5 Estratégias para promover a autoconfiaça do seu filho

Vivemos numa sociedade competitiva e em constante mudança.

Estar preparado para responder e ultrapassar desafios diários é crucial desde a infância. Urge, por isso, ajudar as crianças a desenvolver a sua autoconfiança.

A autoconfiança é um ingrediente fundamental para que se sintam confortáveis consigo mesmos ou com os outros e consigam ultrapassar os desafios sociais e relacionais que vão surgindo ao longo da sua vida.

Podemos, então, pensar na autoconfiança como um motor que nos impele a agir e nos ajuda a ter respeito por nós próprios. Necessitamos dele para nos sentirmos confortáveis no nosso quotidiano e em todas as situações com que nos deparamos.

E quando a criança tem pouca autoconfiança?

 As crianças com pouca autoconfiança tendem a isolar-se e a refugiarem-se na leitura ou nos jogos eletrónicos. Muitas vezes os adultos sentem-se confortáveis com estas atitudes porque geralmente são crianças que fogem aos problemas ou os conflitos. Mas na realidade é a falta de confiança que está a servir de travão às suas ações. Isto poderá vir a ter repercussões na sua capacidade de socialização, no seu sucesso e na sua capacidade na resolução de problemas ou gestão de conflitos.

A autoconfiança é desenvolvida na infância e os pais podem ajudar os seus filhos a confiarem mais em si mesmos. A acreditarem que são capazes de realizar determinadas tarefas. Ajudando os filhos a crescerem mais autónomos e confiantes, contribuindo assim para que o seu desenvolvimento seja mais positivo, o que os ajudará a serem adultos emocionalmente inteligentes e felizes.

As estratégias que seguem poderão ser úteis para promover a autoconfiança do seu filho. No entanto, tenha a consciência que é na forma de se relacionar com ele que lhe mostrará como olhar o mundo e como agir perante situações desconhecidas. Os pais servem de modelo e ensinam os seus filhos na sua forma de lidar com as situações e na forma como resolvem os seus problemas.

5 Estratégias para promover a autoconfiaça do seu filho

1. Regras e rotinas

Estabelecer regras e rotinas dá-lhes uma sensação de segurança e a criança sente que controla o seu mundo. Ao sentir-se segura, consegue explorar o mundo que a rodeia e desenvolver a sua capacidade de adaptação a novas situações.

2. Limites

É nos momentos de frustração que temos oportunidades para ensinar e promover a confiança. Os “ não”, são tão importantes como o afeto.

3. Autonomia e responsabilidade

Ajudar nas tarefas diárias como arrumar brinquedos, fazer a cama, vestir-se sozinho ajuda a criança a perceber que consegue realizar tarefas sozinha. Não faça as coisas por ele. O objetivo é guiar e apoiar os seus esforços, valorizando, para que aprenda a sentir-se competente.

4. Novos desafios

Estimulem os seus filhos através de jogos ou brincadeiras em conjunto. Pelo brincar a criança aprende a resolver problemas. Desta forma desenvolve, também, a confiança em si mesma, a sua criatividade e a imaginação, para além de sentir o prazer de novas conquistas.

5. Elogiar

Elogie e mostre ao seu filho que está orgulhoso, sempre que ele consegue fazer algo novo ou que teve um comportamento adequado. Valorize e reconheça os seus esforços, mesmo que não consiga no imediato. Incentive-o a continuar a tentar, através do afeto.

As crianças aprendem a lidar com as emoções através dos seus relacionamentos.  Estão constantemente a observar os pais nas diferentes tarefas e contextos, na forma como interagem com eles e também socialmente. Tenha presente que é através de situações do dia-a-dia  que irá conseguir ajudar o seu filho a tornar-se mais confiante e feliz.

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PHDA: e se os pais não quiserem medicar?

A PHDA  – Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção é uma perturbação ao nível do neuro-desenvolvimento e é considerado um dos transtornos mentais mais comum em idades pediátricas.

Esta perturbação caracteriza-se por alterações nas funções executivas e no córtex pré-frontal, sendo reconhecida pelos níveis deficitários de atenção, pela forte impulsividade e em alguns casos pela persistente inquietude motora. Tem um impacto negativo na qualidade de vida das crianças/adolescentes, afetando o desempenho escolar, o funcionamento social, as relações interpessoais e, consequentemente, a sua auto-estima e o seu auto-conceito. Estas crianças têm uma enorme dificuldade na regulação emocional, agem antes de pensar e isso tem implicações na sua vida e no seu desempenho diário.

É muito comum os pais tentarem encontrar uma causa que justifique esta perturbação e a sentirem-se culpados, pois tendem a acreditar que é fruto dos seus erros na educação do seu filho. É necessário informar e tranquilizar estes pais, pois não existe uma causa única que condicione o aparecimento desta perturbação. Existe uma predisposição genética por parte da criança, que em determinados contextos de vida e sob a influência de determinados padrões relacionais e ambientais pode vir a despoletar esta dificuldade de se concentrar e de se auto regular. Desta forma podemos dizer que a PHDA tem uma causa multifatorial, ou seja, biopsicossocial.

Tratamento farmacológico

O tratamento desta perturbação é fortemente baseado em intervenções farmacológicas com psico-estimulantes, que atuam diretamente na diminuição dos sintomas centrais da PHDA, como a desatenção e a impulsividade, mas não há ainda evidências suficientes que nos indiquem melhorias ao nível dos relacionamentos estabelecidos com os pares e com a família, que são muitas vezes as grandes dificuldades dos indivíduos com PHDA. Por outro lado, ainda se desconhece, em grande parte, os impactos que futuramente a medicação poderá ter. Então, apesar de a eficácia da medicação ser reconhecida, deve existir espaço para uma intervenção que incida não apenas nos sintomas centrais, mas também nos comportamentos sociais e emocionais, até porque normalmente existem comorbilidades que devem ser tidas em linha de conta e devem ser intervencionadas.

O que diz a ciência?

Vários estudos têm revelado a eficácia do treino cognitivo e existe atualmente, evidência científica que nos aponta para resultados bastante positivos e melhorias significativas num curto espaço de tempo. O treino cognitivo tem como principal objetivo otimizar os níveis de habilidade da atenção, promovendo a melhoria no desempenho das atividades diárias no geral.

As intervenções psicossociais, que incluem o treino cognitivo e técnicas para promoção de aprendizagem e alterações comportamentais, são as mais abrangentes e têm contribuído para a um melhor desempenho das funções cognitivas e de autorregulação, com bom resultados tanto ao nível académico como nas relações interpessoais, contribuindo para dinâmicas familiares mais positivas.

Não chega intervir na atenção! O treino de competências sociais e emocionais, o treino comportamental e em algumas situações o treino parental, pode tornar a vida destas crianças e das suas famílias muito mais simples e feliz!

A brincar na creche a criança cresce

“O brincar escapa aos adultos que frequentemente o vêem como algo separado do aprender,  o que  é não só absurdo como abusivo e cruel.” – João dos Santos in “A Caminho de uma Utopia…Um Instituto da Criança”

Se, por um lado, o brincar é uma actividade humana e social que parece fazer parte da nossa existência, por outro, nem sempre as brincadeiras têm sido as mesmas, nem a infância vista da mesma forma.

Hoje o brincar é visto como uma actividade essencial ao desenvolvimento global infantil, estando associada a várias competências físicas e psicológicas, para além da promoção relacional com o outro, seja ele par ou adulto.

Vários autores afirmam que a brincadeira inicia-se pelo simples facto de proporcionar prazer à criança, mas esta é também uma actividade que permite a criança interagir com os outros e explorar o ambiente ao seu redor.

Muitas vezes as crianças têm dificuldade em expressar os seus sentimentos e não conseguem verbaliza-los. Através do faz de conta, ela organiza o seu pensamento, elaborando o seu mundo real através das vivências simbólicas e elaborando os conflitos internos e emoções, por vezes angustiantes. Os brinquedos e os materiais expressivos como a plasticina, barro, etc. servem assim, de mediadores emocionais. É através da projecção nas brincadeiras que as crianças conseguem estruturar o seu pensamento, expressar as suas emoções e, progressivamente, modificar os seus comportamentos.

O brinquedo é efectivamente um instrumento de extrema importância. Muitas vezes, coisas simples e a que não damos grande valor, podem ser úteis para a crianças utilizarem no seu faz de conta. Através da brincadeira ou do jogo, a criança assimila o mundo à sua maneira e aprende a socializar.

A brincar na creche a criança cresce

Na creche a criança expande a sua imaginação e as suas competências a brincar. É através do brinquedo e das brincadeiras que vai desenvolvendo a sua capacidade de comunicar e interagir no mundo e com os outros. Brincar, é por isso, fundamental para que a criança tenha um desenvolvimento cognitivo, social, afetivo e motor, mais saudável.

A creche assume assim um papel fundamental em todo o processo de crescimento e aprendizagem, em particular nas primeiras etapas do desenvolvimento infantil, pois a brincar na creche, a criança cresce!

A música e as emoções

Se por um lado a interação com os outros e com o que nos rodeia envolve emoções, por outro lado, as nossas emoções são o reflexo dessa interação. Todas as experiências nos provocam uma determinada emoção, que vai condicionar essa mesma experiência.

O nosso estado emocional determina a nossa qualidade de vida. Influencia a forma como agimos e as decisões que tomamos. Podemos então dizer que o comportamento é impulsionado pela emoção.

As emoções fazem parte da nossa vida, sendo fundamental perceber o que estamos a sentir e porque o estamos a sentir.

Não devemos evitá-las, mas sim entende-las e aprender a viver com elas. Sendo todas necessárias, algumas têm um papel muito importante na nossa proteção. Por exemplo, sentir medo protege-nos de ameaças e prepara o nosso corpo para reagir e se não sentíssemos medo, provavelmente, atravessaríamos a estrada sem olhar, porque não temíamos ser atropelados. Todas as emoções são essenciais e estão associadas à nossa vivência.

O nosso corpo é o palco de atuação das nossas emoções e, por isso, as reações fisiológicas são uma das formas de percebermos como nos sentimos, é o nosso “termómetro de sentimentos”.

Não há emoções positivas ou negativas, devemos qualifica-las como agradáveis ou desagradáveis, como algo que faz de nós a pessoa que somos…

A música e as emoções

Se pedissem para me definir emocionalmente em apenas duas palavras, diria que sou uma Pauta Musical, onde as notas se podem organizar e fazer fluir o som e o ritmo, como expressão das minhas emoções.

Determinadas por um espaço e por um tempo, as emoções surgem como notas que se unem para dar corpo a uma música, pronta a ser tocada por um qualquer instrumento.

Se estou triste, sou pauta pronta para que uma guitarra me toque e faça gemer nas suas cordas um fado nostálgico e por vezes angustiado.

Quando me surpreendem, o compasso é perfeito para que os pistões do saxofone façam soltar num sopro, um jazz maravilhoso.

Se a irritação me assola, aí sou metálica, música pesada e pronta para os break`s de um qualquer baterista audacioso.

Mas se o stress me invade, o ritmo acelera, como se semicolcheias se organizassem freneticamente sob a forma de Jive.

Em momentos de paz, as notas desfilam suavemente e das teclas de um piano pode surgir uma rumba.

Se me apetece estar só, a observar o mar… podem ouvir-se violinos a tocar “We are free now” (Enya)

Mas por vezes o ritmo aquece, a sedução abraça-me e a paixão pode ser refletida num tango.

Também são muitos os momentos de festa e alegria, nesses instantes eu sou samba!

Mas se a felicidade me absorve, deixo de ser uma simples pauta e passo a ser partitura. Onde as notas se estruturam para que vários instrumentos de uma orquestra toquem em sintonia numa harmonia absoluta. E é nessa altura que percebemos que o todo é muito mais que a soma das partes.

Afinal, sou uma pauta onde as notas se organizam. Onde os ritmos e os compassos se alteram em conformidade com as emoções que sinto e faço sentir. Porque eu não sou apenas eu, sou também o reflexo do que o que me rodeia me faz sentir.

 

O meu filho mordeu o amigo!

Chegar à creche e ouvir a educadora dizer que o filho foi mordido ou mordeu um amigo é algo constrangedor que deixa qualquer pai/mãe assustado e sem compreender muito bem o que se está a passar, ou como lidar com a situação.

É importante perceber que este tipo de comportamento é considerado absolutamente normal até cerca dos 2/3 anos, no sentido em que a criança ainda explora o meio ambiente com a boca, desaparecendo à medida que a criança vai amadurecendo.

Por outro lado, morder, bater, ou puxar os cabelos são formas que a criança utiliza para comunicar. Tendo em conta que nesta fase a aquisição da fala ainda está em progresso, a interação com os demais será mais física e, nesse sentido, a mordidela pode ser um dos meios utilizados pela criança para revelar o que está a sentir ou, simplesmente, para chamar à atenção.

“Vou-te morder o pé!”

As mordidelas ou os comportamentos agressivos nem sempre são uma demonstração de emoções negativas. Quantas vezes os pais durante o banho ou no ato de trocar a fralda brincam com os seus bebés e dizem: “Vou comer o teu pé… ou a tua bochecha”? Então para os bebés/crianças a mordidela meiga que os pais deram durante um momento carinhoso e divertido, pode tornar-se uma forma de exprimir um sentimento divertido e de boa disposição, logo, durante uma brincadeira com os amigos poderá também morder sem a intenção de magoar.

Noutras situações, o mesmo comportamento pode ter o objetivo concreto de conseguir o brinquedo que o amigo tem, o que normalmente funciona, porque a criança que é vítima sente dor e larga de imediato o brinquedo. Nestas situações o papel do adulto não deve ser de repreensão, explicando que a atitude não é correta porque magoa o outro. Se não houver uma intervenção nesse sentido a criança vai continuar a utilizar o seu método que parece ser eficaz e prova o seu poder perante o outro, ou seja, a criança vai utilizando a mordidela ou outro comportamento agressivo e vai avaliando as consequências do mesmo. Se ele conseguir os seus objetivos e não for repreendido, continuará a repetir o mesmo.

Regras e limites

Nesta fase do desenvolvimento, as regras e os limites são de extrema importância, muitas vezes os pais pensam que os seus filhos são demasiado novos para compreender o NÃO, mas pelo contrário, esta é a altura em que o “Não” é essencial e ajuda a crescer emocionalmente saudável. O adulto deve explicar que existem outros meios para expressar o que pretendem e que atitudes agressivas não devem ser utilizadas como meio para alcançarem os seus objetivos. Se pretende um brinquedo que o amigo tem, terá que pedi-lo emprestado, ou se pretende dizer alguma coisa ao adulto, tem que saber esperar pelo momento em que ele esteja disponível para falar e que não adianta beliscar ou bater para ter a atenção no imediato. Se perceber que assim resulta irá continuar a utilizar comportamentos desadequados para chamar a atenção.

Normalmente estes comportamentos são passageiros e deixam de ser utilizados quando lhes é explicado que a ação não está correta. No entanto, em alguns casos estas atitudes podem ser reflexo de um problema de ordem emocional e, se forem recorrentes e prolongadas no tempo, poderão estar associadas à expressão de sentimentos de rejeição ou a ansiedade. Para que se possa entender a causa poderá ser necessário a ajuda de um psicólogo que intervenha de forma a ajudar a criança e os seus pais.

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Eu sou, tu és, ele é (agressivo)!

Quando tomamos a decisão de ser pais não nos passa pela cabeça que o nosso filho possa ser uma criança daquelas que chega ao jardim-de-infância e bate em todos os colegas.

Educar crianças não é uma tarefa fácil. Com a agravante que não existem receitas únicas e totalmente eficazes, mas a atitude parental é importantíssima no desenvolvimento da personalidade e dos comportamentos, nomeadamente, na agressividade.

As crianças em idade pré-escolar têm ainda alguma dificuldade em dominar as suas emoções e quando são contrariadas não têm maturidade emocional para se controlarem, acabando por ser agressivas, por exemplo, quando querem o mesmo brinquedo que o seu amigo. Aos poucos a sua capacidade de suportar frustrações vai aumentando e, consecutivamente, diminuem as respostas agressivas.

As crianças e os comportamentos agressivos

Quando esses comportamentos agressivos vão acompanhando o crescimento da criança, a situação deve ser analisada para tentar perceber a sua causa. A agressividade é, sobretudo, uma forma de comunicação. Ainda que não seja a mais correta, por vezes é a única que as crianças conseguem utilizar para mostrar a sua angústia, tristeza ou ansiedade.

Para que o seu filho cresça emocionalmente saudável, tem de sentir-se amado e valorizado pelos pais, que devem combinar a afetividade com o rigor. Não basta “dar mimo”, é de extrema importância que sejam interiorizadas as regras transmitidas pelos pais, que devem estar em sintonia, tanto na forma como as comunicam, como no seu conteúdo. Não é positivo quando o pai diz uma coisa que a mãe não concorda, que esta aja de forma contrária, em particular na ausência deste, ou vice-versa. Ou seja, os pais devem ensinar pelo exemplo e devem, também eles, cumprir os limites estabelecidos.

Se pretende que o seu filho não seja agressivo, então não o ignore. Ele precisa da sua atenção e do seu carinho e isso passa por:

  • não o humilhe; repreender é diferente de humilhar. As crianças ficam mais recetivas e entendem mais facilmente se explicar o que esteve certo e errado;
  • não grite, fale com calma; eles aprendem pelo exemplo e se os pais gritam porque não poderão eles gritar?

Por ultimo, as chamadas de atenção e os castigos são importantes quando eles agem de forma incorreta, mas as atitudes positivas devem ser as mais valorizadas, para que eles percebam que ação gera reação e que os seus comportamentos têm consequências, mais ou menos boas.

 

 

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