“Mãe!” é a palavra mais dita em todo o mundo (aposto)

Eu, que já passei dos trinta, continuo a chamar pela minha mãe quando estou feliz, triste, desanimada, desesperada, sem rumo, quando recebo boas notícias, quando não sei de alguma coisa, quando preciso apenas de falar.

E é por isso mesmo que ainda que seja exasperante compreendo a minha filha, que repete o meu título honorário como se não houvesse amanhã.

Mas, afinal, para que servem as mães?

Dizem que ter filhos é andar com o coração fora do corpo. Por essa linha de raciocínio há um coração que nunca se sente completo, porque o corpo onde ele foi gerado inicialmente tem de viver sem ele, à margem dele.

Daí talvez esta relação próxima que existe com as nossas mães, a nossa com os nossos filhos.

Fomos feitos para sermos inseparáveis mesmo quando temos de seguir caminhos diferentes.

A nossa mãe é a garantia de que nunca estaremos sozinhos, mesmo quando ela já não estiver por perto. É a certeza que por mais que a vida nos derrube, haverá sempre aquela voz, do outro lado do telefone, mesmo à nossa frente, ou em memória, que nos garante que conseguimos dar a volta. Que somos capazes. Que ela vai torcer por nós.

Quem tem, ou teve um dia, uma boa mãe tem uma herança para a vida.

Tem um exemplo, tem um caminho já trilhado para ir tirando notas sobre o que fazer e o que evitar.

Tem um admirador número um, tem alguém que nunca o quis desiludir, mesmo quando não foi capaz de ser melhor.

Uma mãe nasce quando há a vontade de se ter um filho. E a partir daí a luta é conjunta. A corrida é feita de mãos dadas, a primeira vez que há um olhar, um toque, marca o início de um amor já palpável.

O amor entre uma mãe e um filho, por mais que se tenha tentado, é impossível descrever. Ainda está por inventar uma palavra que seja sinónimo da grandiosidade deste sentimento, desta forma de pertença, desta experiência cheia de altos e baixos em que por mais que haja falhas, nunca falha o amor.

Irei chamar a minha mãe sempre, enquanto tiver o privilégio de a ter por perto. E depois irei fazê-lo baixinho (como, confesso, às vezes já faço quando não estou preparada para lhe dizer algumas coisas).

E irei sempre responder ao chamamento da minha filha.

Porque não existe outra maneira de existir.

Afinal, sou mãe.

E mãe é mãe e basta.

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Dia da mãe – Vale mimar-me

Começamos logo de manhã. Corre para aqui, corre para ali. Prepara isto, pensa naquilo, faz malabarismos para encaixar todas as atividades extracurriculares, o nosso trabalho, os tpcs, a comida saudável, os banhos, as horas a que os miúdos precisam de estar na cama. Ufa!

Só quando aterramos no sofá, é que notamos como estamos exaustas. E dois segundos depois, já estamos a programar tudo o que é preciso para o dia seguinte. A nossa cabeça parece o gabinete da direção de uma multinacional. Uma autêntica loucura.

Sinceramente, não sei onde vamos buscar a energia. Não sei onde vamos buscar tanto amor e colo para dar aos outros. Não sei como conseguimos ter na cabeça frações complicadas, e onde estão as bolachas na despensa. Mas sei como me sinto exausta e zangada se não cuido de mim. Foi algo que fui notando com curiosidade. Percebi que não consigo ter tanta paciência quando estou esgotada. Que me zango mais facilmente. E que muitas vezes, depois do calor do momento, percebo que não era nada daquilo que queria dizer ou fazer.

Instruções

As instruções de segurança nos aviões são muito claras nos procedimentos a seguir. Primeiro, temos de colocar a máscara de oxigénio em nós, e só depois ajudar as crianças. O mesmo devia acontecer na parentalidade. Só conseguimos dar, se tivermos algo para dar. Caso contrário, estamos em esforço contínuo. Em desgaste contínuo.

Uma mãe precisa de cuidar de si. Cuidar sem culpa. Precisa de descansar, carregar a pilha, sentir-se inteira para ser capaz de cuidar e dar aos outros. Além disso, uma mãe ao cuidar de si, inspira nos filhos o autocuidado e a auto-valorização.

Pensei com carinho, no que te podia oferecer para começares a cuidar de ti. Pouco a pouco. A mimares-te como mereces. A sentires como faz toda a diferença.  Que isto do “cuidar de mim”, não faz de ti uma má “mãe”, mas sim uma mãe humana.

Pensei e decidi dar-te momentos. Momentos de auto-mimo para cortares, usares e mimares-te.

Lembra-te, vale mesmo a pena cuidares de ti todos os dias, e não só no dia da mãe.

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Moche aos pais

Já não tenho dessas comemorações escolares porque os miúdos são mais crescidos. Recebo imensos beijinhos e apertos nesse dia (mas nos outros também) e não preciso de mais nada para além de que sejam felizes, saudáveis e boas pessoas.

Já por duas vezes tive de fazer o papel de mãe dos meus sobrinhos nesta celebração. Senti-me péssima pelas crianças que por ali andavam sem uma tia ou alguém que fizesse o “papel de mãe” (não são assim tão poucas), se calhar nem mãe têm. Estas actividades são normalmente a horas completamente improváveis, tipo 4 da tarde ou 10 da manhã e, durante a semana. Para as mães que não conseguem estar nestes dias ou que têm mais do que 2 filhos (festas do dia da mãe amontoadas), só vos digo: RESPECT!

Estejam elas a trabalhar, longe, a correr de uma festa para outra ou no Céu!

RESPECT! Um grande bem-haja àquelas mães que se descabelam todas, correm o risco de ser despedidas, e ainda o risco de se espatifarem no meio de uma corrida desenfreada para conseguirem estar sentadas 15 minutos naquela cadeira miniatura que transborda o rabo por todos os lados, ver as actuações que são rápidas e, muitas vezes, pouco treinadas. Depois saem a correr para voltar ao local de trabalho. Até podem nem produzir nada, o resto do dia, mas ficam ali, a suar em bica, com ar de quem espera a ambulância depois de um atropelamento… por um autocarro!

O dia da Mãe escolar é, a meu ver, uma forma de bullying! Se querem festejar, festejem no fim-de-semana e para que quem se sinta “posto de parte” não seja obrigado a estar presente.

Quero ver como é que vai ser com os novos casais. Uns a levar mães a mais e outros a menos. Não tenho nada contra, haja AMOR, nada mais! Mas acho que isto do dia da Mãe escolar já está a ter contornos de “dia dos namorados” ou de “Ano Novo”. Aquela obrigação de termos mesmo de celebrar nesse dia e, nestes casos, ver os outros a celebrar colados a nós e ter de aturar o filme.

Quem não celebra nesse dia sente-se, no mínimo, “diferente”. Mães e pais arrasados que deixam os filhos nas escolas com a certeza que mais tarde, naquele dia, se sentirão tristes porque a sua mãe é uma das que não pode estar.

Tantos problemas em dar uma palmadinha na altura certa ou em castigar as crianças porque podem ficar traumatizadas, mas festejam o dia da Mãe junto de crianças que não podem ter os pais presentes.

Haja coerência!

A minha mãe está sempre comigo. Principalmente quando está escuro.
A minha mãe não precisa de ouro, nem de incenso. Ela precisa de saber que estou bem.
A minha mãe é um sorriso interior. É um sol pequenino. Concentrado.
A minha mãe é a lembrança de uma torrada impossível de ser replicada, de um entardecer inundado de calma e a lembrança de que todas as mães são a raiz.
A minha mãe é a culpada de tudo. Principalmente das coisas boas.
A minha mãe está nos meus melhores gestos como pai. A minha mãe é a avó mais capaz de encher um balão com surpresas. Assim, os aniversários são mais surpreendentes.
A minha mãe é férias de verão. E é o meu roer de unhas.
A minha mãe é o lugar seguro do surpreendente meu pai. Ela é o sal dele. E a maçã.
A minha mãe é a memória muscular que me faz estar em forma, porque me alimentou bem. Sempre que pôde.
A minha mãe está…longe. Há um mar no meio. Uma mar com lágrimas, como no poema. A minha mãe nem sempre tem internet onde está…A minha mãe sente a minha falta, a falta dos meus filhos, da sua nora e de alguns grandes amigos. Apenas para dar exemplos. Porque há outras pessoas a fazer ainda mais falta.
A minha mãe faz-me quebrar as réguas todos os dias. A distância não se mede assim! A minha mãe, usa métodos telepáticos mais evoluídos e capazes do que a vulgar internet.  A minha mãe faz-me incinerar a cada instante a palavra “falta”.
A minha mãe é a lembrança da minha avó. É o sorriso bom dela.
Voltando ao início, a minha mãe é vários tipos de luz. Um dia faltou a luz e vi tudo claro, porque ela está comigo. Na semana passada tive um dia tão difícil e aquela luz fez-me ficar concentrado. Amanhã se tiver medo do futuro vou ver uma luz como guia.
A minha mãe é uma luz.
A minha mãe é pessoa para ter ficado chateada quando eu disse que ela era o sal do meu pai, porque sal é que não! A saúde primeiro!
E é a luz que derrete a neve como na minha composição do primeiro ciclo. Aquela neve má que prende os movimentos, aprisiona a criança impedindo-a de ir para casa e para o colo da mãe.
A minha mãe é o meu nariz. Ou o meu nariz é da minha mãe…Mas se descobrisse que tinha sido adotado, era minha mãe na mesma. Mãe é amor.A minha mãe é o colo da minha alma.
A minha mãe é luz.
Ainda bem.
É que a criança na neve, sou eu.

Por Alfredo Leite, Mundo Brilhante, 
para Up To Lisbon Kids®

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Sempre que dizia que gostava tanto do meu pai e que tinha saudades dele, perguntavam-me porque nunca me ouviam dizer o mesmo em relação à minha mãe.

A verdade é que por não viver com o meu pai acabava por verbalizar mais esta falta, este sentimento de saudade. Em relação à minha mãe, como fomos sempre muito próximas (também fisicamente), posso dizer que comecei a sentir verdadeiramente saudades dela desde que saí de casa. E há tanta coisa que parece pequenina, mas que dou mais valor hoje do que alguma vez dei.

Sinto falta de ver a minha mãe todos os dias.

Tenho saudades de quando ela me secava o cabelo, mesmo sendo a coisa que mais detestava no mundo.

Sinto falta de estar debaixo dos lençóis, muito pequenina, e de ela me levar um biberon de Nestum com a tetina cortada para o beber ainda dentro da cama nas manhãs de inverno antes de ir para a escola.

Tenho saudades dos tempos em que nos inscrevemos no mesmo ginásio e fizemos aulas de aeróbica e éramos as duas alminhas mais descoordenadas que se viam a mexer naquela sala – e não nos importávamos nada.

Sinto falta de ir à mercearia do senhor João comprar pastilhas e saber a diferença entre nabiças e espinafres de tantas vezes que a vi a comprá-los lá.

Tenho saudades de estarmos no sofá, ao fim do dia, enroscadinhas a conversar ou em pleno silêncio.

Sinto falta de a minha mãe me perguntar por que é que, com um sofá tão grande, insistia em estar colada a ela.

Tenho saudades de ouvir a campainha tocar e saber que era para descer as escadas e ajudar a trazer os sacos do supermercado para cima.

Sinto falta de estar na cama e chamar “maímmmm!” e pedir um copo de leite com chocolate quentinho, como só ela sabe fazer, para me acalmar o corpo e a mente e poder dormir descansada.

Tenho saudades de poder pousar a minha cabeça no seu colo e a ouvir dizer que “vai correr tudo bem” enquanto me afagava os cabelos (continua a ser a única pessoa que gosto que mexa neles).

Sinto falta de fazer corridas de “golfinhos” no mar, nas férias. E de perder sempre para ela.

Tenho saudades de lhe pedir para me comprar uma bolinha com creme, mesmo sendo de tarde e estando tanto calor e ela me avisar, vezes sem conta, que era preferível comer uma sem creme.

Sinto falta de estar por casa e por isso, a “obrigar” a sair mais cedo do trabalho.

Tenho saudades de conversar com ela na cozinha, enquanto preparava o jantar e eu acabar por não ajudar quase nada porque não parava de falar.

Sinto falta de perguntar o que é que vai ser hoje o jantar (e ouvir como resposta “línguas de perguntador”).

Tenho saudades de acordar a meio da noite e ouvir barulho na cozinha e ir pé ante pé porque sabia que a encontrava, de camisa de noite, à janela a fitar as estrelas.

Sinto falta de quando ela me dizia que com as unhas pintadas daquela cor nem pensar, só para andar em casa.

Tenho saudades de irmos no carro para o Algarve e cantar todas as músicas e ouvi-la a dizer “mas como é que tu conheces isto tudo?”.

Gosto muito do facto de termos uma relação muito telepática, de estarmos constantemente a pensar uma na outra e nos ligarmos sem saber disso. De as minhas dores de cabeça passarem por te falar nelas (mesmo ficando tu com elas – ninguém acredita, mas sabemos que é verdade). Gosto de saber se vale a pena ir ver um filme ao cinema depois de ouvir a tua crítica porque é sempre certeira. Gosto que partilhemos livros. Gosto que faças jardineira nos domingos em que o mano vai almoçar e eu não porque sabes que eu não gosto muito. Gosto de poder dizer, sem hesitar, que és a melhor pessoa que conheço – sem ser para parecer bem, mas com a maior naturalidade do mundo – porque é verdade. Gosto tanto de ti. Gosto de nós.

E tenho saudades tuas, mãe, mesmo falando todos os dias contigo.

Porque sentir falta não é mau e ainda é melhor podermos matar essa saudade quando queremos.

Se me perguntarem o que é preciso para ser uma boa mãe é de ti que vou estar a falar. Sempre.

(E porque o dia da mãe se aproxima, deixo também um grande beijinho à minha “boadrasta” por tudo aquilo que sempre me deu: compreensão, tempo, carinho, paciência, a minha mana linda, amor. Por ter cuidado sempre de mim como se fosse sua. Como só uma boa mãe consegue fazer).

Sou mesmo uma pessoa de sorte – e grata por isso.

Feliz dia da Mãe!

Por Marta Coelho,
para Up To Lisbon Kids®

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Lembro-me como se fosse hoje daquele primeiro momento, do primeiro choro e da sensação que tive quando me tiraram o S. da barriga.

O momento em que passei assumidamente a ser Mãe, aquele em que cruzámos o olhar, os primeiros minutos da vida dele e os meus enquanto uma nova pessoa.O amor pelo S. começou assim que soube que estava grávida e foi aumentando todos os dias.

Lembro-me daquele momento em que soube que era um menino, do momento a partir do qual o meu filho deixou de se chamar “bebé” e passou a chamar-se Salvador.

Lembro-me dos pontapés na barriga, dos meses que passamos juntos num só corpo e dessa preparação para o papel mais importante da nossa vida enquanto mulheres: ser Mãe.

Lembro-me de repetir todas estas sensações quando engravidei da C., da alegria e da bênção de ter exatamente aquilo que queria, primeiro um menino e depois uma menina.

Lembro-me que o amor pelos dois não se dividiu, mas em vez disso mais do que duplicou, lembro-me da felicidade que senti quando também a C. nasceu e passei a ser mãe de dois em vez de um.

Agora que sou mãe há quase 6 anos e que espero o meu terceiro filho, sinto-me ainda mais feliz. Sei que este bebé vai multiplicar a minha felicidade enquanto Mãe, e a nossa enquanto família.

Sinto menos dúvidas e mais certezas, mas ainda assim, tudo continua a ser fascinante e o amor por este terceiro filho cresce a cada dia que passa.

Não me considero uma mãe perfeita nem é isso que desejo.

Quero ser uma mãe autêntica, uma mãe que ama incondicionalmente as suas crianças, uma mãe que ouve, respeita, que educa, que põe de castigo quando é preciso, que lhes dá beijinhos e abraços só porque sim e que lhes diz ao ouvido “gosto muito de si”.

Uma mãe que sabe que não é perfeita mas que não mudaria nada mesmo que pudesse.

Porque ser Mãe é errar e aprender com os erros, é crescer também a cada dia que passa com as conquistas dos nossos filhos, é querer ser melhor e uma inspiração para eles quando crescerem.

Por isso, quando me perguntaram há uns dias o que eu mudaria enquanto Mãe, se pudesse voltar a trás, eu respondi
“sinceramente, nada”.

Por Filipa Cortez Faria,
para Up To Lisbon Kids

Fotografia de capa @shot fotografia

 FILIPA CORTEZ FARIA,32 anos, dietista de formação, especializou-se no tratamento do excesso de peso e a nutrição clínica é a sua atividade principal. Desde que foi mãe, há 5 anos, apaixonou-se pela moda infantil e pelo mundo das crianças, e foi depois do nascimento do seu segundo filho, que decidiu criar o Blog My happy kids. Um blog de moda infantil e lifestyle, onde partilha as suas escolhas e os kits da C. e do S., de 3 e 5 anos, o crescimento de ambos e aborda outras temáticas, tais como a decoração infantil e a nutrição.

 

Blog My happy kids – http://fcfkidsdesign.blogspot.pt
Facebook – https://www.facebook.com/filipacortezfariakidsdesign
Instagram  –   http://instagram.com/myhappykids
Pinterest – http://www.pinterest.com/filipacortez

Viajar com filhos – pequenos e grandes – e gastar pouco dinheiro é possível ainda que seja um verdadeiro desafio.

A primeira questão é: quando viajar?

Para conjugar férias escolares com as melhores promoções viajamos sempre nas férias do Carnaval. Este ano, por exemplo, os voos de ida e volta para Copenhaga custaram cerca de 70 euros por pessoa.

Março não é o mês ideal para visitar cidades mais frias – na Dinamarca muitas das diversões fecham até Abril, o que tem um lado positivo porque vemos por fora e não gastamos dinheiro -, mas o frio resolve-se.

Se é o único adulto para várias crianças aposte nas mochilas – uma mochila para cada filho com um livro ou um brinquedo e um lanche para a viagem, e uma mochila tipo campismo para si com a roupa.

Três mudas de roupa, escovas e pasta de dentes, um gel de banho multiusos e um bom creme hidratante (a melhor proteção para o frio).

Aposte num bom casaco,luvas e gorro (ou chapéu se o destino tiver sol). Se tiver filhos com menos de três anos leve um sling ou um carrinho tipo bengala para os momentos de cansaço e para algumas sestas.

Onde ficar?

Há imensos sites onde pode alugar apartamentos particulares
airbnb, homelidays, homeaway -, ou opte por apartamentos nos sites de reservas – como o booking.

As vantagens são todas: têm cozinha, têm máquina de lavar roupa, têm espaço, são mais baratos e têm quase sempre internet.

A desvantagem é não terem direito a pequeno almoço buffet, mas os miúdos dão sempre lucro ao hotel.

Escolha um alojamento no centro da cidade, aquilo que poderá ter de mais caro é o que vai poupar em transportes.

No primeiro dia, em jeito de reconhecimento do território, dê um pequeno passeio à volta de casa e vá ao supermercado. Faça compras como se estivesse em casa, a ideia é tomar um bom pequeno almoço e um jantar quente em casa, sair cedo e regressar cedo, aproveitando a luz do dia.

Nas mochilas tem que haver sempre comida: fruta descascada, cenouras cruas, bolachas sem ingredientes que sujem, ovos cozidos, sandes e água.

O que visitar?

As crianças não pagam nos museus e todas as cidades têm museus fabulosos. Andem a pé pela cidade e observem a arquitetura e os pormenores.

Arranje vários mapas grátis e deixe que os miúdos risquem os percursos e escolham lugares onde querem ir.

Antes da viagem faça uma lista dos sítios onde quer ir, mas tenha em conta que é apenas uma referência porque viajar com miúdos – e o segredo serve para tudo na vida – implica baixar as expectativas.

Não vamos conseguir ver a cidade como faríamos se estivéssemos sozinhos, com amigos ou em casal, mas vamos ter experiências inesquecíveis.

Cá em casa já sabem que nem sequer entramos em lojas. Mas o mais velho pôde escolher uma recordação para comprar.

Da Dinamarca veio a garrafa de uma bebida tradicional e uma pedra. Não veio mais porque , apesar de as pedras serem grátis , ele sabe que tem de transportar o que compra na sua mochila.

É outra regra a contribuir para a poupança.

 LUA_9987CATARINA BEATO | Dias de uma princesa

Nascida em Lisboa. Criada em Almada, no “lado esquerdo do Tejo, no lado certo da vida”. Aluna de cadernos irrepreensíveis e um medo irracional que me passassem a bola. Cheia de certezas absolutas, perdidas na idade adulta. Trabalhei em (quase) tudo. Trabalhei muito. Fui estagiária e escrevi legendas. Viajei e escrevi manchetes. Perdi-me , reencontrei-me, voltei a perder-me. Fiquei desempregada. Decidi (re)aprender a viver.Produzo conjugações de caracteres com muitas formas. Alimento um diário que se tornou público e que me aquece aquilo a que chama alma [Dias de uma princesa]. O que mais gosto: escrever histórias. Histórias de amor. Seja qual for a forma de amar.Sou mãe, apaixonada, orgulhosa, galinha e chata, de dois rapazes. Sou a mesma miúda de Almada que ouvia músicas em repeat num quarto desarrumado com vista para o Tejo. Sou suburbana, mimada e menina-do-meu-pai. Sou mãe. É essa a minha essência.

 

7h00 de mais uma manhã atarefada mas com tempo para se fazer tudo com alguma tranquilidade – só não sabia que seria só por uns minutos…
Uma criança para vestir, lavar, pentear, mimar e um peixe esquecido numa água esverdeada por tantas outras prioridades.
Mas hoje dava tempo e impunha-se e muito bem a atenção ao Tomás Nemo.
Confesso que peixes nunca foi o meu forte (mas ofereceram-lhe!) e mudar a água deles sabendo que os tenho que tirar para um recipiente e que nos podem presentear com saltos acrobáticos do mais impressionante que há, é algo para mim aterrorizador.
Sempre tive a sorte de conseguir convencer de tempos a tempos amigos ou familiares para me ajudarem nessa tarefa. Mas hoje não podia adiar mais e eis que sem medos arrisco-me confiante!!!
Passo a primeira fase,mesmo que a muito medo e num sufoco, mas com distinção.
Lavo o aquário, e preparo-me para o devolver ao seu habitat quando me surge um Gabriel na cozinha com um doce e ternurento “bom dia“! – mas o Suficiente para eu olhar para trás e tentando esconder o meu nervosismo salta-me o Tomás para o meio
Do chão da cozinha.
P Â N I C O. I M P O T Ê N C I A.
Impotência é a palavra e profunda inércia.
“Gabriel.. filho… o Tomás Nemo tem  que ir para o aquário, sabes? Tenho que o apanhar e com as mãos molhadas… consegues filho? agarrar nele porque ele escorrega-me? É fácil!!! ”
E encorajei-o… mesmo… mas, infelizmente, sem sucesso.
“oh mãe é só agarrar nele não faz mal, e ele já esta molhado!”
Pois é.. Inércia. impotência.
Tentei. Não consegui. Que vergonha! Que parvoíce esta! E o tempo não pára, nem o peixe … e o olho dele … de lado… ai!ai!ai!
Nisto já estava mais que atrasada! Pronto, vamos vestir Gabriel rápido! E seguem-se as desculpas, a profunda culpabilizacao a mim própria etc… Demorei cerca de 10 minutos,  seguida sempre de inúmeras questões pelo pequeno Gabriel, e saímos de casa com a promessa de um novo peixe. Ao saír cruzo-me com o porteiro, que cumprimento na rotina diária e eis que dou uma volta imediata de 180º:
“Sr. Adenilson, importa-se de subir comigo e me ajudar a apanhar um peixe que me saltou pro meio do chão e eu não consegui apanhar?”
E ele pergunta : “Foi há muito tempo?”

Na realidade já tinha sido há cerca de 15 minutos, mas com vergonha, assumo, menti: “Não!.. foi há cinco minutos!”

Subitamente agarra nas chaves, fecha a portinhola e diz:
“Vamos menina vamos já!” E eu sem hesitar : “Sim vamos!” E esquecemos elevador, fomos a correr pela escada seguido do Gabriel! E como um espia sôfrego e determinado entra-me pela casa em direcção aos quartos e eu grito “Não! nao é por aí! é por aqui na cozinha!” e ele inverte o sentido em passo de corrida.
Abranda quando se depara com o Tomás e aproxima-se cuidadosamente. O Gabriel também. Eu, medrosa e envergonhada assisto encostada à porta, ao Tomás a entrar na água limpinha e preparada mas eu, sem esperança nenhuma.
O porteiro deita o peixe na agua e no seu sotaque brasileiro começa a soprar para dentro de agua: “Vai Rapá! Réspira rapá! E soprava..soprava… soprava!!! E aí moleque?!”
E olha para mim com um sorriso em crescendo dizendo: ele
“Tá mareado dona…. Tá zanzando da cabeça! “

Soprou mais duas vezes e o porteiro e o meu filho: “ehhhh já tá bom!!! Tá vivo!!!! Viva!!!! “

Não queria acreditar…. Só disse: cheguem-se para lá, vou pô-lo
no seu sitio para ele ver que a vida continua, e está tudo normal!!!
O meu sorriso, meio tímido mas a saltar de felicidade por dentro tal como o do Gabriel , e o porteiro também!  Reconheço a minha limitação, mas não me deixei vencer e a solução tem que estar por perto sempre! Tratei desde então daquele peixe como ninguém e tornei-me uma  expert no assunto.

E quanto ao Tomas Nemo , é um peixe do outro mundo, e eu devo ser uma alien para ele.

Já esta connosco ha 5 anos.

para Up To Lisbon Kids

 

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A maternidade nasceu comigo. Correu-me nas veias desde o meu primeiro suspiro ao sair da barriga da minha mãe. Quando me imaginava adulta, imaginava-me sempre dentro de uma casa linda e com uma catrefada de filhos por ali ao meu redor. Todos morenos, todos vestidos de igual, todos lindos.

Sempre fui aquela miúda a quem os pais das crianças pediam para dar um olho aos pequeninos porque eu tinha imenso jeito e paciência, diziam eles. Os crescidos. Tirei o curso de educadora de infância, não apenas para poder trabalhar com crianças, mas porque me imaginava a cumprir o meu papel de mãe na perfeição e nada melhor que um curso de educadora para me por no topo dos conhecimentos de como ser mãe e educar. Sempre tive certezas em relação aos meus filhos. As certezas foram todas pelo ralo! E não foi preciso muito…

Bastou ver os dois riscos encarnados naquele baton branco. É impressionante como somos sempre tão certas em relação aos filhos dos outros e com os nossos isso nunca acontece.

A partir daquele instante, tinha uma vida a crescer dentro de mim. 25 anos a sonhar com aquele momento. E naquele preciso momento, tão esperado, encontro-me lavada em lágrimas.

Algumas de alegria, outras de incrudelidade. (Como se eu não tivesse feito de propósito para aquilo acontecer.) Mas a maior parte das lágrimas eram de medo, de ansiedade, de respeito. Segue-se a ida ao médico, a confirmação daquilo que já sabíamos e a ecografia com um feijão minúsculo e feio que ninguém consegue interpretar. E um coração a bater. O coração do nosso filho! Que raio! Este milagre da vida é tão grande!!! Como é que conseguimos ter um coração a bater nas nossas entranhas?! E como é que aquele compasso acelerado consegue mexer com todas as nossas ligações nervosas e com todos os músculos no nosso coração e deixar-nos extasiadas de amor, de felicidade!!!

O nascimento dos meus filhos trouxe-me o maior dos sentimentos. Com todas as expressões clichê que se pode encontrar alguma vez escritas. O maior dos maiores amores. O maior dos maiores terrores. Temos medo de perder um pai ou uma mãe, temos medo de perder um marido, até um cão. Mas só de pensar em perder um filho, até nos falta o ar.

E eu que me achava a super conhecedora mãe, formada em educação de infância e possuidora de todas as respostas para todas as dúvidas, percebi que afinal, os filhos são os nossos maiores professores.Que nos ensinam a amar, a respirar, a não ter pressa, a desvalorizarmos o que, até então, achávamos que era um problema.

De repente, passamos para segundo plano. Vivemos em função dos horários das maminhas, dos choros, dos sorrisos. Os dias passam a ser contados pelas horas de amamentação. Os anos passam a ser contados pelo aparecimento dos dentes, pela primeira sopa, pelos primeiros passos.

Percebemos que somos tão mais pequenos e tão maiores do que pensávamos. É contraditório. Mas ao mesmo tempo, os nossos filhos são tão mais e maiores do que nós. Mas nós somos tão maiores por conseguirmos gerar vida dentro de nós.

E de repente, transformamo-nos nas pessoas mais importantes da vida de alguém!!! E isso é mágico! A maternidade não é fácil!

Nada fácil e mente quem disser que sim.

Mas é tão boa!

Por Kiki, Família de 3 e 1/2
para Up To Lisbon Kids

Uma boa mãe ama os seus filhos

Uma boa mãe amamenta – por seis dias, seis semanas, seis meses, ou seis anos, porque sabe que é o melhor, porque é natural, porque tem apoio, porque pode e consegue, porque é mais fácil, porque na verdade ninguém tem nada a ver com isso.

Uma boa mãe dá suplemento raramente, ou dá de vez em quando ou dá sempre, porque tem que ser, porque não têm apoio à amamentação, porque tem apoio mas não consegue amamentar,  porque é mais fácil, porque a bomba não vai fazer o que é suposto , porque na verdade ninguém tem nada a ver com isso.

Uma boa mãe consome produtos biológicos porque pode, porque quer, porque tem canas de pesca, porque os filhos gostam e vão mesmo comê-los, porque não têm outra opção, ou talvez tenha.

Uma boa mãe trabalha fora de casa porque tem de ser, porque quer, porque gosta, porque quer ensinar aos filhos que a mulher tem um papel activo no mundo do trabalho, porque é a melhor escolha para a sua família.

Uma boa mãe fica em casa com os filhos porque tem de ser, porque quer, porque gosta, porque quer ensinar aos filhos que a maternidade pode ser um trabalho a tempo inteiro sem culpas nem desculpas, porque é a melhor escolha para a sua família.

Uma boa mãe faz bolinhos. Uma boa mãe não faz bolinhos. Uma boa mãe tenta fazer bolinhos e faz discos de hockey no gelo.

Uma boa mãe planta um jardim orgânico, e tem uma casa imaculada. Uma boa mãe planta-se na sala a dobrar meias, e tem pelo menos um desenho rabiscado na parede.

Uma boa mãe nunca grita com os filhos. Uma boa mãe grita com os filhos e de seguida pede desculpas por ter perdido a paciência. Uma boa mãe grita com os filhos e não pede desculpas, porque de vez em quando as crianças precisam de saber que passaram dos limites.

Uma boa mãe sabe quando precisa de descansar, e descansa.  Uma boa mãe sabe quando precisa de descansar mas nem sempre o pode fazer. Uma boa mãe nem sempre se apercebe que precisa de descansar, e depois dá consigo a fazer ou dizer coisas que todas as boas mães fazem e dizem quando estão cansadas demais para pensar e agir em condições.

Uma boa mãe vai a todas as festas da escola. Uma boa mãe às vezes não pode ir às festas da escola. Uma boa mãe tenta compensar quando não vai às festas da escola.

Uma boa mãe toma conta dos seus filhos. Uma boa mãe por vezes não pode tomar conta dos seus filhos. Uma boa mãe pede ajuda. Uma boa mãe, às vezes não tem quem a ajude.

Uma boa mãe, por vezes, escolhe dar um filho, por mais que o seu coração morra para sempre, porque é a única solução que existe.

Uma boa mãe erra. Uma boa mãe ajuda outra mãe quando erra. Uma boa mãe, por vezes, não se lembra de ajudar outra mãe quando a vê errar.

Uma boa mãe perdoa.

Uma boa mãe preocupa-se.

Uma boa mãe tenta ser uma boa mãe.

Uma boa mãe ama os seus filhos.

 

Por Annie Reneau para Scary Mommy, autorizado, traduzido e adaptado por e para Up To Kids®