Querido filho adolescente,

Quero que saibas que nem sempre uso as palavras corretas para te dizer aquilo que penso e sinto, e que isso te pode fazer sentir triste, zangado ou inseguro…

A minha intenção é sempre fazer-te perceber o que é melhor para ti, mas também sei que quando te digo “tens de fazer isto porque eu mando”, tu ficas sem vontade de cumprir, sentes que não tenho em conta as tuas necessidades e a comunicação entre nós fica bem mais difícil. Talvez sintas muita pressão quando te digo “Devias ter sido tu a fazer isto” e a tua forma de te protegeres é argumentares dizendo que não percebes porque é que tens de ser tu.”

Às vezes dou-te sugestões sobre como deves resolver os teus problemas e digo coisas como “se eu estivesse no teu lugar eu fazia desta forma” ou “mas porque é que não fazes antes como te estou a dizer”, e digo-te sempre isto com boa intenção, mas pensando bem posso estar a transmitir-te a ideia de que tu não és capaz de resolver os teus problemas e tornares-te demasiado dependente de mim para os resolveres no futuro.

Por isso, vou tentar dizer-te mais vezes que gostei de determinada atitude que tiveste, que adoro o teu esforço para alcançares os teus objetivos. Vou também tentar perguntar-te mais vezes se precisas da minha ajuda e oferecer-me para, em conjunto, encontrarmos uma solução, em vez de te dar a solução que me parece melhor, pois penso que assim te vais tornar mais autónomo e vais sentir que estou por perto sem me estar a impor.

Também quero que sintas que presto atenção ao que sentes e que experimentes o cuidado que tenho para contigo, e por isso vou dizer-te mais vezes coisas como “compreendo como te deves estar a sentir” ou “deve ser muito difícil passar por essa situação, se precisares de ajuda diz”.

Tudo o que faço é porque te amo, e isso para mim é tão óbvio, que penso que também o é para ti, e por isso, muitas vezes, esqueço-me de te dizer diretamente o quanto gosto de ti, mas sei como é importante ouvires estas palavras, e por isso vou dizer-te mais vezes “gosto muito de ti” e “é muito bom estar contigo”.

Não sou perfeito (há alguma pai/mãe que seja?!), mas vou tentar ser, a cada dia, um bocadinho melhor e ajudar-te a crescer mais feliz, confiante e tranquilo, começando pelas palavras que usarei contigo.

Por Cátia Teixeira, Psicóloga Clínica

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“O Henrique tem 4 anos acabados de fazer e, como tal, uma persistência gigante para alcançar o que quer. Hoje, no jardim-de-infância, o dia não lhe correu muito bem … Numa ida com a sua turma a uma feira temática, o Henrique encantou-se por um carrossel e quis, de imediato, andar nele. A senhora do carrossel disse-lhe que era só para meninos a partir dos 5 anos e o Henrique retorquiu, de “cara feia”: “Mas eu já sou crescido! E tenho quase 5 anos!”. A Educadora explicou-lhe, então, que sim, ele era crescido, mas que havia meninos ainda mais crescidos e que aquele carrossel era perigoso, poderia magoar-se. Além disso, havia um outro carrossel para meninos igualmente crescidos como ele, no qual os meninos mais velhos não podiam andar – era especial só para os meninos de 4 anos. O Henrique lá aceitou. No final do dia, quando a mãe do Henrique o foi buscar, ele prontamente lhe contou o sucedido, choramingando que a Educadora não o havia deixado andar no carrossel que queria. A mãe, abraçando-o e olhando para a Educadora, respondeu: “Pois é, meu fofinho, já és crescido! Sabe, nessas situações, eu costumo dizer que ele já tem quase 5 anos, porque assim pode ser que eles deixem… Depois, voltamos lá noutro dia e vemos se a senhora te deixa andar, está bem meu fofinho?”.

As crianças são muito espertas, mas isso já nós sabemos.

Sabemos também que têm um dom particular de nos levarem a fazer o que querem, a lutar com “unhas e dentes” (por vezes, literalmente) para marcar a sua posição. Conseguem levar-nos ao extremo do nosso limite de paciência, deixando-nos “à beira de um ataque de nervos”, com os cabelos em pé. Conseguem também fazer pairar na nossa cabeça um “eu queria dizer que não, mas não consigo” (cantarolado ao jeito da canção conhecida que passa nas rádios) a cada “olhar de Gato-das-Botas do Shrek” que nos lançam. É relativamente fácil sentirmos culpa cada vez que temos de as contrariar.

As palavras “Sim” e “Não”

Queremos, fundamentalmente, que as “nossas” crianças cresçam felizes, sejamos pais, cuidadores ou educadores. As palavras “sim” e “não” pertencem a essa esfera. Porém, parece-nos muito mais fácil utilizar o “sim”. Então, porque é que a palavra “não” custa tanto a aplicar? Numa perspetiva lógica e racional, a palavra “não” tem tantas letras quanto a palavra “sim” e ocupa exatamente o mesmo tempo de discurso. Já o impacto emocional e comportamental de cada uma delas é diferente.

A Bússola do “Não”

O “não” funciona como uma excelente bússola. As suas coordenadas ajudam as crianças, e também os adultos, a situarem-se a nível emocional e comportamental. Enquanto adultos, temos o dever de encaminhar as crianças no caminho certo para o seu “norte”, para os seus objetivos, para que o seu desenvolvimento ocorra da forma mais equilibrada e saudável possível. Aliás, as crianças pedem-nos essas coordenadas de crescimento a cada birra, a cada comportamento de oposição, a cada finca-pé.

Aprender a ouvir e a lidar com o “não” é tão essencial como a água para o nosso corpo. Aprendemos a relacionar-nos de forma mais adequada com o mundo que nos rodeia, melhorando a nossa tolerância à frustração (um dos segredos para seres humanos mais felizes).

Os benefícios do “Não”

São vários os benefícios que daí advêm:

  • maior resiliência
  • maior capacidade de adaptação aos inúmeros desafios da vida, em diversos contextos
  • maior autoestima
  • maior conhecimento dos limites na relação Eu-Outro
  • maior respeito pelo mundo envolvente
  • maior inteligência e equilíbrio emocional

No geral, a nossa tendência natural é querermos colocar as nossas crianças num redoma de vidro, numa espécie de “bolha de proteção mágica” para protegê-las de todo o mal do mundo. Muitas vezes de forma inocente, sem nos apercebermos das consequências futuras. Sabemos o quão desafiante pode ser a tarefa de ajudar uma criança a crescer, no meio de uma vida atarefada, agitada e igualmente exigente para nós, adultos.

Quantas vezes nos sentimos cansados depois de um longo dia de trabalho, que a nossa vontade é dizer que “sim” a tudo, talvez para compensar a nossa ausência física e afetiva e também para não termos de nos “chatear”, porque a paciência se esgota? Quantas vezes cedemos, mesmo depois de uma decisão tomada, porque nos “dói a alma” ver a criança chorar? E quantas vezes já nos apercebemos das “manhas” a que a nossa pequenada recorre para “levar a água ao seu moinho”?

As consequências do “sim”

As consequências da nossa dificuldade em dizer “não” far-se-ão sentir a cada etapa de desenvolvimento até à idade adulta, passando por adolescentes rebeldes, adultos infantilizados e desconhecedores dos limites do Outro, para quem tudo é negociável e tem de corresponder às suas exigências e expectativas, e ainda adultos acomodados às pressões exteriores, que cedem facilmente.

Colocar em prática

Como colocar, então, em prática a bússola do “não” de forma consistente e equilibrada?

Eis algumas sugestões (ter em atenção a idade da criança):

  • ser consistente, coerente e firme: não ceder constantemente à insistência da criança. A incoerência do adulto leva ao desenvolvimento de magníficas artimanhas de manipulação emocional.
  • desdramatizar ou o chamado “keep it simple: quando algo não corre como o desejado, evitar atribuir um peso emocional muito forte, conversando tranquilamente sobre o que não correu bem e pensando em estratégias para que, futuramente, corra melhor.
  • ensinar a esperar: ensinar que tudo tem o seu tempo e que, nem sempre, podemos ter o que queremos e quando queremos.
  • lembre-se: enquanto Adulto é o exemplo para a criança – é o seu modelo, funciona como espelho. A tendência natural das crianças é imitar, seguir o exemplo de quem é importante para si. É essencial adoptar um comportamente congruente, ensinando que os “nãos” e a frustração fazem parte da vida e, como tal, não são “o fim do mundo”.

É importante termos em mente que não há soluções mágicas e universais e que cada criança é uma criança e que todas merecem crescer com respeito e afecto. Merecem (e precisam!), igualmente, de balizas emocionais que as ajudem a ser mais equilibradas … porque serão, certamente, mais bem sucedidas ao longo da sua vida!

 

Por Alexandra Pinto, Psicóloga Clínica da Horas de Sonho, apoio à criança e à família, crl

 

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Eu preservo e valorizo as amizades. Mas prefiro quase sempre passar o meu tempo com a minha família do que com qualquer outra pessoa do mundo…

Eu gosto da minha família.

Eu sei que passo mais tempo com eles do que com qualquer outra pessoa do mundo, e é uma opção minha.

Eu passei muito tempo e gastei muita energia para escolher o homem com quem queria partilhar a vida e ele é a pessoa de quem mais gosto no planeta inteiro. E também invisto muito tempo para garantir que os meus filhos se tornem no tipo de pessoas com quem eu quero e gosto de estar. Somos definitivamente um projeto em andamento, mas ainda assim,

eu vou sempre escolhe-los.

Eu escolho estar com eles em vez de ir sair e ir beber um copo com adultos vivos e reais, porque à sexta-feira à noite fazemos um programa de Tv e pipocas em família.

Escolho passar o sábado de manhã com eles em vez de ir a um brunch com amigas. Eu passo a semana toda a correr de um lado para o outro, a manda-los fazer os TPC, arrumar a mochila, a dar banhos e refeições, e quero aproveitar esse nanosegundo do fim de semana para poder estar presente a 100% antes de nos enfiarmos em mais uma semana louca.

Eu escolho estar com eles porque, sejamos sinceros, para estar com as minhas amigar tenho de me vestir à séria.

Eu escolho ir de férias com eles, porque mesmo nos piores momentos, quando estão a fazer birras, a chorar ou implicar, entendo-os. Eu sei quem tem fome, quem está com sono e quem está em baixo e precisa de ser animado. E sim, normalmente sou eu. Eu sei que um de nós está proibido de se descalçar no carro e que outro precisa de comer poucos segundos depois de acordar da sesta. Nós conhecemos os nossos ritmos e particularidades como se fossem as nossas.

Eu escolho-os porque eles são exactamente tudo o que eu sempre quis mesmo antes de saber o que é que queria.

Eu escolho-os porque eles me entendem. Eu sou alegre mas irritante de manhã e normalmente adormeço a meio de um filme ao serão. Eles sabem que adoro manteiga de amendoim, que sou uma versão ansiosa de uma mãe helicóptero quando os vejo a nadar, que eu odeio ter frio e que a desordem me tira do sério. Eles conhecem as minhas falhas todas e amam-me incondicionalmente, na mesma.

Eu escolho-os porque, apesar das suas piadas serem secas, de estarem constantemente a implicar, terem as mãos e caras muitas vezes pegajosas, e cantarem pessimamente a versão do “Take Me Home, Country Roads,” a minha família diverte-me mais do que qualquer concerto, programa fashion, ou qualquer filme no cinema.

Eu escolho-os porque, meu Deus, este tempo está a passar a voar. Pestanejei. Ele fez 10 anos. Ela tem 5. Até tenho medo de pestanejar novamente. Fico aqui com palitos nos olhos a aguentar as pálpebras. Obrigado.

Eu escolho-os porque, nos divertimos à grande a viajar e a fazer ski todos juntos mas também gostamos de ficar um dia em casa, na ronha, sem fazer nada de especial. Estamos juntos apenas e esses são os meus dias favoritos. Os dias de preguiça total que nos enfiamos no sofá confortavelmente com livros, filmes e snacks. Eu escolho este programa a qualquer outro.

Eu escolho-os, porque nesta fase também eles me escolhem. Pelo menos por mais uns tempos, porque assim que tenham carta de condução  vão escolher o mundo inteiro menos a mãe, e isso é normal. Talvez agora chore um bocadinho.

Eu escolho-os porque eles são meus. Tal como as restantes famílias, nós não somos perfeitos, mas estamos a crescer em conjunto. Eles são a minha família.

Por isso os meus amigos que me desculpem por andar a perder algumas coisas. Provavelmente muitas coisas. Mas entendam, eu só tenho este curto período de tempo para escolher os meus filhos, porque brevemente, eles não me escolhem a mim.

E eu quero aproveitar esta fase ao máximo.

Por Joelle Wisler, publicado em Scary Mommy

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Amei-te na primeira vez que te vi.

Quando te segurei junto ao peito e fechei os olhos, agradecida por teres chegado.

Quando apertaste o meu dedo entre as mãos e senti o cliché que é saber que me procuravas para te saberes segura.

Amei-te quando tinha de te acordar para comeres, porque estavas mais interessada em descansar.

Quando deste o primeiro sorriso, quando me viste realmente pela primeira vez.

Quando vi o amor que do pai te enchia o coração.

Cresceste e amei-te sempre, cada dia, todos os dias.

Amei as tuas conquistas, os teus medos, o teu olhar.

Amei-te com todas as minhas forças quando me chamaste mãe.

Quando me ensinaste a ver melhor, a ser melhor, a parar. Para reparar, para sentir, para ponderar, para agradecer.

Quando me fizeste sentir que não estava à altura do papel que se materializou graças a ti.

Quando percebi que estar à altura é querer sempre o melhor, é corrigir o que está errado, é não exigir o que não é possível. É simplesmente amar.

Quando me ensinaste a apaziguar os meus receios.

Quando tornaste os meus dias bons só por existires.

Quando me fizeste esquecer os problemas com um sorriso.

Quando ouvi as gargalhadas que dás, tão genuínas e puras que procuramos que as repitas uma e duas vezes… (serão sempre umas trezentas, aqui entre nós).

Amei-te quando me desafiaste.

Quando fizeste a tua primeira frase completa, quando agradeceste e pediste desculpa.

Quando perguntaste porquê.

Quando aceitaste as minhas respostas, mesmo que não te satisfizessem a curiosidade.

Quando acreditaste em tudo o que te disse.

Quando te riste da minha piada.

Quando me deste um beijinho de todas as vezes que me magoei, para passar mais depressa.

Quando me “obrigaste” a voltar a ler a mesma história pela quarta vez.

Quando pediste ao pai que voltasse atrás quando estava de saída porque não me tinha dado um beijinho de até logo.

Quando choraste à noite e te perguntei o que se passava e foste sincera: “nada. Queria a mãe”.

Quando ralhei contigo e começaste a chamar o pai para interceder por ti. (às vezes ainda não compreendes que somos mais que uma equipa, somos uma frente unida, mas enternece-me de todas as vezes que chamas um ou outro como advogado de defesa. Em breve aprenderás que tens de te defender sozinha e enfrentar quem quer que te esteja a ralhar e perceber o porquê do que está a acontecer).

Quando me deste a mão à mesa, só porque sim.

Amei-te sempre.

Amar-te-ei para sempre.

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Amor de mãe

Uma mãe é...

Ser Mãe todos os dias cansa!

Há tanta coisas que aprendemos com os nossos filhos, imensa coisa. Desde que sou mãe que sou mais rica. Em afectos, em sentimentos, em gargalhadas, em alegrias, em conhecimento e enquanto pessoa. Todos os dias os meus filhos ensinam-me algo e é tão bom aprender com eles! Digo muito vezes que sou melhor pessoa desde que sou mãe e não foi um caminho só meu, é um caminho conjunto de evolução.

Eis o que aprendi sobre os seguintes temas, com os meus filhos:

  1. Amor incondicional.
    Nunca tinha conhecido até ser mãe. É o verdadeiro significado de amar sem quaisquer condições.
  2. Curiosidade.
    A vontade de aprender, de conhecer, de descobrir, de saber mais, de conhecer.
  3. Simplicidade.
    As crianças são simples, não complicam, não analisam, dão respostas simples e sem pressupostos.
  4. Controlo.
    Aprendi que afinal não controlamos nada e que a maior parte das coisas não dependem de nós nem das nossas vontades e acções.
  5. Generosidade.
    Aprendi que a generosidade é inata. As crianças são generosas, têm o dom de saber partilhar com os outros.
  6. Preconceito.
    As crianças não julgam ninguém pela sua cor, pelas roupas que vestem ou pelo sítio onde moram. Aceitam cada um como é.
  7. Alegria.
    As crianças são seres alegres, acordam bem dispostos, cantam com facilidade, sabem rir-se de si mesmos e divertem-se com muito pouco.
  8. Julgamento.
    As crianças não nos julgam por isto e por aquilo. Ao sermos pais aprendemos  também que não podemos nem devemos criticar ou julgar os outros.
  9. Transparência.
    As crianças são o que são, querem isto ou não querem aquilo, não fingem, não agradam só por agradar, são seres transparentes.
  10. Sonhar.
    As crianças têm o dom de sonhar sem limites. Sonham como seu futuro, sonham em ser cowboys, sonham em viver na casa do Mickey. Ter a capacidade de sonhar, de imaginar e de criar é tão bom, e depois de crescermos esquecemo-nos disso com facilidade.
  11. Coragem.
    As crianças são muito mais corajosas do que imaginamos. Quando o assunto é sério, numa doença grave, numa cama de hospital, são eles que nos levam às costas enfrentando tudo com muita coragem, alegria, simplicidade e fé.
  12. Privação do sono.
    Que até ser mãe não sabia o que era realmente o cansaço. Que ter sono e estar constantemente cansado é difícil e altera-nos significativamente a nossa forma de estar. Que ninguém consegue estar no seu melhor quando sofre de privação de sono.
E vocês, o que já aprenderam com os vossos filhos?

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Carta ao meu amigo que vai ser pai

Talvez ainda não saibas mas o teu mundo mudou. Fará sentido?

Talvez ainda não tenhas a noção. Esse bater que ouviste, esse pequenino coração, tem o potencial infinito de trazer novas mensagens, novos sonhos, um renovado despertar.

De certo já sabes que terás medos. É assim mesmo. O ser humano tem uma relação complexa com a mudança…

Daqui a pouco, muito pouco, quase nuvem, tudo estará em mudança.

Daqui a quase nada, já ele estará a colorir as vossas noites de uma forma especial.

Independentemente do modelo familiar praticado por vocês, a minha convicção forte, aposta no sucesso da educação que lhe vão dar.

Talvez ainda não saibas, mas daqui a pouco estará a ter Educação Pré-Escolar, a tal que é fundamental!

Vai ser tudo rápido, depois do tempo ter cristalizado.

Provavelmente, o susto é tanto, o medo, tem tantos rostos e este texto não está a ajudar nada.

Pede ajuda, sempre que precisares.

Pensa que “A aventura” está apenas a começar.

Talvez ainda não saibas, mas o teu mundo mudou.

Com a chegada dessa nova vida, nada será como dantes, os lugares comuns vão ter significado outro significado. Há palavras novas. Emoções sem lugar no dicionário.

Daqui a quase nada, tudo fará sentido.

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Ser Pai

Que pais vamos ser hoje para os nossos filhos?

Hábitos dos pais positivos

Maldito Cancro,

Ditam as regras de boa educação que se deve começar uma carta de outra forma, mais amistosa e cordial, mas sei que me compreendes.

Sabes que jamais conseguiria dirigir-te uma palavra amigável, não depois daquilo que vi quando visitei a ala pediátrica do Instituto Português de Oncologia. Não depois de ter passado horas na sala de espera com dezenas de pessoas que aguardavam a sua vez para serem admitidas para tratamento, simplesmente porque tu existes.

Graças a ti a minha filha não irá conhecer três dos seus bisavós, graças a ti a minha filha teve de se despedir, sem o saber, de um dos bisavós que teve a sorte de ainda conhecer. Não satisfeito apontaste armas novamente, mas posso deixar-te já o aviso que bateste à porta errada. Nesta luta-se e irá lutar-se até que te tenhas arrependido de aparecer.

Não sei se te apercebes do que roubas a milhares de famílias neste país. Do desespero que causas a tantos pais que se sentem impotentes por estares dentro do corpo dos seus filhos. Pais que rezam, pais que choram, pais que acreditam, pais que perdem a fé, pais que lutam, mas que nunca deixarão de amar. De estar. Pais e famílias inteiras arrancadas da sua normalidade porque tu decidiste aparecer. Pais que choram a perda dos seus filhos, dos seus afilhados, sobrinhos, amigos. Perdas essas tão fora de tempo, tão injustas, tão inglórias. Filhos que que têm de se despedir dos seus pais todos os dias porque não sabem quando será a última vez que podem segurar-lhes as mãos, dar-lhes um beijo na testa, segredar-lhes o quanto gostam deles ao ouvido.

Diariamente há crianças que lutam sem o saber. Há crianças que o sabem e que não percebem como ser crianças tendo de lutar. Há adolescentes que comparam as suas vidas com as dos amigos, que só gostavam de poder estar na escola em vez de numa lista de espera por um transplante. Há pais que acordam de manhã e têm mais com que se preocupar do que com o facto de não terem ouvido o despertador.

Penso que te apercebes, mas que és tão ganancioso que não te importas. Só queres mais e mais…

Mas nem sempre ganhas. Nem sempre consegues aquilo que queres.

Porque também há famílias a quem a fé foi restaurada com uma remissão, a quem foram devolvidos os entes queridos apesar de ti. Que venceram.

Há bebés que sorriem e que não têm noção de que poderão ter uma vida como os outros bebés apesar de teres batido à sua porta.

Há tantos vencedores que têm histórias com final feliz para contar. Felizmente não lhes roubaste tudo.

A todas as famílias que lidam com este maldito invasor, muita força. Que a fé, a força e o amor nunca vos faltem.

A todas as famílias que tiveram de seguir em frente, continuar as suas vidas, quando a sua vontade era de baixar os braços, um abraço enorme. Aos que por momentos tiveram de baixar os braços e chorar, desesperar e perder a fé, eu compreendo. Compreendo muito bem, mas o maldito C não merece que as vidas que foram poupadas não sejam aproveitadas. E por isso gostaria que se agarrassem ao que de bom a vida tem para se reerguerem. E a vida tem tantas coisas boas quando nos permitimos pensar nelas.

Aos sobreviventes e às suas famílias deixo um suspiro de alívio, um sorriso no rosto, uma reflexão sobre a nova oportunidade que lhes foi dada.

Portanto, maldito cancro, não te esqueças de uma coisa: juntos podemos mais que tu.

Chegará o dia em que só existirás nos manuais de história da medicina, em que teremos sido capazes de te erradicar do mundo.

Até lá prometo-te que a humanidade irá dar-te luta.

Poderá chorar e perguntar porquê mas irá acreditar.

Irá amar.

E as novas gerações irão enfrentar-te de frente.

E vais perder.

Promessa de(sta) mãe.

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Hoje em dia, a tecnologia e as redes sociais fazem parte do nosso quotidiano. As comunicações pessoais à distancia tiveram uma grande evolução nas últimas décadas. No meu tempo só existia telefone fixo com fio e cabines telefónicas na rua (não existia telemóvel ou internet), e a comunicação escrita era feita por carta.

Na minha infância e adolescência, passei muitas horas a brincar e a conversar na rua com amigos e em casa com a família. Quando alguém estava presencialmente com outra pessoa havia muito pouca distração. Tínhamos de investir no relacionamento “ao vivo”, demonstrar sentimentos, conquistar a simpatia dos outros. Hoje em dia estima-se que uma pessoa passe, aproximadamente, de três a quatro horas por dia on-line o que reduz muito sua convivência física com amigos e familiares.

Estamos a esquecer-nos de como amar

Fico impressionada quando vejo o desenvolvimento de formas de demonstrar emoções on-line (emojis, “a sentir-se” memos, etc. Será que isso não é reflexo da dificuldade de expressarmos as nossas emoções pessoalmente? Estamos a tornar-nos ótimos no marketing emocional externo, mas esquecemo-nos de como manifestar o afeto. Como ser carinhosos, como olhar nos olhos e dar atenção a quem está à nossa frente.

Será que não é medo de nos expormos, de revelarmos as nossas fraquezas? Digo isto, porque apesar da internet ser um meio real de conhecimento pessoal e um local onde se pode comunicar/dialogar, há um fator limitante que tendência esta experiência a ser uma ilusão: eu mostro apenas o que quero que vejam. Já no convívio direto os meus gestos, a minha entoação de voz, a linguagem corporal, a resposta imediata frente aos estímulos e minhas atitudes reais tornam-me muito mais vulnerável a ser realmente conhecida tal como sou.

Consequências da ausência dos pais

Claro que essa desconexão dos relacionamentos concretos é um problema. E torna-se muito mais grave (e com fortes repercussões) quando a conexão enfraquecida é o laço familiar os filhos, quer sejam crianças ou adolescentes. A criança nasce completamente dependente da atenção dos pais. À medida que vai crescendo, vai aprendendo a ter autonomia e tornando-se mais independente.

No entanto, a atenção real dos pais é indispensável para o saudável desenvolvimento emocional dos filhos. Vários estudos mostram que as consequências da ausência dos pais são graves e podem causar agressividade, tristeza, desenvolvimento de tiques e inclusivamente pode refletir-se na vida social e no desempenho escolar.

Presentes e ausentes ao mesmo tempo

Muitos pais estão presentes e ausentes ao mesmo tempo, ou seja, estão presentes fisicamente, mas estão constantemente on-line . A criança sente-se ignorada emocionalmente. Os pais passam muito tempo ligados a outras distracções, nomeadamente, Telemóvel, Ipad, notebook, TV…  Corpo presente, mente e atenção noutro lugar, com outro foco. Esta falta de atenção gera o sentimento de não se ser importante. De não se ser suficientemente amado para ter a atenção da mãe e do pai. Os filhos precisam de sentir que há envolvimento dos pais, que sentem o prazer da sua companhia, que se estão a divertir quando brincam ou fazem uma actividade em conjunto. O contacto físico e o carinho representam estabilidade e segurança para que os nossos filhos aprendam o que é um relacionamento afetivo.

Degraus do amadurecimento humano

Sabemos que a vida passa a correr, e por isso mesmo é preciso que o tempo designado para estar com os filhos seja de grande qualidade. São preferíveis trinta minutos de exclusividade do que o dia todo ao lado deles, mas constantemente nas redes sociais. Um dos grandes degraus do amadurecimento humano é aprender a dar importância ao que é importante. Eu sei que os teus filhos e a tua família são importantes para ti, por isso assume a tua posição e está presente. Presente de verdade, por inteiro e entregue aos teus filhos. Vais ver que te vais surpreender com a resposta deles quando te entregares por completo. Encontrar filhos abandonados emocionalmente pelas famílias é uma dura realidade. Não queiras fazer parte dessa estatística.

 

Por Roberta Castro, revista Canção Nova, adaptado por Up To Kids®

 

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São palavras e expressões que são fundamentais para o desenvolvimento das crianças. Para dizer e repetir sem medo.

Se antigamente era comum os pais serem mais severos com os filhos, gritarem e até usarem a força física como forma de educar, hoje a maneira de impor limites e mostrar de quem vem a última palavra é outra (ainda bem!). Por aqui incentivamos o diálogo e uma postura firme mas nunca violenta.

Há tempos publicamos um artigo sobre “Como comunicar com os filhos de forma positiva e eficaz”.

Hoje, partilhamos este texto que destaca as palavras ou expressões que devemos dizer aos nossos filhos sem medo:

Não

Palavra simples, direta, objetiva, mas que representa muito no processo de desenvolvimento das crianças. O “não”, quando bem aplicado, tem efeito vitalício na vida das crianças. É usual os pais ficarem inseguros ao dizer Não. Afinal, ninguém quer ouvir de um filho frases como “Já não gosto da mãe”, ou “São os piores pais do mundo”. Mas, existem situações que não são negociáveis e certos comportamentos são inaceitáveis. Portanto, não podemos ter medo de pronunciar essa palavra quando percebermos que a situação pode sair do controle.

Sim

Outra palavra simples, mas de grande valia. Mais do que representar uma permissão, o “sim” transmite confiança à criança, mostra que estamos de acordo numa determinada situação. É claro que, da mesma forma que o “não”, o “sim” também tem o seu lugar. Por exemplo, se estão numa festa e o teu filho te pede para comer doces ou beber refrigerantes – sendo uma situação esporádica, a resposta pode ser positiva. Nestes casos é importante deixar claro que existem situações em que é permitido comer doces e beber refrigerantes e que esse sim não é extensível ao dia-a-dia. O bom uso do sim, também é importante para a disciplina.

Ou

Existem momentos na vida em família em que é preciso dar opções às crianças. Nestes casos o uso do “ou” é fundamental. O Ou dá-nos opções e saber escolher é um dos degraus para o desenvolvimento da autonomia, no entanto, uma autonomia supervisionada por nós. Por exemplo, se a tua filha quer ir vestida de princesa da Disney num casamento (quem nunca passou por isso?), podes propor algumas opções de vestidos. Quem vai escolher é ela, mas com a tua autorização.

A mãe não sabe

Ninguém sabe tudo, que bom! E quando nos tornamos mães/pais este facto não se altera em nada. Existem perguntas ou situações que os filhos nos fazem e que nós não temos resposta. Não tenhas medo de dizer “a mãe não sabe”, no entanto, é preciso sinceridade. Se te perguntam algo que não tens a menor ideia do que significa, responde: “Agora eu não tenho a resposta para essa pergunta, podemos investigar isso juntos? “ – Assim não só instiga a vontade e curiosidade de saber mais sobre algo, como tb cria uma atividade conjunta, ou “Agora eu não consigo decidir isso, filho. Vamos falar com o teu pai para sabermos a melhor forma de resolver essa situação? “. Admitir que não sabemos, e que também temos de pedir ajuda, é o primeiro passo para a aprendizagem.

Agora não é a melhora altura para falarmos sobre isso

Pode até parecer uma frase má para dizer às pessoas que mais amamos no mundo. Mas há momentos em que é melhor não falar do que explodir e dizer tudo e um par de botas, e da pior forma. Dizeres-lhe que naquele momento não queres falar com o teu filho, não fará com que ele pense que não gostas dele, antes pelo contrário. Quando perceberes que estás naquele momento de ebulição em que te vais transformar em Godzila , opta por dizer com calma que estás zangada/chateada e não vais falar com ele nesse momento. É honesto, verdadeiro e educativo. (Isto não se aplica a bebés e crianças muito pequenas)

Desculpa

Mesmo quando nos apercebemos que a situação está a sair do controle e nos afastamos, muitas vezes escapa-nos um grito ou exageramos na abordagem com os nossos filhos. Acontece a todos. Se viste que exageraste no “responso”, pede desculpas. Explica que, às vezes, também te descontrolas. O mundo precisa de pessoas que saibam pedir desculpa e pessoas que saibam perdoar. Pedir desculpa e perdoar transmite empatia, solidariedade e alivia a culpa (aos dois).

Obrigado

A famosa palavra mágica que tanto obrigamos a dizer também tem de ser dita por nós. Gratidão é (ou deveria ser) um dos princípios básicos para a convivência social. Quando o teu filho ajudar a pôr a mesa agradece. Quando se comportar ou mostrar que aprendeu algo, agradece. Agradece por tudo, e agradece-lhe também por ser como é.

O que é que achas?

As crianças estão em desenvolvimento e ainda não têm muita noção da forma como as coisas funcionam, mas isso não quer dizer que não tenham opinião ou personalidade. É muito comum subestimarmos a opinião dos nossos filhos acreditando que nós somos os donos da verdade. Enquanto estiverem a conversar, pergunta-lhe o que é que acha da escola, da professora, das aulas de natação. Isso estreita o vínculo familiar e possibilita que desenvolva a sua forma própria de ver o mundo, desenvolvendo a confiança em si próprio.

Ajuda-me

Ninguém vive sozinho, pedir ajuda é perfeitamente normal. Toda a gente precisa de ajuda e se temos filhos a quem podemos recorrer, ainda melhor. Existem diferentes formas de pedir ajuda às crianças e todas são benéficas para a relação. Podes pedir que guardem os brinquedos do quarto, ajudem a pôr a mesa ou apenas brinquem em silêncio por alguns momentos. Isso mostra que existe companheirismo e compreensão entre vocês.

Amo-te/Adoro-te/Gosto de ti até à lua

Esta não precisa de explicação. Diz sempre que quiseres, alto e em bom som.
É bom para quem diz e para quem ouve. Os nossos filhos agradecem.

 

Por Márcia Orsi, psicóloga especialista em Intervenção Familiar, para Pais & Filhos Brasil,
adaptado por Up To Kids®

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Hoje o meu telefone tocou umas 25 vezes. Já que ele tem tendência para tocar muito, decidi há uns dias usá-lo como “alarme” de exercício. Cada vez que ele toca, aproveito e faço no mínimo 5 agachamentos antes de atender. Tirando, claro, quando estou a conduzir que poderia ser levemente estranho. Por isso demoro a atender, os meus glúteos estão em estágio para o Natal.

Tudo isto começou ao dar por mim a pensar que existem imensas coisas que faço em modo automático. Nos caminhos que faço muitas vezes, nem percebo muito bem como cheguei ao destino. Nas tarefas diárias… nem reparo quando estou a dobrar a meia número 56. No supermercado vou só comprar um cachinho de bananas da Madeira quando magicamente tenho o carrinho cheio. O que se passou no meio? Por onde andava eu? Onde estava o meu corpo? Ao fazer agachamentos sei onde ele está, principalmente quando o telefone já tocou uma série de vezes. Estou focada no meu corpo e na minha respiração.

Para contrariar esta tendência humana de estar em todo lado menos onde está, decidi começar a olhar para tudo com mais presença. Estar mais aqui e olhar MESMO para as coisas e as pessoas. Ir com atenção pelos caminhos que já fiz, vezes sem conta, e prestar atenção aos pormenores. Saborear todas as garfadas que meto à boca e, não perder uma oportunidade de olhar o meu filho bem nos olhos quando ele fala comigo.

Curiosamente em vez de perder tempo, ganho tempo. A vida fica quieta quando reparamos nela. Os nossos filhos brilham quando se sentem vistos. Tudo ganha mais sabor, mais cor e mais sentido quando desligamos a ficha e o Wi-Fi.

Sabes, os nossos filhos são profissionais do “estar cá” porque é o único sítio onde eles estão. Não a ruminar no passado nem a antecipar um futuro qualquer. Quando eles estão a espalhar espuma pela casa de banho estão a fazê-lo com uma GRANDE entrega. Quando estão zangados, vai dos dedos dos pés bem até à pontinha dos cabelos. E, quando mostram o quanto gostam de nós…bem, é como se todas as luzes se acendessem ao mesmo tempo num ecrã gigantesco em Tóquio; não dá para ignorar nem para não ficar com um sorriso de desenho animado.

É esse sorriso que te desejo. Esse olhar “uauuu” sempre presente no teu filho. Para isso, só tens de imprimir, recortar os quadradinhos da imagem que está neste post e usá-los a gosto. Aproveita e espalha por aí, o mundo está mesmo a precisar da nossa presença. E o teu filho está ali, à espera do maior presente de sempre: Tu.

presentenatalClique na imagem para abrir e imprima!
Recorte e goze os seus presentes!

Feliz Natal