Dizem que não há destino. Sempre fui um pouco céptica em relação a tudo que não é palpável, mas também sempre acreditei que existe um caminho pré traçado para cada um de nós. Podemos sempre alterar os contornos, com o livre arbítrio, mas o sulco está traçado, desde o primeiro instante de existência.

O destino, trouxe-me a Timor Leste!

E aqui, neste País onde a democracia acabou de nascer eu (re)nasço todos os dias! (Re)nasço no amanhecer de cada dia, que traz com ele cores inimagináveis, que me percorrem a pele. O cheiro multicolor da flora entra-me pelos olhos, aquietando-me a alma. Guardo então essa imagem e junto a tantas outras, que o meu coração vai colecionando.

Mas, hoje, quero falar destas Crianças! Pequenos seres, que todos os dias me ensinam o que é valorativo nesta vida. Seres de uma grandeza tamanha, que me olham com o brilho dos sonhos, que choram porque os Pais/irmãos mais velhos bateram (é cultural), que a existência de poderem brincar com um carrinho de plástico é para eles uma dádiva do céu, que vêm à escola com o mesmo entusiasmo que vão à igreja, porque na escola podem aprender e usufruir de um lanchinho, mesmo que seja apenas um pão com manteiga e um leite. Na missa rezam com devoção, agradecendo a Deus o estarem vivos!

Crianças com fome de conhecimento, mas que nada pedem, porque o “nada”, para elas, é “tudo”.

Há vidas de mimo, de colo, de atenção, de uma mão que segure a delas e nesse toque, lhes ensine que o verbo “Amar” existe!

Crianças que me oferecem abraços nascidos no coração, que se agarram, disfarçadamente à minha bata de educadora e, muitas vezes, até fazem uma cara de tristeza para poderem ganhar alguns instantes no meu colo.

Crianças que estão a dar os primeiros passos na aprendizagem da língua portuguesa, mas que são detentoras de uma sabedoria imensa na arte de oferecer sorrisos e à nossa passagem nos saúdam com “Malai bá ne ´bé? (estrangeira, aonde vai?)

Crianças de pés descalços que a terra beija. Crianças que são Reis e Rainhas do nada! Muitas vezes esquecidas nas esquinas do tempo, vestem-se com o brilho nos olhos e um sorriso permanente em cada gesto.

São Crianças, seres pequeninos e frágeis, IGUAIS a tantas outras por esse Mundo fora.

São Crianças, seres pequeninos e frágeis, DIFERENTES de tantas outras, por esse Mundo fora.

As crianças de Timor são de uma doçura tal e qual café da manhã!

O meu bem-haja a todas estas crianças, que me ensinam, todos os dias, que o que é essencial aprender para sermos felizes não é visível aos olhos!

imagem@Olive Bike

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São muitas as vezes que nesta praia existencial, sonho com voos para terras longínquas, na procura de alimento para a minha alma.
E desta vez as asas trouxeram-me até Timor Leste, concretizando assim um desejo há muito sonhado. Deste lado do Mundo, num país ainda bebé, encontrei o que muita gente chamaria de “pobreza”.

Deixem-me que vos diga que, às vezes, fico parada no sentir … No sentir dos cheiros multicolores, que me entram pelas narinas e me inebriam … tal e qual café da manhã!

No sentir doce do “bom dia a todos” que recebo de mãos dadas com um leve curvar do tronco, do povo timorense.

Este povo feito de humildade que agradece a Deus com fervor, que acredita na verdade e no lado bom do ser humano.

Este povo que se veste de simplicidade, a quem falta tudo mas que TUDO tem. É delicioso sair à rua empoeirada e perder-me no meio de uma multidão de crianças, que caminham para as escolas. Aqui, os professores são olhados como mensageiros do saber … com muito respeito!

Chego à escola e sou rodeada de crianças, que me sorriem com o coração espelhado nos olhos. As mais pequeninas, procuram a minha mão num aconchego gritando …”Bom dia, Professora”.

Não sabem português, mas adoram a escola, porque encontram aqui o colo que precisam, os brinquedos que não têm em casa, o espaço limpo e a merenda que lhes aconchega o estômago.

Cada dia é um desabrochar, que me enche o coração e me faz feliz. São tantas pequenas coisas que me sustentam … tantas!

É aqui o meu lugar, é este o oxigénio que me faz viver. As coisas vulgares da vida não deixam saudades.
Deste lado do Mundo, encontrei o verdadeiro sentido da VIDA!

Imagem@panoramio

Numa analogia entre o mundo e o teatro, posso afirmar, que estamos sentados na plateia a assistir ao assassinato coletivo da infância das crianças. Os pais, numa tentativa de se sentirem bem consigo próprios, da ausência na vida dos filhos, tentam compensá-los com presentes de toda a espécie, consoante a faixa etária dos mesmos…brinquedos, viagens, telemóveis e afins, jogos, TV, etc! As crianças de hoje estão a perder as habilidades sócio emocionais mais importantes, como saber colocar-se no lugar do Outro, saber pensar, expor as ideias, aprender a arte de agradecer, a partilhar, a valorizar a empatia a ser generoso.

Precisamos educar para a empatia, precisamos ensinar as crianças a valorizar e saber identificar as emoções, o sentir.

Precisamos ensinar as crianças a arte de educar o coração. A partir dos 12 meses o individualismo tem de ser dominado. Os pais devem ensinar e promover a ponte entre o individualismo e a partilha, desde muito cedo. Precisamos olhar os filhos nos olhos, ensinando-os a saberem verem-se no reflexo do olhar do Outro. As crianças de hoje vivem um tempo de egocentrismo e individualismo. Os pais deixam que eles se isolem, agarrados aos braços da tecnologia que lhes permite “voar”, através da rapidez de imagens para uma galáxia imaginária, onde cada um escolhe ser o que mais lhe convém. Um “faz de conta” sem fim … Precisamos de voltar às coisas SIMPLES, valorizando o viver com elas.

Precisamos ensinar os filhos a refletir, a utilizar o concreto da vida e a saberem lidar com ele.

Precisamos promover a autonomia, o saber lidar com a frustração, o saber entender as emoções e acima de tudo o saber ouvir o coração. Temos o dever de sermos honestos com as crianças, coerentes entre o que dizemos e os atos que praticamos, para que elas se revejam em nós, adultos. É verdade que atravessamos tempos difíceis, escuros, mas acredito que poderemos pintar o Mundo de cores claras, porque o nosso cérebro é gregário e não sozinho.

É URGENTE aprendermos/ensinarmos a partilhar …AFECTO. É na forma como eu me sei dar, que eu identifico o meu lugar no Mundo, neste Mundo, que apesar de muitos o ignorarem, é … a casa de TODOS!

Carta a uma neta

O tempo, implacável no seu caminhar, rouba de mim a jovialidade de outrora e oferece-me maior discernimento e tranquilidade para olhar 0 meu estatuto de avó.

Sempre ouvi dizer que ser avó é ser mãe duas vezes, que o estatuto de avó vem carregado de açúcar, porque poderemos usufruir com os nossos netos, situações de partilha onde, muitas vezes, esquecemos as regras e podemos pincelar os moldes da educação dada pelos pais, de cores suaves, mescladas de amor acriançado.

Todas as relações se constroem ao longo do tempo e as relações avós/netos é de uma importância extrema para a construção das crianças enquanto seres individuais e completos.

Quando eu for mais velha, sim, porque a velhice ainda não me chegou …quero poder sentar a Inês no meu colo e dizer-lhe: Desculpa as vezes que a avó se zangou, sempre que fazias birras, desculpa quando não acedi aos teus pedidos de “Vamos brincar” ou de fazer parte ativa nos teus jogos de ”faz de conta.” Desculpa, por todas as vezes que “o educar” esteve à frente do “deixar fazer”, provocando momentos de choro em ti. Momentos de profunda dor, pois as tuas lágrimas são rasgões na minha alma. Desculpa

Mas sabes, meu amor pequenino???? Ao longo da vida aprendi que nem todos os dias são de sol, mas só poderei ver o arco íris se aceitar a chuva, aprendi que só colhemos o que semeamos, aprendi que a vida é para ser vivida e para isso precisamos de sonhar e que não são os obstáculos que me farão parar, que não será a visão da pele enrugada e flácida, que me roubará os sonhos, porque a minha alma continua saudável, com contornos de alma criança e acima de tudo, aprendi … que nada é mais importante que …SER FELIZ!

Eu vivi, ensinei, aprendi, caí, levantei-me, (re) comecei, sonhei … e cheguei a algumas conclusões.

Por isso, meu amor, tenho de te dizer algumas sabedorias que só as avós sabem! É preciso muita coragem para se ser feliz, meu amor pequenino! Então segue sempre o teu coração, pois é ele o fio condutor de tudo. Na incerteza de uma tomada de decisão segue o coração.

Eu vivi (o) sempre com a preocupação de ensinar à tua mãe e ao teu tio, todas as formas de poderem alcançar a felicidade. Mesmo tendo a consciência de que este mundo é um labirinto onde muitas vezes nos perdemos, o caminhar com eles de mãos dadas para que não se perdessem, foi o meu objetivo principal. Contigo, Inês, eu quero percorrer esse mesmo caminho.

Não deixes nunca de sonhar …luta para a concretização desses sonhos. Não há impossíveis, há dificuldades. Rege a tua vida pelo respeito por ti e pelos outros. Valoriza as pequenas coisas …como o sol, a folha nova que nasceu, a formiga que hoje capta a tua atenção. Não te esqueças de estender a mão e segurar as que te pedem ajuda.
E principalmente, não te esqueças NUNCA … de SER FELIZ!

imagem@tumbrl

(…) e de entre várias problemáticas que atingem o “livro” mundial, onde todos somos personagens, eu destaco, hoje, o das famílias disfuncionais, porque é na Família, que a criança dá os primeiros passos na sua formação como ser humano.

É a Família, que terá presença constante e assídua na vida da criança, na sua formação e na relação que, ela mais tarde, estabelecerá com ela própria e com o mundo. Com este mesmo Mundo, que a cada dia se torna mais exigente, mais competitivo, exigindo da criança uma “dança de cintura” exaustiva para fazer face a todos os desafios.

…………

Imaginem agora quando essa criança nasce e cresce numa família disfuncional

Só estando dentro da família, conseguimos ter noção do seu funcionamento patológico.

Acompanhei, bem de perto, a dinâmica de uma família e toda a vivência de uma criança inserida numa família disfuncional e posso afirmar que …cheguei a temer pela minha sanidade mental!

A definição de família disfuncional, transporta-nos para um tipo de família conflituosa, onde a dificuldade em comunicar entre os vários elementos, faz dela, não funcional na sociedade em que está inserida.

Na família disfuncional, os conflitos, a má conduta e muitas vezes o abuso por parte de um elemento ocorre continuamente, levando a que os outros membros da família se acomodem com tais comportamentos. Crianças que nascem neste contexto, crescem com a ideia de que tal convívio é o normal. As regras, continuamente alteradas, estão sujeitas aos caprichos da pessoa que está “no comando” na hora, levando a criança a perder-se no entendimento das mesmas, pois o que hoje é proibido, amanhã já não o será. Estas crianças são caracterizadas pela timidez, solidão e isolamento. Têm dificuldade em se relacionar com os seus pares, tendo por isso, poucos amigos. Sentem-se como estranhos na família, ignoradas por pais e familiares. Não são comunicativas, sofrendo, muitas vezes uma instabilidade emocional que pode conduzir a doenças do foro psicológico.

.Os pais são sempre figuras autoritárias, não permitindo nunca que a sua palavra seja questionada. Não existe negociação, chegando muitas vezes ao extremos da criança perder a liberdade de expressar o que sente. Assim, fecha-se na sua concha, tentando encontrar justificação para tal comportamento, daqueles que deveriam estar mais próximo, ajudando-a a criar estruturas para que, mais tarde, ela consiga lidar com o mundo de todas as cores.

Enquanto nas famílias saudáveis, os pais tentam criar, gradualmente, uma independência nos filhos, para os pais disfuncionais é uma afronta!

Estas crianças possuem uma baixa auto estima, pois são confrontadas, diariamente, com comentários como “Quem pensas que és”, “Achas que mandas alguma coisa”, “Cala-te, porque já te mandei calar”. Aos poucos vão perdendo a sua identidade dentro da família, não conseguindo identificar o seu papel dentro da mesma.

Dentro de uma família disfuncional, existem “regras” impostas, nunca faladas/negociadas, ditadas por uma ditadura parental.

Uma criança nascida numa família disfuncional, será um adulto que se sentirá diferente dos seus pares, tendo muita dificuldade em confiar nos outros, procurando sempre afirmação e que viverá num emaranhado de sentires e emoções sem as conseguir identificar nem falar sobre as mesmas. Não aceitará quaisquer críticas pessoais e não conseguirá concluir projetos.

Estes adultos habitualmente tentam controlar circunstâncias e relações, reagindo de forma extrema a mudanças sobre as quais não consigam ter controlo, pois vivem num mundo imaginário onde há muito a realidade se esfumou.

imagem@contioutra

Muito se tem escrito sobre as divergências entre ser mãe de um menino vs. mãe de uma menina! Penso, que o corolário da diferença de género não é assim tão grande, que nos leve a pensar que menino ou menina fará toda a diferença na forma como os acolhemos em nós, mães! Mas ser mãe especificamente do João, Manuel ou, neste caso do Daniel, aí sim …faz toda a diferença, porque somos seres individuais e dentro da nossa individualidade possuímos características que nos tornam únicos.

Ser mãe do Daniel não foi um sonho concretizado, foi antes um planeamento! O dar ouvidos à irmã (4 anos), que insistia permanente em ter um mano, uma mana, ou um bebé) …qualquer “coisa” servia, desde que existisse um outro ser no seio familiar! E aí …chegaste tu! Chegaste apetrechado de tantas e tantas sabedorias, que hoje, eu reconheço que jamais seria a pessoa que sou, se não tivesse a sorte de te albergar em mim … Chegaste numa fase de calmaria vivencial, crescendo embrulhado no afeto e nos valores que te transmiti …os mesmos que me ensinaram e persistem em me acompanhar na praia da vida. A amizade, sentimento que sentes na sua verdadeira essência, fez com que os amigos de criança te acompanhassem até hoje, adulto. O respeito pelo outro, que é apanágio teu, a solidariedade, a tolerância para com os Outros …”porque nem todos vemos da mesma forma e de todos os ângulos” (palavras tuas), a honestidade, a verdade, enfim …tudo que faz de uma pessoa …um ser humano cidadão completo e acima de tudo, filho. Sensível a todos que são desprotegidos, justo na avaliação dos factos, aprendi contigo que nem sempre a nossa visão é a mais certa e que, através do diálogo, deveremos sempre tentar a conciliação.
Aprendi a desvalorizar as coisas materiais e que o dinheiro só é importante enquanto precisamos dele.
Aprendi que viver a vida engloba o nosso bem-estar, mas também o bem-estar de todos os que nos rodeiam.
Aprendi o ver o mundo colorido, mesmo nos dias em que o sol se esconde e a chuva nos trespassa.
Aprendi, que sem ti … a minha vida estaria despida!
Todo o filho necessita de uma mãe, mas há filhos especiais, sem os quais nenhuma mãe o seria em pleno…!

imagem@medportal

Escrevo …!

Escrevo, muitas vezes sem saber o quê!!!

Escrevo para dar voz aos rios que correm, ao amanhecer, ao sol, ao desabrochar das plantas, a Amizade, à partilha …

Mas hoje …hoje, eu quero escrever sobre algo que me atormenta e me mutila …!!!

Nos dias que correm tenho os olhos estão lassos de ver/ler a tragédia que se abate sobre todas as pessoas, que são obrigadas a abandonar a sua casa, o seu país, numa fuga desordenada, sem destino, correndo …correndo, tentando passar entre os “pingos” das balas, carregando com elas apenas uma parafernália de sentimentos onde o mais poderoso é …o medo!

Pergunto (me) …até quando? Até quando os seres humanos se vão dividir por raças, religiões, ideologia, crença, etc … sendo que o resultado dessas divisões recai sempre naqueles seres pequeninos que nada sabem, mas tudo entendem. São elas, as crianças, as principais vítimas de uma desordem gigantesca, que embrulha o ser humano. São elas, que em simultâneo com as lágrimas que derramam gritam “Quando morrer vou contar tudo a Deus”. E dizem-no em consciência de que o Todo-poderoso castigará os “maus”, os que mataram toda a família deixando-a no mais profundo desamparo, num incompreensível vazio …esse vazio, que jamais será ocupado, pois de lá foi roubado o seu direito a SER CRIANÇA.

Sozinhas no Mundo, deambulam …à mercê de todos os perigos, de um futuro incerto, de um projeto de vida, de … um colo!

Então e como deveremos nós, pais agir com os nossos filhos, frente a esta problemática? Penso que os deveremos informar, com um vocabulário adaptado à sua faixa etária. Não temos o direito de os colocar numa redoma de vidro, para que tudo que é triste, mau, negro, não os atinja. Bem pelo contrário. É nossa obrigação mostrar-lhes, que o mundo também é composto por pessoas menos boas, por cores onde o cinzento e o preto existem. Que os dias não são só de sol e que todos nós, incluindo elas próprias têm o direito de se sentirem tristes, mesmo que não saibam o porquê. Sensibilizar os nossos filhos para as problemáticas mundiais, para a fome, para a guerra, para os desalojados, para o desemprego, para a criminalidade, enfim … para tudo que se insere na parte negra do mundo, pois também ela faz parte desse mundo onde vivemos e não a podemos esquecer.

Sensibilizemos os nossos filhos, para os valores, ajudemo-los a educar o coração, a amar o Outro.

Eu sei, que muitos de nós, pais, tudo faremos para “isolarmos” os nossos filhos do mal mundial, porque são os nossos filhos e queremos que vivam felizes na sua redoma onde nada nem ninguém os possa entristecer. Mas ….CRESCER faz doer!

A nossa obrigação é … prepará-los para a vida e a dor faz parte desse processo!

“A DOR É O SAL DA SABEDORIA” – (Eduardo Sá)

Por Inês Clímaco, para Up To Kids®
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Era uma vez …e assim começam as histórias lidas, relidas, e inventadas.

Histórias em prosa, histórias em verso, embrulhadas, ou não, em música …intemporais …que transportam as crianças nas asas da imaginação para tempos e lugares longínquos, onde grandes emoções são experimentadas …

No universo da fantasia, as histórias deliciam pequenos e crescidos. As personagens movimentam-se numa azáfama simbólica através da qual nos mostram que os valores existem.

A Amizade, a Solidariedade, a Ternura, a importância da existência de um lar, de uma Família e Amigos e a implementação de regras, são os condimentos utilizados nas histórias de encantar e na VIDA!

As histórias ensinam a criança a perceber, a detalhar, a raciocinar, a sentir, a analisar, sendo um canal de extrema importância para que a criança entre em contacto com diversos modos de ver e sentir o mundo. É através das histórias que a dimensão simbólica da linguagem é experimentada, de mãos dadas, com o imaginário e o real.

Na era em que a tecnologia toma lugar na 1ª fila, as histórias e os contos tradicionais continuam, com os seus enredos e tramas a potencial um esclarecimento às crianças, tranquilizando os seus receios e medos mais primários e a enquadrar conceitos como “bom” e “mau”, “certo” e “errado”, entre outros.

As histórias passam-se em lugares esboçados fora do limite do tempo e do espaço, mas onde qualquer um de nós pode caminhar, percetível pelas crianças nos seus mais ínfimos detalhes. Elas contribuem para que a criança entre em contacto com diversos modos de ver e sentir o mundo à sua volta.

Sempre que a criança ouve uma história, enriquece a sua imaginação, aumenta o seu vocabulário, aprende a refletir, desenvolve o pensamento lógico favorecendo a memória e o espirito crítico, através da manifestação de humor e da sua curiosidade natural.

As histórias inventadas requerem eximia, por parte de quem as conta! A criança gosta de ouvir a mesma história muitas vezes, mas …deverá ser contada de igual forma para que a criança não se sinta “enganada”.

O contar e “recontar” da história por parte da criança, também deve ser fomentada. Esta prática pedagógica desenvolve a auto estima, a sociabilização e prepara a criança para o exercício da cidadania.

E por tudo que aqui foi dito e …muito mais, deliciemos as crianças ….

Vem …vou contar-te uma história!

Por Inês Clímaco, para Up To Kids®
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(…) esse espaço, côncavo, formado pelos braços e as pernas, quando estamos sentados é tantas e tantas vezes, o porto seguro para todos nós.
É o “colo” materno, que contribui para que a criança se forme como ser humano, pois é nele que ela se deita e se alimenta física e emocionalmente. É o primeiro vínculo afetivo, que a criança cria com a mãe e que deverá prolongar-se por toda a vida, alterando apenas os seus contornos.
Nós formamo-nos como seres humanos na relação com o outro. Assim, a criança encontra no “colo” a resposta que necessita para todas as suas necessidades, sejam elas de que índole forem. Muitos são os estudos sobre as vantagens de dar “colo” e de entre elas, destaca-se a importância da oxitocina. Esta substância, produzida no hipotálamo, contribui com imensos benefícios para a saúde física e mental. O ato carinhoso de dar “colo” tem efeito terapêutico sobre o corpo e a mente de todos os seres vivos.
É no “colo”, que sentamos os nossos filhos para os alimentarmos física e afetivamente. Recuando no tempo, relembro, no meu papel de mãe, a dúvida em discernir se o momento era adequado para dar “colo”, pois estava, simultaneamente, a educar. Hoje, penso o quanto fui tola. Afinal dar “colo” a um filho é um caminho recíproco, pois se estamos a dar, estamos também a receber.
É nele, que curamos as feridas, sejam raspões de joelhos, sejam mais tarde, desilusões amorosas e temporalmente outras problemáticas!
Os contornos do “colo” vão-se alterando com o crescimento dos nossos filhos, com o seu caminhar autónomo na vida, mas o mais importante é transmitir-lhes a certeza de que, independentemente, da sua idade, o “colo” estará SEMPRE disponível, mesmo que não concordemos com as decisões/escolhas feitas por eles, fazendo-os sentir de que o aconchego do “colo de mãe” estará presente para nele deitarem a cabeça!
E é nessa parceria, nesses momentos de partilha afetiva, que ensinamos aos nossos filhos os valores morais onde o AFECTO é o condimento principal.
A ideia que prevalece ainda nos dias de hoje, é a de que só as crianças precisam de “colo”, porque ainda não atingiram a maturidade para saberem resolver os seus próprios problemas. Mas a realidade é bem diferente. Afinal o aumento das problemáticas que atingem as famílias atuais, são muitas e a verdade é que todos nós precisamos e queremos um “colo”, para encontrar o equilíbrio.
Caminhamos numa época temporal, onde a violência é o prato servido a toda a hora. Será que os filhos poderão dar “colo”, se não degustaram o seu sabor?
Como pode alguém dar o que não tem? Se não dermos oportunidade aos nossos filhos de poderem vivenciar o “colo” em toda a sua plenitude, como poderemos, quando chegar a nossa vez de precisar, de querer usufruir do “colo” deles? Ninguém pode ter um comportamento se nunca experimentou ou observou antes.
Ter colo de filhos, é colher o que se semeou, é pacificador é encontrar o retorno!
Mimemos os nossos filhos, disponibilizemos o nosso “colo”, desde o nascimento e por toda uma vida inteira …!

Por Inês Clímaco, para Up To Kids®
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Sou feita delas. De todas as que me compõe, as mais nítidas e que eu revivo são as que de mãos dadas com as saudades me fizeram mãe. Tua Mãe.
Sempre sonhei, desde criança, ser mãe de uma menina. Uma filha com quem pudesse partilhar todas as loucuras de “mulheres”. Deus concedeu-me essa graça e tu vieste ao mundo na época mais difícil e problemática da minha vida, mas chegaste trazendo contigo o sentir doce de menina Esperança.
Resumir em palavras tudo que foi vivido por ambas é impossível, mas, lembras-te?
…. Daqueles momentos em que, fragilizada na minha infelicidade, as lágrimas falavam mais alto e rolavam que nem rios desenfreados dando voz à dor que me consumia e tu te acercavas e com o teu olhar carregado de bondade, estendias a mão pequenina e limpavas as minhas lágrimas, dizendo: “não chores mamã, não chores porque eu “tato” de ti”. Então, eu inventava uma desculpa qualquer, pensando colmatar a tua curiosidade. Como estava enganada! Na tua inocência humana entendias tão bem o meu sofrimento! Como eras grande, minha filha, no teu entender da vida!
Fui caminhando pelo tempo de joelhos, mas sempre de mãos dadas contigo. Eras tu a razão da minha existência e contigo eu aprendia que viver. Era olhar-me nos teus olhos, procurar os teus (a)braços e neles me deixar dormir. Quantas e quantas vezes, durante a noite enquanto dormias eu te olhava e numa prece eu pedia a Deus que me desse forças para te ver crescer e te saber educar na base dos afetos, da comunicação, da negociação, dos valores e do respeito mútuo. Confesso que não foi fácil, pois as dúvidas foram mais que muitas, mas tentei seguir o “livro” que me tinha sido dado a ler por aqueles que me criaram e educaram com muito amor!
Foi com todo esse amor que um dia te dei um cigarro a fumar para que sentisses tu própria o “gosto” do fumo, foi com todo esse amor que um dia encostei no teu pezinho de criança com 3 anos, uma “caruma quente”, para que soubesses o perigo que havia em brincar com o lume. Foi com todo esse amor que te fiz a mala com o que escolheste (roupa e brinquedos) e te coloquei tudo no patamar da casa, para que sentisses que tudo que dizemos e fazemos tem consequências. Enfim, foi com todo o incalculável amor de mãe, que sempre tentei criar estruturas em ti, para que pudesses ver e lidar com o mundo de todas as cores.
Dizem, que somos um pouco de tudo que nos rodeia. Os contextos e as relações que estabelecemos com os outros constroem-nos como seres humanos. Acredito que as relações, independentemente do seu tipo devem ser construídas na praia do tempo. E contigo, eu construí uma relação que ultrapassa muito para além os contornos de relação mãe/filha. És a minha melhor amiga e preciso dizer-te que o orgulho que tenho de ti ultrapassa a imensidão do mar. Orgulho-me do ser humano fantástico que és, da importância que dás à palavra Amizade, da Verdade/Honestidade com que lidas contigo e com os outros, da tua persistência em quereres mudar o mundo, das lágrimas que choras perante perdas de pessoas que te passam pelas mãos, da irmã fantástica e correta que és, da filha que sempre esteve perto, que sempre cuidou, que sempre me deu colo, que sempre me levantou quando caí.
Hoje, já és mãe …mãe de uma menina, com quem inicias um percurso igual ao que percorri contigo. É o ciclo que se repete, apenas com uma diferença: Vou estar SEMPRE aqui para te acompanhar na árdua tarefa de educar e JUNTAS com AMOR, mostraremos à NOSSA menina, que no mundo não existem só dias de sol, também existem dias de chuva, mas que também esses são necessários para que tudo volte a renascer, a (re)florir. Que o mundo é o espelho da forma como o vemos e que, não basta sonhar, é necessário esforço e coragem para concretizar os sonhos. Para lhe ensinar que podemos sempre melhorar o mundo, basta QUERERMOS!

Por Inês Clímaco, para Up To Kids®

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