“Mãe, vou deitar a minha chucha no lixo”.

No mundo da organização interior, existem várias chuchas a eliminar da nossa vida, Mariana. Sim, na Vida há chuchas que têm que ser removidas para crescermos, para darmos passos maiores e mais firmes. Vejo-te, pura, inocente na tua determinação ao decidires deitar a tua querida chucha no caixote do lixo. Relembro-te que é uma decisão muito importante que tomas na tua vida e que és muito corajosa em fazê-lo pois é a primeira de muitas chuchas das quais te libertarás no decorrer da tua existência.

Não há lugar para retornos. Quando decidimos libertar chuchas, decidimos crescer, viver mais autónomos, mais livres e cientes do nosso lugar e percurso num balanço permanente entre o agora e o amanhã, entre o passado e o presente, uma dança no tempo entre o que fomos, o que somos e o que queremos ser.

Gosto. Aprecio a candura do teu gesto, o rigor e determinação com que o fazes e abraço-te. Sei que muitas lágrimas vão cair neste novo lugar de autonomia, pelo desejo de que a chucha retorne do caixote do lixo, pelo desejo do consolo outrora tão vincado nos teus 3 anos de existência.

 

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Consolo-te e amparo as tuas lágrimas, pois estou segura de que gradualmente vão secar e de que também tu, gradualmente, vais integrar este novo papel de menina. Entendo que balanceias entre o consolo oral de bebé e a procura de novos recursos mais ajustados ao teu percurso, ao teu crescimento. Como respeito o teu sofrimento, quando te apercebes que nesta história de desapego não existe lugar para retrocessos, pois as chuchas não podem regressar dos escombros. Não podemos vasculhar o lixo, repleto de fraldas nauseabundas, cascas de cebola e restos de comida em busca de uma chucha já inexistente neste novo lugar que é o das “meninas crescidas”.

Parabéns a Ti, Mariana, e parabéns a todos os que, como tu, têm a coragem de decidir largar definitivamente as chuchas da Vida.

Quando somos pequenas, ouvimos histórias de amor. Histórias de encantar em que um príncipe e uma princesa se encontram e são felizes para sempre. Crescemos a acreditar nesta verdade. À espera de encontrar o tal príncipe mais-que-perfeito. Mas depois… Surgem as desilusões, que, a bem dizer, são mais que muitas no decorrer da existência. Mas focando-nos nas histórias de príncipes encantados, podemos falar em quatro desilusões básicas:

1ª Desilusão: Raramente ou nunca nos apaixonamos pela pessoa que idealizámos ser o modelo do príncipe

2ª Desilusão: Quando achamos que estamos apaixonadas pelo dito príncipe….. e….puf…. Percebemos que, afinal, não é perfeito.

3ª Desilusão: Após múltiplas desilusões com o príncipe, ele vira sapo e percebemos , finalmente, que ele não é um príncipe!

4ª Desilusão: Quando percebemos que os príncipes NÃO EXISTEM.

 

Quando percebemos que os príncipes e princesas e as relações perfeitas não existem, damos um salto quântico na evolução da consciência. Percebemos que tudo o que existe é ilusório e os constructos e paradigmas de felicidade desenhados e enraizados na nossa mente desmoronam por completo. É uma morte súbita. É um choque profundo.

Inicialmente, tentamos agarrar-nos a eles enlouquecidamente. Custa-nos matá-los verdadeiramente porque sustentam a nossa Vida. E Agora? Afinal, como se é feliz? Sem príncipe? Sem família perfeita? E sozinha? Acreditamos não ser possível.

Ficamos em luto. No luto de nós próprias. No luto de tudo aquilo em que acreditámos até aqui. No luto de uma família fragmentada. No luto de uma relação sonhada que caiu. No luto da nossa própria existência como foi vivida até aqui. Esta dor que nos acompanha destrói-nos profundamente. A cada momento vemos cair véus. Véus de idealizações e suposições do que seria uma realidade feliz. A cada momento nos questionamos para quê. A cada momento pensamos que seria mais fácil permanecer numa relação já inexistente. A cada momento tendemos a crer que a dor deste luto não vai desvanecer e que mas valia voltar atrás. E nesse momento, em que vacilamos, em que a mente nos engana descortinando apenas os bons momentos vividos na relação, fazendo-nos ponderar um regresso ao conhecido e estável, temos que fazer uma escolha. A escolha entre uma existência amorfa, apática e automática e uma existência vibrante, viva e autónoma. A escolha entre uma paz podre, uma aparente paz alicerçada em dependência e comodismo e uma paz genuína profunda e real. Em que somos nós as suas autoras.

A dor de todo este processo pode fazer-nos crescer. Tanto. Ao dissolvermos todas as ilusões que viviam em nós e nos faziam acreditar e depositar numa relação (por pior que esta pudesse ser) toda, ou quase toda, a nossa felicidade, dissolvemos a parte de nós que não encarava a realidade na sua mais verdadeira forma. Dissolvemos a parte de nós que criava expectativas e passamos a aceitar as vivências como são, passamos a aceitar as pessoas como são, os relacionamentos como são, as dinâmicas como são. E aceitando a realidade genuinamente como ela é, decidimos ficar ou não ficar com essa mesma realidade na nossa vida. Deixamos de tentar mudar o que não é interno e mudamos o que queremos mudar internamente. Adaptamo-nos responsavelmente, despidas de resignação. Passamos a escolher mais e a ter consciência de que todas as escolhas têm perdas. E ganhos. Mas escolhemos. E escolhemos aquilo que queremos verdadeiramente que permaneça na nossa vida.
E assim, sim: podemos ser felizes.
Para sempre.

 

Por Joana Nunes, para Up To Kids®
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As 4 atitudes básicas a desenvolver para assegurar uma boa relação com o seu filho adolescente

A adolescência é o pináculo da transformação. Ancestralmente e actualmente ainda em várias culturas era um período da vida do ser humano altamente valorizado e trabalhado pelas comunidades, em que os indivíduos eram intensamente orientados e acompanhados para a passagem à vida adulta. Actualmente, esta dinâmica desintegrou-se e tornou-se desértica.

Nas sociedades ocidentais actuais, a adolescência passou a ser um período como qualquer outro do desenvolvimento humano. Grande parte dos adolescentes sai da infância sem rumo, objectivos ou propósito. A desconexão que caracteriza este pico de mudança, transformação tão importante e decisivo leva a que os adolescentes vivam, muitas vezes, vidas vazias de conteúdo, vazias de sentido, de propósito. Muitos vivem abandonados de si próprios, de sonhos, de perspectivas, pairando apenas no lugar da aparência e do mundo virtual. Vivem desagregados de si. Vivem desenraizados do presente, numa ausência permanente do aqui e do agora, numa fuga constante para mundos de alheamento caracterizados quer pelo abuso de substâncias psicotrópicas, quer pelo abuso do meios de telecomunicação. É a derradeira fuga de si e do mundo real. O sofrimento é intolerável e o prazer é indispensável, desde que intenso.

E como encaram os pais esta realidade?! O que sentem com esta desorientação?!

A gestão parental da adolescência requer, de facto, muita entrega e dedicação. Requer tempo de reflexão e de aceitação. A base desta gestão assenta na relação que os pais mantêm com os filhos adolescentes e esta relação implica que existam desde cedo 4 atitudes básicas por parte dos pais:

Observar, escutar, aceitar e orientar.

1. OBSERVAR
Observar o que o seu filho anda a fazer. Quanto mais souber da vida do seu filho, melhor conseguirá lidar com ele e orientá-lo.
É importante saber o seu horário das aulas, saber onde vai depois das aulas, ver os cadernos, os trabalhos de casa, saber as datas de todos os testes, trabalhos e fichas.
Conhecer todos os amigos com quem se dá e se possível acolhê-los em casa.

2. ESCUTAR
Ouvir o mundo interno do seu filho. Quais as suas angústias, medos, sonhos, inseguranças. Quanto mais ouvir e conhecer o seu mundo interno, mais profundamente o conhecerá e melhor poderá entender as suas dinâmicas.
É importante ouvir as suas ideologias, crenças e formas de pensar, sem desvalorizar ou ridicularizar.

3. ACEITAR
O conflito geracional é transversal a todas as culturas e épocas. São os adolescentes de hoje que mudarão paradigmas, padrões e farão evoluir a humanidade. Existe um choque natural entre os padrões distintos de duas gerações, mas por mais difícil que seja, é indispensável conhecer e entender os que eles trazem de novo e aceitar.
O sentimento de que são vistos, escutados, aceites e entendidos dar-lhes-á confiança e sentido de compromisso com os pais ou educadores, para que se deixem ser orientados com respeito e confiança.

4. ORIENTAR
Se a observação, escuta activa, a aceitação e o entendimento são fulcrais para a relação pai/educador-adolescente, a orientação firme é também essencial. O adolescente tem que cumprir com as suas obrigações, na escola, em casa e nas diversas áreas da sua vida. Deve ser orientado no sentido do auto-conhecimento e contacto consigo próprio. Saber o que gosta, quais os seus talentos, motivações e dificuldades. Este conhecimento de si-próprio é indispensável para que se mantenha recto e coerente desde cedo com a sua essência, independentemente das múltiplas identidades que possa assumir na adolescência com os grupos de pares e ídolos.

A imposição de limites na adolescência tem que iniciar precocemente. As saídas à noite, as saídas com amigos devem que ser aceites com conhecimento pormenorizado de quem são os amigos, para onde vão, qual o programa e uma hora para chegar deve ser negociada. Dentro da liberdade deve ser imposta a responsabilidade de ter que cumprir com alguns limites. O adolescente irá sentir a segurança necessária e interiorizará a noção de que a liberdade implica ser responsável por si, pela sua conduta e atitude.

Os recursos de toda a camada adolescente são poderosíssimos para a evolução humana e das sociedades. A riqueza de capacidades, de criatividade, de inovação, de transformação é importantíssima para o crescimento global das comunidades. Os adolescentes são um contributo de extrema relevância que urge ser aproveitado e optimizado. O trabalho com os adolescentes deve ser investido para que haja uma boa canalização de todo o seu potencial.

Vamos a isso!

 

Presença é o melhor presente que podemos dar.

Somos diariamente corrompidos pela rotina, pelo tempo, pela pressa, pela exigência, pela responsabilidade. Sem nos apercebermos, desligamo-nos facilmente de nós próprios. Desligamo-nos daqueles com quem mais queremos estar. Desligamo-nos dos nossos filhos.
As múltiplas exigências da vida diária e os diferentes papéis que nós, mulheres, assumimos diariamente fazem-nos, muitas vezes, pender entre um papel e outro sem que nos enraizemos verdadeiramente em nenhum. Estamos no trabalho a pensar nos filhos, estamos com os filhos a pensar no trabalho. Corremos entre um lugar e outro a pensar no supermercado ou na roupa que temos que estender quando chegarmos a casa. Este desligamento do momento presente reflete-se em tudo o que fazemos e impede que a nossa energia seja colocada integralmente no que estamos a fazer naquele tempo e naquele espaço.
Isso afeta profundamente as nossas crianças e a relação que com elas estabelecemos.
Na correria que caracteriza toda a rotina entre a saída do trabalho, o trânsito até à escola, a ida para casa e quando aqui chegamos…os banhos, os jantares, a preparação para o dia seguinte, a qualidade do tempo que disponibilizamos às nossas crianças é muitas vezes comprometida. Esta desconexão com o Aqui e o Agora nos momentos em que estamos com os nossos filhos, é muito perspicazmente por eles captada e fá-los agir de modo a trazer-nos à nossa verdadeira e genuína Presença.

Birras, choros e conflitos com os irmãos são, grande parte das vezes, tentativas de trazer para o presente o nosso foco e a nossa energia total. E conseguem! Quando nos irritamos, zangamos e ralhamos estamos a fazê-lo plenamente.

Não estamos a pensar em mais nada! Estamos a viver aquele momento com eles na sua plenitude. De corpo e alma. Da pior forma, sim. Mas estamos integralmente presentes.

Absortos no Aqui e no Agora daquela situação. É só isso que eles nos pedem. E é tão fácil fazê-lo sem que eles nos peçam desta forma. Basta fechar a torneira dos múltiplos pensamentos correntes e dedicarmo-nos inteiramente ao momento com eles. Sentindo-nos, sentindo-os.

Aqui. Agora. Basta focarmo-nos e envolvermo-nos totalmente naquele momento. Basta sermos, basta estarmos. Em Presença. A presença de entrega total à partilha daquele momento, como se nada mais existisse. É só isso que eles querem. É só isso que eles precisam.

E nós também.

 

LER TAMBÉM…

Dar Qualidade à Quantidade de tempo

O melhor presente é estar presente

Tempo especial

 

Ler primeiro Carta à madrasta da minha filha

Também nunca te quis. Eras a mulher do meu marido, a mãe da sua filha. Tinham uma história, um projecto, fizeram nascer uma criança. Tinha ciúmes, sentia-me intrusa. Era uma história terminada que eu persistia em reavivar na memória da minha insegurança, na sombra da minha imaturidade. Tu eras a família, eu era a namorada.

No mais recôndito do meu ser escondia-se o desejo de que tudo estivesse bem, Pai, Mãe e Filha. Mas a mulher insegura dentro de mim fazia nascer o ciúme, a insegurança, o desejo de que uma família nunca tivesse existido.

Hoje agradeço-te. Por seres a mãe da minha enteada. Por seres a ex-mulher do meu marido. Por toda a história existente, pelo fruto do teu ventre – a tua filha, a minha enteada.

Agradeço-te todo o riso partilhado, toda a dança conjunta, toda a história que sem ti, não teria sido possível.

Agradeço a vida que trouxeste em ti, a vida que fazes permanecer em mim, através dela. Agradeço a irmã que sem ti as minhas filhas não teriam, agradeço a visão que sem ti eu não teria alcançado. Agradeço profundamente, o sofrimento que fizeste borbulhar em mim, porque sem ele não teria conhecido uma mulher ciumenta e insegura existente no meu ser que precisava ser cuidada e amada.

Agradeço profundamente a tua existência na minha vida, na vida deles. Agradeço a possibilidade que me deste de crescer e de aprender. De ter uma criança maravilhosa na minha vida e na vida das minhas filhas. Na vida da minha família. Agradeço a possibilidade que me deste de ter uma família mais completa, mais feliz com a presença eterna da Tua filha, minha enteada.

Obrigada