parece difícil, improprio ou simplesmente estranho “dar colo”, tocar, abraçar, mas a verdade é que tudo se encaminhou de forma natural, espontânea e nutritiva.

Começamos a sessão sempre com massagens e pouco a pouco vai-se esgueirando para o meu colo, aninha-se e fala à bebé. Ficamos maioritariamente em silêncio e quem trabalha é o meu corpo, o meu calor e o meu acolhimento.

Apesar dos seus 12 anos é um bebé que está ao meu colo e que precisa do meu corpo para satisfazer a sua oralidade, para se poder sentir seguro e amado e poder caminhar em direção à independência que será seguramente uma etapa de grandes conquistas para si.

Para já precisamos cuidar do bebé que ainda precisa de colo, para que nesse calor construa a sua segurança e possa finalmente deixar de fugir dos outros, das situações, da vida…

imagem@e-how.com

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É frequente ouvirmos o quanto as crianças de hoje são diferentes das crianças de há uma ou duas décadas atrás e como tem sido difícil adaptar relações, educações e o próprio sistema de ensino, que se mostra cada vez mais desadequado aos interesses e vontades desta nova geração. Na verdade, se educar já era por si só um grande desafio, com todas as alterações desta geração que nasce de olhos abertos e pronta para a vida, tornou-se uma tarefa especialmente delicada.

São realmente muitas as mudanças que esta geração do novo século apresenta. Embora por vezes seja difícil para as famílias compreenderem esta nova forma de se ser criança e jovem, diria que em muitas coisas mudaram para melhor. Maior consciência de si próprios, maior liberdade de ação e menos preconceitos! Que bom, que esta geração nos trouxe essa maravilhosa capacidade de aceitação da diferença, que reflete sempre uma maior possibilidade de aceitação de nós próprios. Este seria um passo gigante para a felicidade do ser-humano, se não tivesse sido acompanhada pelo desenvolvimento de um novo tipo de relacionamentos, infelizmente bem menos saudável e por uma compreensão distorcida do que realmente é liberdade.

O mundo virtual alterou por completo a forma como as pessoas se relacionam e atualmente estamos a assistir a uma espécie de “solidão acompanhada”. Os pais estão pouco em casa, as famílias alargadas são cada vez mais uma raridade, as crianças já não brincam na rua e acabam fechadas em quatro paredes à espera que alguém chegue a casa e lhes dê alguma atenção. Sem tempo, cansadas e sem paciência as famílias acabam por incentivar os ipads, as playstations e as redes sociais porque assim também têm algum sossego. Na verdade não há tempo nem disponibilidade para estar em relação.

O que são as “Relações líquidas”?

Nesta conjuntura assistimos cada vez mais ao desenvolvimento de “relações líquidas”, nas quais a confiança, a intimidade, a presença e o olho no olho, escorrem por entre os dedos das mãos e não permitem que se solidifiquem as relações.

Comprometemos o vínculo na união entre as pessoas e sem vínculo desenvolvemos relações frias, distantes, mais robotizadas e bem menos sentidas. Estamos mais permeáveis à imagem e aos “likes”, numa superficialização das relações que não pode ser reconfortante para ninguém. Vivem na ilusão de estarem acompanhados, sempre no burburinho e corre corre das redes sociais, mas na verdade sentem-se muito sozinhos.

Nesta solidão social e familiar, facilmente percebemos a razão da tristeza, abatimento, falta de energia, falta de motivação e depressão que avassala a vida de muitas crianças e jovens.

Esta semana numa consulta de acompanhamento familiar uma jovem dizia exatamente isso à sua mãe: “Não percebes porque é que eu estou sempre no telemóvel? Eu sinto-me sozinha, muito sozinha! Não compreendes a minha agressividade?! Nós nem conseguimos jantar em família a horas decentes, mas consegues ter tempo para me chatear constantemente com a arrumação do quarto e com as notas dos testes. Imagina então que eu sou como uma mesa. Quanto mais forte lhe bates mais te dói a tua própria mão… Se lhe bateres devagar a tua mão não te vai doer!

A verdade é que as redes sociais, a internet e os jogos de computador têm sido os verdadeiros refúgios desta geração, que se sente acima de tudo sozinha… As redes sociais permitem-lhes manter algum contacto com o mundo e com as pessoas, ainda que virtual, mas distorcem a noção de relacionamento interpessoal e aumentam o medo e a ansiedade das relações próximas, intimas, verdadeiras…

Como dizia Fernando Pessoa no seu poema Solidão – “sinto-me livre mas triste, vou livre para onde vou, mas onde vou nada existe”!

Não, não vamos voltar atrás no tempo, mas por favor vamos cuidar das nossas relações!

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“A mente que se abre a uma nova ideia, jamais voltará ao seu tamanho original” – Albert Einstein

Atualmente existe mais consciência das perturbações que afetam crianças e adolescentes, o que nos permite identificar e intervir precocemente, mas também infelizmente sobrediagnosticar e agir depressa demais. Vivemos numa cultura do imediato! Pais, profissionais e escolas precisam de resolver as situações para ontem.

Já ninguém aguenta a frustração, a incerteza, o andar passo a passo e por vezes precipitamos diagnósticos que ficam como “rótulos” para a vida e que trazem poucos benefícios a quem carrega com o peso desse fardo. É neste caminho de procura de diagnósticos e intervenções rápidas que muitas crianças se vêm medicadas em função de sintomas que nem sempre falam sobre o que se passa verdadeiramente.

Aditi Shankardass, Neurocientista, defende que muitas perturbações do desenvolvimento e da aprendizagem estão insuficientemente ou erradamente diagnosticadas, com base exclusivamente numa perspetiva comportamental e é pioneira na utilização da tecnologia de EEG (permite observar o funcionamento do cérebro) no diagnóstico correto de perturbações que estão relacionados com alterações no funcionamento do cérebro.

Sabemos que muitas vezes a base não está nesses transtornos do funcionamento do cérebro, mas em questões sociais, culturais e emocionais que foram pano de fundo das alterações neurofisiológicas e de maturação de determinadas áreas cerebrais. Precisamos olhar/avaliar o seu funcionamento para não precipitarmos “sentenças” e tratamentos que podem não ser os mais indicados.

É sem dúvida o caso da Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção, que tem vindo a ser excessivamente diagnosticada, com base apenas na observação ou relato comportamental, mesmo sabendo-se que um diagnóstico correto implica que exista uma alteração no funcionamento da Dopamina e/ou da Noradrenalina na área pré-frontal do cérebro. À pergunta, como é que o seu filho foi diagnosticado, a resposta é invariavelmente, pelo comportamento. Insuficiente!

Era preciso encontrar algo que nos permitisse com eficiência observar os parâmetros alterados nestes diagnósticos e intervir de forma diferenciada.

É cada vez mais urgente trabalhar em parceria, de forma multidisciplinar, com mais olhos, ouvidos e várias especialidades, para podermos abarcar a infinidade de situações de cariz físico, emocional, social e cultural que apresentam.

Na consulta de Desenvolvimento e Aprendizagem conjugamos duas especialidades terapêuticas: a Medicina Quântica (Sistema de Biofeedback e Neurofeedback) e a Psicoterapia Corporal. É uma conjugação moderna e eficiente onde a área tecnológica e científica se junta à Psicologia, exponenciando o sucesso clínico na resolução destas problemáticas.

A tecnologia da Medicina Quântica (Sistema de Biofeedback e Neurofeedback) é uma tecnologia inovadora, que trabalha através de frequências eletromagnéticas, que permitem a avaliação e estimulação de órgãos, glândulas, ondas cerebrais, hormonas e neurotransmissores, entre outros, cujas alterações estão na base dos sintomas e patologias apresentadas. Permite observar as alterações que corroboram determinados diagnósticos, bem como atuar diretamente nas dissonâncias que apresentam.

Na Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção existe uma irregularidade nos níveis de atividade de ondas cerebrais alfa, beta, teta, ou delta, entre outras, presentes no EEG. Verifica-se uma presença aumentada das oscilações de lenta frequência (teta) e a presença diminuída das oscilações de rápida frequência (beta). Um dos tratamentos mais utilizados e investigados neste campo consiste em aumentar a produção da atividade beta (16-20Hz) e suprimir a produção de atividade das frequências teta (4-8Hz). Já existem estudos que comprovam que a terapia por biofeedback/neurofeedback pode provocar o efeito estimulante que o corpo precisa, em alternativa à medicação química (ritalina, concerta ou rubifen), capaz de minorar os sintomas que intervêm negativamente no desenvolvimento e aprendizagem.

A terapia quântica permite não só a estimulação frequêncial necessária, avaliando e impulsionando a atividade cerebral, bem como a análise e tratamento de sintomas complementares, que muitas vezes estão associados aos transtornos apresentados.

Por Ana Galhardo Simões / Margarida Garcia

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Eu sou mais que o meu diagnóstico

Estratégias para pais e professores de crianças com perturbação de hiperactividade e défice de atenção

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo e esquecer os velhos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia. Se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” – Fernando Pessoa

“Regredir para Progredir” é uma frase frequente com quase todos os pacientes, que no inicio da terapia se queixam de estar a piorar…. Quando investigamos o significado deste “estar a piorar” rapidamente percebemos que falam sobre estar mais em contacto com os seus sentimentos, histórias, tristezas, caminhos….  Falam sobre a possibilidade de começar a navegar no seu corpo, trazendo à consciência novos dados, factos e sentimentos que estavam soterrados por diferentes mecanismos de defesa, que abafam a dor mas também a alegria e o prazer de viver.

Mergulhar neste processo de desenvolvimento pessoal e auto-conhecimento, passa muitas vezes por inicialmente nos sentirmos mais fracos, mais vulneráveis, mais tristes, mais isolados, mas também mais conscientes, mais enraizados, mais perto da nossa verdade interna.

Ainda ontem em consulta com uma adolescente ela falava sobre como este verão tinha sido difícil, porque continua a sentir-se muito em baixo. Paralelamente falava também com enorme clareza sobre todas as suas vivências e reflexos de tudo isso na sua vida actual. Nos primeiros meses de terapia não era capaz de ter esta clareza, pelo contrário, tinha vivido inúmeras situações em que se sentiu magoada, rejeitada e sozinha sem sequer perceber o que estava a sentir, ou melhor, sem sentir!

Felizmente, ou infelizmente, tudo o que reprimimos ao longo da vida, não deixa de existir! Colocar para “trás das costas”, inibindo a consciência das nossas emoções, nem sempre é a melhor solução. Este mecanismo de Repressão, deslocando pensamentos, ideias, emoções, ou desejos perturbadores da consciência para o inconsciente, não faz com que tudo isso não continue a condicionar a nossa vida e os nossos comportamentos. Precisamos fazer pontes com o passado, para trazer à superfície tudo o que navega nesse mar infindável que é o nosso inconsciente.

Este processo de enraizamento e consciência traz dor, talvez seja verdade, mas é absolutamente necessário na caminhada em direcção a nós próprios, ao centro do nosso Ser.

A maioria das pessoas não foge conscientemente aos seus sentimentos… Apenas não aprendeu a poder entrar dentro de si e olhar para as suas emoções, tal como não aprendeu a escutar a voz do corpo, que tantas vezes nos fala. É como se vivessem a planar, com medo do que o contacto com as emoções possa trazer, com medo da expressão, com medo de poder ser apanhado de surpresa e ficar submergido por uma qualquer emoção, com medo de se expor ou com vergonha de sentir. Quando a pessoa se encontra assim, desenraizada e pouco presente, o Ego tem tendência a reagir de forma menos racional e consciente e são tantas as vezes que acabamos por não conseguir compreender porque nos comportamos de determinada maneira ou porque sentimos raiva, medo, insegurança, perante factos que quando pensamos sobre eles, até não são muito importantes…  Assim vamos vivendo ao lado do nosso processo de desenvolvimento pessoal, sem capacidade de abraçar a verdade, da nossa verdade interna e ficamos aquém de nós próprios! Ficamos enredados num processo de contração física e emocional que nos impede de viver plenamente o nosso quotidiano.

É fundamental abrirmos campo à nossa capacidade de nos tornarmos mais conscientes, mais presentes, mais enraizados, mais conscientizados… Basta decidirmos começar a desenvolver em nós a capacidade de vivermos mais “awareness”, focalizando a nossa atenção em todos os pequenos detalhes do nosso quotidiano e aprendendo a respirar. Focalizar a consciência em tudo o que estamos a fazer, desde tomar banho, comer ou conduzir, acompanhando sempre com uma respiração consciente pode trazer descobertas incríveis sobre nós próprios…

É maravilhoso o quanto podemos descobrir a respeito da nossa existência, simplesmente prestando atenção e tronando-nos mais profundamente conscientes do nosso experienciar….

Não estou a falar de meditação, porque sei o quanto pode ser difícil incluir esse ritual no dia-a-dia agitado deste nosso século XXI, mas ainda assim, acredito que podemos integrar pequenas ferramentas que nos ajudem nesta caminhada de volta a nós próprios. É profundamente apaziguador compreender o que fomos, o que somos e porque somos; Compreender os nossos padrões, mecanismos de defesa e pacificar isso dentro de nós.

Vários sábios já disseram que o mundo está aqui ao nosso lado, tudo o que temos que fazer é esvaziar as nossas mentes e abrir em nós a possibilidade de recebê-lo!

Começar por aprender a Sentir é sem dúvida o primeiro grande passo para nos podermos Fortalecer….

“A mente é como a água, quando está calma e em paz, pode refletir a beleza no mundo. Quando está agitada, pode ter o paraíso em frente e não o reflete!” – David Fischman

Atualmente, as pessoas vivem agitadas, inquietas, distraídas, numa vida extremamente exigente onde não existe um botão de pausa. É fundamental criar tempo e espaço para que as pessoas possam simplesmente parar e entrar em contacto, centrarem-se em si próprias. Apropriarem-se das suas necessidades, das suas emoções, dos seus impulsos e do seu corpo, libertando a mente….

Mindfulness não é mais do que a capacidade de colocar o corpo e a mente em posição de observar passo a passo o fluxo de pensamentos, emoções e ações que navegam e se revelam em nós. É uma presença consciente, uma atenção plena para a vida e na vida….

Uma disposição aberta e sincera para compreender o que está a acontecer em nós e à nossa volta. Uma atitude de investimento e plenitude em vez de uma atitude de fuga, que inviabiliza a capacidade de viver no aqui e agora. Viver no momento presente não é o mesmo que pensar sobre o momento presente, na medida em que é exatamente esse excesso de energia na zona da cabeça, essa hiperatividade mental, preocupação e confusão que nos esgota e nos obriga a ligar o piloto automático na execução das tarefas quotidianas, anulando a possibilidade de estar atento e consciente. Quando vivemos com o piloto automático ligado é como se vivêssemos na estratosfera! Já lhe aconteceu ir a guiar e não se lembrar de passar na portagem, não reter o que lhe foi dito ou simplesmente o seu filho não ouvir chamar para ir tomar banho!?

Todos precisamos de desenvolver esta capacidade de estar inteiros no aqui e no agora das nossas vidas, inclusive as crianças. Cada vez encontramos mais crianças com ansiedade, dificuldades de concentração, dificuldades relacionais e sintomas de depressão; Cada vez encontramos mais crianças desenraizadas…. Vivem aparentemente satisfeitas nesse “planeta X” mas revelam muitas dificuldades na vivência e convivência no planeta terra.

O que é que se passa com estas crianças? Como será que o Mindfulness pode ajudar?

Por algum motivo, que é com certeza diferente para cada criança, esta estrutura de fuga funciona como mecanismo de defesa, para o que está a ser difícil de gerir e assim vão alienando-se de si próprios e da vida. É fundamental que possam percorrer um caminho no qual sejam capazes de se apropriar de todo o seu ser, resgatando um corpo que se encontra “amputado”, uma voz interna que está silenciada e todas as emoções continuamente abafadas em prole de uma vivência aparentemente mais tranquila, mas alienada.

Esse é o caminho do desenvolvimento da consciência e domínio de si; Esse é o caminho que permite desligar o piloto automático, que nos desenraíza de nós e do mundo, em função de uma forma de estar na vida, presente, voluntária e capaz de harmonizar e integrar os impulsos emocionais.

Mindfulness é algo extremamente complexo e simples ao mesmo tempo! É como um botão de pausa nas nossas mentes em constante funcionamento e agitação. É uma forma de modelar, educar e aperfeiçoar o grande potencial da nossa mente.

Poderíamos simplificar e dizer que Mindfulness é uma técnica de meditação. Para mim é muito mais do que uma técnica, é uma forma de vida que pode ser ensinada aliando relaxamento a consciência, através da respiração, permitindo um maior equilíbrio do sistema vegetativo.

Será difícil conseguir que as nossas crianças, frutos de uma cultura Ocidental desenvolvam com facilidade essa capacidade para meditar. No entanto, podemos simplesmente relembrar para a necessidade de parar, respirar, fechar os olhos e tomar consciência das suas emoções e do seu corpo.

Esta é uma tarefa que pode ser desempenhada por todos os educadores, pais ou professores com grandes benefícios, tais como:

  • Alívio do Stress;
  • Equilíbrio físico, emocional e mental;
  • Presença Consciente;
  • Comunicação Consciente;
  • Educação Emocional;
  • Concentração;
  • Atenção Plena.

Experimente pedir ao seu filho que pare o choro ou a birra, feche os olhos por um minuto que seja e respire fundo!

Aprecie os resultados….

imagem@attiliopiazza