O mundo do Gonçalinho

O Gonçalinho nasceu numa tarde solarenga, com um calorzinho agradável. Menos de 24h depois de ter nascido começamos a ouvir que era um bebé molinho. Mais tarde viemos a descobrir que era hipotonia e que, para além disso, tinha diversos outros problemas. Depois de uma semana passada na neonatologia viemos para casa e respiramos de alívio, mas a nossa história estava prestes a começar.

Diagnosticado com hipotonia aos 11 dias, o Gonçalinho começou a fazer fisioterapia com apenas 1 mês. Era uma “boneca de trapos” – mal se mexia. Não tinha tónus muscular e coisas básicas como segurar a cabeça tinham de ser ensinadas. Não se conhece a incidência de hipotonia em Portugal, mas sabe-se que inúmeras crianças são afectadas. Muitas delas são apelidadas de “preguiçosas” porque não atingem as metas de desenvolvimento motor no tempo previsto e isso acaba por atrasar o diagnóstico (são mais de 600 as doenças que podem causar hipotonia).

As terapias

À medida que passavam os dias, semanas, via-se que o Gonçalo estava cada vez mais atrasado relativamente ao padrão normal das crianças da mesma idade. À fisioterapia juntou-se a terapia ocupacional e a terapia da fala.

Neste momento faz terapias todos os dias, mais do que uma vez por dia. Perdemos a conta da quantidade de exames que fizemos para tentar determinar a causa do problema. Desde análises, a ecografias, a exames genéticos, corremos de tudo um pouco. Descobrimos durante este período de tempo que o Gonçalinho é também severamente alérgico a diversos alimentos (faz choque anafilático), o que veio dificultar ainda mais o percurso dele.

Aos 9 meses teve a primeira fractura visível (agora suspeita-se que a primeira terá sido quando nasceu), o que permitiu direcionar os exames genéticos.

O primeiro diagnóstico

Aos 11 meses recebemos o diagnóstico: uma mutação rara num gene ligado ao colagénio que provoca Osteogénese Imperfeita e Síndrome de Ehlers-Danlos, ambos sem cura. Esta mutação em específico é apenas o terceiro caso registado no mundo e a incidência da sobreposição destes dois síndromes é inferior a 1 para um milhão. É, portanto, como nós lhe chamamos, uma lotaria. As probabilidades eram extremamente baixas, mas aconteceram.

Fragilidade óssea, falta de tónus muscular (inclusive respiração e deglutição), hipermobilidade das articulações, problemas cardiológicos, problemas auditivos, dificuldades sensoriais, apneias do sono, alergias severas, entre outros, fazem parte do dia-a-dia do Gonçalinho. E do nosso.

Os cuidados a ter com o Gonçalo vão o mais básico, como limpar todas as superfícies onde possa ter estado um alérgeno, a não sair do lado dele porque um movimento em falso pode significar uma fractura.

Terá sempre limitações para a vida, limitações essas que nós tentamos minimizar e adaptar.

Lidar com uma criança que tem dois síndromes raros é uma ocupação a tempo inteiro.

Não só faz terapias todos os dias mas também tem diversas consultas e exames todos os meses. Temos de estar extremamente bem informados, logo estamos em constante actualização.

Através desta recolha de informação, ajudamos também outros pais e cuidadores não só a obterem mais apoios, mas também a terem acesso a esta informação.  Partilhamos tudo na nossa página – O Mundo do Gonçalinho (www.facebook.com/mundogoncalinho).

Porque o Gonçalo é o nosso filho, mas esta lotaria poderia ter saído a quaisquer outros pais. Pensemos nisso.

Bem estar animal

As terapias alternativas e o contacto telepático com os animais estão a dar os primeiros passos com sucesso a nível nacional e internacional.
A impotência de alguns donos e veterinários para apoiar algumas debilidades de animais domésticos e não só, está agora em foco por parte de técnicos veterinários, as famílias e todos os amantes de animais.
O bem estar animal oferece paz e alegria à família para todos quantos consideram os animais como mais um elemento familiar de verdade.
A base do apoio científico e a bateria de exames técnicos são o ponto de partida. Mas hoje em dia, o bem estar animal conta também com acumpuntura, homeopática, terapia laser, massagem holística e contacto telepático. Estas práticas permitem a observação das emoções e informações que o animal quer expor. Todo este conjunto oferece um novo nível de qualidade e até longevidade para os problemas de saúde e bem estar dos nossos familiares de quatro patas.

Os animais de estimação e as famílias

É reconhecido que um animal de estimação contribui para o bom desenvolvimento das crianças e suas famílias. Estimula o convívio, a empatia e a partilha. Convida ao exercício e contacto com a natureza. Desenvolve a confiança, autoestima e responsabilidade, entre outros fatores. Junto das crianças e por razões de curiosidade e expansão de conhecimento, ocorre um interesse pela leitura e pelos hábitos de apoio e treino aos animais de estimação.
É comum dizer-se que os animais adquirem os jeitos dos donos. Que desenvolvem ao final de algum tempo sinais de comunicação que os guia de parte a parte para diversas situações de convívio e resolução de problemas. Esta proximidade pode ser aprofundada pelo próprio dono. Se necessário, pode recorrer a ajuda externa. Assim, poderá alinhar em maior profundidade a informação simpática emitida pelo animal.

Ask your pets what’s wrong

Tem sido incentivado em diversos países por muitos veterinários. Assim, o dono chega à consulta com mais informação acerca do apoio a desenvolver. Esta vertente não desqualifica o trabalho científico. Oferece uma complementaridade interessante e levada a sério em alguns países como Inglaterra e EUA.
Se gosta do seu animal de estimação e deseja todo o seu Bem estar, experimente dar lhe ouvidos com atenção. Se não conseguir peça ajuda qualificada para o fazer e ofereça-lhe 100% de apoio e presença com amor.

O que é a Psicomotricidade?

A Psicomotricidade é uma prática de mediação corporal que permite à criança reencontrar e desenvolver o prazer sensório-motor através do movimento e da regulação tónica, possibilitando depois a apropriação dos processos simbólicos, com forte acentuação da componente lúdica.

Que tipos de intervenção psicomotora existem?

  1. Preventiva: estimulação e promoção do desenvolvimento, em crianças sem problemáticas de desenvolvimento;
  2. (Re)Educativa: estimulação do desenvolvimento psicomotor e do potencial de aprendizagem;
  3. Terapêutica: intervenção nos problemas de desenvolvimento, de aprendizagem e/ou do comportamento.

Para que crianças?

A intervenção psicomotora, de carater reeducativo e terapêutico, é dirigida a casos em que os processos do desenvolvimento e da aprendizagem estão comprometidas e em que estão frequentemente implicados problemas psicoafectivos, de base relacional.

O Psicomotricista intervém essencialmente com crianças com perturbações do desenvolvimento e aprendizagem, que resultam, essencialmente, de condições, como:

  • perturbação da coordenação motora e outras limitações do movimento;
  • perturbações do espetro do autismo;
  • défices da comunicação verbal e não-verbal;
  • deficiência intelectual;
  • dificuldades na aprendizagem dos processos simbólicos (leitura, escrita e aritmética);
  • dificuldades na gestão dos processos de atenção (seleção, focalização e coordenação de estímulos);
  • problemas de memória e perceção (identificação, discriminação e interpretação de estímulos visuais, auditivos ou tácteis); mutismo seletivo;
  • perturbação da hiperatividade e défice de atenção;
  • perturbação da oposição ou conduta; problemas emocionais (instabilidade emocional, baixa autoconfiança, baixa tolerância à frustração);
  • problemas de autorregulação do comportamento (impulsividade, agitação, desinibição, agressividade, oposição) ou outras funções executivas (capacidade de planeamento, capacidade de síntese e analise) e problemas psicomotores propriamente ditos. Por exemplo, dificuldades na regulação tónica, no equilíbrio, na estruturação espácio- temporal, na noção do corpo, na lateralidade, na motricidade global, na motricidade fina e na oculo-motricidade).

Quais os objetivos gerais de intervenção?

A intervenção psicomotora tem como objetivo promover a vivência harmoniosa da criança no seu corpo, com os outros e com o meio envolvente, estimulando e facilitando o desenvolvimento global da criança e, consequentemente, os processos de aprendizagem.

Os objetivos de trabalho irão variar de acordo com a idade, o tipo e a gravidade da situação, sendo que se salientam alguns objetivos gerais:

  • Motivar as capacidades sensoriomotoras através das sensações e relações entre o corpo e o exterior;
  • Desenvolver a capacidade preceptiva através do conhecimento dos movimentos e da resposta corporal;
  • Organizar a capacidade dos movimentos representados ou expressos através de sinais, símbolos, e da utilização de objetos reais e imaginários;
  • Ajudar a mobilizar os seus recursos individuais, reforçar a sua identidade para reconquistar a sua autoconfiança;
  • Fazer com que descubram e expressem as suas capacidades, através da ação criativa e da expressão da emoção;
  • Melhorar as suas respostas motoras e a sua interação pessoal, fortalecer a aquisição de estratégias de resolução de problemas, de acordo com as suas capacidades e potencialidades;
  • Criar segurança e expressar-se através de diversas formas.

Que atividades/técnicas são utilizados?

Pode recorrer-se a:

  • Jogos de exercício, funcionais ou motores, com função de harmonizar os gestos e aumentar a sua eficácia;
  • Jogos simbólicos ou de imaginação, que favorecem a passagem do nível sensório-motor ao nível da representação;
  • Jogos de construção, que têm a sua fonte nos jogos simbólicos e evoluem para uma adaptação mais precisa à realidade;
  • Jogos de regras caracterizados por determinadas obrigações comuns permitindo o desenvolvimento da cooperação.

Em suma, o objetivo da prática de Psicomotricidade centra-se na globalidade da criança, tendo em conta quer os aspetos funcionais, quer os relacionais.

 

Por Mariana Silva, Psicomotricista

Depressão na adolescência: é preciso falar sobre isto.

“Os sintomas de depressão não desaparecem por si. Não são “só uma fase” e exigem que olhemos para eles de frente e com a seriedade que merecem. “

Há, numa mãe ou num pai que perde um filho, uma permanente ferida aberta, que não tolera curativos, nem admite suturas.

Há, na ideia de perder um filho, qualquer coisa que corrói, que envenena, que mata por dentro. Por isso, quando um filho nos diz “quem me dera morrer” há algo em nós que se assusta irremediavelmente. Que se lembra de todas as mães e de todos os pais que ficaram sem mundo, sem chão, sem bem maior. E que sofre com eles, apenas e só, pelo fantasma de uma ideia assim.

A depressão na adolescência faz-se acompanhar por sintomas como a incapacidade de sentir prazer, a desesperança, a culpabilização, a diminuição da concentração e a baixa auto estima.

São também frequentes as alterações no sono e no apetite que, a par da sintomatologia atrás descrita, causam impacto significativo no rendimento escolar. Outro dos sintomas que pode surgir associado à depressão, é a ideação suicida, definida pela presença de pensamentos relacionados com autoagressão ou morte auto infligida, podendo estar ou não ligados a intenção suicida. Mas há algo que temos de saber: Os comportamentos suicidários estão entre as primeiras causas de morte na adolescência.

Por tudo isto, por mais que doa e por mais que assuste, é preciso pensar e falar sobre o assunto, de forma a que possamos compreender e ajudar.

Podemos ajudar sempre que estivermos próximos e quisermos saber mais. 

Não sob a forma de um interrogatório, mas procurando, com tranquilidade, o momento mais oportuno para conversar. Pode ser importante conhecer o que se esconde por detrás da tristeza. Por deytás da desmotivação, do sentimento de inutilidade ou de vazio. Afirmações como: “Sei que às vezes a vida pode ser difícil e gostava de poder ajudar-te”, contribuem para reforçar o amor que lhes temos, fazendo sentir que é para nós importante saber como apoiar. Perguntas como: “Quando é que te sentes mais preocupado?”, “ O que é que gostavas que pudesse ser diferente?”, “Com o que é que está a ser mais difícil lidar?”… favorecem uma compreensão mais profunda do problema, o que por sua vez abre caminho a que possamos, efetivamente, ser um dos suportes que precisam.

Podemos ajudar sempre que formos capazes de aceitar o que estão a sentir. 

Eu sei que enquanto pais, lidar com a dor dos nossos filhos é extremamente difícil. Sei que, naturalmente, a nossa tendência será distraí-los dessa dor. No entanto, quando o sofrimento é psicológico é fundamental ouvir, sem julgar, sem recriminar. Ouvir sem desvalorizar, sem enunciar uma lista de coisas pelas quais deviam sentir-se felizes. Não se sentem, e é importante aceitar esta ideia e receber, sem filtro, as emoções e as experiências dolorosas que vivenciam.

Podemos ajudar sempre que tratarmos com honestidade aquilo que partilham. 

Se falam em suicídio, é importante não evitar o tema. Perguntar: “Quando falas em querer morrer, estás a pensar em matar-te?” ou “Toda a dor que sentes já te fez pensar em magoares-te?”, permite explorar se existem planos mais definidos a este nível, não contribuindo para alimentar a ideia (que é muitas vezes um dos nossos medos), mas mostrando disponibilidade e abertura.

E finalmente podemos ajudar, sempre que confiamos no nosso instinto e procuramos ajuda. 

Os sintomas de depressão na adolescência não desaparecem por si. Não são “só uma fase” e exigem que olhemos para eles de frente e com a seriedade que merecem. A identificação conjunta de alguns recursos como o do acompanhamento psicológico, é fundamental para que se sintam mais apoiados e possam aprender a olhar de uma forma positiva para dentro de si e a desenvolver estratégias mais adaptativas para lidar com os desafios do mundo externo.

Falar sobre a morte com aqueles a quem demos vida, pode ser extraordinariamente assustador, mas pode também significar-lhes o alívio, o alento e a aceitação de que precisam no momento. Para depois agarrar a vontade de outros amanhãs…

A Musicoterapia aplicada a crianças e jovens com necessidades educativas especiais.

O Som da Essência

A musicoterapia é a utilização da música e/ou dos seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia), exercida por um técnico habilitado, em ambientes hospitalares, educativos, clínicos ou institucionais, com um ou mais pacientes, num processo relacional que facilita e promove a comunicação, a relação, a aprendizagem, a mobilização, a expressão, a organização do pensamento e outros objetivos terapêuticos relevantes no sentido de ir ao encontro das necessidades físicas, cognitivas, emocionais e sociais dos pacientes (Federação Mundial de Musicoterapia, 1996, 2011).

Em Musicoterapia, o poder da música é utilizado para atingir objetivos terapêuticos mantendo, melhorando e restaurando o funcionamento físico, cognitivo, emocional e social do indivíduo. É a partir desta relação que a Musicoterapia estabelece a sua base de trabalho. Trata-se de uma abordagem que utiliza toda e qualquer manifestação sonora para produzir efeitos terapêuticos. Através do uso da música, de sons e de movimento, estabelece-se uma relação de ajuda, onde a Musicoterapia tem como objetivo auxiliar o paciente a vários níveis, como a prevenção, a reabilitação, o desenvolvimento, bem como na melhoria da sua interação com a sociedade. A música e o som são o canal de comunicação.

A musica com fins terapêuticos

A música vem sendo utilizada com fins terapêuticos desde os primórdios da humanidade, mas estabeleceu-se como ciência somente após a Segunda Guerra Mundial. Atualmente, o investimento da ciência tem sido galopante no que diz respeito à investigação sobre a relação e o impacto direto da música a vários níveis, mas, essencialmente, a nível neurológico. A Associação Portuguesa de Musicoterapia, existente desde 1996, é a entidade de referência, reconhecida pela Federação Europeia de Musicoterapia, que regula e orienta o processo da acreditação dos musicoterapeutas em Portugal.

A Musicoterapia tem inúmeras aplicações, a várias populações e tipologias, entre elas síndromes genéticas como Down, Turner e Rett, distúrbios neurológicos, distúrbios emocionais, deficiências sensoriais, visuais e auditivas, autismo, dificuldades de aprendizagem, entre outras.

Este tipo de abordagem possibilita um enquadramento não-verbal através do qual as pequenas diferenças de comportamento se tornam evidentes nos processos intra ou inter pessoais em crianças com perturbações da relação e da comunicação. Essas diferenças podem ser encontradas no comportamento musical. O musicoterapeuta pode a este nível contribuir para a avaliação e diagnóstico global dos pacientes em musicoterapia ao nível da avaliação específica das capacidades sensoriomotoras, cognitivas (atenção, memória, jogos de antecipação e sequência lógica) perceção visual e auditiva e comunicação interpessoal.

Objetivos e plano terapeutico

Em Musicoterapia, existe um plano terapêutico, elaborado pelo musicoterapeuta, em consonância, ou não, com os técnicos da equipa multidisciplinar. Os objetivos gerais variam de acordo com as características do grupo ou indivíduo, das suas necessidades e peculiaridades. Contudo, alguns objetivos da musicoterapia com crianças ou jovens com necessidades educativas especiais são: Estimular a comunicação (verbal e não verbal); Estimular a expressão corporal, vocal e sonora; Melhorar a autoestima; Explorar as potencialidades e a conscientização dos próprios limites; Estimular a coordenação motora grossa e fina através de atividades musicais, utilizando instrumentos musicais de percussão simples; Desenvolver a orientação espacial e corporal através de vivências musicais; Desenvolver a capacidade de atenção e concentração; Estimular a imaginação e criatividade; Promover um melhor relacionamento intra e interpessoal.

A importancia e influencia da música nos seres humanos

A importância e influência da música e dos seus elementos sonoros no desenvolvimento do ser humano, tem-se tornado cada vez mais evidente. A investigação sobre esta temática vem comprovando a sua importância na relação simbiótica entre o indivíduo, desde a sua forma mais precoce, e o meio envolvente.

Independentemente das necessidades provenientes de cada patologia, a Musicoterapia valoriza a expressão de cada indivíduo, respeitando as suas particularidades e auxiliando-o nas suas dificuldades, como um ser global.

Por Rita Maia, Mestre em Musicoterapia, Doutoranda em Ciências da Educação, Especialização em Necessidades Educativas Especiais, Licenciatura em Educação de Infância | maia_rita20@hotmail.com

6 de Março – Dia Europeu da Terapia da fala

Acontece com alguma frequência receber pais de crianças que procuram Terapia da fala por identificarem sinais no seu filho/a de um desenvolvimento “atípico”, “diferente do dos meninos da sua escola”. Assim, é percetível que a Terapia da fala está a expressar a sua importância de dia para dia e que há preocupação na partilha de informação sobre a sua importância.

Sejam adultos ou crianças o Terapeuta da fala pode ajudar a melhorar a sua condição de vida. Se ainda existem dúvida sobre o seu papel ou em que áreas intervém é no dia de hoje “Dia Europeu da Terapia da fala” que desmistificamos o tema.

O Terapeuta da fala

Profissional responsável pela avaliação, diagnóstico, prevenção e tratamento das perturbações da comunicação humana, linguagem oral e escrita, compressão e expressão da linguagem. Engloba também outras formas de comunicação não-verbal, voz e deglutição. A Terapia da fala abrange indivíduos de todas as idades, desde os recém-nascidos aos idosos. Em bebé presta cuidados neonatais desenvolvendo competências comunicativas e de alimentação. Nas crianças promove competências de comunicação, linguísticas, vocais entre outras perturbações. Nos jovens ou crianças em idade escolar, tende a intervir em perturbações da leitura e da escrita. Na idade adulta interfere maioritariamente em perturbações de linguagem adquiridas ou deglutição.

No entanto, tem sempre como objetivo geral otimizar capacidades perdidas ou não adquiridas do indivíduo, melhorando, assim, a sua qualidade de vida (ASHA, 2007).

O papel do Terapeuta da fala na escola

Em contexto escolar o trabalho desenvolvido pelo Terapeuta da Fala centra-se na promoção da comunicação, intervenção em perturbações da linguagem oral, expressão escrita, perturbações da fala, perturbações da voz e Motricidade Orofacial.

Vejamos:

  • Perturbações da linguagem oral
    Atraso de desenvolvimento da linguagem, perturbação específica a linguagem, dificuldades de aprendizagem
  • Expressão Escrita
    Dislexia, disgrafia, disortografia
  • Perturbações da fala
    Articulação, gaguez, apraxia, disartria
  • Perturbações da voz
    Disfonia, afonia
  • Motricidade Orofacial
    Sucção, mastigação, respiração e a fala

Áreas de intervenção

 

Comemorou-se dia 19 de setembro o dia europeu da psicomotricidade. E compreendo que estas informações tragam imensas perguntas associadas. A primeira e mais óbvia será: “que raio é a psicomotricidade?”. A segunda será porque temos direito a um dia e a terceira qual a importância.

Não tentarei dar a definição de psicomotricidade. Passei mais de 5 anos a estudar este assunto, escrevi dezenas de trabalhos sobre este tema e até uma tese. Realizo este trabalho diariamente e mesmo assim, não vos consigo trazer uma definição que seja larga o suficiente para lhe fazer justiça.

Claro que existem definições (muito completas) desta simples palavra, que vão desde autores conceituados como Soubiran, Ajuriaguerra ou mesmo portugueses como Vítor da Fonseca. Existem outras definições mais simples de compreender, algumas que dividem a palavra ao meio – psico + motricidade. Existem até algumas definições de terreno dadas pelos incríveis profissionais que trabalham no quotidiano. Todas elas estão certa. A questão é que a maioria das vezes estas definições não são o suficiente para esclarecer quem nunca ouviu falar de nós, e por isso é que invariavelmente, de tempos em tempos, ouvimos um: “Para que é que vocês servem mesmo?”

Por muito frustrante que seja, acontece.

Sabemos explicar perfeitamente o que é a psicologia ou para que serve um psicólogo? “Ah, é para tratar dos problemas da cabeça”, muitos dizem. Mas esta é uma definição tão lata… Os psicólogos trabalham com crianças, adultos e idosos. Com traumas passados, com dificuldades de aprendizagem ou com situações pontuais e em empresas e recursos humanos…

Para que serve um terapeuta da fala? “Ah, para falar melhor claro”, mas que é tão mais também, abrangendo problemas de deglutição ou recuperação de casos de AVC, por exemplo. Mesmo médicos, advogados e engenheiros… Definir uma profissão numa mera frase é complexo e quase impossível e se tal é o necessário para sermos considerados uma profissão, então nós somos quem ajuda a cabeça e o corpo serem um só.

Não, não será por definições que faremos com que o nosso trabalho seja reconhecido… Nós seremos reconhecidos pelo trabalho que fazemos no terreno, pelos nossos conhecimentos específicos e pelo nosso trabalho de investigação. É cada um de nós que parte de manhã para uma escola, para uma clínica, para uma creche, para uma instituição, para uma casa de repouso. É no abraço que damos e na regulação tónica que esse contacto provoca. É no darmos a mão e promovermos o equilíbrio. É no jogar à bola enquanto desenvolvemos a coordenação. É nas histórias que escrevemos enquanto observamos o trabalho grafomotor. É no apoio ao familiar quando a situação fica difícil. É na conversa com os restantes profissionais, na ajuda e partilha de estratégias.

Por isso este dia é tão importante. É uma porta que se abre e que nos permite atravessar todos juntos ao mesmo tempo. É dia de dizer: sim, sou psicomotricista, tenho orgulho e sirvo para tanto.

É dia de todos falarmos ao mesmo tempo do mesmo e tão, tão alto que um dia não será mais necessário responder a esta pergunta.

imagem@yelp

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Desenvolvimento infantil: consultar ou esperar?

O desenvolvimento infantil. Não é defeito é feitio;

Psicomotricidade em saúde mental infantil

 

Chegou tímido, receoso e a tentar disfarçar a tristeza que estava estampada no olhar. Olhava para baixo e tinha dificuldade com as palavras!

As palavras são difíceis e procura mais contacto e menos conversa. Para falar precisava de entrar dentro de si e expressar um pouco do que sentia. Era mais fácil viver “fingindo” e disfarçando a tristeza, a ansiedade e a insegurança.

No início não me apercebi logo das suas necessidades e fui conduzindo as nossas consultas com dificuldade. Não queria conversar, desenhar, pintar ou qualquer outra atividade…

Com o tempo descobrimos o monopólio e tudo ficou mais fácil. Enquanto jogávamos foi possível falar um pouco sobre as suas dificuldades, a sua ansiedade, os seus medos, mas também sobre a sua valentia e persistência, que o fazem não desistir de tentar ser feliz.

Fomos inventando formas de estar em relação…

Foi no vínculo que finalmente pode expressar as suas necessidades e no corpo que encontramos um caminho para as satisfazer.

Foi no toque, no contato, no abraço que pode refazer etapas importantes do seu desenvolvimento…

A nossa identidade, segurança e sustentação provêm do toque, dessa experiência de contato que nos nutre física e emocionalmente. Por vezes esse contato é pouco nutritivo, ou as nossas necessidades são reprimidas antes da nossa oralidade estar satisfeita, e ficamos parados ou congelados nessa etapa. Ficamos com zonas cinzentas que precisam ser revividas de forma positiva para devagarinho se irem tornando menos cinzentas, como se reconquistássemos direitos associados a cada uma das etapas do desenvolvimento.

Esses bloqueios no nosso desenvolvimento condicionam a nossa energia interna, a nossa constituição física e o nosso caráter.

As duas primeiras fases do desenvolvimento dizem respeito à dependência relativamente aos pais e as outras duas, ao movimento em direção à independência relativamente a eles.

O contacto físico é fundamental nessas primeiras duas etapas, nas quais as crianças atingem o seu estado de ser e de bem-estar através do contacto e do toque dos seus cuidadores. A criança precisa de vinculação e sustentação para se sentir nutrida em termos físicos e emocionais.

Como providenciar e ir ao encontro destas necessidades em contexto terapêutico?

Parece difícil, improprio ou simplesmente estranho “dar colo”, tocar, abraçar, mas a verdade é que tudo se encaminhou de forma natural, espontânea e nutritiva.

Começamos a sessão sempre com massagens e pouco a pouco vai-se esgueirando para o meu colo, aninha-se e fala à bebé. Ficamos maioritariamente em silêncio e quem trabalha é o meu corpo, o meu calor e o meu acolhimento.

Apesar dos seus 12 anos é um bebé que está ao meu colo e que precisa do meu corpo para satisfazer a sua oralidade, para se poder sentir seguro e amado e poder caminhar em direção à independência que será seguramente uma etapa de grandes conquistas para si.

Para já precisamos cuidar do bebé que ainda precisa de colo, para que nesse calor construa a sua segurança e possa finalmente deixar de fugir dos outros, das situações, da vida…

imagem@e-how.com

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A Intervenção nas crianças com Perturbação do Espectro do Autismo

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Sabia que….

– mais de 68 milhões de pessoas no mundo têm gaguez, o que corresponde a 1% da população mundial

– em Portugal estima-se que cerca de 100 mil pessoas têm esta perturbação

– a gaguez é mais comum nos homens do que nas mulheres (4 homens para 1 mulher)

– 60% dos gagos tem um familiar com gaguez

Em situações de ansiedade, nervosismo ou cansaço, é normal todos nós “gaguejarmos” um bocadinho. A estas alterações pontuais no ritmo da fala chamamos disfluências normais. Quando estas alterações são marcadas por frequentes bloqueios (pausas longas com esforço muscular: “O….João caiu”), prolongamentos (“Joooooão”) e repetições (“ca-ca-ca-ca-caiu”) ao longo do discurso, estamos perante disfluências gagas.

O discurso da pessoa com gaguez é caracterizado por alguns ou todos os tipos de disfluências gagas e pode ocorrer associado a movimentos físicos distratores para o interlocutor (por exemplo piscar repetidamente os olhos, abanar a cabeça, entre outras). Todas estas características involuntárias podem ser mais ou menos evidentes ditando assim o grau de severidade da gaguez.

“O meu filho tem 3 anos e está a gaguejar há dois meses”

Durante o desenvolvimento da criança, até aos 3 anos e meio, admite-se a possibilidade de surgir uma gaguez chamada transitória, caracterizada por hesitações, repetições de palavras ou sílabas (até 2 repetições). Tal como o nome indica, a gaguez transitória poderá desaparecer entre 6 a 12 meses desde a data de surgimento. Caso não se verifique, é possível estar perante uma gaguez não transitória.

“A minha filha tem 10 anos e gagueja desde os 8… Pensei que nesta idade isso já não fosse possível.”

A gaguez pode surgir até à pré-adolescência (dos 3 aos 12 anos de idade). Independentemente da idade da criança é importante procurar um terapeuta da fala que o ajudará a perceber melhor estas dificuldades.

“O meu pai teve um AVC e começou a gaguejar”

Após AVC (Acidente Vascular Cerebral) ou TCE (Traumatismo Crânio-Encefálico) pode surgir uma gaguez neurológica que se caracteriza por repetições, bloqueios e prolongamentos, à qual poderão estar associados alguns movimentos secundários.

Mitos e lendas sobre a gaguez

Uma pessoa NÃO gagueja porque…

…pensa mais rápido do que fala

Todos pensamos mais rápido do que falamos e nem todos gaguejamos. Esta não pode ser uma causa da gaguez.

…apanhou um susto

A gaguez é uma perturbação neurofisiológica causada por mau funcionamento de algumas áreas cerebrais, havendo também uma predisposição genética para algumas pessoas. Assim, as pessoas que gaguejam iriam gaguejar mesmo não apanhando um susto.

…é muito nervosa, tímida ou stressada

As pessoas que gaguejam podem, de facto, parecer ansiosas e inseguras. No entanto, estes são sentimentos consequentes da gaguez e não causadores! Devido às quebras que apresentam no discurso, podem ficar frustradas perante situações de comunicação e esses sentimentos poderão então agravar as disfluências.

…ouviu outros a gaguejar e ficou gaga

Apesar de termos alguma tendência para gaguejar quando a pessoa com quem falamos é gaga, não ficamos gagos. É frequente um pai pensar que o filho mais novo ficou gago porque estava a imitar o irmão que tem gaguez, porém, há efetivamente um fator genético para esta perturbação. A disfluência não se “pega” por ouvirmos outros a gaguejar.

…os pais são muito rígidos e autoritários

Os pais não são responsáveis pelo aparecimento da gaguez. A gaguez tem uma etiologia multifactorial – genética, neurológica e psicossocial. Contudo, a pressão que colocam na criança poderá agravar a gaguez. É fundamental criar um ambiente propício à fluência.

…são menos inteligentes

Não há qualquer tipo de relação entre a inteligência e a fluência. A gaguez é uma perturbação da comunicação que não afeta o QI das pessoas.

Outros lendas

Ajuda dizer à pessoa para ter calma e para respirar fundo.

Estes conselhos apenas fazem com que a pessoa se sinta mais consciente das suas disfluências, ficando muitas vezes mais ansiosa e frustrada, levando assim ao agravamento da gaguez.

Vamos ignorar, pode ser que desapareça com o tempo.

Se a gaguez existe há mais de 1 ano, é provável que não desapareça. Independentemente de há quanto tempo persiste a gaguez, consulte um Terapeuta da Fala, ele poderá ajudá-lo com várias estratégias. Ignorar, não intervir e deixar prolongar poderá valorizar e desenvolver a gaguez.

Quando canta ou imita outra voz não gagueja, significa que consegue ser sempre fluente.

Quando cantamos ou utilizamos uma voz que não a nossa, são ativadas outras zonas do cérebro diferentes da fala espontânea, levando assim o próprio a gaguejar menos. Contudo, a gaguez é involuntária, como o nome indica, não é controlável e varia perante cada situação.

 

Estratégias para falar com uma pessoa que gagueja

  1. Mantenha o contacto ocular natural e de forma interessada. Espere com paciência que a pessoa acabe de falar.
  2. Não interrompa a pessoa que gagueja, nem termine as palavras ou frases. Dê-lhe o tempo necessário.
  3. Não perca o interesse na conversa, dê importância ao conteúdo, seja ativo e escute com atenção.
  4. Não faça comentários do tipo – “Fala mais devagar”, “Respira” ou “Tem calma”, a maior parte das vezes só irá aumentar as disfluências.
  5. Responda de forma calma e sem pressa, sem parecer artificial.

A gaguez não se cura, é uma perturbação da comunicação que permanece com a pessoa que gagueja, no entanto, o terapeuta da fala pode ajudar a compreendê-la melhor e a lidar com ela através de estratégias práticas!

Por  Márcia Filipe e Susana Belo – terapeutas da fala

Bibliografia
Gaiolas, M. (2010) Gaguez da Infância à Adolescência. Vogais & Companhia: Cascais.
Rombert, J. (2013) O Gato Comeu-te a Língua? A esfera dos Livros: Lisboa.
Associação Portuguesa de Gagos – http://www.gaguez-apg.com/

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Terapia da Fala | Todas as respostas

Mitos de desenvolvimento da Linguagem

O bichinho da ansiedade

 

Mesas desarrumadas, canetas que caem e letras que voam

Houve numa altura um rapaz. Um doce de miúdo, mais velhinho e muito respeitador. Tinha sempre passado de ano na corda bamba, e apesar de ter genica, e apesar de ser falador, e apesar de se distrair facilmente, nunca nenhum destes sinais foi grande o suficiente para ser considerado motivo de preocupação. A bem dizer, até ao sétimo ano, nunca tinha havido motivo de preocupação de todo. Só agora, chegado ao sétimo, é que a mãe viu que a criança precisava de algum tipo de ajuda.

Quando a mãe chegou até mim, vinha bastante consciente das dificuldades do filho, ainda que não soubesse a origem. Sim, é verdade que por volta da entrada no ensino primário tinham havido alterações drásticas em casa: o pai viu-se obrigado a emigrar, vindo a casa apenas de mês e meio em mês e meio; o irmão nasceu, obrigando o rapaz a dividir o quarto; e o avô mudou-se lá para casa, no sentido de dar algum apoio à mãe. Ao nível da escola primária os problemas existiam, mas nada que chamasse demasiado a atenção: a sua secretária era uma bagunça, estava constantemente a deixar tudo cair e as letras nunca assentavam nas linhas… tudo problemas de rapazes, segundo dizia a professora.

Agora, já crescido, a confusão continuava, deixava tudo em todo o sítio, estar a apanhar material do chão era uma constante, e a sua letra estava cada vez mais confusa com o avançar da escolaridade. As aprendizagens representavam um desafio cada vez maior.

Finalmente, conheci a criança e aí tudo ficou compreendido. Apesar dos seus 13 aninhos, não era capaz de distinguir a esquerda da direita, se lhe pedisse que seguisse um percurso básico perdia-se dentro da própria sala e desorientava-se, mesmo indicar-lhe a casa de banho era difícil… orientava-se nos dias da semana segundo os dias em que tinha basket, e não tinha ideia do que era possível fazer em uma hora. Era uma criança que não se tinha ainda apercebido que vivia num espaço e num tempo, e como tal, nunca se tinha nem organizado, nem estruturado.

E como não?

Numa das principais alturas em que se deveria ter estruturado todo o seu espaço foi alterado: perdeu o seu espaço pessoal no quarto, a sua casa teve de se adaptar a mais uma pessoa e teve de perceber o quão longe era outro país. Mesmo a nível de tempo, enquanto se habituava à estrutura semana, tinha de lidar com o mês e meio que o pai estava fora.

Claro que esta sua desorganização não se tardou a fazer esperar: não era capaz de organizar o seu material e perceber como o dispor na secretária. Com esta dificuldade em se estruturar, era também difícil não mandar o material ao chão, o que era o suficiente para o distrair do que se estava a passar na sala. Mesmo ao nível da folha, era difícil para ele perceber como orientar a sua letra consoante aquelas linhas…

No entanto, como era bem educado, curioso e honestamente interessado, foi avançando, assim como a sua dificuldade.

Foram precisos muitos origamis, muitas construções e muitos percursos, muitos tangrans e muitos puzzles. Muita intencionalidade e muita relação. Mas no último dia houve um sorriso e uma promessa: “um dia, vou brincar com crianças, tal como tu”.

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