Frustração Positiva?

Como é que um sentimento que à primeira vista é tão negativo pode ser Positiva?

“Eu não gosto de me sentir frustrado!” – É o pensamento consequente a esta afirmação.

Pois bem… É mesmo sobre a Frustração Positiva que vamos falar neste artigo.

Sobre a frustração

No senso comum, a frustração é o sentimento que ocorre quando alguma coisa que era esperada devia acontecer e não aconteceu. Quer dizer: a nossa mente previa que que acontecesse determinada coisa, e não aconteceu contrariando assim a nossa necessidade de controlar tudo o que nos rodeia.

Nós adultos ainda sofremos muito ao nos sentirmos frustrados. É natural! No entanto, é preciso observar quais são as nossas atitudes depois da frustração pois seguramente, são estes modelos mentais de como lidar com a dor, com a perda e com o erro que estaremos a transmitir aos nossos filhos.

E não adianta pensar: “Que disparate! É só um bebé, nem se apercebe do que está a acontecer!”. Grande engano! As nossas crianças entendem e sentem tudo o que ocorre e acabam por refletir nos seu comportamento ainda que, num primeiro momento seja de forma inconsciente.

Mas se as as dores, desafios, perdas e obstáculos são inerentes à condição humana, como transformar estes acontecimentos em aprendizado?

É aqui que entra o nosso conceito de Frustração Positiva.

É a habilidade que os pais e educadores devem possuir para limitar o comportamento infantil, gerando um conflito que facilite a evolução. Em traços gerais trata-se de evitar a superproteção, não privando a criança de situações aparentemente mais difíceis.  São estas adversidades que as ajudam a crescer e que permitem a aprendizagem da tolerância à frustração.

A antropologia tem uma metáfora bastante pertinente sobre a Frustração Positiva: é a do sistema imunológico psicológico. Quando a partir da vivência de situações desafiadoras a criança desenvolve novos recursos e habilidades de adaptação. E isto é tão importante!

Como diz o provérbio, “A necessidade faz o engenho”

Por isto é que os limites são tão importantes no desenvolvimento psicológico das crianças. É a partir dos nãos que oferecemos aos nossos filhos, sempre somados ao nosso gigante amor de mãe, que os vamos preparando para receber com mais equilíbrio emocional, os nãos que chegarão no decorrer da vida.

Viver essa experiência, no reduto fraterno do lar é de grande valia para crianças e adultos. Ambos têm a possibilidade de (re)construir a sua relação com frustração, alterando padrões mentais enrijecidos, na constante aprendizagem de lidar com a dor de forma positiva, resiliente e empoderadora.

Em suma, devemos exercitar-nos no aprendizado de que nem tudo está sob o nosso controle. Nem tudo acontece como planeamos. Nem todas as nossas vontades são atendidas.

E quer saber mais?

Está tudo bem!

Photo by Caleb Woods on Unsplash

Hoje fiz um amigo!

Ainda mal o ano começou, e eu já fiz um amigo!

Como diz o Sérgio Godinho, coisa mais preciosa não há. E é verdade, não achas?

Ainda não sei se digo a toda a gente ou se fica um amigo secreto…porque não? Há que ter magia, há que acreditar…há dias, eu disse que o Pai Natal não existia, porque era uma certa raiva a falar…saiu-me…estou arrependido.

O meu amigo (ou será uma amiga?!) tem mais ou menos a minha idade.

Somos parecidos, no entanto, há coisas completamente diferentes na nossa maneira de ser. Parece ser esse o sal da amizade. Como na vida!

A variedade, como o sal da vida.

Não é o quanto somos iguais. Na disputa, nas discussões e nos desacertos, há tanta luz como na luz. Talvez até mais. Haja clareza nas discussões e boa fé.

É um amigo novo. Tenho vontade de o tratar bem. Quero dar-lhe atenção plena. Quero esfregar-lhe creme nas mãos, sem que se esqueça do mais importante: a hidratação vem de dentro, há que beber água.

Vou dar-lhe pistas para o ajudar a educar os filhos! Tenho, naturalmente, as minhas dificuldades em educar os meus, mas ao ensinar com o coração, sem pretensões, vou melhorar a minha própria forma de educar.

Vou, em breve, completar um sonho. Ficar com ele debaixo de umas mantas quentinhas. Sem esquecer a rua! Lá fora é a nossa casa. A casa da aventura. No frio, no sol…

Espero partilhar aquela “técnica” dos 10 segundos…li num livro…quando a ideia de fazermos algo nos surge na cabeça, iniciamos uma contagem decrescente. Ao chegar ao zero, levantamo-nos e vamos fazer! Simples.

Vou contar-lhe uma lenda (na verdade, uma história inventada por mim).

Diz assim: Há uma jóia rara que entrou num dedo. E agora, é ainda mais reluzente. O dedo. E a jóia. Mas não o devia ter feito! Foi um erro ter entrado! Aconteceu. Agora, para retirar a jóia, implica cortar o dedo. Corta-se?

Com isto, vou ajudá-lo a entender que somos humanos. Falando vamos crescendo. O erro faz parte.

Vou ajudá-lo a dormir melhor em 2019. Insistir para que tenha uma rotina ao deitar.

Não sei se vou falar com ele hoje.

Vou perguntar a sua opinião sobre a desbunda.

Vinho. Beberei vinho com ele. Nunca sermos só os dois. Claro. Assim, não faria sentido. Mas espero ser amigo dele para sempre.  E cada vez mais. Tenho a sensação de já o conhecer há anos…terei estado zangado com ele? Teremos tido altos e baixos?

Se me estiveres a ler, meu amigo Alfredo Jaime de Oliveira Leite, também conhecido como Xanico, auto-apelidado de forma irónica de “Doutor”…tem um bom ano de 2019!

Sei. Se estivermos bem, quem está à nossa volta, família, outros amigos, desconhecidos, e, claro, outros amigos secretos, vão estar cada vez melhor! Com mais sorrisos. Este é o desejo.

Vou proteger-te meu amigo. Vamos brincar. Vamos ser crianças à vontade. Seremos amigos. A sério. Para sempre.

E tu? Contas ser teu amigo? Contas ser tua amiga? Tens sido?

Não desprezes o poder de uma boa resolução com objetivos e metas, com um bom plano. Faz-te (cada vez mais) teu amigo em 2019.

6 dicas para ensinar as crianças a serem organizadas

Não precisa gastar muito dinheiro. Use a imaginação. Ferramentas simples são suficientes para garantir uma boa organização. Algumas funcionam tão bem como as mais sofisticadas e dispendiosas.
Arrumar o próprio quarto, por exemplo, e ter algumas tarefas regulares, são a melhor forma de introduzir a organização na vida de uma criança – um grande desafio para todos os educadores.
Se os pais não forem organizados, dificilmente serão os filhos.

Exemplo é a chave do sucesso: os pais são um espelho para os filhos.

Preste atenção e pondere seguir as seguintes dicas:

1. Um calendário familiar

Se for grande tanto melhor. Fixe-o na parede lá de casa, num local de fácil acesso. Organize o calendário de acordo com o agregado familiar, os compromissos pessoais, profissionais e escolares. As atividades a desenvolver em conjunto e em particular: a hora das refeições, da higiene, das tarefas de casa, de brincar, etc.

Convém estabelecer rotinas diárias.

Se o fizer tornar-se-á mais fácil ensinar a criança a ser organizada em casa e na escola, aumentando, assim, as probabilidades de enfrentar com sucesso o mundo quando for adulta. Uma criança organizada tenderá a ter uma carreira profissional mais bem sucedida, através do cumprimento de metas e objetivos a atingir desde os primeiros anos de vida.

O processo será mais fácil se usar um marcador de cor diferente para cada membro da família. Viver num ambiente organizado é fundamental para o bom desenvolvimento do raciocínio lógico da criança. Delegue competências, seguindo o princípio, segundo o qual, em casa todos ajudam.
Atenção, não a force a executar tarefas para as quais ainda não está preparada – o não cumprimento com sucesso de algumas responsabilidades pode provocar o sentimento de frustração e insegurança. O excesso de ordem pode, também, potenciar a procura obsessiva da perfeição e originar problemas a médio/longo prazo.

2. Lista de verificação visual

Dê-lhe as ferramentas certas para a organização. Em vez de palavras, por que não fotografias? Normalmente, as crianças são mais seduzidas por aquilo que veem em vez de aquilo que leem. E costuma ser menos stressante. As rotinas podem ser olhadas de forma divertida.

Use, por exemplo, fotos para ilustrar a lista de tarefas a executar. Seja criativo. Organize a rotina matinal por fotografias: fotos a sair da cama; escovar os dentes; vestir-se; pentear o cabelo e tomar o pequeno-almoço.

A lista de verificação visual é particularmente importante para as crianças mais pequenas que ainda não sabem ler e para as que apresentam problemas de aprendizagem e atenção. Verá que pouco tempo depois cumprirão todas as tarefas de forma intuitiva.

À medida que a criança vai crescendo comece a dar-lhe liberdade para cumprir as tarefas de forma independente, aumentando, assim, lentamente os níveis de responsabilidade.

Aos 8 anos a criança já deverá ser capaz de fazer tudo sozinha, ainda que nem sempre da forma mais eficaz. Organização e disciplina são conceitos essenciais para qualquer pessoa. Sempre que realizar uma tarefa sozinha não deixe de elogiar e, em alguns casos específicos, ofereça uma recompensa. O reforço positivo vai potenciar o aumento da confiança e da autoestima da criança.

3. Um relógio analógico

Ensine a importância do tempo. Um relógio pode ajudar as crianças a se situarem mais facilmente no tempo e no espaço. Permite, também observar como o tempo pode ser dividido em partes. Quantos minutos passaram e quantos restam. Considere a compra de quatro cores de papel celofane.
Divida o mostrador do relógio em blocos de 15 minutos e coloque celofane de cor diferente em cada uma dessas partes.
Esta estratégia permitirá à criança acompanhar com maior facilidade a passagem do tempo até que aprenda a ver as horas com normalidade, algo fundamental para saber como se organizar.

4. Um organizador de material

Um canto de estudo organizado é fundamental para que não sucedam as habituais distrações. Em vez de deixar o material escolar espalhado pela casa, guarde-o num local próprio, por exemplo, dentro de uma caixa facilmente transportável. Ensine a criança a organizar o material (lápis, marcadores, tesoura e cola) de uma forma funcional. Há caixas de brinquedos com alças que podem servir para armazenar e transportar todo o material escolar.

5. Dossiers/pastas coloridas

Pastas organizadas por cores costumam facilitar a vida dos alunos. Por exemplo, use uma determinada cor para colocar os papéis que precisam viajar com regularidade de casa para a escola e vice-versa, por exemplo, os trabalhos de casa. Escolha outra cor para os papéis que podem voltar para casa e não precisam de ser devolvidos.
E ainda outra cor para os trabalhos que precisam de ser acompanhados pelos pais e logo depois devolvidos à escola.

6. Caixas como portfólio

Caixas variadas são uma ótima solução para economia de espaço, num quarto de uma criança. Empilham-se facilmente uma em cima de outra e podem ser decoradas e rotuladas conforme o gosto de cada criança. Use-as, por exemplo, para guardar desenhos e outros materiais de forma cómoda e eficaz. Experimente utilizar, também, caixas transparentes com tampa, para que, de uma maneira simples e rápida, a criança consiga aceder aos brinquedos favoritos.

Para enfrentarmos alguma coisa, precisamos de saber o que ela é. De a conhecer e a encarar de frente.

O bullying tem várias características próprias, como a repetição do comportamento abusivo, um claro desequilíbrio entre o agressor e a vítima, e uma intenção do agressor em prejudicar a sua vítima. É algo dirigido, e não aleatório. É continuado no tempo e tem uma vítima sem a mesma capacidade de resposta que o agressor, que exerce o seu poder sobre ela.

O que podemos fazer para tirar poder ao bullying?

É muito importante cultivar um canal de comunicação com os nossos filhos deste cedo, para que eles sintam que nos podem contar as coisas mais pequenas e as maiores. Que somos um porto seguro, e um dos seus adultos de confiança a quem se podem dirigir sempre que precisarem. Para isso, nota como recebes alguma coisa que o teu filho te vai contar, especialmente quando fez uma asneira. Eu penso sempre na coragem que ele teve em ser verdadeiro comigo, por isso a primeira coisa que lhe digo sempre é  “Obrigada por me teres contado”.

Funciona como uma pausa interior minha de micro segundos, que me ajuda a alinhar tudo o que vou fazer e dizer à minha intenção como mãe. Ajuda-me a valorizar o facto de ele sentir que pode falar comigo, algo essencial para a nossa relação, e para os desafios que ele vai enfrentar no seu crescimento.

O Bullying não é simples.

Tem muitos fios enrolados, muita dor envolvida, muitas pessoas que acabam por ter um papel ativo sem terem noção disso. Ser espectador também fomenta o bullying. Ele existe alimentado pela audiência que tem. Não ser plateia, ajuda a diminuir o seu poder.

Trabalhar desde cedo a empatia nos nossos filhos é para mim uma das mais poderosas aliadas anti-bullying. Deve estar lá desde sempre. Tal como lhes ensinamos a ler e escrever, deviam aprender a ler emoções, a colocar-se no lugar do outro a perceber o impacto das suas ações, a trabalhar o seu lado humano.

Como é silencioso, temos de ter atenção às pistas.

No caso da vítima, os sinais de alerta são, por exemplo:

  • desaparecerem com frequência as suas coisas na escola;
  • aparecerem com marcas ou nódoas negras regularmente;
  • evitarem os recreios;
  • não serem convidados para as festas de aniversário;
  • apresentarem resistência constante em ir para a escola.

No caso dos agressores:

  • aparecem com objetos ou dinheiro extra regularmente;
  • são pouco empáticos perante a situação dos colegas;
  • desvalorizam a escola;
  • são desafiadores da autoridade;
  • respondem com uma atitude provocadora;
  • gozam com a situação das vítimas;
  • nunca aceitam as suas responsabilidades culpando os outros;
  • demonstram agressividade nos jogos e situações de desafio.

O bullying já não tem limites físicos. Com a evolução das redes sociais já salta os portões da escola. Acompanha a vítima de uma forma silenciosa mesmo quando está em casa. Persegue-a e aumenta em número e impacto a sua audiência.

Para prevenir o cyberbullying para além de trabalhar a empatia, essencial para perceberem o impacto das suas ações nos outros, devemos mostrar aos nossos filhos como utilizar de uma forma equilibrada as redes sociais. De uma forma humana e consciente. Nas redes sociais, como não vemos a cara, não vemos a reação do outro. Uma sequência de emojis e fotografias retocadas, de cenários fabricados, de vidas “perfeitas” onde a desumanização dá por vezes origem a situações de grave violência psicológica.

Mesmo que o bullying não aconteça ao teu filho, não é por isso que possa ser ignorado.

É como um vírus, espalha-se. Contamina quem o faz, quem dele sofre e quem assiste. Não pode ser trabalhado isoladamente, mas todos devemos intervir, participar, prevenir, denunciar, tomar um papel ativo nas escolas e na vida para que o bullying diminua.

O bullying afecta TODA a escola. Por isso, todos temos de ter um papel.

Tudo está a mudar muito depressa. Perdemos o pé, o foco, ficamos enrolados e não notamos o que se está a passar mesmo à nossa frente. Temos muito tempo para fazer, temos pouco tempo para ser.

Os nossos filhos precisam da nossa ajuda para navegarem neste intenso novo mundo. Nós também precisamos de ajuda…

O bullying precisa de ser resolvido por todos, em conjunto, em comunidade para que nenhuma criança se sinta sozinha. Nem nenhum pai.

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5 Estratégias para promover a autoconfiaça do seu filho

Vivemos numa sociedade competitiva e em constante mudança.

Estar preparado para responder e ultrapassar desafios diários é crucial desde a infância. Urge, por isso, ajudar as crianças a desenvolver a sua autoconfiança.

A autoconfiança é um ingrediente fundamental para que se sintam confortáveis consigo mesmos ou com os outros e consigam ultrapassar os desafios sociais e relacionais que vão surgindo ao longo da sua vida.

Podemos, então, pensar na autoconfiança como um motor que nos impele a agir e nos ajuda a ter respeito por nós próprios. Necessitamos dele para nos sentirmos confortáveis no nosso quotidiano e em todas as situações com que nos deparamos.

E quando a criança tem pouca autoconfiança?

 As crianças com pouca autoconfiança tendem a isolar-se e a refugiarem-se na leitura ou nos jogos eletrónicos. Muitas vezes os adultos sentem-se confortáveis com estas atitudes porque geralmente são crianças que fogem aos problemas ou os conflitos. Mas na realidade é a falta de confiança que está a servir de travão às suas ações. Isto poderá vir a ter repercussões na sua capacidade de socialização, no seu sucesso e na sua capacidade na resolução de problemas ou gestão de conflitos.

A autoconfiança é desenvolvida na infância e os pais podem ajudar os seus filhos a confiarem mais em si mesmos. A acreditarem que são capazes de realizar determinadas tarefas. Ajudando os filhos a crescerem mais autónomos e confiantes, contribuindo assim para que o seu desenvolvimento seja mais positivo, o que os ajudará a serem adultos emocionalmente inteligentes e felizes.

As estratégias que seguem poderão ser úteis para promover a autoconfiança do seu filho. No entanto, tenha a consciência que é na forma de se relacionar com ele que lhe mostrará como olhar o mundo e como agir perante situações desconhecidas. Os pais servem de modelo e ensinam os seus filhos na sua forma de lidar com as situações e na forma como resolvem os seus problemas.

5 Estratégias para promover a autoconfiaça do seu filho

1. Regras e rotinas

Estabelecer regras e rotinas dá-lhes uma sensação de segurança e a criança sente que controla o seu mundo. Ao sentir-se segura, consegue explorar o mundo que a rodeia e desenvolver a sua capacidade de adaptação a novas situações.

2. Limites

É nos momentos de frustração que temos oportunidades para ensinar e promover a confiança. Os “ não”, são tão importantes como o afeto.

3. Autonomia e responsabilidade

Ajudar nas tarefas diárias como arrumar brinquedos, fazer a cama, vestir-se sozinho ajuda a criança a perceber que consegue realizar tarefas sozinha. Não faça as coisas por ele. O objetivo é guiar e apoiar os seus esforços, valorizando, para que aprenda a sentir-se competente.

4. Novos desafios

Estimulem os seus filhos através de jogos ou brincadeiras em conjunto. Pelo brincar a criança aprende a resolver problemas. Desta forma desenvolve, também, a confiança em si mesma, a sua criatividade e a imaginação, para além de sentir o prazer de novas conquistas.

5. Elogiar

Elogie e mostre ao seu filho que está orgulhoso, sempre que ele consegue fazer algo novo ou que teve um comportamento adequado. Valorize e reconheça os seus esforços, mesmo que não consiga no imediato. Incentive-o a continuar a tentar, através do afeto.

As crianças aprendem a lidar com as emoções através dos seus relacionamentos.  Estão constantemente a observar os pais nas diferentes tarefas e contextos, na forma como interagem com eles e também socialmente. Tenha presente que é através de situações do dia-a-dia  que irá conseguir ajudar o seu filho a tornar-se mais confiante e feliz.

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Quando a educação dói: mães tóxicas

Neste artigo vamos falar sobre mães tóxicas. No entanto, convém frisar que também há pais e avós tóxicos. São mestres em educar as crianças sem estimular o crescimento pessoal e a segurança. Com isto, no futuro poderão ter a sua independência física e emocional bastante prejudicadas.

O papel da mãe é quase sempre mais forte na educação dos filhos. É esta que define o vínculo de carinho e afeto com a criança que, com passar do tempo, sairá dos seus braços e saberá que tem uma mãe que a ama. A criança terá sempre a referência do amor incondicional da mãe, mas de forma saudável, pois amadureceu de forma inteligente.

As mães tóxicas oferecem um amor imaturo aos seus filhos. Projetam sobre eles as suas inseguranças para se reafirmar e, assim, obter um maior controle sobre a sua vidas e a dos seus filhos.

O que está por trás da personalidade das mães tóxicas?

Por mais estranho que pareça, por trás do comportamento de uma mãe tóxica está o amor. Agora, todos sabemos que quando se fala de amor, há dois lados da mesma moeda: uma dimensão capaz de promover o crescimento pessoal do indivíduo, seja a nível de parceria ou a nível familiar, e outro lado, mais tóxico, onde um amor egoísta e interessado é exercido, por vezes de forma sufocante, que pode ser completamente destrutivo.

O factor preocupante é que as famílias que exibem estas artimanhas de toxicidade fazem-no em crianças, indivíduos que estão em processo de amadurecimento pessoal, tentando estabelecer a sua personalidade e desenvolver a sua autoestimaTudo isto vai deixar grandes lacunas e  inseguranças nos filhos que, por vezes, se tornam intransponíveis.

Vejamos as dimensões psicológicas delineadas das mães tóxicas:

Personalidade insegura

Às vezes, possuem uma nítida falta de autoestima e autossuficiência que as obriga a ver nos filhos uma “salvação”, algo que devem modelar e controlar para ter ao seu lado, para cobrir as suas deficiências.

Quando notam que os filhos se estão a tornar independentes e capazes de construir as suas próprias vidas, estas mães sentem uma grande ansiedade, pois temem, acima de tudo, a solidão. Portanto, são capazes de implantar “truques hábeis” para as continuar a manter por perto, projetando desde o início, a sua própria falta de autoestima, as suas inseguranças.

Obsessão pelo controle

Estas mães têm o hábito de controlar todos os aspectos da sua vidas, não dão ponto sem nó. Passam então, a fazer o mesmo na vida dos filhos. Não conseguem respeitar os limites. Para as mães toxicas, controle é sinónimo de segurança, algo que faz com que se sintam muito bem.

O problema, é que estas mães convencem-se que as suas atitudes são reflexo do seu amor.

“Eu vou-te facilitar a vida e controlar as tuas coisas para te fazer feliz”

“Eu só quero o que é melhor para ti e com a minha ajuda não precisas de aprender pelos teus erros ou experiencia”

O controle é o pior acto de superproteção. Evita que as crianças sejam independentes, capazes e corajosas. E impede que aprendam com seus próprios erros.

A projeção dos desejos não realizados

“Quero que tenhas/faças tudo o que eu não tive/fiz

“Não quero que cometas os mesmos erros que eu”, “

As mães tóxicas projetam nos filhos os seus desejos não realizados sem pensarem duas vezes se é isso o que ele querem, sem lhes dar a opção de escolha. Refugiam as suas opções no amor incondicional, quando, na realidade, o que demonstram é um falso amor. Um interesse amoroso.

Como lidar com uma mãe “tóxica”?

É necessário estar consciente de que tem de se quebrar o ciclo de toxicidade. Tens vivido muito tempo neste ciclo, sabes as feridas que te causou. Mas agora precisas de abrir as asas e voar. Para seres feliz. Será difícil, mas deves começar por dizer “não” para pores as tuas necessidades em voz alta e aumentar as tuas próprias barreiras, aquelas que ninguém poderá ultrapassar.

Trata-se da tua mãe, e quebrar este ciclo de toxicidade pode causar danos. Às vezes, dizer a verdade pode parecer prejudicial, mas é uma necessidade vital. Isso significa deixar claro o que permites e o que não permites. Não queres causar nenhum dano, mas também não queres sofrer mais com esta relação; isto deve estar bem claro na tua cabeça. Lembra-te que uma mãe tóxica, transforma-se numa avó tóxica.

Reconhece a manipulação.

A manipulação por vezes é tão é tão subtil que não nos apercebemos, pois pode estar em qualquer palavra, em qualquer comportamento. E, acima de tudo, não caias na “vitimização”, um recurso muito utilizado pelas mães e pessoas tóxicas. Mostram-se como as mais sofredoras, as mais feridas quando, na realidade, o mais ferido és tu. Lembra-te sempre disto.

image@Anna Radchenko

Por A mente é maravilhosa, adaptado por Up To Kids®

Não recompense o seu filho pelo bom comportamento. Reconheça-o positivamente

Antes de mais deixem-me explicar porque falo em reconhecer positivamente a criança e não em recompensar.

Não estaria totalmente errado visto que ambos os termos envolvem valorizar e gratificar. No entanto, recompensa está muito mais associado a algo palpável, um prémio, uma remuneração. Reconhecimento é constatar, condecorar e permanece na nossa vida e isso sim, faz a diferença na educação das nossas crianças com e sem necessidades especiais – o reconhecimento!

É tão importante saber reconhecer a criança pelas suas atitudes, conquistas e comportamentos como é importante perceber como agir perante as traquinices ou os comportamentos menos positivos da criança, com o intuito de ajudá-la a melhorar o seu comportamento e a crescer.

As recompensas materiais ou comestíveis são muito frequentes, no entanto, não são de todo as melhores para o desenvolvimento intelectual e emocional da criança:

Recompensas materiais

A longo prazo e como recurso frequente vão-se tornando cada vez menos gratificantes para a criança. Para além disso, fomenta a ideia de que para se sentir bem consigo própria o importante é “ter coisas”. Desta forma, mais dificilmente, aprenderá o valor do afeto, da ajuda mútua e o reconhecimento da importância das relações com os outros.

Recompensas comestíveis

Cria uma dependência do organismo da criança para se sentir bem consigo própria. Assim, para que a criança se sinta o seu cérebro vai pedir-lhe um doce…o que, obviamente, não é bom para a sua saúde!

ATENÇÃO: não digo que um chocolate ou uma prendinha irão fazer mal ao piolho mas se forem um recurso frequente, aí sim, torna-se num problema. Por isso, este tipo de recompensas (sim, aqui utilizo o termo recompensa e não reconhecimento) sugiro que as guardem para grandes momentos: passar de ano letivo, o natal, o aniversário, a chegada de um irmão,  etc…!

Qual a melhor forma de reconhecer o  meu filho promovendo o seu desenvolvimento emocional e intelectual?

O reconhecimento social e emocional são, definitivamente, os melhores: privilegiar, agradecer, felicitar, abraçar

Para nós adultos, talvez seja estranho que uma criança aprenda a dar-se por feliz com este tipo de reconhecimento mas nada é mais valioso para a criança do que sentir-se valorizada pela sua atitude ou comportamento tendo o reconhecimento, principalmente, daqueles que lhe são figuras de referência, como os pais ou os educadores.  Esta forma de reconhecimento motiva, ainda mais, a criança a ter comportamentos positivos de forma espontânea e intencional. Para além disso, desenvolve o sentido de responsabilidade para com os seus deveres e para com os outros,  a auto-estima, a segurança emocional e auto-confiança perante o medo de falhar e a sua autonomia.

As crianças deixam-se tocar pelo coração muito mais do que imaginamos…?

Ficam aqui algumas sugestões de reconhecimentos positivos para as vossas crianças:

Tempo

Dedicar tempo à criança para brincar, ler uma história. Dedicar-se de corpo e alma ao tempo com a criança.

Responsabilidade

Confiar-lhe uma responsabilidade como ajudar a levar o carrinho das compras (todas as crianças adoram empurrá-lo), deixá-lo levar as chaves do carro e abrir o carro, marcar o “ok” na hora do pagamento de multibanco…

Poder de escolha

Dar-lhe um privilégio como escolher o jantar, escolher o filme que a família irá ver no fim-de-semana, escolher o parque a que vão, se a criança foi para o banho sem contestar, deixe-a encher a banheira e dê-lhe um banho de espuma…!

Elogiar

Felicitar a criança dizendo-lhe o que fez bem algo. É importante que ao elogiar refira sempre aquilo que fez bem e não lhe atribua apenas o elogio. Por exemplo: “uau, pintaste tão bem dentro das linhas”, “adoro o teu desenho!”

Agradecer

Agradeça a criança o bom comportamento. Diga-lhe o quão feliz, orgulhoso e agradecido fica por aquela boa ação.

Relembro As crianças deixam-se tocar pelo coração muito mais do que imaginamos… <3 “. É mesmo simples assim…

image@iniciados

 

Por Beatriz Pereira, BLOG “MAIS Q’ESPECIAL”

Os nossos filhos não são perfeitos.

Aos nossos olhos os nossos filhos têm mais qualidades do que as que o mundo eventualmente verá neles, mas muitas vezes erramos ao não permitir que o mundo aponte as suas falhas.

O facto de compreendermos que somos humanos, com espaço para crescer, para nos desenvolvermos e desafiarmos é o que nos faz chegar mais longe. É o que nos faz, eventualmente, às vezes mais tarde do que mais cedo, perceber qual o nosso limite.

Existe uma escola preparatória em Lisboa que está a desenvolver um projeto educativo que acho muito interessante. As turmas são divididas em três níveis: baixo, médio e alto. No início do ano é feito um diagnóstico e os alunos são encaminhados para cada uma das subturmas. Estas subturmas são permeáveis, o que significa que um aluno que comece o primeiro período no nível médio pode eventualmente no segundo período estar no nível baixo, ou vice versa. A intenção é que todos acabem o ano no mesmo nível: o alto. Isto permite que os alunos sejam acompanhados de acordo com as suas necessidades de aprendizagem. Há espaço para expor dúvidas, para “atacar” a matéria onde existem mais dificuldades, há o incentivo para que os alunos queiram chegar mais longe.

Naturalmente, isto significa que há mais trabalho para mais professores. Este é um dos maiores problemas que atravessamos no nosso país: turmas sobrelotadas enquanto milhares de professores continuam sem colocação. Aqui há a oportunidade de ter uma mesma turma dividida em turmas mais pequenas, onde mais professores podem actuar.

O maior problema enfrentado? Os pais, naturalmente.

Diziam que havia preconceito com os que estavam no nível mais baixo. Diziam que afectava a auto-estima. Diziam que é pôr rótulos.

Era legítimo que os pais se preocupassem, mas a escola pediu uma oportunidade. Pediu aos pais que compreendessem o que estava em causa, que incentivassem os filhos e os fizessem compreender que, em conjunto com o corpo docente, não havia discriminação. Era tudo por eles. Para poderem ir mais longe. Para poderem aprender mais e melhor. Para se sentirem vistos e ouvidos na sala de aulas.

O resultado? No final do ano havia apenas duas subturmas, dos dois níveis mais elevados. Funcionou porque se acreditou num sistema que tem como prioridade o aluno e não o debitar infindável de um programa feito para não ser cumprido.

As notas subiram, os alunos viram a sua auto-estima aumentar, sentiram-se valorizados e, acima de tudo, encararam as aulas como um desafio. Participaram mais. Deram largas às suas potencialidades. Porque acreditavam que eles podiam chegar mais longe. Trabalharam com esse objetivo e no fim saíram vitoriosos. Havia um incentivo maior do que o resultado: o caminho a ser percorrido.

Acredito que este modelo educativo acabará por se espalhar por mais escolas, mas apenas se os pais assim o permitirem.

Haverá sempre quem não reconheça que os filhos não vão ser os melhores alunos, as melhores pessoas do mundo, os colegas de trabalho mais atenciosos, os companheiros de relação mais fiáveis.

Os nossos filhos são produto de tantas coisas, a maior parte das quais não controlamos.

Por isso, acredito que naquelas em que temos uma palavra a dizer deveremos estar do lado da solução e não do problema. Deixemos os nossos filhos perceberem que podem mais, quando isso é verdade. Que estamos aqui para eles mesmo que não tenham 100% no teste, mesmo que falhem de vez em quando.

Serão adultos mais funcionais e mais sensíveis aos que os rodeiam se perceberem que não se espera deles que sejam máquinas.

Os nossos filhos são humanos e devemos aprender a gostar deles assim.

image@weheartit

Chumbar de ano, falhar e errar!

Sinónimos do ponto de vista dos pais, habitualmente. E isto porque pais, filhos e escola é uma relação triangular que envolve receios e, por norma, muitas expectativas.

Como forma de reduzir os receios parentais, aumenta-se a necessidade de que os filhos tenham uma carreira académica de sucesso. Isto é, quando os filhos brindam os pais com boas notas constantes, além do orgulho sentido, os pais vivem uma preocupação a menos (já que educar vai suscitando sempre algumas). E isto, do ponto de vista dos filhos, traz por norma a carga das expectativas. Os filhos vão sendo muito elogiados pelos resultados, a família e amigos próximos reforçam os elogios e, sem que muitas vezes uns e outros se apercebam, já todos têm a expectativa da manutenção daquele estatuto e o próprio aluno vai percebendo que “este registo agrada… se vacilar e baixar as notas, agradarei ou não…”.

Afinal, que representação acarreta, emocionalmente, uma carreira académica brilhante, desde cedo?

Sucessos sucessivos e consequentes reforços positivos podem facilmente conduzir ao medo de falhar – o medo de errar. Os famosos “chumbos”!

No fundo, os filhos tendem a sentir sempre alguma expectativa sobre a sua prestação escolar. Uns esforçam-se por corresponder a essa expectativa e podem até vivê-la com ansiedade, bailando ao som da falha como possibilidade legítima (e evitando-a a todo o custo, mas sem desistir); outros a quem a possibilidade de não corresponder à expectativa os trava, logo na casa de partida, e nem tentam a sorte “ao jogo”.

Falhar e tentar de novo, faz parte do percurso de vida de todas as pessoas. As falhas têm a vantagem de nos ensinar novos caminhos, permitindo-nos renovar experiências e, com isso, crescer e criar autonomia emocional. Incutir aos filhos o trajeto das boas notas; o objetivo do quadro de honra é enviesar a realidade.

Na vida real, o caminho não é sempre sereno, as surpresas não são todas agradáveis, os objetivos não são todos cumpridos e os resultados das circunstâncias vividas nem sempre serão um fruto apetecido. Logo, permitir aos filhos espaço para falhar sem zangas, é criar a oportunidade de se confrontarem com essa frustração, originando um trabalho de gestão interna de tolerância ao erro, com consequente aprendizagem. É, acima de tudo, retirar-lhes o medo de errar!

Pode, depois, criar-se a dúvida sobre onde fica o limite de não exigir boas notas, mas ensinando que tem de haver empenho e algum esforço. E a resposta a essa dúvida é a atitude. A atitude de exigir responsabilidade, no entanto sem demonstrar reatividade emocional aos resultados académicos obtidos:

  1. As notas são a única e necessária recompensa que os filhos têm como fruto do esforço investido no estudo.

Os pais devem demonstrar que a felicidade/orgulho sentido, é consequência daquilo que o próprio filho sente. Exemplo perante uma boa nota: “Que bom que estás contente! Fico tão feliz quando estás assim. E sei que é muito bom vermos o nosso esforço glorificado. Estudaste, conseguiste!”.

Perante uma nota negativa: “Como é que te sentes com o teu resultado?” (esperar a reação) “O que achas que podes fazer (ou “podemos fazer”, de acordo com a idade ou nos casos em que os pais possam sentir assim) para mudar este resultado?”

Evitar demonstrar preocupação com os resultados negativos, para controlar o sentimento (dos filhos) de “eu não agrado”, que muitas vezes conduz a um outro sentimento destrutivo “eu não sou capaz”.

  1. O desinvestimento escolar dos filhos, que culminará no insucesso escolar, não é necessariamente uma decisão voluntária.

Os pais devem lembrar-se disto, como forma de evitar rótulos (nomear defeitos). A esta atitude, segue-se tensão na dinâmica familiar, sem quaisquer alterações desejadas no que é sentido como o foco do problema.

É necessário um auxílio especializado para auscultar as razões.

  1. Relembrar sempre que o inverso de alunos “quadro de honra” não são maus alunos e, acima de tudo, não são maus filhos, nem filhos problemáticos.

Podem, simplesmente, ser filhos que não focam nas matérias escolares toda a sua energia, podendo isso até ser uma mais valia. Um foco absoluto no estudo, retirará tempo e capacidade para desenvolver outras áreas tão ou mais importantes na nossa condição de humanos: como a área emocional, onde está implicada a necessidade e capacidade de comunicação e relação com o outro.

  1. Alunos não devem ser reforçados pelas suas notas positivas ou negativas

As boas notas são o único reforço positivo necessário ao investimento de tempo implicado no estudo.

As más notas, ou mesmo negativas, deverão ser motivo de reflexão entre pais e filhos, sem que implique reações emocionais desagradáveis. Isto evitará a criação de expectativas e, sobretudo valorizará a crença de que, além de os pais serem interessados, atentos e envolvidos nas vidas dos filhos, as notas não têm qualquer influência no amor incondicional pelo qual se pauta a relação pais-filhos.

Os filhos devem estudar porque esse é o seu trabalho e porque os ajudará a conseguir com maior facilidade assimilar a matéria que virá a seguir. E esta é a única exigência-base que os pais devem colocar na relação, em termos do percurso académico.

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Estás a sair-te bem. Não importa o que os outros te digam nem o que pensam sobre as tuas opções, sobre o que deixaste  para trás ou a forma como vives a vida… Vai correr bem!

Mesmo que às vezes tenhas dúvidas, sabes que a vida é um processo e, enquanto tiveres confiança em ti próprio, as coisas vão seguir o seu rumo com tranquilidade e harmonia.

É este o tipo de reflexão que frequentemente precisamos de ouvir da boca de alguém. Precisar não significa, que procures a aprovação alheia ou que duvides de ti. Por vezes, um reconhecimento, um simples reforço positivo no momento exato e no instante adequado, resulta como um carinho emocional e um impulso vital.

Por exemplo, a frase “Estás a sair-te bem” é essencial no universo pessoal de uma criança. Um elogio é na verdade muito mais do que um simples reforço positivo. É um modo de incentivar a criança a continuar, a seguir em frente, enquanto alimentamos a autoestima, a confiança e a sensação de segurança. Ao mesmo tempo, também se apresenta como uma expressão que se foca no processo, mais do que no próprio resultado

Os adultos também precisam desse tipo de interação positiva na qual por um lado, está o reconhecimento pessoal e por outro, o apoio. Por exemplo, a mãe e o pai que dia após dia realizam a complexa tarefa da criação e da educação de um filho. Uma pessoa que em determinada altura decide fazer uma mudança na sua vida e alguém do seu círculo próximo hesita em dizer-lhe que sua decisão é correta, que esse passo é um acto de coragem…

Os diferentes tipos de apoio pessoal que podemos encontrar no dia a dia

Nós já calçamos sapatos de adultos. Servem-nos perfeitamente e nós  sentimo-nos confortáveis. No entanto, as solas podem estar gastas do grande caminho que percorremos, pelas pedras e poças que encontramos ao longo do caminho. Mas esta viagem ainda está a meio, falta-nos viver uma série de experiências, e há um aspecto que ainda continua a afetar-nos de várias maneiras.

Falamos, sem dúvida, do apoio, da consideração e da proximidade que recebemos dos que nos rodeiam. Podemos dizer que “nada nos afeta”,  que já chegamos a um ponto do nosso desenvolvimento pessoal em que as palavras das outras pessoas são como ar viciado, e que “entram a 100 e saem a 200”…. Mas a verdade é que,  por mais que queiramos nem sempre funciona assim. O que os nossos pais ou irmãos nos dizem, às vezes, atinge-nos. Os comentários dos amigos e do nosso companheiro ou da nossa companheira têm importância.

Por isso é que, às vezes, ouvir um “Estás a sair-te bem” é tão gratificante e nos confirma que essa relação, esse vínculo, valioso é muito importante. Assim, ao longo da vida, teremos três tipos de apoio pessoal.

Pessoas que ajudam, pessoas que habilitam e pessoas que dificultam

Niall Bolger é um investigador do departamento de psicologia da Universidade de Columbia, especialista em realizar estudos sobre relações pessoais e seu impacto no nosso bem-estar psicológico. Num dos seus trabalhos, demonstrou que a forma como o nosso círculo mais próximo nos confere ajuda ou apoio pode basear-se em três tipos de dinâmicas.

  1. Pessoas que habilitam.
    Quem nos “habilita” não nos apoia. Quem habilita procura, acima de tudo, dizer-nos como fazer bem as coisas segundo os seus desejos, crenças ou valores. São amigos, familiares ou companheiros que, longe de entender a nossa perspectiva ou de aceitar os nossos desejos ou escolhas, tentam “habilitar-nos” para que nos encaixemos no seu universo pessoal.
  2. Pessoas que dificultam.
    São pessoas que estão constantemente a convencer-nos que querem o melhor para nós, mas ao mesmo tempo têm comportamentos que dificultam as coisas. Neste perfil não encaixam expressões como “Estás a sair-te bem, mas lembra-te que já agiste assim e correu mal, e é provável que aconteça outra vez. Só estou preocupado contigo” ou “sabes que te adoro e admiro, mas acho que é melhor acabares com essa pessoa”…
  3. Pessoas que ajudam.
    O doutor Bolger, responsável por este estudo, definiu um terceiro tipo de relação, tendo sido considerada a mais importante. São pessoas que não só têm a capacidade inata de dizer as coisas mais sensatas no momento certo, mas que também nos conferem um “apoio invisível”. Ou seja, às vezes não precisamos de ter a pessoa por perto para saber que temos todo o seu apoio, o seu interesse e preocupação…

Assim, o melhor apoio é aquele que “deixa ser” e que nos transmite a todos os momentos a sensação de eficiência, de segurança e de apoio constante.

Estás a sair-te bem porque…

Sabemos que esses reforços verbais e emocionais por parte das pessoas mais próximas são úteis em muitas situações. Ajudam-nos a seguir em frente. No entanto, também não podemos esquecer-nos de que é impreterível que procuremos incentivar-nos, validar-nos, motivar-nos de forma a proporcionar-mos apoio emocional adequado para encontrar essa energia vital para enfrentar o dia a dia.

Nunca é demais refletir e interiorizar as seguintes frases:

  • Estás a sair-te bem porque, estás conseguir viver em harmonia contigo próprio, com os teus valores e necessidades. Não importa os momentos difíceis porque esse é o custo de seres coerente contigo próprio.
  • Estás a sair-te bem porque cada dia é uma pequena vitória onde alcanças algo novo e enriquecedor.
  • Estás a sair-te bem porque deixaste para trás o que te atrasava, pessoas e dinâmicas próprias que faziam mal, que não te ofereciam nem equilíbrio nem felicidade.
  • Estás a sair-te bem porque viver é arriscar, é pores-te em movimento e não parar. A felicidade é um processo e estás no bom caminho, o caminho que tu escolheste.

Vamos pôr em prática estas premissas.

Afinal de contas, não custa nada e traz-nos muitas coisas boas.

 

Publicado em A mente é maravilhosa, adaptado por Up To kids®

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