Quem tem filhos em idade escolar, sabe o quanto é trabalhoso pensar e preparar a lancheira de maneira a não colocar lá dentro bolachas, bolachas com chocolate, bolicaos, sumos cheios de açúcar,etc…

Por vezes pensamos ser mais simples e mais rápido para nós, mas é com certeza o menos saudável para eles e que poderá ter consequências graves para o seu futuro, para além de ser uma opção inadequada é também muito mais dispendiosa para os bolsos dos pais.
Montar uma lancheira saudável e apetitosa para as crianças é uma tarefa que exige criatividade. Haja inspiração para sair do clássico pão com queijo e sumo.
O lanche da escola é uma das refeições do dia do seu pequeno e, por isso, precisa ser nutritiva da mesma forma que as outras refeições feitas em casa.
E nós como pais queremos sempre o melhor para os nossos filhos, por isso, para além da escolha de alimentos saudáveis, é preciso também pensar também na segurança alimentar, que inclui desde a seleção adequada dos alimentos, higiene dos utensílios utilizados até ao armazenamento adequado do lanche.

Selecionar um alimento estragado ou higienizar a lancheira ou garrafa de água de uma forma inadequada pode ser prejudicial à saúde da criança e causar transtornos como diarreia, febre e falta de apetite.

Para evitar isso, selecionamos algumas dicas para afastar esses riscos:

  • Escolha frutas com cascas íntegras, brilhantes e com aspecto de recém-colhidas. Buracos ou amolgadelas nas frutas podem aumentar o risco de contaminação. As frutas da estação podem ser uma ótima alternativa por serem mais frescas e serem mais baratas. Opte por enviar as frutas ou tiras de vegetais crus devidamente higienizadas dentro de uma caixa hermética. A sugestão mais adequada para lhes colocar na lancheira poderá ser maçã, pêra, banana, uvas, morangos, cenoura, pepino, tomate cereja.
  • Procure substituir o pão de forma comum pelo pão integral e incluir legumes e folhas no recheio.
  • Atenção à validade. Se ela estiver vencida, o alimento pode conter microrganismos nocivos à saúde.
  • Utilize sempre lancheiras térmicas, para que possam efeticamente conservar os nutrientes e manter a temperatura do lanche. Principalmente, se tiver frios, leite e iogurte.
  • Utilize saquinhos e embalagens próprios para alimentos para separar a porção do lanche.
  • Lave bem as mãos com água e sabão antes de preparar o lanche.
  • Higienize a lancheira e a garrafa de água antes e após o uso para tirar resíduos de alimentos.
  • Outra dica infalível é diversificar a lancheira: prefira alimentos naturais e caseiros, respeite a quantidade para a idade do seu filho.
  • Peça-lhe ajuda para preparar o seu lanche, aceite as suas sugestões, explique-lhe porque uns alimentos são mais adequados que outros, partilhe esse momento com a criança, que ficará mais motivada a comer o lanchinho.

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O regresso às aulas está a chegar!

Temos sido abordados com algumas dúvidas sobre as mochilas escolares, e como tal, pensámos em escrever este artigo com algumas dicas fundamentais na hora de escolher a mochila para os nossos filhos!

Cada vez mais tem sido demonstrada a relação directa entre o uso incorrecto das mochilas escolares e o aparecimento de sintomas, nomeadamente dor na coluna vertebral nas crianças. O uso de uma mochila demasiado pesada ou mal posicionada poderá levar a uma alteração da curvatura fisiológica e normal da coluna, obrigando as crianças a adoptarem uma postura mais inclinada para a frente, o que a longo prazo se poderá traduzir em sintomas e lesões a nível da coluna e musculatura cervical bem como a nível da cintura escapular. 

colunaimagem@centralpe.com.br

Assim, quando escolhemos a mochila, é importante ter atenção a alguns pormenores que poderão fazer toda a diferença no futuro dos nossos filhos:

  • Tamanho – Escolha uma mochila de tamanho adequado ao seu filho.
    Uma mochila deve ter mais ou menos o tamanho da altura do tronco da criança.
  • Design – Uma boa mochila deve ter as alças largas, ajustáveis e almofadadas.
    Deverá idealmente ser almofadada junto às costas para maior conforto, e deverá ainda ter um cinto que posssa prender à cintura. Apesar de não ser prático e apesar deste cinto não ser encontrado na maioria das malas escolares, permite que a mala fique mais justa ao corpo com menor carga para a coluna. CERTO ERRADO 2
  • Posição – As alças deverão ser ajustadas simetricamente, e de forma a que a mochila fique justa ao corpo da criança, com o limite superior a nível dos ombros e o limite inferior nunca mais de 5cm abaixo da linha da cintura da criança. A mochila deverá ser sempre utilizada nos dois ombros! 

 

  • Peso – O peso ideal de uma mochila já com todo o seu conteúdo, não deverá nunca ultrapassar os 10% do peso da criança.
    É também muito importante a distribuição do peso, sendo que as coisas mais pesadas devem ser dispostas na vertical e na zona mais junto ás costas da criança. Quando for impossível que a mala tenha um peso até 10% do peso da criança, será mais adequado optar por uma mala de rodinhas, tipo troley. mochilas

RESUMO

mochilas (2)

Esperamos que estas dicas vos sejam úteis!!!
Bom regresso às aulas!!!!!

Por André Pedras, para Up To Kids®
Todos os direitos reservados

imagem@locker/

É no mês de Setembro que grande parte das crianças regressa à escola, e os piolhos também!

Para os pais que não colocaram pela primeira vez os filhos na escola, a questão é: – “ – Quem não recebeu já uma circular da escola, sobre piolhos? “

E a sensação de “comichão na cabeça” que a leitura dessa circular provoca? Recordam-se?

Vamos falar sobre estes “ animais” e evitar que se tornem de “estimação”!

Antes de mais, é bom esclarecer que os piolhos não transmitem doenças e não aparecem por maus cuidados de higiene. São insectos mas não voam, nem saltam. E as complicações mais habituais devem-se a feridas no couro cabeludo, consequência do coçar, ou em casos mais raros, aumento dos gânglios linfáticos da região do pescoço. Neste duas situações sugiro sempre uma avaliação do Pediatra.

Conhecer o ciclo de vida do piolho ser-lhe-á útil para tratar mais eficazmente a infestação.

O piolho adulto fêmea põe os seus ovos presos ao cabelo o mais próximo possível do couro cabeludo, para terem mais calor e incubarem melhor.  A região preferida é a nuca e por detrás das orelhas.

Passados  cerca de 8-10 dias, o piolho jovem sai do ovo, e permanece colado ao cabelo, já vazio. O piolho jovem ou ninfa demora cerca de 7-10 dias a atingir a fase adulta, a acasalar e a pôr ovos (Lêndeas) . A vida média de um piolho é de aproximadamente 30 dias e um piolho fêmea pode pôr uma média de 7 ovos por dia. Os piolhos “comem” (picam) sangue do couro cabeludo a cada 4 horas. Fora do Homem morrem em 24 horas, por isso os objectos não são uma fonte importante de contágio.

As Lêndeas,  têm um aspecto branco-amarelado, ou até acastanhado, estão agarradas ao couro cabeludo e não se soltam com  água.

Por vezes confundem-se com caspa, mas o truque, é soprar, se se desprende é caspa, se ficou agarrado ao couro cabeludo, acabaram de descobrir umas lêndeas!

Os Piolhos fogem rapidamente quando se aponta luz, o piolho é de cor escura, por isso recomendo pentear o cabelo com um pente com pouca distancia entre dentes e um fundo branco (uma toalha sobre os ombros)

Os Piolhos vivos são os que provocam comichão e fazem com que a criança se coce com muita frequência, sinal que por vezes desperta a atenção dos pais e posteriormente o diagnóstico da presença de piolhos. É muito comum as crianças que já tiveram piolhos  se auto –diagnosticarem, pedindo  aos pais uma avaliação das cabeças.

Tal como já disse anteriormente,  os piolhos não voam, nem saltam, o contagio faz-se por contacto direto,  de fio de cabelo para fio de cabelo! Cabeça com cabeça. É certo que não é impossível, mas menos comum (esperança de vida Piolho = 24h sem contacto com o humano) o contagio por bonés, gorros, acessórios de cabelo, os piolhos não são aventureiros!

O tratamento da infestação por piolhos consiste em muita paciência e em aplicar um produto pediculicida. Pentear com periodicidade, com pente próprio é importante para eliminar os piolhos mortos. Existem dois tipos de tratamento no mercado à base de insecticidas (Permetrina 1%) ou tratamento sem insecticidas (Dimeticona). Em ambos deve seguir as recomendações do produto e do Pediatra. As que são mais fáceis, para as crianças são as loções que se aplicam com o cabelo seco e lavagem a seguir. Nenhuma destas duas vias de tratamento deve ser utilizada de forma preventiva no dia-a-dia.

Recentemente o British Medical Journal , publicou um estudo, sobre o “Octanediol” uma substância que para além de muito eficaz no tratamento, também pode ser usada como repelente de piolhos, mas depois de uma pesquisa exaustiva, não encontrei nenhum produto comercializado em Portugal.

Chegou recentemente a Espanha um produto (spray) que os responsáveis pela marca asseguram que a aplicação 2 vezes por semana, é o suficiente para fazer desaparecer os piolhos da nossa vida.

Sendo assim, temos que aguardar que este “milagre” chegue a Portugal e que as circulares sobre os Piolhos deixem de chegar às nossas casas.

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As aulas vão começar. Por um lado, o alívio de já não ter de gerir o tempo livre dos miúdos com os nossos dias cheios de trabalho. Por outro, o aperto no coração de os saber a crescer e a viver mais desafios e a ultrapassar barreiras longe das nossas asas. Mas a vida é assim, e ser mãe e pai é tudo isto e muito mais.

Não quero falar do que é o regresso às aulas. Quero falar da importância que temos durante o ano letivo.

O ano passado a minha filha entrou na escola portuguesa já quase com dois meses de aulas, depois de regressarmos a Portugal. Dias depois vi o anúncio, na porta da escola, que havia reunião de pais, e pensei que tal como em Inglaterra, seria uma coisa fechada. Já estruturada.

Com muita gente a trabalhar e deixei-me estar.

Até que percebi que não. Que eram menos de seis pessoas cheias de boa vontade de fazer algo pela escola mais antiga do agrupamento e a precisar de muita coisa.

Fui a uma reunião. A duas. E rapidamente senti que estava em casa, junto de pais, que também eles, pelo meio das suas vidas profissionais, consideram a escola mais do que o sítio onde os filhos ficam para aprender a ler e a escrever.

Juntos arregaçámos as mangas. Deitámos mãos ao trabalho tentando arranjar solução para os problemas mais urgentes.

Tivemos a sorte de ter grande abertura junto das entidades responsáveis e em menos de seis meses conseguimos uma horta pedagógica, algumas obras na escola, participação nas festas e colaboração na organização das mesmas.

De Janeiro a Junho não chegámos a dez no núcleo duro! Somos poucos, mas fizemos muitos e passámos o Verão, por entre as férias, a “chatear” quem de direito e a trabalhar no que era preciso para que coisas novas acontecessem no ano letivo que agora se vai iniciar.

Conseguimos!

Onde é que quero chegar?

Que este ano olhem para a escola dos vossos filhos. Seja ela privada ou pública.

Mais do que escola é o sítio onde, durante cerca de nove meses, os nossos filhos passam mais tempo do que connosco durante a semana.

É o sítio que os está a preparar para a vida. Mas não é só a ler, a escrever, a contar, a saber inúmeras coisas. É também a saber estar na vida, na sociedade. A existir entre todos. A saber estar. A crescer como Ser Humano.

Não teremos nós de estar também, de alguma forma, presentes nesta instituição?
Que se desmistifique que os elementos das Associações de Pais são mães e pais desocupados ou desempregados. No meu caso somos poucos e todos trabalhadores. Cada um tem dado o tempo que tem à associação em prol de um lugar melhor, física e educativamente falando, para os nossos filhos.

Não será preferível que eles nos sintam presentes no ambiente escolar? Mais do que os compensar com toda a tecnologia ou todos os seus pedidos de brinquedos e afins?

Posso dizer-vos que por muito pouco que tenha feito, para a minha filha é muito! Não esqueço o brilho de orgulho nos seus olhos, quando na festa de Carnaval, me viu atrás do balcão a servir cachorros quentes. Tão simples, quanto isto! Ou o sorriso que lhe vi quando veio com alfaces e rabanetes da escola para casa!

Que memórias guardará de mim, um dia? Estas serão certamente algumas delas. Mais do que qualquer outro brinquedo que eu lhe possa dar.

Este ano letivo descontraiam das obrigações que os livros ditam sobre o ter filhos e o educar e abracem a vida escolar dos vossos filhos, conforme puderem.

O mais pequeno gesto fará a diferença. E disso nem vocês nem eles se irão esquecer.

Bom ano letivo.

Por Irina Gomes, para Up To Kids®
Todos os direitos reservados

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Encarregados de educação ou condóminos? Reunião de pais ou condomínio?

Inicio do ano letivo. Primeiro começam os gastos com os livros e o material escolar, estupidamente caros … diria mesmo ridículo.
Há escolas a pedirem tablets para crianças que frequentam a primária. Imagino quando chegarem ao secundário. Por essa altura, a viagem de finalistas já deve ser à lua! E livrem-se os pais que não arrotem com uns milhares de euros para o efeito porque as crianças ainda ficam traumatizadas à nossa conta! Há que saber dizer NÃO!

A minha filha tem uma lista girissima para presentes de anos e, amorosa, diz que fica à minha escolha. Tenho 3 hipóteses: um Iphone, que pode não ser novo em folha mas não pode estar partido ou rachado, um mano, que não pode ser adoptado ou um cão, que pode ser adoptado! Eu tenho uma lista de coisas que lhe expliquei : 1) Tive um iphone, pela primeira vez aos 40 e, só o acabo de o pagar este ano, com uma obrigação a um contrato com a operadora; 2) Não quero ter cães porque vivemos num apartamento; 3) Um mano não é um brinquedo que se oferece nos anos … – Mãeeeeeeee! – Não, é não, minha querida, não é talvez ou vou pensar nisso!

Ler também “Regresso à educação, a crise do “Não””

O assunto fica assim resolvido.

Ahhhh e depois chegam as reuniões. Aí conhecemos várias espécies de pais:

  1. Os orgulhosos, que fazem questão de falar das notas dos exames ou do quanto os meninos cresceram nas férias, e quando se cruzam connosco no fim de cada período perguntam sempre pelas notas dos nossos para poderem fazer aquele papel condescendente depois de lhes dizermos, orgulhosos, que o/a nosso/a teve três 4’s e o resto 3: “Isso é uma fase, vai ver que melhora. O meu Zé teve tudo 5, mas também tem alturas em que tem 4 a educação física…;
  2. Os histéricos, que estão tão entusiasmados com o início das aulas que não falam, gritam durante as reuniões, apesar de não terem NADA de interessante para transmitir. Falam pelos cotovelos, são super descritivos, monocórdicos e dominam grande parte das reuniões com assuntos de cácá: –A MINHA MARIA CAETANA DEMORA ALGUM TEMPO A ESCREVER MAS SE OS PROFESSORES TIVEREM PACIÊNCIA AS COISAS VÃO CORRER BEM! ELA TAMBÉM COME DEVAGARINHO, MAS TODOS NÓS SABEMOS QUE É MAIS SAUDÁVEL ASSIM. SÓ ESPERO QUE OS AUXILIARES TENHAM PACIÊNCIA E BLÁ BLÁ BLÁ…;
  3. Os nerds, escrevem TUDO e sabem TUDO. Só têm dúvidas sobre o powerpoint com os horários e regras: “Sr.Prof. aquilo é um H ou um F?”;
  4. Os videntes, são os que já prevêem o pior! Fazem as perguntas mais ridículas da vida, como “Estou mesmo a ver aquilo que vai acontecer. Como é que o meu menino vai conseguir estudar para 10 disciplinas?” ou “Como é que é dos testes?” . São aquele tipo de perguntas que ninguém percebe o objectivo, nem tampouco o próprio;
  5. Os graxistas sentam-se, quase sempre na linha da frente, estão em constante contacto visual com o professor e dizem que sim com a cabeça durante a reunião TODA! Imitam todas as expressões do professor e defendem-no até à morte. Ex: Se o professor diz “Oh Mãe, eu já tinha explicado isso no inicio da reunião.”, os graxistas-papagaios repetem, “O professor já tinha explicado isso no inicio da reunião”. Sentem a escola como um outro filho, se têm lá os filhos é porque a escola é tão perfeita como os próprios filhos;
  6. Os “tirem-me deste filme” que quando o professor pergunta se há alguma pergunta a fazer, metralham olhares fulminantes na esperança de um silêncio, seguido de um FIM DE REUNIÃO. Mas não! Há sempre um encarregado de educação indignado com a ementa escolar ou furioso com a hora a que o menino sai das aulas ”Porque o meu Joaquim não tem tempo nenhum para estudar!”. E como é óbvio, a melhor altura para falar do tempo médio que o filho da Zéza leva a secar a juba, é quando estamos numa reunião com um director de turma. Os encarregados de educação “tirem-me deste filme” são aqueles que saem a correr depois do 3º encarregado de educação querer falar sobre o problema de visão da filha e a razão pela qual a menina precisa de ficar nas mesas da frente. Saem, literalmente, a correr porque descobriram que têm uma reunião na liga portuguesa de-pessoas-que-querem-partir-a-cara-a-um-pai que-não-sabe-que-uns-óculos-resolvem-o-problema-de-visão-da-‘nina!
  7. Os fantasmas são os que nunca ali estiveram porque estavam a enviar emails, a responder a convites e a cuscar coisas sem relevância no facebook. Voltaram à época da escola e acham que o professor nem se apercebeu daquele telefone escondido por detrás da mesa que reflecte aquela luz nos seus olhos… quase parecia poesia. De vez em quando levantam a cabeça e acenam. Quando todos se riem também se riem, quando todos se indignam também se indignam. São fáceis de identificar porque às vezes riem-se fora do tempo e não fazem puto ideia do que é que se passa ali. Passado 1 mês já nem se lembram se foram à missa ou a uma reunião naquele dia.

Eu, fico na dúvida se fui a uma reunião de condóminos ou a uma reunião de pais… Acho que já passei algumas fases das que aqui descrevo, nunca fui só “tirem-me deste filme”, este ano até ia com a ideia de falar sobre alguns assuntos que considero relevantes. Mas acabou por ser mais um ano em achei melhor guardar estes assuntos para outra altura.

Bom ano lectivo a todos!

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“livros, cadernos, TPC’s, agitação e stress, queixas da professora”

Será assim que muitos pais definem o início do ano escolar. Entre os horários dos pais, os trabalhos de casa, as actividades extra-curriculares e as rotinas diárias, as famílias acabam por ter pouco tempo para interagirem com qualidade, ao contrário do que acontece nas férias.

Mas, não tem de ser assim. As seguintes estratégias podem ajudar a contrariar a correria, trazendo alguma qualidade de vida para o seu dia-a-dia:

– reveja a sua hora de dormir e a dos seus filhos: dormir bem e descansar é fundamental para que, no dia seguinte, acorde com mais energia e mais confortável. Ir um pouco mais cedo para a cama, vai permitir que se levante mais cedo e com uma maior sensação de bem-estar;

– em vez do velho despertador ou do apito do telemóvel, experimente acordar ao som da(s) música(s) que mais gosta e, de preferência, aquelas que lhe dão vontade de pular e dançar. O seu cérebro irá libertar substâncias que lhe darão mais bem-estar e o dia começa bem melhor;

– se o seu filho(a) tem um despertar “difícil” nos dias de escola (e ao fim de semana acorda incrivelmente às 7h da manhã!), provavelmente não estará a descansar ou suficiente ou alguma situação relacionada com a escola o estará a deixar desconfortável. Pode experimentar a estratégia anterior e, simultaneamente (mas noutra altura do dia), falar com ele no sentido de perceber se algo se passa;

– evite o stress ao pequeno-almoço. A primeira refeição deve ser feita calmamente e sem pressas. Se o dia começa apressado é provável que o seu filho permaneça agitado ao longo do dia, chegando ao fim bastante mais cansado e rabugento;

– durante o jantar (ou preferencialmente após a refeição), procure conversar sobre o dia na escola e partilhe, também, o seu. É provável que a criança ofereça alguma resistência na fase inicial, mas não desista e continue a partilhar os seus momentos. Um dia ela começa, espontaneamente, a partilhar também os seus. E acima de tudo não traga os “ralhetes” da professora para a hora das refeições;

– quando a criança vem da escola, permita que brinque um pouco antes de fazer os trabalhos de casa. Podem criar em conjunto um quadro de horários /actividades diárias, colocando-o num local acessível e visível para todos. E cumpra o que estabeleceu. Se um dia deixa brincar e no outro não (por exemplo, porque está atrasada/o), a criança deixa de saber com o que conta e vai tentar brincar fora do período acordado.

– no fim de semana retire, pelo menos, uma parte do dia em que fica totalmente disponível para as crianças e para os momentos de lazer. Brinque, jogue, dê passeios e verá renascer a sensação de quando estão em férias.

Apesar das crianças serem habitualmente enérgicas e ativas, também precisam de pausas e de momentos mais calmos.
Tenha presente que se os pais estiverem agitados é certo que os filhos também irão ficar.
Tente prevenir e evitar o mais possível as situações de stress nas actividades diárias e verá que a qualidade de vida em família melhorará, substancialmente.

Helena Coelho, para Up To Kids®
Todos os direitos reservados

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Faltar para Estudar

Nas minhas aulas de Aikido para crianças, a justificação mais frequentemente apresentada para o absentismo é de longe a necessidade de ficar em casa a estudar para um teste ou exame da escola. Dou aulas a crianças com idades entre os 6 e os 14 anos, idade a partir da qual passam a integrar as classes de adultos, e a criança mais nova a dar-me esta justificação tinha 8 anos.
Confesso que não consigo deixar de ficar perplexo por uma criança desta idade, inteligente e saudável, me dizer que tem que faltar a uma semana de Aikido — no caso foi o que aconteceu — porque tem testes na escola. Que matérias são pedidas na escola do meu aluno de 8 anos que justifiquem que este precise de abdicar de duas horas semanais de uma actividade física e mentalmente estimulante para obter boas notas? Não consigo imaginar. Um outro aluno, de 12 anos, disse-me um dia ao conversarmos no fim da aula: “Os meus pais obrigam-me a estudar duas horas por dia, todos os dias. Só no dia de Natal me deixam não estudar e o que eu acho estranho é que as minhas notas são positivas mas não são muito boas!”

Mesmo partindo do princípio de que os programas escolares possam em alguns casos ser demasiado exigentes, estou convencido de que estes casos são acima de tudo fruto de uma pressão cultural e do ambiente em que habita cada criança.

Pressão da família, da própria escola, por vezes dos amigos.

O clima de competitividade exacerbada em que vivemos será talvez o principal motor deste fenómeno, mas também o medo dos pais de um futuro incerto para os filhos pode aqui ter o seu papel. O medo de uma vida exposta aos perigos da rua, mas também de um tempo que virá em que os mecanismos de solidariedade do Estado se prevêem quase inexistentes, leva a que muitos vejam a competência nos estudos como a melhor garantia de uma idade adulta descansada.

Também a visão tipicamente ocidental do ser humano enquanto tal — uma separação clara entre corpo e mente, carnal e espiritual — contribui para este quadro. Caricaturando um pouco, é como se se considerasse que dentro de cada ser habitam duas entidades, uma regida pelo coração e outra pelo cérebro, sendo que aquela à qual é dado real valor, é a segunda. Considero esta concepção do Homem não só errada mas também perniciosa e, mesmo, filosoficamente insustentável. Nunca ouvi ninguém dizer que tinha mais amor pelo seu cérebro do que pelo coração, é certo, mas é assim que como sociedade, mesmo que de tal não nos demos conta, agimos.

Temos finalmente a evidente sub-valorização das actividades ditas físicas ou de educação física (sendo que o Aikido não é puramente nem uma nem outra) quando confrontadas com as restantes actividades académicas. A nossa sociedade coloca no topo de uma hierarquia implicitamente aceite as disciplinas das ciências e engenharias; dá um segundo lugar às humanidades; situa as artes abaixo das duas anteriores e, no fim da tabela, surgem as actividades físicas. É um sistema valorativo que tem tanto de cultural como de injusto e mesmo injustificado.

Que futuro desejamos para os nossos filhos?

À pergunta “que futuro deseja para o seu filho?”  Será muito mais provável ouvir-se respostas como “gostava que fosse médico” ou engenheiro, do que “gostava que fosse um ser humano apto para a vida”. Mesmo quem diz apenas “eu quero que ele seja feliz”, não está a grande maioria das vezes, quase de certeza, a equacionar a hipótese de o filho vir a ser profissional de Andebol ou técnico de jardinagem. E no entanto, se pensarmos bem, não há nada que nos permita relacionar directamente o grau de felicidade com os estudos que se tem. Projectar o futuro é humano e inevitável; perceber que aquilo que projectamos, mais ainda se o projectamos em função de terceiros, pode não acontecer, é desejável.

Chegado a este ponto, é preciso deixar claro que não falo neste texto de casos com necessidades específicas, sejam elas quais forem. Refiro-me apenas à grande maioria das crianças que tenho nas minhas aulas e que são em geral saudáveis e provenientes de um ambiente familiar estruturado. Há sempre casos particulares ou excepcionais. Estou convencido, evidentemente, de que uma criança mais bem preparada na escola terá à sua disposição mais ferramentas para a idade adulta; aquilo em que não acredito é que uma criança tenha um melhor desempenho académico se cortar nas actividades físicas normais para as trocar por horas de secretária. Não tenho dúvida de que há muito por onde cortar no dia-a-dia de grande parte das nossas crianças, antes de chegar às actividades físicas.

Acresce ao até agora dito, que tudo o que tenho consultado sobre a matéria é consensual no que diz respeito aos efeitos benéficos do exercício físico no desempenho escolar das crianças. A média de uma hora de actividade física diária surge, frequentemente, como desejável para que se façam sentir os seus efeitos nos resultados académicos (e na saúde em geral, embora não caiba aqui tratar esta matéria).

Os benefícios mais referidos de uma actividade física regular nos moldes acima descritos, são:

  • Maior oxigenação das células do cérebro, nomeadamente das implicadas nos processos de aprendizagem, por via de um aumento do fluxo sanguíneo a este órgão;
  • Aumento da produção das hormonas úteis no combate ao stress e para uma melhoria da disposição geral;
  • Maior capacidade de concentração.

Outro benefício geralmente referido, não directamente relacionado com questões de saúde, é o do papel da aprendizagem de regras em ambiente desportivo num melhor desempenho social das crianças (no caso do Aikido, não sendo embora um desporto, o conceito aplica-se plenamente). Um exemplo disto será a melhoria do comportamento verificado nas salas de aula.

As escolas têm, claro, uma oferta desportiva própria. Não só a incluída nos horários regulares, mas também a que algumas já hoje oferecem como actividades extra curriculares e que vão do Judo à Canoagem. Acontece que é tudo ainda muito insuficiente. A carga horária semanal da disciplina de Educação Física, variando conforme o ano, não andará muito longe das duas horas, duas horas e meia. Os intervalos não chegam para compensar e grande parte dos edifícios escolares não tem sequer boas condições para que tal pudesse acontecer. É por isso fundamental que as crianças complementem a sua actividade com disciplinas fora do horário académico, sejam elas na própria escola ou fora dela.

Não falei aqui, deliberadamente, dos benefícios próprios do Aikido. Fi-lo porque já escrevi sobre isso noutros locais e porque pretendo que este artigo sirva fundamentalmente para chamar a atenção dos pais para o erro que penso ser cortar nas actividades físicas dos mais novos a favor de muito pouco em estudo para testes ou exames. Não sendo um profissional de saúde infantil, estou profundamente convencido de que uma criança plenamente formada física e mentalmente é a condição essencial para um adulto apto para a vida. Cortar num dos factores será prejudicar o seu futuro.
A chave estará antes numa boa organização do tempo que, apesar da vida complicada dos nossos dias, estou convencido ser possível.

 

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Sou mãe de uma menina de quase 3 anos, que ainda só frequenta a creche. No entanto, hoje a minha preocupação com o sistema escolar ultrapassa já a dimensão profissional, sendo também uma preocupação de mãe.  Porquê tão “cedo”? Primeiro, porque sei que uma estrutura como o sistema escolar, leva tempo a mudar. Segundo, porque a escola dos dias de hoje espelha a forma como as sociedades olham para as suas crianças, para o seu presente e para o seu futuro.  Espelham acima de tudo, a forma como nós, adultos, “vivemos” a infância dos nossos filhos. Preocupam-me essencialmente três erros fundamentais, numa perspectiva que, embora com alguns sinais de transformação, ainda está muito enraizada.

 1. Conceber as crianças como todas iguais ou ter de formatá-las

Um dos aspectos que tem vindo a ser cada vez mais criticado no sistema escolar actual, passa pela dificuldade em acompanhar e acolher a individualidade dos alunos. Com o ritmo, metas e as estratégias pedagógicas adoptadas, a diferença nas crianças rapidamente se transforma numa limitação. A escola organiza-se de forma padronizada, com uma estrutura rígida e pouca margem para adaptações e ajustes em sala de aula. Favorece essencialmente a repetição e a imitação, ambos sinónimos de pouco envolvimento.  Estamos assim a ensinar às nossas crianças que o bom, é ser e fazer igual. Viver normalizado. Ser um aluno de sucesso, fecha-se em limites rígidos de como agir.

Com pouca margem para compreender a realidade emocional e afectiva das crianças, não existem condições para gerir os seus ritmos pessoais e investir na sua motivação. A criatividade e os gostos e/ou talentos pessoais dos alunos passam para segundo plano. Quem não se adapta, fica naturalmente integrado no grupo dos alunos sem ou com pouco sucesso escolar que, aqui entre nós, felizmente tem vindo a crescer. Talvez seja sinal de que já não é assim tão fácil formatar as crianças de hoje. Talvez tenham mais força para resistir…

2. Viver o presente da criança focados no seu futuro

O segundo erro que mais me assusta na escola é a forma como esta olha para a criança e a sua infância. A forma como vê as suas experiências e vivências presentes. Na realidade, integrar uma criança na escola, é iniciar-lhe um treino intensivo para que um dia possa ser o homem ou a mulher que ainda não é. A criança é vista como um projecto inacabado.
Importa o que ela um dia vai ser, como se não fosse já uma pessoa inteira. Retiramos-lhe, assim, o que ela tem de mais precioso na vida,  o “agora”. À semelhança do burro que caminha atrás de uma cenoura que nunca irá alcançar, também nós adultos fazemos o mesmo. Sacrificamos constantemente o nosso presente em nome de algo que não existe, e que há de vir (se tudo correr bem). Fazer isto às nossas crianças é ainda mais cruel. É de alguma forma, retirar-lhes parte da sua infância. Acresce a esta “visão” a lógica de que a criança tem que rentabilizar e “retribuir” à sociedade o investimento que é feito sobre si. Daí a necessidade de rapidamente a tornar eficaz e produtiva, o que de resto se reflecte nas avaliações a que começa desde logo a ser sujeita e de acordo com as quais passa desde logo a ser valorizada e classificada. Recaem sobre os nossos filhos o peso das expectativas e a angústia do possível fracasso. Da parte da criança, a resistência a essa integração forçada e “cobrança” precoce, traduz-se muitas vezes em comportamentos de desajuste, agressividade e rejeição das regras “dos adultos”.

 3. Acreditar que o sucesso escolar é preditivo de sucesso no futuro

Este terceiro erro atribuo-o essencialmente a nós, pais. A passividade com que por vezes aceitamos a forma de vida na qual estamos integrados, leva-nos a assumir, para nós mesmos, medos, angústias e crenças que a experiência, a ciência, ou a simples observação da realidade nos provaram estar erradas. Sucesso escolar não é sinónimo de felicidade.

Sucesso escolar não é sinónimo de sucesso na vida adulta. Podemos, sim, considerar que eventualmente trará melhores oportunidades de trabalho, de remuneração, de carreira promissora. No entanto, é tão fácil encontrar pessoas com carreiras brilhantes mas que escondem depressões, tristeza e insatisfação com as suas vidas, quanto é fácil encontrar pessoas com trabalhos simples, um orçamento apertado, mas que vivem o seu dia-a-dia com alegria, carinho e plenitude.
Quando nós, pais, passamos a acreditar que o sucesso dos nossos filhos se traduz em boas notas, esquecendo que o sucesso está em aprender (porque os nossos filhos estão suficientemente saudáveis e felizes para o fazerem), validamos as avaliações e passamos a atribuir aos nossos filhos um valor em números. Valor esse que nos chega da escola. Saímos do registo saudável do “aprender pode ser bom e saboroso” para o “ter boas notas é importante para o futuro”. Para termos melhores alunos, é no gosto pela aprendizagem que devemos focar-nos, e não tanto na avaliação dos resultados. O que acontece actualmente é que o desejo natural de aprender é “sufocado”, por um sistema desadequado, competitivo e excessivamente exigente. E as nossas crianças entram rapidamente numa corrida desenfreada mas sem rumo, como se de ratinhos numa rodinha se tratassem. Como se isso fosse, um dia, fazê-las feliz.

Há que considerar que no primeiro ciclo, a criança encontra-se numa fase de grande desenvolvimento emocional e vive uma série de conflitos intrapsíquicos que exigem compreensão, aceitação e validação do seu “sentir”. Contrariamente, a escola põe o foco em aprendizagens racionais e passa a mensagem de que importante não é sentir, nem pensar, mas receber do outro o que já está “colectivamente” pensado. O que nós, pais, deveríamos ter como principal preocupação seria que os nossos filhos ultrapassem estes desafios emocionais com sucesso.  Isso sim, é um bom preditivo de uma vida adulta saudável. E uma vida adulta saudável é preditiva de relacionamentos saudáveis, uma boa auto-estima, uma grande vontade de construir e de contribuir positivamente para o próprio e para a vida das pessoas à sua nossa volta. Pessoalmente, é a isto que eu chamo sucesso. As consciências estão a mudar.

É preciso refletir se as escolas de hoje não continuarão a servir um propósito de ontem, estruturando-se como fábricas de trabalhadores, para uma organização social que entretanto já mudou. Este modelo de escola foi importante, até fundamental, durante um período da nossa história. Entretanto, a estrutura social e as consciências continuaram a evoluir. Não terá chegado a hora da escola fazer o mesmo?

A curiosidade por novos modelos pedagógicos tem vindo a crescer. A procura de colégios seguidores do Método Montessori, da Pedagogia Waldorf ou Movimento da Escola Moderna, são alguns exemplos. Uma curiosidade crescente, mas ainda com pouca projecção a nível nacional.

No entanto, parece-me que não deixará de marcar a sua posição, numa altura em que pais e professores se sentem desconfortáveis com a realidade actual. “A ver vamos…”

Eu quero acima de tudo, que a minha filha seja feliz, hoje e sempre.

Por Ana Guilhas, Psicóloga Clínica
para Up To Lisbon Kids®

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O seu filho vai entrar para o 1º ciclo? Quando pensa nisso, como é que se sente? Fica com um brilho nos olhos, sente um aperto no estômago ou dá-lhe um friozinho na barriga?
 
Esta etapa na vida de uma família, costuma trazer consigo entusiasmo, expectativas e sobretudo, muitos receios. Todas as etapas de transição implicam, por natureza, expectativas, dúvidas, medos e às vezes até alguma angústia. Todos os elementos implicados no processo sabem que têm um papel a assumir e querem cumpri-lo melhor que ninguém. No entanto, todos se debatem com as suas próprias dúvidas e inseguranças e é isso que torna estes “grandes” momentos tão ambivalentes.
Não pretendo alongar-me acerca do que vai mudar da realidade do pré-escolar para o 1º ciclo. Até porque na realidade esse será um factor de menor importância em todo o processo. Ainda assim, importa referir que existem efectivamente diferenças relevantes como a forma como o seu filho vai passar a viver o espaço (agora e cada vez mais, centrado numa mesa, num quadro, em folhas/ cadernos) e adquirir novos hábitos de trabalho e novas regras. Passarão a existir sobre a criança expectativas de um certo “bom” comportamento e de aprendizagem e é aí que, subtilmente (ou nem por isso), se introduz o conceito de sucesso (e insucesso) escolar. Os critérios de avaliação do percurso do seu filho deixam de se centrar no domínio sócio-afectivo (linguagem, capacidade de estabelecer boas relações com os pares e com o adulto, persistência, autonomia, etc.) e passam a centrar-se em critérios académicos (produção escolar e atitude face ao trabalho e às regras). Mas, como dizia, mais importante do que estes aspectos, hoje sabe-se que o sucesso ou insucesso escolar corresponde (muito) frequentemente a uma adaptação escolar bem, ou menos bem, sucedida. Ou seja, sucesso escolar é na realidade sucesso no processo de adaptação escolar e, o contrário, é igualmente válido.
Como é que os pais podem ajudar?
Antes de mais, é fundamental que toda a família reconheça e compreenda que medos, dúvidas e insegurança não são vividas exclusivamente pela criança, antes pelo contrário. Também os pais transportam para o processo as suas próprias vivências, medos e inseguranças. Por isso mesmo, este talvez seja um momento interessante para que os pais se recordem de como foi vivida a sua própria escolaridade em todas as suas etapas. A tendência será para projectar muito do que é nosso nos nossos filhos. É importante compreender que este é um novo caminho que se inicia. Pensar se o seu filho vai fazer amigos com facilidade, gostar do professor, ter dificuldades com esta ou outra disciplina, é viver hoje o que ainda não existe. E quando vivemos no que poderá, eventualmente, estar para vir, temos menos disponibilidade para viver o que hoje está a acontecer.
Depois, é necessário ter em linha de conta que também os seus próprios receios e inseguranças como pais poderão interferir. Isto porque deixar crescer os nossos filhos não é um processo necessariamente pacífico e livre de conflitos internos. A entrada de um filho para a escola é mais um confronto com o facto de que a vida dele não nos pertence, e que a nossa função é apenas a de o preparar para que um dia possa seguir o seu caminho (de preferência, com a qualificação máxima de doutoramento em amor).
Posto isto, a verdade é que se estivermos alerta para as nossas próprias emoções, então estão criadas as condições para separarmos as águas e evitar que as mesmas interfiram no processo de adaptação do nosso filho, que deve ser livre e vivido apenas à sua imagem.
Ficam algumas dicas…
  1. Sinta que é fundamental que o seu filho aprenda a crescer. E para aprender a crescer, é importante que viva conflitos e aprenda a ultrapassar os seus desafios. Proteger demasiado o seu filho de frustrações e dificuldades pode torná-lo mais frágil e vulnerável. Vai entrar para a escola? Que desafio maravilho que aí vem!
  2. Incentive e fale sobre a entrada para a escola, mas evite longas e insistentes explicações que poderão gerar desconfiança e ansiedade;
  3. Evite mensagens contraditórias como dar recompensas ao seu filho por ter ido à escola. Se ir para a escola é bom e normal, então porque é que tem que ser (re)compensada? Estas prendas revelam muitas vezes a culpabilidade dos pais e a sua ambivalência;
  4. Seja carinhoso mas firme mostrando que não tem dúvidas de que o seu filho vai ficar bem;
  5. Organize a rotina de forma a garantir alguma tranquilidade (nada pior do que chegar à escola depois de uma manhã de correrias e zangas por causa de atrasos);
  6. Para uma boa adaptação é imprescindível que a criança esteja estável física e emocionalmente (se existirem conflitos latentes ou abertos em casa, a criança tenderá a transportar essa desarmonia para a escola);
  7. Converse com o seu filho sobre o seu dia-a-dia. A melhor estratégias será falar do seu próprio dia de forma emocional (e não apenas sob a forma de relato). Assim estará a ensinar-lhe a fazer o mesmo (por exemplo “hoje fiquei triste com X” ou “aconteceu Y que me deixou muito feliz e orgulhosa”);
  8. Dê sempre, prioridade à pessoa que o seu filho é e não aos resultados que obtém. Se se esforçou muito e os resultados não foram os desejados, então o mais importante no processo foi de facto o esforço. Os resultados podem ser bons hoje e maus amanhã. Continuar a esforçar-se e aprender a corrigir o que não correu bem é a única forma de chegar onde pretende.
  9. O seu filho entrou para a escola mas continua a ser uma criança, precisa acima de tudo de brincar muito e sentir-se profundamente amado, sempre;
  10. Saiba que o conceito de sucesso escolar está sobrevalorizado. Não existe uma relação directa entre sucesso escolar e sucesso na vida (principalmente se considerarmos que ter sucesso na vida é ser feliz);
  11. Mantenha-se focado no que é verdadeiramente importante. O seu amor e atenção serão os dois factores mais estruturantes ao longo de todo e qualquer processo de adaptação pelo qual o seu filho possa passar. Mais do que isso, são os elementos mais protectores da vida dele.
Agora chegou o momento para perguntar: Sente-se preparado/a para que seu filho entre no 1º ciclo?
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TPC – Trabalhos de casa ou uma carga de trabalhos?

Há palavras que fazem mais sozinhas do que frases inteiras, todas juntas. É o caso. O adjetivo ‘solene’, por ter em si duas derivações opostas, é o que mais se assemelha à atualidade do nosso mundo escolar, isto é, duas formas de agir, e de reagir, dentro do mesmo conceito. Respeito e aparato. Dois sentidos diferentes, o mesmo significado.

Assim vai a nossa escola, baralhando tudo.   Pais e professores, dois grupos inseparáveis na formação das crianças enquanto indivíduos, duas pedras basilares que contribuem em pé de igualdade para o seu desenvolvimento, são muitas vezes a causa, e o efeito, que transforma aquilo que deveria ser importante, calmo e majestoso, (solene) num aparato estridente e confuso que nos funde a todos, educadores e educandos, numa espécie de anel apertado de regras e deveres, que a todos desgasta e consome, causando um atrito que faz separar os grupos que mais se deviam unir.

Cresce a distância entre aquilo que é o papel da escola e aquilo que é o papel da família, sendo cada vez mais visível a mistura de papéis, e a confusão das crianças.

Quero com isto dizer que, da mesma forma que os professores foram confrontados com um aumento da permanência das crianças na escola, também eu sou diariamente confrontada, para não dizer obrigada, com/a desenvolver tarefas escolares que apesar de serem da minha filha e pertencerem ao espaço da escola, me são servidas por altura do jantar, como se fizessem parte do meu menu diário.

Na verdade sinto-me cada vez mais refém da vida escolar da minha filha, e posso mesmo afirmar que a nossa relação se vem deteriorando a cada dia por razões totalmente impostas pela escola. O meu caso não é único, e são grandes as diferenças entre professores.

Os trabalhos de casa, imensos, diários e repetitivos – que não acrescentam em nada à aprendizagem ou à evolução escolar da minha filha, isto se pensarmos que está 8 horas dentro de uma escola (e mais de dois terços dentro da sala de aula – vêm ocupar um tempo que é meu! Ora se a criança necessita dos dois grupos basilares (escola e família) para se fazer enquanto indivíduo, há aqui uma notória usurpação por um dos grupos na educação da minha filha, e como a balança pende totalmente para a escola, o desequilíbrio surge na família.

A escola e a família

A escola impõe-se à família através dos trabalhos de casa, e isto é desrespeito, quando deveria ser solene. Oiço dizer que as crianças são mal-educadas. Pois são. E serão. A razão radica tão-somente no papel da família, sem tempo e sem fulgor, tão reduzido e tão mínimo que é quase imperceptível na identidade da criança. É como se a criança fosse obrigada a trabalhar sempre através da escola, sem descanso, tornando-se prisioneira do seu próprio desenvolvimento, prisioneira do saber académico.

A minha filha de oito anos quando chega a casa deveria ter o tempo que lhe resta para absorver a educação filial, dos afetos, das brincadeiras, dos ensinamentos, das emoções, mas não, a minha filha chega a casa para continuar os ensinamentos da escola. Além de ser excessiva esta espécie de formatação académica, a escola está a cometer um grande e perigoso erro: rouba-me o tempo e enfada e satura a criança, que a curto prazo pode criar anticorpos contra a escola e vir sofrer de falta de criatividade, isto é, falta de liberdade para brincar, tempo para pensar, tempo para si enquanto indivíduo, impedida de estar sozinha, enfiada que está num meio coletivo, numa aprendizagem unilateral, pejada de números e letras, em cadernos enfadonhos e sem cor.

«O meu tempo de mãe é-me assim roubado por três composições, quatro tabuadas e contas ambíguas de somar.»

O meu tempo de mãe é-me assim roubado por três composições, quatro tabuadas e contas ambíguas de somar. E é aqui que entra o aparato. Porque eu disparato.   E disparato com a miúda, que não sabe escrever como eu, que a cada palavra apaga, a cada conta erra, porque são dez e meia da noite e o texto ainda vai a meio. E eu tenho o saco cheio. E só me apetece é ralhar com a professora, coitadinha da senhora, que até é minha amiga. Como disse lá atrás, sinto que a escola está a educar a minha filha, mas não só.

A escola com a sua mania de mandar trabalhos para casa, especialmente esses travestidos de Natais, São Martinhos, dias de Mães e de Pais, e com a sua rocambolesca teoria de que só assim se consegue que os (irresponsáveis) pais façam algumas atividades em conjunto com os filhos, está no fundo a dar palpites e a impingir-me um tipo de relação que não quero ter com a minha filha. E vou mais longe, está a tentar ensinar-me como devo relacionar-me com ela.

A escola, ao tentar unir os pais aos alunos, com cópias e ditados ‘inocentes’, está sim a separar a família dos filhos e ainda mais os alunos da escola. Desde que a minha filha começou o seu longo percurso escolar, há três anos portanto, que tenho escola por todo o lado.

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