Quando era mais pequena sofri de bullying de uma suposta amiguinha – filha de umas das grandes amigas da minha mãe. Na altura chamava-se mesmo ‘levar porrada’ de ‘amigos’, e toda a gente sabia. A minha mãe dizia-me muitas vezes ‘tens que te defender, filha!’ e ás vezes ‘não me chateies mais com isto! Porque é que não lhe dás também?’ A amizade entre as duas mães, ficava muitas vezes tremida, zangavam-se porque uma dizia para a outra fazer com que filha não usasse tantas vezes as botas ortopédicas nos pontapés com que atingia a amiga, leia-se a mim. A mãe da ‘bully’ dizia ‘a tua filha em vez de fugir a chorar para fazer queixinhas, tem que se defender. Quanto mais mostra medo mais a minha lhe bate!’. Nunca me defendi, nem eu, nem as dezenas de outras crianças que a tentaram confrontar ou fugir do seu radar, mas que não escaparam das suas potentes botas ortopédicas, nem as dos seus amigos que pertenciam à sua mini gangue. Lembro-me de só estar feliz que nem uma cobarde das vezes que, ainda foram algumas graças a Deus, em que caía nas suas boas graças e, não era eu o alvo. Afinal as nossas mães eram amigas! (Ironia) Lembro-me de um dia, apresentar-lhe uma amiga, e já nem sei bem porquê, do nada, espetou-lhe um murro certeiro e quase cinematográfico no estômago. Percebi a mensagem, fiquei zangada, mas cantei baixinho. Sobrevivi, cresci e não, não estou traumatizada. Mas podia estar.
para UpTo Lisbon Kids®
imagem capa @motherhoodthetruth.com
Parabens Sónia, pelas lindas palavras que escreves (sei que são verdadeiras porque desde menina que te preocupas pelos outros) e pela pessoa maravilhosa que és e sobretudo pela maneira como estás a educar a tua Francisca . Beijokas
Olá Sónia,
Parabéns pelo seu depoimento, pela forma isenta e equilibrada como coloca a questão.