DURAÇÃO | Para escrever os recados secretos: cerca de 20 minutos. Para os partilhar: Todo o dia!

MATERIAL
1. Cartões /cartolina cortada em pedaços
2. Canetas de cores.

OBJETIVO
Valorizar-nos mutuamente e deixar mensagens simples que demonstrem afecto e reforcem a importância dos diferentes membros da família.

COMO REALIZAR
Escrever em diferentes cartões, recados que queremos deixar para a mãe, para o pai, para os irmãos. O mesmo se aplica aos pais, ao escreverem para os filhos.

Depois, escolher um por dia e colocar na mala, na mochila, na lancheira, ou na carteira da mãe, do pai, dos filhos, para que sejam encontrados durante o dia como surpresa! Por exemplo, num dia de teste pode escrever um recado secreto:  “Bom dia minha princesa! Que o dia seja calmo e o teste corra muito bem! Beijinho grande do Pai”.

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Imagem de capa com direitos reservados a Up To Lisbon Kids®

ATIVIDADE | O tempo que tivermos e o tempo que quisermos! Cerca de 20 min.

MATERIAL
1. Papel.
2. Lápis/caneta
3. Livro de receitas de cozinha para tirar ideias sobre diferentes formas de cozinhar!

REALIZAÇÃO
Escrever, em conjunto, numa folha de receitas culinárias, os “ingredientes” (valores) que julgamos serem necessários no nosso dia-a-dia. A seguir escrever como vamos juntar os diferentes “ingredientes” numa receita diária!

OBJETIVO
Pensar activamente sobre os valores que pretendemos desenvolver dentro da nossa família, quais os ingredientes que precisamos diariamente e como os juntar numa maravilhosa receita!

Receita da AvóG

LEITURA DO LIVRO | A RECEITA DA AVÓ | 15 min

MATERIAL
Livro “ A Receita da Avó”

«“A Receita da avó” foi criada a pensar nas famílias.
É uma história que aborda os valores positivos presentes na nossa vida. Apesar de poder ser simplesmente lida, também pode ser utilizada para uma interacção ativa e fomentação do diálogo em família.»

OBJETIVO
Reflexão conjunta sobre os valores diários

 

Queridas famílias, falemos dos nossos filhos pequenos, mas falemos também dos nossos filhos adolescentes…

Todos sabemos que a adolescência é um período complicado, temos as alterações hormonais e físicas, o limbo entre a infância e a idade adulta, a par com a escolha e identificação em determinados grupos sociais, os namorados e as namoradas, as roupas, as modas, as redes sociais, o afastamento progressivo dos pais, a necessidade de sair cada vez até mais tarde, as crises de identidade, e muitas vezes a desmotivação na escola…

São muitos os factores e mudanças com que lidar, em famílias que têm outros filhos, pais que trabalham até tarde, e pouco tempo e disponibilidade para tudo, é muita coisa de facto.

Às vezes pensamos que os adolescentes estão a mudar o comportamento só para nos irritarem, para nos testarem, para serem independentes porque já se julgam adultos.

Apesar de isto poder ser verdade, podem existir outras razões que contribuam para estes comportamentos.

A verdade é que esta fase é crítica e difícil para todos. Sobretudo para os pais e ainda mais para os adolescentes, que se sentem perdidos entre aquilo que até agora tinha sido a infância e que progressivamente se vai tornando numa maior responsabilização para se comportarem como gente crescida. Agora querem escolher um grupo de amigos com quem se identificam, um grupo que seja “cool”, social e com muitos programas e amigos agregados. Escolhem como agir, o que devem vestir e o que devem fazer para serem aceites.

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Não é à toa que escrevo sobre este tema. Tenho tido cada vez mais adolescentes na consulta, que vêm por iniciativa própria e pedem ajuda desesperadamente, porque já não sabem como agir, qual o objectivo das suas vidas, quem são os verdadeiros amigos, o que estão a fazer nesta vida, porque é que em casa há tantas discussões. É interessante ver como eles próprios procuram ajuda…

Os adolescentes procuram ajuda por várias razões, uma delas é o facto de não quererem falar com os pais ou familiares sobre as suas preocupações, porque isso seria demasiado penoso para todos e acabaria em discussão na certa (pelo menos é o que os adolescentes pensam e me transmitem). Para começar, muitos não falam sobre o que realmente os preocupa, pois isso seria admitir que estão indecisos, perdidos, muitas vezes infelizes e desmotivados para a escola, para os amigos, para a vida em geral. E muitas vezes não querem magoar os pais, ou mesmo ouvir raspanetes, ou ficar de castigo, ou perderem privilégios, como o de saírem com os amigos (pois esta é uma das coisas que os faz sentirem-se enquadrados no meio social e lhes dá bastante significado nesta fase da vida).

É difícil, esta fase é difícil. Não pretendo tecer considerações acerca do que os pais ou adolescentes devem fazer. Cada caso é um caso. Mas considero importante o estabelecimento de limites, a atribuição de tarefas, a responsabilização do adolescente em relação aos estudos, o respeito pelos adultos, o respeito pelo outro.

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Sei que nesta fase os adolescentes se afastam, e parece que sentem “cócegas” quando lhes queremos dar um abraço, um beijinho, ou um sinal de afecto. “Já sou um adulto”- pensam – e o afecto de um adulto, e sobretudo dos pais, é sinal de ainda ser criança, de fraqueza e dependência do mesmo.

Mas nem sempre isso é verdade. Se há uma coisa que falta em muitos adolescentes hoje em dia, é precisamente o afecto, o diálogo e a compreensão em casa.

Um sinal de afecto, expresso por uma festa no cabelo, um elogio, um abraço ou um beijinho quando tem uma nota melhor, por algo que ele(a) tenha feito correctamente, por uma ajuda que tenha dado quando não estávamos à espera, por ter ido logo para a mesa, por ter ajudado o irmão. Afinal eles fazem tantas coisas bem feitas, mas são muitas vezes chamados à atenção apenas pelo que fazem mal. Demos-lhes atenção pela positiva, e não só pela negativa.

O diálogo, perguntar coisas simples, sobre o dia-a-dia, se precisam de alguma ajuda, se gostariam de fazer algum programa específico que os animasse no fim-de-semana, ou se gostariam de fazer alguma actividade extra curricular que os motive. Perguntas rápidas e nunca demasiadas, sabemos as irritações a que estão sujeitos nesta fase. Podem sentir também que nos estamos a intrometer nas suas vidas, e aí, por momentos, podemos dar-lhes algum espaço para crescerem nas suas próprias decisões, sem os enchermos de perguntas e opções a tomar. Demos-lhes espaço, o espaço que eles começam a precisar para encontrarem o canto onde pertencem. Deixemo-los estar sozinhos quando precisam, sabendo que o adulto está presente do outro lado da casa se precisarem de falar.

Mas estabeleçamos também os limites. Os pais estão disponíveis para falar, são amigos, mas acima de tudo são pais. São os pais que os educaram e ainda educam, que se preocupam com o bem-estar dos seus filhos. Não precisamos de estar sempre a relembrá-los disto, mas é importante que os pais se lembrem que são, acima de tudo: pais.

Os limites aplicam-se igualmente aos horários de saídas, à utilização de redes sociais online e à internet. Estimulemos as interacções à séria com os amigos, cara a cara, presenciais. Ajudemo- los a interagir em vez de se esconderem atrás dum ecrã e de fotografias criteriosamente seleccionadas. Mas para isso tem de haver abertura e disponibilidade dos pais para permitirem que os seus filhos vão ter com os seus amigos de forma relativamente autónoma (como era no nosso tempo afinal!).

Em casa podem atribuir tarefas de responsabilidade, respeitando os horários de estudo, mas estimulando a interação em família e reforçando de forma positiva o comportamento quando as tarefas são cumpridas.

Se queremos que os nossos filhos sejam responsáveis e coerentes, nós pais, devemos dar o exemplo. Mantenhamos uma promessa, uma combinação específica, tentemos não inverter a verdade (ou seja: mentir!), pois eles apanham todas as nossas manhas mais cedo ou mais tarde. E o que acontece quando se apercebem que lhes mentimos ou distorcemos a verdade? Deixam de confiar, adoptam comportamentos de maior revolta, deixam de conversar connosco ou de se exporem, porque deixaram de acreditar.

E por último, deixemo-los fazerem escolhas, com a ajuda do adulto, que lhes pode apresentar as várias saídas possíveis, as consequências de diferentes actos e ajudá-los a amadurecer a capacidade na resolução de problemas. Não digamos logo que Não, sem ouvirmos e falarmos sobre as alternativas e as consequências possíveis do que estão a pedir. Conversemos. Quanto aos estudos? Aí vem um tema também complexo…Eles querem passar de ano, eles querem ser aceites e bem recebidos na escola. Mas às vezes não parece, estão desmotivados, ou têm mesmo dificuldades que não nos transmitiram recentemente. Demos-lhes a oportunidade de falar com alguém, um amigo ou outro adulto, que os ajude a perceber de onde vem a desmotivação ou a dificuldade. Muitas vezes os problemas de comportamento em casa e na escola, estão basicamente a camuflar outro tipo de problemas emocionais da criança/adolescente.

Pensemos nisto.

 

Hoje vou falar de um tema um pouco difícil para todos nós, pequenos e graúdos.

Todos nós já nos zangámos com alguém. Podem ter sido zangas de maior ou menor importância, mas a verdade é que se há uma coisa muito difícil de fazer em certas situações, é ter a capacidade de perdoar.

Falo por mim, falo por todas as pessoas que conheço. Falo pelas crianças também, que por vezes se envolvem em conflitos de difícil resolução. Para elas talvez seja mais fácil perdoar, pois uma brincadeira que desvie o assunto, um presente, um abraço, um “esquece lá, não ligues”, é mais fácil de encarar, do que para nós, adultos.

Mas a verdade é que perdoar é extremamente importante.

Tenho lido um livro que se chama “O Livro do Perdão”, de Desmond Tutu e Mpho Tutu, da Editorial Presença. Este livro é escrito pelo Arcebispo Emérito Desmond M. Tutu, que foi distinguido com o Prémio Nobel da Paz em 1984, e pela sua filha Mpho, sacerdote episcopal. Nele expõem as verdades simples sobre o significado do perdão.

Esta é apenas uma dica de leitura, que acho que vale verdadeiramente a pena.

Quanto aos nossos filhos, ainda ontem me deparei com uma situação entre dois dos meus sobrinhos, em que houve uma ofensa aparentemente inconsciente por parte dum deles, com uma interpretação gravíssima do outro que a ouviu. A situação avizinhava-se complicada, com interpretações que poderiam despoletar reacções mais sérias nos pais.

Existiu uma intervenção dos adultos que os rodeavam, no sentido de os ajudar a resolver a situação. Para começar, ambos teriam de perceber porque era importante perdoarem-se mutuamente. Porque é que era importante que a situação não crescesse de forma a que mais pessoas da família estivessem envolvidas.

Sim, porque muitas vezes podemos não nos aperceber, mas quando nos chateamos com alguém, além de as duas pessoas ficarem incomodadas com a situação, e porque estamos todos interligados por laços (familiares, de amizade, de núcleos sociais, profissionais, etc), mais pessoas saem magoadas do contexto do desentendimento.

Isto é importante percebermos, para que saibamos até que ponto a situação é realmente irreversível.

Então, numa segunda fase, foi explicado às crianças, que as interpretações de cada um são muito únicas, e que devemos sempre conversar para ter noção da intenção e do que se passa na cabeça do outro.

Assim, por exemplo, se eu vejo chuva lá fora, para mim o dia pode estar estragado, mas para o meu filho pode ser uma boa razão para ficar mais tempo em casa comigo, e para o meu marido pode apenas ser uma situação passageira, pois já se vê um pouco do sol a espreitar.

Se eu digo que vou sair para apanhar um pouco de ar, para mim pode ser mesmo para desanuviar a cabeça das preocupações do dia-a-dia, mas para o meu marido pode ser mais uma “birra”, e para o meu filho um sinal de que a mãe está chateada.

Às vezes parece tão simples para nós: “Porque é que não me entendem?” – porque ninguém está dentro da cabeça do outro, não tem as mesmas experiências das diversas situações diárias, nem a mesma perspectiva sobre alguns aspectos da vida.

E sobretudo, porque não tem os mesmos pensamentos que nós.

E daí a importância de falarmos uns com os outros e explicarmos quando podemos ser mal interpretados. A importância de perdoar, para continuarmos todos unidos. A importância de não nos esquecermos de quem nos rodeia e que pode sair magoado por danos colaterais, que em nada lhe dizem directamente respeito.

Tal como li no livro, o caminho da raiva e da vingança não nos permite ter conhecimento dos nossos verdadeiros problemas e sentimentos. Ripostamos no outro aquilo que nos aconteceu e a raiva não desaparece, apenas se esfuma momentaneamente.

O caminho do perdão não é fácil, mas também não é uma fraqueza. Pelo contrário, termos a capacidade de nos conhecermos, de assumirmos os nossos sentimentos e pensamentos, é de uma coragem muito maior. E termos a capacidade de perdoar alguém que nos fez sofrer muito, é meio caminho para alcançar maior paz de espírito e harmonia na nossa vida.

Uma boa semana!

 

Com a chegada do fim do ano lectivo, aparecem os nervos de última hora. Principalmente para aqueles alunos que têm tido notas mais baixas ao longo do ano, ou para aqueles que se preparam para os exames e provas finais.

Não é uma altura fácil, nem para pais, nem para filhos. E para ajudar, temos um último período muito curto, com testes semana sim, semana sim, com matéria para pôr em dia, sem tempo para estudar, e sobretudo para descansar.
Pais e filhos andam nervosos e cansados, sem saber para onde se virarem.

Com os alunos no final de Ciclo, ou mesmo com os mais velhos, o tempo aperta, sempre. A correr tentando chegar a tudo o que é necessário fazer.

Certo é que o programa curricular está cada vez mais elaborado, sendo que alguns conteúdos são mesmo complicados para mentes tão jovens e cansadas nesta fase do ano.

Assim, proponho algumas dicas, que tenho utilizado com alunos em fase de dificuldades na organização do estudo, e que tendo em conta o tempo limitado e as outras actividades fora da escola, demonstram falta de organização. O objectivo é antecipar os tempos de estudo, para melhor o rentabilizar:

1. Colocar num calendário todos os testes do 3º período, com uma cor destacável. O mesmo calendário deve ser afixado num local bem à vista do seu filho.

2. Colocar ainda as actividades extra-curriculares, os dias de explicação, os trabalhos para apresentar, as festas de anos, os programas familiares, e tudo o que possa existir de inadiável, nesse mesmo calendário (noutra cor).

3. Organizar, no mesmo calendário, cerca de uma a duas horas de estudo por dia, para as disciplinas em que vai haver teste. O estudo deve iniciar antes da altura crítica (cerca de uma semana antes), para que não existam imprevistos de última hora que possam impedir o estudo na véspera e, mais nervos associados.
Uma vez que o calendário está organizado, em vez de sugerirmos que estudem todo o dia para o teste de segunda feira, podemos sugerir que estudem em períodos  de 45 minutos a uma hora, seguidos de um intervalo de cerca de 10 minutos.

Isto pode ser repetido ao longo do dia. No entanto, o importante é que exista estudo com qualidade, e não somente com quantidade. O que pode acontecer ao seu filho, que nesta fase do ano, está um dia inteiro a olhar para os livros, sem tempo livre, é que o conteúdo que consegue memorizar ou compreender, poderá ser muito inferior ao que poderia assimilar se tivesse a cabeça refrescada em períodos mais curtos de tempo.

Sugiro também, se for o caso de não existirem testes marcados numa das semanas (o que é raro), que o seu filho possa usufruir de um dos dias de fim de semana para descansar. Esta proposta vem com base, mais uma vez, na necessidade de descansar, para produzir estudo com maior qualidade.

Por último, e porque não podemos alterar todo o processo de estudo num mês, proponho que os intervalos entre os períodos de estudo sejam preenchidos com alguma tarefa leve (ex: lanchar, brincar com o cão, arrumar a roupa que ficou no chão do quarto, pôr a mesa), mas que não seja: jogar computador ou falar nas redes sociais, consolas, telemóveis ou televisão.

Sabemos que qualquer uma destas actividades prenderá, com muito mais interesse, a criança, sendo muito mais difícil voltar ao estudo de seguida.

Há pais que não concordam, ou que ficam mesmo chocados com a proposta de estudar períodos mais pequenos, ou fazer intervalos, ou ter um dia de descanso.

Mas se pensarmos bem, o mesmo não acontece connosco, adultos? Se tivermos um tempo de descanso psicológico e físico, não produzimos com muito maior qualidade e precisão?

Boa sorte e só mais um esforço, está quase!

Por Rita Bettencourt,
Para Up To Lisbon Kids

imagem capa@espaçocriançaBrasil

Muitas das crianças hoje em dia têm dificuldades em puxar pela criatividade e encontrar temas sobre os quais brincar, escrever, desenhar ou falar. Noto isso diariamente, seja em crianças que frequentam o 1º e 2º Ciclo, ou até adolescentes.

Isto pode dever-se ao excesso de estímulo visual dos jogos, da televisão, e até dos próprios brinquedos. Os brinquedos actuais não dão grande margem para imaginar para além do que ali está.

Antigamente pegávamos num ramo de uma árvore e construíamos uma fisga, ou uma varinha mágica, ou construíamos uma casa em lego e imaginávamos as diferentes divisões, onde seria a cama, a mesa, e até as portas.

Hoje em dia os brinquedos já vêm com todas estas partes incluídas, que nos dão espaço para a construção, mas pouco para a imaginação do contexto e do brinquedo em si.

As bonecas e todos os brinquedos são incontáveis, com vestidos elaborados, pormenores físicos em detalhe e todos os acessórios necessários à disposição.

Quem é que ainda faz vestidos para as suas bonecas?

Quem é que ainda faz casinhas com paus ou ramos, ou panos a fingir de tendas para brincar aos índios?

Quem é que ainda recorta caixas de cartão, usa revistas velhas ou faz uma papa de terra e folhinhas para fingir que é uma bela sopa?

Quem é que prefere inventar estas brincadeiras em vez de brincar com os brinquedos que já estão feitos?

Tenho a certeza que há muitas crianças que gostariam de o fazer, e algumas provavelmente já o fazem. No entanto, quando chega à parte da imaginação, muitas delas têm dificuldade em desenvolver um tema específico.

E isto torna-se muito evidente em contexto escolar.

Hoje proponho a realização de duas actividades muito simples, em que podemos utilizar um brinquedo ou objecto, ou simplesmente puxar pela imaginação sem nenhum suporte.

São duas actividades que estimulam a criatividade e ao mesmo tempo desviam o pensamento de pormenores que podem estar a influenciar de forma negativa o dia-a-dia, ou podem mesmo reflectir a emoção ou pensamento da criança numa determinada altura:

  1.  Pedir à criança que pense num local que seja sinónimo de tranquilidade e segurança para si. Depois pedimos para fechar os olhos e imaginar que se encontra nesse local (ex: a praia, o campo, a escola, casa, etc). O pensamento positivo pode ser explorado “até à exaustão”. Isto é, como se sente nessa altura (física e emocionalmente), o que tem vestido, com quem está, quais são os sons que ouve, as formas e cores que vê, o que sente na pele (o que consegue tocar com as mãos ou os pés, se está frio ou calor…), os cheiros à sua volta, se consegue saborear alguma coisa. O objectivo é redireccionar os cinco sentidos para um momento de relaxamento e criatividade, para que a criança perceba que pode imaginar aquilo que quiser dentro da sua cabeça, sendo o pensamento um momento só seu. Os detalhes não precisam de ser verbalizados pela criança, mas a orientação do adulto neste tipo de tarefa é importante.
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  2. De seguida podemos experimentar ir um pouco mais longe. Vamos pegar numa imagem ou objecto simples (por exemplo uma maçã, uma goma, um desenho de um animal, ou uma planta, uma paisagem, ou uma pessoa) e criar/ contar uma história a partir da mesma. As perguntas podem ser várias, sendo o objectivo, a criação de uma história original. Podemos pedir para pensar no nome da personagem ou objecto, quantos anos tem, onde vive, a quem pertence, o que gosta de fazer, o que come, o que bebe, quem são os seus amigos, se anda na escola, o que esteve a fazer antes e o que irá fazer a seguir, o que está ali a fazer, em que estação do ano está… Enfim, todas as perguntas possíveis que permitam criar um ambiente que rodeie aquela imagem ou objecto. Podemos no final sugerir um desenho que envolva a imagem/objecto, tendo em conta os pormenores que foram dados.

Ao realizar estas actividades simples, estamos a promover a criatividade na criança, a vontade e o desejo de imaginar para além do que lhe é imposto diariamente.

Este ou outro tipo de brincadeira pode ser muito útil para tarefas futuras, em que a criança deve puxar pela imaginação para escrever uma história ou simplesmente para brincar num mundo que é só seu.

Todos os pais estão convidados a experimentar fazer o mesmo para si próprios.

Todos os pais estão convidados a voltar ao seu tempo de infância, a dar largas à imaginação e a brincar com os seus filhos de forma livre e descontraída.

Vamos ver como se sentem no final.

Afinal, o exemplo é o melhor caminho para a educação!

imagem@institutoinsight

No fim de semana fui almoçar com uma amiga, e enquanto estávamos a conversar uma com a outra, olhei para um casal na mesa ao lado que se encontrava também a conversar. Mas era uma conversa muito diferente, não falavam um com o outro, mas sim com as novas tecnologias: enquanto ela estava agarrada ao tablet, ele estava agarrado ao smartphone. Não olharam um para o outro nem trocaram uma palavra durante todo o tempo que ali estiveram.

Tenho reparado, como todos nós, em situações crescentes deste género, em que as novas tecnologias se sobrepõem ao convívio e ao relacionamento saudável entre as pessoas, tanto adultos, como crianças, e sobretudo adolescentes!

Concordo que todas estas novas possibilidades de contacto com o mundo exterior nos trazem oportunidades de relacionamento com pessoas que não vemos há muito tempo, com o que se passa lá fora, com novos projectos e novidades dos nossos amigos e conhecidos. E ao mesmo tempo acompanhamos a evolução da sociedade actual.

Mas não andaremos nós demasiado presos ao que os outros fazem e a esquecermo-nos de conviver com aqueles que nos são mais próximos?

A nova tecnologia torna-nos pessoas menos sociáveis, mais isoladas, menos empáticas, menos verdadeiras, mais consumistas.

http://educ305jenmini.blogspot.pt/

 

  1. Menos sociáveis e mais isoladas, porque já não convivemos tanto como antigamente, convivemos através das novidades das redes sociais, da internet e do que os outros andam a fazer. Olhamos para o que está no ecrã à nossa frente, não ouvimos o que a outra pessoa nos diz, pois estamos mais ocupados a enviar uma mensagem ou um post do que foi o nosso almoço, ou a partilhar o nosso dia para uma máquina.
  2. Menos empáticas, porque passamos cada vez mais tempo ligados à televisão e aos jogos e tornamo-nos imunes à forma como os outros se sentem e não conseguimos empatizar com eles, piorando o comportamento e gerando comportamento antisociais. A violência dos jogos e da televisão gera a falta de empatia entre os adolescentes, que se tornam menos sensíveis relativamente aos pensamentos ou consequências que podem afectar o outro, ao mesmo tempo que condiciona a adequação no relacionamento.(Antisocial Teenagers Unable to Empathize)

  3. Phubbing-3
    Stop Phubbing



  4. Menos verdadeiras, porque temos a liberdade de nos escondermos atrás de um ecrã e de mostrarmos apenas aquilo que achamos que os outros querem de nós. Não socializamos directamente e o facto de termos um mediador, torna tudo mais fácil e “camuflado”.
  5. Mais consumistas, porque deparamo-nos com uma oferta tão grande, que não conseguimos parar para distinguir o que é realmente essencial e nos faz falta, daquilo que é apenas um capricho. A informação entra “gratuitamente” no nosso cérebro e temos vontade imediata de adquirir, de ter. É excesso de ruído, excesso de efeitos especiais, excesso de gírias, de ironia, muitas vezes excesso de bullying e excesso de publicidade. Até os próprios filmes incentivam o consumo.

E o que fazer quanto a isto?

Sei que os nossos empregos e as nossas vidas actuais não nos permitem muitas vezes que desliguemos totalmente do que se passa no mundo, mas e o “nosso mundo” em particular?

Sei que na nossa altura, quando éramos pequenos(as), também passávamos horas ao telefone com os(as) nossos(as) amigos(as) e que as contas de telefone eram gigantescas. Mas será que não convivíamos directamente um pouco mais?

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Sei que todos gostamos de nos distrair e ver um pouco de televisão, mas a oferta é tanta que a certa altura, não a deveríamos desligar, para descansar a cabeça com o excesso de informação?

Sei que gostamos de saber o que os outros estão a fazer naquele momento, mas não será muito mais interessante saber o que é que a pessoa à nossa frente, ou a nossa família, está a fazer naquele momento?

Cada um de nós pode chegar às suas próprias conclusões e arranjar a melhor forma de diminuir um pouco a carga de tecnologia e aumentar um pouco o volume do relacionamento humano na nossa vida.

Como li em algum sítio num destes dias:

Passamos nove meses agarrados ao cordão umbilical, depois passamos o resto da nossa vida agarrados ao carregador do smartphone…

Pensemos nisto!

 

imagen@CelineMahou

Actualmente sabemos que muitas crianças resistem à escola e aos trabalhos de casa. Aliás, este não é um problema dos dias de hoje, mas talvez seja mais evidente agora, pelo pouco tempo que existe em termos diários para fazer outras coisas divertidas.

Hoje proponho algumas actividades que podem ser feitas em família. São actividades que podem ser feitas por qualquer criança em idade escolar, sendo particularmente eficazes com crianças que têm dificuldades de aprendizagem ou que estão claramente desmotivadas para a escola.

Naqueles dias em que os nossos filhos têm que treinar para um ditado, ou têm que ler textos em casa para treinar a leitura, mas não conseguimos que parem quietos um segundo para fazer os exercícios, proponho alterar um pouco a forma como lhe apresentamos os trabalhos.

Sabemos que todas as crianças também aprendem quando brincam, puxam pela criatividade, e sobretudo, se estiverem motivadas e directamente envolvidas na tarefa, mais fácil se torna a aprendizagem.

Aqui ficam algumas “brincadeiras” que estimulam a leitura e a escrita, sem serem demasiado formais.

Caça ao Tesouro: Parece complexo e aparentemente dá um trabalhão, mas é muito simples. Basta fazer 5 ou 6 papelinhos com perguntas (ex: Diz o abecedário a cantar; Escreve 3 palavras em que se usem /ss/; Lê a frase “O rato roeu a rolha da garrafa do rei da Rússia”; Diz 4 nomes próprios, etc). Depois escondemos por exemplo no quarto e vamos dando pistas (quente ou frio). Se não houver tempo para darmos pistas, pedimos que venham ter connosco cada vez que encontrarem um papelinho e nos dêem a resposta. O prémio final pode ser apenas a brincadeira em si. E se eles o quiserem fazer para os pais encontrarem, porque não? E se for mais apelativo colocar perguntas que não têm nada a ver com a escola, também se podem colocar pelo meio, para que não sintam pressão no jogo.

Concurso de Televisão: Este é normalmente um dos preferidos. Também parece difícil, mas é muito fácil. Pegamos numa cadeira e colocamos à frente um “botão” encarnado, simulando uma campainha em que se carrega para dar a resposta (ex: pode ser uma peça de lego, ou qualquer outro objecto parecido). Depois apresentamo-nos como sendo o apresentador de televisão e eles são os concorrentes (pode ser feito com um só concorrente). Perguntamos que idade têm, o que estão ali a fazer e se estão prontos para começar. E assim começa, dizemos que têm que ganhar, por exemplo, 10 pontos, e nós próprios vamos dizendo quanto vale cada pergunta (ex: agora esta pergunta vale 2 pontos, esta vale 1 ponto) e vamos somando. As perguntas colocadas podem ser acerca de conteúdos escolares, sobre palavras começadas por determinada letra, ou ler uma breve história. Muito importante para garantir o entusiasmo, é ser obrigatório carregar no botão e fazer o barulho de campainha, antes de dar qualquer resposta. Quando chegam aos pontos estipulados como objectivo, podemos apenas simular um prémio, na brincadeira. Mais uma vez, a brincadeira em si pode constituir o próprio prémio.

Memória de Palavras: Este jogo dá mais trabalho, mas pode ir sendo feito pela própria criança, e quando estiver pronto, começamos a jogar. A ideia é trabalhar a memorização visual de palavras e diminuir os erros ortográficos, ao mesmo tempo que estimula a leitura de palavras e se joga um jogo. Assim, cada vez que a criança erra numa palavra, escreve-a em dois papéis do mesmo tamanho. Vai fazendo isto, até que tem cerca de 10 pares de palavras. Depois é só avançar com o jogo da memória. Tal como existe o jogo da memória com imagens ou cartas de jogo normal, aqui a ideia é encontrar o par da palavra que errou. Quando vira um papel, deve ler a palavra em voz alta. O objectivo deste jogo é fazer o maior número de pares de palavras possível. É um jogo para ser jogado em conjunto.

O essencial nestas “brincadeiras” é criar um ambiente positivo e de interacção, num registo de trabalho, mas divertido e apelativo.

Penso que qualquer criança gostaria de por vezes ter a oportunidade de fazer os trabalhos de casa desta forma… Vamos experimentar?

Quantas vezes pensamos que não somos os pais ideais, que se tivéssemos mais tempo, se não tivéssemos que trabalhar tanto, tudo seria mais simples?

Teríamos mais tempo para estar com os nossos filhos, para lhes dar mais atenção, para simplesmente brincar com eles.

E quantas vezes pensamos que já não aguentamos os miúdos, estão sempre a portar-se mal, a desobedecer, a testar os limites, a recusar fazer os trabalhos, a amuar, a fazer birras, a ter más notas, etc, etc, etc?

E quantas vezes já parámos para pensar que os nossos filhos seguem o nosso exemplo, aprendem por modelagem e imitação?

Se pensarmos nisto, chegamos a uma conclusão: os nossos filhos transformam-se no espelho de nós próprios…

São desatentos ou desconcentrados, pois são. E nós, damo-lhes a atenção devida?

São muito agitados, não param quietos. Pois não. E nós, paramos para estar com eles tempo de valor?

São malcriados, respondem mal, não obedecem às nossas ordens. Pois… E nós, respondemos sempre num tom de voz calmo, cumprimos as promessas que lhes fazemos, ou simplesmente cedemos a um pedido simples, como contar uma história antes de dormir?

Às vezes até o fazemos, mas é sempre tudo tão rápido, que mal damos pelo tempo em que estamos com eles, provavelmente nem nos damos conta, mas foram cinco minutos de uma história corrida, lida num livro que já tem as folhas rasgadas, às vezes não lhes mostramos sequer as imagens (para não perder tempo!!) e não damos aso a que imaginem, que puxem pela criatividade, que sonhem, e que sobretudo interajam em amor connosco.

Estes factores interferem em diversos campos da vida, não só na vida das nossas crianças, como nas nossas próprias vidas.

E é esta a nossa vida. Será que é assim que a queremos viver? Será que nós podemos fazer alguma coisa para modificar este ciclo vicioso?

E a resposta é: Sim, podemos.

Se pararmos para pensar nestas situações, durante cinco minutos, tudo nos faz sentido. Se estamos todos interligados, mas estivermos todos em sintonia, então, sim, é possível mudar tudo.

Esta semana proponho uma actividade muito simples: fazer uma lista (por escrito) de todas as coisas boas pelas quais estamos agradecidos na nossa vida. Podemos agradecer pela família, por termos saúde, emprego, ou pelo carro, pela casa, pela comida. O que quisermos, somos livres de estarmos felizes pelo que quisermos.

Vamos sugerir aos nossos filhos que o façam também, ou que o digam. Que pensem em coisas que os fazem sentir-se bem no dia-a-dia.

Podemos depois pendurar, por exemplo no frigorífico, as nossas listas, e vamos seleccionando, um dia de cada vez, uma coisa que queremos fazer e que nos faz sentir bem. Cada um escolhe a sua (dentro dos padrões possíveis, obviamente).

Façamos isto todos os dias, e quando não é possível, prometemos uns aos outros que vamos fazer no fim de semana.

O objectivo é celebrarmos diariamente as coisas boas da nossa vida. Podemos ir comer um gelado, ou ver um filme há muito prometido, ou dançar um pouco, ou brincar àquela brincadeira especial, ou encher a casa de flores, ou estar com um amigo que não vemos há muito tempo…

Proponho isto, e posso com alegria dizer que já o fiz. Agradeci por 50 coisas na minha vida, e muito mais conseguiria fazer. Durante 50 dias senti-me no auge da felicidade. O amor retorna sempre, quando estamos de coração aberto.

Uma boa semana!

LER TAMBÉM…

Dar qualidade à quantidade de Tempo

Dar tempo aos filhos

Já agradeceste hoje, pela a sorte que tens?

Valores em família
Actualmente, noto que muitas das crianças que acompanho estão em permanente inquietação em relação à escola, ao aproveitamento escolar, aos amigos, àquilo que os outros pensam delas, às expectativas dos pais.

Hoje em dia, por muito que tentemos abordar a vida de forma diferente, o ritmo de trabalho e as exigências exteriores levam-nos a “perder” demasiado tempo em assuntos mundanos e materiais, que no fundo nos desviam daquilo que é verdadeiramente importante: vivermos em paz e amor uns com os outros.

As nossas crianças estão a entrar neste ciclo vicioso, demasiado ligadas aos presentes, às recompensas imediatas, ao que têm, ao serem melhores do que os outros.

Noto com grande clareza que lhes falta algo muito importante, e que por vezes nos passa ao lado: o amor, o carinho e a atenção dos seus pais e dos que as rodeiam.

Naturalmente as crianças adoptam estratégias que lhes trazem ganhos secundários, como o portar-se mal, o chamar a atenção de forma inapropriada, o testar os limites, o desobedecer às regras.

Foi assim que me comecei a aperceber de que hoje em dia todos nos tornámos demasiado focados no sucesso, na competição, na posse de qualquer coisa, para poder competir e ser melhor, ou ter mais do que os outros.

Mas no final, falta-nos a todos o essencial: gostarmos de nós próprios como somos, não pelo que temos ou pelo que fazemos. Isto acontece com todos nós, e especialmente com as crianças, que apenas querem ser felizes e procuram que os outros olhem para elas como seres fantásticos que procuram crescer em harmonia.

A forma como o fazem é que está de algum modo deturpada, devido às exigências ou às vivências diárias da comunidade em geral.

Assim, o objectivo do livro que escrevi é precisamente o de aprendermos a focarmo-nos em nós próprios, naqueles que nos rodeiam, que amamos e que fazem parte da nossa vida, e sobretudo aprendermos a viver harmoniosamente em conjunto.

O livro pretende fomentar o diálogo em família, mas mesmo que não sirva para esse fim, é uma história simples, que pode ser lida com o objectivo de apenas: reflectir.

Sei que o tempo que temos é limitado, mas não estaremos a esquecer-nos de conviver e conversar um pouco mais em família?

Que tal arranjarmos momentos de partilha em família que nos permitam pensar e falar sobre os valores que são importantes na nossa vida?

Que tal sabermos a razão de estarmos juntos e de nos amarmos?

Que tal reflectirmos sobre o nível de paciência que temos uns para os outros em casa e sobre a nossa capacidade para perdoar?

Que tal falarmos sobre o que é ser bom, ou generoso com os outros?

No fundo, que tal pensarmos em conjunto no que é que nos faz, a cada um de nós, uma pessoa mais feliz a cada dia que passa?

O livro é dedicado às famílias, a todas as famílias, e em particular às crianças deste mundo.
Espero que todos consigamos reflectir sobre aquilo que nos faz sermos felizes neste mundo e que consigamos transmitir isso aos nossos filhos e a todos os que amamos.

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