Pelo título seria suposto eu ser mãe de uma adolescente. No meu tempo esta era uma frase que eu diria quase todos os dias aos meus pais, “tu não mandas na minha vida” era usado como escudo para dizer que não queria comer, tomar banho, arrumar o quarto ou para a panóplia de deveres que a minha mãe achava que eu tinha de fazer.

Hoje sou eu que, de quando em quando tenho o desgosto de ouvir a famosa frase que me atinge qual seta certeira no ventrículo direito, com uma pequena diferença: sou mãe de uma menina de seis anos!

Há coisas que não deviam ser permitidas na maternidade, e esta é uma delas. Ouvir a nossa filha de seis anos responder-nos desta forma. Fiquei em choque. Primeiro fica a dúvida “será que ouvi bem?” e depois vem a confirmação: “O que é que disseste?” E, sem pudor algum, a resposta ”disse que não mandas na minha vida!”

É assim que, com uma naturalidade inata se atinge o coração de uma mãe, que se parte no chão e corremos para apanhar os cacos e colar com supercola a tempo de dar uma resposta à altura “se eu não mando quem é que afinal manda na tua vida?”

Nesta fase já estamos esperançosas que ela recue, que afinal nós ainda mandamos na vida deles, que aos seis anos são muito novos para mandar no que quer que seja e muito menos para terem a noção que podem mandar em alguma coisa.

“É o meu coração.”

“Então pede ao teu coração para te mandar arrumar o quarto por favor”.

O conflito resolveu-se porque felizmente o coração dela pediu-lhe que arrumasse o quarto, e teve a amabilidade de fazer o coração de uma mãe feliz. A verdade é que o confronto com esta cruel realidade (principalmente para as mães que, como eu, temem o dia em que os nossos filhos abandonam a nossa alçada, mas ao mesmo tempo os educam para a autonomia) faz-nos pensar que questionarem os seus deveres é uma forma de se aperceberem da sua própria liberdade, por outro tememos que se tornem em pequenos delinquentes anárquicos e sem regras, que não compreendam que a liberdade também envolve limites.

Mas espera, eles só tem seis anos … pois está bem… vamos relaxar por mais uns seis anos… a adolescência ainda está longe? Ou será que não?

Compreendo que ao assumirmos o papel de pais educadores teremos sempre esta dúvida eminente na nossa relação parental.  Sabermos até que ponto estamos a fazer bem ou mal, questionarmos se em determinado momento deveríamos ter sido mais ou menos exigentes, esperar que um dia mais tarde quando estes “pirralhos” tiverem realmente idade de mandar na sua própria vida se lembrem que têm sempre mais do que uma opção, e que nem todas são certas.

Porque no fundo só queremos que sejam felizes e nós mães iremos sempre achar que podemos “mandar “ um bocadinho na vida deles, ou não é?

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Às vezes as palavras são só palavras. Mas outras vezes tornam-se na nossa voz interior, num pilar imutável da nossa personalidade.

A linguagem é algo fascinante. Enquanto bebés, absorvemos os sons e tentamos audazmente reproduzir o que ouvimos da boca dos nossos pais, dos nossos cuidadores ou dos bonecos animados. E, um dia, aplicamos essas palavras e conseguimos exercer o seu gigantesco poder. A linguagem pode trazer alegria, pode pôr uma pessoa a rir e pode transformar uma sala silenciosa numa conversa animada. Mas, como todos sabemos, a linguagem tem, também, o poder de causar um impacto muito diferente. Pode provocar dor. Provocar lágrimas. Pode criar uma rutura entre duas pessoas que outrora se amaram. A linguagem é, na sua essência, uma arma poderosa.

Não me lembro da primeira vez que um dos meus filhos me disse “Eu odeio-te!” Posso dizer que, de vez em quando, ainda dizem e não me incomoda. Como pai, parte da minha função é fazer e dizer coisas que os meus filhos não gostam. Eu mando-os fazer os TPC antes de brincarem. Eu não os deixo comer doces antes de irem para a cama. Se eles me odeiam uma vez por outra, eu sei que estou a fazer um bom trabalho.

“Eu odeio-te, pai!” Eu consigo entender, esta é a única defesa deles quando estão irritados. Descarregam em mim e eu não me importo.

No entanto não é esta a expressão proibida cá em casa. Na semana passada o meu filho mais velho andava a trabalhar num avião de papel criado por ele. A brincar, atirou-o sem querer contra a parede, e o avião separou-se em duas partes e ficou irremediavelmente estragado. Vi-lhe os olhos a encherem-se de lágrimas.

EU ODEIO-ME!

Esta expressão arrepiou-me. Porque não foi a primeira vez que ele a disse. Preocupou-me porque a estava a usar com frequência. Como um vício linguístico mas que, pela frequência com que a repetia, corria o risco de começar a acreditar nisso.

Ajoelhei-me ao seu lado, olhei-o nos olhos e disse-lhe que nunca mais queria ouvir aquelas palavras, que não pode ser tão exigente consigo e que precisa de se respeitar. Eu duvido que ele tenha retido toda a mensagem, mas uma coisa é certa, aquela frase não seria mais tolerada.

A diferença entre o teu filho dizer que te odeia e dizer que se odeia a ele mesmo é que passados 5 minutos ele já se esqueceu de que te odeia. O ódio a si mesmo é potencialmente venenoso e pode ter efeitos secundários que permanecem até à adolescência ou à idade adulta. E isso não afeta apenas o próprio. O “auto-ódio” provoca impacto em todos os que o rodeiam porque produz um forte efeito de bola de neve.

Quando os miúdos começam a acreditar que se odeiam subestimam o seu próprio valor. Umas vezes entram em lutas para fazer novas amizades. Outras vezes não têm a confiança necessária para levantar o dedo nas aulas, mesmo que saibam a resposta. Em adolescentes evitam falar com os pares acabando por perder a hipótese de se conectarem afetivamente, porque assumem que irão ser rejeitados. E em adultos podem optar por não se candidatar a um emprego de sonho porque assumem que não são suficientemente bons para o cargo.

Eu sei que tudo isto pode e irá acontecer, porque esta é a minha história. Eu nunca fui uma criança confiante. Por isso acabei por me debater com os meus problemas de baixa autoestima em várias áreas: socialmente, academicamente e emocionalmente. Sempre evitei ser o centro das atenções, mesmo que fosse por um bom motivo, porque nunca tive a confiança necessária para lidar com isso. Hoje em dia, em adulto, quase expludo cada vez que penso no que eu era capaz de ter feito se tivesse acreditado em mim, em vez de dar ouvidos à voz interior que me dizia que eu não era suficientemente bom.

Eu não aguento ver os meus filhos sofrerem do mesmo mal. E eu acredito que não estou a fazer um bom trabalho enquanto pai se não conseguir evitar que os meus filhos cometam os mesmos erros que eu.

Às vezes as palavras são só palavras. Mas outras vezes tornam-se na nossa voz interior, num pilar imutável da nossa personalidade. Eu sei que para muitos pais o seu pior pesadelo é que os filhos os ouçam a dizer “palavrões” e os comecem a aplicar no seu discurso. Claro que eu não adoro a ideia de algum dos meus filhos largar um F%$#&% durante o jantar, do alto dos seus 7 anos, mas o meu grande medo não é o calão, a gíria, nem mesmo os palavrões, mas sim a linguagem de impacto negativo e duradouro que pode mudá-los enquanto pessoas.

Se usamos uma linguagem depreciativa e humilhante, quer para nós quer para os outros, causará um impacto que eu quero evitar para os meus filhos. Basicamente, eu não receio que os meus filhos usem linguagem forte. Eu receio que usem uma linguagem que os torne fracos.

Como disse a sábia escritora Peggy O’Mara ”A forma como falamos com os nossos filhos torna-se na sua voz interior (The way we talk to our children becomes their inner voice.)”

O meu objetivo é garantir que essa voz seja uma voz poderosa.

 

Por @JoeDeProspero publicado em The Huffington Post,

adapatado por Babelia Traduções para Up To Kids®

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A mente que se abre a uma nova ideia jamais regressa ao seu tamanho original.

Se há seres que vêm para nos transformar, para expandir a nossa percepção, são as crianças. As crianças como um todo. E cada uma delas. Individualmente.

Se conseguimos entender, se estamos dispostos a aceitar que assim é, isso já é um desfio diferente. No entanto isso não anula esta verdade. As crianças são catalisadores de expansão. Todas elas e cada uma individualmente.

Mas para que possam fazer bem o seu trabalho, precisam de ter ao seu lado adultos conscientes, que os aceitem. Que os respeitem. Que mesmo que não consigam entender na totalidade a forma como se expressam, a forma como sentem ou vivem, consigam nutrir e acompanhar partindo do ponto mais importante. Da raiz fundamental.

Ficamos frustrados quando não conseguimos compreender os nossos filhos.

“Mas eu quero a minha chávena amarela com riscas azuis!”… “Não quero ir à escola hoje. Não vou!”… “Não me lavaste as calças e hoje tenho treino de ginástica, tiro ao alvo e salto à vara!”

Só conseguimos ver o que está à superfície. Então o nosso piloto automático fica no comando. Reagimos. Recorremos àquilo que aprendemos ao longo do nosso próprio crescimento. Às nossas referências.

No entanto, muitos pais – cada vez mais reconhecem que o seu piloto automático não se coaduna com o caminho que querem seguir na educação dos seus filhos.

É o coração a falar mais alto.

Não é por acaso que o coração é o primeiro órgão a formar-se. Já pensou porque razão não é o primeiro nas nossas decisões e escolhas?

A resposta é simples. Não aprendemos. Não sabemos. Crescemos desconectados do nosso coração. Das nossas emoções.

Passamos a vida inteira a sentir: segue o teu coração. Mas no dia-a-dia, atolado de situações e posições desafiantes e pensamos: Sim. Pois. Claro. O coração.

E, claro, depois há a nossa infância – o gigante disfarçado onde vivem todas as raízes de como pensamos e agimos.

Na infância, somos permanentemente bombardeados com frases que nunca esperámos ouvir.

Porque na infância não se vive noutra frequência senão a do coração. Que é a frequência da conexão.

Quem não ouviu frases do tipo: “Usa a cabeça. Tens de usar a cabeça.”… “Quem manda aqui sou eu.”… “Não quero saber se a Agripina se deita às 11 da noite!”

E o coração vai-se desvalorizando. Vai perdendo a força enquanto elemento fundamental na conexão entre as pessoas. De confiança. De valor.

Quando o coração é, não apenas a raiz física – fisiológica –  como também, a raiz emocional. Simbólica. De onde tudo parte.

Crescemos – e daí vivermos – de forma tão desconectada que se torna tarefa quase impossível reconectarmo-nos. Parece impossível mas não é.

No entanto, reconectarmo-nos, de forma a podermos Criar com o Coração, implica refazer ligações – novas ligações – que ficaram danificadas ao longo do nosso próprio crescimento.

Então o que é Criar Com o Coração? Começo pelo que Criar Com o Coração NÃO É. Criar Com O Coração não é uma escolha que se faz uma vez e se abandona.

Criar Com O Coração é libertar-se do controlo. É libertar-se da necessidade de poder. É libertar-se de todos os mitos, preconceitos e percepções que construiu durante o seu próprio crescimento. Das suas próprias experiências de desconexão.

É conectar-se consigo mesmo em primeiro lugar. E amar-se como um ser pleno.

Criar com o Coração é ancorar, depois, na sua forma de educar apenas em práticas e ferramentas que partem de um ponto de amor. De gratidão.

Criar Com O Coração É deitarmo-nos hoje e decidir: sou grato pelas crianças que estão na minha vida. Pode nem sempre ser fácil, mas hoje tenho CORAGEM de escolher MUDAR a maneira como ajo com os meus filhos.

É acordarmos amanhã de manhã e pensarmos que por mais difícil que seja, hoje vou ser corajoso e conseguir gerir as minhas emoções antes de falar/ de agir/ de reagir.

Hoje, em vez de ser a projecção das minhas dores ansiedades ou do meu passado, hoje vou ser quem eu SOU. Hoje vou abrir uma nova página e ser quem eu quero ser.

Quero desde já assegurar que apesar de à primeira vista isto parecer aterrador  ou mesmo até conversa fiada –  garanto-lhe que esta pequena prática vai provocar alterações significativas num processo a que vou chamar reconexão (rewiring em inglês).

Há inúmeros estudos que cobrem esta matéria. O seu cérebro vai fisicamente estabelecer novas conexões e restituir ligações que estavam quebradas.

Criar Com O Coração é um processo, uma caminhada de avanços, recuos e novos avanços. Não é um toque de varinha mágica que elimina desafios, momentos difíceis os medos ou as incertezas.

Não, não vai acordar amanhã e o mundo estar perfeito. Vai continuar a ter momentos em que vai ter vontade de trepar paredes, arrancar os cabelos ou enfiar-se num vaivém espacial e aterrar noutro planeta. E ficar lá até os seus filhos terem trinta e cinco anos.   

Mas a boa notícia é que não temos de ser perfeitos. Temos de ir caminhando. Não gostamos da maneira como agimos com os nossos filhos? Arrependemo-nos constantemente do que dizemos ou fazemos?

Esta é uma forma de o nosso coração nos confirmar que estamos  prontos para mudar. Devemos escutá-lo.

Parece ser demasiado exigente? É na verdade apenas mais consciente. E esta é uma palavra vital na interacção humana. E muito em especial na formação de crianças mentalmente saudáveis.

Não vamos acordar amanhã e estar diferentes. Não. Espere. Isso provavelmente vai acontecer. É um dos efeitos de expandir a nossa percepção e de absorver novo conhecimento.

Sei que cada adulto que implemente esta prática verá melhorias não apenas na comunicação com as crianças, nas suas manifestações verbais e não verbais, mas também melhorias na sua própria vida.

Ao ampliar a sua percepção, o seu cérebro vai fazer novas conexões.

A mente que se abre a uma nova ideia jamais regressa ao seu tamanho original.  Jamais. Já dizia Einstein.

 

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Mães e Pais têm licença poética para serem ridículos

Quando nasce um filho, nasce também uma mãe e um pai. O “nascer” mãe/pai não se dá como a data e horário do parto dos bebés, por exemplo: nasceu dia 04 de fevereiro de 2013, às 15:47 horas. A Mãe e pai vão nascendo aos poucos, adaptando-se às necessidades do rebento e transformando-se para acompanhar as fases de seus filhos. Haja amor para tantos partos de um mesmo filho, primeiro bebés e crianças, depois pré-adolescentes, adolescentes e, finalmente, adultos.

Lembro-me quando as minhas amigas me mostravam incansavelmente as fotos de seus filhos no telemóvel. Eram milhares, todas iguais. Que chatice! Eu não era mãe! Além do mais para mim recém-nascidos sempre foram parecidos com joelhos: eram bonitinhos, mas inchados e sem forma.

Desmarcar compromissos de trabalho porque não tinham com quem deixar o bebé ou porque este adoeceu, sempre achei pouco ético e irresponsável. Emocionar-se quando o filho deu o primeiro passo ou disse a primeira palavra era desnecessário, afinal, é isso que se espera de uma criança, que ela se desenvolva. Mãe/pai a chorar porque chegou o dia de a criança ir para a escola, qual o sentido? Afinal, todas as crianças precisam de sociabilizar e aprender a ler e a escrever.

Até que, também eu fui mãe e, aos poucos, tudo isto foi fazendo sentido. Mostrar fotos a toda a gente, incluindo aqueles que não querem ver (não são mães/pais), era quase uma obsessão. Os recém-nascidos já não têm cara de joelho, consigo identificar as características que são da mãe e as que são do pai, mesmo numa cara tão pequenina.

Quando o meu filho adoece, desmarco os compromissos pessoais, profissionais e, se no dia tiver um encontro com o papa, infelizmente também terá de ser desmarcado. Entendi perfeitamente o drama de mães/pais que deixam um filho no primeiro dia de escola, pois hoje eu sei que é a primeira “grande” separação.

Nascer mãe/pai faz com que nos preocupemos com uma possível terceira guerra mundial, com a fome, a Batalha de Aleppo, tsunamis, terremotos, falta de acesso à educação, saúde e segurança; surtos de doenças, acidentes de trânsito, política e economia, enfim, preocupamo-nos com tudo e com todos.

As Mães/pais têm um olhar refinado para identificar a dor dos outros, maior disponibilidade interna para perceber as crianças ou famílias que precisam de apoio e ajudá-los. Não digo que quem não tem filhos não seja capaz de se preocupar e se mobilizar para fazer um mundo melhor, mas sim que o “olhar” de mãe/pai faz uma leitura diferente de tudo à sua volta.

Nascer mãe/pai traz muitas alegrias: damos outro significado à vida e importância às pequenas coisas, mas viver dói mais. Tornar-se mãe/pai é preocupar-se com tudo o que acontece à volta e principalmente com o filho. É consultar a previsão do tempo antes de sair de casa, especializar-se em comidas saudáveis, pesquisar se existe um sequestrador de plantão nos arredores, tornar-se PHD em vacinas, estudar como se deve criar um filho no Google (porque tem horas em que não confiamos no nosso instinto).

Ser mãe/pai também é tornar-se mais sensível: choramos pelos filhos dos outros, pelas crianças inocentes que morrem, sofremos com as mães/pais que perdem seu filho. As Mães/pais são pessoas fáceis de se reconhecerem, choram até num anúncio de margarina, mas são sábios o suficiente para dar importância ao que realmente vale a pena. É apreciar um domingo de sol para passear no parque, é identificar o sorriso das pessoas na rua, é admirar a professora do filho, é conciliar o trabalho com a parentalidade, é manter as amizades nessa trajetória da vida.

Talvez sejam coisas singelas, mas, possivelmente, sejam essas coisas que dão sentido à vida: sorrisos, beijos, abraços, momentos e a paz. Ser mãe/pai traz muitos desassossegos, mas refinar  o nosso olhar para observar a beleza nas pequenas coisas e acreditar no que vale a pena é ter fé na vida.

E o que seria do mundo se não fossem as mães/pais que fazem outra leitura dele? Que sentem, compreendem a vida com mais ternura? Que transbordam um amor diferente?

Assim, digo que as mães têm o direito de mostrar as fotos dos seus filhos a todas as pessoas, de chorar quando os deixam na porta da escola, de se emocionar com o primeiro passo e a primeira palavra, de não dormir na véspera das vacinas dolorosas, de se deprimirem diante das atrocidades que são cometidas com milhares de crianças no mundo, porque tudo isso faz sentido quando se nasce mãe.

As Mães estão sempre com lágrimas nos olhos que podem ser de amor ou dor. Estão sempre em estado de alerta para protegerem o filho ou outra criança. Somos bons a ensinar a afetividade e a ternura, mas somos melhores ainda quando se trata de defender as nossas crias.

Eu duvido que as mães não tenham exercido a sua “ridiculez” defendendo com “unhas e dentes” o seu ideal de criar o próprio filho, quando duvidou do pediatra, quando o filho apanhou de um colega, quando algum familiar questionou a educação dada à criança, quando houve criticas à comida oferecida ao bebé, enfim, a lista é infindável.

Por isso eu digo: nós, mães, temos licença poética para sermos “ridículos”!

E vamos continuar a ser “ridículos”, pois ainda há muitas coisas a serem feitas para melhorar o mundo para as  nossas crianças.

Por Elisangela Siqueira, para ContiOUTRA

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Antes de ser mãe

Ser filha, ser mãe

Ser mãe é aprender a viver com medo

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Lembro-me perfeitamente do momento em que a professora de inglês nos pediu para escrever uma composição sobre os nossos “role models”, as pessoas em quem nos inspirávamos, as que admirávamos, e porquê.

Lembro-me perfeitamente de a minha melhor amiga da época ter escrito sobre mim e de me ter sentido importante, no sentido em que alguém via qualidades em mim, qualidades a que eu não dava grande importância.

Hoje considero que, de facto, sou boa ouvinte, mas o resto talvez estivesse a ser empolado pelo facto de naquela idade, aos quinze anos, sentirmos tudo a mil porcento.

Pensava eu sobre isto quando me dei conta de que hoje, aos quase trinta e um, sou uma role model. E das a sério. Daquelas que deixam marcas. Das que podem influenciar o futuro. Das que podem dar confiança ou retirá-la para sempre.

Sou mãe.

E para a minha filha, não há quem a inspire mais que eu. E não há vaidade nestas palavras, simplesmente eu e o pai somos o porto mais seguro que conhece e, por isso, os seus modelos de eleição. Bem sei que as pessoas que a rodeiam têm a sua influência, mas ninguém tem a importância que nós temos.

E é aqui que me preocupa pensar o que há para a acrescentar à lista onde já está escrito “boa ouvinte”.

Porque quero que a minha filha, quando um dia fizer uma composição sobre mim (seja ela sobre as pessoas que admira ou simplesmente sobre a pessoa que a trouxe ao mundo), seja capaz de escrever pelo menos umas cinco coisas muito positivas sobre mim.

Isso quererá dizer que fiz um bom trabalho.

Sou o espelho das suas emoções, dos seus sonhos, das suas dúvidas. Sou eu quem lhe devolve a resposta a tudo. E tento que seja o mais positiva possível. O mais realista mas, ao mesmo tempo, a mais impulsionadora do verbo “sonhar”.

Hoje sou uma role model a sério e preocupo-me com o que vou pôr na mesa ao jantar.

Com os livros que lemos encostadinhas uma à outra.

Com as corridas que fazemos no corredor.

Com as flores que apontamos no jardim, com os animais que conhecemos pelo nome.

Com as músicas que ensino e as que já vou aprendendo.

Com a forma como reajo em situações de stress.

Como me dirijo aos outros.

Como respondo às perguntas que a minha filha me faz.

Como ajudo quem precisa e quem não parece precisar.

Como reparo em coisas que aparentemente não têm importância.

Porque tudo conta.

Porque tudo serão referências.

Tudo fará parte da pessoa em que em já se está a tornar.

Muita pressão?

Nem por isso, basta-me querer ser a melhor versão de mim mesma.

Sei que à minha filha isso bastará.

Isso e o amor que lhe tenho.

E que sei que será para ela um exemplo.

Sempre.

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O Poder do Exemplo

Estímulos a mais Concentração a menos. Estamos a enlouquecer os nossos filhos

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Todos nós somos um Ser marcado à nascença pela Consciência Cósmica, Consciência Terrena, Hereditariedade e ADN familiar e isto quer dizer que todas estas influências condicionam ou expandem o que somos, o que queremos ser e o que conseguimos ser.

Consciência Cósmica, Consciência Terrena, Hereditariedade e ADN

A consciência cósmica releva a ligação que temos, extraplanetária e que nos lembra o nosso ponto de origem, a nossa família estelar e as características inerentes a esta pertença. A consciência terrena releva a capacidade de viver no planeta Terra e ser bem sucedido e tudo o que temos que ter e resolver para lá chegar. Com a nossa hereditariedade recebemos tendências, crenças e padrões. Com o ADN de pai e mãe a sintonia que nos une à nossa família terrena, escolhida nesta vida e que tem por finalidade deixar-nos viver os momentos, circunstancias e em companhia das pessoas que nos ajudam e nos impulsionam para a evolução, uma vez que a família vem espelhar as coisas que temos que mudar e vem também para nos ajudar a resolver com situações concretas. O ADN é físico e espiritual. Neste segundo temos as crenças, a nossa forma de agir, os comportamentos, e a resposta que damos em cada momento. O ADN físico começa a ser treinado logo em criança, quando estamos muito abertos e absorvemos tudo à máxima potencia, e interiorizamos tudo como certo. Toda esta situação revela-se, desenvolve-se e acompanha-nos ao longo da nossa vida.
A cada escolha de vida existe uma missão e um propósito bem marcado que nos serve enquanto humanos, mas também enquanto almas. O propósito maior da alma é a sua união a Deus e a perfeição plena de luz e de amor.
Caminhos diversos percorre a alma para se aperfeiçoar, com alegrias e desafios pois sabe que assim o crescimento e aperfeiçoamento é certo.

Do Inato ao Adquirido

Nascemos com informação inata e adquirida. A diferença entre as duas é percecionada com alguma dificuldade. É em tenra idade que esta informação ou personalidade inata se manifesta e é mais forte, mas os pais não a levam a sério porque a criança é muito pequena. A informação ou personalidade adquirida é mais considerada pois está de acordo com os padrões sociais e terrenos. Em verdade é na primeira que o Ser revela o seu potencial e desenvolve o que o faz mais feliz.
Somos um Ser intemporal, criativo e cheio de potencial mas é necessário deixar que este potencial seja revelado e desenvolvido. É espantoso a simplicidade de coisas e situações que fazem uma criança feliz, assim é a alma, encanta-se com o que é mais simples.
Para conhecer bem uma criança e seu potencial é necessário saber ao certo qual é a sua missão, a vocação, a personalidade, os pontos fortes e frágeis, pois só deste modo é possível apoiar, entender, suportar, incentivar e oferecer o que a criança quer para ser feliz e bem sucedida. Quando isto acontece a resistência e os momentos de birras e travessuras por parte dos mais pequenos são transformados em momentos de alegria e sucesso.
O papel do pai e da mãe na educação da criança já estão marcados à nascença, e para filhos diferentes tem obrigatoriamente que haver comportamento e ensinamentos diferentes.Todos irmãos, todos diferentes é o lema e acontece em todas as famílias. Assim, apesar de uma educação uniforme para todos, é necessário estar atento as particularidades de cada criança pois cada Ser é único, singular e tem características únicas, que se desenvolvem de maneira única.
Saber exatamente o perfil de cada filho auxilia na educação, nas escolhas, na orientação, nos tempos de lazer, nos momentos de atividades em família e também na escola.
É importante que haja orientação pratica para pais, um mind coaching que mostre o potencial de cada adulto e como este pode ajudar, cruzar e assistir cada criança. Com estas características bem conhecidas e as tarefas bem distribuídas é possível oferecer a toda a família momentos de paz e sucesso.
Fatores críticos de sucesso para fazer acontecer este ambiente prendem-se com a paz familiar, o conhecimento em detalhe e profundidade sobre cada criança e a satisfação das necessidades de cada criança, dentro da medida do possível.
Faz parte de uma vida equilibrada e saudável, reconhecer que o equilíbrio, a paz, a serenidade, a empatia e o reconhecimento das capacidades inatas que cada criança apresenta são os fatores críticos de sucesso para bom ambiente familiar e o sucesso da criança. Para que tal aconteça é importante conhecer a criança em detalhe. Entender como a herança cósmica afeta a criança, pode explicar alguns momentos de alheamento, desconcentração e capacidade multidimensional que a criança apresenta. A herança terrena é uma responsabilidade. A hereditariedade e o ADN são o manancial de informação disponibilizado pela alma, sincronizado com a família que é também escolhida e que ajuda a desenvolver e concretizar todo o potencial.
Por estes motivos, a criança necessita de apoio, suporte e orientação e mais facilmente tudo ocorre com sucesso.

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O título é provocatório! À partida todos os pais pensarão nos filhos. No entanto, em casos de separação e divórcio, nem sempre há a capacidade de “separar águas” (temas do casal e temas da parentalidade) acabando as crianças por cair numa rede densa de emoções complexas, sentindo-se desprotegidos e no meio de um campo de batalha, provocado por aqueles em quem mais confia para cuidarem dele – os seus pais.

Mas, felizmente, nem todas as situações são assim! Recebo no consultório, com alguma frequência, pais que me procuram no sentido de encontrarem orientações que os ajudem a gerir uma fase de separação, tendo como principal foco o bem-estar global dos filhos. Diria que (o simples facto de) procurarem ajuda para minimizar impactos nas crianças é, por si só, um sinal muito positivo. Um sinal de afeto e respeito pelas crianças. Isto é ainda mais válido, enquanto potencial fator de proteção, quando recebo em consulta, pai e mãe – pais que compreendem que embora deixe de existir a “figura” casal, continuará a existir, para sempre, a “figura” pais.

As questões são múltiplas: umas mais gerais e outras mais específicas àquelas famílias. E, precisamente porque cada caso é um caso, cada dinâmica tem as suas especificidades, cada família tem as suas histórias e estão em fases diferentes do seu ciclo familiar e cada elemento da família tem as suas idiossincrasias, não existem verdades únicas e absolutas. Ainda assim, há um conjunto de cuidados e de práticas que vale a pena considerar, quando se quer gerir um processo de separação, não fazendo com que as crianças se sintam inseguras, desprotegidas ou desrespeitadas.

O melhor preditor de “sucesso” num processo desta natureza, envolto sempre num turbilhão de emoções, e com vista à proteção das crianças e à promoção do seu desenvolvimento de forma harmoniosa, é precisamente a capacidade dos adultos gerirem o processo com bom senso e a capacidade de compreenderem que, embora se dissolva uma relação de casal é perentório que não se dissolva a relação de pais. Essa sintonia e capacidade de agir em prol dos filhos é determinante para o bem-estar das crianças.

Partilho algumas das muitas questões que os pais colocam em consulta e algumas orientações gerais associadas às mesmas.

No momento de lhes explicarmos o que vai acontecer que cuidados devemos ter?

Alguns cuidados a ter no momento de partilhar com os filhos as mudanças que se avizinham:

– Não associar a notícia a uma data ou época especial, como uma data de aniversário ou o Natal, por exemplo;

– Não tornar o momento de dar a notícia numa reunião familiar demasiado formal, “séria”;

– Assegurar à criança que independentemente do que se está a passar na relação dos pais enquanto casal, estes continuarão a amá-la incondicionalmente e a funcionar como uma equipa em tudo o que respeita aos filhos – os pais deixam de ser namorados, mas continuam a ser amigos e nunca deixarão de ser pais dos seus filhos e de cuidar deles;

– Usar uma linguagem simples, adequada ao nível de desenvolvimento da criança, não dando detalhes desnecessários;

– Explicar o que vai ser diferente (exemplo: duas casas) e o que se manterá (exemplo: mesmo amor dos pais, mesma escola, mesmos amigos);

– Dar espaço e tempo, mas sem pressionar, para que a criança possa fazer questões;

– As crianças sintonizam emocionalmente com os adultos. Se os adultos se mostrarem calmos, seguros, confiantes, no momento de darem a notícia aos filhos, as crianças irão reagir com maior tranquilidade.

As crianças devem participar nas mudanças?

Uma separação conduz a uma nova versão de vida familiar, diferente daquela que a criança conhecia até então. A criança poderá participar nalgumas fases da mudança mas tal depende de vários fatores, como as características da família, a idade da criança, se a criança passará a viver também, nalgum período da semana, na casa do outro pai… Pode inclusivamente, se a criança já possuir alguma maturidade, perguntar-se se ela quer participar, de algum modo, na mudança. Por exemplo, em situações em que se prevê uma regulação das responsabilidades parentais igualmente repartida, em que a criança passará a ter dois quartos, em duas casas, é bastante benéfico que ela possa participar na mudança (escolhendo alguns brinquedos ou objetos que transitam de uma casa para a outra, ajudando o pai/a mãe na decoração de alguns elementos da nova casa…)

Como devemos fazer naqueles momentos em que estávamos os dois presentes e passará a estar só um de nós presente?

Acima de tudo descomplicando e validando aquilo que a criança possa estar a sentir. É normal que sintas a falta da mãe na hora de * Queres ligar-lhe para lhe dar um beijinho? Se o adulto agir com naturalidade e confiança nas novas rotinas, a criança também se sentirá segura e conseguirá adaptar-se à nova realidade com maior tranquilidade.

Que perguntas posso esperar que ele nos faça? Quando surgem essas perguntas?

As perguntas que as crianças fazem são muito variadas, dependendo da idade e das características de personalidade da própria criança. O momento em que elas surgem pode também variar: há crianças que formulam imensas questões quando os pais partilham o que se está a passar e o que irá acontecer, há crianças que vão fazendo perguntas espaçadas no tempo, há crianças que só quando “instaladas” nas novas dinâmicas se sentem seguras para expor as suas dúvidas…

Em crianças mais pequenas tendem a surgir questões muito pragmáticas: Onde vou morar? Onde vão estar os meus brinquedos? Quem me vai buscar à escola? Em crianças mais crescidas podem surgir outro tipo de dúvidas: A culpa foi minha? Tenho de mudar de escola? Tenho de escolher com quem vou morar? Eu não quero que tenhas uma namorada. Não quero outra mãe. Vão deixar de gostar de mim? Nunca mais vou ver o pai/mãe?

Também neste caso, não existe uma forma única ajustada para se dar resposta às perguntas das crianças, mas existem alguns cuidados a considerar, aliados a muito bom senso:

– mostrar disponibilidade e dar espaço para que a criança possa expressar aquilo que pensa e sente, e para colocar as questões que quiser;

– não pressionar a criança a fazer perguntas ou comentários;

– dar respostas honestas, verdadeiras, numa linguagem simples e que seja ajustada ao nível de desenvolvimento da criança;

– garantir sempre respostas que ajudem a diminuir possíveis níveis de ansiedade.

Devemos estar à espera de algum tipo de mudanças de comportamento nesta fase?

Ajustamento das crianças a uma separação/divórcio está em larga medida relacionado com a forma como os adultos gerem o tema. Ainda assim, mesmo quando a gestão é feita de forma estruturante, é natural que, numa fase transitória, possa surgir a tristeza, a zanga, a ansiedade, a irritabilidade… Podem surgir também alterações de comportamento, como mudanças nos padrões de sono (como maior dificuldade em adormecer, pesadelos), alteração no controlo dos esfíncteres (como voltar a fazer xixi na cama), alterações de apetite. Todas estas mudanças, desde que não se prolonguem no tempo, podem ser encaradas como naturais num processo de divórcio, mesmo quando este decorre de forma tranquila.

Quando é que é necessário procurar ajuda?

Numa fase de tomada de decisão, e quando existem crianças, pode fazer sentido agendar uma consulta de aconselhamento parental, no sentido dos pais da criança tomarem maior consciência da melhor forma de abordar o tema junto dos filhos, considerando a sua fase de desenvolvimento e características pessoais e de tomarem conhecimento das reações que podem ocorrer, normativas e não normativas, e como lidar com elas, por forma a garantir o bem-estar físico e emocional das crianças.

Posteriormente, caso as reações que podem ser expectáveis se prolonguem no tempo, ou caso os pais não estejam a ser capazes de lidar com elas de forma eficaz e estruturante para a criança, é aconselhável procurar ajuda especializada, junto de um Psicólogo infanto-juvenil.

 

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Há pessoas que, certas de ser uma virtude, dizem tudo o que têm para dizer.

Percebe-se que não lhes importa mais nada a não ser dizer tudo aquilo que lhes atravessa a alma naquele instante. Percebe-se também que tomam o ‘dizer tudo’ como coisa boa e que experimentam alívio quando o fazem.

Esta visão do discurso inter-relacional é, quanto a mim, limitadora e passível de originar cenários destrutivos no seio de uma família – onde a diversidade de perfis e idades coexistem.

Se um filho nosso for intolerante à lactose ou ao glúten, é incontornável que, quanto à sua alimentação a nossa atitude de pais seja a escolha de alimentos alternativos que não contenham nenhum dos dois. Porquê? Porque sabemos que, se não for assim, a saúde do nosso filho sofrerá consequências indesejáveis e nós não queremos isso.

Tal como na alimentação, também na comunicação existem conteúdos, formas e momentos que causam ‘alergias’ e ‘complicações digestivas’.  Cada um de nós tem a sua resistência e sensibilidade; cada elemento de uma família tem as suas particularidades ao nível do caráter; cada um de nós pode fazer ‘reações alérgicas’ ou ficar ‘doente’ quando confrontado com determinado discurso num dado momento.

Comunicação adequada

Tendo consciência da pessoa com quem estou a falar, poderei adequar as ideias, as palavras, a forma de me exprimir e até refletir se é o momento oportuno para o fazer. A comunicação é algo magnífico que permite fazer chegar ao outro aquilo que habita em nós. Mas para comunicar é imprescindível que consigamos pôr-em-comum e isso só acontecerá se, no outro, existir a capacidade de integrar o que eu tenho para partilhar naquele momento. Assim, para que não provoquemos danos no outro por ‘alergia’ ou ‘indigestão’, é importante comunicarmos personalizadamente, ou seja, de maneira adaptada à pessoa a quem nos dirigimos.

Se, não cuidando das particularidades de que se reveste cada ser humano, eu disser tudo o que tenho para dizer sempre que me apetece, arrisco-me a ser violento e a magoar seriamente quem me rodeia. Em vez de comunicar, estarei simplesmente a debitar ideias, palavras e emoções que podem não se adequar ao contexto, à pessoa e à sua natureza. Estarei a ser egoísta e estarei a exigir que seja o mundo a adaptar-se a mim em vez de ser eu a procurar adaptar-me.

Numa família, esta atitude de vigilância quanto à comunicação faz a diferença. Seja quando falamos com outros adultos ou quando falamos com crianças, pôr-em-comum exige que se vá ao encontro do outro, que se procure conhecer o outro e se respeite a sua condição para que, revestida de compreensão, tolerância e amor, a comunicação seja efetiva e construtiva. Assim, os nossos filhos irão crescer, sabendo que existem formas saudáveis de nos comunicarmos com os outros e levarão para as suas vidas esta mais-valia tão importante nas relações.

Que nós – mães e pais, consigamos sentir a cada momento o pulsar de cada filho para, assim, conseguirmos chegar-lhes mais perto do coração e lhes sussurrarmos que para comunicar é importante saber usar o espaço, o tempo, o sol e a chuva, as palavras e o silêncio.

Vamos dar-lhes o melhor que temos – nós próprios!

 

Por Telmo Marques, para Up To Kids®

Filha, não tenhas pressa.

A naturalidade é inimiga do esforço?

Vemos à nossa volta uma grande correria. Ritmo, ritmo, ritmo…ufa!

Saímos de casa a correr, vamos a correr para o trabalho e ainda corremos no ginásio. Também corremos na rua. E, na intermitência desses momentos, corremos o risco de correr com a paz das nossas vidas.

Filha, não queiras fazer as coisas à pressa.

Não queiras crescer à pressa, namorar à pressa,…

Poucas coisas sairão boas, se feitas à pressa.

Lembra-me de te lembrar sobre a pressão…

Ela é real. Há uma certa pressão para as meninas arranjarem namorados, pressão para casar e ter filhos.

Essa pressão, pode levar à pressa. E, repito, filha, não tenhas pressa.

Essa pressão é injusta e má conselheira.

Lê um livro. Podes deixá-lo a meio. Podes começá-lo pelo meio!

Conhece pessoas. Conhece-as a fundo, quando possível. Sem pressa.

Observa as ruas por onde caminhas. Aprende a caminhar sozinha. Um dia, podes caminhar de mãos dadas, mas não tenhas pressa de o fazer, e quando acontecer, tenta fazê-lo sem pressa.

Vive os teus momentos. Só quando estamos bem com a nossa própria pessoa, podemos estar bem com os outros.

Para estarmos bem, há que olhar, ouvir e sentir todo o nosso corpo. Usa os cinco sentidos e tenta viajar pelas emoções que estás a sentir.

Se a vida a dois é fantástica, só nessa calma dos teus momentos a sós, construirás as bases dos futuros relacionamentos.

Ri das tuas coisas. Não te quero egoísta, mas se souberes pensar em ti, vestires-te para ti, descobrires coisas por ti, serás melhor nas relações a dois.

A vida é demasiado curta. Desenvolvemos um cérebro, uma máquina de pensar, de projetar, mas o tempo é curto para as nossas potencialidades!

Arranja forma de te lembrares: viver sem pressa, vai trazer mais calma. As coisas vão acontecer. No seu tempo. A seu tempo. Com esforço feito naturalidade.

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As crianças não vêem a síndrome de Down do meu filho. Os adulto sim

Se te perguntassem quem ou o que é que te deu a maior lição de vida até hoje, a resposta seria, provavelmente, um professor que foi uma grande inspiração, os tempos de faculdade, o ano que passaste a viajar, um melhor amigo, um adulto influente, um familiar muito querido ou os teus avós. Todas estas pessoas e experiências com certeza influenciaram a minha visão do mundo e, sem sombra de dúvidas, moldaram a pessoa em quem me tornei hoje.

Mas a maior aprendizagem na minha vida aconteceu nos últimos sete anos. O nascimento de meu primeiro filho, com um diagnóstico de Síndrome de Down, abriu-me completamente os horizontes.

Com esta experiência aprendi muito – sobre mim e os outros, sobre prioridades e igualdade. Mas foi o próprio Seb e as crianças à sua volta que mais me ensinaram sobre a vida.

Tenho lembranças tristes de quando fui informada de que meu filho tinha Síndrome de Down, tinha ele um dia de vida. Fiquei arrasada. A minha cabeça foi invadida pelo medo do que o futuro nos reservava e imaginei uma vida de exclusão e impotência, de isolamento, com ele a ser constantemente alvo de olhares e a sentir-se “diferente”.

Por um tempo acreditei que aquela dor nunca iria acabar. Naquele momento, o meu bebé não tinha apenas Síndrome de Down, ele era a Síndrome de Down. Eu associei-o a uma série de estereótipos e não consegui ver que, na verdade, ele era um bebé, e o meu bebé. Seb.

Aos poucos comecei a ficar mais tranquila à medida que me apaixonei pelo meu bebé. A cada dia que passava ele mostrava-me algo novo sobre si mesmo. Ele passou de um lindo bebé para uma criança adorável, ainda que às vezes desafiador – e depois tornou-se um rapaz – igualmente adorável (e igualmente desafiador).

Hoje em dia adora futebol e andar de skate, adora gelados e batatas fritas, mas odeia lavar o cabelo e ir para a cama. Aprendeu a ler e a escrever, ama ir ao cinema e brincar com seus amigos. A nossa vida em conjunto não poderia estar mais distante das perspectivas sombrias que eu tinha imaginado.

Mas infelizmente deparo-me, frequentemente, com os preconceitos de adultos bem intencionados. As pessoas dizem-me que “crianças como Seb” são amorosas, generosas ou dizem que o Seb tem “aquilo” mas é muito leve. E, se digo a alguém pela primeira vez que tenho um filho com Síndrome de Down, a reação mais comum é essa pessoa dizer “Ah!” com um desconforto palpável e, mais do que uma vez, seguido por “que pena”.

Mas com as crianças é diferente. Há uma inocência maravilhosa no olhar infantil. Elas vêem a pessoa, não a síndrome.

Seb frequenta uma escola comum. As crianças da escola não sabem que ele tem um “rótulo”. Não têm ideias pré-concebidas do que ele pode fazer e o que deveria fazer. Ele é apenas o Seb.

Se pedirmos para o descreverem, os amigos dizem que ele é bom a andar de skate, que ama futebol, que corre rápido ou que precisa de uma ajuda extra na escola. Se perguntassemos a mesma coisa aos pais destas crianças, acredito que “Síndrome de Down” estaria na primeira frase dita por eles.

Hoje o Seb tem dois irmãos mais novos, e eu nunca lhes disse que o mano tem Síndrome de Down. Quero que eles cresçam a ver o Seb como Seb. Não quero que ele seja rotulado ou que o tratem de forma especial.

Por isso, fiquei meio desconcertada quando o irmão de 4 anos de idade do Seb, do nada, diss-me: “Mãe, o Seb é engraçado a falar, não é?”. Eu não estava nada preparada para esta pergunta e tive que pensar rápido.

“Bem, sabes, alguns de nós são bons em algumas coisas, outros são bons em outras”, disse eu a ganhar tempo para a verdadeira explicação..

Por exemplo, sabes como o Seb é bom a jogar futebol, e tu és bom a falar? Então, somos todos bons em coisas diferentes.

Ah, sim!”, respondeu animado. “Se calhar ele estava a falar espanhol. Ele é bom a espanhol!”

Mais nada. Aceitou esta explicação e não falou mais no assunto.

Quando fui informada do diagnóstico do Seb, adorava ter conseguido ver o mundo pelos olhos de uma criança.

A notícia teria tido muito menos impacto em mim, ou se calhar não me tinha afectado nada. Fico triste por ter desperdiçado aqueles primeiros dias preciosos com um medo tão desnecessário. O pânico que tomou conta de mim foi, sem dúvidas, fruto da minha ignorância.

Cresci numa época em que crianças (e adultos) com alguma deficiência de aprendizagem raramente eram vistas. Não me lembro de ter tido a oportunidade de falar ou de conhecer alguma pessoa com uma deficiência durante minha infância. Crianças com dificuldades de aprendizagem e deficiências em geral não eram vistas na escola, nas festas, no café, no campo de futebol ou no cinema.

De facto, as pessoas com deficiência ficavam segregados à sua própria comunidade. Eu nunca tive a chance de ver para além do rótulo que lhes era dado. E, no fim de contas, quando o meu filho foi diagnosticado com Síndrome de Down, fiquei arrasada e desconfortável com isso.

Envergonho-me disso até hoje, e provavelmente para sempre.

Por Caroline White, para BBC.com

 

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