A educação infantil e a física quântica: interseções

A Física Quântica, em traços gerais, estuda os fenómenos que acontecem com as partículas atómicas e subatómicas. Ou seja, partículas que são iguais ou menores que os átomos, como os elétrons, os prótons e os fótons…

Trata-se de um novo modo de pensar e fazer ciência. As micropartículas não podem ser estudadas e observadas através da Física Clássica, já que esse “micromundo” não é prioritariamente regido pelas leis que compõe a ciência tradicional, tais como a gravidade, a ação e a reação, etc.

O interessante é que apesar de todos os seus estudos se darem em relação aos fenómenos microscópicos, estes também se refletem nas questões macroscópicas, já que tudo o que há no Universo é composto por átomos, elétrons, etc…

Segundo experimentos da Física Quântica, é possível a existência de duas situações diferentes e simultâneas para um determinado corpo subatômico.

Se o comportamento desta partícula pode ser tão incerto e tão contraditório, de acordo com os estímulos externos, como é que isso não ocorreria também no macrocosmo das crianças, visto que somos todos um amontoado de elétrons e prótons, interagindo e reagindo uns com os outros?

Nesse sentido, o pensamento humano, como sendo ondas eletromagnéticas que irradiam, captam e devolvem ondas semelhantes, tem grande poder de realização.

Cada indivíduo é capaz de alterar o universo em seu redor com a capacidade de influenciar na disposição das micropartículas atómicas em torno das pessoas, como os observadores dos átomos são capazes de modificar o comportamento das partículas com as quais têm contacto.

É necessário sensibilizar o olhar e acolher essas crianças que estão perto de nós com todos os sentidos aguçados. Estão num ponto ótimo para serem conduzidas a criar realidades positivas, sob a orientação de um adulto que também caminhe na intenção de ser artífice do seu próprio mundo.

A interseção entre a Física Quântica e a Educação da Infância dá-se assim, no lugar do novo e do criativo, visto que nessa perspectiva, somos nós adultos educadores que construiremos conjuntamente às crianças, realidades mais significativas para todos.

Esta é uma proposta revolucionária que desde a base transformará os modos de pensar dos pequenos, formando cidadãos mais conscientes de seu poder de concriar realidades de equidade, equilíbrio, bondade, confiança e de todas as habilidades das quais o mundo tanto necessita.

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Frustração Positiva?

Como é que um sentimento que à primeira vista é tão negativo pode ser Positiva?

“Eu não gosto de me sentir frustrado!” – É o pensamento consequente a esta afirmação.

Pois bem… É mesmo sobre a Frustração Positiva que vamos falar neste artigo.

Sobre a frustração

No senso comum, a frustração é o sentimento que ocorre quando alguma coisa que era esperada devia acontecer e não aconteceu. Quer dizer: a nossa mente previa que que acontecesse determinada coisa, e não aconteceu contrariando assim a nossa necessidade de controlar tudo o que nos rodeia.

Nós adultos ainda sofremos muito ao nos sentirmos frustrados. É natural! No entanto, é preciso observar quais são as nossas atitudes depois da frustração pois seguramente, são estes modelos mentais de como lidar com a dor, com a perda e com o erro que estaremos a transmitir aos nossos filhos.

E não adianta pensar: “Que disparate! É só um bebé, nem se apercebe do que está a acontecer!”. Grande engano! As nossas crianças entendem e sentem tudo o que ocorre e acabam por refletir nos seu comportamento ainda que, num primeiro momento seja de forma inconsciente.

Mas se as as dores, desafios, perdas e obstáculos são inerentes à condição humana, como transformar estes acontecimentos em aprendizado?

É aqui que entra o nosso conceito de Frustração Positiva.

É a habilidade que os pais e educadores devem possuir para limitar o comportamento infantil, gerando um conflito que facilite a evolução. Em traços gerais trata-se de evitar a superproteção, não privando a criança de situações aparentemente mais difíceis.  São estas adversidades que as ajudam a crescer e que permitem a aprendizagem da tolerância à frustração.

A antropologia tem uma metáfora bastante pertinente sobre a Frustração Positiva: é a do sistema imunológico psicológico. Quando a partir da vivência de situações desafiadoras a criança desenvolve novos recursos e habilidades de adaptação. E isto é tão importante!

Como diz o provérbio, “A necessidade faz o engenho”

Por isto é que os limites são tão importantes no desenvolvimento psicológico das crianças. É a partir dos nãos que oferecemos aos nossos filhos, sempre somados ao nosso gigante amor de mãe, que os vamos preparando para receber com mais equilíbrio emocional, os nãos que chegarão no decorrer da vida.

Viver essa experiência, no reduto fraterno do lar é de grande valia para crianças e adultos. Ambos têm a possibilidade de (re)construir a sua relação com frustração, alterando padrões mentais enrijecidos, na constante aprendizagem de lidar com a dor de forma positiva, resiliente e empoderadora.

Em suma, devemos exercitar-nos no aprendizado de que nem tudo está sob o nosso controle. Nem tudo acontece como planeamos. Nem todas as nossas vontades são atendidas.

E quer saber mais?

Está tudo bem!

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Já ouviu falar do Apego Seguro?

Pois bem… O apego seguro vem confirmar que tudo é equilíbrio no Universo, e não seria diferente na relação de apego entre a mãe e o seu bebé.

O Apego Seguro trata da capacidade que a mãe (ou a figura principal de apego) tem em responder às demandas da criança de maneira sensível e estável.

Sensível: com percepção aguçada e atenta para as necessidades do infante;

Estável: de forma emocionalmente equilibrada e com presença constante.

Nem negligência às demandas dos pequenos, nem paranóia que sufoque, nem tampouco lançar sobre eles os nossos desequilíbrios emocionais… Ter a sensibilidade de senti-los ao ponto de dar respostas coerentes às suas questões. Dar-lhes a estabilidade da presença tranquila, que está sempre por ali, para quando a criança precisar.

O apego seguro é extremamente importante para o desenvolvimento infantil, pois resultada de uma alta sincronia entre as demandas biológicas e psicossociais do bebé e a resposta eficaz da mãe.

Pesquisas sobre os efeitos do apego seguro apontam para preditores importantes no desenvolvimento da criança, quando este vínculo positivo acontece, nomeadamente:

  • Melhor ajuste psicológico às situações de conflito;
  • Maior internalização das regras instituídas pelos pais e mães;
  • Raciocínio mais maduro e autónomo na adolescência;
  • Boa autoestima;
  • Ajuste social positivo, no estabelecimento de relações para além da família…

Outro fator muito interessante relativo ao apego seguro é o facto de oferecer à criança uma maior segurança emocional. Isto permite-lhe ter a capacidade de explorar novos espaços e situações. A criança não necessita dispender recursos cognitivos para comprovar a disponibilidade de algum adulto responsável durante sua atividade, porque já sabe e sente que pode contar com o seu cuidador. Dessa forma, pode canalizar a sua energia para outros processos cognitivos que poderão ocorrer no momento gerando novas descobertas, aprendizagem e crescimento.

Não é isso que queremos para os nossos pequenos?

Estejamos atentos, portanto, a como estamos a estabelecer a nossa relação de apego com nossos filhos.

E atenção: os processos de educação convergem sempre para a nossa autoeducação. Se estamos equilibrados internamente, as crianças serão equilibradas.  Pois terão esse modelo de ação como referência, ao longo de sua jornada.

 

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Em toda a minha carreira de 18 anos na Educação, esta é uma das frases que eu ouço mais frequentemente: “Não sei o que hei-de fazer com este meu filho”. Pensamos: “Deve ser um adolescente de 17 anos, que já aprontou todas”. Aí vem o susto: o tal filho, é uma criança de 1 ou 2 anos!

E os pais já não sabem o que hão-de fazer com ele!

A verdade é que os pais encontram-se cada dia mais fragilizados e sem saber o que fazer para educar os filhos. Talvez porque tenham sido a última geração de filhos que obedeceu aos pais, tornando-se também a primeira geração de pais que, covardemente, obedece aos filhos.

Seja por preguiça ou por falta de conhecimento (nunca por má fé, acredito eu), os pais estão a abrir mão de exercer o papel que lhes compete na educação, comprometendo seriamente o desenvolvimento psicológico dos seus filhos que esperam, sequiosos, por um adulto competente que os direcione nos caminhos da vida.

E já que a frase é “Não sei o que hei-de fazer…”, trouxe 5 dicas para que vocês, pais, recuperem o seu lugar único e exclusivo, pois acredito muito no poder do conhecimento para despertar a transformação nas nossas ações diárias.

1ª – “Reintegração de posse afetiva”.

Expressão utilizada pelo psicólogo Rossandro Klinjey, para referir a necessidade que os pais têm de reassumir a sua posição hierárquica na relação. Conquiste outra vez o seu lugar e assuma o controle da situação;

2ª – Repita a norma até a exaustão

Educação é o conjunto de hábitos adquiridos. E construir hábitos não é uma tarefa fácil. Exige repetição. E repetição cansa. E cansados abrimos mão.

Não desista! Repita as regras até que haja interiorização. Como quando falamos com nossas crianças para calçar os chinelos ou escovar os dentes um milhão de vezes.

3ª – “Vou dar tudo que não tive ao meu filho!

Cuidado! Foram exatamente as frustrações que precisamos vivenciar que nos formaram com o caráter de hoje. Dê ao
seu filho o suficiente para que ele cresça saudável e feliz, mas não dê tudo. Assim, ele reconhecerá o valor das coisas;

4ª – Dê uma base sólida à criança

Se os alicerces de conhecimentos e valores que damos aos nosso filhos forem firmes e seguros, quando os conflitos começarem a surgir na sua vida, terão uma base sólida onde se apoiar e conseguirão equilibrar-se.

5ª – Apresente a frustração.

Há um conceito na psicopedagogia chamado de frustração ótima, que é a frustração apresentada pelo amor da família. Se os nãos
começarem a ser recebidos do pai e da mãe, as estruturas emocionais e psicológicas estarão fortalecidas para as frustrações que surgirem ao longo da vida.

Passe a vivenciar estas 5 dicas no exercício quotidiano da sua parentalidade. Isto já produzirá grandes transformações na convivência com sua criança, bem como com toda a família.

A culpa e a insegurança maternas

Observando os primeiros dias de aulas numa instituição de Educação da Infância, percebemos a postura das mães em relação aos pequenos. Demonstram insegurança, receio, apego excessivo e até mesmo uma espécie de ciúme velado (ou explícito) em relação à professora. Tudo isto é muito natural, se passar nas primeiras semanas de aulas, quando os diferentes intervenientes deste processo já se encontram adaptados.

Acontece, no entanto, que algumas mães continuam a apresentar dificuldades em deixar a criança na escola com tranquilidade. Este é um dos muitos exemplos através dos quais podemos analisar a figura da mãe, com processos psicológicos de culpa e insegurança…

Análise histórica

Remontando a questões históricas, a 2ª guerra mundial levou homens para campos de batalha e mulheres para fábricas. A guerra acabou, os homens voltaram para as fábricas, mas as mulheres não quiseram voltar para os fogões. Sentiram-se capazes de trabalhar fora e, ao mesmo tempo, gerir a criação dos filhos. De serem esposas, sem abrir mão de serem profissionais.

Embora a conquista desse espaço tenha sido justa, gerou impactos na estrutura social da família, cujas filhos precisavam de ficar num ambiente substituto. Então, ao mesmo tempo que as mulheres se rejubilavam com as conquistas profissionais, começaram a sofrer as consequências da sua ausência em casa.

Na verdade, está implícito na culpa uma condição histórica da mulher que “só” ficava com os filhos. É raro vermos homens que se sentem culpados por trabalhar 8 horas por dia, pois já estava “estabelecido” que o homem trabalha fora, e não tem a responsabilidade de estar perto dos filhos o tempo todo.

A mulher é biologicamente condicionada a ficar em casa quando sua criança nasce. Deve parar de trabalhar. O recém-nascido precisa do seu corpo para viver. O vínculo de afeto estabelecido entre mãe e filho alimenta a criança.

Mas… Tudo na vida são fases, casulos, pupas e borboletas… Com o passar do tempo, mudam as necessidades da criança. E do adulto também!

A evolução

E esta mãe, que sentia dificuldades em deixar a sua criança na escola, que fará ela quando o seu filho crescer e for trilhar os caminhos da própria vida? O que vai acontecer a esta aquela mãe culpada, quando encarar de frente o ninho vazio? Deixou as autorrealizações de lado para se dedicar única e exclusivamente aos filhos? Desistiu do casamento? Da carreira? De si mesma?

Estas reflexões são necessárias. Dolorosas, mas necessárias. A culpa e a insegurança maternas, na primeira infância, podem moldar um futuro caráter inseguro e egoísta nas crianças, mas sobretudo, fazer com que a própria mulher perca a identidade e o autoconceito, perdendo-se a si mesma.