Primeiro o choque, a estupefação. Dois? Não pode ser. Há um engano de certeza!  A seguir… é uma sensação de felicidade que nos invade.

Estar grávida de gémeos é uma experiência única, um privilégio que apenas algumas mulheres podem ter. “Milagre da natureza” para alguns, “bênção de Deus” para outros, o que é certo que se a chegada de um filho à família é um desafio de proporções monumentais, o nascimento de dois filhos ao mesmo tempo compara-se a uma verdadeira competição e requer um treino tão intenso como aquele que necessitamos se nos inscrevermos numa maratona ou numa escalada.

Eventualmente acabaremos especialistas em embalar dois bebés, um no marsúpio e outro na espreguiçadeira, enquanto passamos a ferro, mexemos a sopa na panela e marcamos por telefone as próximas consultas no médico… E se porventura houver mais filhos, como há no meu caso, podemos acrescentar a esta cena mais uma criança ali por perto com quem vamos conversando para saber como foi o dia no infantário, enquanto a ajudamos a abrir o pacote das bolachas e o iogurte.

As mães de um único filho olham para nós e arrepiam-se só de imaginar. “Se só o meu filho já dá este trabalho”… E há pessoas que nos estranham como se fossemos extraterrestres e dirão que ter gémeos é muito bonito… mas é nos outros! Pessoalmente, continuo a achar que é bonito na minha família. Apesar do caos. Mas toda a mãe de gémeos, num abrir e fechar de olhos verá que, com mais ou menos apoio, dará conta do recado e poderemos vê-la por aí… esgotada mas feliz!

Quando finalmente nos adaptamos ao ritmo e a rotina se instala, as mães de gémeos acabam por aprender que:

– Não é grave que das vezes que entrarmos em piloto automático, tipo zombies pela casa, não saibamos afirmar com certeza qual dos gémeos já bebeu o leite ou comeu a papinha… Vai acontecer mais vezes do que as que desejaríamos. A solução passa por preparar um biberão ou uma papa extra e tentar que algum dos dois lhe pegue. Mais problemático é trocar-lhes os nomes e aquela a quem demos o nome de Beatriz passar a chamar-se Carolina e a Carolina passar a chamar-se Beatriz, mas isso, a nós, nunca nos aconteceu… Esperem, pensando bem… Não, nunca aconteceu.

– Ouviremos muitas vezes a pergunta se são “verdadeiros” ou se são “falsos”. Independentemente do caso dos nossos filhos gémeos, convém substituirmos estas expressões por “idênticos” e “fraternos” e sabermos explicar às crianças, à medida que elas vão crescendo, que os chamados “falsos” também são de confiança e que se trata apenas de uma expressão para distinguir os gémeos que não são assim tão parecidos um com o outro… No meu caso, quando respondo a alguém que as minhas filhas gémeas são verdadeiras, noto nas duas um certo ar de superioridade como quem pergunta: “Então? Não estavam à espera que fossemos falsas, pois não?!”

– Quando os gémeos estão na mesma sala na creche, sobretudo se forem tão idênticos que ninguém os distingue um do outro, acontecerá com frequência dizerem-nos ao final do dia, quando os formos buscar: “Esteve tudo bem com os gémeos. Houve um que se queixou da barriga (ou dos dentes, ou da cabeça, ou que não quis comer)… que foi o…o… o… [enquanto aponta, indecisa, com o dedo para um e depois para outro] Agora não sei. Mas está tudo bem”, enquanto nos despeja “o pacote” de gémeos no colo. Pois a verdade é que as mães de gémeos só podem preocupar-se quando não há mesmo outra alternativa. Tudo o que é digno de nota acaba por ficar registado nos boletins de saúde (que convém não perder porque de vez em quando havemos de ficar na dúvida em relação a qual dos dois é que sofria de otites quando era bebé ou qual dos dois teve varicela!).

– Também acontece algumas prendinhas do dia do pai ou da mãe serem uma espécie de dois em um: uma caixinha que é oferta dos gémeos, porque para que quereria lá a mãe lá ter duas caixas que não servem para nada praticamente iguais? Também não é grave: marca-se uma reunião com o/a educador/a para falarmos de cada filho ou então opta-se por pôr cada um na sua sala, para que seja efetivamente tratado como a criança única e especial que é.

– Outro aspeto muito importante, mas que normalmente quando aprendemos “já vai tarde”: toda a mãe acaba por aprender que devia ter escrito o nome dos filhos nas fotografias, sobretudo quando são gémeos idênticos. Cá em casa acontece com alguma frequência situações deste género: -“Vejam esta fotografia da Beatriz quando era bebé. Tão querida a brincar na areia!” -“Sim, mas não é a Beatriz, é a Carolina.” -“Não é nada… Não vês a Carolina lá atrás à beirinha da água?!” -“Lá atrás é que é a Beatriz”… É que os anos passam, as feições das crianças mudam e a informação que julgámos impossível vir um dia a baralhar, baralha-se mesmo!

– Para terminar, quando um diz “mata”, o outro diz “esfola”! Essa dupla que os irmãos gémeos formam desde que se conhecem dentro da barriga da mãe, veio para durar. Para o bem e para o mal. Por isso, dois gémeos juntos são como uma equipa de guionistas a escrever a melhor história de infância de sempre. E a melhor história tem de ter mil e uma aventuras que têm o poder de pôr o cabelo de qualquer mãe em pé!

Mas todas as mães de gémeos acabam por aprender que o melhor a fazer nessas alturas é respirar fundo… contar até três… e relaxar…

A infância só se vive uma vez, mesmo que seja a dobrar!

imagem@huffpost

Há duas épocas da vida,
infância e velhice,
em que a felicidade
está numa caixa de bombons.”
– Carlos Drummond de Andrade

 

Os melhores avós do mundo nem sempre moram perto dos seus netos, mas diariamente, ao fim da tarde ou à noitinha,  encurtam a distância através de um telefonema (na esperança de ouvirem uma ou outra traquinice à qual nunca teriam achado graça nos filhos no tempo em que eles eram crianças).

Os melhores avós do mundo nem sempre podem comprar todos os brinquedos que aparecem nos anúncios de televisão – à medida que ouvem expressões de entusiasmo como “Compra! Compra! Compra!” – mas não há noite em que não sonhem com a quantidade de surpresas que fariam aos netos se lhes saísse o euro milhões.

Os melhores avós do mundo nem sempre se preocupam com a alimentação saudável dos netos. Às vezes a avó prepara uma sopa ou uma salada deliciosa (frequentemente a pedido da mãe), mas há alturas em que enche os netos de doces e mais doces porque “tu quando eras criança também gostavas” e porque dá gosto ver o sorriso lambuzado da criança (mesmo que com cáries nos dentes).

Os melhores avós do mundo nem sempre têm vontade de sorrir. Às vezes, como a toda a gente, apetece-lhes correr as cortinas e enfiar a cabeça na almofada para ali se demorarem, mas o amor que sentem pelos netos e a ideia da falta que lhes fazem quando se entregam à tristeza, dão-lhes força para se levantarem e darem as boas vindas a mais um dia.

Os melhores avós do mundo nem sempre aparecem com surpresas e brindes nos bolsos para fazerem a alegria dos netos, mas às vezes trazem um saco cheio de camisolas polares, pijamas ou pares de meias coloridas para manter as crianças bem agasalhadas quando chegar o tempo frio.

Os melhores avós do mundo nem sempre podem dedicar aos netos o tempo que gostariam, mas quando a sua presença é imprescindível, largam tudo, ligam as sirenes e acorrem a toda a velocidade aos netos, com mimo, cuidado e proteção (que só os avós têm um jeito especial de dar).

Os melhores avós do mundo nem sempre concordam com os seus filhos na educação dos netos e sentem-se livres para aconselhar, para indicar um outro caminho… Os melhores avós do mundo às vezes educam, às vezes deseducam, mas mais importante que tudo, aceitam o seu papel numa teia de laços apertados a que se chama família, dedicando sempre aos seus netos o que têm mais de precioso: todo o seu amor.

imagem@flipboard

Eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens

“Eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens” é uma citação atribuída a Pitágoras, importante filósofo grego fundador de uma escola de pensamento, que viveu cerca de 500 anos a.C..

Educar passa não só por ensinar a ter bons modos ou comportamentos que sejam socialmente aceitáveis, como também conhecimentos e competências emocionais e sociais.

Mas como podemos promover o desenvolvimento destas competências nas crianças? Todos sabemos que crianças bem-ajustadas a nível emocional e social criam mais cedo um sentimento de pertença e ligação (sentem que têm significado, que são importantes) mas têm também mais hipóteses de ter sucesso escolar. De pouco adianta tentarmos ensinar uma criança a ler e a contar se o medo que ela sente de falhar ou a falta de confiança nas suas capacidades a bloquearem. Uma criança com confiança e autoestima elevada, que sabe relacionar-se com os outros, aprende a regular o seu comportamento, a resolver conflitos ou trabalhar em equipa.

Não há mezinhas ou receitas que sirvam para todas as crianças mas há dicas que ajudam. Este artigo reúne 10 sugestões que podem desenvolver estas competências nas crianças. Vamos à primeira?

  1. Ensinar a reconhecer as emoções

Quando uma criança se sente frustrada, por exemplo, nem sempre ela tem um nome para atribuir a essa emoção. Ela sente-se zangada, confusa com o que sente (por exemplo quando perde um jogo), mas não sabe que é frustração que está a sentir. Somos nós, adultos, que devemos ajudar as crianças nessa tarefa de dar um nome às emoções, porque só identificando o que elas próprias sentem poderão aprender a reconhecer as emoções alheias e, consequentemente, a colocar-se no lugar dos outros. É a falta de ferramentas para compreenderem o que estão a sentir que leva muitas das vezes a birras e a situações descontroladas.

*Há alturas em que pode dar-lhe vontade de fazer uma birra ainda maior mas calma… respire fundo que passa!

 

  1. Comunicar de uma forma eficaz

Às vezes não entendemos muito bem o que as crianças querem comunicar e, por outro lado,  elas também nem sempre compreendem o que nós lhes estamos a transmitir. Supomos que nos compreendemos mutuamente, o que nem sempre acontece. Estas barreiras de comunicação podem levar a mal entendidos. Devemos ouvir ativamente o que as crianças estão a transmitir e sermos claros quando falamos com elas.


*Neste caso o bebé tentou de tudo mas o pai não estava sintonizado!

 

  1. Envolver-se nas atividades das crianças

Não há melhor forma de nos aproximarmos das crianças do que partilhar os seus interesses. Brincar, jogar com elas, dançar, ler uma história, fazer desenhos juntos… são atividades que devemos fazer com as crianças sempre que possível. Esses momentos de partilha são oportunidades divertidas para criarmos com elas uma maior conexão.

*1… 2… 3! Vamos lá começar!

  1. Mostrar que os sentimentos e necessidades das crianças são válidos

As crianças precisam de entender que os sentimentos contam, que são importantes, mas ao mesmo tempo compreender que elas não são o centro do mundo. Como elas, há muitas outras crianças que também têm desejos e direitos. Elas ocupam um lugar importante mas é preciso que aprendam a respeitar os outros.

*Silêncio que a princesa quer cantar!!!

  1. Encorajar as crianças a encontrarem soluções para os seus próprios problemas

Muitas vezes temos vontade de dizer às crianças como devem resolver os seus problemas. Mas quando o fazemos não as estamos a ajudar a ganhar autonomia, independência e confiança nas suas decisões. É por isso que é tão importante direcionarmos a crianças a serem elas a encontrar soluções desde cedo. Um bom método é perguntarmos o que elas acham que resolveria a situação. Decidir leva-as a compreender que têm controlo sobre as suas vidas.


*Estes irmãos terão de ser bastante criativos para sair deste sarilho! 😉

 

  1. Focar o comportamento que queremos mudar e não a personalidade da criança

Quando uma criança se comporta de uma forma desadequada, devemos sempre manter o foco no comportamento que queremos mudar e não na criança em si. Não devemos dizer “És preguiçoso/a” ou “És má/mau” porque as crianças acreditam no que lhes dizemos e interiorizam as críticas. Ela não é má, o seu comportamento é que pode ser melhorado!

*Muita calma nessa hora!

 

  1. Ajudar a criança a descobrir o que tem de especial

Cada criança é única e especial. Quando uma criança descobre o seu talento sente mais autoconfiança. O talento pode estar ligado à dança ou à música mas nem sempre devemos estar focados no mais óbvio. Saber cuidar de animais ou gostar de ajudar os outros permite às crianças desenvolverem competências sociais e a relacionarem-se melhor com o mundo que as rodeia.

*A Johanna já descobriu o seu!

  1. Incentivar o debate e a discussão

As crianças têm de praticar ouvir e falar. Estas oportunidades têm de ser dadas sempre que possível. Devemos incentivá-las a partilhar as suas histórias connosco e a tomarem decisões sobre atividades que as incluam.

  1. Ser um modelo

As crianças imitam os exemplos dos adultos. É importante estarmos atentos aos pormenores porque… elas estão! Uma criança aprende mais depressa a ter bons modos se palavras como “obrigado” ou “se faz favor” fizerem parte do seu dia-a-dia, da mesma forma que aprende que devemos respeitar os outros se vir que os pais ou os adultos que a rodeiam tratam os outros com respeito.


*Muito importante: mesmo quando parece que estão distraídas, as crianças estão a ouvir tudo!

  1. Respeitar a criança

Respeitar a criança, os seus gostos, o seu espaço e o seu próprio ritmo, é respeitar a sua natureza. A criança está aprender aquilo que a experiência de vida nos ensina há muitos anos. Orientá-la nesse caminho, com respeito, amor e dedicação é a chave para criar um ser humano que sabe colocar-se no lugar do outro, que é altruísta e positivo perante os desafios da vida, mesmo nos momentos mais adversos.

PS – Tem outras sugestões?

 

Partilhe connosco na Sociedade do Bem

Todos os direitos reservados

 

imagem@awakeningfreespirit

Um dia quando fores crescida…

Hoje conversámos sobre a velhice. Disseste-me que vais ser minha amiga para sempre. Que vais cuidar de mim nessa época em que eu já não terei mãe para o fazer. Fizeste-me uma festinha na cara e eu prometi-te que serei uma velhinha fixe. Sempre tua amiga. Tal e qual como somos agora. Só que nessa altura terei muitas rugas e tu serás grande, tão grande como só tu saberás ser. “O que são rugas, mamã?“ Explico-te que são as pequenas marcas que a vida vai deixando no rosto das pessoas à medida que envelhecem.

Falaste dos filhos que irás ter um dia. Perguntei-te se poderei ajudar a tomar conta desses seres de amor e luz que estão por vir e tu sorriste e respondeste que sim…
Que há tantas coisas que eu posso vir a fazer para ajudar. Olhaste para os lençóis que nos embrulhavam e lembraste-te que posso fazer a cama dos teus bebés. Beijei esse teu narizinho pequenino. Como eu gosto de beijar esse teu narizinho e de te fitar enquanto o coças e afastas os cabelos dos olhos.
Fecha os olhos, meu amor… Dorme só um bocadinho aqui ao meu lado…” Lembrei- me de mim própria há muitos anos atrás. A tua avó a querer que eu dormisse a sesta e eu, com tanto caminho pela frente, com tanta pressa para me fazer à estrada, fosse para saltar de pés juntos para o meio das poças de água ou para levantar poeira na terra seca, pensava que não havia nada pior para se fazer ao tempo do que dormir.
Abraçámo-nos. Viajas comigo até às minhas primeiras recordações enquanto me deixas espreitar esse futuro cheio de possibilidades de encanto que hás de viver. E é uma paz que sentimos…

É sábado à tarde e hoje podemos ficar neste sossego. Não tarda a vida terá passado por nós e acordaremos deste sonho doce. Fecha os olhos, meu amor. Mas antes tira uma fotografia a este momento tão nosso. Fixa as cores, os tons da luz que entram pela janela e o perfume da cama feita de lavado. Sente o calor do nosso abraço, o toque da minha mão e a ternura em cada beijinho que te dou. O tempo vai passar por nós e vai deixar as suas marcas nos nossos rostos e nos nossos corações. Mas sempre que sentires muitas saudades do que ficou para trás, podes fechar os olhos e regressar a este quarto.

Estarei aqui à tua espera para te abraçar.

[vimeo 38529073 w=500 h=375]

Ожидая / Waiting from Vera Myakisheva on Vimeo.

Por Susana Pedro, Blog Coração da minha vida, fundadora da Sociedade do Bem
para Up To Kids®

Todos os direitos reservados

Foi ontem que tu nasceste e que te trouxemos para casa num rolinho de pano branco que guardava todos os nossos sonhos. Foi ontem que vimos no teto as baleias e as estrelas-do-mar e que tentaste agarrá-las a todas com a tua mão pequenina que tantas vezes encaixei nos meus lábios para beijar. Foi ontem que adormecemos no sofá, tão quentinhos e seguros de que nunca nada nos haveria acontecer de mal. O teu primeiro natal, o da fotografia do avô contigo ao colo na cadeira de baloiço, o carnaval em que te mascaraste de palhaço… Tudo isso aconteceu ontem.

Foi ontem que descobri que ia ser mãe mais uma vez e que tu me segredaste que na minha barriga estavam dois bebés e não um (o que te levava a dizer isso nunca saberei). Foi ontem que te levantaste de manhã cedo com os teus caracóis no ar, para ires connosco para a maternidade dar um beijinho às tuas manas que conhecias de ver numas fotografias a preto e branco mal tiradas e de sentir mexer na minha barriga…

Foi ontem que vocês as duas vieram juntar-se a nós. Primeiro tu e depois tu, pequeninas e frágeis, com apenas 3 minutos de diferença. Foi ontem que contei os dedinhos de cada uma das vossa mãos e de cada um dos vossos pés para ter a certeza que estavam lá todos e que podíamos respirar de alívio depois uma gravidez tão cheia de medos e incertezas.

Foi ontem que vi as pessoas que gostam de nós a vir, como pássaros a voar em bando, celebrar a chegada de cada um de vocês à nossa família… Foi ontem que eu e o papá olhámos para os três, juntos pela primeira vez, e pensámos na sorte que temos por fazerem parte das nossas vidas.

Foi ontem que quando acordaste, espreguiçaste os teus pequenos braços, abriste os teus olhos e sorriste ao ver-me debruçada sobre o berço, a olhar para ti. Foi ontem que eu e tu partilhámos um Epá numa tarde quente de verão e depois fomos dar um passeio sem nos preocuparmos com as horas ou com as nódoas deixadas pelo gelado nas nossas roupas.

Foi ontem que nos metemos num autocarro e percorremos a cidade, enquanto acenávamos a quem passava, tal não era o tamanho da alegria que nem a conseguias esconder.

Foi ontem que vos vi a disputarem o meu colo, como se não houvesse no mundo sítio melhor para se estar ou como se não soubessem que neste porto de abrigo há sempre lugar para os três. Mesmo quando o caminho fica tão escuro e apertado que dói ao respirar. Foi ontem que vos apertei nos meus braços e vos disse que meio século pode passar por nós que hei de sentir para sempre este calor no coração quando recordar os nossos momentos. Tão simples mas tão bons momentos.

Foi ontem.

Tudo isto foi ontem.
Por Susana Pedro, Blog Coração da minha vida
para Up To Lisbon Kids®

Todos os direitos reservados

sociedade do bemEstá a nascer a Sociedade do Bem. A Sociedade do Bem é um projeto que assenta numa metodologia única que tem como ponto de partida a dificuldade que as crianças sentem em reconhecer as suas emoções e em lidarem com elas ao longo da fase de crescimento. Como ponto de chegada, a construção de uma sociedade em que a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, de sermos generosos e positivos perante a vida esteja na base das relações humanas.

Falta de empatia. Incapacidade de nos colocarmos no lugar do outro. Inabilidade para ver de outras perspetivas. Para muitos autores estas são questões que quando não são ultrapassadas geram nas crianças falta de autoestima, dificuldades sociais e relacionais, indisciplina na sala de aula, insucesso e/ou abandono escolar, preconceito, conflitos e violência.

Sem Título-1

O projeto Sociedade do Bem tem como objetivo desenvolver a empatia, o altruísmo e a positividade nas crianças, através do exemplo.

Mais do que dizermos às crianças que elas não devem fazer aos outros aquilo que não gostariam que lhes fizessem elas, é preciso darmos-lhes tempo e espaço para elas praticarem. O melhor método para aprender a empatia é o mesmo que se usa para aprender a tocar um instrumento musical. Só praticando é que se consegue.”, disse à Up To Lisbon Kids a fundadora deste projeto, Susana Pedro, professora e formadora de profissão, que considera que esta tarefa não deve ser confinada exclusivamente à esfera privada, ao espaço familiar.

“Desde muito cedo que se ensina às crianças que as emoções devem ser escondidas… Repreende-se as crianças quando são agressivas mas a verdade é que elas não conhecem outras formas de lidar com o que sentem quando estão com medo ou com raiva se ninguém lhes ensinar… É importante criar um espaço na escola em que elas possam, em conjunto com as outras crianças, reconhecer as suas emoções e as dos outros.” São programas de desenvolvimento social e emocional que a Sociedade do Bem implementa em turmas de escolas de 1º ciclo cujos professores se inscrevam no site.

Para cada programa, é convidado uma mentora ou um mentor, que será acompanhado por um/a instrutor/a, um/a especialista na área da educação. O/a mentor/a é alguém que atingiu o sucesso e a felicidade precisamente por ser uma pessoa empática, altruísta e positiva. Alguém que faz o Bem e que tem vontade de inspirar as crianças e que seja para elas um modelo, um exemplo a seguir de perto. Assim, do enfermeiro que acolhe em sua casa animais abandonados, à professora que é voluntária num lar de idosos, qualquer um pode ser mentor. “Vamos desenvolver estas competências através de que tema? Multiculturalidade? Contacto intergeracional? Abandono animal? Pessoas com deficiência?… Ou simplesmente desenvolver a empatia, o altruísmo e a positividade através da leitura, da música ou da dança? Desde que com método, tudo é possível.”, acrescenta Susana Pedro, que pretende desta forma levar toda a comunidade a repensar no exemplo que estamos a dar às nossas crianças.

Na Sociedade do Bem queremos acreditar que estamos a fazer diferença na vida das crianças. Que elas têm o direito de ser autónomas, de fazer as suas escolhas de uma forma consciente e em colaboração com os outros. Que qualquer um de nós tem o poder de ser um verdadeiro «changemaker»”, acrescenta.

Mais sobre a Sociedade do Bem

Este projeto é candidato ao desafio Ideias de Origem Portuguesa, da Fundação Calouste Gulbenkian, um concurso que pretende apoiar ideias sustentáveis na área social. Veja aqui o vídeo de apresentação do projeto totalmente feito em Legos.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=rHGmD3K0DPw]

Acha que tem perfil para ser mentor/a da Sociedade do Bem? Inscreva-se aqui e siga-nos no Facebook

Por Up To LIsbon Kids®

Todos os direitos reservados.

 

mãecoração

Eu hei de ser grande um dia. E fazer essas coisas esquisitas que as pessoas fazem quando crescem: Preocupar-me à toa. Adormecer a meio de um filme. Usar guarda-chuva. Comer verduras sem ser obrigado. Passar um Sábado de sol a limpar a casa. Resistir a um frasco de nutella. Achar a água da praia fria demais para entrar nela. Ir para uma fila de espera e ainda pagar no fim. Passar o dia a sonhar com a cama. Ou a semana a sonhar com o fim de semana. Dizer que não gosto de fazer anos. Nem do Natal. Nem do Carnaval. Meter-me no carro para ficar parado no trânsito. Engomar. Fazer dieta…

Sim, eu sei que um dia hei de fazer coisas esquisitas tal como todas as pessoas grandes, umas mais outras menos, acabam por fazer. Mas até lá deixem-me ser criança: Ser pago por uma fada sempre que me cai um dente. Saltar da cama às 7 da manhã aos Domingos. Inventar coreografias ao espelho. Decorar as letras das músicas dos desenhos animados. Disfarçar-me de um animal qualquer. Pode ser de ovelha. Fazer caretas enquanto como sopa. Imaginar que sou o Homem-Aranha. Ou a Rapunzel. Brincar no parque até ficar com terra nos bolsos. Observar insetos. E répteis. Levar os meus brinquedos para o banho. Jogar videojogos. Fazer desenhos na areia. Andar de bicicleta. Andar de carrossel. Fazer bolinhas de sabão. Acreditar no Pai Natal. Andar de gatas pela casa a ladrar. Ou a miar. Calçar os sapatos do papá. Desenhar um bigode na cara. Trazer amigos para passar a tarde. Rasgar as calças nos joelhos. Fazer um piquenique. Rebolar com um cão pelo chão. Fazer uma festa com um pacote de gomas. Ficar feliz só por vestir um casaco do Faísca McQueen. Imitar um palhaço. Rir de patetices. Acampar mesmo que seja dentro de casa. Pedir um desejo a uma estrela. Esconder-me debaixo da cama. Fazer malabarismo com duas laranjas.

Eu hei de ser grande um dia. Até lá deixem-me seraquilo que sou: uma criança. Uma GRANDE CRIANÇA!

* Texto escrito durante uma longa viagem noturna com a ajuda de três pequenos colaboradores com hábitos nada esquisitos.

No dia em que te vi pela primeira vez eu ainda não sabia que ia passar noites a aninhar-te nos meus braços a sussurrar-te ao ouvido “o papão foi embora”… Nem que, por fim quando adormecesses, apesar de fatigada, eu ia continuar a vigiar o teu sono para garantir que afugentava esse monstro que nasce do escuro para assustar os bebés pequeninos…

Eu ainda não sabia que ia chorar mais do que tu no dia em que te deixasse pela primeira vez no berçário, por não poder continuar a ser eu a acordar-te da sesta com mimos de mãe e papas morninhas, como tu tanto gostavas e eu tão bem sabia fazer…

No dia em que te vi pela primeira vez eu ainda não sabia o quanto custava ver-te febril, com cólicas ou com qualquer outro mal-estar que eu não pudesse transferir para mim, para te poupar a ti das tuas primeiras dores do mundo…

Nem como seria o desespero por deixar de te ver por um segundo no supermercado, nem que esta sensação apenas se dissiparia quando eu te visse ao colo do teu pai ou mesmo atrás de mim, meu docinho, que o medo de te perder é capaz de cegar uma mãe…

Eu ainda não sabia que viria a sentir uma vontade secreta de dar um beliscão àquele miúdo da tua sala que te mordeu e puxou o cabelo, deixando-te a chorar e com medo de voltar à escola no dia seguinte…

Eu desconhecia que a cada queda que desses seriam também os meus joelhos a ficar esfolados.

Eu desconhecia que por cada vez que me falasses acerca dos teus medos, também o meu coração ficaria pesado com receios e inseguranças por não poder ser eu a enfrentar por ti tudo de mau que a vida traz…

Eu ainda não sabia nada disto no dia em que te vi pela primeira vez.

Tal como agora também ainda não sei o que está para vir.

Mas desde o primeiro dia que te vi eu soube que, para o bem e para o mal,  irei estar sempre ao teu lado para te dar a mão cada vez que a vida não seja tão justa como deveria ser.

Que por ti vou afugentar todos os monstros que surjam da escuridão, vou chorar ao teu lado sempre que sentires uma ponta de tristeza, vou suportar todos os apertos que o meu coração de mãe sentir, vou esfolar os meus joelhos e o meu coração também… Porque tu estás em primeiro lugar e não há ninguém no mundo inteiro que seja tão especial para mim como tu és.

Hoje e sempre.

Coração da minha vida.

Dedicado a cada um dos corações da minha vida, para quem todos os dias olho como se fosse a primeira vez.

Quando eu tinha 7 anos a minha mãe esperava-me sempre ao final do dia no portão da escola. Duas vezes por semana íamos a pé até à baixa para eu ter aulas de solfejo. Nesses dias ela esperava-me com um copo de leite morno com chocolate que me dava energia para a caminhada. Ainda hoje quando bebo leite com chocolate àquela temperatura fecho os olhos e recordo-me da mão da minha mãe na minha pelas ruas da cidade…

No verão, quando as férias chegavam, íamos sempre em família dar uma volta à feira de Santiago e quando voltávamos a casa, eu estava tão cansada que mal conseguia manter os olhos abertos. Nessa altura, a minha mãe deitava-me na cama, vestia-me o pijama e passava uma esponja húmida sobre os meus pés empoeirados antes de me dar um beijo de boa noite. E eu achava que aquela esponja só podia ser mágica para me fazer sentir tão bem.

No tempo frio a minha mãe aconchegava-me à cama para se certificar que só a minha cabeça ficava a descoberto. E então levantava o colchão de lado e em baixo para melhor prender os lençóis e os cobertores enquanto eu me imaginava num barco no meio de uma tempestade em alto mar.

ARTIGO RELACIONADO | AMOR DE MÃE

E disso também nunca mais me esqueci.

Olhei para ti enquanto brincavas. Tentei recordar-me de mim própria quando tinha a tua idade e todas as memórias me levaram à minha mãe. A minha mãe era uma boa mãe. Talvez na altura eu não tenha tido a capacidade para perceber o alcance destes pequenos gestos mas hoje, a esta distância, sei ver tão bem o quanto ela me amou a vida toda e que estes eram gestos de amor maiores que o tempo que me separa deles.

Gestos de amor que guardarei para sempre no meu coração.

Olhei para ti enquanto brincavas, e perguntei-me que gestos de amor meus levarás para a vida. Serão feitos de sabor a chocolate, do toque de uma esponja ou do aconchego de uma cama? Olhas para mim e eu sorrio. Devolves-me o sorriso e continuas a brincar. Não sei que memórias guardarás dos teus 7 anos, da tua infância ou da tua mãe.

Mas como sei que este meu sorriso embevecido nunca seria capaz de disfarçar o amor que sinto por ti, tenho a certeza que pelo menos esse levarás contigo. Bem guardado na memória do teu coração.

imagem capa@dengodefeen

Estamos a duas semanas do Natal mas há muito que os meus filhos perguntavam pela árvore, pelas prendas, pelos doces… porque ainda o Natal não se sentia em nossa casa, já nos entrava pela televisão e pela caixa correio através dos anúncios de Barbies e Legos e dos catálogos dos hipermercados com brinquedos da primeira à última folha, com campos para as crianças assinalarem o que querem receber e tudo!

Para contrariar um pouco esta tendência exclusivamente consumista associada ao espírito natalício começámos a planear o nosso Natal de uma forma diferente… E os preparativos para tornar o Natal super mágico já começaram.

  • Construir a nossa própria árvore de Natal

Não digo que não acabemos por desempacotar a nossa árvore de Natal tradicional, com as suas velhas bolas douradas e luzinhas de todas as cores, mas o desafio deste ano é construir a nossa própria árvore! Com um ramo de uma videira e alguns ornamentos, vamos fazer uma árvore de Natal que vai ficar exposta na nossa casa o ano inteiro… Afinal, o Natal devia ser todos os dias! Já começámos a pesquisar algumas ideias aqui aqui mas acho que o resultado não vai ser nada parecido… Ficaremos felizes se no final se parecer com uma árvore ao menos!   

  • Escolher brinquedos para oferecer a outras crianças

Quando sugeri que escolhessemos brinquedos,  que há muito ficaram esquecidos no sótão, para oferecer a outros meninos, a Beatriz (que no último Natal era pequena demais para participar nesta recolha) respondeu-me: “Só se os meninos me emprestarem os deles…” Expliquei então, com a ajuda do Francisco, que é mais crescido, que há meninos que não terão presentes no Natal e que há uma maneira de ficarem um pouco mais felizes: haver quem lhes dê brinquedos usados, desde que estejam em bom estado. Desde esse dia não fala de outra coisa: “Mamã, é hoje que vamos ao sótão escolher os brinquedos?” Quanto à Carolina, avisou logo que quer dar um peluche a um bebé, porque ele pode engolir os brinquedos se estes forem muito pequenos…

  •  Decorar a casa com luz e cor

A instalação das luzinhas nas paredes vai ficar a cargo do pai mas… e o resto? A decoração da casa vai ser uma tarefa para as crianças (o que, bem vistas as coisas, é o que acontece no ano inteiro…). O site Kidsactivities tem algumas dicas de atividades que se podem fazer nesta época. Gostámos particularmente da ideia de fazer um makeover os pequenos bonecos estropiados que não faltam por aqui. A cola e as purpurinas já estão a postos!

  •  Postais de Natal para enviar a familiares e amigos

Nunca conseguimos reunir a família toda no Natal… Mas podemos mostrar que pensamos neles. Imprimir as fotografias tiradas na escola em formato de postal de Natal foi a primeira fase. A segunda é escrever ou fazer um desenho e enviar pelo correio, uma coisa que se usava muito antigamente, antes de haver estas modernices dos emails e da internet. Dos meus três filhos só um sabe escrever mas não há problema porque as tarefas já estão divididas: há quem escreva, há quem desenhe, há quem pinte…

  • Escrever uma, duas, três… cartas ao Pai Natal

O Francisco já não vai nisso, mas vai escrever a carta pelas suas irmãs, que lhe vão ditar que prendas gostariam que o Pai Natal lhes trouxesse. Pelo meio, o Francisco vai sussurrando “O Pai Natal não existe…” e pelo sim pelo não, as duas vão intercalando os pedidos ao Pai Natal com os pedidos à Mãe e ao Pai Natal cá de casa: “Olhem, mas vocês compram-me isto”. Então mas não é o Pai Natal que te vai oferecer isso? “Não, isto são vocês.”

  • Fazer brinquedos para oferecer aos amigos

Pois é… Esta é que ainda não sabemos bem como é que vai ser… Parecia uma boa ideia quando eles sugeriram mas… e como? Não podem contar muito comigo para habilidades destas mas temos por aqui muita lã, botões, cartões, embalagens de gel duche e caixas de ovos e alguma coisa havemos de fazer. Se no final olharmos para as nossas obras de arte e acharmos que estão más demais para oferecer a quem quer que seja, ao menos passámos uma tarde divertida em família a dar largas à imaginação.

  •  Fazer cupcakes deliciosos

Qualquer mãe sabe que ter pequenos pasteleiros na cozinha é sinónimo de farinha espalhada pelos armários, medalhas de chocolate pela roupa e cabelo a parecer algodão-doce… Mas como descobri uma receita para fazer cupcakes no microondas, decidi abrir uma exceção. Calculo que leve uns 5 minutos a preparar os ingredientes, mais 2 no microondas, 2 minutos para arrefecer e 1 para comer! O que quer dizer que em 10 minutos temos a nossa merecida recompensa, com calorias suficientes para nos dar energia para o tempo que vamos passar a limpar a seguir (vamos não, vou!)… Mas há de valer a pena cada segundo!

Quero que os meus filhos tenham um Natal Feliz e que aprendam a valorizar esta época do ano. Porque Natal é Família, Natal é Magia, Natal é pensar nos outros… Natal não é só receber, mas é sobretudo DAR! Porque se vivermos em harmonia a época natalícia, torna-se mais fácil ter presente os valores que cultivamos no Natal durante o resto do ano.

O Natal está aí. Será que vamos ter tempo para pôr em prática tantas ideias?

 

imagem capa@dengodefeen