Como lidar com Filhos impulsivos

Perante uma sociedade moderna com padrões cada vez mais exigentes e egocêntricos surgem crianças cada vez mais ativas e competitivas. Estas crianças estão, para além de sujeitas a exigências desmedidas, rodeadas de desenvolvimentos tecnológicos, onde há rapidez de informação – onde tudo está à distância de um clique.

Tais vicissitudes acarretam desafios e obstáculos ao comportamento das crianças. Isto porque, por um lado a sociedade impõe maiores responsabilidades e metas e, por outro lado, não as prepara para as mesmas (e.g. fazer um trabalho para a escola foi facilitado pela rapidez do clique à internet). Assim, estas crianças não apreendem ferramentas necessárias e indispensáveis para lidar com o tempo, com os fracassos e com as metas longínquas.

Comportamento impulsivo.

Não adquirem perseverança e, por outro lado, apresentam dificuldades de autorregulação e autocontrolo – assim como tudo se tornou uma questão de um clique e não aprenderam a esperar, gerir emoções e refletir sobre a melhor alternativa, também o seu comportamento se tornou um clique – comportamento impulsivo.

De forma sucinta

A criança começa por apresentar tamanha sensibilidade e desconforto com o momento presente, resultante numa tensão crescente. Neste sentido surge um planeamento de ação insuficiente e uma tomada de decisão pouco pensada e muito emotiva. Por fim, o sujeito age por impulso, sentido prazer no alívio da tensão.

Estes comportamentos impulsivos acarretam maiores riscos (e.g. agressividade, violência, comportamento social negligente e abuso de substâncias), menor discernimento e maior probabilidade de arrependimento e culpa.

Resta compreender que, apesar de a sociedade incitar a estes comportamentos disruptivos, a impulsividade consiste também num sintoma presente em várias perturbações, tendo também origem biológica. Uma perturbação, comummente referida em idade escolar, é a Hiperatividade e Défice de atenção.

Neste sentido a impulsividade deve ser, mais que controlada, trabalhada.

Aos pais de filhos impulsivos, o que fazer:

Funcionar enquanto modelo.

Perante algo indesejado, verbalize o que está a sentir e o que precisa de fazer para se acalmar.

Ensinar a criança a falar consigo mesma.

O diálogo interno ajuda a controlar os impulsos.

Ensinar a gerir emoções e esperar.

Propor pequenas recompensas imediatas ou grandes recompensas a longo prazo.

Evitar as críticas e julgamentos.

Apoiar e ajudar a repensar o que não correu como desejado, evitando as criticas que apenas aumentam as reações emocionais.

Jogos de Memória.

O controlo dos impulsos está intimamente ligado à memória a curto-prazo. Neste sentido, desenvolver as capacidades mnésicas, auxilia a criança na compreensão, interiorização e antecipação das consequências dos seus atos.

Atividades físicas.

O exercício e o movimento influenciam o foco e a atenção, melhoram a concentração e a motivação e tendem a diminuir a agitação e a impulsividade.

 

Por Catarina Lucas, Psicóloga Clínica

Educar para a verdade, ou mentir para poupar os filhos?

Quem tem filhos, tem medos.

E desde o primeiro momento que o nosso maior medo é vê-los sofrer. Ou não ver, mas que sofram ainda assim.

Para um bebé recém chegado pouco há a temer. A não ser o teste do pezinho, ou as primeiras vacinas – principalmente para pais de primeira viagem.

Com o tempo aprendemos que “é um mal necessário”, são breves os momentos de dor e que os beijinhos do pai e da mãe tudo curam. As crianças crescem, os pais também – é inevitável.

E das vezes seguintes, aquando as idas ao médico e respetivas vacinas perguntam-nos com os olhos mais ternurentos do mundo “Vai doer?” enquanto deixam cair uma lágrima ou se escondem atrás de nós.

Respondemos quase sempre “Não. Claro que não!” Mas será essa a verdade? Ou apenas a verdade em que nós pais queremos acreditar para que não sofram, porque não queremos vê-los sofrer?

Só que essa não é a verdade.

E podemos nós, só porque somos pais, mentir-lhes?

Vai doer sim. Mas vai passar. E no dia em que explicarmos isso aos nossos filhos estamos a educá-los para a verdade. Estamos a respeitar o medo que sentem mas estamos também a estimulá-los a serem mais fortes do que ele.

No dia em que fizermos isso os nossos filhos saberão o que esperar. Não nos dirão: “Tu mentiste! Doeu e muito.”

Haverá para nós pais, dor maior do que ver a desilusão espelhada naqueles olhos pequeninos?

No dia em que dissermos “Vai doer mas vai passar” mostramos aos nossos filhos que apesar de  encontrarem experiências dolorosas (ao longo de toda a vida), os nossos braços irão abrir-se sempre, os mimos não acabarão e a nossa voz dirá sempre, mas sempre a verdade!

Temos de pesar o que dizemos aos nossos filhos

Os nossos filhos são verdadeiras esponjas.

Crescem a cada segundo, surpreendendo-nos com as mais fascinantes tiradas, com declarações súbitas que nos demonstram que, apesar de nós, eles existem. Eles existem e bebem de tudo o que está ao seu redor, seja em forma de vivências, seja em forma de diálogo.

É por esta razão que importa cada vez mais não esquecer que tudo o que dizemos fica registado. Pode não ser transmitido de imediato, mas fica lá. Todos os comentários que fazemos à sua frente, a forma como verbalizamos as emoções, as críticas que fazemos aos outros e a nós próprios.

Há uns dias, a minha filha veio dizer-me “Sabes, mãe. A X diz que a comida que comemos vai para as pernas”. Inocente à partida, a declaração. Mas não é.

A minha leitura, depois de alguns segundos, foi a de: foi dito a esta criança que tudo o que ela come vai para o seu corpo. Mas em vez de lhe ter sido passada esta mensagem de uma forma positiva, do género todos os nutrientes, toda a comida que ingerimos vai trazer alguma coisa ao nosso organismo, é importante comer laranja ou manga por causa da vitamina C, o que lhe foi dito foi aquilo que muitas de nós ouvimos a crescer e que algumas de nós perpetuámos já em adultas; “um segundo na boca, uma eternidade nas coxas”.

Enquanto adulta eu tenho a capacidade de perceber, analisar e tirar conclusões sobre esta simples frase. Sim, aquela segunda taça de gelado provavelmente vai fazer menos bem do que deveria, e seria mais sensato parar na primeira.

Mas a uma criança está a passar todo um peso.

Um sentimento de culpa associado a algo que deveria, em primeiro lugar, ser visto como algo positivo: comer.

Educo a minha filha para ser consciente em relação à comida e ela diz muitas vezes “aquilo faz mal porque é só açúcar e não ficamos sem fome, nem tem vitaminas”. Pode ser informação a mais, mas ela apreendeu-a de acordo com a educação alimentar que recebe. E a sua conclusão tem a ver com saúde, não tem a ver com as alterações que eventualmente teria no seu corpo. Nunca ouviu nem ouvirá algo como “se comes doces vais ficar gorda”. E acho que é disto que se trata quando a tal colega lhe falou da comida ir para as pernas. Subjacente à mensagem estava lá um “vê lá o que comes se não queres ficar com pernas gordas”.

É mesmo isto que queremos passar às nossas filhas de cinco anos?

Basta da ditadura da beleza, da pressão da sociedade… Se educarmos os nossos filhos a serem gentis com eles próprios (também pela forma como encaram a comida  e a compreendem) e com os outros, certamente haverá uma geração menos focada nas diferenças e mais engajada no que realmente importa.

Dias depois desta conversa, a minha filha disse-me: “A X diz que eu sou gorda”.

Mais uma vez o peso da palavra, usada para ferir, para magoar. E a minha filha não é gorda. Tem barriga de bebé mas é toda ela músculos e agilidade, força e destreza. E mesmo que assim não fosse, custa-me que a palavra usada pela amiga tenha sido “gorda”. Como acusação.

Fiz o que senti que deveria. Desconstruí.

Tu não és gorda, Mariana. E se fosses não era nada simpático dizer-te isso para te deixar triste. Tens tantas coisas que ela podia ter apontado, mesmo que estivesse triste contigo. Coisas que tu podes melhorar. Como “às vezes falas alto comigo e eu não gosto” ou “fico triste quando não tens cuidado a brincar com os brinquedos que trago de casa”. O que lhe respondeste?”. E ela foi sucinta: “Que não era gorda. E fui brincar”.

Isto acontece porque a Mariana tem uma autoestima que lhe permite passar por cima do problema. Não a atingiu o comentário porque para ela não é relevante. Mas e se fosse? Veio de uma das pessoas de que ela mais gosta e podia deixar marcas. Aprofundar inseguranças.

Fiquei triste. Pensei que a mãe da outra menina podia melhorar a forma como comunica as suas ideias. Os seus preconceitos. Porque infelizmente a imagino a comentar o peso ou o excesso dele relativamente às outras pessoas como sendo algo do género ”não queremos ser aquela pessoa…”.

Os outros podem não ser bons connosco

Uma das autoras que mais gosto de ler (e que não escreve sobre parentalidade) fala muito da relação que tem com a filha de 12 anos e da sua vivência com as outras raparigas na escola. De como fortaleceu a confiança dela mostrando-lhe que os outros, por mais que façamos, podem não ser bons connosco. E que tantas vezes a culpa não é nossa. Não há nada que possamos fazer, simplesmente nem toda a gente vai gostar de nós. E relatava uma situação em que a bully da escola dizia à filha que a roupa dela era horrenda (para que fique registado era pura maldade, a miúda é incrível e veste-se de uma maneira original, isso sim, mas que por vezes acredito que suscite aquela inveja tola dos 13/15 anos…). A resposta da filha foi “Já eu gosto muito da tua. Acho que te fica super bem”. Para mim foi uma chapada. Achei aquilo maravilhoso. Interiorizei, acho que foi a maneira mais bonita de lidar com a situação e a mãe não estava por perto. Ela tinha aprendido aquilo com a mãe, sim, e com a forma como a mãe a ensinou a lidar com os outros.

Nem sempre é ou será fácil, mas cabe-nos a nós não criar este sistema de críticas.

Eu sei que os alunos de aparelho, de óculos, os mais gordinhos ou magrinhas, altos, com maminhas, ou falta delas, os marrões, etc sempre foram alvos. E talvez nunca deixem de ser. Mas quero acreditar que podemos mudar pelo menos o número de miúdos que vão ter dedos apontados na sua direcção.

Somos todos tão diferentes por dentro, por que razão deveríamos ser todos iguais por fora?

A diversidade é importante.

A gentileza salva vidas.

Acreditem.

Há demasiadas crianças a sofrerem depressões à conta da maldade alheia.

Há crianças que decidem acabar com a própria vida.

Quando os nossos filhos apontarem as características dos outros, tentemos que se foquem em características que realmente importam. Sem lhes tirar a oportunidade de questionar, é certo, mas abrindo a sua mente.

Por exemplo “aquela senhora tem o cabelo verde”.

Em vez de dizermos “que horror!”, poderíamos perguntar, “o que é que achas disso?” E enaltecer a coragem que é preciso para andar com um cabelo diferente na rua sem ter receio do que os outros pensam.

É um trabalho em construção.

Mas quando a minha filha ouvir que é gorda ou algum impropério do género, quero que quando já não tiver a capacidade de sacudir o pó dos ombros seja capaz de dizer  “e se for? Por que é que me estás a dizer isso?” Ou “em que é que isso muda a nossa relação?”.

Até lá continuarei a dizer-lhe aquilo que quero que nunca esqueça: é importante é ser bonito por dentro.

E essa beleza ainda falta a demasiadas pessoas…

Mães depois dos 30 anos têm filhos mais inteligentes. Estudo confirma.

A partir de uma certa idade começa a ser comum para as mulheres serem “bombardeadas” com as típicas perguntas. “Então para quando um bebé?”. “Já está na hora de vir um menino, não?”.

Hoje em dia a maternidade é cada vez mais adiada por diversas questões. Financeiras, profissionais, relações pessoais, entre outras. Afinal,  ainda bem! Segundo a ciência, ser mãe depois dos 30 anos é bastante benéfico para o bebé.

De acordo com um estudo realizado por Alice Goisis, uma professora associada em Demografia no Centro de Estudos Longitudinais localizado no Departamento de Ciências Sociais da University College London, em Londres, as mulheres que são mães pela primeira vez depois dos 30 anos têm filhos mais inteligentes, ou seja, apresentaram resultados cognitivos e comportamentais superiores aos dos filhos de mulheres com idades entre os 25 e 29 anos.

Após analisar os dados do Millennium Cohort Study (MCS), um estudo nacional que acompanhou mais de 18.000 nascimentos ocorridos no Reino Unido por volta do ano 2000, a investigadora pode concluir que as mães que têm o primeiro filho aos 30 anos ou mais são as que têm maior probabilidade de manter altos níveis de qualificação, de se casar e de coabitar no momento do nascimento e de ter altos níveis de renda familiar. Além disso, estas mães, tendem também a ter um melhor comportamento de saúde em comparação às mais jovens. Menor propensão a fumar e tendem a amamentar por um período superior a 4 meses.

Mães depois dos 40 anos

O mesmo não se passa com mulheres que são mães pela primeira vez a partir dos 40 anos.  Apesar de terem características semelhantes às de 30-39 anos, os seus filhos não só não apresentam níveis significativamente diferentes de resultados cognitivos e comportamentais, como até correm maior risco de obesidade em comparação com crianças nascidas de mães com idades entre os 25 e 29 anos.

Se estás a pensar em ter filhos, as melhores idades para o fazeres é entre os 30 – 39 anos. Isto, segundo a ciência.

Obviamente, não existe melhor altura do que aquela em que te sentires realmente preparada para esse passo tão importante da tua vida!

 

Por Sábias Palavras, adaptado por Up To Kids

“É inegável que o irmão mais velho acaba por perder algum espaço quando nasce o mais novo. No entanto, vai ganhar um irmão mais novo e isso é algo extremamente importante.”

Como preparar uma criança para a chegada de um “irmão mais novo”

A passagem de uma criança de filho único para irmão mais velho é um momento de alguma ansiedade para os pais. Sabemos que irá implicar sempre algumas mudanças. No entanto, parece-me importante referir que, na maior parte das vezes, os adultos complicam bem mais do que as crianças. É óbvio que se trata de uma transição significativa, mas que geralmente se faz de forma mais ou menos pacífica. Para isso, aqui ficam algumas ideias e conselhos para reflectir.

1 – Antecipe as mudanças de rotina

Este aspecto é fundamental. Antes do bebé nascer (e sempre que possível), as rotinas do dia-a-dia (dar banho ou dormir, por exemplo) devem passar a ser realizadas regularmente pelo pai, pelo menos 1-2 meses antes do nascimento. Esta habituação vai fazer com que a criança não sinta que foi por causa do irmão que a mãe deixou de as fazer. Assim vai permitir que não exista tanta competição relativamente a esse aspecto. Como é lógico, a mãe pode e deve estar presente, mas se passar a ser um momento mais “do pai” acaba por facilitar a dinâmica familiar após o nascimento.

2 – Não exija demasiado

Por vezes, a vontade de que a criança se vá preparando para o facto de vir a ter um irmão mais novo faz com que os pais insistam muito na ideia de que isso vai trazer muitas responsabilidades ao mais velho.
É normal que se digam frases como:
-“vais ter que te portar bem, porque o teu irmão vai estar a ver”;
-“agora vais ter que ajudar, porque vais ser o mais velho”;
-“tens que aprender a fazer algumas coisas sozinho, porque já sabes que agora a mãe e o pai vão ter menos tempo”.
Na verdade não é necessário estar sempre a repeti-las. Claro que algumas dessas coisas vão acontecer e devem ser antecipadas, mas o tempo também ajuda a que se estabeleçam por si e se tornem gradualmente uma realidade.

3 – Tente gerir a gravidez com bom senso

A gravidez é um período de tempo interminável para grande parte dos casais e para as crianças mais ainda. Nove meses é muito tempo e essa espera acaba por ser muito longa. Assim, se a criança for pequena é preferível envolvê-la mais no fim da gravidez, para que seja mais perto do momento do nascimento. Assim o entusiasmo não vai esmorecendo e ela acaba por usufruir mais quando surgir o irmão.

4 – Mantenha a atenção especial ao filho mais velho

É inegável que o irmão mais velho acaba por perder algum espaço quando nasce o mais novo. No entanto, vai ganhar um irmão mais novo e isso é algo extremamente importante. Para tentar minimizar essa sensação de perda, pode tentar fazer o seguinte:
  • Comprar um pequeno presente para o bebé “dar” ao irmão mais velho quando nascer
  • Tentar que esteja sempre algum adulto (pai ou mãe) com o filho mais velho quando tiverem visitas em casa. Geralmente as crianças sentem que já não são a prioridade de quem vai a casa, pois passa a ser o bebé. Assim é importante manter sempre um atenção especial nesses momentos. A melhor opção é sentar-se no chão a brincar com ela quando for alguém a casa, para que esteja mais distraída nesses momentos
  • Ter sempre algum presente pequeno em casa para dar ao mais velho, se as visitas só levarem para o bebé (é um bom plano “B”)

5 – Crie momentos de “filho único”

Aproveite enquanto o bebé é pequeno para passar momentos a sós com o filho mais velho. Ele vai-se sentir importante e perceber que, mesmo após o nascimento do irmão, continua a ser especial. Ele precisa disso e os pais também.

6 – Seja tolerante, mas não abdique das regras

É muito importante que haja alguma condescendência para algumas chamadas de atenção que o irmão mais velho possa fazer. Não é o mais frequente, mas por vezes surgem regressões de comportamento como voltar a querer usar chupeta ou biberão, por exemplo. Nestes casos é preciso lidar com elas com alguma paciência. No entanto, o mais habitual é aumentar as birras e o nível de exigência para que os pais dêem mais atenção. Principalmente quando estão a pegar no bebé ou a tratar dele. É claro que se deve ser mais tolerante nessas situações, principalmente nas primeiras semanas, mas aos poucos deve tudo regressar à normalidade. As regras mais importantes devem sempre ser mantidas e nem tudo é aceitável para chamar a atenção. É fundamental que os pais e a criança interiorizem isso para que tudo funcione corretamente.
O principal conselho é que se deve tentar usufruir destes momentos o melhor possível, pois são alturas fantásticas na vida de toda a gente. E, mesmo que seja um pouco atribulado no início, vai ver que vale bem a pena!

Mães preocupadas

Queridas mães,

Se és uma mãe* preocupada, este texto é para ti.

Deixa-me que te diga que estás a fazer um magnífico caminho na educação dos teus filhos. Sei que usas todos os recursos para lhes abrires os caminhos que façam deles seres humanos felizes. Eles (os teus filhos) também sabem o tamanho da tua dedicação. Também sabem que te preocupas com muitas coisas. Que estás constantemente atenta, tão atenta que por vezes te esqueces de respirar! Sim, isso respirar!

Experimenta: respira agora!

Decidi escrever este artigo porque tenho acompanhado algumas situações e algumas publicações nas redes sociais de mães com diversas preocupações. Muitas delas com muito sentido, outras em busca de opiniões de quem já passou pela situação, outras que me levam a sentir que são gritos de ajuda. E está tudo bem.

Algumas destas preocupações passam pela idade certa para fazer determinadas coisas. Qual é a idade certa para ir para a creche, a idade certa para entrar na primária, a idade certa para deixar as fraldas, para comer sólidos, para dormir sozinho, a idade certa para o primeiro beijo e para o primeiro namoro. E algumas dessas preocupações transformam-se em desabafos “eu pensava que estava a fazer bem” ou em dúvidas “deixo ou não usar o telemóvel para que o meu filho coma, se vista, fique entretido enquanto faço o jantar”.

No outro dia num encontro de pais, uma mãe relatava que o seu filho de 2 anos largou as fraldas por decisão dele. Foi exactamente no tempo certo para ele. Esta mãe conseguiu fazer algo que está ao alcance de todas nós: conseguiu… Confiar.

Então, queridas mães, pergunto-vos:

Confias o suficiente no teu filho?

Confias que ele vai saber exactamente qual é o momento “certo” para fazer ou deixar de fazer qualquer uma das situações acima ou outra situação que neste momento te preocupa?

Um casulo precisa do seu tempo para se tornar numa linda borboleta. E é dessa confiança que estou a falar. Da confiança de que tudo acontece exactamente no momento em que tem de acontecer. Tal como a borboleta, a natureza está repleta de processos naturais. Tal como na natureza também o desenvolvimento motor, cognitivo e emocional do teu filho é feito de forma natural. O teu filho precisa que tu sejas o seu porto seguro. Precisa de alguém a partir do qual possa sair para explorar o mundo e voltar quando precisa de ajuda para lidar com os seus sentimentos, pensamentos e desafios da vida.

Sabes, mãe:

1.Tu conheces melhor o teu filho do que a educadora, o pediatra, o médico, a professora.

Tu sabes como ele é, como reage, do que  gosta e do que não gosta. Se já desempenhas o teu papel de detective diariamente, de certeza que já tens um doutoramento em “Parentalidade Consciente”.

2. Reforça a tua intenção, liga-te ao coração e ao que diz a tua intuição.

Devo ou não colocar já na escola? Vou ajudar o meu filho se o colocar já na escola? Ele pode esperar mais um ano?

A escola não é uma maratona. Não há quem chega primeiro e não há quem fique em último, o importante é a tua intenção.

E o que te diz o teu filho?

É importante escutares a opinião dele. A opinião dele tem tanto valor como a tua. Juntos vão encontrar o que é melhor para ele.

3. O que é mais importante para ti, quais são as tuas necessidades, os teus limites?

Há mães que não tem outra escolha se não colocar, desde muito cedo, os bebés na creche e as crianças na escola. E não é por essa decisão que o seu desenvolvimento vai ser afectado negativamente. Até porque o importante é o vínculo, a presença na relação com o teu filho quando estás e não estás com ele. É ele saber que pode contar contigo. Há mães que têm a hipótese de ficar até mais tarde em casa com os seus filhos, e até a essas mães eu pergunto se as suas necessidades estão a ser respeitadas. Se têm tempo para si, se têm tempo para fazer o que mais gostam. Há um equilíbrio perfeito em tudo! Só tu sabes!

4. Como é que te sentes?

Quando decides colocar o teu filho na escola sentes confortável, ansiosa, preocupada? E de onde vem essa preocupação? Faz as pazes com o que foi a tua experiência de entrada para a escola, ou até com o que ouves outras mães a contar, e simplesmente liga-te ao que estás a sentir. Reconhece o que estás a sentir, fala sobre isso. Essa é a porta para te ajudar a ultrapassar este momento.

5. Confias com razão ou confias com o coração? Confias mais no que te dizem ou confias mais no que diz a tua intuição?

Sabes querida mãe, tu sabes quais são as necessidades do teu filho. Não tenhas medo de o colocar numa escola e mais tarde considerares e decidires que afinal não é o que procuras. Não tenhas medo de falar com a educadora, com a professora sobre as tuas preocupações. Não compares os teus filhos com os outros meninos porque cada criança é única! Não o obrigues a comer colher atrás de colher quando ele te diz que está cheio. Não ignores quando vem falar contigo sobre o seu primeiro beijo, sobre o seu namoro.

Não tomes decisões que não te venham do coração!

Lembra-te que, em cada momento, tens a oportunidade única de te ligares ao teu coração!

Confia em ti! <3

 

* este texto foi escrito para mães, pois tem sido maioritariamente as mães que desabafam sobre as suas preocupações. Porém, este texto também é para os pais. Este texto é para toda a família.

Qual o lugar da mulher quando se torna mãe

Ser mãe é a realização de um sonho. Uma experiência de comunhão e amor única e singular que, ao mesmo tempo, que é desafiante, consegue ser reconfortante e reparadora.

Mas, muitas vezes, as mães parecem resguardar-se nesse amor maior que só um filho parece ser capaz de lhes dar. E, mais vezes do que aquilo que desejaríamos vemos mães que se sentem um bocadinho ‘magoadas’ na relação com a vida, com o amor e com o Ser mulher.

Assim, um filho acaba por se transformar em tudo aquilo que uma mãe tem como esperança e expectativas.

E, pouco a pouco, ao mesmo tempo crescem enquanto mães, afastam-se um bocadinho de si próprias. Como se, todos os seus sonhos e a sua identidade se tivessem esbatido para dar lugar ao papel de mãe. Como se se sentissem incapazes de conjugar a pessoa que são com a maternidade.

Mais difícil que este sentimento de não conseguir conjugar o papel de mulher com os seus sonhos e com o de mãe, é vermos que algumas mães parecem ter medo de dar vida a todas as suas facetas depois de serem mães. Como se sentissem que a sociedade reprova os seus rasgos mais espontâneos que vão para além das exigências da maternidade.

Nestas circunstâncias, aquilo que uma mãe faz é depositar todos os seus sonhos nos filhos, e esperarem que eles cumpram tudo aquilo que elas não conseguiram atingir. Estas expectativas estendem-se ao mundo académico, profissional, ao desporto e até às relações que esperam que os filhos estabeleçam ou não.

É importante não perdermos de vista que este movimento não é saudável nem para a mãe nem para os filhos.

Estes, a certa altura, sentem que façam o que fizerem parecem bater sempre ao lado daquilo que a mãe esperaria. Neste novelo de expectativas, os próprios filhos calam os seus apelos mais espontâneos porque, no limite, querem apenas corresponder aos desejos da mãe.

A logo prazo, poderá levar ao afastamento entre mãe e filhos, dificultando a relação que têm entre si.

As mães só precisam de ter a certeza que são melhores mães quanto mais se conectarem consigo próprias. Quanto melhor conseguirem dar vida à sua essência enquanto mulher, à sua relação, à sua profissão, às suas amizades e claro ao seu papel enquanto mães.

Um dos grandes desafios da maternidade é precisamente continuar a conseguir dar vida a todas as suas vertentes. Assim, tornar-se-à numa mãe ser mais completa, mais realizada, mais feliz. Consequentemente, permitirá que os filhos dêem vida aquilo que eles são de verdade sem terem que ir apenas no caminho das expectativas da mãe.

Não duvidem que as crianças serão mais felizes e terão mais espaço para ser crianças, quanto mais realizadas e completas se sentirem as suas mães.

Em cada mãe, há espaço para o amor, para a vida e para os filhos, de forma simples e completa.

Por Cátia Lopo & Sara Almeida para Up To Kids®

Criar crianças feministas

Acredito que serão precisos muitos anos até o machismo que corre nas coisas mais corriqueiras do nosso dia a dia ser erradicado. Se é que alguma vez será.

Falámos já muitas vezes na importância que a educação tem e no papel que os pais (ambos!) têm ou devem ter para que as nossas crianças sejam efectivamente a mudança.

A minha cunhada ofereceu-me no Natal um livro da autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, que em português tem o título “Querida Ijeawele: Como Educar Para o Feminismo”. Recomendo a todas as pessoas que têm filhos (independentemente do género) e para aqueles que com elas lidam diariamente.

É um livro curto e que tem como contexto a Nigéria e a forma misógina como as crianças são educadas. Mas muitos dos ensinamentos e reflexões podem ser adaptados para o nosso caso.

Lembro-me de ter crescido a ouvir expressões tão simples e aparentemente inocentes como “sim senhora, cozinhaste X, já podes casar”. Isto é de um machismo intrínseco que nos passa muitas vezes ao lado. Estamos habituadas a ele, não lhe prestamos atenção e é assim que ele vai sendo perpetuado.

E porquê? Porque nunca tal comentário foi dirigido a um rapaz, como se:

1ª – A função de cozinhar fosse exclusiva das raparigas

2ª – A possibilidade de arranjar um marido estivesse directamente dependente das capacidades da dita rapariga na cozinha

3ª – Esse casamento fosse o objectivo importante da vida de uma rapariga.

Falo deste caso como exemplo, haveria muitos outros.

Mas a verdade é que ainda hoje olho à minha volta e vejo que são as mães (perdoem-me as mães de rapazes/homens, mas vão ter de concordar que é verdade) que tratam os filhos como se eles fossem diferentes das filhas. Como se não fossem capazes de tratar da própria roupa, da limpeza da casa, da comida. Quantos rapazes solteiros que vivem sozinhos conhecem que tratam destas tarefas por si? Sem empregadas? Sem as mães a lavarem, secarem e passarem a roupa (elas mesmas ou as suas empregadas)? Sem lhes fazerem comida que dura para a semana? Há, mas são a minoria.

E se olharmos em volta também podemos concluir que muitas raparigas se estão absolutamente nas tintas para as tarefas domésticas e não querem para si esta responsabilidade.

Acho que devemos ensinar aos nossos filhos, independentemente do género, as coisas básicas para que saibam cuidar de si de forma independente.

Mesmo que cresçam para ser adultos que não querem executar as tarefas. Ênfase aqui para o não querem e podem não o fazer porque podem pagar a quem o faça. Queremos mesmo que os nossos filhos, já adultos, tenham uma relação umbilical connosco que se baseia na necessidade de lhes facilitarmos a vida como se continuassem a ser crianças?

Ao escrever esta linha lembrei-me do namorado de uma colega minha, que com 38 anos, quando almoçava em casa da mãe recebia o prato de peixe arranjado por ela. Sem espinhas. Pronto a comer. 38 anos. Não é exagero. Não é anedota. É um facto. E a culpa aqui tanto é da mãe como do filho. É absurdo.

Como mãe e pais queremos estar lá para os nossos filhos. Seremos sempre que nos for possível, os primeiros a estender a mão como os nossos pais fizeram connosco. Mas ajudar não significa fazer. Se ensinamos os nossos filhos a vestirem-se sozinhos, por que motivo permitimos que essa autonomia não seja espelhada nas restantes vertentes da sua vida?

Haveria muito para dizer sobre este tema, mas acho importante reflectir. Sei que muitos dos que estão a ler pensam que no seu caso não é assim. Até pode ser, mas os vossos filhos vão conviver com todo o tipo de pessoas, relacionar-se com elas.

Muito do machismo que tenho visto ultimamente tem origem em mulheres. Seja relativamente a acontecimentos públicos graves como violações, seja nas coisas mais básicas do dia a dia.

Como educadores temos um papel determinante na forma como os futuros líderes do mundo crescem e apreendem a realidade. Se essa realidade for distorcida pelas convenções sociais (e será sempre, não vale a pena termos ilusões, somos todos condicionados por elas) temos então a importante missão de passar valores de igualmente, mérito, a dádiva de amor altruísta, solidariedade, empatia, valorização da paz…

Muitas vezes neste complexo trabalho de criar seres humanos cometemos erros. Fazemos coisas por amor que talvez não sejam as melhores para eles, para nós.

Não é fácil e sou a primeira a dizê-lo.

Estamos aqui para fazermos o melhor que conseguimos.

Mas temos de ir parando no caminho para respirar. E olhar para trás e perceber onde podemos ir melhorando.

Ajudando-nos mutuamente sem nos anularmos.

Com amor tudo se faz, mas o amor não justifica tudo.

Vamos pensar nisto?

Os ciúmes na criança. O segundo filho.

Os ciúmes, presentes durante toda a vida da criança, podem manifestar-se na idade adulta, mas não durante o aleitamento.

A explicação é muito simples: os ciúmes surgem sempre numa situação a três, e para o bebé, do ponto de vista afectivo, só existem duas pessoas – ele e a mãe.

O bebé, vai percebendo, a pouco e pouco, que a mãe também tem de dar atenção a outras pessoas e essas pessoas transformaram-se automaticamente em seus rivais na disputa do carinho materno.

O estabelecimento de novas relações com a mãe deve ser gradual, para evitar ao filho ciúmes desnecessários.

Os carinhos e mimos dados na altura própria, a demonstração de que o filho desempenha um papel da maior importância e a progressiva introdução de normas de conduta irão levando à superação do problema.

Os ciúmes dos irmãos representam um problema mais difícil.

O segundo filho, costuma chegar, quando o primeiro tem 18 meses a três anos e meio. A consequência é de que a mãe tem de dedicar a maior parte do seu tempo ao novo bebé. Para o filho mais velho é como se o mundo se desmoronasse.

A criança com ciúmes pode ter comportamentos exagerados nomeadamente:

  • A agressão física ao irmão,
  • A enurese (nova perda do controle dos esfíncteres), 
  • O retrocesso na fala,
  • Ou o regresso a comportamentos anteriores já superados.

De uma maneira geral, estes comportamentos costumam ser dirigidos em dois sentidos.  Anular o irmão, ignorando-o, e reconquistar a mãe, fazendo-se mais pequeno e procurando ter graça de qualquer modo.

Os ciúmes são uma das muitas crises por que passam as crianças e não se lhes deve dar excessiva importância. No entanto, deve procurar-se diminuí-los o mais possível e facilitar a sua superação.

Uma situação critica de ciúmes pode revelar comportamento incorrecto da mãe.

A superação desta crise passa pelo sentido materno de justiça, não significando aqui justiça dar igualmente a ambas as partes. Falar de partes iguais entre um bebé recém-nascido e uma criança de três anos é como dividir um peixe igualmente entre uma pessoa e um gato. O importante é dar a cada um aquilo de que precisa. E não tirar a um aquilo que não faz falta ao outro.

A criança desta idade costuma descobrir rapidamente que consegue atrair para si a atenção da mãe, se se aproximar do irmão. Deve-se estimular este processo, pois permite muitas vezes solucionar o problema.

Em qualquer caso, o que se deve fazer é distinguir as duas crianças, e não compará-las. Não quer dizer que um dos filhos é melhor que o outro. O  que se passa é que um deles é maior. Dar realce às possibilidades reais da criança maior e às limitações verdadeiras da mais pequena, salientar as diversas vantagens das suas diferenças pessoais e a possibilidade de se completarem, costuma ajudar a melhorar a situação.

Normalmente, o problema começa a solucionar-se quando a criança se relaciona com outras, nas suas brincadeiras, e dá escape às suas rivalidades, mais ou menos desportivamente, dentro do grupo.

Não devemos esquecer que o filho mais novo também pode vir a sentir ciúmes do mais velho.

Durante o processo de separação entre o bebé e a mãe, podem surgir ciúmes desse tipo após os dois anos.

Como é lógico, este tipo de ciúmes é mais atenuado. A criança viveu sempre com o irmão e a rivalidade pelo carinho da mãe já lhe é familiar. Todo este problema se costuma repetir do segundo filho para o terceiro, e assim sucessivamente, mas sendo cada vez mais atenuado quanto maior é o número de irmãos.

 

Paula Norte, psicóloga na Psicomindcare para Up to Kids

Este texto hoje é para ti.

Para ti que perdeste o bem maior e mais precioso que a vida te deu.
Para ti que enfrentas diariamente o maior medo e o pior pesadelo de todas as que, tal como tu, são mães.

Deixa-me começar por te dizer que tenho perfeita noção que não conheço a tua dor. E é com todo o respeito que tenho por ela e por ti que não arrisco nenhuma palavra acerca dela. Quero apenas escrever-te, hoje, aquilo que tantas vezes penso e nunca te disse.

Quero contar-te, hoje, que dou comigo, muitas vezes, a pensar em ti.

Penso em ti quando distribuo pelos meus os beijos de boa noite.

Penso em ti nas noites em que estou mais cansada e deixo a reclamação ocupar o lugar do amor que ambas carregamos no coração.

Penso em ti quando me assusto.

Penso em ti quando, mesmo com sono, o medo não me deixa adormecer.

Penso tantas vezes em ti.

Gostava de te abraçar com a mesma força com que tu carregas o teu mundo de saudade. Com um abraço que, mesmo só por um momento, aliviasse a tua dor. Ou quem sabe até com um abraço que te fizesse ir lá acima, onde tantas vezes te imaginas a chegar, para logo a seguir te fazer regressar.

Gostava de te pedir, e desculpa-me tanta ousadia, que aceites com amor os teus dias por cá. Mesmo aqueles que parecem não ter mais nada para agradecer.

Quero-te contar que as tuas pessoas estão sempre dispostas a ouvir-te.

Mesmo as que nunca te fizeram nenhuma pergunta. Peço-te que não tenhas nunca receio que as tuas doces memórias possam incomodar alguém. E não te inibas de sorrir quando decides partilha-las. Nem de chorar.

Gostava também que as tuas pessoas partilhassem mais contigo as suas alegrias. Não sei o que as impede de o fazer quando eu sei que tu continuas a sentir-te feliz pelos outros.

Sei que em dias de festa, nesta série de dias em que se transformou a tua vida, te falta sempre o actor principal.

Quero-te dizer que já chorei por ti.

E que vou continuar a chorar.

Este texto hoje é para ti.

Quis apenas escrever-te, hoje, aquilo que tantas vezes pensei e nunca te disse.