Vamos deixar de catalogar as crianças, se faz favor?

“És um bebé!”; “És mesmo teimoso!”; “Só fazes asneiras!”; “Não tens vergonha de ser preguiçoso?”.

O que sentiríamos, pensaríamos e decidiríamos se, no nosso local de trabalho, o nosso chefe passasse a vida a dizer “és sempre a mesma coisa!”, “não fazes nada bem!” ou “estás sempre a queixar-te!”?”

Quantas vezes brindamos os nossos filhos com estes “mimos” e outros do género? Ou ouvimos outros pais fazê-lo com os seus? E quais as suas consequências para a autoestima da criança?

Quando estamos cansados e sem paciência para procurar as razões que estão por detrás do comportamento, é mais fácil catalogar, colocar rótulos. Mas isso traz consequências negativas no futuro, sobretudo na autoestima.

“A classificação reflete a tendência de nossa identidade de se defender da diferença que o outro representa. Rotular é enquadrá-lo numa categoria que o reduza e simplifique para nós. É preciso um esforço para se afastar dos referenciais próprios e observar a beleza da diversidade”. – Eliana Braga Atihé

Reflexões sobre catalogar as crianças

Como se sentirá quem é catalogado ou rotulado?

Tentemos colocar-nos naquele lugar. O que sentiríamos, pensaríamos e decidiríamos se, no nosso local de trabalho, o nosso chefe passasse a vida a dizer “és sempre a mesma coisa!”, “não fazes nada bem!” ou “estás sempre a queixar-te!”?

Teríamos vontade de melhorar ou nem por isso?

E o que decidiríamos fazer dali para a frente?

Tal como os adultos, também as crianças agem melhor quando se sentem melhor. E às vezes é tão simples fazer a diferença. Pense nisto. 

Foto de Paula Perrier | Modelo: Max Fama/Kids)

“Adoro-te filho … mas tenho que ir preparar o jantar. Esqueci-me de descongelar qualquer coisa e tenho que improvisar, vou fazer uma sopa com o que tiver no frigorífico, mas prometo que antes de ires dormir vejo isso com calma.”

Adoro-te filho, mas já estou atrasado para ir trabalhar.

Tenho de ganhar dinheirinho para pagar a renda, comprar comida e aqueles brinquedos que tu gostas. Mas logo à noite prometo que vejo isso com calma.

Adoro-te mau filho, mas tenho que ir preparar o jantar. Esqueci-me de descongelar qualquer coisa e tenho que improvisar, vou fazer uma sopa com o que tiver no frigorífico, mas prometo que antes de ires dormir vejo isso com calma.

Adoro-te mas tens que ir dormir porque amanhã tens de acordar cedo e não podemos chegar atrasados à escola. Mas ao pequeno almoço prometo que vejo isso com calma.

Adoro-te filho, mas adormeci e agora tens de ir a comer pelo caminho. Escolhe lá um iogurte e eu preparo-te uma sandes. Hoje devo sair mais cedo do trabalho e prometo que vejo isso com calma.

Adoro-te filho, mas chamaram-me para uma reunião quando estava mesmo a sair e já não consegui vir mais cedo. Agora vamos a correr para casa e prometo que vejo isso com calma.

Adoro-te, mas a avó ligou a desabafar por causa do avô e tive que a animar.  Vamos tomar banho num instante, jantamos e depois prometo que vejo isso com calma.

Adoro-te filho, não percebo porque é que agora me tratas assim, com tanta indiferença. Porque é que não queres estar comigo nem tens tempo para vermos isto com calma. Eu que te adoro tanto e que fiz tudo por ti.

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Sempre tive pouca opinião no que diz respeito à palmada.

Acredito que todos nós uma vez na vida daremos uma.

Acredito também que é como os presentes. Custa muito mais a quem dá, e depois de oferecida não há como retirar.

A palmada é por si só o descontrolo de quem deu. Porque não conseguiu gerir a zanga que sentia. Muito mais do que o pouco controlo de quem a recebeu afinal “Estava mesmo, mesmo a pedi-las.”

Muitas vezes serve para sossegar o coração de quem a dá – apenas num primeiro momento – e sentir que resolveu o problema ou a insubordinação; no fundo, fez algo a respeito.

Fugir à palmada pode ser visto como uma “moda” das novas formas e modelos de parentalidade. Afinal de contas, também todos nós já levamos uma na vida. “E nem nos fez mal nenhum!…”

Estava mesmo a pedi-las”

 Mas será que se nos zangarmos com o marido, porque ele foi mesmo mesmo inconsequente e “estava mesmo a pedi-las” sai palmada? Porque razão deve ser diferente com as crianças?

Porque nos  compete educá-las?

E “a palmada no momento certo” não faz mal a ninguém?

Mmmm…Creio que a palavra certa no momento certo também não fará mal a ninguém.

Enquanto mãe preocupa-me mais que a palmada mostre à minha filha que é desta forma que se resolvem os problemas. Porque educamos muito mais com o que mostramos do que com o que dizemos ou repetimos.

Acredito  que talvez um dia também eu dê uma palmada por não conseguir gerir a zanga que sinto. No entanto, como acredito que a palavra certa no momento certo funciona tanto como a palmada que terei dado, pedirei desculpa à minha filha e certifico-me de que entende que não é essa a forma de resolver os conflitos.

Por isso em relação à palmada, a minha resposta será sempre um “Nim”. Porque podemos fazer diferente, explorar outros caminhos. É difícil. Mas o que é a parentalidade se não um desafio constante?

Porque depois de dada, a palmada, irá doer para sempre muito mais no coração de quem a deu!

image@plomimg.pw

A crítica excessiva dos pais mutila o cérebro emocional dos filhos

A educação que recebemos em crianças e o tipo de relacionamento que estabelecemos com os nossos pais deixam-nos marcas profundas ao longo da vida.

A atenção ou a negligência, a crítica ou o elogio, determinam o estilo de apego que iremos desenvolver nas relações futuras. Terá um enorme impacto na imagem que formamos de nós mesmos, na nossa autoestima e na forma como encaramos a vida.

No entanto, tudo parece indicar que as consequências da crítica na infância não se limitam ao nível psicológico, mas também alteram a configuração do cérebro da crianças. Neurocientistas da Universidade Binghamton descobriram que, quando os pais criticam excessivamente os filhos, as áreas do cérebro dedicadas a processar estados emocionais, ficam afetadas.

Crítica constante dos pais bloqueia o processamento emocional das crianças

As crianças podem criticar a maneira como o cérebro percebe e processa a informação emocional? Esta foi a questão que alguns neurocientistas levantaram e, para responder, recrutaram 87 crianças com idades entre 7 e 11 anos.

Primeiro, pediram aos pais que falassem sobre os filhos durante cinco minutos. Assim, conseguiram avaliar o nível de crítica destes pais. Depois analisaram a atividade cerebral das crianças enquanto viam uma série de imagens de rostos que mostravam diferentes emoções. Descobriram que os filhos de pais muito críticos prestavam menos atenção às expressões faciais emocionais, sem conseguir distinguir emoções positivas de negativas.

Na prática, as crianças sujeitas a críticas constantes evitam prestar atenção aos rostos que expressam qualquer tipo de emoção. Obviamente, a longo prazo, tal comportamento poderá afetar as suas relações com terceiros e poderá ser uma das razões pelas quais as crianças expostas a altos níveis de crítica correm maior risco de sofrer de depressão e de ansiedade.

Para evitar o desconforto causado pela crítica, o cérebro infantil é “desconectado”

Todos nós temos tendência a evitar coisas que nos fazem sentir desconfortáveis, ansiosos ou tristes. Mas  observou-se que as crianças cujos pais são muito críticos são mais propensas a usar estratégias para evitar pessoas ou situações que as deixem pouco confortáveis.

Na verdade, é um mecanismo básico de proteção: quando estamos perante uma situação da qual não gostamos mas não podemos escapar, o nosso cérebro tende a “desconectar-se”. É exatamente o que acontece connosco quando estamos numa reunião chata que não nos podemos livrar. No entanto, esta situação é perigosa quando repetida por um longo tempo durante toda a infância, pois o cérebro infantil não será capaz de estabelecer as conexões necessárias para processar adequadamente as informações emocionais.

As crianças que são vítimas de críticas constantes evitam focar e processar as expressões emocionais de raiva, nojo ou desconforto dos pais para não sentirem os sentimentos aversivos que estas geram. Como resultado dessa mutilação do sistema de processamento emocional, também se tornam incapazes de perceber as expressões positivas dos outros.

De facto, não é o primeiro estudo que analisa o impacto no nível cerebral de uma educação negativa.

Pesquisas anteriores realizadas na Harvard Medical School revelaram que os gritos danificam o cérebro infantil, especificamente o vermis cerebelar, uma área fundamental para manter um bom equilíbrio emocional.

Como criticar realmente construtiva para as crianças?

Existem dois tipos de críticas: críticas destrutivas, que não levam a lado nenhum e só geram desconforto; e críticas construtivas, que nos permitem crescer e melhorar algo. Infelizmente, estima-se que 9 em cada 10 críticas “construtivas” realmente não o sejam.

Como podem os pais garantir que as críticas que fazem aos filhos os ajudam realmente?

  • Concentrar-se no comportamento, e não na criança.

Isto significa não usar rótulos que generalizam tais com como “estás/és muito desorganizado”.

Os pais devem ser o mais precisos possível e dizer: “não arrumaste os brinquedos, vais ter de o fazer”.

  • Informe-se antes de criticar.

Muitas vezes criticamos supondo que as nossas conjecturas são verdadeiras.  Portanto, antes de dar vazão à raiva ou ao desapontamento, pergunte o que aconteceu. Ouça a versão da criança e tente entender sua perspectiva, embora não signifique que concorde. No entanto, uma crítica baseada na empatia é muito mais construtiva.

  • Foque-se na solução, em vez de enfatizar o erro.

Todos nós cometemos erros, mas se as críticas permanecerem a esse nível, isso não servirá para crescer. Portanto, é conveniente perguntar à criança o que pode fazer para resolver o problema ou propor diretamente algumas soluções.

  • Introduzir um elemento positivo.

Diz-se que para cada crítica cinco elogios são necessários. Uma no cravo outra na ferradura. Não devemos limitar-nos a destacar o negativo nos nossos filhos, mas também a reforçar as características positivas. Por exemplo, pode dizer: “Ontem apanhaste os brinquedo sem eu ter de chamar a atenção, muito bem. Eu gostava que fosse assim todos os dias. Era sinal de responsabilidade”.

 

Publicado em Rincon de La psicologia, traduzido e adaptado por Up To Kids

Já ouviu falar do Apego Seguro?

Pois bem… O apego seguro vem confirmar que tudo é equilíbrio no Universo, e não seria diferente na relação de apego entre a mãe e o seu bebé.

O Apego Seguro trata da capacidade que a mãe (ou a figura principal de apego) tem em responder às demandas da criança de maneira sensível e estável.

Sensível: com percepção aguçada e atenta para as necessidades do infante;

Estável: de forma emocionalmente equilibrada e com presença constante.

Nem negligência às demandas dos pequenos, nem paranóia que sufoque, nem tampouco lançar sobre eles os nossos desequilíbrios emocionais… Ter a sensibilidade de senti-los ao ponto de dar respostas coerentes às suas questões. Dar-lhes a estabilidade da presença tranquila, que está sempre por ali, para quando a criança precisar.

O apego seguro é extremamente importante para o desenvolvimento infantil, pois resultada de uma alta sincronia entre as demandas biológicas e psicossociais do bebé e a resposta eficaz da mãe.

Pesquisas sobre os efeitos do apego seguro apontam para preditores importantes no desenvolvimento da criança, quando este vínculo positivo acontece, nomeadamente:

  • Melhor ajuste psicológico às situações de conflito;
  • Maior internalização das regras instituídas pelos pais e mães;
  • Raciocínio mais maduro e autónomo na adolescência;
  • Boa autoestima;
  • Ajuste social positivo, no estabelecimento de relações para além da família…

Outro fator muito interessante relativo ao apego seguro é o facto de oferecer à criança uma maior segurança emocional. Isto permite-lhe ter a capacidade de explorar novos espaços e situações. A criança não necessita dispender recursos cognitivos para comprovar a disponibilidade de algum adulto responsável durante sua atividade, porque já sabe e sente que pode contar com o seu cuidador. Dessa forma, pode canalizar a sua energia para outros processos cognitivos que poderão ocorrer no momento gerando novas descobertas, aprendizagem e crescimento.

Não é isso que queremos para os nossos pequenos?

Estejamos atentos, portanto, a como estamos a estabelecer a nossa relação de apego com nossos filhos.

E atenção: os processos de educação convergem sempre para a nossa autoeducação. Se estamos equilibrados internamente, as crianças serão equilibradas.  Pois terão esse modelo de ação como referência, ao longo de sua jornada.

 

Photo by Juliane Liebermann on Unsplash

As mães também choram

A maternidade é uma das coisas mais universal do mundo.

Se, por um lado, isso nos ajuda a sentir que somos como tantas outras mães, muitas vezes também sentimos que por isso, por ser tão universal e tantas mulheres o viverem os nossos dramas nos isolam. Sentimos culpa, sentimos que não devíamos sentir coisas menos positivas, que não devíamos perder a paciência, que somos mal agradecidas em algumas ocasiões.

Sermos mais uma na maioria em alguns dias faz-nos sentir pequenas.

À conversa com a mãe de um amigo da minha filha senti mais uma vez a importância de sermos sinceras umas com as outras e partilharmos também as nossas derrotas. Ela contava-me que num final de um dia mais complicado, com birras, se tinha sentado na cama e chorado. E que o marido lhe tinha perguntado por que estava ela a chorar, porque não se tinha apercebido de nada de extraordinário.

Às vezes é assim, cumprimos esta nossa missão com tamanha assertividade que é uma surpresa para as outras pessoas quando nos vamos abaixo.

Mas isso acontece e é comum a todas as mais, numa altura ou outra do seu caminho.

Há as que choram no pós parto, as que choram quando amamentam, quando deixam de amamentar. Quando têm de pôr os filhos na creche, quando os vão buscar à creche mais tarde do que gostariam, quando vêem as contas a aumentar e têm de fazer ginástica para fazer face a todas elas. Quando se separam e percebem que a vida dos filhos nunca será igual (nem a sua) à que planearam, as que choram simplesmente porque estão cansadas.

Há alguns meses eram raros os dias sem incidentes à saída da escola da minha filha. Foi uma fase de birras feias em que a maior derrotada fui eu e a parentalidade positiva. Mas aí percebi que nenhum tipo de parentalidade resultaria porque simplesmente a minha filha entrava em modo automático e não via nem ouvia nada. Era exasperante e ela acabava por adormecer no caminho de casa, exausta. E não foram raras as vezes em que acompanhei o seu sono com lágrimas silenciosas. Lágrimas que me escorriam pelo rosto enquanto revia uma e duas vezes o que poderia ter feito de outra maneira, onde podia melhorar, o que poderia fazer no dia seguinte para evitar este desgaste.

Aos poucos as coisas foram melhorando, até porque as crianças vão crescendo de dia para dia, ultrapassando as suas próprias barreiras.

Chorei em frente à minha filha – contra o que algumas pessoas me disseram que deveria fazer “para ela não perceber o efeito que tinha em ti”. Permiti-me chorar exactamente pelo contrário, para que ela pudesse testemunhar que as suas acções têm consequências. Naturalmente que não chorei para lhe imputar um sentimento de culpa, num discurso de “vês como a mãe fica quando te portas assim?”. Chorei porque não aguentava mais e em vez de ir para o quarto esconder-me, deixei que ela visse. Abri a porta ao diálogo.

E senti a empatia dela.

Ajudou-nos a falar do que tinha corrido mal.

E foi a excepção, naturalmente. Não tenho qualquer memória de ver os meus pais a chorar. E não quero que essa seja uma memória activa da infância da minha filha. Mas ali foi orgânico. Porque ao pé dela já chorei de felicidade, de emoção.

Por que motivo nos escondemos quando as nossas emoções não são positivas?

E quando a mãe do amigo da minha filha, que eu considero uma super mãe, super assertiva e firme, sempre no controlo de tudo, me disse que tinha chorado eu senti-me abraçada. Acompanhada. Compreendida. Senti que fazia parte para todas nós.

As mães mais ou menos seguras.

As mães mais ou menos disciplinadoras.

As mães mais ou menos sensíveis.

As mães.

Porque as mães choram.

E não há mal nenhum nisso.

O mau humor do pai afeta o desenvolvimento intelectual dos filhos

Um pai irritado, na maioria das vezes, reflete não só a falta de controle das suas emoções, como gera um efeito negativo no desenvolvimento cognitivo e emocional dos filhos.

Embora este comportamento seja mais comum nos homens, convém reforçar que é tão prejudicial como quando exercido pela mãe. E, pior ainda, quando é característico em ambos os progenitores.

Os gritos, por exemplo, independentemente da causa, devido à violência intrínseca, têm um efeito extremamente forte nas crianças (pela negativa). A euforia manifestada por gritos quando uma equipe de futebol  marca um golo pode ter o mesmo efeito negativo do que gritar durante uma discussão entre o casal. A criança olha mais para a forma do comportamento do que propriamente para a sua causa. Além disso, comportamentos carregados de ansiedade têm efeitos similares em crianças. Ansiedade gera ansiedade.

O estágio de maior vulnerabilidade das crianças frente a este tipo de comportamento ocupa a faixa etária desde o nascimento até aos três anos de idade. Mas isto não significa que se forem mais velhas as crianças não se sintam afetadas. O mau humor de um pai é geralmente traduzido por um sentimento de culpa nas crianças. Isto significa que as crianças podem sentir-se responsáveis ​​pela falta de controle emocional dos pais.

Os efeitos do mau humor do pai, ou síndrome do pai stressado

Os filhos de um pai mal-humorado desenvolvem, com o passar do tempo, problemas de insegurança, angústia e stress . Estes sintomas irão afetar a sua evolução cognitiva, emocional e linguística, bem como as suas habilidades de sociabilização. Infelizmente, o mau humor age como uma epidemia e rapidamente se espalha a toda a família. Torna-se um “estilo de vida” que se repete como um ciclo vicioso.

A ansiedade é uma condição que não facilita o aprendizado. Há um “excesso” nas emoções e isso impede que se concentre a energia psicológica para outros aspectos. Além de que o stress também supõe um obstáculo para a continuidade da atividade. Habitualmente quem sofre de ansiedade acaba por se tornar instável perante as suas responsabilidades.

O mau humor do pai gera uma tensão adicional na criança. As obrigações académicas são por si só uma fonte de tensão para as crianças. Nestes casos, terão de lidar com duas fortes demandas simultaneamente. Por um lado, com o conflito de culpa e confusão que se origina no mau humor do pai. Por outro lado, com a necessidade (e obrigatoriedade imposta) de responder às suas obrigações.

 

Não consigo pensar em nenhuma necessidade da infância tão intensa como a necessidade de proteção de um pai – Sigmund Feud

 

Agressividade como um exemplo

Um pai rabugento e alterado transmite mensagens agressivas e assustadoras aos filhos. Por isso é que é, cada vez mais, se encontram adolescentes (e adultos) fracassados ​​e, muitas vezes, vítimas de algum tipo de vício. São pessoas que se tornam tão atormentadas quanto os seus progenitores e vagueiam pela vida sem esperança.

As crianças aprendem essencialmente pelo exemplo. Inconscientemente, imitam o comportamento dos pais (os seus elementos referenciais), quer este seja positivo ou negativo. Assim, nestes casos, aprendem a ser emocionalmente descontroladas. Ao acatarem os ataques dos progenitores, acreditam que a sua resposta reflete o que eles sentem. Portanto, é muito provável que a criança acabe também por desencadear conflitos na escola. Torna-se tão descontrolada quanto o seu pai e reagindo de forma irracional à mais pequena adversidade.

As relações na escola

O ambiente escolar tem um papel fundamental no desempenho académico. Ora, se a criança transformar as relações na escola numa nova fonte de angústia, provavelmente prejudicará ainda mais a sua capacidade de tirar proveito disso. É uma corrente que se estende e que, na pior das hipóteses, levará ao fracasso escolar, o que levará ao aumento do sentimento de culpa, ao aumento das suas inseguranças e à frustração.

Por outro lado, o pai que está positivamente envolvido na educação dos filhos está a criar condições para que eles desenvolvam autoconfiança. Esta segurança é manifestada através de habilidades sociais superiores e melhores resultados académicos. Aprender passa a ser encarado como uma aventura interessante e os objetivos como desafios assumidos com entusiasmo.

Algumas recomendações

As alterações emocionais dos pais como raiva, tristeza e stress, inibem o bom desenvolvimento da criança. Os filhos de pais com essas características replicam esse comportamento com efeitos nocivos a longo prazo. Estes podem causar depressão e problemas de aprendizagem e de linguagem.

Assim, deixamos aqui algumas recomendações, para pais e mães:

  • Fortaleçam o relacionamento com os vossos filhos:

Expressem os seus sentimentos. Falem sobre o que gostam e não gostam. Das vossas preocupações, anseios, medos e sonhos. Não só estarão a criar um clima de confiança, mas também promovem o diálogo e terá um efeito terapêutico para toda a família.

  • Responsabilidades profissionais e filhos são fundamentais, mas não são tudo.

Devem saber manter um espaço e um tempo para para cada um de vocês, e para os dois em conjunto (se for o caso de estarem juntos). Vocês também merecem atenção. Façam atividades que possam desfrutar. Dividam-se e aprendam a libertar a mente das tensões. Relaxam ou pratiquem um desporto.  Arranjem um hobbie!

  • Fiquem atentos a qualquer sinal de desestabilização do vosso humor, como stress, depressão, angústia ou raiva.

É aconselhável estabelecer limites e manter o autocontrole. É melhor agir na altura certa e não permitir que os conflitos aumentem. Assim não haverá arrependimentos mais tarde. Se for preciso, procure um profissional para o ajudar..

Nós, pais, queremos que nossos filhos sejam felizes.

Tente oferecer-lhes tempo de qualidade, aproxime-se deles e não se esqueça de dizer (todos os dias) o quanto os ama. Não tenha medo de pedir desculpas se agiu de forma menos correta. É muito positivo que os miúdos saibam que esse é um comportamento positivo e que toda a gente deve desculpar-se quando erra e tentar não repetir “a graça”.

Artigo publicado em La mente es maravilhosa traduzido e adaptado por Up To Kids®

As grandes lições o pequeno Catita

Sempre ouvi dizer que ser mãe muda tudo.

Sempre achei que era conversa. O que podia mudar assim de tão profundo em nós de um dia para o outro? O que podiam seres tão pequenos ensinar-nos de tão grandioso?
Logo com o teu primeiro olhar, inesperadamente intenso comecei a aprender. Aprendi logo ali que tinha uma energia inesgotável quando o teu choro chamava por mim, e comecei a desconfiar que tudo o que sabia sobre mim estava prestes a mudar.
Foi pouco a pouco, dia a dia, ano a ano. Cada cm que crescias, eu aprendia contigo.

Aprendi a olhar para dentro, antes de olhar para fora.

A perceber que muitas das minhas reações não eram minhas mas estavam gravadas na minha cassete interior. Que a voz cá dentro era muitas vezes crítica, e não uma boa amiga. E que para ser gentil contigo, tinha de primeiro ser gentil comigo.
Compreendi que na pausa está o poder para agir, em vez de reagir. Que as palavras devem passar pelo coração para serem filtradas das ideias pré-concebidas e dos hábitos adquiridos, de forma a não magoarem o teu pequeno coração.
Vi que na vulnerabilidade dos dois, está o segredo de uma relação próxima e verdadeira. Que para te inspirar a dares o melhor de ti, devo dar o melhor de mim.

Descobri que o que funciona hoje, amanhã não faz sentido.

Que só com curiosidade e presença posso criar uma estrutura flexível que acompanha o teu crescimento. O nosso crescimento.
Percebi que as verdades absolutas apenas criam lutas de poder. Que existe espaço para cada um ter o seu ponto de vista e comunicá-lo. Que quando nos ouvimos encontramos sempre o caminho do meio. O nosso caminho.
Entendi que tenho de confiar na tua voz interior, para a conseguires encontrar. Aprendi a ouvir-te, sem tentar resolver os teus problemas. Percebi que quando me contas as coisas mais pequenas, abres caminho para me contares as mais difíceis.
Compreendi que as feridas que ainda carrego fazem-me saltar a tampa, e com ela salta também a possibilidade de olhar para essa parte de mim que não está em paz. Obrigada por me lembrares que está na hora de as curar.
Aprendi a ver o errar como a melhor forma de aprender, e não uma razão para desistir.
Como um “ainda não consigo” e não um “não sou capaz”. Aprendi a dar-me colo, como te dou a ti.
Entendi que olhas para mim como um exemplo a seguir, e mais do que dizer-te o que tens de fazer, tenho viver nos valores que acredito serem importantes.

Compreendi que as expectativas que criamos só nos magoam aos dois.

Afastam-nos do nosso verdadeiro potencial, e magoam fortemente a nossa autoestima. Aprendi a não esperar, mas a ficar encantada diariamente ao ver a tua vida desenrolar-se para caminhos que nunca imaginei.
Descobri que mais do que estar certa, é preciso fazer o que o coração sente que é certo.
E que no meio de dezenas de livros sobre ser mãe, o teu livro de instruções nasceu contigo e que temos uma vida pela frente para o lermos. Juntos.

9 frases poderosas para te conectares com o teu filho

Há momentos em que não sabemos o que dizer aos nossos filhos. Em que o conflito está ao rubro e nos sentimos impotentes, achamos que não vamos conseguir parar aquela espiral negativa.

Não é fácil recuperar a conexão perdida, recomeçar. Em minha casa tenho tentado aplicar com os meus filhos algumas das “ferramentas” práticas, que aprendi com a Disciplina Positiva. Com bons resultados.

Deixo-vos algumas frases que já experimentei dizer aos miúdos nos momentos de tensão. E que fizeram a diferença.

Da próxima vez que sentires que estás numa autêntica luta de poderes, experimenta dizer uma delas:

1. “Diz-me o que estás a sentir”

Ao mostrar interesse em saber o que está o teu filho a sentir, faz com que ele se sinta ouvido. E importante. Ajudá-lo a encontrar as palavras certas para descrever a emoção do momento – mesmo que o faça de forma curta ou meio atabalhoada – ajudá-lo-á a acalmar-se e a seguir em frente. Assim estarás também a mostrar empatia pela criança e pelos seus sentimentos, o que é meio caminho andado para retomar a conexão perdida.

Mas atenção, para que esta “estratégia” resulte, tenta descer ao nível da criança, olhá-la nos olhos e ESCUTAR realmente o que ela tem para lhe dizer.

2. “Amo-te, mesmo quando estás assim”

As crianças precisam de sentir amor incondicional dos seus pais, para que se tornem adultos estáveis do ponto de vista emocional. Esta frase mostrar-lhe-á que a ama até mesmo nos momentos em que não estão a dar-se lá muito bem.

3. “É normal sentires-te zangado, às vezes”

Como pais tentamos muitas vezes “abafar” os sentimentos dos filhos. Fazêmo-lo de forma consciente ou inconscientemente, é certo, mas é frequente. Por exemplo, quando queremos pôr termo de forma imediata a uma birra ou a uma crise de choro. Só que, ao tentarmos que a criança “abafe” o que está a sentir, o mais provável é que o “mau” comportamento se intensifique e, possivelmente, com ainda mais força.

Sentir é normal, certo? Faz parte de sermos humanos e não há distinção entre adultos e crianças. Quando compreendemos que é normal sentirmo-nos menos bem por vezes, mostramos aos miúdos que os amamos até nesses momentos.

4. “Posso dar-te um abraço?”

Quando as crianças estão no meio de uma birra, tudo à sua volta parece ser uma ameaça. Por isso reagem tantas vezes intensificando a conduta, gritando, esperneando quando tentamos ralhar com elas para que parem.

Sei que pode parecer estranho, mas dar um abraço ao teu filho durante um momento de conflito pode ser o suficiente para lhe pôr fim. “Preciso de um abraço, filho” é a frase certa e preferível a “Dá-me um abraço”, já que mostra vulnerabilidade e não autoridade, sendo por isso mais fácil retomar assim a conexão perdida.

É claro que nem sempre esta solução resulta, nem resultará com todas as crianças. Por vezes, quando a criança está de tal modo furiosa, o ideal é dizer algo como “Preciso de um abraço mas já percebi que agora não o consegues dar. Vem ter comigo quando achares que estás pronto”.

5. “Vamos respirar fundo juntos?”

Inspira, expira… Respirar fundo é para muitos pais a melhor forma para se acalmarem. E que tal propor o mesmo aos seus filhos? É um exercício simples e que acalma o stress e diminui a frequência cardíaca. Ideal para momentos de conflito!

6. “Como é que eu te posso ajudar?”

Fazer perguntas ajuda a criança a mudar o foco, a pensar em soluções em vez de se centrar na emoção negativa. Mesmo que não obtenha resposta, só o facto de perguntar, de lhe oferecer ajuda, mostra que se importa realmente com o que ela está a sentir.

7. “Podemos recomeçar?”

Esta frase funciona como uma espécie de ‘reset’. As primeiras vezes que a usar, é possível que não resultem, mas não custa ir tentando…

8. “Desculpa-me por…”

Os pais também são de carne e osso, também erram, falham, choram, sentem. Mostrar às crianças que também somos humanos não só é reconfortante para elas, como lhes passa também uma mensagem poderosa: de que pedir desculpa é normal e algo certo a fazer muitas vezes. Por isso, se gritou demasiado alto, se foi demasiado duro/a ou se ignorou sentimentos que não devia ter ignorado, não custa nada dizer “desculpa”.

9. “Da próxima vez, prometo que…”

“Desculpa se perdi a cabeça, da próxima vez prometo que vou reagir com mais calma”. Ao contrário do que possa pensar, esta frase não o/a fragiliza enquanto educador/a, pelo contrário. Mostra compromisso, compromisso de mudança, algo que é essencial quando pedimos desculpa. E ajuda a retomar a conexão perdida.

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Como elogiar os nossos filhos

O elogio, sentido e verdadeiro, está na base da construção de uma auto-estima sólida e duradoura.

Como as primeiras testemunhas das pequenas conquistas dos nossos filhos, é da nossa boca que ouvem os incentivos que mais importam.

Uma criança que cresce sentindo que os seus actos importam será um adulto mais consciente não só das suas capacidades, mas também do mundo que o rodeia: mais aberto a sentir-se como parte de um todo, uma parte importante e construtiva.

Sou adepta do elogio, mas acredito que nem todo o elogio é benéfico e é por isso que devemos pensar antes de o proferir.

Por exemplo, dizer constantemente aos nossos filhos como são inteligentes pode passar-lhes a sensação de que isso lhes basta. De que como são inteligentes não terão de se dar ao trabalho de fazer certas coisas porque já têm como dado adquirido essa característica intelectual. No caso acho mais responsável elogiar o esforço, o trabalho e perseverança que a criança teve para alcançar o objectivo.

Devemos exaltar a sua coragem quando têm de ultrapassar um obstáculo.

Elogiar a forma como ficam bem vestidos, mas deixar claro que não é a forma como estão vestidos que faz deles pessoas mais ou menos bonitas.

Incentivar a empatia, elogiar a amabilidade para com o próximo.

Promover a partilha e dirigir sempre uma palavra de apreço quando essa partilha acontece sem intervenção externa.

Evitar expressões como “sabes tudo” porque naturalmente, apesar das nossas boas intenções, está longe de ser verdade e pode passar-lhes uma sensação de superioridade em relação aos outros que não é saudável.

Elogiar a dedicação que aplicam a uma tarefa, mesmo que os objectivos não sejam alcançados – na vida importa muito mais sermos humanos que máquinas, que competem entre si e acabam por se perder no caminho, esquecendo-se que na maior parte das vezes o mais importante é aproveitar a viagem.

Este é um trabalho em construção que faço diariamente com a minha filha.

Dou por mim a pensar antes de falar e, algumas vezes, depois de já o ter feito, tentando analisar o impacto que as minhas palavras possam ter nela.

Porque as eles lhes escapa pouco. Ainda ontem me dizia “mãe, aquele senhor tem sapatos de salto alto, são sapatos de menina”. E eu, atenta às questões de género e à importância da liberdade de expressão, respondi ”vou-te contar um segredo: os rapazes podem usar os sapatos que quiserem e as meninas também podem usar os sapatos que quiserem. O importante é estarem confortáveis com quem são e serem felizes”. Respondeu-me ela “Ai é? Então por que é que de manhã não me deixas usar os sapatos que eu quero?”. ?

Eles são atentos, eles ouvem e absorvem, eles imitam-nos, eles aprendem connosco.

Neste crescimento contínuo entre pais e filhos a nossa missão é a de ensinar o melhor que sabemos.

E isso também passa por saber quais as palavras que os servirão melhor no futuro.

Um futuro que todos queremos que seja brilhante. Seja lá o que isso for para cada um de nós.