Vamos falar sobre os trabalhos de casa?

Vamos, mas não em frente aos miúdos, por favor.

Este é um tema recorrente e pouco consensual e, por esse motivo, é bastante falado nas reuniões escolares e fora delas, entre os pais.

No outro dia estava na companhia de duas mães de rapazes que frequentam o terceiro ano e que se cruzaram, com os respectivos filhos, à entrada do colégio.

– Então, hoje há trabalhos de casa?

– Há e não são poucos. Uma seca, aquilo nunca mais acaba, estou com os exercícios pelos cabelos.

Este diálogo aconteceu entre as duas mães. Com os filhos ao lado. Filhos esses que mais tarde iriam pegar nos ditos exercícios, sentarem-se à secretária e fazê-los.

Entendo a frustração das ditas mães e sei que nem sequer pensaram no que lhes estava a sair da boca naquele momento, mas como se podem motivas as crianças a fazer uma tarefa que muitas vezes não é divertida, quando ouvem os seus pais queixarem-se dela? Aquele tipo de comentários legitima que os próprios alunos sintam que os trabalhos de casa não só não servem para nada como é uma chatice terem de os fazer. E mesmo que essa seja a verdade absoluta para os pais, considero uma irresponsabilidade estarem a passar este tipo de mensagem aos filhos.

Não que as crianças não devam ser ouvidas quanto a este assunto. Eles são o objecto em discussão, não nos enganemos, mas existe uma diferença entre ouvir e condicionar a opinião. Numa conversa sobre o que sentem sobre os trabalhos de casa, a sua utilidade, os resultados que deles retiram, as palavras como “chatice” e “seca” não deviam ser proferidas.

Como antiga aluna e mãe tenho a minha opinião sobre os trabalhos de casa: nem todos os alunos precisam deles e a acontecer não devem ser em quantidade que faça com que as crianças passem o dia inteiro a estudar, mesmo quando chegam a casa depois de saírem da escola, onde deveriam passar o seu tempo com os pais a serem crianças e a estreitarem as suas relações. E esta minha opinião nunca me fará olhar para o caderno da minha filha com expressão de aborrecimento e nem ela ouvirá da minha boca “mas tu não precisas destes exercícios todos…” ou “o que é que a professora estava a pensar em mandar estes trabalhos todos para as férias”. O que irei fazer (digo eu, que quando a batata quente nos cai no colo é que sabemos como agiremos, mas quero acreditar que seguirei as linhas orientadoras das minhas atitudes até agora) será motivas a minha filha. Ajudá-la a tirar as dúvidas e tentar que os momentos em que tem de se sentar em casa a fazer os trabalhos de casa não sejam um suplício mas sim algo que tem de ser feito e tem a sua utilidade e por isso mais vale fazer tudo e o mais depressa possível para ter o seu tempo livre.

Se não concordar com o método escolhido pelos professores, há um lugar para discutir o assunto: a escola. E com os professores. Fazendo-lhes chegar a minha opinião e dando as minhas sugestões e aceitando ou não a sua forma de trabalhar.

É por este motivo que é muito importante que os pais e a escola estejam em sintonia, o que muitas vezes não acontece. Mas o trabalho que ambas as instituições desenvolvem são os mais determinantes nos primeiros anos dos nossos filhos. Deve ser um trabalho conjunto, não deve haver um “nós” e um “eles” e tudo deve ser feito para pensar no bem-estar e evolução dos nossos filhos.

Eles nem sempre vão dominar a matéria. Nem sempre serão os melhores alunos, os mais rápidos, os mais audazes.

Mas a forma como “pintarmos” as suas ferramentas na obtenção de conhecimento será essencial na sua formação enquanto adultos.

Muitas vezes, nas empresas em que vão trabalhar, terão de desenvolver tarefas que não acrescentam muito. Elas fazem parte. E eles, os nossos filhos, são parte de um todo. São parte importante de um todo importante.

Todos importam e devem ser ouvidos, mas não legitimemos os nossos filhos a virarem a cara às suas obrigações porque desabafámos em frente a eles.

É uma chatice ter os miúdos sentados a uma secretária no fim de semana quando poderiam estar a passear com os pais? Claro que sim, mas para muitos deles será nos trabalhos de casa que conseguem desenvolver algumas dificuldades com que se depararam durante a semana. Para muitos pais será esse o momento em que ficam a par do que estão afinal os filhos a estudar. Para outros será efectivamente uma seca, porque fazem os trabalhos com uma perna às costas.

Mas é importante que os nossos filhos entendam as suas obrigações, concordem ou não com elas.

É importante que aprendam e é muito importante que haja espaço para que continuem a ser crianças.

Vamos falar de trabalhos de casa?

Vamos, mas em frente aos miúdos não, por favor.

image@weheartit

 

Há muito tempo que os pais se queixam do excesso de TPC que as crianças trazem diariamente para casa. Se pensava que era um mal do ensino português, desengane-se, porque mesmo aqui ao lado no país vizinho os trabalhos de casa ocupam aos alunos uma média de 6,5 horas/semana, colocando-o como um dos países em que os professores sobrecarregam mais os alunos com os deveres.

Em reação ao cansaço extremo e falta de tempo em família e para brincar, a Confederação Espanhola de Associações de Pais e Mães de Alunos, Ceapa, que representa cerca de 12 mil associações, convidou as famílias das várias comunidades autonómicas espanholas a fazerem uma greve aos TPC´s durante o mês de Novembro.

Os argumentos da Ceapa é que os trabalhos de casa “invadem o tempo das famílias” e “violam o direito ao recreio, à brincadeira e a participar nas atividades artísticas e culturais”, tal como vem descrito no artigo 31 da Convenção dos Direitos da Criança.

O presidente da Ceapa, José Luis Pazos, declarou ao El Mundo que os pais querem “recuperar o tempo familiar dos fins-de-semana”. “Também queremos que o modelo mude e que se dê um salto qualitativo no sistema educativo. Escolas de outros países funcionam sem trabalhos de casa, sem livros de texto e sem exames e obtêm resultados magníficos“, realçou.

A OCDE alerta que os trabalhos de casa “reforçam a disparidade socio-económica entre os estudantes” e “aumentam o intervalo entre os ricos e os pobres”.

TPC – Vantagens e desvantagens

Os famosos Trabalhos Para Casa são muitas das vezes sentidos pelos pais como deveres da escola, no período pós-aulas. Quando assim é, os filhos acabam por passar mais horas na escola (privadas) para cumprir esse dever. Aqui pode logo encontrar-se uma desvantagem para a criança. Ao fim de um dia de “trabalho”, a criança precisa tanto de regressar ao seu porto de abrigo, quanto os adultos.

“Os trabalhos de casa servem para consolidar conhecimento, treinando dessa forma o que se aprende nas aulas”, é o argumento dos professores. Pergunta: “o que treinam nas aulas, aquando da aquisição desse conhecimento, não será suficiente”? Naturalmente que será para uns, mas não para todos. Nesse caso, os trabalhos serão necessários e úteis quando individualizados, na sua grande maioria das vezes, isto é, quando aplicados a cada criança de forma personalizada, para treinar, e com isso consolidar, uma matéria mais difícil de apreender (não descurando a necessidade de uma explicação diferenciada, naturalmente).

Um dos grandes problemas dos TPC é serem muito regulares, normalmente diários, pelo que o foco não parece ser propriamente a sistematização do conhecimento dos seus alunos, mas antes uma (talvez) preocupação excessiva com o desenvolvimento cognitivo, a rápida aquisição de conhecimento, alienando o desenvolvimento emocional.

  1. Ao fim de um dia de trabalho a criança está cansada – logo a consolidação de conhecimento não é necessariamente um objectivo atingido.
  2. O excesso de horas na escola (das 9h às 17h – horário de trabalho de um adulto), com trabalhos extra horário escolar, promove não raras vezes um sentimento próximo à aversão a estas mesmas matérias
  3. A criança tem necessidade de brincar – os TPC retiram-lhe (ou condicionam-lhe) essa possibilidade

É a brincar que a criança aprende a lidar com a realidade, descobrindo assim o mundo que a rodeia, pelo que é igualmente a brincar que a criança desperta a curiosidade pelo saber, pelo conhecimento, motivando-se para investir emocionalmente – e saudavelmente – nas matérias escolares. Precisa, assim, de tempo disponível para brincar.

Em suma, os TPC são úteis e necessários quando servem o propósito de cimentar um conhecimento que gera maior dificuldade, pelo que se espera que seja, tanto quanto possível, individualizado /personalizado e de evitar o registo diário.

Carta de um pai ao Diretor da Escola

Caro Senhor Diretor

Muito se fala de alunos ou professores e pouco dos diretores de escola. Parece-me injusto pois creio serem eles quem define o caminho que a escola deve seguir e a maneira como ela deixa uma marca na vida dos nossos filhos. Para além disto, gerir tantas sensibilidades deve ser complexo. Não compreendo o desinteresse pela sua atividade e até aceito que lhe sobrem poucos momentos de reflexão.

Espero que esta mensagem lhe chegue no arranque de mais um ano letivo. Reconheço que o número de currículos, faturas e e-mails o devem ocupar bastante. Quando tentar lê-la, também sei que o vão interromper umas três vezes, e que cada pessoa que lhe bater à porta vai trazer um problema novo para resolver. Pode ser da delegação de saúde para conferir as vacinas, ou, cruzes canhoto, a caldeira da escola a dar problemas novamente. Essas pessoas confiam em si para resolver problemas, é melhor abrir a porta. Logo, quando a escola estiver fechada, depois de verificar que ficou tudo limpo e desligado, poderá voltar ao gabinete para pegar nos assuntos que precisam de silêncio para resolver.

Ultimamente têm acontecido coisas na escola que me parecem estranhas. Peço que me ajude a compreender, Sr. Diretor.

Não me parece bem ver o meu filho passar tanto tempo à secretária, nem sei se isso nos garante que aprenda melhor. Não sou especialista em ensino, mas tenho a noção que na minha vida aprendi mais a fazer do que a ouvir, mais em grupo do que isolado.

Estou quase com quarenta, e no escritório, para pensar melhor, ainda preciso de dar uma volta de vez em quando, ou de vaguear pela sala quando o telefone toca. 

Para tentar perceber porque é que o meu filho resiste a sentar-se comigo a fazer os trabalhos de casa, resolvi atuar. Obriguei-me a ficar após o trabalho, mais uma hora e meia sentado numa cadeira. O resultado foi surpreendente: após a primeira meia hora comecei a suspirar frequentemente, a esticar as pernas, os braços e a coluna.

Ainda não tinham passado 45 minutos, quando reparei que o meu pensamento desacelerou (não porque estivesse cansado, pois saiu de mim a correr). Quando o voltei a apanhar já tinha passado uma hora e remexido articulações que nem sabia que tinha. Na fase seguinte, voltei à juventude: consegui equilibrar a cadeira em apenas duas pernas e espraiei o tronco todo no tampo da mesa.

Senhor diretor, sou adulto.

O médico diz que estou ótimo e é da minha natureza estar mais quieto do que uma criança. Se no final de um dia inteiro de escola me convidassem a resolver uma ficha durante 1.30h em casa, resistiria como um rebelde.

Desde que prolongaram a duração das aulas e diminuíram o tempo de recreio na escola, que há cada vez mais crianças medicadas na sala do meu filho. Tenho reparado, outros pais também, e não aceitamos que a modernidade seja a responsável. Realidades como esta preocupam-nos a ponto de afastarmos a ideia de ter mais filhos por ser arriscado. As instituições educativas são demasiado coniventes com as orientações do currículo que contrariam a natureza dos mais novos. Nós também já fomos crianças e ainda nos lembramos disso.

Sei que o Sr. Diretor também já deve ter pensado nisto. Assim, este ano, venho pedir-lhe que faça diferente. Confio na sua capacidade para moderar problemas sérios que precisam do nosso tempo e inspiração. Se abdicar dos trabalhos de casa por completo não é uma opção no ensino. Podem existir outros caminhos: será que precisam de marcar-se todos os dias da semana, seguindo repetidamente a mesma direção? Planear tarefas que valorizem e respeitem o tempo escasso que as famílias passam em conjunto, é possível. E devia praticar-se mais nas escolas.

Brincar é uma condição essencial para aprender mas também para ensinar.

Aplicar este princípio no caderno do tpc seria um passo determinante para aumentar a participação dos pais na educação dos filhos e para reafirmar a certeza de que a escola proporciona experiências positivas, mesmo à distância de um bolso da mochila, antes da hora do jantar.

O que me diz, Sr. Diretor?

imagem@paiefilho

Os T.P.C. são um tema sensível e que tem vindo a ser a razão de muitos ataques de nervos não só dos filhos, mas também dos pais.

“Não temos tempo”, “Para além dos T.P.C ainda traz as tarefas que não concluiu nas aulas”, “O meu filho tem tantos trabalhos!”, “Chegamos tão tarde…tomar banho, jantar…e os T.P.C. ..!”, “Nós não sabemos como ajudar, na nossa altura não era nada assim”, “O meu filho distrai-se com tudo… é angustiante a altura de fazer os T.P.C.!”, “A professora do meu filho manda muitos trabalhos”.

É provável que muitos se identifiquem com estas afirmações. As preocupações são imensas, e por muito que queiramos por vezes torna-se difícil de gerir. São raras as crianças e os jovens que aderem facilmente à realização dos T.P.C  sem que se oponham ou façam birras. Querem outras coisas – jogos, televisão – que nos dias de hoje são elementos que competem com a realização dos trabalhos de casa.

Não menos importante é facto de depois de um longo dia de trabalho certamente pais e filhos quererão aproveitar os momentos em família com algum prazer e qualidade, pelo que em muitos casos os trabalhos de casa surgem como uma enorme dificuldade ao tão desejado bem-estar familiar. Muitas famílias têm de facto dificuldade em gerir os trabalhos de casa. Alguns pais apresentam um nível de escolarização inferior aos dos filhos, outros têm por vezes expectativas baixas sobre as suas capacidades pois vêem-se confrontados com programas escolares diferentes dos do seu tempo, e porque de facto se apercebem de que as aprendizagens e a forma como os professores actualmente dão a matéria, são de facto diferentes. No entanto, o acompanhamento dos pais na realização dos trabalhos de casa é fundamental sendo por isso importante organizar o estudo em casa.

Os trabalhos de casa são uma boa oportunidade para os alunos aprenderem e por outro lado, uma forma de os pais se envolverem na educação dos filhos. A verdade é que o interesse que os pais demonstrem pelos trabalhos da escola pode promover o entusiasmo das crianças pela escola e pela aprendizagem, desenvolvendo expectativas positivas e fomentando a aprendizagem, tornando-a divertida e para a qual o esforço valerá a pena.

É importante por isso perceber porquê que os professores enviam trabalhos de casa.

Na verdade, o trabalho realizado em casa pode ser muito útil para as crianças, de diversas formas:

  • Ajudá-las na aprendizagem de recursos (enciclopédias, bibliotecas…);
  • Ajudá-las a explorarem temas para os quais não tiveram tanto tempo em sala de aula;
  • Prepará-las para as matérias que serão dadas no dia seguinte;
  • Praticarem e reverem as aprendizagens das aulas;
  • Promover o trabalho de forma independente;
  • Promover a responsabilidade pessoal e a auto-disciplina;
  • Promover a gerir o tempo e a cumprir prazos;
  • Estimular o gosto pela aprendizagem.

Os T.P.C. não devem ser usados como um castigo. Devem ser uma experiência positiva e que contribua para as aprendizagens realizadas na escola, quando os exercícios são significativos e concluídos com êxito, apresentados ao professor e lhe sejam realizados comentários construtivos.

Não existe um número fixo de trabalhos a enviar para casa. Nos primeiros três anos de escola, podem ajudar as crianças a desenvolver hábitos e atitudes positivas face à escola e às aprendizagens e por isso é importante que não excedam os 20 minutos por dia. Do quarto ao sexto ano, podem servir como apoio ao desempenho académico, em pequenas quantidades de trabalhos que aumentem gradualmente em cada ano e que devem ser realizados entre 20 a 40 minutos por dia. Nos anos mais avançados os alunos que realizam trabalhos de casa são os que têm melhores resultados académicos, podendo a sua realização chegar até às 2 horas diárias.

Mas como já referi não existe um número exacto que deva ser estabelecido, até porque o tempo despendido dependerá também, entre outras coisas, das dificuldades da criança e do seu ritmo. Se por algum motivo estiver preocupado com a quantidade seja ela muita ou pouca deverá conversar com o professor e expor a sua questão para que em conjunto consigam encontrar estratégias que se adequem a cada problema.

Apesar das dificuldades que surgem como podem os pais ajudar na realização dos trabalhos de casa?

  • Valorizar os trabalhos de casa – as crianças devem saber que quer os pais quer os adultos que a rodeiam consideram os trabalhos de casa importantes, pois esta pode ser uma boa razão para que os façam com interesse;
  • Local onde se estuda – fica ao critério de cada família, não são precisos muitos recursos, não importa se é na sala, no quarto, na cozinha. Certifique-se apenas de que tem muita luz e silêncio. Tente evitar factores que possam distrair (televisão, telemóvel);
  • Definição de um horário – estabeleça um horário regular e que possa estar visível a todos, para evitar esquecimentos. A sua definição dependerá de cada família, das suas rotinas, da idade da criança. Se há actividades (natação, música…) poderá ser um horário mais flexível de acordo com as actividades e os dias da semana;
  • Materiais – identifique e forneça os materiais necessários ao estudo (lápis, caderno, dicionário…), que devem estar arrumados de forma a evitar que a criança perca tempo à procura deles. Por vezes, o computador pode ser um óptimo recurso à aprendizagem. Se não tiver poderá recorrer a uma biblioteca pública local ou até mesmo à biblioteca da escola;
  • Negociar o tempo para trabalhos de casa e por exemplo para ver televisão ou jogar;
  • Demonstre interesse pela escola, o que aprenderam, o que foi discutido. Peça-lhe que leia uma historia em voz alta ou que fale sobre alguma visita de estudo na qual participou;
  • Participar em actividades da escola (reuniões de pais, eventos) pode ser uma boa forma de criar uma rede entre a família e a escola;
  • Não substitua o seu filho na realização dos trabalhos – permita que trabalhem sozinhos com os seus problemas e erros;
  • Observe o seu filho e tente perceber de que forma aprende melhor, se prefere estudar sozinho ou acompanhado. Pode por exemplo realizar os T.P.C. com um irmão ou colega. Se aprende melhor a ouvir a matéria para fixar melhor, se a visualizar imagens ou desenhos.
  • Em conjunto com o seu filho pode apoia-lo a estruturar o trabalho – seleccionar conteúdos, fazer rascunhos, pesquisas, rever e completar um trabalho;
  • Conversar sobre os trabalhos ou testes – peça-lhe que repita por palavras suas instruções que tenha lido, questione se existem palavras que não tenha percebido, de que forma poderá ele descobrir o seu significado, o que irá fazer após terminar o trabalho;
  • Reforce positivamente o trabalho – as crianças (e todos nós) sentem necessidade de saber se o que fazem está ou não bem feito. Quando errar, opte por pedir-lhe que repita e elogie a seguir, é preferível do que dizer que ele fez tudo mal.

Se sentir que existe muita tensão e que de facto a realização dos trabalhos de casa está a causar muitos aborrecimentos, converse com o professor. Por vezes existem dias em que há muitos trabalhos e noutros não há nenhuns. A melhor forma é abordar a escola e em conjunto definir estratégias que melhor se adequem a cada caso. Os professores não conseguem ter tempo para adaptar os t.p.c. às necessidades de cada um dos seus alunos, todos os dias. Opte por conversar com o professor valorizando o trabalho e permita que se encontrem soluções adequadas.

Quando as dificuldades persistem e as estratégias não são suficientes, não hesite e peça ajuda a um técnico especializado.

Espero que vos tenha sido útil!

Boas Leituras!

Ana Filipa Ricardo, Psicóloga Educacional PsicoMindCare – Associação de Psicologia, para Up to Kids®

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Brincar Devia Ser Obrigatório

“Será que não poderíamos pensar o tempo de brincadeira em família como uma actividade extra curricular?”

Chega o primeiro dia de aulas: choros, excitação, nervosismo, encontrar os amiguinhos, conhecer os novos, nova escola, rotinas novas. Nervos em franja, tanto para os mais pequenos como para os pais.

Depressa o tempo passa e após uma semana lá nos encontramos nas rotinas do costume. O stress de manhã, os apelos a que se despachem, não esquecer os lanches, não deixar as mochilas em casa. O trabalho para os pais, a escola para os miúdos e depois o regresso. Mas esta última viagem raramente é só da escola para casa: há que levá-los ao karaté, à natação, ao futebol, à ginástica, ao ballet, ao inglês, à música,… E depois ainda passar no supermercado para alguma coisa que nos falta das compras do fim-de-semana.

Chegados a casa, as tarefas do costume.

Fazer o jantar para os graúdos e os trabalhos de casa para os pequenos – “despacha-te a fazê-los, se queres ir brincar!”. Tomar banho, jantar, lavar dentes, vestir pijama, história e toca a dormir, que já se faz tarde. E tudo pronto para se repetir no dia seguinte. E logo, logo chega o Natal e outro ano começa, em que de entre as promessas para o novo ano se encontra o tentar passar mais e melhor tempo com as crianças.

E se tentássemos fazê-lo agora?

Será que não poderíamos pensar o tempo de brincadeira em família como uma actividade extra curricular?

Brincar devia ser obrigatório, não concordam?

Na quarta-feira (ou na segunda, ou na quinta, ou em outro dia qualquer) das 18h30 às 19h30 em vez de ir para o inglês, vai para casa brincar com os pais ou amigos. É gratuito e contribui para o bem-estar de todos. E “TPC’s” só depois da actividade, porque durante o tempo da natação também não se fazem trabalhos de casa.

Porque as actividades físicas e artísticas são importantes, mas o tempo de ser verdadeiramente uma criança em família também o é!

Fica o desafio!

Boas Brincadeiras!

Como mãe tenho seguido atentamente o percurso escolar da minha filha, e foi com alguma surpresa que me apercebi do extenso programa curricular do 2º Ano e suas metas curriculares completamente desadequadas ao interesse das crianças.

No meu ponto de vista estas metas curriculares, que foram aprovadas no despacho n.º 5306/2012, de 18 de abril de 2012, são uma atrocidade cometida contra os direitos das nossas crianças. Verifico que o conteúdo programático ao invés de estar a ser lecionado a um ritmo adequado aos alunos, esta a ser “debitado a alta velocidade” para que se atinjam os objetivos programáticos, e sem qualquer preocupação para com a apreensão e consolidação dos conhecimentos que devem ser adquiridos.

Estamos a falar de crianças com idades entre os 6 e os 10 anos, e não de máquinas. Crianças que cumprem além de um horário escolar extenso, que trazem para casa trabalhos escolares extra, que lhe ocupam o resto do serão e o tempo lúdico em família, nas atividades extra-escola ou de lazer, que lhes dão prazer e também são importantes para o seu desenvolvimento físico, social e cognitivo fica comprometido.

As crianças de hoje serão os jovens do futuro, futuro esse que vejo seriamente comprometido, futuro esse onde a frustração irá reinar, porque a não obtenção de resultados irá comprometer jovens que terão um futuro escolar promissor completamente arruinado. Eu não quero a minha filha nesse leque de jovens; quero que a minha filha tenha gosto em aprender, em descobrir o mundo e que a sociedade a veja como um ser pensante, que se questiona, que levanta questões e não uma máquina de aquisição de dados para fins estatísticos, de ranking de escolas, por exemplo.

É no ensino do 1º ciclo que as nossas crianças vão adquirir as ferramentas necessárias, à vontade de estudar, de ir à escola e conseguir os melhores resultados, e com estas metas está-se a minar toda essa aprendizagem.

Acho que deveria ser do conhecimento de toda a população que este programas foram proposto por um grupo de professores Universitários, secundário, não havendo um único professor de ensino básico do 1º ciclo, esses sim com conhecimento teórico e prático da realidades das nossas crianças, para poderem realizar um programa adequado e funcional.
Por todos estes motivos e porque acho que vale a pena lutar pela Educação das nossas crianças, eu acho que estas metas têm que ser alteradas.
Sou a proponente de uma petição pública com esse sentido, se pensam do mesmo modo, assinem, e partilhem com o máximo de pessoas, vamos quebrar o silêncio, vamos dar voz às nossas crianças.

Assine aqui a Petição Pública para Alteração das metas curriculares do 1.º ciclo

Consulte Programa Matemática Básico | Metas Curriculares 14 Ago’13

Por Vânia Azinheira, sigam a evolução na página Alteração das Metas Curriculares do 1º Ciclo

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TPC – Trabalhos de casa ou uma carga de trabalhos?

Há palavras que fazem mais sozinhas do que frases inteiras, todas juntas. É o caso. O adjetivo ‘solene’, por ter em si duas derivações opostas, é o que mais se assemelha à atualidade do nosso mundo escolar, isto é, duas formas de agir, e de reagir, dentro do mesmo conceito. Respeito e aparato. Dois sentidos diferentes, o mesmo significado.

Assim vai a nossa escola, baralhando tudo.   Pais e professores, dois grupos inseparáveis na formação das crianças enquanto indivíduos, duas pedras basilares que contribuem em pé de igualdade para o seu desenvolvimento, são muitas vezes a causa, e o efeito, que transforma aquilo que deveria ser importante, calmo e majestoso, (solene) num aparato estridente e confuso que nos funde a todos, educadores e educandos, numa espécie de anel apertado de regras e deveres, que a todos desgasta e consome, causando um atrito que faz separar os grupos que mais se deviam unir.

Cresce a distância entre aquilo que é o papel da escola e aquilo que é o papel da família, sendo cada vez mais visível a mistura de papéis, e a confusão das crianças.

Quero com isto dizer que, da mesma forma que os professores foram confrontados com um aumento da permanência das crianças na escola, também eu sou diariamente confrontada, para não dizer obrigada, com/a desenvolver tarefas escolares que apesar de serem da minha filha e pertencerem ao espaço da escola, me são servidas por altura do jantar, como se fizessem parte do meu menu diário.

Na verdade sinto-me cada vez mais refém da vida escolar da minha filha, e posso mesmo afirmar que a nossa relação se vem deteriorando a cada dia por razões totalmente impostas pela escola. O meu caso não é único, e são grandes as diferenças entre professores.

Os trabalhos de casa, imensos, diários e repetitivos – que não acrescentam em nada à aprendizagem ou à evolução escolar da minha filha, isto se pensarmos que está 8 horas dentro de uma escola (e mais de dois terços dentro da sala de aula – vêm ocupar um tempo que é meu! Ora se a criança necessita dos dois grupos basilares (escola e família) para se fazer enquanto indivíduo, há aqui uma notória usurpação por um dos grupos na educação da minha filha, e como a balança pende totalmente para a escola, o desequilíbrio surge na família.

A escola e a família

A escola impõe-se à família através dos trabalhos de casa, e isto é desrespeito, quando deveria ser solene. Oiço dizer que as crianças são mal-educadas. Pois são. E serão. A razão radica tão-somente no papel da família, sem tempo e sem fulgor, tão reduzido e tão mínimo que é quase imperceptível na identidade da criança. É como se a criança fosse obrigada a trabalhar sempre através da escola, sem descanso, tornando-se prisioneira do seu próprio desenvolvimento, prisioneira do saber académico.

A minha filha de oito anos quando chega a casa deveria ter o tempo que lhe resta para absorver a educação filial, dos afetos, das brincadeiras, dos ensinamentos, das emoções, mas não, a minha filha chega a casa para continuar os ensinamentos da escola. Além de ser excessiva esta espécie de formatação académica, a escola está a cometer um grande e perigoso erro: rouba-me o tempo e enfada e satura a criança, que a curto prazo pode criar anticorpos contra a escola e vir sofrer de falta de criatividade, isto é, falta de liberdade para brincar, tempo para pensar, tempo para si enquanto indivíduo, impedida de estar sozinha, enfiada que está num meio coletivo, numa aprendizagem unilateral, pejada de números e letras, em cadernos enfadonhos e sem cor.

«O meu tempo de mãe é-me assim roubado por três composições, quatro tabuadas e contas ambíguas de somar.»

O meu tempo de mãe é-me assim roubado por três composições, quatro tabuadas e contas ambíguas de somar. E é aqui que entra o aparato. Porque eu disparato.   E disparato com a miúda, que não sabe escrever como eu, que a cada palavra apaga, a cada conta erra, porque são dez e meia da noite e o texto ainda vai a meio. E eu tenho o saco cheio. E só me apetece é ralhar com a professora, coitadinha da senhora, que até é minha amiga. Como disse lá atrás, sinto que a escola está a educar a minha filha, mas não só.

A escola com a sua mania de mandar trabalhos para casa, especialmente esses travestidos de Natais, São Martinhos, dias de Mães e de Pais, e com a sua rocambolesca teoria de que só assim se consegue que os (irresponsáveis) pais façam algumas atividades em conjunto com os filhos, está no fundo a dar palpites e a impingir-me um tipo de relação que não quero ter com a minha filha. E vou mais longe, está a tentar ensinar-me como devo relacionar-me com ela.

A escola, ao tentar unir os pais aos alunos, com cópias e ditados ‘inocentes’, está sim a separar a família dos filhos e ainda mais os alunos da escola. Desde que a minha filha começou o seu longo percurso escolar, há três anos portanto, que tenho escola por todo o lado.

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