Regras segundo a vontade dos mais pequenos

Tendo em consideração a natureza, personalidade e comportamentos dos mais pequenos de hoje, é importante perceber que novas regras se impõem para os entender e acompanhar.

A cada geração os mais novos vão apresentando diferenças, sinal que a humanidade está em constante mutação e evolução. Assim, facilmente o que guiou a nossa educação já não serve totalmente a deles e a deles não servirá a geração seguinte.

Partindo deste pressuposto vamos falar sobre algumas regras que melhor preenchem as vontades dos mais pequenos e sabendo delas, os pais vão estar mais enquadrados e em paz.

Algumas características notórias na grande maioria dos casos das crianças de hoje são a autonomia, forte auto-estima, comunicação desenvolta, intuição, fácil socialização, padrões de exigência, rapidez de raciocínio, necessidade de experiências sensoriais e manuais, multi absorção, multi dimencionalidade, hábitos de alimentação diferentes, padrão afetivo e emotivo bem desenvolvido, entre outras.

Tendo em conta os pontos apresentados é necessário ter em consideração que as crianças necessitam de estar em bem estar. Se tal não acontecer tornam-se embirrentos e mal dispostos com facilidade, o que revela resistência a ambientes saturados, pessoas em desequilíbrio e momentos aborrecidos, e requerem um desenvolvimento multifacetado que contenha variadas opções, boas soluções e um nível emocional elevado.

Tudo o que cai fora deste cenário provoca problemas e as crianças refletem isso mesmo. Surge a necessidade de um modelo em expansão e enriquecimento constante. É importante ver a criança num prisma que a respeita integralmente. Um exemplo prático passa por entender as novas características, necessidades e talentos para melhor os apoiar. Entender que o coeficiente emocional e intelectual devem estar em equilíbrio e, para que isto seja real e possível, é necessário compreender bem a criança, os seus dons e capacidades e de que maneira podemos contribuir para seu desenvolvimento mantendo a integridade destas características.

Respeitar as regras dos mais pequenos não quer dizer que lhes damos o poder, quer dizer que os compreendemos com amor, atenção e tempo, respeitando a sua individuação e ensinando-os a utilizá-la.

A nova geração está ligada a uma nova consciência, pelo que parece natural que se entenda as novas crianças com outras capacidades cognitivas, emocionais, espirituais e psíquicas. O nível de empatia com o ambiente e todos que fazem parte do universo social é muito elevado, pelo que há necessidade de apoio mais alargado, disponível e multifacetado.

Com um perfil auto didata e autónomo estas crianças requerem adultos mais preparados, pelo que alguns pais terão que estudar para estar à altura e fazer um acompanhamento educacional, técnico e emocional adequado. Quem não o fizer corre risco de desgaste, birras, mau aproveitamento escolar, perdas de tempo sem necessidade e falta de comunicação eficaz e entendimento.

Há muita sensibilidade emocional, social, ética, comportamental e espiritual. O fato de o adulto não entender bem algumas destas matérias não quer dizer que a criança não as tenha e que não deseje apoio qualificado.

Surge a característica interna de utilização dos dois hemisférios cerebrais e isto, naturalmente, provoca toda a diferença pois a utilização do hemisfério direito, até ao momento menos desenvolvido ou evidenciado, remete para a sensibilidade, aprendizagem pelo meio visual, colorido, imaginativo, intuitivo e criativo.

Pouca percentagem destes pontos fazem parte do programa educativo ou de regras que apoiam o desenvolvimento infantil. Assim as novas regras para os mais pequenos são:

  • Auto estima para pequenos e grandes, conseguida através de momentos de auto-avaliação, frequência de pelo menos uma disciplina útil, escolhida pelo próprio onde possa desenvolver um dos seus potenciais inatos;
  • Educação emocional e positiva, o que pressupõe momentos curtos mas de qualidade quando a educação é ensinada;
  • Não haver castigos, gritos e chantagem emocional, mas sim conversas firmes sem autoridade ou domínio;
  • Dar e seguir o exemplo num ambiente de empatia e simpatia
  • Busca da verdade acima de todas as coisas, com respeito e diferenças
  • Contacto diário com a natureza numa tarefa de responsabilização pela limpeza da energia da casa e de cada Ser
  • Escolhas e respeito mútuo, porque a criança pode saber menos ou estar menos preparada não quer dizer que possamos ter domínio e superioridade sobre ela, pois isto assusta e inibe o bom desenvolvimento.

É importante que país e avós recebam esta informação e que os mais pequenos tenham acesso a aulas de interiorização,de respiração e relaxamento, criatividade e expressão.

Nestas atividades a criança aprende a organizar-se, a saber lidar com os seus picos de energia física e criativa, a comer saudável e equilibradamente, a utilizar a energia mental e física de maneira equilibrada e a seu favor, a combater a ausência de concentração e eficácia, principalmente em momentos de stress relacionados com as diversas épocas escolares e a interagir com a natureza e a música como elementos de estabilização e renovação.

Do Normal ao Patológico: como olhar para o comportamento do seu filho

O desenvolvimento infantil não é linear nem contínuo, apresenta movimentos regressivos, surtos evolutivos e pausas. Neste processo nem sempre os ritmos de desenvolvimento e o tipo de comportamento de cada criança é o esperado pelos seus pais, cuidadores e educadores.

A capacidade de uma criança dar uma resposta comportamental adequada é geralmente posta à prova na ausência da satisfação imediata dos seus desejos ou quando é necessária uma regulação emocional face a situações de frustração, cansaço, sono, fome ou mesmo de desafio, traduzidas muitas vezes em comportamentos desadequados e até descontrolados que testam a paciência, dedicação e cansaço de todos.

A adequação na resposta comportamental de cada criança vai depender do seu nível de maturidade emocional, traduzido muitas vezes na capacidade de comunicar as suas emoções através de palavras mais do que em gestos, da maturação do sistema nervoso manifesta na capacidade de responder adequadamente ao controlo dos impulsos e das características da sua personalidade.

No campo da Psicologia podemos olhar as questões comportamentais no campo da “normalidade” como:

– Normal enquanto saúde e não doença, considerando que o comportamento não compromete física e psicologicamente a saúde da criança (pôr-se em risco ou colocar outros em risco, consumo e dependência de substâncias, entre muitos outros). Neste campo incluímos ainda os sintomas psicossomáticos consequentes de uma regulação emocional desadequada que a criança faz das pressões, exigências, desafios e mudanças no seu dia-a-dia. Uma criança que internalize muita ansiedade poderá apresentar várias queixas como dores de barriga, cabeça ou mesmo dificuldades ao nível do sono. O “silêncio” dos órgãos é muitas vezes um bom preditor de “normalidade” nas crianças.

– Normal enquanto estatística, tendo em conta o que é comum acontecer em cada fase do desenvolvimento. Muitas questões comportamentais relatadas por pais estão intimamente interligadas com fases de transição como acontece na infância, pelos 2-3 anos ou na adolescência, períodos de teste das suas capacidades, regulação de emoções e frustrações, teste de limites e exercícios de independência e autonomia. Dentro deste espectro podemos incluir as famosas birras e comportamentos desafiadores e irreverentes ou mesmo sentimentos mais exagerados e pensamentos mais radicais.

– Normal enquanto funcional, mantendo um comportamento adequado ao funcionamento na sociedade em que se insere e no que é esperado de si de acordo com os parâmetros estabelecidos pela mesma: cumprir um currículo escolar e desempenhar funções específicas na sua comunidade, mantendo comportamentos adequados no relacionamento interpessoal e nas atividades sociais. Uma criança com perturbações específicas do desenvolvimento e/ou alguma deficiência (perturbação do espectro do autismo, síndrome de Down, dificuldades específicas de aprendizagem, deficiência física, auditiva, visual ou mesmo motora, entre muitas outras) poderá ver assim comprometida a sua aceitação ou integração pelo comportamento que apresenta. Por muito que a inclusão seja já uma recente realidade para alguns temos ainda um longo caminho a percorrer neste campo.

– Normal enquanto social, referindo-se aos comportamentos socialmente aceites e tolerados pelos outros. A norma social define e tolera alguns comportamentos consoante a sua frequência, nível e a idade em que a criança/jovem o pratica. Brincadeiras de lutas, destruição de materiais, roubar pequenos objetos ou alimentos, entre outros, são comuns quando se restringem a um período de desenvolvimento da infância ou ao ajustamento de limites da adolescência. Apresentam-se como preocupantes comportamentos com um padrão repetitivo e persistente no desprezo pelos direitos dos outros e pelas regras de convivência social. Nestes incluímos comportamentos recorrentes de agressão a pessoas e animais, destruição de propriedade, roubo ou abuso de confiança ou violação grave de regras.

A fronteira entre normal e patológico é muito ténue porque num momento ou outro, todas as crianças mentem, tiram coisas que pertencem aos outros, agridem, gritam ou desobedecem. A diferença entre estes comportamentos e o que os psicólogos consideram como um problema de comportamento está na gravidade dos comportamentos, na duração, na frequência, no aparecimento dos mesmos em mais do que um contexto e na sua persistência através do tempo.

Há elementos a ter em conta nas crianças com perturbações nos seus comportamentos uma vez que estas apresentam de forma mais intensa, desmedida, generalizada e duradora comportamentos como: birras frequentes, amuos sucessivos, discussões constantes sem regulação dos afetos, constante questionamento das regras e recusa no seu cumprimento (“porquê?”, “não quero por sim”), tentativas deliberadas de provocação, culpabilização do outro, raiva e ressentimentos frequentes, linguagem deliberadamente má e agressiva e atitudes maldosas e vingativas. A indiferenciação do alvo e a ausência de constrangimento, vergonha, culpabilidade e falta de empatia são também sinais de alerta.

Nestes últimos casos, a avaliação psicológica e o acompanhamento psicoterapêutico assumem um papel fundamental para tranquilizar e ou dar esperança de um futuro mais feliz e psicologicamente ajustado para estas crianças e jovens.

 

Por Catarina Amador, Psicóloga Educacional da Horas de Sonho, apoio à criança e à família, crl

Quando um filho te diz que há um colega no recreio que lhe está sempre a bater, tentas ser sensato: Já disseste à professora? Quando ele te fizer isso vai logo ter com o adulto mais próximo e explica o que se passou. Mas depois ele responde que já fez isso tudo e que a situação continua a repetir-se. Tem medo da escola, anda mais ansioso. E tu também. Durante o trabalho a avó liga para te avisar que hoje o neto voltou da escola arranhado. O colega do costume. Então percebes que a pressão vai surgir de outros lugares. Haverá um novo tema de conversa durante os almoços de domingo em família. Respiras fundo, e decides. Amanhã é melhor passar pela escola, o braço dele está mesmo feio e esta situação é insustentável.

Sabes o nome dele, mas não o mencionas: Vim falar consigo porque há um menino que está constantemente a magoar o meu filho e alguém tem que fazer alguma coisa. Compreendo que há crianças com problemas mas os colegas não têm culpa, e ele já está com medo de vir para a escola. Recebes uma resposta, política, gasta, formatada: Não podemos fazer nada, os pais nem aparecem, não há funcionários para vigiar o recreio, já pedimos apoio mas tarda em chegar. No final da conversa, uma sugestão amarga, mascarada de profissional: ensine-o a defender-se e verá como isto deixa de acontecer.

Enquanto conduzes para o trabalho sentes-te ainda mais confuso, mas apoiado. Por um lado não te parece correto ensinar o teu filho a bater, mas por outro sentes que és negligente quando o impedes de ser vítima de um agressor. Afinal, foi o professor, em pessoa, quem te autorizou a usares os teus próprios meios para lidar com esta a situação. Ensinar o teu filho a defender-se parece justo. Instintos básicos de sobrevivência gritam mais alto, e entretanto, tu já não és tu, és só reacção. Dás um pequeno passo para fora daquilo que sempre foste, mas não interessa. Agora és uma fera a defender a sua cria e a ensinar-lhe tudo o que for preciso para se proteger.

Eficaz. Aprendeu a lição esse menino do costume. De qualquer forma também já ninguém queria brincar com ele, os pais que lhe dêem educação. Teve o que merecia e agora o teu filho já não tem medo de ir à escola. E tu voltaste a ser tu, aquilo foi uma situação isolada, mas serviu de exemplo: o teu filho já aprendeu que para se defender só tem dar um pequeno passo para se afastar daquilo que tu sempre lhe ensinaste, do que os teus pais sempre te ensinaram a ti.

Atacar é uma palavra legítima quando se é vítima de alguém. Bem que podia ser o menino agressor do costume a dizer isto. Esse que também é filho, neto e aluno de alguém e que usa a força, como o teu filho agora, para parar de ser vítima. Pequenos passos.

O apoio chegou mas agora nada parece servir para controlar os miúdos no recreio. A indisciplina aumentou muito e há grupos que se protegem a atuar à laia de gang organizado. Tudo pode ser dito, pensado, feito e acusado por impulso. Todos temem: eles já não são eles.

A situação está fora de controlo, e ninguém sabe como é que isto aconteceu de um momento para o outro. Nem tu, nem todos os que à tua volta deram pequenos passos isolados, para longe de si mesmos.

imagem@Robbie Cooper “Emmersion”

O meu avô costumava dizer que não se fala de religião, política e futebol à mesa. Hoje foi a excepção à regra.

Sentadas no sofá, ainda de pijama (porque a incredulidade me fez arrastar o início do dia, me fez ficar colada à TV), assistimos as duas, eu e a minha filha de dois anos, ao discurso do 45º Presidente dos Estados Unidos da América.

Ao contrário do que seria de esperar, a Mariana ouve e presta atenção, ao mesmo tempo que a colher com a papa de aveia que come fica no ar, esquecida. Talvez ela saiba ou sinta o momento histórico a que está a assistir. Se não sabe eu digo-lho.

“Mariana, isto que estás a ver é histórico. Mas, por favor, não deixes de acreditar na mãe”.

E ela sorriu. E a minha esperança ficou renovada.

Porque como é que podemos educar um filho para o bem, para a verdade, exaltando a necessidade de tratar sempre bem os outros, de não os diminuir, de aceitar as suas diferenças, de acreditar que trabalhando com rectidão mais tarde ou mais cedo se vai longe se chegamos ao dia 9 de Novembro de 2016 e este nos prova exactamente o contrário?

Como é que se explica a um filho que uma pessoa racista, xenófoba, sexista, que exclui as minorias, goza com as pessoas com deficiência, é mentirosa, desrespeita as mulheres, as outras religiões, não assume os seus erros e nem as suas palavras, é um bully como poucos, com uma mensagem negativa e apelativa à violência consiga ter o emprego mais importante do mundo? E como é que se explica que ele tenha conseguido este emprego porque houve sessenta milhões de americanos que assim o desejaram e lhe deram este poder? Sessenta milhões de americanos que preferem ter uma pessoa destas a comandar o seu país? É difícil e deixa-me repleta de receios.

E por isso senti a necessidade de dizer à minha filha que há dias em que o bem não vence. Em que não ganha o melhor ou quem mais merece (concorde-se ou não com todas as políticas da outra candidata). Em que nos apetece mandar a democracia passear e dizer “esqueçam lá isso, fica tudo como estava”.

Não pretendo impor-lhe as minhas visões políticas no futuro. Espero que tenha a capacidade de fazer as perguntas certas, de se interessar pelo seu futuro, de escolher em quem mais acreditar, se acreditar em alguém. Não falarei com ela de política a não ser que ela o deseje, mesmo que seja para ter uma discussão saudável de pontos de vista contrários.

Mas hoje não é de política que se trata.

É de princípios.

É de fé na humanidade.

E esses nenhum Trump conseguirá abalar.

Por mais difícil que seja.

Recentemente circulou na Internet uma imagem de uma mensagem da Lego para os pais na década de 1970, que se tornou viral no Reddit. Especialmente porque apresenta uma abordagem tão diferente do marketing de género da Lego hoje em dia. A mensagem, que segundo confirmação da Lego é de 1974, vinha no conteúdo de um conjunto de uma casa de bonecas destinado a crianças com +4a.

lego
imagem@Reddit user fryd_

A Mensagem dizia:

Aos pais:

o desejo de criar é igualmente forte em todas as crianças. Nos meninos e nas meninas. A imaginação é que é o importante. Não a habilidade. Cada um constrói o que lhe vier à cabeça da forma que quiser. Uma cama ou um camião. Uma casa de bonecas ou uma nave espacial. Muitos meninos gostam de casas de bonecas. São mais humanas que as naves espaciais. Muitas meninas gostam de naves espaciais. São mais emocionantes do que casa de bonecas. O importante é fornecer-lhes as ferramentas certas e deixa-los criar

Fantástico, não é? Houve quem duvidasse da veracidade da mensagem, alegando uma escolha fraca da fonte e uma formatação pobre para umas instruções da Lego. O site PopSugar contactou a Lego, e confirmou que a imagem é original.

Só é pena que com o passar dos anos se tenha perdido esta mensagem sobre igualdade de género. Possivelmente, na época, por haver mais preconceito que nos dias de hoje, a Lego terá considerado necessário incluir esta mensagem nas instruções do brinquedo.

lego2
imagem@Reddit user DrWeeGee

 

 

Fonte PopSugar

“A partir daqui dei-lhes todos os dias Melamil e foi um descanso.”

Eu dei Melamil aos meus filhos

Queridos pais:

Esta carta não pretende ser uma crítica em relação às vossas escolhas ou aos conselhos dos pediatras em relação ao sono dos vossos filhos. Pretende sim, ser um relato de uma mãe que se sentiu a perder o Norte e a afundar-se, numa zona sem pé.

Tenho 3 filhos e fiquei 6 anos sem dormir uma noite completa. Todos sabemos dos efeitos da privação de sono num adulto. Imaginem numa criança.

Os meus filhos mais novos sempre (desde os 4 meses) dormiram a noite completa, mas com a mais velha foi tudo diferente. Amamentei-a até aos 10 meses e, na altura, mamava a cada 4h durante a noite. A introdução de alimentos correu muito bem e as rotinas das refeições sempre foram muito regulares. Inicialmente, não estipulei um horário de sono rigoroso: aos 9 meses fazia 3 sestas por dia, e por vezes ficava acordada ao serão connosco. Era o tempo que tínhamos para estar em família e aproveitámo-lo muito bem. Depois mamava e adormecia. O problema é que, quando estava eu no 1º sono, ela acordava para mamar. Mais tarde, passou aos biberons, mas nunca deixou de beber o seu leite à noite.

Conto isto, porque acredito que se lhe tivesse “tirado” o leite à noite, talvez não crescesse com um ritmo de sono interrompido.

O sono é uma coisa muito estranha que precisa de ter uma rotina estanque.

Mesmo em adultos, nós sabemos que basta uma ou outra noitada para nos estragar o ritmo de sono de uma semana.

Quando a minha filha acordava à noite para beber leite, se não lhe desse o seu biberon chorava estridentemente. Nesta altura, já tinha uma irmã bebé, com quem partilhava o quarto. Sempre foi mais fácil dar o leite do que gerir o problema. Mas não me critiquem, eu já estava num grau de cansaço extremo. E estava grávida do meu 3º filho.

Quando os ia deitar, dava de mamar ao bebé e colocava-o no berço. Depois deitava as meninas. A mais nova adormecia enquanto rezávamos. A mais velha ainda bebia um biberão de leite sozinha e, já na cama, pedia-me que ficasse um bocadinho com ela. Eu sentava-me na sua cama ora a contar uma história, ora em silêncio. A sua dificuldade em adormecer era grande, e veio a piorar com aparecimento dos medos que desenvolveu depois dos 3 anos – da morte, do escuro, de estar sozinha e até medo de não conseguir adormecer. A hora de ir para a cama tornou-se também para ela um problema.

E eu ficava lá.

Porque ninguém quer deixar uma criança aterrorizada à noite. Porque seria pior se chorasse e acordasse os irmãos. Porque me sentia encurralada num túnel de um só sentido.

Deixei de ter serões com o meu marido porque quando acabava de adormecer a minha filha, já só tinha tempo para deixar roupas e almoços preparados para o dia a seguir. Eu chegava a ficar 1h30 ou 2h no quarto com ela e a luz de presença.

Inconscientemente, por cansaço ou preguiça comecei a deitá-los cada vez mais tarde. Acho que o antecipar daquelas 2h começava a deprimir-me. Os meus outros filhos, por consequência, começaram também a deitar-se mais tarde. O que eu não previ foi que, passando a “hora do sono”, vem a excitação. E quando me apercebi disso, tinha os miúdos com 4, 5 e 7 anos, a deitar-se tardíssimo. Passavam metade do dia a chorar por tudo e por nada, começaram a comer MUITO pior, caíam e magoavam-se mais vezes, estavam sempre distraídos na escola, enfim. O cansaço tornou-se visível a olho nu. Tornámo-nos numa família que andava sempre aos gritos. E os miúdos também já gritavam uns com os outros.

Eu estava desesperada e resolvi agir.

Já tinha lido sobre o Melamil mas estava renitente em relação a medicar os meus filhos para dormir. Para quem não conhece, o Melamil  é um “suplemento alimentar natural à base de melatonina que ajuda a diminuir o tempo necessário para conciliar o sono.”

Foi a parte do “natural” que me convenceu. Pensei que sendo natural, mal não iria fazer.

Nem falei com o pediatra. Já estava decidida e agora não queria argumentos para voltar atrás.

Falei com umas amigas que me explicaram: “é maravilhoso para ajudar a adormecer, mas se for uma criança que acorda várias vezes à noite, vai continuar a fazê-lo.”

Tranquila. Agora só queria pô-los na cama cedo. Avancei.

Comprar Melamil

Comprei na farmácia onde não me perguntaram nada – nem se era a primeira vez, nem se foi o médico que recomendou, nada de nada. Parecia  tudo muito natural.

Li a posologia onde indica as doses recomendadas de acordo com as idades e adverte que o suplemento não deve ser administrado sem aconselhamento médico. Por isso, dei a dose mínima à minha filha para ver se resultava: 4 gotas, meia hora antes de se ir deitar.

Diz também que deve ser administrado durante 3 meses sempre à mesma hora. Achei um exagero: só precisava que se voltassem a deitar a horas decentes, e não faria sentido um tratamento tão longo.

No primeiro dia, 15 minutos após tomar as gotas, a minha filha mais velha pediu para ir para a cama. Eram 20h45. Nem queria acreditar. Entre lavar os dentes, deitar-se e eu dar um beijinho, já estava a dormir. Nem rezou. Não fiquei lá até adormecer. Não fiquei sem serão (pensei eu). Eu parecia maluca de radiante. Depois, tinha os outros dois, agora já com horários trocados, ainda a pé. Achei que vendo a irmã a dormir conseguia metê-los na cama sem stress ou demoras. Mas não foi assim. Começaram a chamar-me por tudo e por nada: um quer água, o outro tem frio e foi mais uma hora nisto.

No dia a seguir nem pensei duas vezes: gotas para todos.

Foi a loucura, antes das 21h estavam os três a dormir. Eles nem aguentavam os tais 30 minutos.

A partir daqui dei-lhes todos os dias Melamil e foi um descanso.

Até que um dia o frasco acabou. Nessa noite, sem gotas, tentei deitá-los à mesma hora destas últimas semanas, mas o sono chegou ainda mais tarde do que antes.

Lembrei-me que o tratamento deveria ser de 3 meses, então comprei mais uma embalagem.

E voltou a resultar. Nós começámos a descansar mais, os miúdos ficaram mais bem dispostos porque já estavam a dormir um número de horas apropriado à idade, verificaram-se melhorias a nível de rendimento escolar (nem falo em termos de avaliações, mas o entusiasmo e a concentração eram outros).

As rotinas de sono na nossa casa passaram a ser tão rigorosas como sempre foram as das refeições. Sentia-me feliz e orgulhosa.

Embalagem após embalagem, passaram 3 meses. O tratamento acabou.

Percebi que o tratamento tinha acabado e, sinceramente, nem me preocupei. As rotinas estavam tão bem impostas que seria impossível voltar perder o ritmo. Na verdade eu já nem me lembrava de como era quando eles se deitavam tardíssimo. Que estupidez… nem percebi como é que cheguei a esse ponto. Fui mesmo descuidada.

Às 20h30 pedi-lhes que lavassem os dentes e as mãos para irem para a cama. Assim foi. Mas enquanto estavam na casa de banho, a festa era grande porque um deu um pum e uma delas salpicou o espelho de pasta de dentes com a gargalhada que deu. A excitação era grande, e obviamente,  quando chegaram à cama não tinham sono.

A mais velha, ao aperceber-se que não estava a cair para o lado voltou a pedir que ficasse no quarto a fazer companhia. Não quis voltar atrás, agora já adormecia tão bem sozinha. Disse-lhe que não. Passados 15 minutos estava a chorar de pânico porque não conseguia adormecer. Os outros, mantinham-se na cama mas iam falando entre quartos. E eu, a tentar que acalmassem! Percebi que a confusão estava instalada, e que já não poderia voltar a usar o Melamil. Dei copos de água, fiquei um bocadinho em cada quarto, tinham calor, depois outra coisa qualquer.

O mais novo foi o primeiro a adormecer, eram 22h30. As meninas, adormeceram quase à meia noite.

O suplemento alimentar com melatonina criou nos meus filhos uma habituação tal que deixaram de conseguir adormecer sem ele. Sim, eu sei que dei sem aconselhamento médico. Aqui pensei que se calhar deveria ter dado outra dose, ou ter feito o desmame antes de completar os 3 meses… Mas estava completamente às escuras.

Comecei a imaginar que toda a vida iriam precisar de suplementos para dormir, e que a culpa era minha.

Rotinas

Resolvi então mudar alguns hábitos nas suas rotinas, e ao mesmo tempo, arranjar maneira de começarem a produzir melatonina de forma natural.

Deixaram de ver televisão e brincar com gadgets depois da hora do jantar. Está provado que o uso excessivo de gadgets tira o sono. É chamada a “Insónia tecnológica”(dizem).

A luz, também diminui a produção de melatonina, por isso, passei a luz de presença para o hall e gradualmente fui diminuindo a abertura das portas para os quartos, até que se habituaram a adormecer totalmente à escuras, e sem medos.

Todos os dias à mesma hora, começaram a ir para a cama cada um com o seu livro, para 15 minutos de leitura.

Alimentação

Depois investiguei sobre a alimentação: o que poderia dar-lhes que aumentasse a produção de melatonina (que é o que faz o melamil)?

  • Abacaxis
  • Arroz
  • Aveia
  • Azeite
  • Bananas
  • Cebola
  • Cerejas
  • Cevada
  • Espargos
  • Gengibre
  • Laranjas
  • Milho doce
  • Nozes
  • Sementes de linhaça, sementes de abóbora, sementes de chia
  • Tomates
  • Uvas

Estes foram alguns dos alimentos que descobri que estimulam a produção de melatonina, e que dei aos meus filhos.

É importante ressalvar, que o ideal é dar estes alimentos em cru, para que sofram o mínimo de alterações e cumpram mais eficazmente a sua função.

Estas alterações resultaram e, hoje em dia, os meus filhos deitam-se a horas normais para as idades.

Mas este processo não foi do dia para a noite.

Passámos mais de 6 meses a cumprir rigorosamente uma rotina “tolerância zero” quer fosse fim de semana, férias, ou dia de escola.

Obrigou-me a repensar muitas vezes os menus, para conseguir incluir ao máximo os alimentos em questão, tanto ao almoço como ao jantar. A melatonina estimulada por alimentos não deve ser ingerida apenas ao jantar: “o organismo habitua-se a produzir a hormona e depois torna-se um acto continuado, que sincronizado com as rotinas e um ambiente propício, ajudará a criar e a manter um ritmo saudável do sono.”

Esta é apenas a minha história que já foi criticada por muitas mães de crianças que nunca foram um problema para adormecer e por tantas outras, que tendo o mesmo problema, deram Melamil aos filhos durante um curto período de tempo, e resultou. Sabemos que todas as crianças são diferentes, e o que funciona para umas não funciona para todas.

Por isso, antes de se porem a achar que fui má mãe saibam que fui a mãe melhor que consegui ser. E continuo.

 

Por Margarida Alvim, carta de leitora, para Up To Kids®

As princesas dos nossos dias

Hoje os contos de fadas mudaram, as princesas mudaram de atitudes.

Espantem-se só, hoje em dia já não existe uma Cinderela em casa, a lavar e a esfregar o chão à espera que o príncipe encantado a venha salvar de um trágico destino.

Já não existe a Rapunzel presa numa torre, deixando o seu cabelo crescer até mais não para servir de corda para o seu príncipe a salvar de uma vida de prisioneira.

Já não existe a Branca de Neve, que limpa a casa aos sete anões, lava, cozinha, passa a ferro enquanto foge da malvada madrasta, esperando o beijo do príncipe encantado.

Todos os contos que representavam o fantástico, a magia, o “ser feliz para sempre”, a salvação da princesa (mulher) pelo príncipe encantado, mudaram. Tal como mudou a importância dada à beleza feminina e o grande final: o casamento “e viveram felizes para sempre”.

Deixaram de ser frágeis, submissas, encantadoras, assertivas, ingénuas, doces e conformadas com o destino, acalentando a esperança de serem salvas, libertadas, por um príncipe.

Hoje os contos de fadas são mais reais, colocando a princesa como salvadora de si mesma. Como lutadora. Corajosa. A que sai do castelo sozinha para se salvar. A que bate o pé para falar, mostrando ter opinião própria.

Hoje temos a princesa Mérida de cabelos ruivos que mostra que a mulher pode ser o que ela quiser, protagonista dos seus sonhos.

A Fiona, que é dona do seu próprio destino, da sua vontade, forte e independente. Que come o que lhe apetece, que até dá uns arrotos e se ri de si mesma. Que não tem medo de um sapo!

As princesas Elsa e Anna do filme Frozen, independentes e alegres, que não precisaram de encontrar o príncipe encantado para serem felizes.

A princesa Mulan, que se descolou de todos os estereótipos criados para as princesas, cortando o seu cabelo para ir para a guerra, fingindo ser homem, não esperando que alguém a salve, lutando por aquilo que quer.

Hoje em dia, sim aos contos de fadas, que estão a mudar. Que são mais reais.

A representação, o imaginário, o faz de conta, o “era uma vez” é tão importante na vida de uma criança. Elas precisam de exemplos com os quais se possam identificar e inspirar. O que queremos ouvir de uma menina quando perguntamos “o que queres ser quando fores grande?” Uma princesa? Sim. Que seja! Que vista os vestidos cor-de-rosa e que tenha também a “espada na mão” para ir à luta.

Assistimos então ao desenvolvimento do termo princesa e a adequação à realidade dos nossos dias quando a princesa não espera sentada que o seu príncipe a salve, porque ela hoje salva-se a si própria.

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Mãe, obrigada por não teres criado uma princesa

Mulheres que marcaram a história (em versão Princesas da Disney)

Porque nem todas as “Madrastas” são como a da Cinderela

 

 

Normalmente, quando temos crianças em casa damos mais uso ao nosso kit de primeiros socorros.

As crianças são exploradoras incansáveis do mundo que as rodeia. Por vezes, sofrem algum tipo de acidentes mais ou menos graves como quedas, queimaduras, arranhões, etc. Por isso devemos estar sempre preparados com tudo o que possamos precisar para as tratar num primeiro momento. Mesmo que seja necessário depois o transporte para o hospital.

Que artigos devemos ter em casa quando temos crianças por perto?

  • Soro Fisiológico— se possível em doses individuais estéreis (pode ser utilizado em várias situações, como por exemplo, para a limpeza de feridas);
  • Desinfetante— como por exemplo o betadine® (é utilizado na desinfeção de uma ferida ou corte);
  • Gazes estéreis— de vários tamanhos ou então de tamanho grande que se possam cortar  (servem para limpar as feridas, cortes e também para envolver e fechar uma ferida grande até chegar ao hospital);
  • Luvas descartáveis – para não contaminarmos a ferida/corte com as nossas próprias mãos enquanto estamos a prestar os primeiros socorros;
  • Ligaduras – podem servir, por exemplo, para segurar as compressas e fechar uma ferida ou corte;
  • Fita adesiva – serve para selar as compressas que estejam a tapar uma ferida ou corte. Ou também para fazer um penso rápido pequeno;
  • Tesoura – para cortar a fita adesiva, as compressas ou gazes (esta tesoura só pode ser utilizada para primeiros socorros e depois de utilizada deve ser desinfetada sempre);
  • Gaze gorda— pode ser utilizada em caso de queimaduras. Como é revestida por uma substância gordurosa não se cola às feridas nem às queimaduras (pode ser utilizada para selar uma queimadura grave até chegar ao hospital);
  • CALMA – Este é o último item do seu kit de primeiro, mas também o mais importante. Está provado que se os adultos se mantiverem calmos numa situação de emergência, também a criança estará calma porque se sentirá mais segura. Por exemplo, se for preciso ir ao hospital por causa de uma ferida, é muito importante que se faça a limpeza da mesma e que se tente estancar o sangue fechando a ferida e fazendo compressão forte. Faça a viagem para o hospital com calma e explique à criança o que se vai passar lá. Assim quando chegarem ela saberá o que se vai passar a seguir e como deve reagir, pois foi-lhe explicado antecipadamente.

É muito importante ter o seu kit de primeiros socorros sempre pronto a utilizar. Deve estar fechado, longe de humidades e num local de difícil acesso para as crianças mais pequenas.

No caso das crianças mais velhas, é importante explicar-lhes como funciona e para que serve cada item do kit de primeiros socorros. Assim se algum dia for necessário serem elas próprias a prestar os primeiros socorros estarão preparadas para isso.

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Não tens nada para dizer ao professor?

Há dias, o Miguel -7 anos, chegou à aula de Aikido. Como sempre, cumprimentou-me para, logo de seguida, ser interpelado pelo pai que nesse dia o acompanhava:

Não tens nada para dizer ao João?

Hesitou um bocado mas, sem que fosse necessário insistir, lá desembuchou:

Peço desculpa por me ter portado mal na última aula e ter ficado de castigo.

Confesso que fui apanhado de surpresa. Castigo é um termo que não costumo usar e, que me lembrasse, o Miguel não tinha feito nada de particularmente grave. 

Lembrei-me então do sucedido na aula anterior. Apesar de ser uma criança muito bem educada e bastante afectiva, o Miguel não resiste a dizer o que lhe passa pela cabeça. Depois de ter passado muito tempo a interromper a aula por tudo e mais alguma coisa, não se conteve e respondeu-me com uma piada mais atrevida a um reparo que lhe fiz. Nada de grave como já atrás referi mas, diz-me a experiência, que há alturas certas para interromper um crescendo de “criatividade” que, certamente, desembocaria em asneira…

Também não uso o conceito de castigo nas minhas aulas. O que fiz neste caso, e faço por vezes noutras ocasiões, foi pedir ao Miguel que se fosse sentar um bocadinho até eu dizer para regressar à aula. O seu regresso dependeria de um compromisso de nela querer participar. Passado um minuto, já o Miguel assumia insistentemente o dito compromisso e, portanto, regressou. Tudo bem, sem drama e com o habitual jogo no fim do treino.

Houve razão para que o pai do Miguel o obrigasse a pedir-me desculpa? Claro que não. Por duas razões: primeiro, o meu aluno não fez nada que não seja habitual em crianças de 7 anos e com que um professor, do que quer que seja, não esteja já habituado a lidar. Segundo, porque o espaço da aula de Aikido é da criança, dos seus colegas e do professor. Por mais que lhes custe, os pais devem aceitar que há espaços em que não devem interferir. Da mesma forma que não intervêm numa aula de matemática, os pais não devem intervir nas aulas ou treinos das actividades extra curriculares. É muito importante que as crianças saibam distinguir entre espaços: de casa, da escola e das outras actividades; que joguem com essas diferenças e adoptem diferentes atitudes em cada uma delas. Em cada espaço haverá regras diferentes e, se tudo correr normalmente, alguém empenhado no seu crescimento saudável e na sua felicidade. Alguma atitude menos correcta será tratada no momento; levá-la para casa será uma distorção do real valor do problema e poderá até criar resistências a um regresso no dia seguinte.

Há também os pais que não resistem a intervir durante o próprio decorrer da aula. Por norma, prefiro que os pais não estejam presentes durante o treino de Aikido, mas é razoável que por vezes gostem de assistir e não sou fundamentalista neste aspecto.

É no entanto muito importante que os pais se mantenham o mais neutros possível e não “participem”. Um pai ou mãe que constantemente interfiram na aula, alertando as crianças a partir de fora para “ter maneiras”, para ter atenção ou para estarem quietas, está não só a roubar-lhe parte de um tempo que é seu, como a transformar a hora da aula em mais uma hora igual às outras todas. Falo da minha actividade, claro, mas estou certo de que será igual em tantas mais: durante um treino de Aikido as crianças tomam decisões sozinhas, participam na organização do dito treino e são estimuladas a contribuir para o bom funcionamento do grupo.

Interferir na aula será, portanto, interferir na aquisição de instrumentos valiosos para uma educação mais completa.

Porque mente uma criança?

As crianças mentem por duas razões: porque para elas é “verdadeiro” ou por medo.

As crianças pequenas não sabem distinguir a fantasia da realidade, tudo é possível e tudo é verdadeiro. Os super-heróis que vêem na TV têm “mesmo” super-poderes, os animais falam, os barcos voam e as fadas têm capacidades mágicas.

Por outro lado, não tem percepção de que o outro tem uma existência individual da sua. O mundo que a rodeia é à semelhança do seu próprio mundo e não consegue perceber que existe uma outra realidade que não seja aquela que vê ou que sente. Dito de outra forma, se a criança está a ver, é porque existe, se não é, não existe. É por isso que uma criança pequena quando brinca ao “CuCu, ao tapar os olhos deixa de ver e acha que o outro não a vê a ela.

Então as brincadeiras e expressões, que para os pais podem não ser verdadeiras, para a criança são. Por esse motivo, que quando sonham e acordam assustadas precisam de ser tranquilizadas e não que lhes seja dito que era só “um sonho”, que não aconteceu de verdade, pois para ela é difícil fazer a destrinça entre ambos, para ela é real.

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