A Psicomotricidade assume-se como uma nova vertente clínica em expansão no nosso país e apresenta-se como uma área de conhecimento transdisciplinar, que estuda e investiga as relações e as influências recíprocas e sistémicas entre as funções psíquicas e a motricidade.

Desta forma, a Intervenção Psicomotora permite que o indivíduo se conheça a si próprio e ao meio que o rodeia (Martins, 2001). O Psicomotricista é responsável por ajudar o indivíduo a adaptar-se e a corrigir aspetos comportamentais ou de aprendizagem (Fonseca, 2010), permitindo ao indivíduo desenvolver vários domínios e otimizar a ação, utilizando o corpo, o espaço e o tempo (Matias, 2005).

Dirige-se a todas as faixas etárias, com base em três modelos de intervenção: preventivo, educativo e reeducativo/terapêutico (Morais, Novais e Mateus, 2005). Ao nível preventivo é utilizada para estimular e desenvolver competências sociais; educativo porque promove o desenvolvimento psicomotor e potencia a aprendizagem; por fim no âmbito reeducativo/terapêutico é utilizada para adaptar o indivíduo com um desenvolvimento comprometido às suas alterações quer sejam motoras, psicológicas, afetivas e cognitivas (Morais, 2007; Morais, Novais e Mateus, 2005).

Nas sessões de intervenção Psicomotora é sobretudo utilizado instrumentos específicos, atividades lúdicas, técnicas de relaxação e consciencialização corporal, atividades expressivas e motoras e ainda permite experiências com o mundo exterior (Matias, 2005).

Através do corpo, desenvolve-se a atividade valorizando-se a intencionalidade e consciencialização da ação, explorado várias formas de expressão(Martins, 2001).

A Intervenção Psicomotora dá ênfase à qualidade da relação afetivo-emocional e têm como base sete fatores psicomotores: tonicidade, equilibração, lateralidade, noção de corpo, organização espácio-temporal, praxia global e praxia fina (Fonseca, 2001).

Psicomotricidade nas Necessidades Educativas Especiais

As atividades psicomotoras facilitam o acompanhamento e desenvolvimento de alunos especiais Psicomotricidade nas NEE. Ajudam a que a criança ponha em prática a sua capacidade de perceção, ação e contacto, de acordo com as suas possibilidades.

O trabalho dos fatores psicomotores, como é o caso do esquema corporal, lateralidade, estruturação espacial, orientação temporal e pré-escrita são fundamentais na aprendizagem (Magero e Moussa, 2011). Um défice num destes elementos irá prejudicar uma boa aprendizagem. E é aqui que a Intervenção Psicomotora vem dar o seu contributo, além de trabalhar em simultâneo a socialização e crescimento pessoal (Fonseca, 1988).

A Intervenção Psicomotora é uma aliada ao processo de inclusão educacional, pois permite observar as limitações do aluno, entendê-lo e verificar os seus avanços na aprendizagem, mesmo que sejam mais lentos que o normal (Bagatini, 2002). Através de atividades psicomotoras, as crianças e jovens têm a possibilidade de construir e vivenciar as relações entre corporeidade, afetividade e aprendizagem.

É uma ferramenta valiosa principalmente para os portadores de necessidades educacionais especiais, pois torna a ação mais significativa para eles. Dá-lhes a oportunidade de experienciar, de descobrir mais de si e do meio que o rodeia, propiciando o seu desenvolvimento (Magero e Moussa, 2011).

A psicomotricidade vai ajudar crianças com:

  • Dificuldades de coordenação motora (ex. problemas de equilíbrio e falta de destreza)
  • Dificuldades na motrocidade fina (ex. cortar, pintar dentro do risco)
  • Dificuldades na motrocidade grafológica (ex. pega no lápis e pressão fraca ou forte)
  • Dificuldades de aprendizagem
  • Dificuldade de aprendizagem específicas (ex.discalculia)
  • Problemas na concentração
  • Problemas de comportamento (ex.:agressividade e comportamento
  • Dificuldades de comunicação
  • Atraso no Desenvolvimento Psicomotor

Joana Gonçalves, Psicomotricista e Explicadora na How to…
para Up To Kids®

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Bibliografia:
Bagatini, V. (2002). Psicomotricidade para deficientes. Editorial Gymnos: Madrid
Fonseca, V. (1988). Psicomotricidade: psicologia e pedagogia (2th edition). São Paulo: Martins
Fontes
Fonseca, V. (2001). Psicomotricidade: perspectivas multidisciplinares. Lisboa: Âncora editora.
Fonseca, V. (2010). Manual de Observação Psicomotora – Significação Psiconeurológica dos seus Fatores (3th ed.). Lisboa: Âncora Editora.
Magero, C. e Moussa, I. (2011). A Psicomotricidade no processo de aprendizagem de portadores de necessidades educativas especiais.
Martins, R. (2001). Questões sobre a identidade da Prática da Psicomotricidade – As práticas
entre o Instrumental e o Relacional. In V. Fonseca & R. Martins (Eds.) Progressos em Psicomotricidade (pp. 29-40). Lisboa: Edições FMH.
Matias, A. (2005). Terapia Psicomotora em Meio Aquático. A Psicomotricidade, 5, 68-75.
Morais, A., Novais, R. e Mateus, S. (2005). Psicomotricidade em Portugal. A Psicomotricidade,5, 41-49

Morais, A. (2007). Psicomotricidade e Promoção da Qualidade de Vida em Idosos com Doença de Alzheimer. A Psicomotricidade, 10, 25-33

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[Para saber tudo o que o seu filho precisa que lhe assegure, na sua entrada para a Creche.]

Olá Creche.
Eu estou quase a chegar. Estou quase a entrar por essa tua porta colorida, sorridente e pronto a descobrir um novo mundo, repleto de descobertas e muitas conquistas!

Desde que eu nasci, já passaram alguns meses. Tive muito miminho e atenção só para mim, entre colinhos da família e dos amigos da família, essencialmente na minha casa. Mas, agora, é tempo de criar novos laços! Este vai ser um marco importante. Para mim e para os meus pais.

Eu estou um pouco nervoso, mas acho que os meus pais ainda estão mais! Por isso, querida Creche, para ajudarmos os meus pais a ficarem mais calmos, e para que eu me sinta corajoso e entusiasmado por passar aí o dia, tens de garantir aos meus pais que me vais proporcionar um ambiente seguro, um serviço que respeita as necessidades, momento a momento, de cada criança e que me vais oferecer desafios promotores de um desenvolvimento harmonioso. Sim, eu quero aprender a raciocinar e a usar a lógica. Sim, eu quero aprender a gerir as minhas emoções. Sim, eu quero desenvolver os meus músculos, e tornar-me mais ágil. Sim, eu quero aprender a respeitar regras e as rotinas e a controlar o meu comportamento. Sim, eu quero fazer novos amigos e… Quero brincar muito! Acima de tudo quero crescer a brincar! E, ao final do dia, correr para os braços dos meus pais, de coração cheio e feliz!

Vou contar-te um segredo. Foi muito importante para os meus pais, quando te foram visitar pela primeira vez e puderam conhecer as tuas instalações, as pessoas que cuidam das crianças, as rotinas de todos os dias, as actividades que as crianças podem fazer e o projecto educativo que norteia o nosso quotidiano.

Sinto-me preparado. Os meus pais têm falado comigo sobre as novidades que se aproximam. Felizmente, não deicidiram fazer-me uma surpresa e só me falar de ti, querida Creche, no primeiro dia. Aliás, foi muito bom poder já ter feito uma primeira visita e conhecer a minha educadora e a auxiliar da minha sala. Sei que vou poder brincar muito, aprender imenso, conhecer novos amigos… Também sei que a primeira semana será de adaptação e que vou começar por ir por poucas horas, nestes primeiros dias. Isso vai ajudar-me a “separar-me” dos meus pais, com menos receios. Os meus pais também me garantiram que se vão despedir sempre de mim, com um beijo, um abraço e um sorriso, mesmo nos dias em que as minhas lágrimas teimem em percorrer a minha cara, tentando dizer que aquela despedida está a custar mais. Eles prometeram que nunca vão sair sorrateiramente. Assim sei que não me vou sentir inseguro, nem desconfiado.

Também sei que vou poder levar o meu amigo ursinho para a creche. Poder levar algo especial da minha casa, para me acompanhar durante o dia, dá-me ainda mais conforto e segurança.

Querida Creche, sei que tudo vai correr bem. E os meus pais, apesar de nervosos, também!

Não tarda estarei a correr alegremente nos teus corredores.

Até já,

O teu novo amiguinho

Por Inês Afonso Marques, para Up To Kids®
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São várias as características que nos distinguem dos animais. Diz-se que somos seres racionais porque pensamos, conseguimos comunicar de uma forma única utilizando a fala, somos capazes de ter consciência do que já passou e de adequar o nosso comportamento mediante situações que ainda nem sequer aconteceram. Somos capazes de realizar operações complexas, construir os instrumentos mais espantosos e mudar o mundo consoante as nossas necessidades. Entre muitas outras coisas.

No entanto, na minha opinião, a competência mais importante que possuímos é a capacidade para controlar o nosso próprio comportamento. Esta capacidade é muito importante, não tanto pelo que escolhemos fazer, mas principalmente pela inibição de comportamentos que escolhemos não ter.

Como animais, nascemos com reflexos e impulsos biológicos os quais, durante os primeiros anos de vida, não conseguimos inibir. Um bebé que tem fome chora, uma criança enraivecida agride, uma criança com sede pede água. São impulsos internos que não conseguem inibir. Por isso agem impulsivamente. Trata-se de comportamentos definidos biologicamente e ainda não controlados conscientemente.

Uma das tarefas da educação passa por treinar o adiamento e a inibição de muitos destes comportamentos. Desde que nasce, o bebé vai aprendendo a controlar o impulso de dormir, a adiar o impulso de fome ou sede e a inibir impulsos agressivos. Tudo isto faz parte da educação que lhe damos. E leva muitos anos a adquirir. É esta aprendizagem que lhe vai permitir, mais tarde, esperar até à hora da refeição para comer, inibir a vontade de ir brincar para pôr a mesa para jantar ou adiar a vontade de ir passear com os amigos para poder estudar para um exame.

A criança que escolhe não olhar para o que se passa na rua para terminar o trabalho que está a fazer; o jovem que escolhe não mergulhar num sítio perigoso apesar do calor que sente; o adulto que escolhe não agredir apesar da raiva que o fazem sentir são exemplos de comportamentos inteligentes, treinados durante anos e resultado desta capacidade fantástica que é a inibição de impulsos. Escolher não fazer também se aprende.

Na minha prática clínica constato que muitas das crianças que tenho acompanhado têm sérias dificuldades no treino desta competência e, por esta razão, opto por fazer este treino com todas elas. A capacidade de inibição de impulsos é, provavelmente, das competências mais importantes, mais abrangentes e mais determinantes para o sucesso da sua vida futura.

Kátia A. Santos, Psicóloga Clínica, para Up To Kids®
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Era uma vez …e assim começam as histórias lidas, relidas, e inventadas.

Histórias em prosa, histórias em verso, embrulhadas, ou não, em música …intemporais …que transportam as crianças nas asas da imaginação para tempos e lugares longínquos, onde grandes emoções são experimentadas …

No universo da fantasia, as histórias deliciam pequenos e crescidos. As personagens movimentam-se numa azáfama simbólica através da qual nos mostram que os valores existem.

A Amizade, a Solidariedade, a Ternura, a importância da existência de um lar, de uma Família e Amigos e a implementação de regras, são os condimentos utilizados nas histórias de encantar e na VIDA!

As histórias ensinam a criança a perceber, a detalhar, a raciocinar, a sentir, a analisar, sendo um canal de extrema importância para que a criança entre em contacto com diversos modos de ver e sentir o mundo. É através das histórias que a dimensão simbólica da linguagem é experimentada, de mãos dadas, com o imaginário e o real.

Na era em que a tecnologia toma lugar na 1ª fila, as histórias e os contos tradicionais continuam, com os seus enredos e tramas a potencial um esclarecimento às crianças, tranquilizando os seus receios e medos mais primários e a enquadrar conceitos como “bom” e “mau”, “certo” e “errado”, entre outros.

As histórias passam-se em lugares esboçados fora do limite do tempo e do espaço, mas onde qualquer um de nós pode caminhar, percetível pelas crianças nos seus mais ínfimos detalhes. Elas contribuem para que a criança entre em contacto com diversos modos de ver e sentir o mundo à sua volta.

Sempre que a criança ouve uma história, enriquece a sua imaginação, aumenta o seu vocabulário, aprende a refletir, desenvolve o pensamento lógico favorecendo a memória e o espirito crítico, através da manifestação de humor e da sua curiosidade natural.

As histórias inventadas requerem eximia, por parte de quem as conta! A criança gosta de ouvir a mesma história muitas vezes, mas …deverá ser contada de igual forma para que a criança não se sinta “enganada”.

O contar e “recontar” da história por parte da criança, também deve ser fomentada. Esta prática pedagógica desenvolve a auto estima, a sociabilização e prepara a criança para o exercício da cidadania.

E por tudo que aqui foi dito e …muito mais, deliciemos as crianças ….

Vem …vou contar-te uma história!

Por Inês Clímaco, para Up To Kids®
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Os blocos de construção são uma forma lúdica e divertida de desenvolver diversas capacidades das nossas crianças. De facto, inúmeros estudos têm demonstrado que a sua utilização nas brincadeiras dos mais novos (e não só) contribui para o desenvolvimento de várias competências cognitivas e sociais. E podem ser muito divertidos!

Eis algumas vantagens de brincar com blocos de construção:

Estimulam a imaginação
Este tipo de brinquedo é frequentemente usado para a construção de cenários nas brincadeiras de faz-de-conta, estimulando a imaginação, aumentando a capacidade de resolver problemas e ajudando ao processamento de emoções.

Promovem a percepção espacial
Ao brincar com blocos, as crianças testam relações espaciais entre objectos, desenvolvendo a consciência do espaço disponível. Além disso, também as capacidades de planeamento são colocadas à prova.

Desenvolvem competências matemáticas
Para além das subtis operações matemáticas presentes durante uma actividade lúdica livre com blocos de construção, existem inúmeros exercícios que podem ser realizados durante uma brincadeira estruturada.

Aumentam a capacidade de resolver problemas
Uma vez que os blocos de construção podem ser colocados de diversas formas, ao brincar com eles a criança está a exercitar a sua capacidade de desenvolver problemas divergentes, ou seja, que podem ter várias soluções diferentes.

Estimulam o trabalho em equipa
Quando utilizados por um grupo de crianças, os blocos de construção podem ser uma forma muito divertida de incentivar ao trabalho de equipa, desenvolvendo capacidades sociais e de interacção.

Acima de tudo, os blocos de construção podem proporcionar horas de diversão. E não são só para crianças: experimente juntar-se à brincadeira!

Boas brincadeiras!

Por Vilma van Harten, para Up To Kids®
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Desde sempre que o processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem tem sido alvo de inúmeros estudos, não fosse a linguagem vista por muitos como “a janela do conhecimento humano”. Muitos foram os que a consideraram como uma capacidade inata. No entanto, actualmente sabe-se que o seu desenvolvimento depende de questões neurobiológicas e sociais, isto é, da interacção entre as características neurobiológicas de cada criança e a qualidade dos estímulos do meio em que está inserida (Mouzinho et al, 2008).

É incrível a capacidade do ser humano de, sem esforço e em apenas 40 meses, evoluir de um simples choro (como forma de comunicar que tem fome) para a frase “Gostava tanto de comer um gelado!”, provida de sofisticação gramatical e pragmática. Embora rápido, é um processo dotado de grande complexidade (Sim-Sim, 1998). Mas afinal, o que é isto da linguagem? Entende-se por linguagem “um sistema complexo e dinâmico de símbolos convencionados, usado em modalidades diversas para [o homem] comunicar e pensar”(A.S.H.A., 1983). Se pensarmos bem, falar implica uma vasta diversidade de processos. Necessitamos de ouvir, processar o que ouvimos, pensar, recorrer a símbolos para expressar o nosso pensamento, escolher as palavras adequadas, construir frases, utilizar de forma correcta os músculos para articular as palavras e ainda regular a capacidade respiratória… E tudo isto numa fracção de segundos.

À semelhança do que sucede no desenvolvimento das outras áreas, também na linguagem o desenvolvimento é gradual e o ritmo não é o mesmo em todas as crianças. No entanto, existem alguns marcos deste processo. Assim:

  • 1/4 meses
    Começa a palrar, produzindo vogais e posteriormente algumas consoantes como p, b, k, g. Reage aos sons e dirige o olhar e/ou cabeça na direcção dos mesmos;
  • 4/6 meses
    Começa a reconhecer o próprio nome e entende quando está a ser chamado. Começa a distinguir os rostos conhecidos dos rostos estranhos. Responde com tons emotivos à voz materna e inicia a fase do balbucio. Produz uma maior variedade de vogais e consoantes, produzindo sílabas do tipo consoante-vogal sem mudar a consoante (por ex: “dudadá”);
  • 6/8 meses
    Começa a fazer jogo vocal, aumenta o reportório de sons e experimenta diferentes combinações de sílabas (por ex: “pabada”);
  • 8/12 meses
    Começa a tentar repetir e imitar tudo o que ouve, desenvolve a sua intenção comunicativa e começa a utilizar um discurso aproximado do real, usando a entoação e um conjunto de sílabas com diferentes funções comunicativas (chamar a atenção, questionar e protestar) e já reconhece algumas palavras do seu quotidiano (por ex: bola; carro; rua; não);
  • 12/18 meses
    Uso repetido do mesmo som para um determinado significado, produz as primeiras palavras, reconhece o nome de pessoas próximas, objectos e partes do corpo, compreende ordens simples (por ex: diz adeus; dá o carro). No final desta etapa, a criança já imita palavras e os sons de objectos e animais e utiliza cerca de 8/10 palavras relacionadas com o seu dia-a-dia;
  • 18/24 meses
    Utiliza uma linguagem simples e directamente ligada às descobertas sensório-motoras, começa a utilizar algumas regras de comunicação (entoação e turnos de comunicação) e recorre a diferentes formas de comunicação não verbal para chamar a atenção (apontar, olhar e tocar). Utiliza a linguagem enquanto brinca, frequentemente fazendo monólogos com uma linguagem própria e de difícil compreensão. Compreende e responde a perguntas simples (por exe: tens fome?; o que é aquilo?), faz pedidos e o seu vocabulário aumenta de forma explosiva.No final desta etapa, surgem as primeiras combinações de palavras, dando origem a um discurso telegráfico (por ex: “João rua”; “João dá”);
  • 24/36 meses
    Compreende cerca de 300 palavras e a cada dia que passa o seu vocabulário aumenta, começa a adquirir regras e padrões básicos da organização da estrutura frásica da linguagem, utiliza frases de duas ou três palavras e começa a generalizar enunciados de três palavras, formando frases na ordem correcta (sujeito/verbo/objecto), como por exemplo “Maria quer água” ou “mãe dá colo”;
  • 3/4 anos
    Utiliza frases mais complexas com 3 ou mais palavras, adquire regras de concordância (número e género), começa a questionar tudo (idade dos “porquê’s”);
  • 4/5 anos
    Expressa-se bem através de um discurso mais complexo, utilizando frases mais elaboradas. A articulação verbal pode ainda não ser totalmente correcta.Embora todo este processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem seja natural, podemos e devemos estimulá-lo.
    Como? Proporcionando experiências interactivas mais ricas.
    Eis algumas ideias:

    • Falar e associar alguns gestos do quotidiano (por ex: olá; adeus; vem cá; ali; em cima);
    • Dizer o nome do que está à vossa volta, para que serve e alguma característica observável (por ex.
      cor, tamanho);
    • Descrever as actividades do dia-a-dia, diversificando e adequando o vocabulário;
    • Ler livros e contar histórias;
    • Incentivar o brincar e o cantar;
    • Ir ao teatro ou ao cinema e depois discutir a história.Em síntese: Fale! Fale muito com a sua criança!Se identificar uma criança cujo desenvolvimento da linguagem não esteja de acordo com a sua idade, deverá recomendar uma avaliação em terapia da fala.

 

Por Joana Firmino, Terapeuta da Fala, para Up To Kids®
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  1. A arte ajuda as crianças a tornarem-­se tolerantes em relação às ideias dos outros;
    kids-143022_640
  2. Descobrir o mundo artisticamente ajuda a proporcionar às crianças mais do que uma perspectiva ou resposta;photographer-164673_640
  3. A arte dá às crianças uma maneira divertida, visual e adequada à idade, de processar a informação e as suas experiências;science-722054_640
  4. As capacidades trabalhadas com a arte permitem transferir habilidades para outras áreas de aprendizagem como a matemática, a linguagem, a ciência e a interação social;people-316506_640
  5. A arte permite às crianças arriscar intelectualmente e tentar novas experiências;children-183007_640
  6.  arte ajuda as crianças a atribuírem significado às suas experiências;art-423530_640
  7. Através da arte as crianças dizem-­nos quem são, do que gostam, quem são as pessoas importantes nas suas vidas, como se sentem em relação a si mesmos, o que conhecem sobre o seu mundo.boys-554644_640


Por Carolina Canto, Gymboree Dolce Vita Tejo,

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Muito se tem debatido sobre a melhor forma de educar. Em várias publicações da especialidade, blogs e portais podemos encontrar diversas técnicas que nos ajudam e guiam na difícil tarefa de educar uma criança. Mas qual o limite entre a permissividade e a autoridade? Qual o limite para conquistar a atenção de uma criança? Qual a melhor forma de lidarmos com a nossa consciência?

Enquanto empresária na área da educação muito me tenho questionado sobre as melhores soluções para este problema. Até onde deverá a escola ir? Qual o máximo de interferência que deveremos assumir?

A experiência mostrou-me que não há uma fórmula certa, nem uma única resposta correcta. O mais importante é compreendermos e aceitarmos que cada criança é diferente, provém de um meio diferente, vive experiências diferentes e está a desenvolver uma personalidade diferente. Assim sendo temos que apresentar propostas diferentes para crianças diferentes. A diversidade de estratégias aplicadas numa metodologia de ensino, poderá conduzir os alunos ao sucesso. Aulas que intercalem actividades mais académicas com jogos movimentados, materiais interactivos e visuais terão uma probabilidade maior de agradar a todo o tipo de aluno uma vez que satisfazem necessidades distintas de aprendizagem.

A relação escola/família é, cada vez mais, crucial no processo de ensino e evolução da criança. O modelo familiar mudou. Os Pais têm cada vez menos tempo para os filhos que consequentemente passam cada vez mais tempo na escola. Os papéis estão invertidos e a comunicação é a chave para o sucesso. As estratégias e valores têm que estar alinhados para nenhum dos elementos educadores se sobrepor ao outro.

Com entreajuda e confiança poderemos educar cada vez mais e melhor.

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Combater o insucesso escolar constitui uma tarefa complexa e desafiadora para Pais/Cuidadores, Educadores e Professores. É emergente compreender o porquê destas dificuldades e procurar alternativas que possam minimizar e adequar todo o processo de aprendizagem de cada aluno.

Uma das grandes lacunas no êxito na aprendizagem deve-se a alterações linguísticas significativas – alterações no processo de desenvolvimento da compreensão e expressão oral e/ou escrita. Por isso, a necessidade de prevenção/vigilância do desenvolvimento linguístico da criança/adolescente evita posteriores sequelas educacionais, comportamentais e até sociais.

No entanto, a origem destas dificuldades é diversa e pode envolver outros fatores, como: orgânicos, intelectuais/cognitivos, emocionais e sensóriomotores, ocorrendo na maioria das vezes uma inter-relação entre todos eles. Além destes, deve-se ter em conta influências externas, como: diferenças culturais, ensino insuficiente ou inapropriado.

Atualmente os estudos apontam que as dificuldades de aprendizagem estão estreitamente relacionadas com um historial de défice na aquisição da linguagem, mas ainda, e não menos importante, em alguns casos, um possível défice na discriminação auditiva.

Salienta-se que défice na discriminação auditiva é distinto de défice auditivo. É comum que os despistes auditivos estejam adequados mas o aluno não discrimine sons muito idênticos (ex: /f/ e /v/) e que estas trocas também possam ocorrer na escrita. Quanto ao processo de aquisição da linguagem, e bastante aglomerante, este inclui quatro sistemas interdependentes: o pragmático (uso comunicativo da linguagem num contexto social); o fonológico (perceção/produção de sons das silabas e palavras); o semântico (respeito pelo significado das palavras) e o morfossintático (respeito pelas regras sintáticas e morfológicas que vão designar se a palavra e a frase está organizada e coerente).

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Dentro de uma análise contextual, há necessidade de compreender que, mesmo na presença de uma pedagogia eficaz, as dificuldades de aprendizagem podem ocorrer e por vezes não chegam a desaparecer ao longo do processo de aprendizagem. Na prática, geralmente apresentam uma ampla variedade de queixas académicas e comunicativas, onde se inclui:

  • Dificuldades em cumprir ordens orais
  • Pobre desempenho em testes cognitivos verbais (orais), quando comparados com testes cognitivos não-verbais (escritos)
  • Dificuldades na leitura e no ditado
  • Dificuldades na interpretação da leitura
  • Dificuldades na expressão de sentimentos e acontecimentos (orais/escritos)
  • Erros de escrita significativos após a finalização do 2º ano
  • Dificuldades na manutenção de um diálogo
  • Dificuldades na produção, discriminação e segmentação de sons, sílabas e palavras
  • Dificuldades em manter a atenção, com e sem ruído

De forma sucinta são crianças/adolescentes que, frequentemente, solicitam repetição de informação, apresentam-se distraídas e consequentemente uma panóplia de prejuízos académicos.

Para finalizar e deixar claro uma reflexão atual da aprendizagem, devemos, acima de tudo, saber que não só de aquisições intelectuais caracteriza o bom aluno. Torna-se essencial entender que cada dificuldade de aprendizagem que o aluno apresente, deverá ser analisada minuciosamente. Cada caso merece uma intervenção, por vezes, distinta, e elaborado por uma equipa multidisciplinar. Porque também, e não menos importante, desenvolver as suas aquisições motoras em simultâneo com as restantes aquisições são o meio mais eficaz para atingir as funções mentais de atenção e memória, tão importantes no processo de aprendizagem.

Por Patrícia de Sousa Teixeira, Terapeuta da Fala colaboradora How To…
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“Brincar é consagrar-se a uma actividade pela diversão, pelo prazer. Brincar não tem outra finalidade além de si próprio; a criança brinca para brincar. Se aprende alguma coisa no seu decurso, é de certa forma por acidente, pois não era esse o seu objectivo primeiro. Todavia, compreendemos facilmente que seja fonte de inúmeras descobertas para a criança e permita várias realizações.”

Ferland, Francine; “Vamos brincar? Na infância e ao longo de toda a vida”; Climepsi Editores; 2006

 

Haverá brinquedos que se destaquem por serem didácticos? Não serão todos os brinquedos, de alguma forma, educativos?
Todo o brinquedo que permita uma aprendizagem deveria ser considerado didáctico. Um carrinho de madeira proporciona inúmeras experiências e estímulos: capacidades motoras, desenvolvimento da imaginação, contacto com diferentes texturas, etc.
No entanto, há, de facto, um conjunto de brinquedos e jogos que podem ser rotulados de educativos: aqueles que visam uma aprendizagem precisa e concreta, tal como letras e números ou jogos de memória visual.
Deverão ser estes os únicos brinquedos ao alcance da criança? Na nossa opinião, não. Importante é haver variedade de materiais na hora de brincar. Se apenas se oferecem brinquedos didácticos, estar-se-á a limitar o desenvolvimento da capacidade de imaginação e o prazer lúdico.
Um jogo que consista em carregar num botão para ouvir uma palavra ou um som torna-se repetitivo e aborrecido após algum tempo de brincadeira.
Por outro lado, um simples conjunto de blocos de madeira permite à criança inúmeras formas de brincar, podendo estimular em simultâneo a imaginação, o faz-de-conta, a percepção espacial, o trabalho de equipa, o raciocínio lógico, as capacidades motoras, entre muitas outras competências.
Mas o mais importante de tudo é dar à criança a oportunidade de brincar.

Como disse Montaigne, “O jogo deveria ser visto como a mais séria actividade das crianças”.

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