A educação infantil e a física quântica: interseções

A Física Quântica, em traços gerais, estuda os fenómenos que acontecem com as partículas atómicas e subatómicas. Ou seja, partículas que são iguais ou menores que os átomos, como os elétrons, os prótons e os fótons…

Trata-se de um novo modo de pensar e fazer ciência. As micropartículas não podem ser estudadas e observadas através da Física Clássica, já que esse “micromundo” não é prioritariamente regido pelas leis que compõe a ciência tradicional, tais como a gravidade, a ação e a reação, etc.

O interessante é que apesar de todos os seus estudos se darem em relação aos fenómenos microscópicos, estes também se refletem nas questões macroscópicas, já que tudo o que há no Universo é composto por átomos, elétrons, etc…

Segundo experimentos da Física Quântica, é possível a existência de duas situações diferentes e simultâneas para um determinado corpo subatômico.

Se o comportamento desta partícula pode ser tão incerto e tão contraditório, de acordo com os estímulos externos, como é que isso não ocorreria também no macrocosmo das crianças, visto que somos todos um amontoado de elétrons e prótons, interagindo e reagindo uns com os outros?

Nesse sentido, o pensamento humano, como sendo ondas eletromagnéticas que irradiam, captam e devolvem ondas semelhantes, tem grande poder de realização.

Cada indivíduo é capaz de alterar o universo em seu redor com a capacidade de influenciar na disposição das micropartículas atómicas em torno das pessoas, como os observadores dos átomos são capazes de modificar o comportamento das partículas com as quais têm contacto.

É necessário sensibilizar o olhar e acolher essas crianças que estão perto de nós com todos os sentidos aguçados. Estão num ponto ótimo para serem conduzidas a criar realidades positivas, sob a orientação de um adulto que também caminhe na intenção de ser artífice do seu próprio mundo.

A interseção entre a Física Quântica e a Educação da Infância dá-se assim, no lugar do novo e do criativo, visto que nessa perspectiva, somos nós adultos educadores que construiremos conjuntamente às crianças, realidades mais significativas para todos.

Esta é uma proposta revolucionária que desde a base transformará os modos de pensar dos pequenos, formando cidadãos mais conscientes de seu poder de concriar realidades de equidade, equilíbrio, bondade, confiança e de todas as habilidades das quais o mundo tanto necessita.

Photo by frank mckenna on Unsplash

Os nossos maiores ensinamentos enquanto pais acontecem silenciosamente, nos gestos que fazemos, na forma como nos comportamos na presença dos outros, no modo como lidamos com uma série de situações com que acabamos por nos deparar diariamente.

É óbvio que os miúdos aprendem também o que lhes dizemos, tantas vezes como se fosse um mantra: “pede por favor”, “como é que se diz?”, “já cumprimentaste y ou x”? porque a repetição também cria o hábito.

Mas a responsabilidade real é a que acontece da primeira forma, porque os nossos filhos crescerão para serem adultos que querem ser iguais aos pais ou que querem ser exactamente o oposto deles.

No desfile de carnaval da escola da minha filha dei-me conta, mais uma vez, que aos miúdos raramente há o que lhes passe ao lado. Uma das mães entregou serpentinas a um colega da minha filha e ensinou-lhe como fazer, como soprar para ver a magia da serpentina acontecer. O rosto dele encheu-se de preocupação e a primeira coisa que fez foi baixar-se para apanhar as serpentinas do chão. “Não podemos mandar papéis para o chão!”, disse. Olhei para a mãe e sorri. Ela baixou-se e tentou explicar-lhe que naquele dia, porque era Carnaval não havia problema. Aliás, era suposto porque era uma brincadeira, mas o filho não ficou confortável, como se aquela excepção à regra fosse confusa. E acaba por ser, porque passamos o ano inteiro a evitar fazer lixo, a apanhar o mais pequeno pedaço de papel para o chão para depois andarmos a mandar ao ar confetis coloridos que deixam as ruas cheias de cor. Resultado: passou o desfile a apanhar as serpentinas do chão. Reparei também que durante a semana a minha filha brincou com as serpentinas que lhe dava, toda feliz da vida, mas antes de virmos embora apanhou todas elas e colocou no lixo sem que eu dissesse uma única palavra. Acho graça e um pouco exagero, mas mantive-me à margem. Se sabem brincar e aproveitam e depois limpam o que fazem, por mim tudo bem.

Estão bem ensinados e certamente não serão daqueles adultos que muitas vezes apanhamos no trânsito a mandar papéis da pastilha elástica pela janela. É o básico “deixa tudo como encontraste”, já que diariamente têm de arrumar os brinquedos e os jogos, os sapatos no sítio e por aí fora.

Este exemplo deixa-me com esperança e aumenta a responsabilidade que sinto. Porque tudo o que faço vai ficar gravado na memória e na retina da minha filha, se não para utilização imediata, para o ser no futuro.

Às vezes a vida não vai ser exactamente como as regras ditam, vai haver obstáculos que obrigam a alguma ginástica, criatividade e é importante que os nossos filhos saibam ser ágeis. Mas têm tempo para treinar essa agilidade.

Primeiro precisam de cimentar os princípios e os valores que serão a base da sua vida. Depois trabalharemos com eles a flexibilidade que a vida exige. Estamos a criar super miúdos!

Há um lugar e um tempo para tudo.

Para já é deixá-los serem crianças, com os nossos ensinamentos a pairarem como numa nuvem por cima deles.

Vai correr tudo bem. Como poderia não correr?

imagem@weheartit

O Lourenço quer ser como o Sansão!

Esta história podia começar assim “Sábado, fomos cortar o cabelo com o Lourenço e depois fomos almoçar e passear… Fim”.

Pois, mas não foi bem assim que aconteceu. Nem a nós, nem para muitos pais que tentam ir cortar o cabelo aos seus príncipes e princesas.

Ora, se a 1ª vez que o Lourenço cortou o cabelo, apenas chorou um pouco no final; na 2ª vez chorou “baba e ranho” mas lá deixou cortar…
À 3ª foi incrível! Portou-se portou como um “crescido” e deixou cortar o cabelinho de forma impecável. Posto isto nada faria prever que todas as vezes que tentámos entrar num cabeleireiro, fugisse a 7 pés…

Desta vez não foi muito diferente, foi de mão dada com a mamã todo animado por ver brinquedos à porta, mas assim que entrou viu crianças a cortar o cabelo, abriu a porta e veio a correr para o papá a gritar e de dedinho em punho, a dizer “Nãão! Nãããooo!!

Lá conseguimos entrar e o entretemo-lo com alguns brinquedos e lá o colocámos num carrinho, enquanto vestia um “babete com mangas”. Até aqui tudo “mais ou menos” – deve ter pensado que ia papar.

As coisas começaram a azedar, quando a senhora muito paciente e atenciosa lhe borrifou o cabelo…

O Lourenço fez-lhe um olhar “exterminador” enquanto empurrava a mão da senhora e agarrava o seu cabelo.

Oferecemos-lhe passas (truque este que também usamos para conseguir que se sente na cadeirinha do carro), mas continuava desconfiado e olhava para trás a tentar perceber o que a senhora estava a preparar.

Pente e tesoura “em punho” e começou o “berreiro” – Gritos, berros e tentativa de fuga. Tentámos no carro, fora do carro, fui buscar o Shrek, tocámos piano, xilofone, um boneco. Oferecemos novamente passas e até mama…

Tudo isto enquanto berrava e a senhora andava a atrás de nós a cortar cabelo que conseguia…  Cada “tesourada” que a senhora dava, mais choro… Mas lá se conseguiu “cortar as pontas”, entre mamar e o colo da mãe e do pai. O cabeleireiro parou todo a olhar para ele!

Assim que percebeu que o pai estava a pagar e que íamos embora, começou-se a rir e a fazer adeus à senhora e aos outros meninos!

Pensámos que éramos os “únicos” nesta situação, mas descobrimos aqui um problema comum a muitos papás e mamãs. Desde crianças que colocaram um Centro Comercial em reboliço, outras a saírem apenas com metade do cabelo cortado ou até pais que desistiram de ir a cabeleireiros… Há de tudo um pouco!
Sentimo-nos mais “acompanhados” ao saber destas experiências.

Por fim, decidimos que o próximo passo será… cortar o cabelo em casa!

Os miúdos são uns bichos estranhos não são?

Sinto-me muitas vezes como naquele filme, o Divertidamente, presa dentro da cabeça dos meus filhos a tentar perceber o que se passa lá dentro.

Os miúdos crescem, de repente deixam de ser aqueles bebés bolachudos que comem, dormem e brincam o dia todo e passam a ser pessoas em miniatura que, mais que frio ou fome, sentem emoções. Alegria, ciúmes, tristeza, medo, euforia, raiva e em nós, pais em construção, cresce a preocupação de tentar perceber o que é que eles estão a sentir e o que isso diz sobre a personalidade que estão a desenvolver.

O meu filho não apanha os brinquedos do chão porquê, se ainda agora estava a arrumar as peças do puzzle? Esta birra que a minha filha está a fazer é de sono ou será que está triste com alguma coisa que se passou na escola?
Porque é que o meu filho tem tanto medo do cão da vizinha e ao mesmo tempo adora correr atrás dos pombos?
A minha filha está outra vez com ciúmes do irmão, porquê?
Será que estamos a dar-lhe menos atenção?
Porque é que o meu filho nos desafia e não sai de frente da televisão e depois chora assustado quando deixa cair sem querer um copo de água no chão?
A minha filha que ainda agora estava a dançar no meio da sala, está a chorar compulsivamente porque ainda faltam muitos dias para o aniversário dela, porquê?
Porque é que a minha filha tem tanta consciência dela própria e isso a impede de se divertir?

Não sei.

Fico perdida com tantos estados de alma diferentes num curto período de tempo. A mesma ação gera em momentos diferentes reações diferentes, não há um guião, nem um botão como no filme, para impedir que a vida não lhes sorria sempre. Deixa-me um sabor agridoce vê-los a gerir as emoções e as relações com os outros, porque se, por um lado, precisam de liberdade para desenvolver a sua personalidade, por outro, obriga-me a deixá-los lidar sozinhos com situações que como mãe-leoa gostaria de poder resolver a gritar com alguém.

A partir do dia em que tomei consciência que os meus filhos fazem parte do mundo e que se vão relacionar com os outros, o meu coração ficou mais exposto. O mundo às vezes é um lugar feio. E nasceram em mim novas perguntas. Será que alguém os magoa? Será que têm as ferramentas necessárias para lidar com os outros? Que emoções são aquelas que aparecem a cada birra? O que se passa naquelas cabeças?

 

LER TAMBÉM…

Divertida Mente: emoções, para que vos quero?!

DIVERTIDA–MENTE explicando as emoções

De mãe a Momster: Consequências de reprimir as nossas emoções

As vivências no contexto familiar e, mais concretamente, o relacionamento com os pais é determinante para as crianças aprenderem a lidar com as emoções.

É no seio familiar que surgem, normalmente, os primeiros conflitos e onde as crianças são colocadas à prova na regulação das suas próprias emoções, para que estas não comandem as suas atitudes, numa desgovernada ultrapassagem de limites.

Muitos pais queixam-se sobre a difícil capacidade dos seus filhos gerirem a frustração, quando não lhes dão aquilo que pretendem, quando não lhes proporcionam uma atividade na hora que desejam ou mesmo quando lhes pedem que interrompam ou terminem aquilo que que lhes está a dar prazer para fazerem uma outra qualquer tarefa que não lhes agrada. O habitual descontrolo vivido em muitas casas é resultado de um processo de aprimoração da inteligência emocional que está ainda em construção. Portanto, ainda que estas situações sejam desagradáveis ou mesmo muito desgastantes, são muito necessárias para ajudar o seu filho a desenvolver as suas habilidades emocionais. Por outras palavras, os conflitos lá em casa são ótimas oportunidades de treino, pelo que não as desperdice!

Ainda que a genética possa ter um palavra nesta questão e os pais com padrões emocionais mais instáveis possam constituir “fator de risco”; a verdade é que pode aproveitar conflitos para ajudar o seu filho a tornar-se um expert emocional! E já desde a primeira infância, uma fase de desenvolvimento marcada pelo aumento da mobilidade e dependência da criança, em que a criança pode ensaiar as suas competências emocionais.

Sempre que os pais se mantêm regulados, firmes e confiantes (transmitindo segurança e clareza nas suas mensagens) ajudam os seus filhos a regular-se em conflitos, com impacto a curto e longo prazo! De forma contrária, quando os adultos reagem de forma brusca ou irritada para com os seus filhos estão a aumentar a probabilidade destes também agirem impulsivamente e apresentarem mais birras do que seria de esperar na sua idade.

Pai e mãe sejam modelos de emoções e reações!

  1. ALERTA VERMELHO: ajude o seu filho a identificar quando está sob o controlo de uma emoção como a zanga ou frustração;
  2. STOP: ajude o seu filho a controlar o primeiro impulso, que pode ir desde um descontrolo verbal (dizer algo sem pensar, gritar) a um descontrolo físico (agredir, partir objetos). Sempre que sentir a “onda” do impulso imagine um grande sinal de STOP e esse é o momento para se distrair de forma a diminuir a intensidade da emoção e aliviar pressão, “baixando a temperatura”!
  3. BAIXAR A TEMPERATURA: ajude o seu filho a regular e acalmar estados emocionais descontrolados: afastar-se um pouco, sentar-se num local confortável e respirar lenta e profundamente; contar de 50 até 0, ouvir uma música que o acalme, caminhar e apanhar um pouco de ar, pensar em algo que gosta de fazer… ou outros recursos internos que funcionem bem em momentos como estes;
  4. NÃO AGIR DE CABEÇA QUENTE: ensine o seu filho a não tomar decisões em momentos de zanga, raiva, irritação ou frustração; pelo contrário, a encontrar soluções, apenas nos momentos em que está calmo e sereno. É preciso existir um intervalo de tempo entre o sentir e o agir;
  5. REFLETIR: sobre as razões que o fizeram perder o controlo do que estava a sentir. Este é um excelente momento, para pais e filhos partilharem aquilo que sentiram no momento em que se iniciou o conflito.

Atenção, vontade e empenho são fundamentais para interromper padrões de comportamento impulsivo e desenvolver boas habilidades na forma como se lida com os conflitos. Agora nunca se esqueça que isto é um trabalho em equipa e começa de cima para baixo. Lembre-se que pode transmitir ensinamentos valiosos, normas e máximas de vida importantíssimas ao seu filho… contudo, ele vai sempre seguir o seu exemplo!

imagem@flickr

E se existisse um livro que além de letras para leres e imagens para viajares na história tivesse também espaço para fazeres tu os desenhos e tornavas-te no próprio ilustrador, e quem sabe até o narrador ou o escritor desta história! E se esse livro fosse composto por vários textos, várias histórias todas diferentes, sem qualquer ligação entre si?
No Livro “Histórias minhas, desenhos teus” podes finalmente ir até onde a tua imaginação te levar. Podes desenhar um OVNI recheado de extra-terrestres que desceram à terra para conhecer a tua personagem favorita! Ou podes fazer uma máquina do tempo e regressar tantos que até um DINOSSAURO aparece no teu livro.
Tudo a teu gosto. Como sempre quiseste!

SINOPSE

Os livros são objetos que eternizam momentos, vivências e sentimentos. Este livro consiste num conjunto de textos, alguns dos quais com características “non sense”, que exploram os casos especiais de leitura. Pretende-se que este livro não seja explorado de forma solitária.
É um livro, não só para ser lido, mas para ser partilhado e vivido.
Esta pode ser uma oportunidade para alunos e professores, pais e filhos, juntos, darem largas à imaginação e explorarem não só os textos, mas também as ilustrações, criando um livro que será único. 

Ilustracao_historias

INSTRUÇÕES
Este livro, que agora é teu,foi começado por mim, mas foi de propósito que não o acabei.

E porquê? Perguntas tu! 

Porque eu gostava que este livro se tornasse único e nosso.

O que eu quero dizer com isto é que terás oportunidade de o acabar, dando largas à imaginação e ilustrando os textos que faltam.

Para além disso, quero desafiar-te a fazê-lo sem que utilizes os materiais habituais. 

Que tal experimentar os lápis de cera, as aguarelas ou até as canetas de acetato? Não te esqueças que a criatividade permite-nos inventar, criar e sonhar, ela não tem limites ou barreiras…aceitas o desafio?!

Todos vamos querer ver o teu livro terminado!


histórias-minhas-desenhos-teus1
FICHA TÉCNICA
Autor: Andreia Reis
Data de publicação: Junho de 2015
Número de páginas: 48
ISBN: 978-989-51-5044-1
Colecção: Literatura Juvenil
Género: Conto Infantil

Visite-nos no Facebook

 

Se os olhos são “o espelho da alma”, os braços são os seus fieis executores. Os braços recebem, contêm.  Podem apertar, aprisionar, mas também podem libertar, deixando vir e deixando ir, ao ritmo do bebé, da criança, do adulto.

Com os (a)braços abrimo-nos ao outro e aceitamos recebê-lo e acolhê-lo em nós. Com os braços dizemos coisas simples como “eu estou aqui”, “aceito-te como és” e “quando fores, levarás este sentir dentro de ti”.

É por isso que devemos abraçar os nossos filhos. É por isso que nos devemos deixar abraçar. É por isso que os abraços são uma das melhores coisas do mundo. No abraço está a sintonia, a comunhão, o corpo rendido. E é por isso que os braços, têm um especial poder mágico. Não esquecendo, porém, que também com os olhos, o sorriso e a escuta, se pode abraçar a Alma de outro alguém.

Mas, estes mesmos braços, podem ainda viver em si fantasmas do passado e ansiedades do futuro. Só isso explica as inúmeras vezes que ainda se ouve dizer às mães: “não dês muito colo, olha que o bebé fica mal habituado” (como quem diz “cuidado com esse pequeno devorador de carinho”). Só isso explica que se guardem os abraços, “religiosamente”, para momentos específicos (casamentos, funerais, aniversários, etc), como se fosse necessário prevenir uma eventual escassez deste bem precioso. E também existem os braços que empurram, e empurram, e por mais que a criança volte (porque não é o seu tempo), os braços repetem para si mesmos “é importante autonomizar a criança”. Como se a autonomia de um Ser nascesse do desejo do outro (mãe/pai) e não de si mesmo (um contra senso).

Não deixe que os seus braços tenham medo, não deixe que os seus abraços sejam ansiosos mas, principalmente, não deixe que os seus braços estejam paralisados (por uma qualquer razão). O maior desafio não está em mudar, está em fazer escolhas. As nossas escolhas. Mas é também aí que está o maior poder. Na escolha do que queremos ser, ter e dar.  E nós pais, devemos perguntar a nós mesmos, como é que nos deixamos tocar. O que diz a nossa pele quando é tocada por outra pele? Como, e quem, é que eu abraço? Como, e por quem, me deixo abraçar?

E com as respostas a estas perguntas, podemos querer continuar, ou aprender, a fazer “magia”.

Um abraço bem apertadinho.

imagem@tavovaikas.lt

Ter uma filha muda-nos de diversas maneiras, mas nunca teremos uma vida aborrecida ou rotineira. Um dia acordam com 2 anos e só querem comer na taça cor-de-rosa, vestidas de cor-de-rosa e se a papa ou o leite fossem cor-de-rosa ou roxo (também aceitável) seria perfeito. Desde esta idade começam a perceber que nem tudo é cor-de-rosa e as birras muitas vezes rebentam porque a mãe também não esta vestida de cor-de-rosa, nem de espírito porque já não vê o mundo através de lentes rosa ou roxas! Mas a mãe compreende, porque já esteve nessa posição e a coisa é chata.

No dia seguinte acordam com 6 anos, e arrependem-se de ter cortado o cabelo as Barbies numa das birras dos dois anos em que as Barbies não estavam vestidas de rosa! Agora quase carecas, as Barbies, as Monster High, as Violettas ou as Elsas têm que ser trocadas o quanto antes porque as amigas gozam, e nesta idade tudo é passível de ser trocado até a mãe, caso não ceda.

No outro dia, acordam com dez anos e tudo o que é rosa, roxo ou que roce estas cores é super foleiro e nem acreditam que a mãe tenha cedido a tal piroseira e portanto a culpa é toda nossa!
Mea culpa, claro  que têm razão: estas mães de hoje gostam tanto de rosa e roxo. Adoram!…

Talvez porque, quando as mães de hoje, eram pequenas meninas nos anos 80, 70, 60, havia o rosa, mas também havia tantas outras cores e brinquedos que os pais ofereciam às filhas aos quais, nós filhas gratas e amigas, agradecíamos  com sorriso meio rosa/amarelo
“-obrigada adorei! Mesmo! Era mesmo isto!”,  quando na verdade queríamos dizer:
“-Este careca? só havia mesmo um careca de quase dois quilos, com roupa castanha? Não havia nada mais levezinho ou mais colorido como a primavera?! Não sabem que com 7 anos, carregar um careca com peso real vai-me dar cabo das costas?”.

OK a ultima parte não dizíamos nem pensávamos, porque não havia o que Google.

Não dizíamos nem pensávamos porque era o que havia e nos aceitávamos. Sabíamos que em África os meninos e meninas não comiam e que ter brinquedos era um luxo. Se não acreditássemos, bastava assistirmos as noticias ao jantar com a família enquanto comíamos abundantemente, e engoliamos em seco as imagens de fome em África que nos invadiam a sala de jantar. Mudar de canal para o único outro canal, a RTP 2, era chato porque ai tínhamos que engolir cultura à hora de jantar e para isso ninguém, nos anos 80, tinha estômago. Mas o resto é tudo verídico.

A vida era monocromática, com alguns laivos de cor aqui e acolá, mas era simples muito mais simples para os pais que quando acrescentavam filhos ou sobrinhos à família era bem mais fácil de passar adiante o que já não servia. Mas agora o que fazemos com tanto rosa, tanto roxo?
Agora que aos dez anos quase no final da infância e inicio da pré-adolescência com tanta informação e tanta escolha, quando deixa o rosa de ser uma possibilidade (ou obrigação)?

Filha, já não gostas de rosa? Mesmo, mesmo? Tens a certeza, olha aqui super giro e fashiontrendy, super top e tal?
OK, não é necessário esse olhar de desdém que me faz sentir mais velha além dos meros 38 anos fantásticos super fixes e jovens, ok? Humpf! (Longo, longo suspiro). Algumas mães vão para os sites de venda online tentar livrar-se de móveis rosas, cortinas rosas, algumas até adaptadores de sanita rosa tentam. Vale tudo, mas quando nem por 1 euro a coisa vai, tentam as amigas, essas com também filhas da mesma idade, com o mesmo problema, e para evitar conflitos todas partilham o mesmo numero de telefone, o de uma associação qualquer que ou faca reciclagem ou então distribua o rosa para uma menina algures em Portugal que tenha acordado com 2 anos e esteja a fazer birra porque a vida não lhe corre bem, nem cor de rosa. Então assim o ciclo da a volta completa e recomeça.

Para as mães que sobreviveram ao rosa, começa outra fase a de todas as outras cores. Agora a coisa piora porque com tanta cor, com tanta pré-adolescência e adolescência, com mudanças de estado de espírito, corações partidos, amizades começadas, outras interrompidas, modas quem vêm e outras que vão sem que nos nos apercebamos, a coisa vai mudando, diariamente. As vezes é só mensal, outras trimestral e se coisa correr bem, semestral. Porque hoje, eles podem tudo e nós, capitulamos, mesmo protestando entre dentes.

Por isso, querida, já não gostas de rosa? Tens a certeza?

Escrita com ironia, mas baseada em factos verídicos.

Por Sónia Pereira de Figueiredo, para Up To Kids®
Todos os direitos reservados

imagem@revistacrescer

São várias as características que nos distinguem dos animais. Diz-se que somos seres racionais porque pensamos, conseguimos comunicar de uma forma única utilizando a fala, somos capazes de ter consciência do que já passou e de adequar o nosso comportamento mediante situações que ainda nem sequer aconteceram. Somos capazes de realizar operações complexas, construir os instrumentos mais espantosos e mudar o mundo consoante as nossas necessidades. Entre muitas outras coisas.

No entanto, na minha opinião, a competência mais importante que possuímos é a capacidade para controlar o nosso próprio comportamento. Esta capacidade é muito importante, não tanto pelo que escolhemos fazer, mas principalmente pela inibição de comportamentos que escolhemos não ter.

Como animais, nascemos com reflexos e impulsos biológicos os quais, durante os primeiros anos de vida, não conseguimos inibir. Um bebé que tem fome chora, uma criança enraivecida agride, uma criança com sede pede água. São impulsos internos que não conseguem inibir. Por isso agem impulsivamente. Trata-se de comportamentos definidos biologicamente e ainda não controlados conscientemente.

Uma das tarefas da educação passa por treinar o adiamento e a inibição de muitos destes comportamentos. Desde que nasce, o bebé vai aprendendo a controlar o impulso de dormir, a adiar o impulso de fome ou sede e a inibir impulsos agressivos. Tudo isto faz parte da educação que lhe damos. E leva muitos anos a adquirir. É esta aprendizagem que lhe vai permitir, mais tarde, esperar até à hora da refeição para comer, inibir a vontade de ir brincar para pôr a mesa para jantar ou adiar a vontade de ir passear com os amigos para poder estudar para um exame.

A criança que escolhe não olhar para o que se passa na rua para terminar o trabalho que está a fazer; o jovem que escolhe não mergulhar num sítio perigoso apesar do calor que sente; o adulto que escolhe não agredir apesar da raiva que o fazem sentir são exemplos de comportamentos inteligentes, treinados durante anos e resultado desta capacidade fantástica que é a inibição de impulsos. Escolher não fazer também se aprende.

Na minha prática clínica constato que muitas das crianças que tenho acompanhado têm sérias dificuldades no treino desta competência e, por esta razão, opto por fazer este treino com todas elas. A capacidade de inibição de impulsos é, provavelmente, das competências mais importantes, mais abrangentes e mais determinantes para o sucesso da sua vida futura.

Kátia A. Santos, Psicóloga Clínica, para Up To Kids®
Todos os direitos reservados

No outro dia fomos a uma festa infantil num parque público. O parque era enorme, tinha areia por todo o lado, árvores, muitas sombras, alguns bancos corridos e a festa tinha pais e crianças de idades próximas.

A minha filha adorou a festa. Querem saber porquê? Brincadeiras ao ar livre. Esse é o segredo. Ela brincou muito com os outros meninos, riu com vontade, rebolou na areia vezes sem conta, deu umas quedas sem grande perigo, trouxe umas pedras dentro dos sapatos e alguma areia no corpo e na roupa, mas quem se importa com isso. Estava tão divertida a brincar que quase não ligou aos doces e aos bolos da festa. No final do dia estava boa para ser enfiada na banheira (ela e a roupa que trazia vestida) e trazia um sorriso enorme.

Notamos que ela fica verdadeiramente feliz e bem-disposta quando está a brincar assim, na rua, em contacto com a terra e com outras crianças, sem grandes barreiras de espaço ou demasiadas regras.

Claro que gosta de bonecas e brinquedos cheios de truques, mas notamos que ela não precisa disso para se sentir bem. Estar em contacto com outros miúdos, seja qual for a idade, e ter espaço para correr e dançar é suficiente para a deixar feliz.

Ela não se importa nada de ficar suja, estragar os sapatos ou desarrumar a roupa, comer uns grãos de areia cada vez que cai de boca aberta enquanto vai a correr atrás de alguma coisa, ficar com o cabelo desalinhado, molhar-se com a água das bolas de sabão. É do mais simples e despreocupado que podemos encontrar.

Agradecemos muito por ela ter este espírito livre e despreocupado. Acredito mesmo que todas as crianças necessitam destes momentos de liberdade, em contacto com a natureza e sem grandes barreiras. Acho que nós, mães, temos de perder o medo de os deixar brincar livremente, dar algumas quedas e voltar para casa com uma ferida ou outra, porque isso os deixa mais autónomos, mais confiantes e, pela experiência que vou tendo em casa, mais felizes.

 

Por Tânia Almeida para Up To Kids®
Todos os direitos reservados

imagem@sobrepeso.com.br