Com o que não deve, nunca, castigar!

Os castigos sempre fizeram parte da humanidade. Por mão divina, recriações mitológicas ou julgamentos humanos vem punir o erro, a atitude e o comportamento desviante. 

Até há bem poucos anos eram essencialmente corporais. Os países do norte da Europa foram dos primeiros a considerar crime os castigos violentos a crianças e adolescentes.

Com a introdução dos estudos comportamentais começaram a ser postas em prática outras técnicas de regulação comportamental, como por exemplo, o time out (ou tempo para pensar) que até pode ser interessante na medida em que promove a capacidade reflexiva da criança. Mas quando se lhe diz “agora ficas aí de castigo a pensar no que fizeste” todo o objetivo é desvirtualizado. O pensar sobre as atitudes fica associado a uma punição, ou seja, algo a evitar.

Os castigos foram então “evoluindo” para uma forma mais aceite e mais intelectual – os castigos restritivos. Provavelmente já terá ouvido pais comentarem – eu não bato nos meus filhos, eu castigo-os!

As punições trazem consigo a manutenção do auto-conceito de bons pais, exigentes e que educam os filhos corretamente.

Conhece alguma criança que não teste os limites, fazendo tudo certinho, sem erros e correspondendo automaticamente ao que lhe pedem? Se a sua resposta é sim… algo estará mal com essa criança.

E se as dinâmicas familiares têm vindo a sofrer alterações, as respostas pelos castigos são, também, o resultado disso. Então, fará sentido ter castigos ou enfrentar consequências? Qual a diferença?

Castigos ou consequências?

Os castigos não têm uma lógica associada à ação praticada. De uma maneira simples, seria idêntico a você não parar num sinal vermelho e em vez de pagar a multa ser-lhe descontado um dia de férias!

Já as consequências têm diretamente a ver com a ação ou comportamento incorreto e por isso existe uma lógica interiorizável. E se a aprendizagem for positiva em vez punitiva o comportamento desejado é conseguido de forma mais saudável. Dito de outra forma, se em vez de castigos optar por consequências e objetivos a alcançar a criança aprende a regular-se não pelo medo de represálias, mas pelo desejo de conquista e porque se sente bem.

Se ainda assim, lhe faz sentido usar castigos para punir comportamentos, há situações a que NÃO deve jamais recorrer:

  • Usar as atividades de lazer ou desporto.

Se o desporto é algo bom e saudável, castigar com ausência destas atividades cria associações negativas e, com a recorrência, desmotivação para a prática. Lembre-se – desporto é saudável, não pode ser usado para punir

  • Hora de dormir

Dizer “agora vais para a cama de castigo” é meio caminho andado para arranjar vários problemas na hora de dormir, que se arrastam por vezes até à idade adulta. Há adultos que, curiosamente, dormem muito bem no sofá mas quando vão para a cama perdem o sono… porque será?

  • Ficar sozinho e/ou fechado.

Fechar a criança no seu quarto ou dizer-lhe “agora vais sozinho para o teu quarto” é dar corda às angústias de separação e alimentar a ideia de que estar sozinho é algo negativo e a evitar. Mais tarde tenderá a isolar-se para não ser criticado ou a criar distanciamento quando discorda ou quer mostrar desagrado.

  • Usar os trabalhos escolares.

Felizmente são cada vez menos os professores que passam TPC’s como castigo ou que mandam escrever repetidamente uma ou duas folhas com “não vou voltar a portar-me mal”. Há pais que ainda usam os TPC para castigar, algo do género “agora como castigo não vais ver mais desenhos animados e vais fazer os TPC’s”. Escrever não pode ser castigo, aprender não pode ser castigo, pelo contrário as aprendizagens escolares devem ser reforçadas positivamente. 

Como falar sobre o cancro às crianças

A doença chega muitas vezes sem avisar e a oncológica não escapa à regra. Instala-se matreira, à socapa e muitas vezes é detetada já num estágio avançado.

E se para um adulto o diagnóstico chega acompanhado dum enorme pesar, rodeado de porquês e emoções difíceis de compreender, explicar à criança esta doença é uma missão extremamente difícil para qualquer pai ou mãe, por várias e compreensivas razões.

Numa fase inicial após o diagnóstico é comum surgirem as grandes preocupações: “será que tem cura?” “como vai ser com os meus filhos ?” serão talvez as questões que mais passam pela cabeça de quem recebe o diagnóstico, associadas sentimentos de medo e de profunda tristeza.

De forma protetora a pessoa pode então fazer alguma dissociação da situação, distanciando-se do problema. É como se estivesse a ver um filme, algo que não é real e em que não é o(a) protagonista. Este evitamento da doença pode perdurar mais ou menos tempo, mas a confrontação com a necessidade de tratamento ou de intervenção cirúrgica vem deitar por terra este provisório faz de conta.

E se até então por vezes se esconde das crianças a doença, é aqui que se revela inevitável comunica-la e falar com os filhos. Vêm as noites em branco ou mal dormidas a ensaiar mentalmente o que se vai dizer.

O primeiro cuidado que qualquer pai ou mãe deve ter antes de falar com os seus filhos sobre a doença é informar-se previamente, recolhendo dados de forma realística e científica, mas tendo presente que o que é verdade em ciência hoje pode não ser amanhã. Quer isto dizer que, um diagnóstico reservado pode vir a não ter o desfecho inicialmente previsto e nos moldes teoricamente esperados. Fale claramente com o seu médico, informe-se sobre o delineamento do tratamento, o que é suposto acontecer e esclareça o mais possível todas as suas dúvidas.

Quando sentir que está preparado, explique então às crianças “traduzindo” os conceitos e ajustando a linguagem e a terminologia usada à idade e à capacidade de entendimento. E se não existe uma receita padronizada sobre a melhor forma de explicar a doença oncológica para cada faixa etária, é fundamental que o que dizemos e como o dizemos seja compreendido pela criança. Dito de outra forma, não será necessário inundar a criança com informação excessiva e que ela não consegue processar, mas há que garantir que não ficaram dúvidas, fazendo-o com a maior tranquilidade possível. Não há melhor alimento do medo que a incerteza.

É igualmente importante evitar o contágio emocional. Se o progenitor estiver assustado ou demasiado ativado emocionalmente isso irá ser passado à criança. É certo qua a situação não é fácil, mas é importante manter a esperança e a fé possível num desfecho menos complicado.

Em função do estágio de desenvolvimento da criança assim o diálogo deve ser ajustado. Até cerca dos 3 ou 4 anos a criança não consegue conceptualizar esquemas complicados sobre o que é uma doença. Explicar que tem um “doi-doi” ou que a mãe ou o pai tem um “doi-doi” e que é preciso tomar remédio para ajudar a ir embora será a abordagem mais adequada. Mais do que grandes explicações e por muito aterradora que a doença se imponha, é importante que a criança se sinta segura e muito amada, como, aliás, em qualquer idade.

Para crianças um pouco mais velhas a explicação pode ser um pouco mais detalhada, ainda que com recurso a conceitos simples. Podem ser descritos alguns problemas e sintomas associados à doença, como por exemplo, a necessidade de ir com uma determinada frequência ao hospital para tratar a doença, a necessidade de repouso, as indisposições, o desconforto. Um dos pontos que mais impacto pode ter, pelas consequências no visual da pessoa, é a perda de cabelo. Permita-se encarar com a leveza possível este acontecimento e use a sua criatividade para “dar a volta” á situação. As explicações podem ser complementadas com vídeos ou com literatura infantil. Atualmente já existe algum material de qualidade e que é facilitador neste processo.

A partir dos 7 anos a criança já começa a conseguir entender os conceitos mais concretos associados à doença. Por outro lado começa a desenvolver características emocionais e relacionais mais sólidas. Pode, então, ser mais explicativo mas prepare-se, também, para mais perguntas e para o soltar das emoções. Esta fase é talvez a mais difícil para as crianças, em termos de compreensão, quer se trate da sua própria doença ou de um familiar.

Em tempos, numa festa do dia da família de uma escola, reparei numa criança que chorava. Alguns colegas estavam junto a ela, dando-lhe carinho e ajudando da forma que sabiam e conseguiam. Dirigi-me até ela e na medida em que me permitiu aproximar abracei-a e procurei perceber a razão de estar a chorar. No meio dos soluços, lá explicou que estava triste porque as mães dos outros meninos estavam lá e a mãe dela não porque estava doente. Falámos um pouco sobre a doença e expliquei-lhe que se ela quisesse mãe poderia estar sempre com ela, pois o amor da mãe estava no seu coração. Sim, a presença não é só física e aquela criança percebeu que apesar de a mãe não estar ali, ela poderia sentir a sua presença e o seu amor quando pensava nela com carinho.

Na adolescência o problema pode ser explicado com mais detalhes técnicos e de forma menos fantasiosa. Nesta fase da vida o entendimento da doença oncológica já é relativamente próxima da compreensão e da lógica do adulto. Pode até resultar numa maior aproximação e união entre os vários elementos da família. É comum os jovens passarem a estar mais presentes e a valorizar mais os momentos passados em conjunto.

Tenha presente que, atualmente, a informação está acessível á distância de um clique, mas que nem sempre é a mais adequada ou com a qualidade desejável. Por isso não omita o essencial e o fundamental dentro das possibilidades de compreensão da criança. Tenha atenção às conversas paralelas ou com outros adultos na presença das crianças. As crianças, mesmo a brincar, têm as “atenas sincronizadas” na conversa dos adultos. Evite que sinta que se passa algo que lhe estão a ocultar.

E permita-lhe que questione e que expresse as emoções. Fazer de conta que não se passa nada de grave é, no mínimo, ambíguo e confuso. Dê “colo” e receba o “colo” que, também, precisa. E se possível, permita-se sorrir e fazer sorrir. Uma atitude facilitadora pode fazer a diferença na aceitação consciente da doença por toda a família.

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Porque mente uma criança?

As crianças mentem por duas razões: porque para elas é “verdadeiro” ou por medo.

As crianças pequenas não sabem distinguir a fantasia da realidade, tudo é possível e tudo é verdadeiro. Os super-heróis que vêem na TV têm “mesmo” super-poderes, os animais falam, os barcos voam e as fadas têm capacidades mágicas.

Por outro lado, não tem percepção de que o outro tem uma existência individual da sua. O mundo que a rodeia é à semelhança do seu próprio mundo e não consegue perceber que existe uma outra realidade que não seja aquela que vê ou que sente. Dito de outra forma, se a criança está a ver, é porque existe, se não é, não existe. É por isso que uma criança pequena quando brinca ao “CuCu, ao tapar os olhos deixa de ver e acha que o outro não a vê a ela.

Então as brincadeiras e expressões, que para os pais podem não ser verdadeiras, para a criança são. Por esse motivo, que quando sonham e acordam assustadas precisam de ser tranquilizadas e não que lhes seja dito que era só “um sonho”, que não aconteceu de verdade, pois para ela é difícil fazer a destrinça entre ambos, para ela é real.

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Quando se fala em maternidade grande parte das mulheres associa essa experiência a algo maravilhoso, polvilhado de amor e ternura. Ser mãe é descrito, no geral, como uma experiência gratificante e bastante positiva.

Mas a maternidade implica uma mudança interna e identitária: de mulher e filha a mulher e mãe, com novos papéis, novas expectativas, numa reestruturação progressiva e contínua de ser e de estar. Sendo um processo relativamente tranquilo, mesmo em situações de gravidez não desejada, em função do contexto, das vivências e da estrutura da personalidade, nem sempre é assim.

A par da observação clínica, vários estudos vêm suportar a ideia de que uma gravidez indesejada (não quer dizer, necessariamente, não planeada), influencia o vínculo mãe-filho. Se a afetividade é um constructo complexo, nestes casos o afeto vai emergindo da ambivalência entre o sentimento de culpa pela rejeição e a tentativa de compreensão e aceitação. Em casos patológicos, a ligação mãe-bebé tem uma construção deficitária, levando à continuidade da rejeição, de forma mais ou menos evidente, após o nascimento.

Quando em contexto interventivo ouvimos expressões como: “tirem isto de dentro de mim” ou “devia ter ido parar à sanita como foram os outros”, é a evidência clara de que o papel de mãe não foi interiorizado. É a expressão crua do mal-estar da mãe e da sua incapacidade em lidar com a maternidade e com a nova identidade que lhe está associada.

Pare para pensar, antes de fazer qualquer juízo de valor. Conhece a história de vida daquelas mulheres? Como foi a construção dos seus próprios afetos? Alguma vez terá sido amada? Que contornos e que significado tem aquela gravidez?

A experiência clínica diz-nos que estas mulheres têm uma relação patológica com a afetividade e, na maioria dos casos, não conseguem “sentir” de outra forma. Muitas tiveram, também, uma infância complicada, outras sentiram que não eram amadas, ou que nunca foram verdadeiramente aceites. Por norma, são pessoas que não aprenderam a amar de forma positiva.

Chegam-nos ao consultório crianças para acompanhamento psicológico em que a abordagem necessária seria a familiar ou sistémica mas, na maior parte dos casos, é a criança que continua a ser “rejeitada”, continua a ser “aquela” que tem problemas identificados. Muitas das vezes não é a criança que precisa de ter acompanhamento psicológico e sim a mãe.

Noutros casos a mãe entra numa espiral comportamental (inconsciente) para alívio culpa, que se manifesta em atitudes de compensação: permissividade, excesso de tolerância ou falta de limites, compensações materiais, entre outras. No fundo sente arrependimento pelos seus pensamentos ou atitudes e teme, também, ser rejeitada pelo filho/a.

Claro que nos passa pela cabeça muitas questões: como será a vida desta criança? Será algum dia verdadeiramente aceite e amada de forma saudável? Nestes casos e na impossibilidade de haver um acompanhamento familiar, resta-nos ajudar a criança. Como? Através do restabelecimento de relações afetivas e vínculos afetivos saudáveis, quebrando o ciclo transgeracional de rejeição e de insegurança.

Fica a sugestão de ver (ou rever) o filme “Álbum de família” onde o tema da transgeracional está bem presente na história de 3 mulheres (irmãs), todas elas com as suas próprias “feridas narcísicas”, em que a imagem de uma mãe contentora não foi construída e interiorizada, condicionando um desenvolvimento pleno e saudável a cada uma delas.

 

O seu filho tem mau-feitio ou é uma criança ansiosa?

A ansiedade nas crianças nem sempre é fácil de detetar. Os adultos não estão mentalmente predispostos a perceber os sinais de uma criança que está ansiosa, confundindo-os muitas vezes com questões educativas, imaturidade e até com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA).

Muitos dos sintomas ansiosos conduzem, indevidamente, a classificações de PHDA já que a criança ansiosa tem dificuldade em manter-se relaxada e atenta ao que lhe dizem. A sua hipervigilância é direcionada ao exterior e às situações que sente como ameaçadoras e não ao momento presente.

Na base de uma reação ansiosa não está a oposição aos educadores, está o medo – medo de falhar, medo de não corresponder ao que esperam dela, medo de ser “gozada”, medo que não gostem dela, enquanto a criança que se sente frustrada reage pela perda.

Então, como podemos diferenciar ?

  • a criança ansiosa reage por antecipação; ao contrário das crianças que têm baixa resistência à frustração, uma criança que está ansiosa pode ter uma reação de “mau-feitio” quando vai fazer algo novo, quando exposta a um novo contexto ou situação e não após o acontecimento;
  • a criança ansiosa deixa de fazer coisas que adora fazer, evitando as situações que lhe provocam angústia, enquanto que uma criança que não está ansiosa consegue arriscar, mesmo que se viva o seu insucesso, posteriormente, com uma enorme birra;
  • a criança ansiosa têm, regra geral, uma fraca auto-estima e uma auto-percepção enviesada e diminuta das suas competências, ainda que muitas vezes mascarada por teatralidade e até uma certa arrogância;
  • a criança ansiosa tem, por norma, mais dificuldade nas relações com os pares e em confiar no outro. Por vezes são classificadas como crianças desinteressadas, pouco participativas nas actividades escolares, mas a simples ideia de ter de responder a uma pergunta pode ser aterradora, como tal evitam participar nas actividades, em particular quando não se sentem seguras (o que acontece com frequência) ou não conhecem;
  • a criança ansiosa é, por norma, agitada apresentando, em casos mais graves, tiques e agitação motora involuntária. Enrolar o dedo na roupa quando “está atrapalhada”, abanar os membros quando falam com ela, ficar numa agitação exacerbada quando não sabe o que vai acontecer a seguir, são sinais de que a criança está a vivenciar um estado de ansiedade.

Se as vantagens em castigar ou punir de alguma forma uma criança serão fortemente discutíveis, castigar uma criança que está ansiosa só agrava o seu sofrimento que, consoante a gravidade dos casos, poderá ser muito maior do que imagina.
Por outro lado vem aumentar ainda mais a sua crença de “não faço nada de jeito, por isso nem vale a pena tentar”. Ou seja, castigar não vai resolver o problema, nem vai “servir de emenda”, pois o que se passa no interior da mente da criança em nada tem a ver com “falta de educação” e sim com a vivência de algo que é sentido como assustador.

Se não for atempadamente detetada e tratada, pode evoluir de traços que se manifestam em determinados contextos para estados permanentes de ansiedade, condicionado o bem-estar, as aprendizagens escolares e o desenvolvimento emocional e afetivo.

A avaliação diferencial feita por um especialista clínico é fundamental para detetar o problema, evitando diagnósticos paralelos, grande parte das vezes errados, e medicação não adequada.

Somos diariamente “inundados” com recomendações do tipo: “tens de ser positivo ”, “deixa lá isso, não sejas tão negativo”. .. mas é, mesmo,  assim tão simples? Basta pensar positivo para que tudo se resolva?

É preciso “separar as águas”. Não podemos confundir o ter uma atitude positiva, que se refletirá positivamente no relacionamento com os seus filhos, com atitudes de negação ou de evitamento do tipo: “não quero pensar nisso, logo se vê como se resolve” ou com passividade perante as dificuldades. Algures no tempo será inevitável  ter de se confrontar com algo “menos bom” e aí a coisa pode complicar, afinal não aprendeu a lidar com isso.

Criar uma bolha de ilusória positividade onde se coloca a si e aos seus filhos, não os prepara para a vida. Repare que até o ar que respiramos tem o equilíbrio necessário entre O2 e CO2, sendo ambos essenciais à vida. Para tudo há um + e um –. Cada escolha implica ganhos e, necessariamente, perdas, sendo importante que as crianças compreendam isso para que desenvolvam a sabedoria de escolher e de estar de forma positiva, sem ignorar o negativo, mas aprendendo a conviver tranquilamente com isso.

Não podemos “clivar” o que não queremos enfrentar, o que nos causa desconforto sob a máscara do “ser positivo”. Só nos estamos a enganar, criando a ilusão que tudo é tão e somente maravilhoso.

Então o que é pensar e estar de forma positiva? Eis alguns mitos que podem gerar confusão e levar a crenças distorcidas:

  1. Para ser positivo tenho de considerar, apenas, o presente?
    É fundamental aprender a viver cada momento (bom e menos bom) do presente e a não permitir que o passado invada a sua vida negativamente, mas a sua história faz parte do seu percurso de vida. Eliminar ou negar o que correu menos bem não elimina o negativo, pelo contrário, dá-lhe “força”. Mudar o que sente, hoje, em relação a isso será uma atitude mais consciente do que não quer para si e por isso mais positiva e mais saudável. Aceitar que existiram situações negativas é fundamental para viver, agora, melhor consigo próprio e com os outros.
  1. Ser positivo significa acreditar e arriscar sem pensar muito nas consequências?
    Ser positivo é acreditar, sim, mas não necessariamente sem equacionar as consequências, ou seja, o positivo vs o negativo. Pelo contrário, atitudes positivas estão diretamente relacionadas com o conhecimento das consequências. Se assim não for estamos a promover a imaturidade, a fragilidade e a pouca resistência à frustração. Imagine a seguinte situação: o seu filho(a) tem um teste no dia a seguir, mas vai procrastinando o estudo que terá de realizar, sabendo que tem treino a seguir. Uma atitude positiva passa por lhe explicar/relembrar as consequências de prolongar, que pode passar por não poder ir aos treinos da atividade de que tanto gosta. Se essa for a regra, isto pode servir de incentivo para ele(a) não continuar a adiar. Por vezes os pais tendem a ameaçar e a chantagear “ se não estudares não vais ao treino”. Aqui o que funciona é o medo da perda e não se aprende a escolher. Quando há regras pré-estabelecidas, não se coloca esta necessidade, afinal, todos têm conhecimento das consequências e podem por isso optar pelo que é entendido como sendo o melhor para si.
  2. Se eu for uma mãe com práticas positivas, afasto o negativo?
    Como já vimos negativo e positivo convivem de perto para que exista equilíbrio. Funciona como a alegria e a tristeza, só conhecemos uma delas porque algures no tempo já experienciamos a outra. Claro que ver o positivo será facilitador, em tudo na vida, incluindo no relacionamento com os seus filhos(as). Mas tenha presente que acima de tudo terá de ser genuíno. Fazer de conta que está tudo maravilhoso, só porque lhe soa bem, porque acha o melhor (mesmo que não sinta isso) ou porque é uma “onda” que lhe agrada, dificilmente, vai funcionar.

É preciso, verdadeiramente, querer sair da zona de conforto e experimentar sentir e fazer diferente. É errar e voltar a tentar, aprendendo algo com isso. E o que isto tem de positivo é que está a ensinar os seus filhos que nem tudo é perfeito, nem tudo tem de correr sempre bem, para nos sentirmos bem. E é através desta dialética que eles crescem mais fortes e que aprendem a valorizar positivamente o que a vida lhes proporciona.

São vários os estudos que referem as vantagens da convivência entre animais e crianças.

Num estudo Finlandês, em que perto de 400 crianças foram estudadas durante o 1º ano de vida, concluiu-se que as crianças que tinham aninais por perto (em particular cães) eram menos vulneráveis a infeções respiratórias.

Outros estudos revelam que o relato de pessoas que têm animais de estimação indica serem mais felizes e mais saudáveis do que o das que não têm. Está ainda associado a uma maior autoestima e a maior bem-estar.

Um animal de estimação favorece a comunicação na família e o desenvolvimento de vínculos afetivos, pode ajudar a reduzir a tristeza e o medo, tendo mesmo um efeito reparador e de conforto. A sua presença faz diminuir o sentimento de solidão e/ou de isolamento, ajuda a desenvolver sentimentos de compaixão e um maior sentido de responsabilidade.

O recurso a animais (regra geral cães) em psicoterapia é cada vez mais uma prática usada, em particular, em determinadas perturbações como as do espectro autista. Grande parte das crianças autistas que convivem com animais apresenta melhorias em termos comportamentais, sociais e afetivos. O terapeuta medeia as interações e as brincadeiras entre a criança e o animal, ensinando a criança a comunicar, a perceber sensações e desenvolver novos comportamentos. A criança consegue assim, progressivamente, ir desenvolvendo as competências sociais e cognitivas que se encontram mais fragilizadas, num contexto seguro e motivante.

Os animais de estimação são para as crianças não só um companheiro de brincadeira e tropelias, mas também confidentes dos seus pensamentos e emoções. Com eles partilham alegrias, tristezas e até situações de frustração e raiva, atuando como ótimos “calmantes”. A presença de um animal de estimação que interaja com a criança é sobretudo recomendável para crianças que não têm irmãos ou que são particularmente tímidas e reservadas.

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Apesar das inúmeras vantagens, a decisão de ter um animal de estimação deve ser bem ponderada pela família. Ter um animal do qual mais tarde “se desiste”, por falta de tempo ou por outro qualquer motivo, é uma situação que deve ser de todo evitada, não só por passar a mensagem que os animais são uma “coisa descartável” mas, também, porque não ajuda a família a desenvolver a capacidade de ultrapassarem em conjunto as dificuldades e as frustrações.

Então, antes de ter um amigo de 4 patas informe-se bem sobre as suas características e sobre o impacto previsto no seu dia-a-dia. Envolva os seus filhos nas atividades que estão associadas à sua presença na família e estabeleçam claramente as regras sobre quem faz o quê. Claro que as responsabilidades acordadas irão variar em função da idade, mas há sempre algo em que as crianças podem colaborar. Tenha presente que um gatinho é lindo e fofinho, mas precisa de afiar as unhas e tem um caixote com areia onde faz as suas necessidades que tem de ser limpo e cuidado diariamente. Um cão é dedicado e um ótimo companheiro de brincadeiras, mas precisa de ir à rua fazer as suas necessidades (que tem de ser apanhadas) e precisa de dar uns passeios, mesmo quando chove.

Tenha ainda em conta que a forma como se comporta com o seu animal irá inspirar o seu filho/a na interação com ele. Se lhe ralha ou bate recorrentemente, é bem provável que a criança faça o mesmo tornando a experiência pouco gratificante para todos.

E prepare-se para responder “não” quando ouvir: “vá lá.. só hoje, podes fazer tu? Tenho tanto que estudar para o teste

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Mas, quando eu morrer, como é que vos encontro, como?
Há milhares de estrelinhas, milhares e milhares…. o céu é infinito, não vos vou conseguir encontrar!

Falar sobre a morte às crianças é difícil. Muitas vezes os pais são apanhados de surpresa e, quando confrontados com estas questões que, também, são desconfortáveis para os próprios, na tentativa de fugir ou adiar o assunto, vêm as histórias de “passou a ser uma estrelinha”, “partiu para muito longe”, está a “descansar”. Este tipo de soluções podem ser confusas para a criança, em particular para as mais pequenas que ainda não têm capacidade de se abstrair do real significado das palavras. Pode ainda aumentar a angústia de separação no seu dia-a-dia, dificultando a hora de ficar na escola, de dormir (não querem “descansar”) ou quando se separam de quem amam.

Antes de explicar a morte ao seu filho, explique-a a si próprio/a em função das suas convicções. Para ser verdadeiro para a criança deverá de ser, em primeiro lugar, verdadeiro consigo mesmo. Se não se sentir confortável em pensar introspetivamente neste tema, provavelmente terá sofrido perdas que nunca foram verdadeiramente ultrapassadas, podendo precisar de ajuda para elaborar esse luto.

Por outro lado, não fuja do tema usando a brincadeira ou a ironia. Se o seu filho faz perguntas sobre a morte estará curioso ou talvez preocupado com algo que não consegue compreender. Levar a pergunta de “ânimo leve” é ambíguo para a criança e não suprime a sua preocupação.

Preparar o seu filho para a morte é tão necessário como prepará-lo para a vida, por isso explique-lhe isso mesmo – o ciclo da vida. Todos os seres vivos, nascem, crescem e morrem biologicamente. Uma boa estratégia será usando (cultivando) uma planta: a semente é colocada na terra, germina, amadurece e morre. Explique-lhe que com as pessoas e os outros animais também é assim. Ao mesmo tempo está a mostrar a importância de cuidar, acarinhar e respeitar a vida (tal como rega, trata e cuida da planta). Seja concreto, explicando ou mostrando que todos os seres vivos um dia irão morrer e que morrer significa não fazer mais o que se faz quando se está vivo (exemplo: comer, brincar com, estar fisicamente com).

Ler também Morreu e agora? Como vou dizer ao meu filho?

Perante a morte de um dos pais ou de familiar próximo, não esconda a sua dor da criança e encoraje-a a falar, a desenhar ou a representar de alguma forma o que está a sentir, mostrando-se compreensivo e solidário ao seu sofrimento. Acima de tudo, transmita-lhe segurança e a certeza que haverá sempre alguém para cuidar dela. Não evite que a criança se sinta triste; a tristeza faz parte do processo de sentir para ultrapassar a perda.

Por outro lado, explique-lhe que deixar de estar triste não significa que esquecemos a pessoa que amamos. Tal como o adulto, a criança precisa de interiorizar que as memórias afetivas nunca se esquecem. Esse conceito deve ser progressivamente introduzido, ao ritmo que lhe for confortável.

Mas, cada criança tem as suas particularidades e uma forma muito própria de reagir às situações dolorosas. Nas crianças com uma organização mais ansiosa ou mais depressiva, o que foi explicado anteriormente pode não ser suficiente para ultrapassar a angústia da perda. Nestes casos as alterações comportamentais, que são normais e adaptativos, prolongam-se por mais tempo e de forma acentuada. Os principais sintomas (podem aparecer isoladamente ou de forma conjunta) são: choro compulsivo ou fácil em situações que anteriormente não acontecia, acentuada agressividade, explosões de raiva intensas e recorrentes, enurese, entre outros.

Nestes casos recomenda-se que a família, e em particular a criança, receba suporte e ajuda dum técnico de psicologia para que consiga lidar com a morte que o ocorreu na realidade externa, permitindo que ocorra, também, na sua vida psíquica. Na prática é aprender a viver com a perda, deixando de vivenciar sofrimento.

Acredito que cada mãe é a melhor mãe do mundo ou, dito de outra fora, cada mãe é a melhor mãe que consegue ser. Não é perfeita, nem tem de ser.

Na procura incansável de ser uma “boa mãe”, você lê todos os artigos sobre o tema, sabe na teoria o que deve ou não fazer mas, na hora H, acaba por “perder as estribeiras” e….

Depois vem a culpa, aquele “bichinho” de tamanho varável, que “vive dentro de nós”, que nos “aponta o dedo” e diz: és mesmo estúpida, não vales nada, o teu comportamento foi vergonhoso. No fundo, isso resulta do saber, da consciência que podia ter agido de outra forma, mais positiva e mais saudável. Mas como, como fazer?

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A resposta é simples: procure sentir-se feliz!
Não há boas mães, há mães felizes!

Pessoas que se sentem bem com elas próprias, sentem-se melhor com os outros, são mais compreensivas, tolerantes e assertivas. Tem dúvidas? Faça este simples exercício:

Respire fundo duas ou três vezes, feche os olhos e pense num dia muito feliz com os seus filhos…

Ler também: Continuas aí: és mais que uma mãe

O que estava a fazer? Recorde, calmamente, cada momento bom… como se sentia?

Mas, afinal o que foi diferente de tantos outros momentos que parecem “um pesadelo”? Provavelmente o seu estado de espírito. Claro que as crianças “esticam”, vão testando os limites, fazem birras. Mas não é sempre assim? Afinal, faz parte do processo de aprenderem a crescer emocionalmente.

Bom, agora vem a pergunta difícil – como ser mais feliz?

Não há uma receita única, cabe a cada pessoa perceber o que valoriza, o que tem mais significado para si e o que a faz sentir bem. Mas há condicionantes que são comuns e frequentes para a maior parte das pessoas. Se estiver atenta, vai percebe os sinais que o seu corpo vai dando e o tipo de pensamentos que vão alimentando as suas emoções. Ficam algumas sugestões que ajudam a conhecer o que sente e o que estará associado a esse sentir:

– registe diariamente os acontecimentos positivos e menos positivos. Nesse registo será útil incluir: quando foi (manhã, tarde, hora jantar, etc.), o que aconteceu, como se estava a sentir, que impacto teve;

– em que dias há episódios mais críticos ou de maior bem-estar;

– para cada sentimento ou estado emocional, procure descrever o que estava a pensar, o que andou a “fervilhar” na sua mente o dia inteiro ou nos dias anteriores;

– como estava o seu corpo : calmo, relaxado, tenso, como se tivesse corrido uma maratona?

Semanalmente, ou com a frequência que se justificar, reveja os seus registos. Verá que encontra padrões de comportamento vs situações.

O passo seguinte é encontrar estratégias internas para mudar, para quebrar esses padrões. Não há mães ideais, há mães que se sentem bem com elas próprias, que conhecem as suas limitações, que se aceitam e que, acima de tudo, se sentem felizes.

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“livros, cadernos, TPC’s, agitação e stress, queixas da professora”

Será assim que muitos pais definem o início do ano escolar. Entre os horários dos pais, os trabalhos de casa, as actividades extra-curriculares e as rotinas diárias, as famílias acabam por ter pouco tempo para interagirem com qualidade, ao contrário do que acontece nas férias.

Mas, não tem de ser assim. As seguintes estratégias podem ajudar a contrariar a correria, trazendo alguma qualidade de vida para o seu dia-a-dia:

– reveja a sua hora de dormir e a dos seus filhos: dormir bem e descansar é fundamental para que, no dia seguinte, acorde com mais energia e mais confortável. Ir um pouco mais cedo para a cama, vai permitir que se levante mais cedo e com uma maior sensação de bem-estar;

– em vez do velho despertador ou do apito do telemóvel, experimente acordar ao som da(s) música(s) que mais gosta e, de preferência, aquelas que lhe dão vontade de pular e dançar. O seu cérebro irá libertar substâncias que lhe darão mais bem-estar e o dia começa bem melhor;

– se o seu filho(a) tem um despertar “difícil” nos dias de escola (e ao fim de semana acorda incrivelmente às 7h da manhã!), provavelmente não estará a descansar ou suficiente ou alguma situação relacionada com a escola o estará a deixar desconfortável. Pode experimentar a estratégia anterior e, simultaneamente (mas noutra altura do dia), falar com ele no sentido de perceber se algo se passa;

– evite o stress ao pequeno-almoço. A primeira refeição deve ser feita calmamente e sem pressas. Se o dia começa apressado é provável que o seu filho permaneça agitado ao longo do dia, chegando ao fim bastante mais cansado e rabugento;

– durante o jantar (ou preferencialmente após a refeição), procure conversar sobre o dia na escola e partilhe, também, o seu. É provável que a criança ofereça alguma resistência na fase inicial, mas não desista e continue a partilhar os seus momentos. Um dia ela começa, espontaneamente, a partilhar também os seus. E acima de tudo não traga os “ralhetes” da professora para a hora das refeições;

– quando a criança vem da escola, permita que brinque um pouco antes de fazer os trabalhos de casa. Podem criar em conjunto um quadro de horários /actividades diárias, colocando-o num local acessível e visível para todos. E cumpra o que estabeleceu. Se um dia deixa brincar e no outro não (por exemplo, porque está atrasada/o), a criança deixa de saber com o que conta e vai tentar brincar fora do período acordado.

– no fim de semana retire, pelo menos, uma parte do dia em que fica totalmente disponível para as crianças e para os momentos de lazer. Brinque, jogue, dê passeios e verá renascer a sensação de quando estão em férias.

Apesar das crianças serem habitualmente enérgicas e ativas, também precisam de pausas e de momentos mais calmos.
Tenha presente que se os pais estiverem agitados é certo que os filhos também irão ficar.
Tente prevenir e evitar o mais possível as situações de stress nas actividades diárias e verá que a qualidade de vida em família melhorará, substancialmente.

Helena Coelho, para Up To Kids®
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