A solidão de ter um terceiro filho

Estou grávida. Estou grávida do terceiro filho.

Quando temos o primeiro filho a alegria é contagiante mesmo que não tenha sido planeado, mesmo que ainda tivesses planos para concretizar ou que não te sintas preparada,. Quando acontece ficas como que anestesiada, não sabes o que vai acontecer, não sabes como é, só sabes o que toda a gente à tua volta te diz, que é maravilhoso, que é lindo. Algumas pessoas assumem que não é fácil, mas todas elas concordam que é o melhor da vida. Quando ficas grávida pela primeira vez vives tudo intensamente, sentes-te acompanhada e nunca estás sozinha.

O segundo filho é sempre uma escolha tua, pode ser logo de seguida, podes esperar uns anos  mas é aquilo que  toda a gente espera de ti. O segundo filho. Acontece e novamente a onda de calor, de amizade de alegria gira à tua volta. É claro que tens medo, é normal. O primeiro ainda é pequeno, ainda precisa de atenção. Vais para a maternidade e deixas as gavetas etiquetadas e a roupa separada para um mês. Vais para a maternidade ter o segundo mas não consegues deixar de pensar no primeiro.

Aquilo por que não esperavas é que a intensidade de amor que tens pelo teu primeiro se multiplique pelo teu segundo. Não conhecias em ti a capacidade de amar tanto.  E não conhecias em ti a capacidade de aceitar o amor sem fronteiras, sem limites, sem prerrogativas que todos os dias recebes das pequenas criaturas de quem cuidas.

Voltas à rotina.

Ao trabalho, foco na carreira agora, aquela que deixaste em suspenso, tentas  ser o que eras mas nunca mais serás a mesma. Porque inevitavelmente as tuas prioridades mudaram. E aceitas. Aceitas que não consegues ser excelente, que talvez a tua evolução profissional seja mais lenta do que desejavas. Mas não sentes rancor. Tens a família que sempre imaginaste.

Um dia chegas a casa e percebes que alguma coisa está diferente e como que intuitivamente fazes um teste de gravidez. Positivo. Estás grávida outra vez. O choque é demasiado grande e choras, choras porque não planeaste, choras porque não querias, choras porque não queres deixar a tua vida perfeita para enfrentar mais desafios. Choras não sabes por quê. Pensas o que vais fazer e as opções que tens mas muito antes de tomar uma decisão o universo toma por ti, e assim de um dia para o outro, sem mais nem porquês o que encaraste como um problema deixa de existir. E assim, de um dia para o outro o que encaravas como um problema era, afinal,  tudo o que querias na vida. Um terceiro filho.

A partir desse dia passas a viver com essa ideia no coração e tu sabes que as ideias que se cravam no coração são sempre as que mais dificuldade tens em esquecer.

Mas falta-te a coragem, falta-te o apoio.

Ninguém fala sobre isso, ninguém imagina que o queiras, ninguém sabe do teu coração. Só tu.

Passam uns dias e fazes outro teste, e outro e dali a uma semana mais um… só para garantir. Dás a noticia ao teu marido num tom seco, confuso, não esperas foguetes, não esperas música, marcas consulta no médico e vais, sozinha. E é  a partir desse momento que a tua terceira gravidez te torna solitária. Solitária nas tuas escolhas, solitária nos teus pensamentos, nas tuas culpas, nos teus anseios.

Consideras todas as opções, fazes tantas contas à vida, à segunda casa que vais ter de vender, às escolas privadas que não vais conseguir pagar. Mas o amor não tem preço e não há suborno possível para a vontade do teu coração. E decides. Não sabes se bem ou se mal. Mas decides.

E suportas os enjoos, a má disposição, as quebras de tensão. Sozinha. E quando chega a hora começas a dar a notícia. Quase ninguém te dá os parabéns, quase ninguém te felicita. Mas não faz mal, ninguém sabe quando são as tuas consultas, não querem pormenores, afinal , já é a terceira. Devem pensar que foi um deslize ou que estás doida. O terceiro filho…

E nessa solidão caminhas grávida e orgulhosa. Só tu sabes.

…às avós das minhas filhas

Avós são mimos, beijinhos repenicados, festas do pijama, leitinho com chocolate e bolachas Maria.

Avós na verdade são tudo isso e mais liberdade.

Os avós amam porque não sabem não amar, porque os netos são mais que filhos e eles não têm nada para fazer. Roubam tempo ao tempo e de repente são crianças outra vez. Num instante são índios que se escondem, no outro princesas a beber chá. Os avós são saudade eterna.

Tenho a certeza que todas as crianças do mundo concordam comigo, os avós são “fixes”, porque simplesmente não se preocupam com o que está para vir. Já foram pais e agora querem o direito de ser crianças na pele de avós. E todos têm as suas qualidades ou o tal dom que quando somos pequenos nos fascina, e vai ser precisamente esse dom que nos vai fazer derramar uma lágrima enquanto esboçamos um sorriso.

A minha avó conseguia fazer de um bocado de tecido umas calças da moda ou uma camisola de alças para as minhas barbies, era a minha estilista preferida e tenho a certeza que, mesmo sem nunca mo ter dito, sabia que o que fazia me deixava com os olhos a brilhar de contentamento. Mas o que nunca me sairá da memória é o cheiro do cacau quente acabado de fazer ou o chilrear dos seus periquitos.

Agora os avós fazem tai-chi, vão à ginástica, têm aulas de arte, almoçam todos os dias no mesmo restaurante da esquina, fazem “likes” nos nossos “posts”, e entre tanta diversidade de avós há sempre algo em comum entre eles. Ser Avós é estatuto! Ganham o direito de ficar com os miúdos quando estão doentes sem reclamar, vencem febres com canjas e curam constipações com beijinhos, vão busca-los às 16:30h e acompanham as aulas de natação, de equitação, de ballet, de ginástica rítmica, de música, como se fosse sempre a primeira vez!

E em casa dos avós há sempre um elogio, uma goma, um rebuçado, um bolinho e um lugar para ficar e brincar.

Ainda bem que existem avós que fazem das nossas crianças mais felizes!

 

… à minha avó:

Hoje vi-te.
O caminho não mudou nem um centímetro, a mesma curva, a mesma roseira florida, juro que até os buracos do alcatrão me pareceram os mesmos.
A mesma pressa no ir, o mesmo medo no voltar.
E ao chegar vi-te sentada, na sombra do teu sol. Serena como sempre. Vi-te e senti-te, na ida e na volta.
Fui a medo, sem saber como. Regressei com a certeza que o tempo não apaga a memória. E hoje fui eu que te roubei ao tempo. E que bem me soube este assalto.

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Família não tem definição

Família é mais que pai e mãe, mas é sobretudo pai e mãe.

Família é a raiz, troncos e folhas de uma árvore que não pára de crescer.

Família sou eu e és tu todos dias ao alvorecer.

Família não é só sangue, família é quem cuida, quem cria, quem ama.

Família é a irmã que à noite que te aconchega na cama,

Família é um pai e sua filha pela mão,

E é também o menino que brinca no parque, com o seu irmão.

Família não tem definição,

Família é colo, é mimo, é aquele olhar…

É a palavra amiga que te permite sonhar!

É um sorriso, um beijo, um brilho,

A primeira vez que sentes o teu filho.

Família é mais que um momento.

É para sempre, não há argumento.

Família é coração,

E a forma mais simples de oração.

Família como o Amor é a mais pura indefinição.

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“Para uma família ser feliz, é necessário haver sedução. Os filhos têm de ser charmosos para encantar os pais, os pais têm de se esforçar para educarem convincentemente os filhos. E marido e mulher, caso queiram permanecer juntos, têm de passar a vida inteira a engatar-se. O mal da família é a facilidade. É pensar que aquele amor já é assunto arrumado.” – Miguel Esteves Cardoso

 

Quero lá saber se não deu a vacina à filha! Nenhuma mãe merece. Nenhuma mãe.

Foi uma mãe. Uma mãe que perdeu uma filha.

Uma mãe como eu e como tu.

Uma jovem que sem culpa nenhuma, estava no local errado à hora errada. Não lhe tinha sido administrada uma vacina o que complicou o seu estado de saúde. Mas e a mãe? Será a pior aos olhos do Mundo por ter falhado uma vacina? Não fazemos todos nós o que achamos melhor para os nossos filhos?

Quando vi a notícia saí a correr para confirmar o boletim de vacinas das minhas filhas, falhei duas na mais velha e uma na mais pequena, nenhuma é a do sarampo… mas podia ser.

Podia ser eu, podia ser uma de nós.

Uma de nós. E é só nisto que consigo pensar.

Uma mãe que perdeu uma filha.

Como é que podemos viver com este peso na consciência?

O peso de criticar uma de nós, que em consciência e de acordo com as suas crenças e ideologias educou e criou a sua filha e fez por ela o que considerou ser o melhor.

Se calhar até foi ao médico, se calhar até perguntou se devia administrar a vacina, se calhar até lhe responderam “Não vale a pena, porque o sarampo já não é uma doença comum”, se calhar….

Ou talvez não, talvez esta mãe seja a favor da homeopatia e contra as vacinas, talvez tenha sido uma opção que tomou em determinada altura da sua vida. Não tomamos todas nós opções e decisões pelos nossos filhos? Eu sou crente numa educação católica e batizei as minhas filhas. Quem me garante que elas serão católicas ou vão concordar com esta minha opção?

Não sei os motivos. Não concordo com a não vacinação mas quem sou eu para condenar?

Não posso é ficar calada, inerte quando oiço “a mãe teve o que mereceu” ou “espero que agora abra os olhos”…. Palavras de mulheres, mães como eu que me rasgam o coração. Palavras duras de mais para quem realmente não merece. Nenhuma mãe merece perder uma filha. E foi isso que aconteceu. Uma morte estúpida e lamentável, talvez pudesse ter sido evitada, talvez…

Mas não é como em tudo na vida?

Quando escolhi a escola para as minhas filhas tive alguma garantia de que ali não seriam vítimas de bulling? E quando as deixar ir naquela viagem de finalistas, saberei que não irão beber? E quando o primeiro namorado que as for buscar no carro do pai para jantar fora? Como saberei que conduz bem? Como?

Nunca sabemos quando o azar nos bate á porta, hoje foi aquela mãe e amanhã poderá ser outra. Não façam aos outros o que não gostariam que vos fizessem a vós. Não se alegrem com a tragédia dos outros. Não deixem a raiva falar mais alto. Eduquem com amor.

Eu estou com essa mãe no pensamento e no coração, tudo o que consigo pensar é no desespero e o tornado de emoções que deve estar a sentir.

Quero lá saber se não deu a vacina à filha! Nenhuma mãe merece. Nenhuma mãe.

Pelo título seria suposto eu ser mãe de uma adolescente. No meu tempo esta era uma frase que eu diria quase todos os dias aos meus pais, “tu não mandas na minha vida” era usado como escudo para dizer que não queria comer, tomar banho, arrumar o quarto ou para a panóplia de deveres que a minha mãe achava que eu tinha de fazer.

Hoje sou eu que, de quando em quando tenho o desgosto de ouvir a famosa frase que me atinge qual seta certeira no ventrículo direito, com uma pequena diferença: sou mãe de uma menina de seis anos!

Há coisas que não deviam ser permitidas na maternidade, e esta é uma delas. Ouvir a nossa filha de seis anos responder-nos desta forma. Fiquei em choque. Primeiro fica a dúvida “será que ouvi bem?” e depois vem a confirmação: “O que é que disseste?” E, sem pudor algum, a resposta ”disse que não mandas na minha vida!”

É assim que, com uma naturalidade inata se atinge o coração de uma mãe, que se parte no chão e corremos para apanhar os cacos e colar com supercola a tempo de dar uma resposta à altura “se eu não mando quem é que afinal manda na tua vida?”

Nesta fase já estamos esperançosas que ela recue, que afinal nós ainda mandamos na vida deles, que aos seis anos são muito novos para mandar no que quer que seja e muito menos para terem a noção que podem mandar em alguma coisa.

“É o meu coração.”

“Então pede ao teu coração para te mandar arrumar o quarto por favor”.

O conflito resolveu-se porque felizmente o coração dela pediu-lhe que arrumasse o quarto, e teve a amabilidade de fazer o coração de uma mãe feliz. A verdade é que o confronto com esta cruel realidade (principalmente para as mães que, como eu, temem o dia em que os nossos filhos abandonam a nossa alçada, mas ao mesmo tempo os educam para a autonomia) faz-nos pensar que questionarem os seus deveres é uma forma de se aperceberem da sua própria liberdade, por outro tememos que se tornem em pequenos delinquentes anárquicos e sem regras, que não compreendam que a liberdade também envolve limites.

Mas espera, eles só tem seis anos … pois está bem… vamos relaxar por mais uns seis anos… a adolescência ainda está longe? Ou será que não?

Compreendo que ao assumirmos o papel de pais educadores teremos sempre esta dúvida eminente na nossa relação parental.  Sabermos até que ponto estamos a fazer bem ou mal, questionarmos se em determinado momento deveríamos ter sido mais ou menos exigentes, esperar que um dia mais tarde quando estes “pirralhos” tiverem realmente idade de mandar na sua própria vida se lembrem que têm sempre mais do que uma opção, e que nem todas são certas.

Porque no fundo só queremos que sejam felizes e nós mães iremos sempre achar que podemos “mandar “ um bocadinho na vida deles, ou não é?

imagem@shutterstock

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“ Não trates as tuas filhas como princesas , elas precisam saber o que custa a vida”.

Se contasse pelos dedos as vezes que já ouvi esta frase ou parecida já não teria dedos suficientes! E no entanto, dizerem-me que as minhas filhas “São umas princesas”, para mim é, na verdade, um motivo de orgulho!

O Mundo precisa de mais princesas!

E eu espero que vos possa fazer entender que todas as mulheres merecem o estatuto de princesas.

Uma princesa é linda no seu interior e isso nota-se por fora.

Uma princesa tem bondade no seu coração, e isso vê-se nos seus atos.

Uma princesa tem coragem, para dizer sim e dizer não.

Uma princesa não se subjuga, defende os seus direitos, cumpre os seus deveres e luta pelo que acredita.

Uma princesa não humilha, não se deixa humilhar, não admite que humilhem os outros.

Uma princesa nunca aceita menos do que merece mas também nunca pede mais do que tem direito.

As princesas usam saltos altos e vestidos compridos com a mesma elegância com que usam os tênis e o cabelo apanhado. O segredo está em saber que uma princesa não é o que se vê, é o que se sente.

Sintam-se todos os dias como princesas, encontrem o vosso papel no mundo, lembrem-se de todas as mulheres que tiveram de lutar e honrem tudo o que elas conseguiram. Cresçam a gostar de ser mulheres, corram mais rápido, voem mais alto! Sejam tudo o que quiserem ser e não deixem que nunca ninguém vos diga que merecem menos ou que não podem ir á lua!

O mundo precisa de mais princesas,

das que lutam e acreditam que podem fazer mais e melhor,

das que sabem ser e estar ,

das que se atrevem a sonhar

das que vão á luta,

das que se atrevem a falar

das que ajudam quem precisa,

das que sabem o que valem.

O Mundo precisa de mais princesas!

 

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Eu acredito em Super-heróis,

acredito em pessoas comuns, com forças que vêm não se sabe bem de onde, capaz de enfrentar os maiores desafios pelos seus filhos.  Pais e mães de todos os dias.

Ontem estive com um. Um Super Herói disfarçado de Mãe.

Fui ao IPO por motivos profissionais. De caminho pensava na melhor forma de me defender. Decidi que não ia olhar, eu não queria saber a história daquelas pessoas, não queria sentir….

Entrei rapidamente, decidida a não baixar a guarda, subi as escadas para não ter de enfrentar os anónimos no elevador.

Dou comigo em pleno bloco operatório, à espera. De repente, também eu ando de um lado para o outro, reflexo daquela outra pessoa à minha frente. Olho para os olhos dela e e sinto-me desarmada. Completamente impotente, pequenina e “poucachinha”. Arrisquei dirigir-lhe a palavra e disse-lhe ”Vai correr tudo bem”, era um cliché mas não havia mais nada que pudesse dizer. Sorriu para mim (onde arranjou coragem para sorrir é um mistério), e agradeceu-me.

Nesse momento já as lágrimas me enchiam os olhos. Ali estava ela, um super herói a agradecer-me por nada. A mim que entrei egoisticamente decidida a não me envolver.

Por isso e por ti, hoje o meu agradecimento é dedicado a todas vocês, supermães.

Obrigada a quem todos os dias luta por um dia melhor, obrigada à mãe que vi carregar o seu filho já crescido pelas escadas acima até á sala de tratamentos, Obrigada ao menino que vi sair de lá a correr e Obrigada a ti pelo teu sorriso.

Hoje aprendi que a esperança não dói. Dói é não ter pelo que esperar. Que a vida não merece intervalos, que em pequenos gestos podemos encontrar paz mas, acima de tudo, chorar não é fraqueza é desabafo.

Afinal, o mundo está cheio de super-heróis.

 

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imagem@Emergenturd

A mãe já não está sempre triste, e o pai parece outro, agora ri e conversa mais também.

Hoje vou ficar com o pai porque a mãe cai jantar fora com o seu namorado novo.

Dizem que é o dia dos namorados.

O pai diz que eu sou muito nova para tecr namorados, mas quando for crescida vou ter um que me faça rir como o pai fazia a mãe, e como agora o seu namorado novo faz.

Vou ter filhos com o meu namorado e vou ser sempre namorada dele. E havemos sempre de ir jantar fora no dia dos namorados.

Na escola dizem que os meus pais são divorciados mas eu não me importo porque eles estão felizes e deixaram de discutir. Eu acho até que agora são mais amigos!

O pai pergunta sempre à mãe se precisa de alguma coisa e se pode ajudar. Antes nem queria saber. Agora, já conhece o namorado da mãe e sabe como ela está feliz.

Eu sei que os dois gostam muito de mim.

Eu sabia que alguma coisa não estava a correr bem porque eu via a mãe sempre cansada e o pai sem paciência, já não lhe fazia festinhas na cabeça nem se sentava no sofá pertinho dela.

Evitavam discutir à minha frente mas às vezes quando já estava na cama eu ouvia-os falar muito alto.

Eu acho que eles tomaram a decisão certa. Eu não queria que eles estivessem sempre tristes.

E agora quando me perguntam se eu estou triste porque os meus pais estão separados, eu nem sei o que responder porque eu estou com eles muitas vezes, eles são amigos e nunca mais os ouvi a gritar um com o outro.

Eu já sou crescida e com os meus pais aprendi que ser namorado é mais que estar, mais que viver junto, mais que dar presentes no dia 14 Fevereiro.

Ser namorado é respeitar e amar sempre, as alegrias e as lágrimas, os defeitos e o que já deixou de ser defeito.

Acima de tudo os meus pais ensinaram-me que, antes de termos respeito pelos outros, temos de nos respeitar a nós próprios, ter percepção do que nos faz feliz e a coragem para assumir que já não queremos aquela relação. E que a amizade pode manter-se quando uma relação acaba. Que ser fiel não é só não trair mas também saber libertar.

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Carta a todos os maridos (segredos das mulheres)

Queridos maridos:

Ser mulher é com certeza a existência mais complexa do planeta.

Nem mesmo nós, nos entendemos. No entanto tudo se resume a uma frase:
Nós queremos um marido que esteja ao nosso lado. Para o que der e vier.
Queremos sentir que somos importantes para o homem que está a nosso lado.
Queremos sentir-nos sexys, atraentes, eficientes, profissionais exemplares, supermães, corajosas, bondosas, astutas, bonitas… (Difícil?) Bem, se perceberem como fazê-lo já têm metade do sucesso garantido!
A outra metade passa por entenderem o que queremos que façam. Normalmente queremos que façam o que estamos a pensar. Raramente vos daremos intruções para os nossos pensamentos.
– Se chegarem a casa e a vossa mulher estiver a cozinhar de camisa vestida, uma garrafa de vinho aberta e um cheirinho do fogão que advinha um repasto de chorar por mais… não comecem a pôr a mesa… Tenho a certeza que esse não é o caminho, por muito que o vosso estômago reclame!

Gostamos de elogios: digam-nos como estamos bonitas… façam-nos sentir uma verdadeira top model.

Não gostamos de tratadas como se fossemos muito burras: não elogiem quando estamos com o cabelo eriçado a tirar lama ou piolhos do cabelo dos miúdos, desesperadas por um banho relaxante. Nós temos espelho em casa! Vai soar a falso, vamos saber que estão a tentar agradar.

Quando dizemos que não ligamos a flores, ou a jóias…ignorem, só queremos dizer que não é por isso que gostamos de vocês.

– Levem lá uma rosa à vossa mulher, mas não pode ser no dia que puseram o pé na argola e foram ver o futebol quando disseram que estiveram a fazer serão, não somos assim tão parvas e o cheiro a imperial fica impregnado na vossa roupa (que por sinal somos nós que a metemos na máquina!).

Gostamos que saibam que estamos a dar o nosso melhor: nunca, mas nunca duvidem das nossas capacidades de mães, mesmo se nos esquecermos de uma reunião da escola ou do fato de ballet da miúda. Relativizem e não entrem em observações inúteis para a vossa e nossa felicidade.
Queremos que se lembrem SEMPRE que somos a mãe dos vossos filhos mas não somos a vossa mãe! Tratar da roupa, da  comida e da limpeza da casa não é tarefa para um único elemento do casal!
Gostamos que ajudem, mesmo quando no fim dizemos que não ficou bem feito. Sejam inteligentes e consigam sobreviver à ira da vossa mulher quando perceber que nem levantaram os ténis do chão para aspirar…. Escondam-se o mais longe possível e voltem só quando tiverem a certeza que é segura!
E quando voltarem peçam desculpa.
Gostamos que nos peçam desculpa quando merecemos.

Gostamos que nos façam sentir sempre e em todas as ocasiões como a pessoa mais importante da vossa vida.

A maternidade é um desafio que, em nós, toma proporções exacerbadas que nos esgota física e mentalmente.
Todos os dias tomamos conta de pequenos seres que amamos sem limites, que tentamos proteger até quando estão a dormir e que são e serão sempre as pessoas mais importantes da nossa (minha e tua) vida. Sentimos que estamos sempre lá e temos de ser o pilar dos nossos filhos e da nossa família.
Precisamos que vocês sejam o nosso porto seguro. O local onde nos sentimos seguras e protegidas. Foi graças a vocês que descobrimos  o quanto é possível amar. Foi graças a vocês que conhecemos o amor incondicional pelos nossos filhos. Dêem-nos o vosso amor e o vosso ombro para repousar. Nós precisamos e agradecemos.
Porque nós queremos um marido que esteja ao nosso lado. Para o que der e vier.

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Minha querida,

ao longo da tua vida vais conhecer pessoas que serão muito importantes para ti, mas só algumas delas se vão manter até ao fim. E é mesmo assim. Serão poucos aqueles a quem podes chamar de Amigos, mas esses ficam para sempre no teu coração e não precisam de estar para sentires a sua presença.

Por vezes vais ficar confusa, triste e desiludida também. Já falámos sobre a desilusão, não já? Sabes que o truque é não esperar nada, não sabes? Faz o que tens de fazer com o coração aberto e não esperes nada em troca.

As coisas boas acontecem às pessoas boas.

Um dia vais encontrar-te presa numa rotina em que já não tens tempo para telefonar ou estar com alguém de quem gostas muito. Arranja tempo. Vai fazer-te bem e a amizade tem de ser reciproca, lembra-te disso.

Vais ter amigos antigos e novos amigos. Quando isso acontecer ficarei tranquila por saber que tens capacidade para dar o melhor de ti a quem amas e a bondade de te dares a quem não conheces.

Não fiques triste se um ou outro amigo se afastar. Não releves o facto de se ter afastado, mas sim a amizade que o fez voltar. Recebe-o com um abraço. Há alturas na vida em que precisamos de estar sozinhos. Respeita isso.

Vai haver um dia em que os teus sentimentos estarão confusos, em que a amizade se vai parecer tanto com amor e o amor com amizade. Não tenhas receio, tudo ficará claro dentro de ti. De uma grande amizade pode nascer um grande amor e um grande amor será sempre, antes de tudo, uma grande amizade. Dá tempo ao teu coração.

Respeita-te e faz-te respeitar. Os amigos não são cruéis, não se aproveitam das tuas fraquezas, mas se acontecer, perdoa. Os amigos sabem perdoar.

Dá-te a conhecer realmente. Não escondas o pior de ti nem mostres só o teu melhor. Os Amigos gostarão de ti como tu és.

Não julgues um amigo por uma atitude, tenta compreendê-lo e ouve o que tem para dizer.

Vive a tua vida e nunca a dos teus Amigos, a Amizade sabe coexistir.

Fica feliz com as suas vitórias assim como ficarão felizes com as tuas, se for preciso ajuda-os a ganhar e se precisares pede ajuda.

O mais importante é seres sempre a melhor pessoa que podes ser e que sejas feliz com as tuas escolhas.

As pessoas felizes vivem amizades felizes.