Porque na vida tudo tem um tempo e eu quero viver cada segundo deste nosso tempo.

Qualquer dia não irei mais queixar-me do barulho que fazes e da desarrumação que lanças por onde passas. Nem do tempo passado à mesa quando não queres comer.

Qualquer dia não irei queixar-me das noites mal dormidas. Nem das tuas constantes reclamações por teres de ir tomar banho ou das vezes que tenho de repetir a mesma história.

Qualquer dia não terei de me levantar para fazer outro biberão porque afinal querias mais um bocadinho. Não terei de demorar uma eternidade a chegar a qualquer lugar porque paraste vezes sem conta para admirar o que te rodeia.

Qualquer dia não irás chamar por mim repetidamente, vezes sem conta..

Qualquer dia vou estar em silêncio, com a casa arrumada, a fazer as refeições rapidamente e sem dramas. Vou deitar-me sem horários nem rotinas, vou ser capaz de me despachar num ápice.

Porque na vida tudo tem um tempo e eu quero viver cada segundo deste nosso tempo.Qualquer dia não irei mais queixar-me do barulho que fazes...

Nesse dia irei perceber que deixei de reparar nos detalhes que aprendi a apreciar nas milésimas vezes em que me fazias parar. Irei perceber que ter a casa arrumada afinal não é tão gratificante e que o silêncio, que tanto desejava, pode ser ensurdecedor.

Nesse dia, irei perceber que não chamares por mim constantemente chega a doer no peito .

Antes que esse dia chegue vou encher-te de beijos. Vou dar-te todo o colo de que precisas, vou olhar-te nos olhos e dizer-te como te amo. Antes que esse dia chegue vou saborear o som da tua gargalhada, vou brincar contigo sem olhar para o relógio e valorizar a doce bagunça que lanças pela casa.

E vou repetir tudo quantas vezes precisares. Vou educar-te com todo o amor que tenho.

Porque na vida tudo tem um tempo e eu quero viver cada segundo deste nosso tempo.

 

Às vezes basta estar presente

A felicidade da minha filha de quase quatro anos é algo “fácil” de alcançar. Basta a perspetiva de uma ida à praia, de um passeio de barco, de irmos visitar a bisavó, de iniciarmos a leitura de um livro novo antes de deitar, de contar os dias para os quatro anos para poder ter um passe para usar no metro…

Tento que a felicidade lhe surja devido aos sentimentos que tem quando está a fazer alguma coisa ou na presença de alguém.

Tento que valorize os abraços tanto quanto uma ida ao teatro.

Tento que goste de estar com as pessoas, mesmo que não haja grandes planos de saída de casa.

Gosto que venha brincar comigo para a cozinha quando preparo o jantar e, para isso, venha carregada com a artilharia de brinquedos para ficarmos bem rodeadas as duas enquanto conversamos.

Gosto que fique feliz quando me digo orgulhosa de uma sua conquista.

Quando me vê chegar à escola. Quando vê que o lanche é maçã, que era mesmo o que lhe estava a apetecer.

Quando consegue subir sozinha para o baloiço e baloiçar sem ajuda, ainda que não consiga chegar ao chão e me vê aplaudir e ficar feliz também.

Tento que se lembre que acordar de manhã junto a quem gosta dela, a abraça e a beija é suficiente.

Que entenda que nada lhe falta e, por isso, é sortuda.

Que é bom conversar, verbalizar o que sente, mas que não quero que se preocupe com o que não tem de se preocupar: para ser adulta estou cá eu.

Orgulho-me de a ver feliz a correr na relva, a subir às árvores, a comer um pedaço de pão. A encontrar um amigo no jardim e a fazer conversa. A oferecer os seus brinquedos e a combinar brincadeiras sem ser preciso incentivar.

A lembrar-se da prima quando lhe dou algo do Frozen e me pergunta se não posso comprar igual para ela, porque ela gosta mesmo muito da Elsa.

Que as pessoas que nos encontram no caminho para a escola sorriam ao vê-la cantar, alegre, logo pela manhã e lhe digam que esperam que ela continue bem disposta e feliz.

Porque ela é.

Com as pequenas e com as grandes coisas.

Espero continuar a ter um papel activo para que não se esqueça da importância das primeiras e a aprender a relativizar as segundas.

A felicidade está no que fazemos com o que temos, o que somos, o que a vida nos dá.

Às vezes bastava que nos lembrássemos de dar a mão a quem está ao nosso lado.

Porque tantas, tantas vezes, a felicidade é apenas estar lá.

Os teus filhos precisam de ti e não do teu dinheiro

Na sociedade de hoje em dia, há a ideia errada de que dar presentes é demonstrativo de amor e afeto. Assim, os gestos genuínos que representam amor e carinho são, muitas vezes, substituídos por presentes e diversas atividades.

Hoje, uma criança feliz é aquela que tem e faz de tudo, desde a natação, ao inglês, ao futebol. As nossas crianças sabem fazer muita coisa, mas têm pouco espaço dentro de suas próprias casas.

Pais demasiado ocupados para estar com os filhos e que, ao mesmo tempo, ocupam excessivamente os filhos, como forma de “suprir” essa falta. Não tentamos culpabilizar os pais, mas sim promover uma reflexão sobre a relação pais e filhos, a qual é muito importante e tem sido deixada, cada vez mais, de lado.

Porque é que os teus filhos precisam de ti

Por mais que uma criança tenha mil e uma atividades, uma conversa, um abraço e essencialmente o nosso tempo, não são dispensáveis nem substituíveis.

Nós, adultos e Pais responsáveis precisamos disso. Precisamos de saber que alguém zela por nós, precisamos de ter um lugar não só para descansar no fim do dia, mas alguém para conversar e partilhar a nossa vida.

Os filhos também precisam deste espaço. A atenção não deve ser apenas de fora, mas também (e principalmente) dos pais. Por isso, encheres o teu filho de presentes não significa necessariamente que ele se vá sentir amado. Presentes e dinheiro para comprar roupas ou ir a festas, ou simplesmente ser um pai-mãe liberal não resume, de todo, as necessidades básicas do teu filho.

Assim como uma relação amorosa não é sustentada por presentes e jantares, também as relações entre pais e filhos têm de ser diariamente regadas. É essencial dar espaço ao diálogo, permitir que os filhos partilhem histórias, medos e angústias que, muitas vezes, ficam retidos pela falta de tempo. A falta de tempo é muitas vezes falta de entrega e de disponibilidade emocional.

Por mais que os nossos filho não manifestem o desejo de se expressar, é preciso estimular estas relações positivamente.

As crianças querem ser ouvidas

A série “13 reasons why” mostra-nos a importância das relações não só no âmbito social, mas também familiar. As crianças e adolescentes precisam de ter um espaço de acolhimento dentro das suas casas. De ter alguém que os defenda em vez de apenas julgá-los e culpabilizá-los.

Vejo muitos adolescentes que têm de “tudo”. Têm o melhor telemóvel, roupa de marca, viajam por todo o mundo, mas  queixam-se de ninguém lhes dar ouvidos. Pessoas que estão angustiadas e não sabem lidar  com o seu sofrimento. Que procuram alguém com quem partilhar e acabam perdidos nesta procura incessante de alguém que os escute, e que acolha as suas angústias.

A culpa não é da família. Muitas vezes, os pais não se apercebem desta necessidade quer seja pela rotina, pela correria, ou por inúmeras razões.

O alerta vem no sentido de nos direcionarmos para estas relações. De nos empenharmos em fortalecer a relação com os filhos enquanto são crianças, não através do dinheiro, de presentes, agrados e permissões, mas através da escuta, do companheirismo e da nossa presença e empenho.

Nada disto supre a falta de um abraço caloroso. Nada paga o colo nem o ombro amigo que lhes permite chorar. Nada anula a nossa presença e o cuidado parental. Afinal, todos nós amamos sentir que alguém zela por nós, os teus filhos precisam de ti.

 

Publicado em ContiOutra, adaptado por Up To Kids®

Adultos desatentos precisam de crianças atentas

Estava presente para o meu filho. Estava fisicamente presente, por isso estava presente. Chegava a casa e satisfazia as suas necessidades básicas. Significava que estava presente: atenta. Pensava eu.

Mas hoje sei que, na verdade, não estava presente, não estava atenta. Estava em casa, sim. O meu corpo realmente estava em casa mas a minha cabeça, o meu sentir, vagueava por outros lugares: o trabalho, os objetivos, as metas, as contas para pagar, a barriga gorda, os comentários dos outros e por ai fora. Encontrava-me entre os problemas do passado e as antecipações de cenários dantescos do futuro. Mas a verdade é que não estava em casa. Não estava ali, presente, inteira. Não olhava para os seus olhos, não conhecia os sinais o seu corpo, não me espantava com as suas conquistas, não me apercebia dos seus pedidos de ajuda. Estava desatenta. Não sabia quem era o meu filho. Não conseguia ver o que verdadeiramente importava. Só lhe dava ordens e lhe dizia como devia ser e fazer.

Um dia o meu filho mostrou-me um desenho e eu, de forma automática, disse – lhe “que bonito!”. E ele, muito dececionado, respondeu: “mãe, são só riscos!”. Acho que tive tipo uma mini epifania nesse momento porque ainda me lembro disto hoje. Tocou-me profundamente.

No infantário começaram os alertas que se prolongaram até à escola: o seu filho é muito agitado, impulsivo, ansioso, desatento. Fiquei fora de mim. O meu filho não podia ser assim. Não podia! Irritava-me tanto. Ficava fora de mim. “Tens estar mais quieto, atento, calmo!”.

A mãe desatenta precisava de um filho atento. À força! Sim, ele tinha de estar quieto, ser bem comportado e ter bom desempenho escolar. Ele tinha de mostrar que eu era a mãe perfeita e extremosa. (“O que os outros iam pensar?”). Mas não: ele mostrava o contrário. A minha autoestima ficou um caos. Mesmo. Mas a culpa não era minha, não, nem pensar, a culpa era dele. Especialistas, despistes, correrias.

Comecei a procurar fora uma resposta mas nenhuma me satisfazia por completo. Algo começou a corroer-me. Comecei a sentir que podia fazer algo mais do que simplesmente culpá-lo ou deixar o trabalho para as mãos de outros. Não ia abandonar a ajuda dos especialistas, é certo, mas senti que tinha de começar pelo princípio (que é como quem diz: olhar para mim).

Mas custava tanto…

No entanto procurei ajuda e assim comecei a desenrolar o novelo. E perguntas inconvenientes começaram a aparecer. Onde teria estado nos seus primeiros anos de vida? E como estava emocionalmente? Numa espiral de ansiedade, medo, culpa, irritação.

Até que percebi. Mãe Desatenta Precisava de Filho Atento. Aqui entre nós, que grande incongruência não é?

A criança precisa de alguém que a veja, que a ouça, que a reconheça, que esteja verdadeiramente presente! Que se ligue a ela. E assim sente-se segura e coopera. E assim sente-se vista, fica atenta e aprende. Esta foi a minha história. Esta é a história dos pais que acompanho.

Quando finalmente parei, despertei! Eu não estava atenta, eu não estava presente. Eu pensava que estava mas não estava. Eu estava em luta. O sofrimento tinha-se tornado a minha zona de conforto e eu pensava que a única saída que tinha era ficar por lá. Mas não. Existe outra: dá mais trabalho, é certo, mas é uma oportunidade maravilhosa. Uma oportunidade para nos voltarmos a encontrar.

Acredito que o primeiro passo para as crianças estarem atentas é olharmos para nós: que exemplo estamos a dar?. E às vezes até podemos estar a fazer tudo para ajudar os nossos filhos, mas mesmo essa ocupação de fazer tudo pelos nossos filhos, também nos leva a ficar desatentos, ou seja, andamos tão ocupados em ajudar, desvendar, resolver, fazer alguma coisa, que nos esquecemos de simplesmente ESTAR com eles de forma inteira, plena. Andamos em modo “Fazer” e esquecemo-nos de “Estar”.

Há algo que não nos podemos esquecer: comportamento gera comportamento, atenção gera atenção, desatenção gera desatenção.

E agora vamos para a escola, outro sistema importante que a criança frequenta. Vamos dar um passeio à escola. Ouve-se que as crianças estão desatentas, agitadas, mais violentas. É um facto. A questão é: o que é que estamos fazer para que elas aprendam a ser atentas, calmas, empáticas? Gritos, castigos, irritação, violência, cansaço são as palavras que se ouvem por parte dos que frequentam este ambiente. E atenção: a minha intenção não é culpar ninguém, acredito que todos estão a fazer o seu melhor que podem com os recursos que têm, mas a verdade é que, de uma forma geral, os adultos que por ali andam estão emocionalmente debilitados: esgotados, cansados, frustrados. Estão a precisar de ajuda! Estão todos a precisar de ajuda! A nossa forma de estar reflete-se nas crianças.

Esqueçamo-nos da guerra de quem tem culpa. Isso só nos desvia do que é realmente IMPORTANTE: o olhar para nós. Cada um de nós pode fazer diferença, cada um de nós terá a sua quota de responsabilidade. Na verdade estamos todos no mesmo barco, pais e filhos, professores e alunos: todos queremos ser vistos, ouvidos, reconhecidos, amados, olhados com Atenção. Certo?

Eu exigia ao meu filho atenção mas vivia desatenta. Acredito num caminho mais consciente para responder à desatenção e do que daí advém, como por exemplo, a chamada “má educação”. Se sempre consigo? Não, não consigo por isso continuo no caminho de reeducar-me para ser uma pessoa, mãe, mulher mais inteira e presente.

Não podemos exigir às crianças aquilo que não somos, simplesmente por uma razão, que apesar de óbvia nos esquecemos muito facilmente: Educamos Por Aquilo que Somos! Pelo exemplo!

O que estarão as crianças desatentas a precisar?

Crianças Desatentas precisam de Adultos Atentos.

Vamos olhar para nós sem julgamentos mas com verdade? À primeira vista pode até surgir o medo mas, acreditem, é tão libertador …

 

Por Carla Patrocínio do Blog Meus filhos meus mestres, visite a página do Facebook da especialista em Parentalidade Consciente

imagem@shutterstock

“O melhor presente é estar presente”.

Esta é uma expressão que se ouve cada vez mais, e faz sentido que assim seja. Tempo para a família e (ar)ritmo do dia a dia parecem evoluir na proporção inversa: cada vez passamos menos tempo com a família porque temos dezenas de tarefas e centenas de distrações que afetam o tempo que  dedicamos aos nossos filhos.

Poder passar mais tempo – leia-se: tempo de qualidade – com os nossos filhos tornou-se um dos nossos maiores desejos atualmente, enquanto pais e educadores. Poder observar, escutar o que eles têm para mostrar e dizer.

Quantas vezes não passamos tempo,  no trabalho, a pensar em como gostávamos de estar mais com os nossos filhos mas depois, quando estamos com eles, ficamos preocupados a pensar no trabalho?

Como é que se gerem estes sentimentos no dia a dia, numa sociedade tão exigente, que ainda não reconhece a importância vital dos primeiros anos da infância?

Há uma parte, orgânica, que tem a ver com o reconhecermos o impacto que têm os primeiros anos de vida de uma criança na sua biografia, enquanto indivíduo. No fundo, sabemos que as crianças não são mais felizes por terem mais brinquedos e gadgets, por exemplo. Um piquenique em família, com tempo e disponibilidade para estar e brincar com os miúdos, e escutá-los, era tudo o que eles precisavam para terem uma tarde feliz. Quem diz um piquenique diz construir um pequeno cenário no quarto, cozinhar juntos, jogar um jogo de tabuleiro, ler um livro. E não deixar para amanhã o que podemos fazer hoje, com eles.

Outra parte,  mais prática, tem a ver com esse enorme desafio chamado gestão de tempo. Parece que o tempo está sempre fora de controlo.

Ter uma noção realista das tarefas que temos para fazer e de quanto tempo ocupam irá ajudar. Podemos  começar por perceber o que fazemos às 24 horas do nosso dia escrevendo (sim, escrever ajuda a clarificar as ideias!) uma lista concreta das tarefas que executamos diariamente e de quanto tempo dedicamos a cada uma – incluindo as horas dedicadas ao sono.

Vale a pena tentar responder a algumas questões a nós mesmos:

  • Qual foi a decisão ou decisões que eu tomei que levou a determinado resultado?
  • O que é que me impede de levar o meu filho a passear, de ir à praia, de lhe contar uma história antes de ir dormir?
  • O que é que posso fazer de diferente a partir deste momento, o que é que vou mudar?
  • Para onde quero ir? Que passos tenho de dar até chegar lá?

A verdade é esta: para haver mudanças temos que rever estratégias. Para que o resultado seja diferente, a estratégia tem de ser diferente. E tem de ser agora. Como diz Eckhart Tolle, “A vida é agora. Nunca houve um momento em que a sua vida não foi agora, nem nunca haverá”.

De fato, embora não seja fácil, é simples. Enquanto pais e educadores, apenas (!) precisamos de zelar pelo ambiente que rodeia a criança, para que ela possa desenvolver-se da forma mais saudável possível. Mais do que o tempo, a qualidade do tempo irá refletir-se não só no “estar” dos mais pequenos como no nosso!

“No meu tempo não era nada assim!”

Pois não. No nosso tempo havia mais tempo…

Tempo para fazermos as refeições em família, sem tablet’s e telemóveis à mistura.

Tempo para as crianças brincarem na rua e em casa, sem medos e receios e toneladas de atividades extra curriculares.

Tempo para se olhar e conversar e Rir, pois só existiam 2 canais de televisão, 1 Tv por família e nem se imaginavam as ditas redes sociais.

Tempo com tempo para os netos visitarem os avós no fim de semana, em vez de serem barricados nos Centros Comerciais.

20 coisas que os meus filhos nunca vão perceber
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Tempo para não se fazer nada, dando-se tempo aos tempos de “seca”.

Tempo para se fazerem disparates, pois, por vezes, não se sabia muito bem o que se fazer com o tempo.

Tempo para as crianças serem Crianças.

Tempo para os pais serem Pais e as mães serem Mães.

Nos últimos tempos, tenho ouvido e lido com bastante frequência afirmações do género:“ O que interessa é a qualidade do tempo que passamos com os nossos filhos e não tanto a quantidade!”.

Pois, discordo. Na educação dos nossos filhos tanto peso tem a qualidade como a quantidade do tempo que lhes dedicamos.

Uma relação positiva, gratificante e vinculativa com os nossos filhos não se constrói só tendo por base a qualidade dos momentos que passamos com eles. Alicerça-se, sim, em TODOS os momentos em que estamos juntos, nos bons e nos menos bons (que também são necessários).

O ideal: Dar Qualidade à Quantidade de tempo que passamos com os nossos filhos, porque se para eles AMOR rima com TEMPO, só há, então, que Dar Tempo ao Tempo.

Querido Pai Natal

Há quanto tempo! Como tens passado?

Sei que já não esperas cartas de “meninos da minha idade”. Aos 16 anos já não se escrevem cartas, mandam-se (quanto muito) e-mails! Mas este ano resolvi dar notícias, é que tenho andado a pensar numas coisas…

Vou ser breve, sei que não tens tempo, sei que já deves andar muito atarefado de um lado para o outro a preparar pedidos e presentes para os meninos do Mundo! Lembro-me tão bem de nesta altura começar a ficar ansioso e a desejar brinquedos e jogos que só tu sabias que eu gostava! Só tu sabias o que eu queria, porque nesta altura alguém recebia e lia as minhas cartas, o que nem sempre acontecia o resto do ano. Nem sempre me trazias aquilo que pedia, mas tinha quase sempre uma surpresa! Uma surpresa que rapidamente se transformava em “mais do mesmo”, mas no momento de desembrulhar era bom. Aliás, o que era mesmo bom era ter uma árvore cheia de  presentes!

Não te preocupes! Este ano não vou escrever nenhuma lista de compras como antigamente, até porque a moda agora é mesmo enviar a lista por WhatsApp ou pedir dinheiro. O dinheiro funciona muito bem… é rápido, não se perde tempo nas filas das lojas e as pessoas nem têm de nos conhecer assim tão bem… basta serem patrocinadores de compras que, muitas vezes, nem sabem o que são.

Tantos anos focado nas minhas listas de desejos que nunca me apercebi que nem todos os meninos do Mundo recebem brinquedos e jogos no Natal. Até porque nem todos os meninos do Mundo têm uma casa onde colocar o “sapatinho” na lareira. Que estranho… durante tanto tempo achei que o Natal era só isto: presentes! E que às vezes até eras muito injusto e desatento, quando não trazias o que te pedia! Ficava mesmo zangado.

Hoje estou um bocadinho mais crescido e acho que começo a perceber o sentido do Natal… já percebi que não era uma questão de injustiça não ter as 30 coisas que tinha pedido na lista, já percebi que tive muito mais do que alguma vez precisei, mas percebi também porque é que as minhas listas eram cada vez maiores e no fim sentia-me sempre insatisfeito.

Afinal os presentes que eu precisava não podiam ser embrulhados com papel vermelho e laço dourado… mas só agora, anos mais tarde, me dei conta que tenho tanto no meu quarto e às vezes tão pouco dentro de mim.

Querido Pai Natal, hoje, teria trocado os meus presentes da árvore de Natal por…

1) abraços apertados dos meus pais;

2) ter a minha mãe a dizer-me “não te preocupes, estou aqui para te ajudar” sempre que tinha medos;

3) conversas longas com os meus pais;

4) ter o meu pai e mãe a chegar cedo a casa;

5) passeios de bicicleta ao fim-de-semana;

6) menos tempo em frente ao computador;

7) jantares em família e sem televisão;

8) jogos de futebol com o meu pai;

9) aulas de cozinha dadas pela minha mãe;

10) estar mais tempo com os meus pais.

Querido Pai Natal, este ano tenho um presente para ti! Deixo-te uma caixa cheia de paciência para os miúdos que dia 25 vão ficar chateados por não desembrulharem tudo aquilo que pediram… não te preocupes, eles só não entenderam ainda que os presentes importantes não se vendem em lojas, nem se amontoam em caixas coloridas debaixo da Árvore de Natal…

os presentes importantes estão presentes todos os dias do ano.

Feliz Natal a todos!

imagem@freetimefun

Filha:

Cresce devagarinho, leva o teu tempo.

Faz as tuas asneiras, reclama quando as coisas não te correm de feição, tenta colocar o triângulo na devida forma quantas vezes tiveres capacidade, até conseguires.

Não sabes mas a sociedade é feita de exigências. Espera-se que uma menina aja de certa forma, que um rapaz tenha determinadas atitudes. Sim, é verdade, estamos quase em 2020 mas a tua geração tem ainda um longo caminho pela frente. Depois, na escola, quando estiveres quase a entrar para a primária nem imaginas quais são os objectivos que deves cumprir.

Serás uma criança com deveres de gente grande. E a partir daí é uma bola de neve.

Na tua profissão, se tiveres sorte, poderás encontrar pessoas que são razoáveis, mas ainda existe muito a mentalidade dos pequenos poderes, das pessoas que pisam porque podem, das que não respeitam quem está abaixo de si porque se o fizerem perdem a força (tirânica) que os alimenta.

Mas nem tudo é mau, apesar de eu ter pintado um cenário um pouquinho escuro. Em abono da verdade, só queria com isto pedir-te que sejas criança enquanto és criança.

Que brinques tanto que te esqueças que, a brincar, também estás a aprender.

Tens tempo para reconhecer as cores, para saberes quanto é dois mais dois, para aprenderes a ler.

Para tudo há um tempo e o teu tempo é o de pedir colo e tê-lo. De ouvir histórias ao pé do ouvido. De cheirar as flores nos canteiros, de dançar sem qualquer vergonha quando o pai põe a tua música preferida a tocar. De cumprimentar as pessoas que não conheces quando passas por elas na rua. De reparar como as árvores são altas e as formigas parecem pontinhos que se movem. De apontar para o ouvido e depois para o céu quando identificas um avião a aproximar-se. De pedir para ficar um bocadinho mais dentro do mar. De chapinhares dentro da banheira na hora do banho. De ficares triste quando partes o teu boneco preferido. De pedir pão quando nos vês a comê-lo. De não esconderes a alegria que sentes quando reencontras alguém que já não vias há alguns dias.

Aos poucos (seria bom que não, mas é natural que sim…) irás moldar-te a ser menos espontânea, a seres mais discreta, a teres mais noção de quem está à tua volta e dos julgamentos que te dirigem.

Por isso, repito: não tenhas pressa.

Cresce ao teu ritmo, a ver o mundo com os teus olhos.

Este tempo é teu e nada nem ninguém te pode roubá-lo. Estamos aqui para garantir isso mesmo.

Vive como até agora, na tua inocência.

És feliz. Que isso se perpetue para sempre.

imagem@Weheartit

Já é um hábito para os pais, a agitação constante de todos os Natais. Todos os anos o ciclo se repete, e a busca pelo presente perfeito parece um caminho interminável.

Uns gostam mais de carrinhos e pistas para voar sem sair do chão. Outros preferem brinquedos científicos e descobrir comos e porquês. As meninas preferem os Nenucos e as Barbies, os peluches e as casinhas de bonecas. Mas… Sabia que o que as crianças preferem mesmo é brincar com os pais?

Segundo um estudo recentemente revelado pela Imaginarium, o desejo de todas as crianças é ter mais tempo para brincar com os pais. Brincar é sempre uma diversão, mas brincar com os pais, de uma maneira plena e sem pressas, é o verdadeiro prazer de viver.

Este estudo surge a propósito da comemoração do Dia Internacional dos Direitos da Criança, e reveste-se de especial importância, não só a propósito deste dia, mas a propósito de uma reflexão constante que fazemos todos os anos por esta altura: qual o melhor presente que podemos dar às nossas crianças, todos os dias? A resposta é fácil: estar perto, estar atento, estar presente.

Ser pai, mãe ou professor é uma tarefa dura, recheada de dias difíceis e birras intermináveis mas também é muito gratificante. Significa resistir e saber estar presente em cada momento, dar liberdade para brincar, protestar e perdoar.

Mais do que um brinquedo, um videojogo ou outro bem material que possamos oferecer, este Natal, importa que ofereçamos o nosso tempo: enquanto pais, irmãos, tios, primos, educadores, porque todos nós temos uma missão clara e doce.

Para 31,2% dos pais portugueses, à semelhança do que acontece em outros países do Sul da Europa, aquilo que os faz mais felizes no seu dia-a-dia é estar com a família. Por isso, mais importante do que escolher o brinquedo certo, por ser mais apropriado a cada idade, por ser fácil de utilizar ou por ter sido o preferido das crianças, o importante é que este Natal, pense no tempo que vai dedicar a partilhar esse momento com os seus filhos.

As crianças são felizes enquanto brincam. Aprendem enquanto brincam e divertem-se aprendendo! Mas aquilo que os faz realmente felizes é que os pais façam parte desse momento.

Também aqui, métodos de ensino e formas de educar se fundem, ao permitir que pais e filhos partilhem momentos de absorção e aprendizagem de conhecimentos, em conjunto. Sentar no chão, ouvir canções, repeti-las infinitas vezes, rir e chorar, fá-los compreender que o caminho se constrói em conjunto e que a peça mais importante do puzzle da vida são os pais, que a cada momento estiveram por perto.

Brincar com os filhos torna os pais especiais!

Por isso, este Natal seja especial, dedique-se aos mais novos, volte a ser criança e desfrute da actividade mais vital, divertida e essencial de levar a vida: a brincar!

Quantas vezes pensamos que não somos os pais ideais, que se tivéssemos mais tempo, se não tivéssemos que trabalhar tanto, tudo seria mais simples?

Teríamos mais tempo para estar com os nossos filhos, para lhes dar mais atenção, para simplesmente brincar com eles.

E quantas vezes pensamos que já não aguentamos os miúdos, estão sempre a portar-se mal, a desobedecer, a testar os limites, a recusar fazer os trabalhos, a amuar, a fazer birras, a ter más notas, etc, etc, etc?

E quantas vezes já parámos para pensar que os nossos filhos seguem o nosso exemplo, aprendem por modelagem e imitação?

Se pensarmos nisto, chegamos a uma conclusão: os nossos filhos transformam-se no espelho de nós próprios…

São desatentos ou desconcentrados, pois são. E nós, damo-lhes a atenção devida?

São muito agitados, não param quietos. Pois não. E nós, paramos para estar com eles tempo de valor?

São malcriados, respondem mal, não obedecem às nossas ordens. Pois… E nós, respondemos sempre num tom de voz calmo, cumprimos as promessas que lhes fazemos, ou simplesmente cedemos a um pedido simples, como contar uma história antes de dormir?

Às vezes até o fazemos, mas é sempre tudo tão rápido, que mal damos pelo tempo em que estamos com eles, provavelmente nem nos damos conta, mas foram cinco minutos de uma história corrida, lida num livro que já tem as folhas rasgadas, às vezes não lhes mostramos sequer as imagens (para não perder tempo!!) e não damos aso a que imaginem, que puxem pela criatividade, que sonhem, e que sobretudo interajam em amor connosco.

Estes factores interferem em diversos campos da vida, não só na vida das nossas crianças, como nas nossas próprias vidas.

E é esta a nossa vida. Será que é assim que a queremos viver? Será que nós podemos fazer alguma coisa para modificar este ciclo vicioso?

E a resposta é: Sim, podemos.

Se pararmos para pensar nestas situações, durante cinco minutos, tudo nos faz sentido. Se estamos todos interligados, mas estivermos todos em sintonia, então, sim, é possível mudar tudo.

Esta semana proponho uma actividade muito simples: fazer uma lista (por escrito) de todas as coisas boas pelas quais estamos agradecidos na nossa vida. Podemos agradecer pela família, por termos saúde, emprego, ou pelo carro, pela casa, pela comida. O que quisermos, somos livres de estarmos felizes pelo que quisermos.

Vamos sugerir aos nossos filhos que o façam também, ou que o digam. Que pensem em coisas que os fazem sentir-se bem no dia-a-dia.

Podemos depois pendurar, por exemplo no frigorífico, as nossas listas, e vamos seleccionando, um dia de cada vez, uma coisa que queremos fazer e que nos faz sentir bem. Cada um escolhe a sua (dentro dos padrões possíveis, obviamente).

Façamos isto todos os dias, e quando não é possível, prometemos uns aos outros que vamos fazer no fim de semana.

O objectivo é celebrarmos diariamente as coisas boas da nossa vida. Podemos ir comer um gelado, ou ver um filme há muito prometido, ou dançar um pouco, ou brincar àquela brincadeira especial, ou encher a casa de flores, ou estar com um amigo que não vemos há muito tempo…

Proponho isto, e posso com alegria dizer que já o fiz. Agradeci por 50 coisas na minha vida, e muito mais conseguiria fazer. Durante 50 dias senti-me no auge da felicidade. O amor retorna sempre, quando estamos de coração aberto.

Uma boa semana!

LER TAMBÉM…

Dar qualidade à quantidade de Tempo

Dar tempo aos filhos

Já agradeceste hoje, pela a sorte que tens?