Adorei a experiência de estar grávida e de ser mãe. É um pouco cliché, mas dar a possibilidade a outro ser de vir ao mundo e de fazer parte da nossa família é algo único. No entanto, sempre achei que o viveria só uma vez. Acreditava que uma criança seria mais feliz se tivesse os pais só para si e que, com um filho apenas, a minha disponibilidade para ele seria muito maior.

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A minha primeira filha nasceu, os anos foram passando e eu fui percebendo a necessidade do companheirismo e da presença de outras crianças cá em casa. Percebi que ela seria mais feliz com um irmão e que, provavelmente, as duas crianças iriam encontrar uma na outra um amigo para a vida.

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Cá estou eu: grávida do segundo filho, feliz e curiosa para conhecer este novo ser e ver esta nova relação de irmãos crescer.

Enquanto mãe só posso confirmar a teoria de que o amor se multiplica. Este segundo filho já é muito amado e desejado por todos e isso em nada diminui o amor que sinto pela minha filha. Sei que as relações familiares vão mudar um pouco e que podem surgir os tão temidos ciúmes, mas por enquanto não sentimos nada disso.

Afinal, o nosso coração tem espaço para vários amores e o tempo chega para tudo o que consideramos realmente importante.

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No outro dia fomos a uma festa infantil num parque público. O parque era enorme, tinha areia por todo o lado, árvores, muitas sombras, alguns bancos corridos e a festa tinha pais e crianças de idades próximas.

A minha filha adorou a festa. Querem saber porquê? Brincadeiras ao ar livre. Esse é o segredo. Ela brincou muito com os outros meninos, riu com vontade, rebolou na areia vezes sem conta, deu umas quedas sem grande perigo, trouxe umas pedras dentro dos sapatos e alguma areia no corpo e na roupa, mas quem se importa com isso. Estava tão divertida a brincar que quase não ligou aos doces e aos bolos da festa. No final do dia estava boa para ser enfiada na banheira (ela e a roupa que trazia vestida) e trazia um sorriso enorme.

Notamos que ela fica verdadeiramente feliz e bem-disposta quando está a brincar assim, na rua, em contacto com a terra e com outras crianças, sem grandes barreiras de espaço ou demasiadas regras.

Claro que gosta de bonecas e brinquedos cheios de truques, mas notamos que ela não precisa disso para se sentir bem. Estar em contacto com outros miúdos, seja qual for a idade, e ter espaço para correr e dançar é suficiente para a deixar feliz.

Ela não se importa nada de ficar suja, estragar os sapatos ou desarrumar a roupa, comer uns grãos de areia cada vez que cai de boca aberta enquanto vai a correr atrás de alguma coisa, ficar com o cabelo desalinhado, molhar-se com a água das bolas de sabão. É do mais simples e despreocupado que podemos encontrar.

Agradecemos muito por ela ter este espírito livre e despreocupado. Acredito mesmo que todas as crianças necessitam destes momentos de liberdade, em contacto com a natureza e sem grandes barreiras. Acho que nós, mães, temos de perder o medo de os deixar brincar livremente, dar algumas quedas e voltar para casa com uma ferida ou outra, porque isso os deixa mais autónomos, mais confiantes e, pela experiência que vou tendo em casa, mais felizes.

 

Por Tânia Almeida para Up To Kids®
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Isto de ser pai ou mãe e ter de trabalhar fora de casa (especialmente quando eles são pequenos e não conseguem explicar nada do que se passou durante o dia) é mais complicado do que pode parecer. Ser mãe a tempo inteiro é um trabalho árduo, mas ter de os deixar com outras pessoas, quando ainda são bem pequenos, e ir trabalhar de coração apertado também não é tarefa fácil.

Seria bom poder evitar acordar a minha filha às 6h da manhã porque preciso de ir trabalhar, não me sentir culpada cada vez que tenho de dizer que não posso ir trabalhar porque tenho a minha filha doente, ou que preciso de ir com ela a uma consulta e tenho de explicar que nada pode ser mais importante do que isso.

Em solidariedade para com todas as mães e pais que trabalham fora de casa e que têm de saber equilibrar a família e o trabalho, deixo aqui 8 dicas que eu considero importantes e que gostava de ter lido quando pensei em ter filhos:

1- Não sentir culpa por ter de deixar a criança com outra pessoa e ir trabalhar: acho que é o primeiro e mais importante ponto. Não nos podemos sentir culpados por isso. Temos a responsabilidade de procurar um sítio onde sintamos que a criança estará segura e será bem tratada e devemos estar atentos a todos os sinais de que isso não está a ser feito, depois é confiar e aproveitar ao máximo todos os momentos em que estamos juntos.

Quem tem familiares ou pessoas de confiança com quem possa deixar os filhotes melhor ainda.

2- Aceitar que no infantário, na ama ou mesmo na casa dos avós eles nunca serão tratados como por nós: ninguém irá substituir a nossa presença, nem os nossos cuidados e, por mais que isso nos custe, não podemos esperar que os outros os tratem exactamente como nós faríamos (e não se iludam: as educadoras, as amas ou os avós não irão fazer TUDO o que vocês pedem e como vocês pedem, mesmo que vos digam que sim).

3- Determinar momentos só para eles: a partir do momento em que temos de ir trabalhar e passamos mais horas sem eles do que com eles, é fundamental estabelecer momentos em que ali só para eles, com dedicação total, sem fazer mais nada, sem pensar em mais nada. Temos de planear verdadeiros momentos de qualidade com as crianças e fazer por os aproveitar ao máximo, porque a infância passa a voar e a falta de tempo ou de atenção que tivemos não pode ser recuperada.

4- A casa vem quase sempre em último lugar: é preciso tempo para o trabalho, para a família, para as crianças, para os amigos… acabamos por ter de fazer opções e, por experiência própria, aquilo que pode esperar mais é a arrumação da casa. Claro que arrumar e tratar da casa é importante para o nosso bem-estar, mas ter a casa sempre impecável e limpinha será muito complicado quando se tem crianças pequenas e se quer aproveitar ao máximo o pouco tempo que passamos com elas.

5- Organizar e preparar tudo com antecedência: se o que precisamos é de mais tempo com as crianças, ajuda ter tudo mais ou menos preparado, para perder menos tempo com essas coisas na hora de fazer o jantar, de escolher a roupa ou de preparar a mala para a escola. Assim, evitam-se algumas esperas, algumas birras e aumenta-se o tempo útil com os mais pequenos.

6- Trabalhar, só trabalhar: já que temos de fazer todos estes esforços para estar a 100% com as crianças e no trabalho, então não vamos passar o dia de trabalho a pensar como estarão as crianças, a ligar para saber se já comeram tudo, se dormiram bem e quantos cocós fizeram hoje. É importante conseguir desligar um pouco e trabalhar a 100%, no tempo que destinamos para isso, de modo a não ser necessário fazer mais horas, chegar mais tarde a casa, levar trabalho para casa… e ter mais tempo livre para estar com a família.

7- As férias e fins-de-semana devem ser aproveitados ao máximo: tentar aproveitar todos os minutos livres é importante e no período das férias ou no fim-de-semana temos de aproveitar ainda mais. Nada de trazer trabalho para casa, nem de estar a ver e-mails de trabalho durante as férias. Relaxar é a palavra de ordem!

8- Não se esqueçam de vocês mesmos: para estarmos disponíveis para os outros e com paciência para todos os momentos que queremos passar com os nossos filhos e com a família, convém não esquecer de cuidarmos de nós, do nosso bem-estar e de investir na relação com o/a parceiro/a (se existir).

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Por Tânia Almeida, para Up To Kids®
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Desde que sou mãe que aprendo coisas novas a toda a hora. Num único fim-de-semana eu consigo aprender como curar uma ferida, como fazer bonecas de papel ou como fazer uma refeição sem legumes (visíveis).

Partilho convosco 6 coisas que aprendi com a minha filha de 3 anos e que acho que podem facilitar bastante a vida de todos os pais:

1- Verde não é uma boa cor: futebolismos à parte, toda a comida verde é má. A minha filha não pode ver nada verde no prato. Sejam vegetais, fruta, molhos, massas… Bem, se lhe derem um bolo verde ela vai pensar por uns momentos, mas provavelmente vai acabar por dizer que não gosta, mesmo sem provar.

2- Crianças com privação de sono são MESMO do pior: quando a minha filha não dorme bem à noite ou quando ela faz saber a toda a gente que já é uma menina crescida e que não precisa de dormir a sesta, já sei que terei o resto do dia arruinado. Quando isto acontece podem-se preparar para um dia de birras, gritos, corridas loucas e muitos “eu não quero” ou “eu não faço” (pelo menos cá por casa é assim).

3- Viagens em família são um projecto complicado: viajar com uma criança pequena exige uma grande preparação e muitos truques. Quando planeamos algo deste género não nos podemos esquecer de preparar: jogos, brinquedos, brinquedos com sons, brinquedos com luzes, lápis de cor, lápis de cera, papel, papéis coloridos, autocolantes, bonecas, carros, bolas… Ah, e não se esqueçam de levar alguns snacks e que tenham pouco açúcar, porque não vão querer uma criança excitada pelo consumo de açúcar durante toda a viagem.

4- Rotinas são muito importantes: não é novidade que as crianças precisam de dormir e comer a horas. Elas não podem esperar muito tempo e os pais precisam conhecer as necessidades de cada criança. O que eu não sabia, antes de ser mãe, é que algumas crianças se transformam em pequenas feras se não as alimentamos a tempo ou se deixamos a hora de dormir passar. Acreditem, pode ser mais complicado do que parece.

5- Esperar não é uma capacidade infantil: juro que costumava pensar que se eu pedisse a uma criança pequena para se sentar e esperar um minuto ou dois ela o faria. É só um minuto! Não. A minha filha ensinou-me que esperar não é um conceito que crianças de dois ou três anos entendam. Eles estão, quase sempre, com demasiada energia e não conseguem sentar e esperar.

6- Estas pequenas criaturas conseguem ser as criaturas mais amorosas do mundo: na verdade, viver com crianças e ser pai ou mãe é uma experiência incrível e eu tenho aprendido que a vida pode ser mais colorida, mais doce, mais sumarenta, mais divertida e pode ter um significado muito maior quando os mais pequenos estão por perto.

Por Tânia Almeida, para Up To Kids®
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