“Se usada com bom senso a tecnologia pode ser uma ótima ferramenta… A negociação, mais do que a exigência unilateral, deve existir. O uso de tecnologias na cama é um enorme problema (presente na casa de muitas das crianças que acompanho). Pelo impacto negativo que tem no sono da criança/adolescente. “

Comecemos por refletir sobre quando deve a tecnologia ser apresentada aos mais pequenos e sob que forma…

Crianças pequenas, particularmente nos primeiros dois / três anos de vida, necessitam da exploração do mundo com as suas mãos. Necessitam da interacção social com cuidadores da sua confiança para o seu desenvolvimento cognitivo, motor, social e emocional. O seu cérebro é ainda muito imaturo, com competências limitadas quanto ao pensamento simbólico e à capacidade de concentração. Sendo os aparelhos digitais um fraco veículo de aprendizagens, quando comparados com as interacções com outros significativos. Nesse sentido, a exposição em idades precoces a aparelhos tecnológicos não acrescenta qualquer valor.

O contacto com os aparelhos tecnológicos deve depois ir sendo guiado, com bom senso, pelos pais e cuidadores. Evitando recorrer às tecnologias como amas tecnológicas, para manter as crianças quietas.

A melhor forma de pais e educadores conhecerem, controlarem e perceberem a adequação dos conteúdos é sentarem-se junto do filho e acompanharem o visionamento do vídeo, programa ou jogo, de modo a inclusivamente poderem dar resposta a questões que possam surgir. No caso da televisão pode ser útil limitar o acesso da criança apenas a canais cujo conteúdo seja conhecido e, à partida, ajustado ao nível de desenvolvimento da criança. No caso de sites a estratégia pode ser semelhante. Os videojogos, em princípio, serão mais fáceis de controlar dado que ou são os pais a comprar. Caso sejam oferecidos, antes de luz verde para serem usados, os pais poderão fazer uma pesquisa sobre os mesmos.

É possível que a criança não fique obcecada com a tecnologia?

Se uma criança for, desde pequena, educada no sentido diversificar os seus interesses e os seus passatempos e se a televisão e videojogos não tiverem sido usados como “amas tecnológicas” não é expectável que haja, à partida, um uso abusivo da televisão/computador/outras tecnologias. Também é importante o adulto recordar-se que é um modelo. Pelo que o uso que ele faz das tecnologias servirá de modelo à criança/adolescente. De que serve pedir que largue o telemóvel ou desligue a televisão se os pais estão “constantemente” dependentes dos mesmos?

Tecnologia no quarto? Talvez seja melhor não…

Mas tudo depende do uso que lhe é dado. Se uma televisão ou consola funcionar como uma ama tecnológica, para entreter a criança, para não incomodar os pais enquanto os pais fazem qualquer outra coisa, isso é errado. Se a criança na ausência da consola ou da TV não sabe como se entreter e fica com alterações bruscas e intensas de humor é porque algo de errado aconteceu no decorrer no processo de “apresentação” das tecnologias às crianças.

O uso ou presença de tecnologias no momento de fazer TPC é um grande problema.  

Dificultando a capacidade de concentração e diminuindo a motivação e eficácia do estudo.

O uso de tecnologias na cama é um enorme problema (presente na casa de muitas das crianças que acompanho). Pelo impacto negativo que tem no sono da criança/adolescente. Atrasa o momento de ir dormir e a luz, especialmente a radiação azul emitida pelos ecrãs, diminui a produção de melatonina, a hormona que induz o sono, controlando o ciclo sono-vígilia, dificultando o adormecer. Adicionalmente, o sono pode ser interrompido por alarmes de mensagens, por exemplo. Ora uma criança que não dorme o número de horas adequado à sua idade, ou que não descansa de forma conveniente, é uma criança com maior dificuldade em regular o seu comportamento e as suas emoções. Com maior dificuldade em concentrar-se e, consequentemente, poderá começar a manifestar dificuldades de aprendizagem.

Mas é possível haver negociações?

Se usada com bom senso a tecnologia pode ser uma ótima ferramenta. Contudo, dado que as crianças têm maior dificuldade em gerir o seu tempo e em regular os seus comportamentos é mesmo fundamental que o adulto ajude a gerir o uso das tecnologias de forma consciente e ajustada às necessidades e idade da criança. A negociação, mais do que a exigência unilateral, deve existir. A criança acaba por se sentir envolvida e mais responsável no uso das tecnologias. Havendo flexibilidade no momento de definir regras razoáveis do uso das tecnologias evita-se cair em “o fruto proibido é o mais apetecido”.

O excesso de horas de ligação à tecnologia interfere significativamente na vida dos mais novos…

Saliento três pontos:

1 – o uso abusivo, pode conduzir ao isolamento social e ao sedentarismo, com impacto na saúde física e emocional;

2 –  o uso em momentos desajustados. Como durante períodos de estudo ou na cama antes de se ir dormir, conduz a dificuldades como as anteriormente descritas;

3 – a exposição a conteúdos desadequados para o nível de desenvolvimento. Não conseguindo a criança elaborar/compreender os mesmos, pode gerar confusões, dúvidas e receios.

Com limites razoáveis e alguma flexibilidade a relação das crianças e jovens com a tecnologia não tem de ser difícil.

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Super-pais e super-filhos?

Atualmente, muitos pais, parecem viver pressionados para ser super-pais e ter super-filhos. As agendas de adultos e das crianças são exigentes, demasiado preenchidas. Os dias correm a velocidades estonteantes. A pressão para se ser o melhor e alcançar o máximo parecem toldar muitos pais, levando-os frequentemente a entrar em espirais de desgaste emocional e exaustão, afastando-os do foco – os laços emocionais. Parece que o modo piloto-automático se apodera das famílias, fazendo-as vaguear pelos dias, desligadas da realidade.

Reconhecer a exaustão e desgaste emocional na parentalidade

A parentalidade, independentemente da idade das crianças, exige atenção todos os dias, todas as horas… Os fatores de stress na vida de um ser humano são múltiplos e todos eles podem contribuir para aumentar a vulnerabilidade para o desgaste emocional, que somando às variáveis filhos, carreira e família alargada podem aumentar a vulnerabilidade e o efeito cumulativo do stress. A parentalidade em si exige muita calma, consciência e paciência. Mas há períodos, nos ciclos da família, que são mais exigentes. O início da infância, em que a criança apresenta níveis de dependência grandes, e a adolescência, com todas as suas idiossincrasias, são duas fases que exigem bastante dos pais. Acrescem como fatores de risco pais de crianças com necessidades educativas especiais, pais que percecionam não ter apoio, pais com doenças físicas e/ou mentais, entre outros….

Os sinais de exaustão e desgaste emocional decorrentes da parentalidade podem ser diversos, e em muito semelhantes ao burnout profissional: alterações no sono e no apetite, alterações de humor frequentes, irritabilidade fácil (por exemplo perante pedidos banais da criança), distanciamento emocional da criança, frustração constante no papel de pai/mãe, dificuldade na gestão das emoções, menor produtividade, maior cansaço físico e emocional… Vale a pena parar um minuto. Fechar os olhos. Respirar fundo. Olhar para dentro. Estes sinais andam a pairar?

Vamos manter o Burnout Parental longe?

Procure…

  • Promover o tempo de qualidade em família, longe de tecnologias e de tarefas domésticas ou pendentes de trabalho. Foco na qualidade do tempo passado em família, mais do que na “quantidade” de tempo.
  • Cuidar das necessidades individuais. Privilegiar o auto-cuidado, ou seja, cada pai/mãe deverá encontrar uma janela temporal na sua semana para uma pausa, para realizar uma atividade que lhe dê prazer, sem que a culpa seja companhia. Uma corrida, uma aula de pilates, umas páginas de um livro na esplanada, uma massagem… Encontrar espaço na agenda para que o pai/mãe cuide de si próprio e encontre formas de gerir o stress.
  • Recorrer quando necessário a uma rede de suporte, como família alargada ou amigos. Esta rede de suporte pode ser um apoio para a janela temporal do auto-cuidado ou mesmo no sentido de partilha de dúvidas, emoções e pensamentos associados à parentalidade.
  • Evitar comparações com outros pais. Cada criança é uma criança única e especial e cada família é única nas suas dinâmicas e características. Aquilo que funciona numas famílias, pode não funcionar noutras.

Cuide de si. Cuide da sua família. Encontre momentos para abrandar…

O título é provocatório! À partida todos os pais pensarão nos filhos. No entanto, em casos de separação e divórcio, nem sempre há a capacidade de “separar águas” (temas do casal e temas da parentalidade) acabando as crianças por cair numa rede densa de emoções complexas, sentindo-se desprotegidos e no meio de um campo de batalha, provocado por aqueles em quem mais confia para cuidarem dele – os seus pais.

Mas, felizmente, nem todas as situações são assim! Recebo no consultório, com alguma frequência, pais que me procuram no sentido de encontrarem orientações que os ajudem a gerir uma fase de separação, tendo como principal foco o bem-estar global dos filhos. Diria que (o simples facto de) procurarem ajuda para minimizar impactos nas crianças é, por si só, um sinal muito positivo. Um sinal de afeto e respeito pelas crianças. Isto é ainda mais válido, enquanto potencial fator de proteção, quando recebo em consulta, pai e mãe – pais que compreendem que embora deixe de existir a “figura” casal, continuará a existir, para sempre, a “figura” pais.

As questões são múltiplas: umas mais gerais e outras mais específicas àquelas famílias. E, precisamente porque cada caso é um caso, cada dinâmica tem as suas especificidades, cada família tem as suas histórias e estão em fases diferentes do seu ciclo familiar e cada elemento da família tem as suas idiossincrasias, não existem verdades únicas e absolutas. Ainda assim, há um conjunto de cuidados e de práticas que vale a pena considerar, quando se quer gerir um processo de separação, não fazendo com que as crianças se sintam inseguras, desprotegidas ou desrespeitadas.

O melhor preditor de “sucesso” num processo desta natureza, envolto sempre num turbilhão de emoções, e com vista à proteção das crianças e à promoção do seu desenvolvimento de forma harmoniosa, é precisamente a capacidade dos adultos gerirem o processo com bom senso e a capacidade de compreenderem que, embora se dissolva uma relação de casal é perentório que não se dissolva a relação de pais. Essa sintonia e capacidade de agir em prol dos filhos é determinante para o bem-estar das crianças.

Partilho algumas das muitas questões que os pais colocam em consulta e algumas orientações gerais associadas às mesmas.

No momento de lhes explicarmos o que vai acontecer que cuidados devemos ter?

Alguns cuidados a ter no momento de partilhar com os filhos as mudanças que se avizinham:

– Não associar a notícia a uma data ou época especial, como uma data de aniversário ou o Natal, por exemplo;

– Não tornar o momento de dar a notícia numa reunião familiar demasiado formal, “séria”;

– Assegurar à criança que independentemente do que se está a passar na relação dos pais enquanto casal, estes continuarão a amá-la incondicionalmente e a funcionar como uma equipa em tudo o que respeita aos filhos – os pais deixam de ser namorados, mas continuam a ser amigos e nunca deixarão de ser pais dos seus filhos e de cuidar deles;

– Usar uma linguagem simples, adequada ao nível de desenvolvimento da criança, não dando detalhes desnecessários;

– Explicar o que vai ser diferente (exemplo: duas casas) e o que se manterá (exemplo: mesmo amor dos pais, mesma escola, mesmos amigos);

– Dar espaço e tempo, mas sem pressionar, para que a criança possa fazer questões;

– As crianças sintonizam emocionalmente com os adultos. Se os adultos se mostrarem calmos, seguros, confiantes, no momento de darem a notícia aos filhos, as crianças irão reagir com maior tranquilidade.

As crianças devem participar nas mudanças?

Uma separação conduz a uma nova versão de vida familiar, diferente daquela que a criança conhecia até então. A criança poderá participar nalgumas fases da mudança mas tal depende de vários fatores, como as características da família, a idade da criança, se a criança passará a viver também, nalgum período da semana, na casa do outro pai… Pode inclusivamente, se a criança já possuir alguma maturidade, perguntar-se se ela quer participar, de algum modo, na mudança. Por exemplo, em situações em que se prevê uma regulação das responsabilidades parentais igualmente repartida, em que a criança passará a ter dois quartos, em duas casas, é bastante benéfico que ela possa participar na mudança (escolhendo alguns brinquedos ou objetos que transitam de uma casa para a outra, ajudando o pai/a mãe na decoração de alguns elementos da nova casa…)

Como devemos fazer naqueles momentos em que estávamos os dois presentes e passará a estar só um de nós presente?

Acima de tudo descomplicando e validando aquilo que a criança possa estar a sentir. É normal que sintas a falta da mãe na hora de * Queres ligar-lhe para lhe dar um beijinho? Se o adulto agir com naturalidade e confiança nas novas rotinas, a criança também se sentirá segura e conseguirá adaptar-se à nova realidade com maior tranquilidade.

Que perguntas posso esperar que ele nos faça? Quando surgem essas perguntas?

As perguntas que as crianças fazem são muito variadas, dependendo da idade e das características de personalidade da própria criança. O momento em que elas surgem pode também variar: há crianças que formulam imensas questões quando os pais partilham o que se está a passar e o que irá acontecer, há crianças que vão fazendo perguntas espaçadas no tempo, há crianças que só quando “instaladas” nas novas dinâmicas se sentem seguras para expor as suas dúvidas…

Em crianças mais pequenas tendem a surgir questões muito pragmáticas: Onde vou morar? Onde vão estar os meus brinquedos? Quem me vai buscar à escola? Em crianças mais crescidas podem surgir outro tipo de dúvidas: A culpa foi minha? Tenho de mudar de escola? Tenho de escolher com quem vou morar? Eu não quero que tenhas uma namorada. Não quero outra mãe. Vão deixar de gostar de mim? Nunca mais vou ver o pai/mãe?

Também neste caso, não existe uma forma única ajustada para se dar resposta às perguntas das crianças, mas existem alguns cuidados a considerar, aliados a muito bom senso:

– mostrar disponibilidade e dar espaço para que a criança possa expressar aquilo que pensa e sente, e para colocar as questões que quiser;

– não pressionar a criança a fazer perguntas ou comentários;

– dar respostas honestas, verdadeiras, numa linguagem simples e que seja ajustada ao nível de desenvolvimento da criança;

– garantir sempre respostas que ajudem a diminuir possíveis níveis de ansiedade.

Devemos estar à espera de algum tipo de mudanças de comportamento nesta fase?

Ajustamento das crianças a uma separação/divórcio está em larga medida relacionado com a forma como os adultos gerem o tema. Ainda assim, mesmo quando a gestão é feita de forma estruturante, é natural que, numa fase transitória, possa surgir a tristeza, a zanga, a ansiedade, a irritabilidade… Podem surgir também alterações de comportamento, como mudanças nos padrões de sono (como maior dificuldade em adormecer, pesadelos), alteração no controlo dos esfíncteres (como voltar a fazer xixi na cama), alterações de apetite. Todas estas mudanças, desde que não se prolonguem no tempo, podem ser encaradas como naturais num processo de divórcio, mesmo quando este decorre de forma tranquila.

Quando é que é necessário procurar ajuda?

Numa fase de tomada de decisão, e quando existem crianças, pode fazer sentido agendar uma consulta de aconselhamento parental, no sentido dos pais da criança tomarem maior consciência da melhor forma de abordar o tema junto dos filhos, considerando a sua fase de desenvolvimento e características pessoais e de tomarem conhecimento das reações que podem ocorrer, normativas e não normativas, e como lidar com elas, por forma a garantir o bem-estar físico e emocional das crianças.

Posteriormente, caso as reações que podem ser expectáveis se prolonguem no tempo, ou caso os pais não estejam a ser capazes de lidar com elas de forma eficaz e estruturante para a criança, é aconselhável procurar ajuda especializada, junto de um Psicólogo infanto-juvenil.

 

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imagem@psyciencia

Tolerância: De pequenino é que se torce o pepino

É meu e não te empresto. Não quero dar um beijinho à avó. O teu casaco é horrível. Ele cheira mal. Já não sou teu amigo.

As crianças pequenas não costumam ser os melhores modelos de tolerância. Apesar disso, elas estão ansiosas por aprender boas maneiras. Por esse motivo, não adie interminavelmente o momento de introduzir no vocabulário e no comportamento do seu filho a noção de tolerância. Esqueça o “ele é tão pequeno, não vai entender”. Lembre-se que a criança aprende e apreende observando e experimentando… Por isso, nunca é cedo para começar! O seu filho é como uma pequena esponja, nomeadamente de valores. E os valores ensinam-se melhor, através da observação de modelos. E onde e quando? Nas rotinas do dia a dia, nos acontecimentos quotidianos, nas experiências vividas pelos vários elementos da família. Virtualmente, “tudo” é uma oportunidade de aprendizagem, mesmo no que aos valores diz respeito.

Demonstre tolerância. Respeite a criança na mesma medida que exige respeito dela. Escute, olhe o seu filho nos olhos, baixando-se “à sua altura” e demonstre interesse genuíno por aquilo que ele tem para lhe contar. Em relação a outros adultos, e principalmente quando o seu filho é um observador da situação, antes de criticar, mostre-se interessado por compreender o ponto de vista dos outros e realce a possibilidade de diferentes opiniões poderem ser igualmente válidas.

Ensine boas maneiras. A tolerância pode ser demonstrada através das boas maneiras. Quando a criança começa a comunicar verbalmente ela estará pronta para aprender a dizer contextualmente “por favor” e “obrigado”. Mais uma vez, mostrar boas maneiras funciona melhor do que dar uma palestra sobre o tema ao seu filho. Use “por favor”, “obrigado” e “desculpe” regularmente, tanto no contacto com o seu filho, como nas interacções com outras pessoas. A criança compreenderá que estas expressões fazem parte da comunicação habitual, no seio da família, assim como noutros contextos, passando a usá-las com naturalidade, sem ser necessário recorrer ao “faltou a palavra mágica”.

Evite reacções exageradas. Em resposta um comportamento pouco tolerante do seu filho, olhe-o nos olhos e diga de forma calma, mas firme, como é reprovável aquilo que disse ou fez e, em seguida, sugira-lhe uma alternativa mais ajustada e que expresse tolerância.

Seja tolerante!

As crianças pequenas têm dificuldade em partilhar. Dificuldade em partilhar o seu espaço, os seus cuidadores, os seus brinquedos. Aprender a partilhar é um processo. Algo que se vai construindo ao longo do desenvolvimento, a par e passo, com o desenvolvimento de competências cognitivas, emocionais e sociais. As crianças, por se encontrarem num processo de descoberta e de diferenciação entre o “eu” e os “outros” ou o “eu” e o “mundo”, tendem a comportar-se de modo mais egocêntrico, ao olhar dos adultos. Ora, sendo esta dificuldade algo normativo em termos de desenvolvimento, em idades precoces, percebê-lo e aceitá-lo é um primeiro passo, para que pais e cuidadores possam incentivar a partilha e a tolerância de acordo com os ritmos de desenvolvimento da criança.

Explique à criança que o desacordo é algo esperado nas relações humanas e que quando alguém tem uma visão diferente da nossa, tal não é sinónimo de desrespeito. A tolerância emerge precisamente da diferença.

A tolerância “torce-se” de pequenino… Observando modelos de tolerância. Percebendo que quando se é tolerante, se é valorizado, admirado e respeitado.

Vem aí um irmão… E eu vou gostar

A chegada de um irmão pode constituir um momento desafiante na vida de uma criança pequena. Enquanto filha única, beneficiava da total atenção dos pais e, eventualmente, de outros membros da família, como avós e tios. De repente, a criança sente que o tempo e o espaço, que eram só seus, são “invadidos por um estranho”. Por norma, e mesmo quando a criança se adapta de forma resiliente, a verdade é que o tempo e os espaço que eram dela, o deixaram de ser. E qualquer transformação ou mudança, mesmo que muito desejada, acarreta alguns níveis de stress.

Se a chegada do novo membro da família não for preparada, podem surgir algumas reacções negativas, que embora compreensíveis serão fonte de angústia para si e para o seu filho – a criança poderá tornar-se mais irritável, agressiva e regredir nalguns comportamentos, por exemplo, voltar a chuchar no dedo, falar à bebé ou pedir para dormir no seu quarto… Mas atenção, que se estas alterações ocorrerem de forma transitória, limitada no tempo, podem ser consideradas como normativas, enquadradas no processo de ajustamento à nova realidade.

A família, nos seus complexos laços afectivos, é um sistema em evolução. A chegada de um irmão é, portanto, um momento importante que merece ser preparado com tempo e dedicação, de modo a que alguns dos seus laços não se transformem em nós.

Converse com o seu filho sobre a chegada do novo membro à família. Se o seu filho perceber que vai nascer um bebé e que os seus pais nada lhe estão a dizer sobre esse assunto, ele irá sentir-se traído, pouco importante na vida dos pais, confuso. Ajude o seu filho a fazer parte do processo. Explique-lhe o que se vai passar, oiça e valide as suas dúvidas, responda às suas questões. As questões poderão ser as mais diversas, umas mais simples de dar resposta do que outras. Dê sempre informação verdadeira, numa linguagem simples e adequada à idade da criança.

Permitir que o seu filho participe na preparação do nascimento do irmão, ajudará a que se sinta valorizado. Importa, contudo, lembrar que colocar a tónica na importância do irmão mais velho, não deverá exigir à criança que seja mais madura, que cresça de repente ou que tenha responsabilidades pouco ajustadas à sua idade. A participação do irmão mais velho continua a ser importante após o nascimento. Pode, por exemplo, incentivar a sua ajuda nos cuidados ao bebé, em tarefas simples como ajudar a escolher a roupa que o bebé vai vestir ou a preparar alguns objectos necessários ao banho.

Embora a família se possa sentir “absorvida” pela chegada do novo membro, é de extrema importância continuar a reservar tempo de exclusividade para o filho mais velho, em que dominarão os seus assuntos, os seus interesses, as suas aventuras!

Vem aí um irmão… E eu vou gostar.

imagem@jennmoakphotography

Pois é… Parece que foi ontem que o deixei na sua sala, no primeiro dia de aulas, no 1º ano. Com uma enorme mochila de sonhos e curiosidade às costas. Cheio de vontade de brincar e, também, de aprender. E hoje já está a terminar o 9º ano. E traz da escola uma mochila cheia de perguntas e inseguranças. «O que vou escolher, mãe?» «Para que curso vou, pai?»

Tanta coisa a ter em conta, parece que nada pode falhar. Estes jovens sentem-se tantas vezes angustiados, agarrados a uma escolha que parece vir a determinar a sua vida. Mas não! Felizmente, as escolhas de áreas de estudo, não são deterministas. E são isso mesmo. Áreas de estudo. Ninguém escolhe uma profissão aos 14 anos! E é esta parte que, por vezes, pais, professores e alunos parecem esquecer. Por isso, nada há de errado quando um adolescente a terminar o 9º ano diz “Sei lá o que quero ser quando for “grande”!”

É certo que há uma escolha quem tem de ser feita. E há algumas reflexões que merecem ser feitas. Mas é uma escolha quanto a uma área de estudo e não quanto a um curso superior ou uma profissão.

Quais são as minhas características pessoais? Quais são os meus gostos, os meus interesses? A que é que dou valor? O que é importante para mim? Quais têm sido as minhas disciplinas preferidas? E quais é que são um “castigo” para mim?

Para que é que eu tenho mais jeito? Tenho tido melhores notas a que disciplinas? Sei que tenho mais capacidade e facilidade para quê?

E que oportunidades tenho? Que cursos e formações existem? Para que escolas posso ir?

É um exercício exigente, que implica introspecção, reflexão, ponderação… É um exercício de auto-descoberta interessante. Mas, quando se sugere uma reorganização, reconfiguração ou reconstrução… Quando fica subentendida a necessidade de “metapensar”, sobre o pensado e conversado… Iniciam-se as resistências, as questões de quem está inseguro e precisa de uma mão para avançar. Quando se apela à autonomia, à imaginação, à criatividade, à auto-gestão… Impera o receio na cara destes jovens. Receio esse, tantas vezes, espelhado também na cara dos seus pais…

Porquê?

Primeiro porque o cérebro dos adolescentes está em desenvolvimento; e desenvolvimento emocional não anda de mão dada, ao mesmo ritmo, que desenvolvimento cognitivo.

Mas os adolescentes avançam com mais umas pistas…

Porque desde pequeninos sempre tivemos alguém que fizesse por nós.

Porque desde pequeninos sempre tomámos tudo por certo.

Porque desde pequeninos nos disseram “cuidado, vais cair” em vez de “coragem, tu és capaz.”

Porque desde pequeninos deixámos que pensassem por nós.

E com a sensação de se aproximar uma primeira grande decisão, decisão em relação à qual percebemos que temos de ser mais crescidos, surge um nervoso miudinho.

Se tal constituir um apoio, num mar de dúvidas, um Psicólogo poderá contribuir num processo de Orientação Vocacional.

Coragem! Com ponderação e sem medos, tomarão decisões conscientes, das quais se orgulharão.

imagem@publico

“Para compreender o coração e a mente de uma pessoa, não olhes ao que ela já alcançou mas sim àquilo a que aspira.” Kahlil Gibran

Sim, as crianças que conheço não têm tempo para sonhar! Faz-lhes falta tempo para “não darem pelo tempo passar”. Falta-lhes tempo para percorrerem os castelos da sua imaginação.

Quer seja pelos seus pesados horários escolares, com pouco tempo de actividade nos recreios, quer seja pelos horários de trabalho dos pais, com avós que (ainda) trabalham, as crianças acabam por ficar muitas horas em contexto escolar. E na escola, os currículos para cumprir, e as metas para atingir, parecem fazer com que se esqueça a importância das horas do recreio. É nos recreios que as crianças mais sonham! E mais crescem. Em tamanho, físico mas também emocional e social, e em sonhos! Sem dúvida, num recreio a criança cresce de forma completa e plena, nas suas dimensões cognitiva, emocional, social e física.

As agendas das crianças, entre escola e actividades estruturadas, é tão ou mais preenchidas que a dos seus pais. E onde fica a mais importante – o brincar? Onde fica a possibilidade da criança se deitar no chão do seu quarto a rebolar ao sabor da imaginação? Onde fica o tempo para acriança se deitar na relva do jardim e olhar para o céu a sonhar? Onde fica o tempo para as cócegas, as lutas de almofadas e os colos e festinhas na cabeça?

Aprende-se a fazer escolhas. Leio um livro ou faço um desenho? Brinco sózinho ou procuro companhia?

Usa-se a criatividade. Como me vou entreter? Vou transformar esta caixa em quê? Como finjo ser um urso? E onde arranjo um chapéu de bombeiro?

Desenvolve-se a capacidade de raciocínio. Explora-se o mundo e o espaço. Observa-se o eu e a sua relação com os outros.

O tempo de sonhar é o tempo que gera os porquês. É o tempo das perguntas e das respostas.

O tempo de sonhar é o tempo dos sorrisos. O tempo de sonhar é o tempo da brincadeira.

Que nunca lhes falte tempo para sonhar!

Perde tudo… Não ouve o que lhe digo… Não pára quieto… Tem pilhas que não acabam… Está sempre a mudar de brincadeira… É desorganizado… É muito desatento aos detalhes… Não fica sentado… Parece que não está cá… Está sempre a mexer em qualquer coisa… Só podem ser “bichinhos carpinteiros”!

Reconhece estas características nalgum dos seus pequenotes?

Há quem lhe chame um nome mais pomposo. Eu gosto de lhe chamar “bichinhos carpinteiros”. Quando estes bichinhos “atacam,” as crianças têm dificuldade em focar e manter a atenção, distraíndo-se com muita facilidade. Isto torna difícil dizer que a criança está envolvida na tarefa, seja ela ouvir o professor ou terminar um recado.

Os bichinhos carpinteiros podem deixar as crianças distraídas.

Os bichinhos carpinteiros dificultam tantas vezes a capacidade da criança prestar atenção. E por isso parecem ter dificuldade em seguir direcções, terminar tarefas ou controlar os seus pertences. Parecem “sonhar acordadas” e frequentemente cometem erros por descuido. Muitas vezes, na sequência destas dificuldades, a criança tende a evitar actividades que requerem longos períodos de concentração ou que considere aborrecidas.

Os bichinhos carpinteiros não deixam as crianças ficarem sossegadas.

A criança poderá passar muito tempo a correr e a trepar, mesmo dentro de casa. Quando sentada tende a contorcer-se e a saltitar. Algumas crianças falam muito e rapidamente e consideram difícil brincar em silêncio.

Os bichinhos carpinteiros deixam as crianças sempre com muita pressa, sem conseguirem esperar.

A criança interrompe os outros, fala atabalhoadamente e responde abruptamente antes de ouvir as questões até ao fim. Esta impulsividade interfere negativamente na capacidade da criança esperar a sua vez e de pensar antes de agir.

Mas os bichinhos carpinteiros afectam o desenvolvimento socio-emocional e o desempenho social e académico da criança? Depende da criança, depende da Família, depende da Escola. E, por isso mesmo, chame por socorro apenas se a dose de bichinhos carpinteiros for demasiada, ao ponto de interferir e prejudicar o dia a dia da criança nos seus diferentes contextos.

Por tudo isto, e antes de ser necessário gritar por socorro, há algumas estratégias que ajudam a crianças e a família a não deixar os bichinhos carpinteiros crescerem em demasia. Tanto em casa como na escola, o desenvolvimento de actividades lúdicas que promovam o auto-controlo, estratégias para lidar com a frustração, o desenvolvimento de uma auto-imagem positiva e a capacidade de planeamento podem revestir-se de grande utilidade. E o melhor de tudo: são actividades divertidas e em família!

Do 5 para o 0. Para controlar a impulsividade, poderá ser proposto à criança um jogo em que antes de falar, responder ou agir deverá contar de 5 para 0 e só depois responder ou agir. Poderá usar-se a dinâmica do jogo “O rei manda”, em que a criança só poderá executar a ordem depois de contar de 5 para 0. Caso contar em sentido inverso se revele demasiado exigente para o nível de desenvolvimento da criança, nas crianças mais novas, a contagem poderá ser feita do 0 para 5, de forma pausada.

Jogo do SIM, NÃO, JÁ. De modo a treinar o auto-controlo, o adulto faz perguntas à criança e esta deverá responder sem usar as palavras Sim, Não e Já. Depois, poderá ser a criança a fazer perguntas ao adulto, treinando a atenção na busca das “falhas” do adulto.

Jogo das Estátuas
O adulto põe uma música animada. Enquanto a música dá, a criança pode dançar, saltar, mexer-se como quiser. Assim que a música pára (sempre que o adulto pretender, em intervalos de tempo irregulares e sem aviso prévio), a criança deve parar exactamente onde está, mantendo essa posição enquanto durar o silêncio. Este jogo treina a atenção e o auto-controlo.

Para crianças mais crescidas, pode propor-se um treino de respiração Mindfulness. Pode sugerir-lhe para ambos fecharem os olhos e respirarem fundo, lentamente, como se quisessem encher um balão que têm na barriga, muito devagarinho para ele não rebentar. Através desta imagem, está a ajudar a criança a conseguir concentrar-se e a mobilizar toda a atenção para a sensação da barriga. Ao longo das respirações pode introduzir o suster a respiração para o balão ficar cheio durante um bocadinho, o que vai aumentar a atenção para a sensação. É natural que a criança se distraia com os barulhos do exterior ou qualquer outra situação ou pensamento. Se isto acontecer, peça-lhe que repare melhor no que o distraiu e depois tente novamente concentrar-se em encher e esvaziar o seu balão, que está na barriga, como se isso fosse agora a única missão que tem. Faça-o de forma tranquila, sem pressas ou sem o acusar de não conseguir. Estas tentativas de mudanças dos focos de atenção permitem treinar a atenção e lidar com os diferentes tipos de acontecimentos que nos rodeiam e pelos quais passamos (pensamentos que nos distraem, sentimentos, desconforto físico).

Perde tudo… Não ouve o que lhe digo… Não pára quieto… Tem pilhas que não acabam… Está sempre a mudar de brincadeira… É desorganizado… É muito desatento aos detalhes… Não fica sentado… Parece que não está cá… Está sempre a mexer em qualquer coisa… Só podem ser “bichinhos carpinteiros”!

Ainda bem que existem bichinhos carpinteiros ao longo do crescimento. Não é isso ser criança?

imagem@flickr

Todos os dias de manhã, acordo com dores de barriga e vómitos e o médico disse que não tenho nenhuma doença. Nas férias fico bem.

Estou sempre a pensar que a minha mãe não me vai buscar à escola porque pode ter um acidente de carro. Parece que estou sempre preocupada.

Sempre que tenho que ler em voz alta na turma, fico a tremer, com a cara vermelha e o coração a bater depressa. Não sei o que se passa.

À noite, dou voltas e mais voltas na cama, sem conseguir parar de pensar no que se vai passar nos próximos dias. Não consigo dormir. Fico com a sensação que tudo pode correr mal.

Estas são algumas partilhas de crianças e jovens que acompanho nas minhas consultas. Os pedidos de ajuda são variados e surgem por diferentes motivos mas, frequentemente, têm algo em comum: a “D. Ansiedade” a tentar fazer estragos.

Pois é, ansiedade e crianças são duas palavras que parecem não encaixar. A verdade, contudo, é que a ansiedade existe em todos os seres humanos, podendo manifestar-se desde tenra idade.

Vamos lá, então, conhecer a D. Ansiedade!

A ansiedade é frequente.  Existem alturas em que todos nós nos sentimos preocupados, ansiosos, chateados ou stressados.

A ansiedade é uma emoção como qualquer outra. Tem uma função. Ajuda-nos a lidar com a dificuldade, bem como com situações desafiantes ou perigosas.

Mas, a ansiedade às vezes pode transformar-se num problema, sendo muito chata para as crianças. Quando interfere no quotidiano, não permitindo que a criança experiencie a sua vida como habitual, por afectar as suas relações na escola e na família, as suas amizades e a sua vida social.

E quando a D. Ansiedade decide começar a fazer estragos, fazendo com que a criança se sinta contantemente insegura, sem saber o que fazer, é fundamental intervir e ajudar a criança a ultrapassar as suas dificuldades.

O que nos faz sentir, no corpo, a D. Ansiedade?

Quando nos sentimos ansiosos, o nosso corpo prepara-se para reagir. Ele tem de tomar uma decisão para depois se poder sentir melhor. Enquanto o corpo se prepara podemos reparar em diferentes mudanças físicas, tais como:

  • dificuldade em respirar,
  • aperto na barriga,
  • tonturas,
  • coração a bater depressa,
  • dores musculares, principalmente na cabeça e pescoço,
  • tremores,
  • suores,
  • boca seca,
  • enjoos…

Lembraste de mais algum?

Nas crianças, a D. Ansiedade resolve aparecer em situações como:

  • um teste de avaliação,
  • falar com alguém de quem não se gosta muito,
  • ter de ir a um local novo,
  • falar para uma plateia,
  • ter de fazer algo que parece assustador…

Certamente recordarás mais situações. Verdade?

Quando o acontecimento desagradável termina, ou quando percebemos que foi um “falso alarme” e nada havia a temer, o nosso corpo acalma, voltando ao seu estado habitual, o que nos faz sentir gradualmente melhor.

Então e a D. Ansiedade fala?

Sim. Fazendo-nos pensar certas coisas. Por vezes, pode não existir uma razão óbvia para nos sentirmos ansiosos. Noutros momentos, a causa da ansiedade associa-se ao modo como pensamos sobre as coisas.

Podemos pensar que…

  • algo vai correr mal,
  • vamos fracassar,
  • todas as pessoas estão a reparar em nós,
  • não conseguiremos lidar com determinada situação.

E a D. Ansiedade pode “obrigar-nos” a fazer coisas?

A ansiedade é desagradável e por esse motivo  procuramos encontrar formas para nos sentirmos melhor. Nesse sentido, podemos acabar por evitar as situações temidas. Podemos acabar por parar de fazer coisas que nos causam desconforto e preocupação. Quanto mais evitamos as situações temidas, menos fazemos e mais dificil se torna enfrentar os medos e ultrapassar as preocupações. Por esse motivo, ficares fechado numa carapaça como a tartaruga em nada te ajudará…

Um Psicólogo pode ajudar?

Aquilo que sentimos e aquilo que fazemos relaciona-se com o que pensamos.

Sabe-se que muitos problemas de ansiedade estão relacionados com a forma como pensamos. Como podemos alterar a forma de pensar, podemos aprender a lidar com a ansiedade.

  • Pensar mais positivamente pode ajudar a sentirmo-nos melhor.
  • Pensar mais negativamente pode-nos fazer sentir com medo, tristes, tensos, zangados ou desconfortáveis.

Compreender os nossos pensamentos é importante. Quando uma criança está ansiosa tende a:

  • pensar de forma negativa e crítica,
  • sobrestimar a probabilidade de ocorrência de acontecimentos negativos,
  • focar-se no que corre mal,
  • subestimar a sua capacidade para lidar com as situações,
  • esperar fracassar.

Em terapia, os psicólogos, ajudam as crianças a:

  • identificar formas negativas e inimigas de pensar,
  • descobrir a relação entre aquilo que pensam, como se sentem e aquilo que fazem,
  • procurar provas que sustentem, ou não, os seus pensamentos,
  • desenvolver novas competências para lidar com a ansiedade.

Como podem os adultos ajudar?

Bem, há algumas dicas…

  • Pede que modelem formas de tentar lidar com as situações ansiogénicas para tentares usar as mesmas estratégias.
  • Lembra-os que não estás a agir dessa forma por malandrice. Precisas de ajuda, porque te sentes assustado
  • Pede-lhes que sejam pacientes contigo e que te encorajem.
  • Pede-lhes que conversem contigo sobre as tuas preocupações porque isso te dá mais confiança e segurança.

Adeus D. Ansiedade…

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As crianças e os animais de estimação

 

Desde cedo, os animais povoam os dias das crianças, sendo uma porta de entrada para a descoberta do mundo e um estímulo à curiosidade. Numa visita ao quarto de uma criança pequena, ou à sala da sua creche ou jardim de infância, deparamo-nos com o tema dos animas nas mais variadas formas: os peluches em forma de animal, os livros sobre os animais da quinta, da selva, do mar, domésticos, os brinquedos de borracha para o banho… Também, desde cedo, o vocabulário associado ao mundo animal é introduzido – o “ão ão”, o “miau” ou o “piu piu”… 

Posso ter um golfinho?

Depois desta descoberta progressiva é natural que algumas crianças perguntem aos pais se poderão ter em sua casa um animal de estimação. Por vezes, e em idades precoces, podem surgir desejos mais difíceis de concretizar, como o golfinho. Ou a girafa. Ou o tubarão. Há desejos para todos os gostos! Mas, aos poucos, as crianças acabam por compreender que animais se incluem nesta categoria dos animais de estimação, afinando os seus desejos. 

Eles podem ajudar no crescer…

Podemos dizer que ter um animal de estimação pode assumir um impacto significativo no desenvolvimento global da criança – no seu desenvolvimento cognitivo, social, físico e emocional. Uma criança que tem um animal de estimação aprende a cuidar de outro ser, estimulando-se o respeito, o cuidado e a atenção às necessidades do outro. Geralmente, as crianças também vêem os seus animais de estimação como companheiros, amigos e confidentes, leais, que respeitam e não críticam. Também quando a criança assume algum tipo de responsabilidade no cuidado ao animal de estimação, seja o alimentar ou o passear, por exemplo, está a desenvolver a sua autonomia, a responsabilidade e a noção de auto-eficácia. Assim, do ponto de vista emocional e social, as vantagens podem ser variadas. Se falarmos de um animal como um cão, ou um gato, que gosta de brincadeiras “físicas”este favorecerá a motricidade grossa da criança. Entre correrias e pulos desenvolverá os seus grandes grupos musculares. Se falarmos de um animal mais pequeno, como um peixe ou uma tartaruga, a criança poderá desenvolver a sua motricidade fina, no momento em que alimenta o seu animal de estimação, tendo que segurar pequeninas quantidades de comida com os seus dedos.

Se não pode ser o golfinho, o que pode ser?

Importa perceber, antes de se adquirir um animal de estimação, se do ponto de vista de saúde da criança, por exemplo, ao nível de alergias, se este não poderá constituir um factor de risco. Simultaneamente, é importante a família, logo de início, perceber se existem condições de espaço, económicas e da própria rotina que assegurem a adequada assistência ao animal. Assim, é importante, ainda, reflectir em conjunto, logo de início, que cuidados têm de ser assegurados e quem ficará responsável pelas tarefas associadas ao animal – quem alimenta, quem leva ao veterinário, quem passeia, quem compra a comida, quem limpa o aquário, a casota, ou gaiola, etc… Se este cuidados não forem tidos de antemão, poderemos posteriormente assistir a situações de conflito entre a família.

E como se diz “adeus”?

Habitualmente, no momento em que uma família adquire um animal de estimação não diz à criança, no meio do entusiasmo ,“mas olha, um dia ele vai morrer…”. Um momento díficil de lidar será ter dizer à criança que o seu animal de estimação morreu. Será sempre diferente quando a morte é repentina/inesperada ou quando o animal já está “velhinho” ou doente. Na última situação, é possível preparar a criança para o que vai acontecer, explicando que o animal está velhinho ou doente, que os veterinários fizeram tudo o que podiam para ajudar o animal… No momento de partilhar a notícia, os pais devem escolher um momento em que não estejam outras pessoas perto, num local em que a criança se sinta segura e confiante. Avançando na notícia, é muito importante avaliar que quantidade de informação necessita a criança, tendo em consideração a sua idade, maturidade e experiência de vida. É verdadeiramente importante dizer a verdade e nunca optar por mentiras, aparentemente, menos dolorosas… Como que o seu animal fugiu e foi fazer uma viagem.

Mas, afinal, posso ou não ter um golfinho?

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