O amor entre irmãos é imperfeito, e ainda bem que assim é! Um amor imperfeito é aquele que mais investimento requer, mais esforço, mais capacidade de resiliência, para o manter e principalmente para o fortalecer!

É com os irmãos que melhor controlamos a nossa necessidade de egocentrismo e narcisismo. Desde o início aprendemos o sinónimo das palavras partilha, tolerância, perdão, companheirismo, cumplicidade…e amor imperfeito!

Partilhamos os brinquedos, o quarto, a roupa, o lugar da mesa, o tempo, o colo e os mimos dos pais.

Toleramos as birras, os brinquedos estragados, o colo perdido, a escolha do destino de férias, o gelado só com uma bola.

Perdoamos os joelhos esmorrados, as frases de ânimos exaltados, a culpa do que não fizemos, as mentiras.

Estamos juntos, caminhamos lado a lado, mesmo quando discordamos, não abandonamos. Somos cúmplices e honramos a defesa um do outro, como os 3 mosqueteiros nas suas temíveis aventuras. Temos um pacto de vida e de imperfeição…Somos irmãos!

A relação de irmãos é incompleta, continuamente inacabada. Não se alimenta de um amor incondicional como a relação pais e filhos. Não, o seu ímpeto reside na competitividade. Sim, na competitividade, não no embate de um contra outro, mas sim em combater as dificuldades para alcançar a felicidade de ambos. O sucesso de cada um individualmente é um mergulho no êxito a dois, uma conquista conjunta, uma alegria a par!

Olhamos para um irmão como um reflexo do que não somos, é nas diferenças que mais nos revemos. Pois, são essas desigualdades que nos permitem adquirir resistência para lidar com as dificuldades do mundo, são essas dissemelhanças que nos conferem a capacidade de aceitar e compreender o novo, o distinto, o estranho. Somos, sem dúvida melhores com irmãos, eles são o antídoto para o nosso egocentrismo!

O amor de irmãos é imperfeito, repleto de lacunas, como uma corda com imensos nós…Esses nós são a história de duas vidas que caminham lado a lado, apoiando-se num discernimento de ternura e cumplicidade para além do imago individual…somos irmãos!

 

Para o Daniel…companheiro de vida…Irmão!

Por Bárbara Rebelo, para Up To Kids®
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Tenho um irmão mais velho.
Quando nasci mudei o mundo dele. Estava habituado a ser o único e teve de aprender a ter-me por perto.

Não me lembro de o ter conhecido, para mim esteve sempre lá.
A fazer-me companhia quando víamos os desenhos animados sentados no penico em frente à TV.
A partilhar pipocas na cama dos pais.
A escrever com canetas de feltro na parede acabadinha de pintar.
A revirar os olhos quando fazia danças de menina.
A fazer-me rasteiras no corredor de casa só para me ver cair.
A soprar a minha ferida do joelho para ver se deixava de me doer.
A tapar os ouvidos quando cantava no carro e inventava uma versão penosa por não dominar o inglês.
A dar-me a mão para atravessar a estrada.
A ajudar-me na preparatória quando os rapazes mais velhos nos roubavam a bola.
A segurar-me as pernas para o meu primo me fazer cócegas nos pés com uma pena.
A irritar-se por ser tão bem comportada.
A mostrar-me como se jogava na Sega e, sem perder a paciência, explicar outra vez porque ia perdendo vida atrás de vida.
A desafiar-me, sempre (obrigadinha por me teres feito provar-te que conseguia fazer xixi de pé como tu, o resultado foi o óbvio…).
A fazer-me sentir integrada no grupo só de amigos, todos mais velhos como ele.
A dar-me boleias quando não conduzia.
A perguntar-me se a roupa ficava bem antes de sair de casa.
A escrever como ninguém (por que é que deixaste de escrever?).
A passar-me o bichinho pela língua inglesa.
A fazer-me saber de cor todas as músicas dos Queen.
A aturar-me a pedir para me gravar cassetes, depois mini discs, Cds e a sacar músicas e filmes da net.
A vê-lo crescer e amar e estar lá no dia mais feliz da vida dele – o casamento mais divertido a que fui.
A ser pai e dar-me o privilégio de ser tia da bichinha mais linda da minha vida.
A ser um tio babado, dos que brinca – que bom que é ver-vos juntos.
É bom ter um irmão mais velho.
Nem sempre andamos lado a lado mas, mais tarde ou mais cedo, sincronizamos os passos para voltarmos a estar onde devemos – presentes na vida um do outro.

Por Marta Coelho para Up To Kids®
Todos os direitos reservados

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Ter um irmão é um acontecimento que muda radicalmente a vida de qualquer criança. E embora muitas crianças queiram ter um, a verdade é que há crianças que não o querem e outras que nunca pensaram sequer nesse assunto. Os pais têm um papel importante na forma como preparam o seu filho ou filha para a chegada de um irmão mas devem estar à espera de reacções que, por vezes, não parecem as melhores.

A notícia

Se a criança já pedia um irmão, é natural que os pais se sintam ansiosos por dar-lhe a notícia na esperança de ver a sua reacção. Mas pode ser sensato esperar um pouco. O tempo é um conceito abstracto e bastante difícil de compreender pelas crianças. Para elas o tempo obedece a regras estranhas e é difícil de contabilizar (passa muito depressa nos momentos divertidos e muito devagar nos momentos aborrecidos). Poderá ser melhor para a criança que lhe diga o mais tarde possível, quando já houver uma barriga (mesmo que pequena) ou uma foto de ecografia.

Deverá escolher um momento calmo, sem interrupções nem pressas e, de preferência, com todos os membros da família nuclear presentes. Depois de dar a notícia deverá disponibilizar- se para as perguntas que a criança tenha, e que podem ser tão diferentes como querer saber como é que o bebé está na barriga até onde vai ser a cama do bebé. Prepare-se para responder de forma simples sem medo de dizer que ainda não pensou em (ou não sabe) tudo, mas disponibilizar-se para pensarem ou descobrirem juntos.

Conforme vai vendo a barriga crescer e vai dando a novidade a familiares, amigos e outras pessoas, é normal que lhe vão surgindo algumas dúvidas e que vá querendo saber mais: sobre a gravidez, sobre os bebés, sobre ter um irmão, etc. Se ele não demonstrar qualquer curiosidade, poderá ler-lhe um dos variados livros para crianças sobre este assunto ou até levá-lo a uma consulta ou ecografia. Ajuda a que ele se sinta envolvido, pense no assunto e mostra que os pais estão disponíveis para falar sobre isso. Respeite o seu ritmo e não o obrigue a falar. Espere pela iniciativa dele.

Também poderá acontecer, especialmente se já tiver uma menina, que ela de repente passe a brincar com os bebés mesmo que já não o fizesse há muito tempo. Mesmo que tenha um menino, e se ele ainda aceitar bem (normalmente se tiver menos de 6 anos, deverá aceitar) arranje-lhe um bebé e alguns adereços (biberon, prato e colher, fralda, etc.). Se a sua família é muito conservadora e não quiser dar-lho explicitamente (embora ache que pode fazê-lo sem problemas), diga-lhe que “é de uma menina”, que só está “a guardá-lo” e que pode brincar e tomar conta dele à vontade. Este tipo de brincadeiras é muito bom para que as crianças se identifiquem com o papel dos cuidadores, facilitando a aquisição do papel de “irmão mais velho” que lhe vai ser exigido por todos depois do nascimento do bebé.

Procure manter as suas rotinas o mais regulares possível mas prepare-se para algumas regressões, principalmente se ainda é muito pequeno ou se fez algumas aquisições recentemente (como o controlo dos esfíncteres, deixar a chupeta ou adormecer sozinho).

Tente o mais possível não reagir negativamente e aproveite para mostrar e dizer-lhe sempre que gosta muito dele e que isso não vai mudar nunca.

Preparar o nascimento

Se a criança perguntar poderá explicar-lhe que, para nascer o bebé, a mãe terá de passar alguns dias no hospital e só depois trazer o bebé para casa.

Mais perto da data, e quando já souber como vão ser as coisas, deve explicar-lhe onde e com quem vai ficar e como vão acontecer as coisas. Ela deverá obviamente ser levada a visitar a mãe e o bebé no hospital para que se sinta envolvida em tudo. Prepare-se para alguma reacção mais inesperada, como querer deitar-se ao seu colo ou pedir-lhe que brinque com ela nos momentos mais inoportunos.

Procure ter muita paciência, explique-lhe tudo com muita calma. Se puder, aproveite para focar a sua atenção nela e deixe que outra pessoa pegue no bebé, pelo menos enquanto ela estiver presente.

Um bebé em casa

Dependendo da idade da criança, ela poderá sempre ser envolvida nos cuidados ao bebé. Pode escolher um conjunto para o bebé vestir, trazer uma fralda ou contar uma história para o bebé (mesmo que não saiba ler). Em último caso, pode mudar a fralda ao seu bebé enquanto a mãe muda a do mano. Todas estas actividades com o bebé fazem com que a criança se sinta envolvida e valorizada. Mas pode também acontecer que ela não queira participar e, nesse caso, não a obrigue nem comente negativamente.

Mais importante é que a criança sinta que pode expressar as suas emoções livremente sem se sentir obrigada a corresponder ao que os adultos esperam dela. Mesmo que haja alguma reacção mais negativa, não censure, tente não se irritar, procure compreender (“sei que te sentes aborrecido porque não posso brincar contigo”), aceitar e reforçar sempre o seu amor (com um abraço, um beijinho ou outro miminho). Todas as semanas, pelo menos, pai e mãe deverão reservar um pouquinho de cada um para ela. Pode ser só ler um livro, jogar um jogo ou ir até ao parque. Mas deverá ser só vosso, sem o bebé por perto. Desta forma, mais dificilmente ela sentirá que o bebé é uma ameaça ao amor e atenção dos pais.

Mais tarde

Embora as rotinas possam mudar logo que o bebé vem para casa, a verdadeira mudança para a criança mais velha acontece só decorrido sensivelmente um ano. Durante o primeiro ano, ela ainda é a criança da casa e o bebé não ameaçou realmente o seu espaço.

Quando o bebé começa a andar, a falar e a querer brincar com os brinquedos da criança mais velha é que esta vai sentir realmente a intrusão deste num espaço que, até aí, era só seu. Vai ser obrigada a partilhar brinquedos e brincadeiras. Vai ser obrigada a partilhar a atenção dos adultos com um bebé que faz gracinhas, diz coisas giras e está a conhecer o mundo. Nesta altura é que ela pode sentir que está em desvantagem e podem surgir o que se chama de “ciúmes do irmão”.

A forma como os pais reagem pode fazer uma diferença muito grande na forma como as crianças ultrapassam esta situação e aprendem a definir o seu lugar na família, sem se sentirem ameaçadas ou postas em causa pelo irmão.

Todas as crianças são diferentes e fazer comparações entre elas ou manifestar preferências, ainda que meramente descritivas ou positivas, podem levar a criança a sentir que os pais gostariam que ela fosse de outra forma. Evite-as ao máximo.

Na interacção entre os irmãos, defina os comportamentos que não são aceitáveis nunca (bater, morder, chamar nomes, humilhar, etc.), ajude-os a identificar as emoções que causam um no outro (e as próprias) e valorize os comportamentos que causam emoções positivas. Em caso de conflito, tente o mais possível não se envolver e deixá-los resolver sozinhos as questões. Interfira apenas em caso de agressão (física ou psicológica), não se exalte, evite acusações, converse calmamente com os dois, envolva-os na resolução da situação e, em caso de dúvida, não tome o partido de nenhum deles mas reforce a sua confiança em que, numa situação futura, saberão resolver a situação sozinhos.

Mantenha o mais possível os tempos únicos e de qualidade com cada um dos seus filhos, proponha-lhes tarefas em conjunto, reforce positivamente aquilo que cada um faz bem e ajude-os a conhecerem-se cada vez melhor. Reforce diariamente o amor incondicional que sente por cada um deles.

 

Carta de uma mãe aos filhos

Um dia vão perceber o porque desta minha luta contra o tempo…
Crescem de dia para dia sem o meu consentimento.
Assim como vos crescem os pés e os sapatos deixam de servir, cresce o meu amor por vocês, amor desmedido, ilimitado…
Sou egoísta… que egoísmo o meu querer-vos só para mim.
Pergunto-me se estou a fazer um bom trabalho.
Procuro sempre ser melhor – fazer melhor é o maior desafio da minha vida.

Preparar-vos para o mundo.

Dei-vos asas mas estou aqui para vos ensinar a voar, para vou amparar as quedas e serei sempre o ninho onde podem pousar.
Pulem, corram, sonhem, fantasiem, desenhem, pintem, cantem, gritem, brinquem! Brinquem muito, brinquem tanto, tenham uma infância cheia de brincadeiras e aventuras para sempre a recordarem.
Cresçam ao vosso tempo, sem saltar nenhuma fase.
Falem, desabafem comigo. Tentarei dar-vos os melhores conselhos.
Não tenham medo de errar.
Sigam os vossos instintos, mas pensem duas vezes antes de agir. Por vezes é bom agir de impulso mas pode ter consequências, percebem nesta pequena frase a dualidade da vida? O quanto por vezes pode ser complicada? Ter duas escolhas? Que podemos seguir dois caminhos? Espero conseguir ensinar-vos qual o vosso caminho.
Não tenham medo de arriscar, façam o que gostam, escolham o que gostam, descubram a vossa vocação e tenham a profissão dos vossos sonhos, experimentem coisas novas, sempre aprendendo, vivendo, ampliando os vossos limites, transformando o vosso mundo.

Rir é bom, mas chorar por vezes também é.

Não faz mal chorar, não tenham vergonha de chorar, não se fechem em vocês próprios.
Faz mal esconder o que sentimos.
Sorriam muito por favor.
Não posso impedir que tenham problemas, tristezas e decepções, mas desejo que saibam vencê-las para depois valorizar os momentos bons.
Sejam responsáveis, pacientes, bondosos, generosos, sinceros, humildes.
Peçam desculpa se errarem – pedir desculpas e perdoar os outros, às vezes, é difícil, eu sei.
Preservem os bons amigos, não se deixem levar pelos outros – pensem por vocês.
Se caírem, levantem-se e comecem de novo, façam as vossas escolhas e quando elas não forem bem feitas, sejam resilientes e aprendam com os vossos erros.

Confiem em vocês, não desistam. Sejam persistentes.

Façam por serem respeitados e respeitem os outros.
Defendam aquilo que acreditam.
Aprendam a ouvir pontos de vista diferentes.
Observem à vossa voltam.
Valorizem aquilo que têm.
Olhem para as pessoas sempre do mesmo modo, independentemente do sexo, raça, classe ou religião.
Não guardem rancor nem deixem nada por dizer – Atenção, sinceridade e frontalidade é diferente de arrogância e prepotência.
Orgulhem-se dos pequenos feitos que forem conquistando pelo vosso esforço.
Aproveitem a vida, aproveitem tudo o que a vida vos proporciona, mesmo as coisas que são (quase) um dado adquirido, as coisas simples, as coisas pequenas da vida.
Nunca se esqueçam de, primeiro, amar a vocês mesmos.
Sejam amigos um do outro.
Sejam felizes!
Estarei aqui sempre por vocês e para vocês.
Com amor
Mãe

 

Por Vanessa Muchagata, originalmente postado em Crónicas de Uma Grávida acamada,
adaptado por Up To Lisbon Kids®
Todos os direitos reservados

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LER PRIMEIRO |  A VERDADE SOBRE TER UM TERCEIRO FILHO

A derradeira verdade sobre ter um quarto filho

Quando engravidamos do quarto filho, os mais velhos já são completamente autónomos mas o terceiro é ainda um bebé apesar dos seus quase 4 anos. Não sabemos que estamos grávidas até percebermos que aqueles 3Kg a mais não são por estar a entrar nos 40. Curiosamente sentimo-nos com a energia de uma adolescente, e aguentamos tudo com poucas horas de sono. Parece que estamos grávidas de 6 meses, no dia antes de parir. Já ultrapassamos a fase do stress, e agora adotamos uma postura zen, menos quando estamos a dormir que temos sempre um olho aberto por causa dos outros filhos.

Nesta fase somos super-heroínas

Nada nos afeta, e os enjoos nem tiveram coragem de se manifestar. Não há tempo para nada e mal descansamos por isso, quando é hora de refeição é hora de refeição, e não nos privamos de comer sobremesa sempre que nos apetece. O álcool sabe-nos lindamente até descobrirmos que estamos grávidas. A partir daí voltamos a enfrascarmo-nos em baldes de leite com chocolate. Compramos vitaminas no dia em que descobrimos que estamos grávidas e tomamos religiosamente todos os dias. Tudo o que ajudar a aguentar este ritmo é bem vindo. Redefinimos o conceito de tempo. É a gravidez mais curta da história e é contada em períodos escolares e férias grandes.

Ninguém se dá ao trabalho de nos dar conselhos ou informações sobre bebés

Preocupam-se a dar conselhos sobre contraceptivos. Todos assumem que somos loucas e que só pode ter sido um acidente. As pessoas acotovelam-se a apontar para nós no meio da rua, normalmente de sorriso na cara. Fazem questão de nos contar histórias sinistras sobre o terceiro filho que deixou de falar, comer ou fazer cocó quando nasceu o quarto. E sentiu-se incompreendido toda a vida por isso nunca conseguiu ter uma relação estável. O obstetra já nos conhece de ginjeira e falamos várias vezes por whatsapp.

Como a gravidez se pega, três ou quatro amigas também estão grávidas. As restantes, batem na madeira e continuam com uma vida social agitada.

Perguntam-nos, onde quer que vamos “É o primeiro?” Quando dizemos que é o quarto, ficam com cara de Mona Lisa, e acabam por soltar uma bojarda qualquer tipo:

“- Eh lá, isso é que é! Grande coragem… tinha só rapazes, era?”

– “Não, já tínhamos dos dois sexos, por isso devemos ser mesmo estúpidos por fazer mais uma criança!”

Lemos artigos sobre maternidade nas redes sociais e nos blogues e tiramos dúvidas nos grupos de mães.

A Criança vai ficar com o nome do pai ou da mãe ou do periquito. Montamos o berço ao lado da nossa cama e esperamos que o bebe caiba lá até aos 2 anos porque não há quarto para ele.

Já não temos quase nada de enxoval, mas as coisas vão aparecendo através de amigas e familiares. Mesmo assim fazemos questão de comprar cueiros e outras peças que duram um mês, porque na verdade estamos cheias de saudades de roupa tamanho zero.  Os miúdos passam a vida a ver televisão e já mal controlamos as gravações que fazem. Já não se fala sobre pierciengs e tatuagens: eles não falam sobre isso, nós temos tanto com que nos preocupar, que se algum aparecer com um mamilo furado é um mal menor. A Dora e o Ruca já desapareceram da nossa casa, e na verdade, até preferíamos que voltassem porque, pelo andar da carruagem, este bebé vai ser fã de DragonBall e Violletas aos 18 meses.

O bebé nasce. E sentimo-lo como se fosse o primeiro filho.

Este filho vai fazer-nos perceber a quantidade de amor de que um coração humano é capaz. Vamos olhar para os mais velhos com outros olhos, e perceber o doloroso que é estar longe deles. Vamos perceber que eles continuam a precisar de nós tanto como o bebé. Vamos ter de gerir o nosso tempo, porque a capacidade de amar multiplica-se, mas o tempo não!

Vamos confirmar que temos a capacidade de amar cada um deles. E que temos a capacidade de sofrer por cada desgosto deles. E  fazêmo-lo alegremente até ao último sopro. Ao nosso último sopro, esperemos.

Quando engravidamos do nosso quarto filho, as pessoas julgam-nos e criticam-nos.

Mas eu vejo sempre o copo meio cheio. E trazer uma vida a este mundo não é garantia de incertezas e tristezas ao longo de toda a existência. Para mim, é garantia de certezas (cada vez mais) e alegrias ao longo de toda a existência.

Eu fui mãe por amor. Amor ao meu marido, amor à nossa vida, amor ao nosso amor. Por querer estender e partilhar este amor. E sim, não planeei tudo, se querem saber… Mas isso nunca fez com que os meus filhos fossem menos desejados ou menos amados.

Se somos felizes assim?
Somos, felizes e completos.

Por Ines Pinto Correia, Todos os direitos reservados

Quando as emoções dos nossos filhos movem o nosso mundo

Ser pai é uma tarefa árdua.

Os nossos filhos, especialmente os mais pequenos, têm vários momentos em que nos tiram do sério.

Seja tolerante consigo, mas quando se sentir tranquilo e livre de stress, aproveite para “treinar” as emoções do seu filho. Futuramente, haverá menos explosões de emoções e o seu filho tornar-se-á mais competente em diferentes áreas.

O que poderá fazer para ser um “Treinador” de Emoções:

1º Reconhecer Emoções
Isto de reconhecer emoções pode ser difícil, no entanto, é essencial que consiga reconhecer as suas e as do seu filho, quer sejam estas mais ou menos intensas.

2º Oportunidade de Intimidade e de Aprendizagem
Depois de reconhecer as emoções temos a porta aberta para a aprendizagem dos miúdos e ainda, para ficarmos mais próximos deles.

3º Empatizar e Validar a Emoção
O seu filho precisa de se sentir compreendido e orientado por si, visto isso, terá apenas de mostrar que percebe o que ele está a sentir e respeitar a emoção presente.

4º Ajudar a dar nomes às Emoções
Como o seu filho ainda é pequeno, é absolutamente natural que ainda tenha dificuldade em saber o que está a sentir, sendo assim, precisa de si para aprender o nome da emoção, para que seja possível, posteriormente, compreender e dar sentido a estas emoções.

Eis as sete emoções fundamentais – alegria, surpresa, medo, tristeza, raiva, nojo e desprezo

5º Manter os Limites e ajudar na Resolução de Problemas
Finalmente, é preciso que o seu filho saiba quem é o pai, e que apesar de o compreender e de o ajudar a lidar com as emoções, é você quem manda e tem a última palavra. Você está a ajudar o seu filho a lidar com o que sente, o que não implica que lhe fará as vontades. Para além disso, poderá sugerir formas de resolver o problema, ou formas de lidar com a frustração que ele possa estar a sentir num dado momento.

Para que possa compreender melhor deixo uma situação exemplo:

O Henrique tem 8 anos e faz birra quando o irmão mais novo lhe tira o brinquedo com que estava a brincar.

Resposta mais frequente de um pai:
Dá o brinquedo ao teu irmão e pára de chorar. Agora é a vez dele brincar

O que nós sugerimos:
“Eu sei que estás com raiva porque o teu irmão te tirou o brinquedo. Sei que gostas muito de brincar com ele, mas agora quero que o emprestes ao teu irmão porque é a vez de ele brincar”

Em suma, o que se pretende é que você possa ser o treinador das emoções do seu filho, dando-lhes a possibilidade de aprender a dar nomes as emoções e a lidar com elas. Com o treino o seu filho será capaz de enfrentar as dificuldades e problemas da vida de forma eficaz e criativa porque com esta abordagem ele aprenderá que as emoções não são perigosas, que o seu pai é capaz de aceitar as emoções mais difíceis e que está presente para o ajudar a lidar com elas.

Resultados evidentes do treino das emoções dos nossos filhos

Com o tempo, o seu filho tornar-se-á mais calmo e fará menos birras, uma vez que o ensinou a lidar com as emoções que tem dentro dele. Finalmente, futuramente, o seu filho será também mais capaz em todas as adversidades que possam surgir, sendo por isso uma criança mais saudável (ex: terá melhores notas e não irá desistir se tirar uma negativa num teste; saberá resolver problemas com amigos ou colegas; será um adolescente capaz de tomar decisões mais acertadas).

Sei que pode parecer difícil, e que por vezes as emoções são assustadoras até para os adultos, no entanto, são elas que abrem espaço a uma oportunidade de crescimento, tanto sua, como do seu filho. Terá apenas de relaxar, aceitar e abraçar a oportunidade de ser o treinador de emoções do seu filho.

Divirta-se!

 

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Comunicação Adequada

Como comunicar com os filhos de forma positiva e eficaz

Coaching em Família

 

 

Filhos Únicos – A queda de um mito

Às vezes, quando estou sozinha, penso em mim própria.
O exercício já não é novo.
Sou filha única e passei todas as fases do meu crescimento fazendo perguntas a mim mesma.
Todo o esquema da minha vida era gizado na minha cabeça. Mesmo às perguntas mais difíceis tive sempre de encontrar respostas, encontrar soluções, e sem ajuda ou interferência de irmãos, havendo concordância comigo mesma, avançava.
E às vezes, tantas vezes, de forma errada.
Precisava apenas de ter vontade própria. Auto-estima.
Não tinha barreiras, fronteiras, jogos de poder.
Este é o segredo dos filhos únicos.
Precisamos estar dos dois lados da mesa para fazer um jogo. Temos de adivinhar o que o outro vai fazer para fazer a melhor jogada.
O outro, que nunca existe, é apenas uma questão de consciência. Acabamos sempre por fazer o que queremos, porque apesar de inventarmos outro alguém, esse alguém nunca nos faz grande frente, e a infância, pródiga na inocência, em nada vê mal e tudo nos parece fazível, mesmo a pior estupidez.
Isto de fazermos o que queremos, não é ser mimado, é não ter oposição. São coisas totalmente diferentes. Trata-se de uma necessidade, ou seja, é uma falta, e não um ganho.
As pessoas quando sabem que sou filha única, dizem-me logo que sou mimada, assim, sem pensar. Também dizem que as magras não comem e que as gordas comem demais. É um estigma. Uma nódoa daquelas muito tesas que nunca saem na totalidade.Ora porque raio serei eu mais mimada do que as pessoas que têm irmãos?
‘Porque tinhas tudo para ti, os mimos todos.’
Não. Os mimos não se repartem e não se gastam.
Até parece que uma mãe quando acorda, tem uma dose limitada de mimos para os dois irmãos. Se um se atrasa mais a acordar, quando chega à cozinha, a mãe já gastou a dose toda com o mais madrugador.
Que coisa ridícula. Perguntem às mães, que elas logo vos respondem. Gostam dos filhos com uma dose de amor igual. Elas sabem muito bem explicar que, o que difere de filho para filho não é a dose de amor que lhes dedicam, é antes uma espécie de combinação astrológica. Entendem-se melhor com o Manuel porque o Manuel é aquário. O Pedro é escorpião, e é mais arisco. Gosta igualmente dele, mas discutem mais vezes.
Se eu for escorpião, mesmo sendo filha única, a minha mãe não me dá o mimo todo a mim. Dá algum ao gato que nasceu em setembro, não faz perguntas e não tira más notas.
Por outro lado, se fizer asneira, as palmadas são todas minhas, e se uma mãe se cansa a bater em três filhos, e mesmo assim ficam todos doridos, imaginem a mãe que larga a fúria toda no mesmo rabo. O que tem isto de mimoso?
A questão de sermos egoístas é outra que tal. Nunca fui egoísta, aliás a minha dose de egoísmo é muito menor do que a dose de egoísmo que sempre vi nos irmãos pequenos. Fervia grande discussão sempre que queriam alguma coisa. Brinquedos comuns davam sempre confusão. Como tinham de se impor para ganhar a posse do brinquedo, que era ‘dos dois’ tornavam-se mais egoístas e possessivos.
O mesmo com essa coisa do amor da mãe. A mãe é minha. O pai é meu. Alguns irmãos lutam até ao fim da vida por essa atenção, e amiúde desenvolvem sentimentos de culpa por não granjearem mais amor, do que o irmão que nasceu depois, ou antes. Depois amenizam-se com esse sentimento, mas ele permanece latente.
Como podem constatar, a teoria está totalmente ao contrário.
Os filhos únicos não passam por estas fricções de disputar amor e bens materiais. São mais calmos e não dão tanta importância ao ter.
Ao dar, ao emprestar, os filhos únicos não tem o sentido de posse tão apurado, além daquele que é natural em todas as crianças numa certa fase. Normalmente a fase em que os outros teimam em ‘dar irmãozinhos’ aos filhos únicos. Outra pressão social que os filhos únicos de costas muito largas assumem sem culpa.
O senso comum desgasta-me.
No outro dia, por uma questão puramente astrológica, não quis pedir um trabalho a uma colega. Preferi fazê-lo sozinha, ainda que tenha demorado mais tempo. Claro! Não sei trabalhar em equipa. Sou filha única.
Toda a gente sabe que os filhos únicos desta vida, vivem cada um em seu planeta, cada um em sua empresa, cada um em sua casa.
Não se juntam com ninguém.
Os filhos únicos são todos ermitas.
Os filhos únicos têm todos o mesmo nome: O Principezinho.
Mais uma teoria contraproducente.
Os filhos únicos estão habituados a pensar duas vezes sobre o mesmo problema.
Lá em cima, no jogo de mesa, precisaram fintar-se a eles próprios. Não é por isso uma questão de mimo, simplesmente não tinham ninguém a quem contrapor a sua ideia, logo, a pulsão é para resolverem por si só, as questões.
Há muito quem diga que os filhos únicos passeiam pela savana de nariz muito empinado.
Que são muito convencidos.
E são.
Precisaram de o ser.
Precisaram ter uma dose maior para avançar nas brincadeiras.
Se se depararam na infância com uma árvore muito alta, tiveram de decidir sozinhos se a subiam. Não há mais ninguém para empurrar, não há mais ninguém para amparar a queda, não há ninguém para ajudar na mentira quando o joelho aparece todo esfolado em casa. A responsabilidade é toda nossa.
Para sempre.
Subimos ou não?
A solidão do filho único é a mãe da auto-estima. Não é a mãe e nem o pai que nos traz pela manhã a auto-estima misturada no leite. Somos nós que a desenvolvemos sozinhos, e isso às vezes não é positivo, pois pode nascer muito abalada ou cheia de erros.
Ser filho único não é mesmo nada bom.
É um mito que se criou com base em princípios materiais, que colocam a tónica do filho único no ganho material que tem ao não haver mais ninguém com quem dividir as possibilidades materiais dos pais. Mas ter um irmão, pode ser muito melhor do que ganhar uma voltinha de cinco anos numa universidade particular.
Além disso, estou sozinha com um pai e uma mãe, que são dois.
Não tive mais amor por ser filha única, tive talvez mais peso, mais responsabilidade, mais olhos nos meus ombros, mais expetativas centradas em mim.
Não passei por intervalos da chuva nas travessuras da infância, e não passo pelos intervalos da chuva nos não-sucessos da vida adulta.
Ser filho único é tudo menos positivo, e quem pensar o contrário está muito errado. 
Tenho muita pena quando vejo a maior parte dos casais impossibilitados de ter mais filhos, e de poderem proporcionar aos seus filhos únicos a alegria de ter um ou mais irmãos, que aprendem e desenvolvem as suas capacidades em conjunto, que não ficam sem respostas às questões magnas da infância.
O saber comparado é um saber muito mais perfeito, mais ponderado, e leva-nos a todos muito mais longe.
O que pode haver de melhor do que o irmão para abraçar, para dançar aquela música, lembrar aquela miúda, ter um olhar e um sorriso cúmplice quando a mãe começa com as ‘coisas dela’?
Não será isso o verdadeiro mimo, que eu, como filha única nunca vou ter?irmãos

Li algures sobre o egoísmo de quem não quer ter filhos ou mais do que um filho, porque não quer abdicar da vida que tem e de todos os “luxos”.
Ter filhos não é uma decisão que deva ser tomada de ânimo leve… ter porque todos têm é quase como escolher um carro topo de gama quando se vive debaixo da ponte.
Sim, se o problema é dinheiro:

    • podemos não ir de férias para o algarve porque somos muitos ou ir com um budget apertado e dormirmos todos uns em cima dos outros;
    • podemos tirar os mais velhos do colégio e por todos em escolas públicas;
    • podemos comer mais porco e menos peixe;
    • podemos andar mais a pé e arranjar um apartamento mais central para não ter que usar carro e despesas inerentes;
    • podemos ir só a hospitais públicos e poupar nos seguros;
    • podemos não ter empregada doméstica;
    • podemos TUDO isto e muito mais se quisermos ter muitos

Os meus pais escolheram ter muitos filhos e eu não me imagino de outra forma.

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FILHOS ÚNICOS A QUEDA DE UM MITO

Mas não me venham dizer que quantos mais filhos mais felizes, porque há famílias grandes completamente destruídas e infelizes, da mesma forma que há famílias pequenas, muito unidas e felizes! Os meus pais, através do amor e da educação que nos deram, ensinaram-nos a união e consequentemente a felicidade.

Whatever You Do

A grandeza de uma família não se mede pelo volume da mesma…

Tantas pessoas que nunca deveriam ter tido um filho e têm aos magotes e tantas que mereciam ter dez de enfiada e não conseguem ter um (não estou a ser irónica!). Eu podia ter tido mais dois ou três, mas perderia a minha sanidade porque me conheço minimamente. Passei algumas situações inesperadas, relacionadas com saúde, no que diz respeito às crianças e, sabendo o que sei hoje, por tudo o que aconteceu, escolho não ter mais filhos. Esta é a minha explicação, chamem-lhe desculpa se quiserem. Mas, se a minha explicação, se a quisesse dar, fosse outra qualquer, também seria válida. Porque posso escolher e só me critica quem não olha por si!

Faço já a ressalva: se amanhã vier aqui dizer, toda contente, que estou à espera de outro filho, dêem-me os parabéns e não digam mais nada… se calhar mudei de ideias!

A beleza da cabeça de uma mulher…

imagem capa@tufamiliassobreruedas

A verdade sobre ter um terceiro filho

O primeiro filho

Quando temos o primeiro filho, sentimo-nos o centro do universo: nunca ninguém teve um bebé antes, e este é o evento mais importante na história do mundo.

Somos capazes de dormir uma sesta todas as tardes e passeamos orgulhosas de mão na barriga à espera do grande dia! Sentimo-nos calmas e estamos sempre a rir. Adoramos as más disposições de grávida porque é sinal de que o bebé está a crescer. Fazemos uma alimentação saudável, de preferência com produtos biológicos, tomamos as vitaminas todas e não bebemos álcool. Estamos informadas e avisadas. As pessoas fazem questão de nos contar as suas histórias sinistras de partos complicados. O nosso Obstetra fala connosco e seguimos os seus conselhos religiosamente.

A verdade sobre ter o terceiro filho

As pessoas desdobram-se para ajudar nas compras, dão-nos as roupas dos seus filhos que já não vão usar. E ficam, realmente, entusiasmadas com a tua gravidez. Todos querem tocar-nos na barriga. E perguntam-nos, onde quer que vamos “É o primeiro?” Quando dizemos que Sim recebemos um grande e caloroso sorriso de boas vindas a este mundo novo da maternidade. Dizem-nos que vai ser a melhor coisa que já nos aconteceu na vida. E nós acreditamos.

Devoramos toda a literatura da especialidade, assinamos a “Pais e Filhos” e outras revistas on line.

Montamos o quarto do bebé, planeamos como vai ficar, pintamos ou colocamos papel nas paredes. Passamos horas a investigar qual a melhor espreguiçadeira baloiço, o melhor sling e os melhores arneses. Protegemos todas as tomadas e esquinas da casa, mudamos os detergentes para um armário mais alto e que, para abrir a porta, é necessário inserir um código de 8 dígitos.

Cortamos cuidadosamente as etiquetas da roupa do bebé, e lavamos tudo duas vezes com um detergente super-XPTO orgânico, amigo do ambiente, e especial para a pele dos bebés.

O meu filho não vai usar chucha, não vai chupar no dedo, vai mamar para sempre.

Vou virá-lo todas as noites para não ficar com a cabeça achatada. Não vai assistir televisão até aos 8 anos, nunca vai ter telemóvel, nem piercings, e nunca vou deixar entrar brinquedos ou roupa dos desenhos da televisão em minha casa, como o Ruca ou a Dora.

A verdade sobre ter o terceiro filho

O segundo filho

Quando engravidamos do segundo filho, o mais velho é o centro do universo. Já nos esquecemos de todas as coisas de bebé, e só podemos gozar a gravidez à noite, quando o primogénito está a dormir.

Nunca mais dormimos durante o dia, porque o mais velho já deixou a sesta. Quando entramos no 2ª trimestre de gravidez parece que estamos grávidas de 6 meses. Sentimo-nos stressadas e gritamos muito. Adoramos as más disposições de grávida porque são um bom motivo para descansarmos um bocadinho. Comemos os restos do prato do primeiro filho, tentamos não beber álcool, e às vezes, lembramo-nos de tomar as vitaminas.

Ficamos saturadas com a informação e os conselhos.

As pessoas fazem questão de nos contar as suas histórias sinistras sobre os filhos mais velhos que fazem mal aos bebés. Esquecemo-nos de metade dos conselhos do nosso Obstetra.

Os amigos que já não querem ter mais filhos começam a “despejar”, em nossa casa, as coisas  de que já não precisam. Quer precisemos ou não. Todos querem tocar-nos na barriga. E perguntam-nos, onde quer que vamos, “É o primeiro?” Quando dizemos que Não, afastam-se com um ar desapontado…

Vamos buscar a literatura da especialidade, mas arrastamo-la por semanas sem sequer conseguir dar-lhe uma vista de olhos.

Recomeçamos a ler a Pais e Filhos, mas agora interessamo-nos por outros tópicos, tais como facilitar a adaptação do irmão ao bebé que vai nascer. “Expulsamos” o mais velho da cama de grades, sem cerimónia, e dizemos-lhe que agora é um crescido e, por isso, vai dormir numa cama de crescidos. Fazemos a “reciclagem” dos brinquedos de bebé para perceber os que ainda dão para aproveitar, lavamos os lençóis do berço, compramos uns autocolantes de parede e um par de fraldas de recém-nascidos. Está feito o quarto do bebé.

Olhamos para as espreguiçadeiras-baloiço, os slings e arneses, e questionamo-nos se vale a pena tirar aquilo da garagem.

O nosso filho mais velho já retirou todas as protecções das tomadas da casa e continua vivo, por isso não as repomos. Os detergentes estão debaixo do lavatório com um fecho anti-crianças.

Lavamos as roupas de bebé com detergente normal. Compramos um conjunto de bodies e deixamos perto do berço. De certeza que vai dar jeito. Eles só vão assistir à TV quando estivermos muito cansadas, resmungonas, ou a fazer o jantar. Eles só vão ter uma consola quando tiverem 3 anos. Nunca vão ter piercings. O Ruca e a Dora já fazem parte la de casa.

Já esquecemos tudo sobre planos de nascimento, e estamos ansiosas por aqueles 3 dias no hospital para fugir ao caos de nossa casa. Vai saber bem o descanso.

Carregamos o telemóvel e verificamos se a net funciona, pois pretendemos ficar toda a estadia no Facebook. Não vamos preocupadas com o parto, mas questionamo-nos quanto à amamentação. Levamos protectores de silicone e cremes para o peito. Pelos sim pelo não levamos a bomba e dois biberãos. Só por causa das tosses.

A verdade sobre ter o terceiro filho

O terceiro filho

Quando engravidamos do terceiro filho, o mais velho, em idade pré-escolar, e o segundo, até agora o mais novo, acham-se o centro do universo. Não sabemos que estamos grávidas até percebermos que aqueles 3Kg a mais não são graças ao apetite enorme que temos tido. Parecemos umas mortas-vivas, e aprendemos a dormir as sestas de olhos abertos durante as aulas de natação ou de ballet. Parece que estamos grávidas de 6 meses assim que acabamos de conceber. Só não estamos stressadas quando estamos a dormir. E, quando estamos a dormir, ressonamos.

Andamos com sacos de vómito na mala para sobreviver às más disposições da gravidez, e deitamo-los fora com as fraldas descartáveis. A nossa refeição principal é o almoço. Todas as outras são a correr ou não existem. Se os nossos filhos não comem salada nem vegetais, porque é que nós havemos de comer?

Nem sequer tentamos deixar de beber álcool, até insistimos num copo de vinho, mas sabe pessimamente, e enfrascamo-nos em baldes de leite com chocolate.

Compramos vitaminas no dia em que descobrimos que estamos grávidas, e esquecemo-nos de as tomar durante toda a gravidez. Redefinimos a palavra “eternidade” baseadas nas constantes perguntas do filho mais velho sobre se “é hoje que o bebé nasce?

Ninguém se dá ao trabalho de nos dar conselhos ou informações sobre bebés. Todos pensam que somos loucas ou irresponsáveis. E assumem que foi um acidente. Olham-nos de soslaio no supermercado quando nos veem com dois miúdos, mais um a caminho, 2 cachos de bananas e vários iogurtes. As pessoas fazem questão de nos contar as suas histórias sinistras sobre os filhos do meio que acabaram por se tornar psicopatas. Ou políticos. Vemos o Obstetra no dia do parto.

As amigas que já não vão ter mais filhos, já perderam peso, estão giras, com um ar descansado e relaxado. Podem sair à noite e ter vida social. Não sentem nada mais do que pena por nós.

Perguntam-nos, onde quer que vamos “É o primeiro?” Quando dizemos que é o terceiro, riem-se à gargalhada e vão-se embora.

Já não  temos nenhuma literatura de especialidade como tínhamos, e já não há dinheiro para pagar assinaturas. Folheamos diversas revistas  à espera de nos inspirarmos sobre o nome da criança. Tiramos o segundo filho da cama de grades num ápice, e treinamo-lo a largar as fraldas ainda antes de nascer o bebé. Se tudo correr mal, vamos a rapidamente comprar outra cama de grades.

Vamos desencantar fraldas de recém-nascido que tinham sobrado dos outros, e pomos junto ao berço. Está feito o quarto do bebé.

Olhamos para o enxoval do bebé, que já passou pelos irmãos, e embora coçadinho, vai ter de dar.  Instalamos uma TV no quarto dos miúdos. Nunca vão ter piercings antes dos 16 anos. A Dora e o Ruca estão por todo o lado….

O bebé nasce. E há-de ir para o infantário.

Este filho vai fazer-nos perceber a quantidade de amor de que um coração humano é capaz. Vamos olhar para os mais velhos com outros olhos, e perceber o doloroso que é estar longe deles. Vamos olhar para o nosso marido e ficar eternamente gratas por estes três maravilhosos filhos que ele nos deu, e desculpá-lo por (quase) tudo o resto. A nossa vida é agitada, confusa e barulhenta, alguns  gritos, frustrações e muito amor. Teremos muitos daqueles momentos de cortar a respiração, aquelas experiências únicas, aqueles dias fantásticos que fazem com que nunca nos venhamos  a arrepender das escolhas que fizemos.

 

(…continua…)

A derradeira verdade sobre ter um quarto filho

traduzido e adaptado com autorização por Up To Kids®,

artigo original de Shannon Meyerkort
@Scary Mommy