(…) e de entre várias problemáticas que atingem o “livro” mundial, onde todos somos personagens, eu destaco, hoje, o das famílias disfuncionais, porque é na Família, que a criança dá os primeiros passos na sua formação como ser humano.
É a Família, que terá presença constante e assídua na vida da criança, na sua formação e na relação que, ela mais tarde, estabelecerá com ela própria e com o mundo. Com este mesmo Mundo, que a cada dia se torna mais exigente, mais competitivo, exigindo da criança uma “dança de cintura” exaustiva para fazer face a todos os desafios.
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Imaginem agora quando essa criança nasce e cresce numa família disfuncional
Só estando dentro da família, conseguimos ter noção do seu funcionamento patológico.
Acompanhei, bem de perto, a dinâmica de uma família e toda a vivência de uma criança inserida numa família disfuncional e posso afirmar que …cheguei a temer pela minha sanidade mental!
A definição de família disfuncional, transporta-nos para um tipo de família conflituosa, onde a dificuldade em comunicar entre os vários elementos, faz dela, não funcional na sociedade em que está inserida.
Na família disfuncional, os conflitos, a má conduta e muitas vezes o abuso por parte de um elemento ocorre continuamente, levando a que os outros membros da família se acomodem com tais comportamentos. Crianças que nascem neste contexto, crescem com a ideia de que tal convívio é o normal. As regras, continuamente alteradas, estão sujeitas aos caprichos da pessoa que está “no comando” na hora, levando a criança a perder-se no entendimento das mesmas, pois o que hoje é proibido, amanhã já não o será. Estas crianças são caracterizadas pela timidez, solidão e isolamento. Têm dificuldade em se relacionar com os seus pares, tendo por isso, poucos amigos. Sentem-se como estranhos na família, ignoradas por pais e familiares. Não são comunicativas, sofrendo, muitas vezes uma instabilidade emocional que pode conduzir a doenças do foro psicológico.
.Os pais são sempre figuras autoritárias, não permitindo nunca que a sua palavra seja questionada. Não existe negociação, chegando muitas vezes ao extremos da criança perder a liberdade de expressar o que sente. Assim, fecha-se na sua concha, tentando encontrar justificação para tal comportamento, daqueles que deveriam estar mais próximo, ajudando-a a criar estruturas para que, mais tarde, ela consiga lidar com o mundo de todas as cores.
Enquanto nas famílias saudáveis, os pais tentam criar, gradualmente, uma independência nos filhos, para os pais disfuncionais é uma afronta!
Estas crianças possuem uma baixa auto estima, pois são confrontadas, diariamente, com comentários como “Quem pensas que és”, “Achas que mandas alguma coisa”, “Cala-te, porque já te mandei calar”. Aos poucos vão perdendo a sua identidade dentro da família, não conseguindo identificar o seu papel dentro da mesma.
Dentro de uma família disfuncional, existem “regras” impostas, nunca faladas/negociadas, ditadas por uma ditadura parental.
Uma criança nascida numa família disfuncional, será um adulto que se sentirá diferente dos seus pares, tendo muita dificuldade em confiar nos outros, procurando sempre afirmação e que viverá num emaranhado de sentires e emoções sem as conseguir identificar nem falar sobre as mesmas. Não aceitará quaisquer críticas pessoais e não conseguirá concluir projetos.
Estes adultos habitualmente tentam controlar circunstâncias e relações, reagindo de forma extrema a mudanças sobre as quais não consigam ter controlo, pois vivem num mundo imaginário onde há muito a realidade se esfumou.
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