O mito dos bons pais

A culpa não é boa aliada dos pais. Mas existe, chateia e é preciso falar sobre ela e sacudi-la dos ombros com energia e vontade. Só assim lhe retiramos a força e ganhamos espaço para ser pais e, sobretudo, humanos.

Ontem deitei-me outra vez a lamentar-me das vezes em que podia ter sido melhor mãe. Revivi as cenas, uma por uma, pensei-lhes outros cenários e cheguei a imaginar-me outra, capaz de ter dado ao meu filho a resposta feliz e atenta de que era tão merecedor. Ontem deitei-me outra vez agarrada à ideia que eu própria construí daquilo que é ser-se boa mãe. E hoje de manhã ele voltou a saber olhar-me e sussurrou-me ao ouvido: “Gosto tanto de ti mamã…

É por isso por nós (e sobretudo por eles) que hoje proponho “despir” os bons pais de todas as boas intenções. Essas, que sorrateiramente nos vão atrapalhando o caminho…

Os bons pais já nascem ensinados.

Quando um filho nos nasce, nasce-nos pela primeira vez e é com ele que (re)nascemos também. Não só como pais ou como mães, mas também como pessoas. E ainda que outros já nos tenham nascido ou que outros se lhes sigam, cuidar de um filho (daquele filho) será sempre uma experiência única. Exigirá de nós a humildade da certeza de que muito está ainda por aprender, por melhorar, e por construir. Não esquecendo nunca que cada um de nós o fará de uma forma muito própria. À luz das coisas que nos façam bater o coração e dos desafios e aprendizagens que cada filho nos exija.

Sabem sempre o que fazer.

A parentalidade é um caminho cheio de curvas, de socalcos, de bancos para recuperar o fôlego, de vias rápidas e de atalhos desconhecidos, que por vezes nos desconcertam e em tantas outras nos permitem maior segurança. A parentalidade é tudo isto mas não é, nunca, algo que se aprenda nos manuais de procedimentos à boa maneira das viagens de aviões: “Ora agora coloque o colete de salva-vidas. Ora agora insufle-o. Ora agora respire a partir da máscara de oxigénio…” Bom seria. Ou talvez não… A parentalidade é uma aprendizagem constante, sem respostas certeiras e em que os aprendizes (pais e filhos) são os atores principais e criativos argumentatistas, capazes de dar luz e cor e emoção ao guião, construído (e reconstruído) vezes sem conta, a cada passo dado.

Não sentem culpa.

Sentem pois. E arrependem-se. E martirizam-se. E sofrem, sobretudo com o peso duro das expectativas dos outros. É a culpa de não terem agido assim ou assado. É a culpa de terem perdido a cabeça. É a culpa de não passarem tempo suficiente com os filhos. É a culpa de não terem percebido mais cedo que alguma coisa estava a acontecer na escola. É a culpa de terem sono, de comerem chocolates às escondidas, de estarem de folga e deixarem o filho na escola apenas e só porque querem ter um dia de crescidos… A culpa, a maldita da culpa, que rouba tempo e exige, insaciável, a perfeição sem fim. A culpa não é boa aliada dos pais. Mas existe, chateia e é preciso falar sobre ela e sacudi-la dos ombros com energia e vontade. Só assim lhe retiramos a força e ganhamos espaço para ser pais e, sobretudo, humanos.

Os bons pais sabem sempre o que os filhos precisam.

As crianças não trazem manuais de instruções e ainda que às vezes algumas dicas práticas nos deem um jeitaço e nos ajudem a pensar em formas alternativas de resolver as situações/dilemas com os quais nos vamos deparando, isso não quer dizer que funcionem sempre. Para se saber o que uma criança precisa, é preciso, tantas vezes, desaprender tudo o que pensámos ou ouvimos, ou ainda tudo aquilo que nos disseram e experimentar outros caminhos, ainda que audazes ou pouco testados. Para se saber o que uma criança precisa é preciso sobretudo aprender a ouvi-la, olhá-la nos olhos e tocar-lhe no coração, deixando que o nosso se abra, e sinta também.

Não mimam demais os filhos.

A experiência amorosa familiar é o primeiro contacto da criança com o maravilhoso mundo dos afetos. É ela que lhe permitirá amar os outros e ganhar coragem para se lançar em pleno voo, sempre que a vida assim apele. É também ela que permite entender a Casa (lugar no coração dos pais) como porto seguro, onde pode mostrar-se sem filtro e sem disfarce, a quem tem por ele um amor sem fim, capaz de resistir a todos os lados lunares. Os pais podem (e devem!) mimar muito os filhos e não é por isso que deixarão de balizar aqueles que são os seus comportamentos e de ensinar, com a doçura e a paciência necessárias, as coisas mais importantes, para que se tornem gente a saber mimar os outros.

Satisfazem sempre primeiro as necessidades dos filhos.

Voltando à analogia das instruções de segurança dos aviões, há uma razão pela qual a tripulação sugere que o colete salva-vidas seja colocado primeiro ao adulto e só depois à criança: para cuidarmos do outro, é preciso que estejamos cuidados. A parentalidade está carregada de desafios. Muitos deles capazes de alterar o padrão de satisfação de necessidades básicas como as do sono ou da alimentação adequada, ou a prioridade dada às necessidades sociais ou amorosas. Em nome dos filhos, os pais anulam-se vezes demais e acabam por deixar para depois atividades ou experiências, capazes de lhes proporcionar bem estar e satisfação pessoal, premissas fundamentais para ensinar os filhos a quererem, um dia, cuidar-se também.

Os bons pais gostam sempre de ser pais.

Existem mulheres e homens que preferiam não ter sido pais. Existem mulheres e homens que não gostam de ser pais, mas isso não significa que não gostem dos filhos. Significa apenas que, por variadíssimas razões, tiveram de assumir um papel com o qual não se identificam. Que sentem que tiveram de fazer mudanças que não desejaram e que não era assim que gostavam que tivesse sido. Não há com estes pais nenhum problema. A não ser o de terem todos os dedos apontados. De lhes gritarem aos ouvidos que não prestam e de quererem salvá-los, constantemente, do sacrilégio em que não vivem. Existem pais que não amam de paixão sê-lo. Mas ainda assim, sabem amar como ninguém os filhos que os tornaram em tal.

Os bons pais não erram.

Os bons pais erram a vida inteira. Tal como as boas pessoas fazem, só por serem pessoas. O que os bons pais trazem dentro de si (que é o que lhes permite serem verdadeiramente bons), é a capacidade de olhar para os tropeços e enganos como parte desejável da caminhada e deixar que a consciência e a aceitação os transformem para sempre e permitam reparar, com pó de ouro e de amor, cada “lasquinha” acontecida.

Os bons pais não existem. Existo eu, existes tu… e se o somos é porque um dia alguém nos olhou como ninguém e nos viu como os melhores do mundo. Imperfeitos e insubstituíveis. Até ao fim dos tempos…

Sim, eu sou essa mãe horrível

Sou a mãe horrível que só entra no carro quando vos vê entrar na escola.

A que pergunta sempre que entram no carro: “têm o cinto?”

Que diz coisas como “quem manda sou eu”, “porque eu disse”, “eu que vos volte a chamar”, “vou contar até 3”.

Sou a mãe horrível que estabelece horários de uso de tecnologia e fá-los cumprir.

A que não vos deixa ir para a água antes de colocar protetor solar.

Que vos pergunta sempre se levam o telemóvel, o cartão da escola o dinheiro das refeições, a flauta ou o saco de Educação Física.

Eu sou a mãe horrível que vos obriga a vir comigo para todo o lado porque não podem estar dentro de casa, sempre, para sempre.

A mãe horrível que vos leva a repartições de serviços públicos para que possam aprender coisas como tirar tickets, esperar, desesperar, expor uma situação, lidar com burocracias.

A que quer fazer férias com e sem vocês.

Que quer ir ao estrangeiro e aos concertos sem vocês porque vocês não querem ir.

Sou a mãe horrível que depois se sente horrivelmente culpada por fazer planos que não vos incluem.

A mãe que morre de medo que aconteça alguma coisa quando está longe de vocês.

Que já sente saudades vossas quando ficam algumas horas com os avós.

Eu sou a mãe horrível que se enerva e manda uns berros e diz coisas como “desapareçam da minha vista”.

A que vos chama a atenção quando estão a portar-se mal e não vos admite faltas de educação.

Sou a mãe que vos obriga a escrever resumos para as disciplinas de história e de ciências.

A que arranjou uma hora extra nos nossos horários loucos para estudarmos um pouco de matemática.

Sou a mãe horrível que vos enche o estojo de canetas pindéricas multicoloridas.

A que vos veste de igual. E diferente e de igual mas com cores diferentes porque vocês e eu gostamos.

Que vos diz “levem o casaco porque está vento/fresco”.

Eu sou a mãe horrível que insiste em dar-vos as vacinas, as vitaminas, levar-vos às consultas e explicar-vos como todas estas coisas são necessárias.

A mãe que vos leva para as minhas aulas na academia quando não querem ficar em casa ou não temos os avós para ajudar.

A que insiste em que usem o gel para o acne porque as borbulhas já começam a aparecer.

A mãe horrível que vos preparou intensivamente para determinadas fases da adolescência.

Sou a mãe horrível que vos deixa ver as séries de comédia da Fox Comedy.

A mãe que vos fala incessantemente do Harry Potter ou do Senhor dos Anéis ou do Indiana Jones mesmo quando vocês não querem saber disso para nada.

A que daria anos de vida para perceber como funcionam os vossos cérebros ou poder trocar de lugar convosco e evitar que o autismo não vos roube mais nada.

Eu sou a mãe horrível que assume que tem pouca paciência para mariquices no boné.

A mãe que está atenta a tudo e vos protege até da vossa própria sombra se assim tiver de ser.

Que, às vezes, já não vos consegue ouvir ao fim de um dia particularmente difícil e cansativo mas não resiste a ver-vos dormir.

Sou a mãe horrível que vai sempre aconchegar-vos e senti-vos respirar antes de se deitar.

A mãe que vos chaga a cabeça se vocês pisam o risco.

A que vos vai dando corda para que um dia não precisem de mim.

Eu sou a mãe horrível que, às vezes, pensa como seria a vida sem vocês e sente imediatamente um aperto no coração.

Sou a mãe que precisa de descanso e de dormir e de relaxar e de ver TV e de ler e de ter apenas uns minutos sozinha.

A que consegue atingir velocidades incríveis a caminho da escola quando lhe ligam da escola por vossa causa.

Sou a mãe horrível que vos ensina a rir dos vossos defeitos e falhas.

A que vos diz que eu devia ser como as aquelas mães que nunca têm chatices e despejam os filhos numa escola par alguém cuidar deles quando vocês estão particularmente inspiradas para o disparate e a agitação e a parvoíce.

Sou a mãe que se arrepende de ter uma boca destravada.

Sou a mãe horrível que tem um péssimo acordar e passou essa herança para uma de vocês.

Sou a mãe que vos ama tanto tanto tanto que chega a doer.

A mãe horrível que não fazia ideia do que era ser mãe. A que tem de aprender a sê-lo, todos os dias, um bocadinho.

No fundo, obrigada por ser a vossa mãe.

Mesmo, assim, horrível.

Quando vires uma criança com telemóvel, lembra-te

Quando vires uma criança com telemóvel a jantar num restaurante, antes de julgares, lembra-te que não sabes nada sobre aquela família.

Não sabes quando foi a ultima refeição quente daquela mãe. Quando foi a ultima conversa ininterrupta que os pais tiveram. A que horas a família se levantou, nem a que horas se vão deitar.

Não sabes se a criança come bem ou passa dias sem levar comida à boca. Ou quantas vezes os pais tiveram que sair de locais públicos para que as birras da criança não incomodem os outros.
Não sabes quantos meses se passaram, sem que fossem a lado nenhum.

Não sabes quantas horas de trabalho carregam nos ombros. Nem que tretas aturam ao longo do dia. Ou quanto ansiavam por uns momentos de sossego.

Lembra-te que não sabes nada sobre aquela família e isso tira-te o direito de julgar.

Não sabes se a criança raramente pega no telemóvel. Se os pais passam horas por dia a brincar com os filhos. Se normalmente a criança janta sem nenhum aparelho electrónico por perto (nem mesmo a TV para os pais verem as “noticias”).

Não sabes quantos livros a mãe leu à criança.

Não sabes que pais são aqueles, e que criança virá a ser a que vês.

Sabes um momento. Apenas um único momento de toda uma vida. E esse momento não vale nada!
Por isso, quando vires uma criança com telemóvel, a jantar num restaurante, pensa duas vezes antes de largares as tua pedras, lembra-te que também tens telhados de vidro, e que na verdade não sabes nada!

Educar para a verdade, ou mentir para poupar os filhos?

Quem tem filhos, tem medos.

E desde o primeiro momento que o nosso maior medo é vê-los sofrer. Ou não ver, mas que sofram ainda assim.

Para um bebé recém chegado pouco há a temer. A não ser o teste do pezinho, ou as primeiras vacinas – principalmente para pais de primeira viagem.

Com o tempo aprendemos que “é um mal necessário”, são breves os momentos de dor e que os beijinhos do pai e da mãe tudo curam. As crianças crescem, os pais também – é inevitável.

E das vezes seguintes, aquando as idas ao médico e respetivas vacinas perguntam-nos com os olhos mais ternurentos do mundo “Vai doer?” enquanto deixam cair uma lágrima ou se escondem atrás de nós.

Respondemos quase sempre “Não. Claro que não!” Mas será essa a verdade? Ou apenas a verdade em que nós pais queremos acreditar para que não sofram, porque não queremos vê-los sofrer?

Só que essa não é a verdade.

E podemos nós, só porque somos pais, mentir-lhes?

Vai doer sim. Mas vai passar. E no dia em que explicarmos isso aos nossos filhos estamos a educá-los para a verdade. Estamos a respeitar o medo que sentem mas estamos também a estimulá-los a serem mais fortes do que ele.

No dia em que fizermos isso os nossos filhos saberão o que esperar. Não nos dirão: “Tu mentiste! Doeu e muito.”

Haverá para nós pais, dor maior do que ver a desilusão espelhada naqueles olhos pequeninos?

No dia em que dissermos “Vai doer mas vai passar” mostramos aos nossos filhos que apesar de  encontrarem experiências dolorosas (ao longo de toda a vida), os nossos braços irão abrir-se sempre, os mimos não acabarão e a nossa voz dirá sempre, mas sempre a verdade!

Mães depois dos 30 anos têm filhos mais inteligentes. Estudo confirma.

A partir de uma certa idade começa a ser comum para as mulheres serem “bombardeadas” com as típicas perguntas. “Então para quando um bebé?”. “Já está na hora de vir um menino, não?”.

Hoje em dia a maternidade é cada vez mais adiada por diversas questões. Financeiras, profissionais, relações pessoais, entre outras. Afinal,  ainda bem! Segundo a ciência, ser mãe depois dos 30 anos é bastante benéfico para o bebé.

De acordo com um estudo realizado por Alice Goisis, uma professora associada em Demografia no Centro de Estudos Longitudinais localizado no Departamento de Ciências Sociais da University College London, em Londres, as mulheres que são mães pela primeira vez depois dos 30 anos têm filhos mais inteligentes, ou seja, apresentaram resultados cognitivos e comportamentais superiores aos dos filhos de mulheres com idades entre os 25 e 29 anos.

Após analisar os dados do Millennium Cohort Study (MCS), um estudo nacional que acompanhou mais de 18.000 nascimentos ocorridos no Reino Unido por volta do ano 2000, a investigadora pode concluir que as mães que têm o primeiro filho aos 30 anos ou mais são as que têm maior probabilidade de manter altos níveis de qualificação, de se casar e de coabitar no momento do nascimento e de ter altos níveis de renda familiar. Além disso, estas mães, tendem também a ter um melhor comportamento de saúde em comparação às mais jovens. Menor propensão a fumar e tendem a amamentar por um período superior a 4 meses.

Mães depois dos 40 anos

O mesmo não se passa com mulheres que são mães pela primeira vez a partir dos 40 anos.  Apesar de terem características semelhantes às de 30-39 anos, os seus filhos não só não apresentam níveis significativamente diferentes de resultados cognitivos e comportamentais, como até correm maior risco de obesidade em comparação com crianças nascidas de mães com idades entre os 25 e 29 anos.

Se estás a pensar em ter filhos, as melhores idades para o fazeres é entre os 30 – 39 anos. Isto, segundo a ciência.

Obviamente, não existe melhor altura do que aquela em que te sentires realmente preparada para esse passo tão importante da tua vida!

 

Por Sábias Palavras, adaptado por Up To Kids

Conta Comigo | De Marta Coelho | Ilustrações Ana Rita Malveiro | Editora Máquina de voar | Uma parceria Up To Kids

 

Conta comigo é um dos primeiros dois álbuns ilustrados que nascem de uma parceria da Up To Kids com a editora Máquina de voar Editora.

 

SINOPSE

O que há de comum a todos os pais do mundo? A vontade de proteger, o desejo de estar perto, a presença de um amor eterno e inabalável. Todas as promessas que são ditas em voz alta e as que os pais sussurram ao ouvido são, no fundo, Conta Comigo.

FICHA TÉCNICA

Marta Coelho e aRita

32 páginas . 200 x 230 mm
ISBN: 9789899970854
PVP: 10,60 €
Preço site: 9,54 €

QUERO ENCOMENDAR

Mães preocupadas

Queridas mães,

Se és uma mãe* preocupada, este texto é para ti.

Deixa-me que te diga que estás a fazer um magnífico caminho na educação dos teus filhos. Sei que usas todos os recursos para lhes abrires os caminhos que façam deles seres humanos felizes. Eles (os teus filhos) também sabem o tamanho da tua dedicação. Também sabem que te preocupas com muitas coisas. Que estás constantemente atenta, tão atenta que por vezes te esqueces de respirar! Sim, isso respirar!

Experimenta: respira agora!

Decidi escrever este artigo porque tenho acompanhado algumas situações e algumas publicações nas redes sociais de mães com diversas preocupações. Muitas delas com muito sentido, outras em busca de opiniões de quem já passou pela situação, outras que me levam a sentir que são gritos de ajuda. E está tudo bem.

Algumas destas preocupações passam pela idade certa para fazer determinadas coisas. Qual é a idade certa para ir para a creche, a idade certa para entrar na primária, a idade certa para deixar as fraldas, para comer sólidos, para dormir sozinho, a idade certa para o primeiro beijo e para o primeiro namoro. E algumas dessas preocupações transformam-se em desabafos “eu pensava que estava a fazer bem” ou em dúvidas “deixo ou não usar o telemóvel para que o meu filho coma, se vista, fique entretido enquanto faço o jantar”.

No outro dia num encontro de pais, uma mãe relatava que o seu filho de 2 anos largou as fraldas por decisão dele. Foi exactamente no tempo certo para ele. Esta mãe conseguiu fazer algo que está ao alcance de todas nós: conseguiu… Confiar.

Então, queridas mães, pergunto-vos:

Confias o suficiente no teu filho?

Confias que ele vai saber exactamente qual é o momento “certo” para fazer ou deixar de fazer qualquer uma das situações acima ou outra situação que neste momento te preocupa?

Um casulo precisa do seu tempo para se tornar numa linda borboleta. E é dessa confiança que estou a falar. Da confiança de que tudo acontece exactamente no momento em que tem de acontecer. Tal como a borboleta, a natureza está repleta de processos naturais. Tal como na natureza também o desenvolvimento motor, cognitivo e emocional do teu filho é feito de forma natural. O teu filho precisa que tu sejas o seu porto seguro. Precisa de alguém a partir do qual possa sair para explorar o mundo e voltar quando precisa de ajuda para lidar com os seus sentimentos, pensamentos e desafios da vida.

Sabes, mãe:

1.Tu conheces melhor o teu filho do que a educadora, o pediatra, o médico, a professora.

Tu sabes como ele é, como reage, do que  gosta e do que não gosta. Se já desempenhas o teu papel de detective diariamente, de certeza que já tens um doutoramento em “Parentalidade Consciente”.

2. Reforça a tua intenção, liga-te ao coração e ao que diz a tua intuição.

Devo ou não colocar já na escola? Vou ajudar o meu filho se o colocar já na escola? Ele pode esperar mais um ano?

A escola não é uma maratona. Não há quem chega primeiro e não há quem fique em último, o importante é a tua intenção.

E o que te diz o teu filho?

É importante escutares a opinião dele. A opinião dele tem tanto valor como a tua. Juntos vão encontrar o que é melhor para ele.

3. O que é mais importante para ti, quais são as tuas necessidades, os teus limites?

Há mães que não tem outra escolha se não colocar, desde muito cedo, os bebés na creche e as crianças na escola. E não é por essa decisão que o seu desenvolvimento vai ser afectado negativamente. Até porque o importante é o vínculo, a presença na relação com o teu filho quando estás e não estás com ele. É ele saber que pode contar contigo. Há mães que têm a hipótese de ficar até mais tarde em casa com os seus filhos, e até a essas mães eu pergunto se as suas necessidades estão a ser respeitadas. Se têm tempo para si, se têm tempo para fazer o que mais gostam. Há um equilíbrio perfeito em tudo! Só tu sabes!

4. Como é que te sentes?

Quando decides colocar o teu filho na escola sentes confortável, ansiosa, preocupada? E de onde vem essa preocupação? Faz as pazes com o que foi a tua experiência de entrada para a escola, ou até com o que ouves outras mães a contar, e simplesmente liga-te ao que estás a sentir. Reconhece o que estás a sentir, fala sobre isso. Essa é a porta para te ajudar a ultrapassar este momento.

5. Confias com razão ou confias com o coração? Confias mais no que te dizem ou confias mais no que diz a tua intuição?

Sabes querida mãe, tu sabes quais são as necessidades do teu filho. Não tenhas medo de o colocar numa escola e mais tarde considerares e decidires que afinal não é o que procuras. Não tenhas medo de falar com a educadora, com a professora sobre as tuas preocupações. Não compares os teus filhos com os outros meninos porque cada criança é única! Não o obrigues a comer colher atrás de colher quando ele te diz que está cheio. Não ignores quando vem falar contigo sobre o seu primeiro beijo, sobre o seu namoro.

Não tomes decisões que não te venham do coração!

Lembra-te que, em cada momento, tens a oportunidade única de te ligares ao teu coração!

Confia em ti! <3

 

* este texto foi escrito para mães, pois tem sido maioritariamente as mães que desabafam sobre as suas preocupações. Porém, este texto também é para os pais. Este texto é para toda a família.

Qual o lugar da mulher quando se torna mãe

Ser mãe é a realização de um sonho. Uma experiência de comunhão e amor única e singular que, ao mesmo tempo, que é desafiante, consegue ser reconfortante e reparadora.

Mas, muitas vezes, as mães parecem resguardar-se nesse amor maior que só um filho parece ser capaz de lhes dar. E, mais vezes do que aquilo que desejaríamos vemos mães que se sentem um bocadinho ‘magoadas’ na relação com a vida, com o amor e com o Ser mulher.

Assim, um filho acaba por se transformar em tudo aquilo que uma mãe tem como esperança e expectativas.

E, pouco a pouco, ao mesmo tempo crescem enquanto mães, afastam-se um bocadinho de si próprias. Como se, todos os seus sonhos e a sua identidade se tivessem esbatido para dar lugar ao papel de mãe. Como se se sentissem incapazes de conjugar a pessoa que são com a maternidade.

Mais difícil que este sentimento de não conseguir conjugar o papel de mulher com os seus sonhos e com o de mãe, é vermos que algumas mães parecem ter medo de dar vida a todas as suas facetas depois de serem mães. Como se sentissem que a sociedade reprova os seus rasgos mais espontâneos que vão para além das exigências da maternidade.

Nestas circunstâncias, aquilo que uma mãe faz é depositar todos os seus sonhos nos filhos, e esperarem que eles cumpram tudo aquilo que elas não conseguiram atingir. Estas expectativas estendem-se ao mundo académico, profissional, ao desporto e até às relações que esperam que os filhos estabeleçam ou não.

É importante não perdermos de vista que este movimento não é saudável nem para a mãe nem para os filhos.

Estes, a certa altura, sentem que façam o que fizerem parecem bater sempre ao lado daquilo que a mãe esperaria. Neste novelo de expectativas, os próprios filhos calam os seus apelos mais espontâneos porque, no limite, querem apenas corresponder aos desejos da mãe.

A logo prazo, poderá levar ao afastamento entre mãe e filhos, dificultando a relação que têm entre si.

As mães só precisam de ter a certeza que são melhores mães quanto mais se conectarem consigo próprias. Quanto melhor conseguirem dar vida à sua essência enquanto mulher, à sua relação, à sua profissão, às suas amizades e claro ao seu papel enquanto mães.

Um dos grandes desafios da maternidade é precisamente continuar a conseguir dar vida a todas as suas vertentes. Assim, tornar-se-à numa mãe ser mais completa, mais realizada, mais feliz. Consequentemente, permitirá que os filhos dêem vida aquilo que eles são de verdade sem terem que ir apenas no caminho das expectativas da mãe.

Não duvidem que as crianças serão mais felizes e terão mais espaço para ser crianças, quanto mais realizadas e completas se sentirem as suas mães.

Em cada mãe, há espaço para o amor, para a vida e para os filhos, de forma simples e completa.

Por Cátia Lopo & Sara Almeida para Up To Kids®

Sim, dependo de ti.

Dizem que dependo muito de ti, que às vezes não quero mais ninguém, que não devia andar tanto ao teu colo.

Foste a primeira voz que escutei, antes de conseguir ouvir a minha.

Foste o primeiro coração que ouvi bater, quando ainda estava longe de perceber que batia por mim.

Foste o primeiro aroma que senti, aquela fragrância de miminho e aconchego.

Foste a primeira separação (com o corte do cordão umbilical) que vivi e a prova de que existem amores que resistem a tudo.

Foste o primeiro colo que conheci, muito antes de saber que existiam outros disponíveis.

Foste a primeira mancha que tentei decifrar, quando estava longe de imaginar quão nítida se tornaria para mim a imagem do teu rosto.

Foste a origem da primeira canção que ouvi, não imaginas como cada tom me fazia sentir abraçado.

Foste a primeira fonte de alimentação que conheci. Na tua mama ou no biberão era ali que obtinha o que de mais básico precisava enquanto os nossos olhares cúmplices se cruzavam.

Foste a primeira forma de amor incondicional que conheci, ninguém imagina a dimensão daquilo que existe entre nós.

Sim, dependo de ti.

Sim, às vezes só te quero a ti.

Sim, quero estar ao teu colo.

Depois de tudo o que vivemos e continuamos a viver juntos, faria sentido ser de outra maneira?

 

“Quanto mais apegada a criança se sentir à mãe, mais segura se sentirá em relação a si e ao mundo. Quanto mais amor receber, mais amor conseguirá dar. O apego é tão importante para o desenvolvimento da criança como a alimentação, ou o respirar.” – Robert Shaw

 

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Os 10 Mandamentos de uma Mãe imperfeita | Editora: Ego Editora | De Carmen Garcia, prefácio de Guilherme Duarte

SINOPSE

Era uma vez uma mãe que tinha inveja das fêmeas rato, fez cocó durante o parto, quase enlouqueceu no puerpério e escolheu dar papas industriais ao filho. Um dia essa mãe, com um cabelo sem corte e uma
camisola a cheirar a leite azedo, decidiu assumir publicamente a sua imperfeição, criou uma página de Facebook e, potenciada pela privação de sono, foi escrevendo sobre o outro lado da maternidade. E escreveu sem medos que nesse outro lado, no lado de que poucos falam, existem cansaço, saudades da vida “de antes” e a vontade de que os filhos, às vezes, tivessem um botão de pausa. Mas também
escreveu sobre as alegrias infinitas e a certeza de viver um amor maior que o mundo. Tão grande que chega a dar medo.

Este livro é uma continuação da cruzada a favor da imperfeição que a autora tem vindo a desenvolver nas suas páginas nas redes sociais. Não pretendendo ensinar nada a ninguém, até porque é a primeira a assumir que não percebe nada disto, o objectivo da “mãe imperfeita” é unicamente mostrar às mães que nunca estão sozinhas e que é a imperfeição que torna a maternidade a viagem mais maravilhosa das suas vidas.

Mesmo que as mães perfeitas insistam em dizer o contrário.

PONTOS FORTES DO LIVRO

Escrito num tom bem humorado, o livro pretende desmistificar os dogmas da maternidade, mostrando a realidade das dificuldades inerentes à educação de um filho. A autora é uma estrela em ascensão nas redes sociais. Com apenas um ano de actividade, a sua página no Facebook “A Mãe Imperfeita” conta já com mais de 35 mil amigos que seguem as suas publicações diárias.

FICHA TÉCNICA

Chancela – Ego Editora
ISBN – 978-1727814231
Preço – 13,90€
Formato – 15,5×23 cm Páginas – 134

a mãe imperfeita