Como mãe tenho seguido atentamente o percurso escolar da minha filha, e foi com alguma surpresa que me apercebi do extenso programa curricular do 2º Ano e suas metas curriculares completamente desadequadas ao interesse das crianças.

No meu ponto de vista estas metas curriculares, que foram aprovadas no despacho n.º 5306/2012, de 18 de abril de 2012, são uma atrocidade cometida contra os direitos das nossas crianças. Verifico que o conteúdo programático ao invés de estar a ser lecionado a um ritmo adequado aos alunos, esta a ser “debitado a alta velocidade” para que se atinjam os objetivos programáticos, e sem qualquer preocupação para com a apreensão e consolidação dos conhecimentos que devem ser adquiridos.

Estamos a falar de crianças com idades entre os 6 e os 10 anos, e não de máquinas. Crianças que cumprem além de um horário escolar extenso, que trazem para casa trabalhos escolares extra, que lhe ocupam o resto do serão e o tempo lúdico em família, nas atividades extra-escola ou de lazer, que lhes dão prazer e também são importantes para o seu desenvolvimento físico, social e cognitivo fica comprometido.

As crianças de hoje serão os jovens do futuro, futuro esse que vejo seriamente comprometido, futuro esse onde a frustração irá reinar, porque a não obtenção de resultados irá comprometer jovens que terão um futuro escolar promissor completamente arruinado. Eu não quero a minha filha nesse leque de jovens; quero que a minha filha tenha gosto em aprender, em descobrir o mundo e que a sociedade a veja como um ser pensante, que se questiona, que levanta questões e não uma máquina de aquisição de dados para fins estatísticos, de ranking de escolas, por exemplo.

É no ensino do 1º ciclo que as nossas crianças vão adquirir as ferramentas necessárias, à vontade de estudar, de ir à escola e conseguir os melhores resultados, e com estas metas está-se a minar toda essa aprendizagem.

Acho que deveria ser do conhecimento de toda a população que este programas foram proposto por um grupo de professores Universitários, secundário, não havendo um único professor de ensino básico do 1º ciclo, esses sim com conhecimento teórico e prático da realidades das nossas crianças, para poderem realizar um programa adequado e funcional.
Por todos estes motivos e porque acho que vale a pena lutar pela Educação das nossas crianças, eu acho que estas metas têm que ser alteradas.
Sou a proponente de uma petição pública com esse sentido, se pensam do mesmo modo, assinem, e partilhem com o máximo de pessoas, vamos quebrar o silêncio, vamos dar voz às nossas crianças.

Assine aqui a Petição Pública para Alteração das metas curriculares do 1.º ciclo

Consulte Programa Matemática Básico | Metas Curriculares 14 Ago’13

Por Vânia Azinheira, sigam a evolução na página Alteração das Metas Curriculares do 1º Ciclo

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  1. A arte ajuda as crianças a tornarem-­se tolerantes em relação às ideias dos outros;
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  2. Descobrir o mundo artisticamente ajuda a proporcionar às crianças mais do que uma perspectiva ou resposta;photographer-164673_640
  3. A arte dá às crianças uma maneira divertida, visual e adequada à idade, de processar a informação e as suas experiências;science-722054_640
  4. As capacidades trabalhadas com a arte permitem transferir habilidades para outras áreas de aprendizagem como a matemática, a linguagem, a ciência e a interação social;people-316506_640
  5. A arte permite às crianças arriscar intelectualmente e tentar novas experiências;children-183007_640
  6.  arte ajuda as crianças a atribuírem significado às suas experiências;art-423530_640
  7. Através da arte as crianças dizem-­nos quem são, do que gostam, quem são as pessoas importantes nas suas vidas, como se sentem em relação a si mesmos, o que conhecem sobre o seu mundo.boys-554644_640


Por Carolina Canto, Gymboree Dolce Vita Tejo,

para Up To Kids®

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sociedade do bemEstá a nascer a Sociedade do Bem. A Sociedade do Bem é um projeto que assenta numa metodologia única que tem como ponto de partida a dificuldade que as crianças sentem em reconhecer as suas emoções e em lidarem com elas ao longo da fase de crescimento. Como ponto de chegada, a construção de uma sociedade em que a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, de sermos generosos e positivos perante a vida esteja na base das relações humanas.

Falta de empatia. Incapacidade de nos colocarmos no lugar do outro. Inabilidade para ver de outras perspetivas. Para muitos autores estas são questões que quando não são ultrapassadas geram nas crianças falta de autoestima, dificuldades sociais e relacionais, indisciplina na sala de aula, insucesso e/ou abandono escolar, preconceito, conflitos e violência.

Sem Título-1

O projeto Sociedade do Bem tem como objetivo desenvolver a empatia, o altruísmo e a positividade nas crianças, através do exemplo.

Mais do que dizermos às crianças que elas não devem fazer aos outros aquilo que não gostariam que lhes fizessem elas, é preciso darmos-lhes tempo e espaço para elas praticarem. O melhor método para aprender a empatia é o mesmo que se usa para aprender a tocar um instrumento musical. Só praticando é que se consegue.”, disse à Up To Lisbon Kids a fundadora deste projeto, Susana Pedro, professora e formadora de profissão, que considera que esta tarefa não deve ser confinada exclusivamente à esfera privada, ao espaço familiar.

“Desde muito cedo que se ensina às crianças que as emoções devem ser escondidas… Repreende-se as crianças quando são agressivas mas a verdade é que elas não conhecem outras formas de lidar com o que sentem quando estão com medo ou com raiva se ninguém lhes ensinar… É importante criar um espaço na escola em que elas possam, em conjunto com as outras crianças, reconhecer as suas emoções e as dos outros.” São programas de desenvolvimento social e emocional que a Sociedade do Bem implementa em turmas de escolas de 1º ciclo cujos professores se inscrevam no site.

Para cada programa, é convidado uma mentora ou um mentor, que será acompanhado por um/a instrutor/a, um/a especialista na área da educação. O/a mentor/a é alguém que atingiu o sucesso e a felicidade precisamente por ser uma pessoa empática, altruísta e positiva. Alguém que faz o Bem e que tem vontade de inspirar as crianças e que seja para elas um modelo, um exemplo a seguir de perto. Assim, do enfermeiro que acolhe em sua casa animais abandonados, à professora que é voluntária num lar de idosos, qualquer um pode ser mentor. “Vamos desenvolver estas competências através de que tema? Multiculturalidade? Contacto intergeracional? Abandono animal? Pessoas com deficiência?… Ou simplesmente desenvolver a empatia, o altruísmo e a positividade através da leitura, da música ou da dança? Desde que com método, tudo é possível.”, acrescenta Susana Pedro, que pretende desta forma levar toda a comunidade a repensar no exemplo que estamos a dar às nossas crianças.

Na Sociedade do Bem queremos acreditar que estamos a fazer diferença na vida das crianças. Que elas têm o direito de ser autónomas, de fazer as suas escolhas de uma forma consciente e em colaboração com os outros. Que qualquer um de nós tem o poder de ser um verdadeiro «changemaker»”, acrescenta.

Mais sobre a Sociedade do Bem

Este projeto é candidato ao desafio Ideias de Origem Portuguesa, da Fundação Calouste Gulbenkian, um concurso que pretende apoiar ideias sustentáveis na área social. Veja aqui o vídeo de apresentação do projeto totalmente feito em Legos.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=rHGmD3K0DPw]

Acha que tem perfil para ser mentor/a da Sociedade do Bem? Inscreva-se aqui e siga-nos no Facebook

Por Up To LIsbon Kids®

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Quando era mais pequena sofri de bullying de uma suposta amiguinha – filha de umas das grandes amigas da minha mãe. Na altura chamava-se mesmo ‘levar porrada’ de ‘amigos’, e toda a gente sabia. A minha mãe dizia-me muitas vezes ‘tens que te defender, filha!’ e ás vezes ‘não me chateies mais com isto! Porque é que não lhe dás também?’ A amizade entre as duas mães, ficava muitas vezes tremida, zangavam-se porque uma dizia para a outra fazer com que filha não usasse tantas vezes as botas ortopédicas nos pontapés com que atingia a amiga, leia-se a mim. A mãe da ‘bully’ dizia ‘a tua filha em vez de fugir a chorar para fazer queixinhas, tem que se defender. Quanto mais mostra medo mais a minha lhe bate!’. Nunca me defendi, nem eu, nem as dezenas de outras crianças que a tentaram confrontar ou fugir do seu radar, mas que não escaparam das suas potentes botas ortopédicas, nem as dos seus amigos que pertenciam à sua mini gangue. Lembro-me de só estar feliz que nem uma cobarde das vezes que, ainda foram algumas graças a Deus, em que caía nas suas boas graças e, não era eu o alvo. Afinal as nossas mães eram amigas! (Ironia) Lembro-me de um dia, apresentar-lhe uma amiga, e já nem sei bem porquê, do nada, espetou-lhe um murro certeiro e quase cinematográfico no estômago. Percebi a mensagem, fiquei zangada, mas cantei baixinho. Sobrevivi, cresci e não, não estou traumatizada. Mas podia estar.

Bastantes anos mais tarde, quando me tornei mãe, decidi que iria fazer de tudo para, acima de tudo, a minha filha sentir que poderia contar comigo como mãe, amiga e que a iria proteger ou dar-lhe ‘armas’ para se defender. Não queria, contudo, ser uma mãe histérica daquelas que à menor coisa corre à escola e leva tudo à frente.
Quando a minha filha estava no primeiro ano do ensino básico, numa linda tarde de sol, estacionei o carro do lado de fora da escola. Ía busca-la para leva-la ao Ballet. Quando paro o carro viro a cabeça na direcção da escola e vejo-a, linda, com as suas amigas. O cenário era perfeito, quase que tirei uma foto. Continuei a observar aquilo que parecia um momento idílico entre crianças. De repente, e enquanto saio do carro, reparo que uma das quatro miúdas está encostada à parede, nervosa a chorar. Não é a minha filha a vitima, é uma outra menina. A minha filha não é a principal instigadora, mas está do lado a sorrir, de quem está a colocar a outra menina nervosa e chorosa. Estou em choque! A minha filha é uma bully!! Grito para dentro de mim, e fiquei para morrer!
Enquanto a menina alvo dos ataques verbais de uma, e da complacência de outras duas, foge para longe, eu sigo-as  do lado de fora da escola enquanto seguem recreio fora como se nada tivesse acontecido. Sentam-se e começam a desenhar. De repente chamo pelo seu nome, sorri-me mas eu não estou a sorrir. Vêm ao meu encontro, pergunto-lhe directamente ‘porque estava aquela menina a chorar e porque é que saiu de perto de vocês?‘ A minha filha estava encarnada que nem um tomate e perdera o piu, uma das outras fazia-se de sonsa e perguntava ‘qual menina?’. Virei-me de novo para a minha filha e disse ‘Pega nas tuas coisas temos que falar! Não vais ao Ballet hoje!’
Na volta para casa de carro, fiquei um bom tempo calada. No carro não havia a habitual música, nem os nossos desafinanços musicais. Estava triste e um pouco desapontada, mas apesar de tudo queria que confiasse o suficiente em mim e me contasse a verdade. Que admitisse e percebesse que o que fizera estava errado.
Antes de começar a falar viajei no tempo: lembrei-me de uma vez, quando eu e os meus colegas no ATL eramos vitimas de bullying psicológico e, um a um por cobardia abandonava o barco para se colocar do lado da bully e dos seus comparsas. Até que fiquei eu e uma outra colega, que resistíamos estoicamente. No final o medo tomou de novo conta de mim, e aí eu também abandonei o barco. Deixando a única verdadeira heroína do todo ATL sozinha. Não a insultei depois, nem a atacamos claro, apenas a deixamos sentir que era fraca e estava só. ‘Apenas’.
Nunca esqueci este episódio. Em que a cobardia levara o melhor de mim. Mais uma vez fora cobarde, mas a verdade é que cada vez que me lembrava de levantar a garimpa a coisa corria mal para mim. Ainda uns meses antes, tivera a brilhante ideia de insultar a bully do alto do meu prédio ‘aqui não me apanhas!‘ a ela e ao seu temível grupo. A coisa parecia esquecida, até que uns dias depois, alguém me chamou do portão da escola… cerca de dez miúdos e miúdas levantaram-se do lado de fora. Não haviam esquecido a minha ousadia, e aquilo saiu-me caro.
Mais uma vez sobrevivi. O mais estranho que possa parecer, e não sofro do síndroma de Estocolmo, mas lembro-me destas situações com algum sentido de humor. Mas não do momento em que por cobardia, traí uma coleguinha e aliei-me aos bullys.
Parei o carro, virei-me para trás e contei-lhe tudo. Disse-lhe que é horrível passar pelo que eu passei, mas que nunca devemos por cobardia aliarmo-nos a quem comete atos de bullying. Que apesar de tudo lembro-me mais do mal que fiz sendo cobarde, do que das vezes em que levei pontapés. Que não devemos ficar quietas perante a injustiça, mas muito menos cria-las. Ficou de castigo duas semanas, teve que pedir desculpa e por sua iniciativa disse às outras amigas ‘ sou vossa amiga, mas não vou concordar em fazer alguém chorar.’
Eu na altura falei com as outras duas mães, que pelo seus discursos acharam exagerado a minha reacção. Com sorrisos de soslaio diziam ‘já passou, agora vai negar tudo’. Não as critico, é bem mais fácil aceitar que são coisas de crianças. E sim, talvez eu tenha exagerado um pouco. Mas não é de pequenino, que se torce o pepino? Não podia negar o que havia observado. Claro que tendo em conta que a minha filha é uma aluna exemplar, que os professores fazem questão de elevar o facto de ter respeito pelo outro,  ter noção de justiça e de ser muito equilibrada, esta história deixou-me um bocado na dúvida… E sim dúvidei! Mas não me arrependo. Amo a minha filha, mas é um ser humano que erra, e ainda vai errar muito. Mas como plena encarregada de educação e mãe é o meu papel charmar-lhe a atenção na devida altura. Ninguém quer ser mãe de um  potencial bully.
Quando no dia seguinte passei a pente fino toda a questão, tanto auxiliares como a professora, asseguraram-me de que sou mãe de facto de uma criança exemplar e que todos os dias aconteciam coisas do género e que ‘calhava a todas, sem excepção!’
De facto, calha a todos sem excepção. A uns mais que outros. Admiro a minha filha, e às vezes temo estar a criar alguém com excesso de empatia e compaixão. Quando ao conversarmos sobre os problemas entre as amigas lhe digo ‘sabes se calhar essa menina faz isso porque ela tem imensos problemas e é insegura.’ ou ‘já pensaste que talvez ela esteja somente a chamar a atenção?
No entanto também me apercebi, porque isto da maternidade é uma aprendizagem contínua, que nós, adultos também não gostamos de todas as pessoas que passam pela nossa vida. Que também não aturamos tudo o que nos é atirado para cima. Então porque é que forçamos esses padrões que nem nós cumprimos, aos nossos filhos? Na verdade a escola é mesmo um teste para a vida adulta e em sociedade. Um mar de experiências umas boas, outras menos boas, mas é com as menos boas que aprendemos mais. Que aprendemos quem somos de verdade, ao aprendermos a reagir perante certas situações menos positivas. Que acima de tudo, devemos seguir o que é certo e nos deixa mais felizes.
Apesar de na escola ter inúmeros exemplos que nós pais educamos os filhos de formas diferentes, não vou deixar de fazer o que acho certo. Mesmo que seja remar contra a maré. Às vezes questiono-me como poderei encontrar o equilíbrio. Não quero ser mãe de uma bully, mas também não quero ser mãe de uma vitima. Quero ser mãe da minha filha, segura, justa e feliz. É então nestas alturas que a minha filha Francisca me surpreende, com a sua desenvoltura. Eu mãe mostro-lhe o caminho, ela pega no skate e por vezes caindo, vai também fazendo brilharetes.
Por Sónia Pereira de Figueiredo,
para UpTo Lisbon Kids®
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 imagem capa @motherhoodthetruth.com

“Que o teu remédio seja o teu alimento, e que o teu alimento seja o teu remédio”

Já dizia Hipócrates, o conhecido pai da medicina. E este senhor já viveu há tantos, tantos anos! Deixou-nos ferramentas que nós teimamos em só nos lembrar quando a desgraça bate à porta.

Em que século é que vivemos afinal?

  • Temos à disposição todas as informações necessárias para evitarmos gravidezes e doenças venéreas na adolescência (e não só), mas continuam a acontecer aos pontapés.
  • Vamos muito mais ao médico, mas a obesidade/tensão alta/colesterol alto/diabetes e afins, são cada vez mais frequentes nas CRIANÇAS.
  • Sabemos o que nos faz mal à saúde mas ficamos admiradíssimos quando finalmente chegam os resultados das asneiras.
    ( – A senhora está com obesidade mórbida. – Obesidade mórbida? Mas eu nem como muito… – Esta é uma clássica que todos os nutricionistas bem conhecem )

TEMOS A INFORMAÇÃO DEBAIXO DO NARIZ MAS NÃO A SEGUIMOS.

Afinal somos burros ou não estamos, nem queremos estar, atentos?

A educação alimentar faz parte daquilo que é suposto transmitirmos aos nossos filhos. É mais fácil dar-lhes um bolo numa pastelaria do que pedir uma sanduiche? Ok, eles ficam mais contentes com uma bola de berlim com creme ou outra porcaria qualquer. Mas as maiores provas de amor que lhes damos na vida é não lhes dar tudo e educá-los não só para serem felizes mas também para serem saudáveis… porque sem saúde não há pessoas felizes e com “tudo” a vida deixa de ser um desafio.

Precisamos de um programa sobre os perigos do açúcar para realizar que não nos faz falta porque está presente nos produtos naturais?

Há quem culpe os media e a forma como as marcas apresentam os produtos, muitas vezes “sem açúcar”/ “sem gordura”. Lá caímos nós nas tentações das promoções e embalagens bonitas! E porque é que há cada vez mais variedade de sumos, ice teas, iogurtes e cereais? Porque nós os compramos em barda. Por isso, não vale pôr as culpas nos “outros”! Há vários culpados, mas é um bocado como a história do ovo e da galinha, afinal quem é que foi o primeiro?

TUDO, com conta peso e medida, não faz mal! – E nós já sabíamos disso!- Não vão já cortar com tudo, até porque mudanças radicais são como as dietas altamente restritivas, de curta duração. A mudança não pode ser temporária, por isso tem que ser feita de uma forma progressiva. Fazendo pequenas mudanças e arranjando alternativas saudáveis.

A minha Mãe dava-nos um bolo à nossa escolha quando íamos às vacinas. Era um momento especial e, assim, ir às vacinas era (quase) um programa bom. Tínhamos “mummy” time e uma espécie de recompensa no fim.
Vou dar um exemplo do que se passa aqui em casa:

  1. Levam um peça de fruta para comer ao lanche e, se vier de volta, vão ter que a comer assim que chegam a casa;
  2. Levam água e/ou leite nas lancheiras. Sumos só ao fim de semana e com controlo;
  3. Já não eram muito de cereais, comem pão de mistura, fruta (faço um sumo natural com uma laranja e acrescento água, ao pequeno-almoço);
  4. Não gosto de coisas a boiar na sopa!” ou o “Não como verdes!” passou à história há algum tempo. Comem a sopa e os legumes que lhes ponho no prato.

Persistência , perseverança e paciência são qualidades obrigatórias nos pais. E caso haja alguma duvida, explicamos tudo muito bem explicadinho… sendo que no limite: AQUI QUEM MANDA SOU EU! E não me venham com os traumas e “coitadinhos que passam tanto tempo longe dos pais“.

Pela saúde dos nossos filhos! Se têm dúvidas quanto à alimentação, consultem um NUTRICIONISTA.

Por Inês de Santar, autora do livro Amar-te-ei no Douro
para Up To  Kids®

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Desde criança, quando coloríamos livros ou desenhos feitos por nós, havia sempre aquela cor em todos os estojos que era a chamada “Cor de pele” . Normalmente era uma cor entre o beije claro, salmão e cor-de rosa, e que usávamos para pintar as pessoas, a pele das pessoas. Caras, mãos, braços e pernas eram sempre pintados de cor de pele. nunca ninguém se preocupou em perguntar: Cor de pele, de quem?

Hoje em dia, pessoas de diferentes raças convivem diariamente nos seus locais de trabalho, nas suas escolas, nas paragens de autocarro, nas passeleres das galas de cinema, no nosso dia a dia. Hoje em dia, há cada vez mais pessoas unidas pela luta contra o racismo. Mais pessoas pelo “todos diferentes, todos iguais” (Aleluia!).

O assumir, sem nos questionarmos sequer, que a cor de pele é a da pele branca, ou neste caso, beije claro, salmão e cor-de rosa, é um dos pormenores esquecidos de uma mentalidade que há muito já fez distinção entre raças.

Hoje em dia, várias empresas e marcas de lápis e tintas para crianças vieram a alterar esta questão, criando caixas  que contêm apenas lápis cor de pele. Para todos os tons de pele. Todos diferentes, todos iguais. Mas cada um com direito a representar-se o mais parecido consigo próprio possível.lapis-desenhos

Partilhamos aqui alguns dos exemplos que pode adquirir, para os seus filhos começarem a criar verdadeiras comunidades de diferentes etnias, enriquecendo assim, não só os seus desenhos como a sua mentalidade.


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Por Up To Lisbon Kids®
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É urgente ensinar as crianças a brincar!

No meu dia-a-dia como terapeuta ocupacional e trabalhando em comunidades educativas noto que as crianças estão cada vez mais “trapalhonas”. As crianças “trapalhonas” são aquelas que batem com as pernas e braços em tudo, aquelas crianças que chegam a casa cheia de nódoas negras e nem sabem explicar como as fizeram, aquelas que vemos correr e parece que não sabem muito bem como fazê-lo, são descoordenadas, estão sempre a cair.

E também ouço muitos educadores/professores/pais com queixas em relação à letra (caligrafia) das crianças, à forma como recortam, como pegam nos talheres, como realizam a maioria das atividades que envolvem motricidade fina. Estas crianças são as “desleixadas”.

Estas crianças “trapalhonas” e as “desleixadas”, normalmente são as mesmas!

Dando um bocadinho uma visão mais técnica, para que as crianças tenham bons desempenhos motores têm também que exercitar músculos, a coordenação e outras competências motoras. Mesmo para escrever é importante ter uma boa motricidade global porque, de uma forma muito simplificada isto também vai “mexer” com a postura nas atividades gráficas e tem um impacto enorme na coordenação motora fina.

O que se passa, é que a maior parte destas crianças não têm atividades motoras suficientes e eficazes nos primeiros anos de vida! Antigamente corria-se, trepava-se árvores, brincava-se ao eixo, à apanhada, ao berlinde…

Estas atividades eram excelentes práticas motoras que faziam com que as crianças fossem muito mais desenrascadas. Neste momento, o que se vê são crianças que jogam PlayStation e Tablets e não sabem fazer carrinhos de rolamentos.

O que os pais estão a ensinar às crianças?

Algumas crianças que acompanho até sabem empilhar cubos, e sabem extremamente bem contá-los. Até sabem fazer contas de adicionar e subtrair com esses mesmos cubos! Mas, por vezes, não sabem como fazer uma casinha, ou um foguetão! Não que não seja importante ensinar brincadeiras com conteúdo pedagógico, ou seja, as cores, os tamanhos, os números! Isso é deveras importante! Mas uma brincadeira lúdica, apenas por ser lúdica, também é importante! Brincar em liberdade! E depende apenas dos adultos as crianças conseguirem brincar! É urgente ensinar as crianças a brincar! Ou melhor, estimulá-las a brincar, porque brincar é inato! Brincar é tão inato ao ser humano que o nosso primeiro brinquedo é o cordão umbilical que nos liga às nossas mães! Impressionante!

O que vejo muitas vezes no meu dia-a-dia com crianças é que elas não sabem brincar!

Isto deixa-me triste! Sabem muito bem utilizar computadores, tablets, telefones! Sabem mexer nestes gadgets de uma forma brilhante, mas depois não sabem fazer encaixes de peças tridimensionais, não sabem brincar aos papás e mamãs, ficam perplexos quando vêem um brinquedo que não tenha botões e muitos perguntam ” onde é que se liga?”.

Pais e avós dizem que os miúdos já saiem da barriga das mães a saber mexer em Tablets e telefones de última geração. Eu faço uma correção: os miúdos sabem o mesmo que sabiam há anos atrás, a grande diferença é que os adultos só sabem mexer nesses gadgets e as crianças são muito observadoras e perspicazes que aprendem com o que vêem! E o que vêem são adultos a deslizar apressadamente páginas nos Tablets e o “tiritar” dos dedos nas teclas do ecrã do telemóvel! E de forma impressionante (e porque está nos genes) imitam!

A verdade verdadeira é que nós, adultos, não sabemos como ensinar as crianças a brincar!

A serem mais ativas para o bem delas e para bem geral. O brincar mais motor faz com que as crianças libertem o stress, interajam com as outras crianças, conheçam o seu corpo e aprendam a ter controlo motor eficaz.

São os adultos que têm que reensinar as crianças a brincar. Mas como podemos ajudar as nossas crianças a brincar?

Por mais estranho que pareça a resposta é: brincar! E a receita é bastante simples!

Os adultos também têm que se treinar. Precisam de reaprender a brincar. Isso implica saber distanciar-se dos tabus, deixarem levar-se pela imaginação, relembrar-se das brincadeiras que mais gostavam!

É preciso voltar a desenhar macacas no chão e jogar à apanhada!

Aqui vão algumas dicas:

  • Não são necessários grandes brinquedos! Aliás ficaríamos impressionados com a quantidade de brincadeiras que e possível fazer sem brinquedos nenhuns! Só pessoas! Criatividade é a palavra de ordem!
  • Precisamos de tempo! Mas também não é necessário assim tanto! E a máxima aqui é: mais vale 30 bons minutos do que 60 minutos “brincados a correr”.
  • É importante estar realmente presente! Estar ali com a criança, mesmo! Ajudá-la,  estimulá-la, protegê-la, ensiná-la! Responder às suas perguntas! Aceitar o copo com gelado que a criança fez na sua cozinha de brincar, ajudar a deitar a boneca, por o avião a voar, montar legos de várias formas, ajudar a trepar o escorrega, jogar à bola, mesmo nunca tendo sido grande futebolista!

Por mais que seja difícil para o adulto, é importante deixar os problemas dos adultos à porta do quarto das brincadeiras, fora do parque de diversões! Quarto (e mais importante): reforçar TUDO o que a criança faça bem! Se a criança sentir confiança nas suas ações, mais facilmente ela vai continuar a tentar coisas novas. E é assim que as aprendizagens multiplicam-se.

Estas dicas não me parecem muito difíceis! Há que pô-las em prática, e também nós, adultos nos divertirmos com as brincadeiras das nossas crianças!

Boas brincadeiras!

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Thaís Candido, Terapeuta Ocupacional, para Up To  Kids®
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Há um fenómeno conhecido por gravidez histérica, ou psicológica, em que os sintomas da gravidez se manifestam numa pessoa não grávida. É mais comum em animais como cães ou ratos, mas também ocorre em mulheres e homens.

Eu não tive uma gravidez histérica. Espero eu, até porque passei nove meses a beber álcool pelos dois, o que faria de mim uma péssima grávida histérica. Mas, em retrospectiva, é bem possível que tenha tido uma ligeira depressão pós-parto histérica. Mesmo sem que a minha mulher tenha tido depressão pós-parto. É que é difícil explicar algumas atitudes que tive naqueles meses iniciais.

A verdade é que, durante os primeiros meses de vida do meu filho, esta casa não foi só pós-grávidas emotivas, mamilos em sangue e um bebé que dormia mal. Também havie eu. Um tipo cujas faculdades de bom senso se desvaneceram no ar. Sim, esse tipo era eu, e estas são as seis maneiras em que, tenho de admitir, me comportei como um atrasado mental nessa altura:

#1 – Anunciar que não queria ter mais filhos

Não há nada de chocante em alguém dizer que só quer ter um filho. A não ser que sejamos extremamente católicos, ou extremamente patrióticos, mas, nos tempos que correm, numa perspectiva pró-natalista, ter só um filho ainda é melhor do que não ter nenhum.

Sempre que era obrigado a ter a conversa dos filhos, eu concordava que, se fosse para ter, preferia ter mais do que um. Sempre se entretém um ao outro. Mas é possível que essa opinião se tenha alterado temporariamente passadas umas semanas depois de ser pai. E que essa opinião tenha sido transmitida à minha mulher, com ar de lunático e certeza maníaca, em palavras não muito distantes de É QUE NEM PENSAR QUE VAMOS TER MAIS FILHOS NÓS NÃO VAMOS CONSEGUIR PASSAR OUTRA VEZ POR ESTES TORMENTOS E ANSIEDADES CONSTANTES  É IMPOSSÍVEL E A RESPONSABILIDADE? IMPOSSÍVEL! OUVISTE? IMPOSSÍVEL!

E também é possível que esta demonstração de profundo terror pela ideia da paternidade não fosse a coisa mais inteligente, sensível e humana de transmitir a alguém que estava a viver a maternidade de forma apaixonada e natural (e que não sabia ter casado com um lunático).

#2 – Ser irritante com a desarrumação da casa

O regresso ao trabalho depois do primeiro mês não foi fácil. Ter de passar a maior parte do dia longe do filho e da mulher, depois de quatro semanas em que se começa a criar a primeira ideia de uma família maior que dois, é duro.

O que também não foi fácil foi ter sido precisamente nesse fase de transição que o meu eu obcecado por limpezas (um indíviduo que nunca tinha tido o prazer de conhecer) fizesse questão de aparecer. Aparentemente, o choque de voltar a trabalhar, chegar a casa cansado, e deparar-me com um cenário apocalíptico de roupa, fraldas e toalhitas, sujas ou não sujas, e outros objectos espalhados por cadeiras, móveis e sofás, provocou em mim um trauma de alguma severidade. Como naqueles filmes toscos dos anos 80 em que alguém batia com a cabeça e mudava de personalidade, fez surgir em mim um obsessivo compulsivo que, sempre que chegava a casa, fazia questão de passar a primeira hora a apontar objectos e coisas fora de sítio.

Este tipo obcecado nem me deixa perceber que o melhor era deixar-me de merdas, e entender que estar sozinho em casa com um bebé um dia inteiro é um actividade esgotante e que o tinha de fazer era aproveitar aqueles momentos para estar em paz e sossego com a sua família. Ainda que fosse no meio da porcaria.

#3 – Pensar que o bebé veio matar todos os sonhos que nunca tive

A crer pelos argumentos de alguns filmes e pela conversa de bêbado de alguns amigos meus, há muitas pessoas que casam com  a sensação de não terem aproveitado a vida ao máximo, de terem ainda coisas para viver e experienciar, sonhos e projectos incompatíveis responsabilidades e compromissos duradouros.

Não tive nenhuma dessas sensações quando casei, mas como o cérebro é um crápula que nos ataca sem aviso essas sensações apareceram logo na altura da paternidade. E como aos 33 anos já não tinha idade para poder sonhar com uma carreira de sucesso como desportista, músico ou youtuber juvenil, o meu cérebro decidiu lamentar coisas bizarras, como já não poder viajar como um nómada pelo mundo inteiro, coleccionando experiências de vida e tendo pensamentos profundos.

E este é o mesmo cérebro que, nas vezes em que cheguei a viajar sozinho, se entretinha a passar os dias a encher-me a cabeça de estupidezes a tal ponto que voltava dessas viagens sempre farto de mim. Isto para não referir que discutíamos sempre ao jantar, eu e o meu cérebro, nestas viagens solitárias (hoje em dia, com smartphones, a coisa fica mais fácil).

#4 – Achar que tinha direito a dormir noites inteiras

O acordar durante a noite nunca foi uma questão muito relevante dado o facto do Mexicano a) ser amamentado, b) ter completo e total desprezo pelos padrões naturais de sono, e  c) ter completo e total desprezo  pelos padrões naturais de sono dos pais. Isto implicava que a mãe tivesse de estar muito mais atenta ao choro nocturno, excepto se fosse claro e necessário que o problema implicasse uma mudança de fralda ou outra coisa que não fossem seios lactantes.

Sabendo disto, a poucos dias de regressar ao trabalho, houve um dia em que eu resolvi escalar um nível de anormalidade a tudo o que já aqui foi exposto, e anunciei solenemente à minha mulher que: “Agora que vou voltar a trabalhar, é apenas justo e natural que fiques tu e somente tu responsável por qualquer actividade que implique sair da cama à noite”. Vejam só a moral de um tipo que passa o ano a dormir uma média de 5 horas por semana para depois querer acordar às 13 horas de um Domingo, se virar para uma mulher que está a passar pelo que é provavelmente um dos meses mais exigente da sua vida, onde depois de uma sessão de tortura de oito horas que culminou com a expulsão de uma espécie da cabaça através da bacia óssea, se vê mergulhada em várias semanas de privação de sono.

#5 – Culpar a minha mulher por se sentir cansada

O facto de ser um idiota não quer dizer que não seja bem-intencionado, mas um idiota bem-intencionado não deixa de ser um idiota.

Perante a imagem de uma mulher sujeita às duras realidades da privação do sono, incapaz de dormir mais do que três (quatro numa boa noite) horas seguidas, e condicionada ao longo do dia por uma roleta russa de sestas que oscilavam entre os 15 minutos e uma hora, achei por bem partilhar – mais do que uma vez – a seguinte pérola de sabedoria: “é natural que te sintas cansada, não estás a aproveitar os momentos em que ele dorme para aproveitares para dormir também!”.

O que, no fundo, também poderia querer dizer: “além de implicar que consegues adormecer sempre que for necessário, tens de abdicar que qualquer momento que possas querer reservar para ti, seja para tomar banho ou fazer o almoço, ou consultar o facebook, e passá-lo a dormir para recuperar o tempo perdido – É LÓGICO!

#6 – Comportar-me como um vilão de telefilme de domingo à tarde

Quando estava a falar à Ana nas ideias principais deste post, entre risos (mútuos) e pedidos de desculpa reiterados (meus), ela relembrou-me um episódio de que eu tinha feito todos os possíveis para apagar da memória (não em lembrava mesmo dele), e que é bem capaz de significar o ponto alto destes processos de tumultos mentais. Eu estava no computador a tentar perceber em quantas facturas de atraso é que já ía o Meo, e a Ana pediu-me para segurar o Mexicano  com alguma urgência, porque tinha de fazer qualquer coisa, ao que eu respondi que não podia porque estava ocupado.

Perante a insistência dela e aquele tipo de pergunta meio incriminadora de ”podes por favor pegar no teu filho?”, eu terei – alegadamenteexclamado vociferado algo do género: “não, agora não posso porque o meu filho não paga contas!”.

É verdade que nunca me tinha sentido muito preparado para ser pai, mas lembro-me de ter passado os nove meses da gravidez a interiorizar que muita coisa ia mudar, que os primeiros meses iam ser terríveis, dramáticos, repletos de privação de sono e ânimos sensíveis. Mas o que acabei por subestimar foi mesmo o impacto emocional da paternidade. O peso de um amor que começa por tomar uma forma mais instintiva do que pessoal (no meu caso), e o peso de uma responsabilidade brutal que também vem amplificar angústias, medos e fragilidades do ser humano.

Eu também gostava de não pensar tanto nas coisas, mas há alturas em que é mais difícil . Só que depois o miúdo espirra, ri-se ou estende os braços na nossa direcção, e percebemos que há mais uma enorme razão no mundo para que tentemos ser o melhor de nós próprios, e é uma razão que nos enche de coragem, força e calma. E há uma pessoa ao nosso lado que nos percebe, e nos ajuda. Não tenho dúvidas de que passámos (e sobrevivemos) estes dias, que também tiveram muitos bons momentos, mais fortes, mais unidos. Como uma família

Por André Lapa, originalmente postado em à Paisana,
autorizado para publicação em Up To Lisbon Kids®

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Sinto que cheguei verdadeiramente à idade dos porquês. Vejo-te a dormir no berço e sei que não tenho todas as respostas para as perguntas que um dia me farás. O sentimento é estranho porque com os meus pais nunca tive dúvidas, eles sabiam tudo! Podia até perguntar por que é que a água do mar nunca acabava que o avô respondia com o seu ar de entendido e bom humor na ponta da língua e acalmava as minhas inquietações. A avó tentava perceber de onde surgiam as minhas perguntas e fazia-me sentir tão crescida… Contigo não sei se vou estar à altura. É um dos muitos medos que me assolam. Sei algumas coisas, mas mal arranho na matemática, que dirá na física quântica.

Esse sentimento do quanto somos pequenos nunca é tão grande como quando nos tornamos pais. Ali temos uma criatura indefesa, completamente dependente de nós e temos de estar à altura. Sei, no fundo, que as perguntas mais importantes não vão ser por que é que o céu é azul ou por que é que quando faz frio deitamos fumo pela boca. Mas, se insistires muito, peço-te que perguntes ao pai, ele é que é o sabido cá de casa. A minha ciência é a do coração e é com ela que te falo desde que nasceste. E, desde que nasceste, vejo-me a fazer tantas outras perguntas que acho que nem os avós me conseguem ajudar:

Por que é que as pessoas continuam a ter filhos, mesmo com a crise instalada e a guerra em tantos países do mundo?

Por que é que há crianças que nascem em famílias que não as desejaram quando tantas outras passam anos a fio a tentá-lo, sem o conseguirem?

Por que é que insistimos em tentar prever o futuro (“já consigo imaginar ginasta, já viste bem como mexe aquelas perninhas rechonchudas?”) quando a única coisa que temos como certa é que não o controlamos?

Por que é que não podemos ter todo o tempo do mundo para crescermos juntas? Tu a tornar-te uma rapariguinha e eu, agora sim, uma mulher?

Por que é que o tempo, depois de sermos pais, parece correr acelerado, cheio de pressa?

Não sei. Mas sei que vou dar tudo por tudo para que encontremos as nossas respostas, mesmo as que não queremos decifrar.

Quanto às outras… Mesmo não conseguindo antecipar o futuro, imagino que me vás colocar as perguntas mais difíceis do mundo e prometo que vou tentar não te desiludir.

Para que um dia possas dizer que a tua mãe sabia tudo (e jurar que as sardas que a tia tem junto aos olhos foram lá parar quando ela estava a ser desenhada e o desenhador espirrou, espalhando pedacinhos de tinta pela carita linda dela. Porque se a tua mãe disse, então é porque é verdade).

Por Marta Coelho, 
Para Up To Lisbon Kids®

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E porque hoje, é o dia Europeu do Terapeuta da Fala, publicamos um vídeo que tão bem retrata o trabalho diário deste profissional de saúde

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=0onES_nhu-A]
Este vídeo foi elaborado pela nossa associação – APTF e, retrata muito bem o trabalho do TF em todas as suas áreas de intervenção.

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