Os números são assustadores e por isso, hoje escrevo-vos sobre um assunto sério e que é importante reforçar. Segundo a UNICEF todos os anos morrem no mundo 250.000 crianças e adolescentes por acidente rodoviário, e cerca de 10 milhões sofrem lesões graves.

Em Portugal, a APSI diz que 14% das crianças entre os 0 e os 12 anos viajam sem qualquer protecção e apenas metade das famílias que transportam as suas crianças com sistemas de retenção o fazem de forma correta.

Como é que é possível?

A verdade é que ainda há bem pouco tempo, fui confrontada com esta realidade. O condutor que seguia a minha frente levava uma criança com cerca de 3 anos no banco de trás sem sistema nenhum de protecção, nem mesmo o cinto! Vi a Criança, várias vezes, a saltar de um lado para o outro e a colocar-se entre os dois bancos da frente em pé!!!  Pena foi, não ter tido oportunidade de abordar o condutor, pois já estava preparada para lhe dar um grande sermão.

Nas minhas aulas faço questão de falar sempre sobre este assunto e por vezes “roço” a malvadez e conto uma ou outra tragédia que me passou pelas mãos. Faço-o de propósito, embora saiba que nenhuma grávida gosta de ouvir histórias trágicas, mas sei que este “abanão” pode ser positivo para que o casal grávido entenda a importância dos sistemas de retenção!

Hoje uma Grávida na consulta perguntou-me:

Enfermeira o que é uma cadeira homologada?

Foi a “gota de água”, e ficou logo decidido que assim que possível o próximo artigo que escrevesse, seria sobre este assunto

Até há cerca de 3 anos as cadeiras que podiam ser usadas em Portugal (União Europeia) tinham de seguir as directrizes da Norma ECE R44/04.

A 9 de Julho de 2013 foi adoptada oficialmente pela (UNECE) United Nations Economic Commission for Europe  uma nova norma ECE R129 (Também conhecida por I-Size), que esta em vigor conjuntamente com a anterior (ou seja por enquanto ambas são válidas). Para além de Portugal cerca de mais 60 países adoptaram esta Norma. A I-Size não veio substituir a  ECE R44/04, para já!

Mas acredita-se que entre 2018 e 2020 os fabricantes produzam apenas cadeiras homologadas com a Norma I- Size e o uso de cadeiras homologadas com a ECE R44/04, acabará por ser descontinuada e até mesmo interdita.

Quais as principais diferenças relativamente à norma ECE R44?

– Prescinde-se da classificação em função do peso (0/0+/I/II/III) e a estatura passa a ser o critério determinante na escolha da cadeirinha.

– Melhoria da segurança das cadeirinhas contra colisões laterais.

– Menor risco de instalação incorrecta.

– Todas as crianças, pelo menos até aos 15 meses de idade, têm de viajar voltadas para trás.

– Utilização em veículos com lugares i-size ou equipados com sistema ISOFIX.

O Objectivo desta nova norma é melhorar a segurança e a facilidade do uso das cadeiras. A inclusão do teste de colisão lateral vai reduzir o nº de lesões neste tipo de embates. Manter o bebé virado para trás até aos 15 meses vai aumentar a protecção da cabeça e do pescoço, sabe-se que esta posição é 5 vezes mais segura do que viajar para a frente.

Agora ainda há um longo caminho a percorrer, pois ainda não são muitos os veículos com lugares com homologação i-Size. Para confirmar se o seu carro está homologado, veja as etiquetas dos bancos ou contacte a marca. Um veículo com lugares com Isofixpode ser compatível, mas é necessário experimentar a cadeira no automóvel antes de comprar. Neste caso, teste se os 3 pontos de fixação Isofix, encaixam deacordo com as instruções do fabricante.

Se o vosso carro não tem ainda lugares homologados I-Size, não é razão para ir já trocar de carro (peço desculpa a todos os pais que estavam a convencer as mães a mudar de carro por esta razão ).  Ou se já comprou uma cadeira homologada pela Norma ECE R44/04, não precisa de ir comprar outra. O importante é que use esta sempre correctamente!

Mais importante ainda, nunca se esqueça de apertar os cintos de segurança e nunca pegue no seu bebé, ao colo, durante a viagem! É preferível parar e acalmar o bebé e depois seguir viagem ou na impossibilidade deixe-o chorar! Reforço que é preferível ser ele a chorar porque quer sair da cadeira, do que você porque teve um acidente e ele sofreu lesões graves.

Os grandes acidentes dão-se em pequenos trajectos.

Ler primeiro Visitar o bebé à maternidade! Não Obrigada!

Por fim, mãe e bebé têm alta e vão para casa. A Jovem mãe imaginou que iria ter à sua espera uma casa imaculadamente limpa e arrumada com flores e balões, mas não é o que encontra! O jovem pai de manhã teve de se levantar e sair a correr, não houve tempo nem para fazer a cama, nem para arrumar a loiça do pequeno almoço. Tinha uma lista infindável de tarefas para cumprir e às 11h tinha de estar no hospital para estar presente no momento da Alta.

Não foi o que as “hormonas” planearam, mas o que importa é que estão em casa. Finalmente em casa!!!!

Tiram o bebé da cadeirinha e ele acorda, de boca aberta procura as mamas da mãe, que já lhe parecem estar cheias. A mãe senta-se no cadeirão e os pontos lembram-lhe que já não toma analgésico a algumas horas. Pensa: “Que bom que era ter uma campainha para chamar a Enfermeira e pedir-lhe algo para as dores”. “ CAMPAINHA?” Será que já está a alucinar ou ouviu mesmo uma campainha?

Ding – Dong!!!! – É mesmo a campainha!

Não pode ser! Depois da experiencia desastrosa, na Maternidade, onde recebeu mais visitas  do que a princesa Kate, a jovem mãe pensa mesmo, que está a alucinar!

“Querida estás vestida?” Pergunta o jovem pai, com um timbre de voz de quem anuncia um drama.

Antes mesmo de responder, a porta abre-se e aparecem os seus sogros e cunhados. Sim, é verdade! Estão mesmo em frente às suas mamas, que parece que nunca estiveram tão grandes e tão expostas. Aproximam-se cada vez mais para verem melhor a bebé!

“- Olá! Como estás? Estás um bocadinho pálida! Olha… largou a mama! Já não dever querer mais, quer é vir ao colinho da avó! Vá, dá-me o cá!”

Agora é que a jovem mãe deve estar pálida!!! Tão pálida, que até o pai achou que era melhor intervir antes que ela ficasse VERDE!

– Se calhar é melhor irmos todos até à sala e deixar a Maria acabar de comer tranquilamente, com a mãe!”

A Sogra ia dizer qualquer coisa, mas o pai foi a tempo de fechar a porta e abafar o comentário. Mas era qualquer coisa como:

“- Então não sei bem como é? Não vos criei!”

Passados 20 minutos, a jovem mãe, perdeu a esperança e percebeu que não há nada a fazer, eles continuam na sala. Decide sair do quarto e no trajecto para a sala, respira fundo e repete vezes sem conta vai correr tudo bem, são só mais uns minutos!

Pois bem, quando entra na sala, percebeu logo que não iam ser mais uns minutinhos! Estava a dar o Sporting na TV. O Pai do bebé está sentado, mas ainda ninguém reparou que o cansaço falou mais alto e está a dormir. O Sogro e o cunhado estão furiosos, mais uma vez o seu Clube do peito está a perder! A sogra e a cunhada, rasgam um sorriso ao vê-la. A cunhada, que ainda não foi mãe, diz:

“- Pensei que ias perder mais peso!”

O pai do bebé, é acordado pelo pai e cunhado, que lhe perguntam:

“- Então, não se arranja uma cervejinha?”

Foi nesse momento que mãe e bebé desapareceram! As lágrimas correm à mesma velocidade que a jovem mãe vai para o quarto. O Pai sabia que tinha de fazer algo! Mas o quê? Convidar os seus pais a sair? Sim! Não havia outra alternativa! Delicadamente verbalizou que o ideal era irem ver o jogo para casa, explicou:

“- Estamos ambos cansados, temos de nos adaptar ao bebé e aos seus horários. Por favor, para a próxima, liguem primeiro! Vai ser mais fácil recebermos-vos se for a altura certa.”

Esta história é o relato de uma mãe que me procurou com dúvidas na amamentação, lamentavelmente não a conheci antes do bebé nascer. Se tivesse frequentado as minhas aulas teria sido avisada para este tipo de cenários. Um dos conselhos que habitualmente dou ao casal grávido é que preparem a família previamente. Que aproveitem um almoço ou jantar de família e deixem já delineado os procedimentos que esperam da família, depois do bebé nascer.

As regras básicas para visitar um Recém-nascido em casa são:

  • Nunca vão, sem serem convidados! Nos primeiros dias as visitas devem ser curtas e opiniões sobre o bebé ou comentários sobre a aparência da mãe devem ser evitados.
  • Se está doente e basta ser uma “constipaçãozinha”, NUNCA visite o bebé, mesmo que não se aproxime dele.
  • Não vá com filhos pequenos, visitar um bebé.
  • Não fique à espera que lhe peçam para lavar ou passar por desinfectante as mãos, faça-o como uma regra de higiene
  • Mesmo sabendo que os pais do bebé são fumadores, nunca fume em casa do bebé, nem mesmo à janela
  • Não ofereça flores naturais (não só pelo odor, mas porque nunca sabemos quando um ou outro bicharoco vai visitar, também o bebé)
  • Reforço ainda que em primeiro lugar está o bem-estar da mãe e do bebé, os jovens-pais:
    – Não devem ter vergonha de pedir para não terem visitas.
    – Nunca devem oferecer comida ou bebidas às visitas, a não ser que queiram que estas fiquem um par de horas
    – Devem aproveitar a existência de grupos como o whatsapp, viber, facebook … e irem mantendo a família e os amigos informados até estarem preparados para as visitas:

“Olá! Olá! Hoje a noite foi desastrosa, quase não dormimos até às 5h, mas depois embalamos os 3 no sono e só acordámos às 9h30. Agora estão mãe e filha a dormir e eu a dar-vos notícias J Em breve, combinamos o dia ideal para nos virem visitar. Obrigado, é para nós importante saber que vostemos ai desse lado. Beijinhos “

imagem@shutterstock

 

Dos tempos de internamento, lembro-me de entrar nos quartos e encontrar mães com poucas horas pós-parto, na maioria das vezes doridas, cansadas, inseguras com o seu novo papel de mãe e às voltas com a amamentação, que afinal não está a ser tão fácil como tinham pintado! A juntar a este cenário lembro-me de quartos cheios de visitas (Família, amigos e lamentavelmente por vezes até conhecidos)

Por onde anda o bom senso?

Recentemente ao substituir uma colega fui “matar” saudades ao internamento de obstetrícia. E como é meu habito, lá fui eu, entrando de quarto em quarto para me apresentar e conhecer as mães que iam estar sob os meus cuidados naquela tarde. Ao entrar no 3º quarto deparei-me com uma família inteira e devia de ser, mesmo, a família toda (pois eram muitos), em cima da cama da Puérpera. O objectivo era fazer uma foto com o famoso pau da Selfie. No meio estava a recém-mãe, com o bebé nos braços, tentando sacar um sorriso das suas entranhas, um sorriso que se negava a sair. Já tinham saído bastantes coisas do seu corpo, nas últimas horas…

Ajuda, foi o pedido que vi nos olhos daquela jovem mãe! De repente senti que entrei naquele quarto para a salvar!

Visitar o bebé | Avisar que o bebé nasceu
É habitual, aconselhar nas minhas aulas, o casal, para que combinem previamente, quem vão avisar que o bebé nasceu. Há duas hipóteses: ou avisam apenas aquelas pessoas que são muito importantes (pais, irmãos e avós). Pessoas a quem a qualquer hora se pode pedir, para saírem e deixarem a mãe e o bebé sozinhos; Ou avisam todas as pessoas da lista telefónica do casal, mas são bem claros, enviem uma mensagem que informe que o bebé nasceu e que agradecem visitas só a partir do dia X.

Claro que o nascimento é um momento de alegria para a família e para os amigos! Melhor ainda é encontrar no quarto da recém-mãe o amigo que já não via há quase dois anos. E porque não colocar a conversa em dia? PORQUE NÃO!!! Porque esta recém-mãe quer é que lhe tirem as dores, que o seu bebé pegue de uma vez por todas  no mamilo sem a sensação que o vai arrancar.

Quer tomar um duche, sem o risco de alguém entrar pelo quarto a dentro e dizer – Surpresa!!!

Já tiveram filhos? Provavelmente revêm-se nestas histórias e percebem lindamente o que digo.

Se não tiveram, vou tentar explicar com as palavras da mãe que salvei da  selfie. Palavras que saíram entre soluços:

– Parir dói (nem imagino se tivesse sido cesariana)! Já não durmo há duas noites, estou cansada! Disseram-me que é importante adaptar o bebé à mama nas primeiras horas, mas se tenho meia dúzia de pessoas a olhar para mim, não consigo concentrar-me e não me sinto confortável em me expor desta maneira! Será que a “malta” não se dá conta, esta camisa é horrível, estou praticamente despida! Não paro de suar, não paro de sangrar… não quero que vejam os restos do meu parto na minha cama…

Meu Deus, só me apetece chorar. Aliás, apetece-me  gritar, amiga, tia, prima, vizinha, gosto muito de vocês, mas agora não é o momento, para falarmos sobre a vossa próxima viagem, nem para ouvir conselhos de “experts” em bebés! Agora NÃO!

Se este texto já vos chega tarde, e já fizeram a visita da “praxe” espero que:

  • Tenham colocado o telefone no modo silencio, o ideal era terem desligado, para não correrem o risco de atender alguma chamada em plena visita
  • Não tenham levado crianças (pior ainda … doentes)
  • A visita tenha sido curta, não mais do que 15m
  • Tenham saído do quarto, com as restantes visitas, quando entraram médicos ou enfermeiros. É o que se chama: Respeito!
  • Não tenham tirado fotos ao bebé ou à mãe sem consentimento, muito menos publicá-las em qualquer rede social
  • Tenham lavado as mãos antes de entrar, mesmo que não tenham tido contacto com o bebé
  • Não tenham insistido para pegar no bebé o colo.
  • Não tenham feito comentários sobre a má cara que a recém-mãe tem ou a palidez ou pior ainda sobre o tamanho da sua barriga

Para além de tudo, não façam julgamentos sobre a opção que a jovem mãe tomou em amamentar ou não o bebé. Frases do tipo: – “Acho que o bebé está com fome” ou -“provavelmente é o teu leite que é fraco” , são desnecessárias!

Continuação em Visitas a casa de um recém-nascido, não Obrigada!

 

Deixar os bebés no infantário antes dos 2 anos, sim ou não?

Os bebés até aos 2 anos, por vezes até mais, não têm vantagens nenhumas, nesta dita “socialização”

“Estamos a pensar colocar o bebé no infantário porque em casa aborrece-se. E se calhar não desenvolve tão bem, não acha Enfermeira?”

E eu penso: “ Se os bebés falassem! …”

Pensem nisto:
Se os bebés falassem e pudessem responder às seguintes questões, quais seriam as respostas que eles dariam?
“- Martim, o bebé prefere levantar-se todos os dias à hora que quiser ou prefere, levantar-se todos os dias cedo e sair de casa com chuva e frio?”
“- O que prefere Laura? que a avozinha lhe dê a comida à boca na sua cadeira como uma “lady” ou esperar que num conjunto de 8 bebés chegue a sua vez?”
“- Olívia, prefere dormir a sesta na sua cama ou no berçário com mais 6 bebés que não adormecem ao mesmo tempo?”
Estas são apenas algumas questões que me passam pela cabeça quando oiço pais com este discurso. Sei que é um tema controverso, mas se me perguntam a minha opinião, eu tenho de responder o que penso e acabo por falar também da minha experiência como mãe.

Antes de mais, e para não tornar este texto ainda mais polémico ressalvo que, grande parte dos infantários e colégios desempenham um papel maravilhoso e cuidam da melhor forma possível dos bebés.

Certo é, que atualmente, entre os 4 e os 6 meses de vida de um bebé, muitos são os casais que por questões profissionais se vêm obrigados a tomar a decisão de colocar o filho num infantário.

O meio laboral é cada vez mais exigente e feroz e por mais que as leis até tenham vindo a melhorar, há que dizer que ainda há muito a melhorar para que todos (entidade patronal, pais e filhos) saiam a ganhar.

E se há uma avó disponível, para ficar com o bebé?

Os pais devem recorrer a essa solução? Ou pode não ser a melhor solução para bebé?
Recentemente numa das minhas leituras deparei-me com a informação que no congresso nacional em Espanha de Pediatria, realizado em Sevilha, a opinião foi unânime:
“ Os Pediatras aconselham não escolarizar os bebés antes dos dois anos de vida.”
Recorrentemente, em conversa com alguns casais surge a frase:
– “Tenho receio que não desenvolva, já li que é importante que brinque com outros meninos”
A minha resposta baseia-se também na minha experiência pessoal. Dou o exemplo dos meus filhos que só foram para a “escolinha” aos 4 anos, e que por várias vezes em consulta, o Pediatra me disse:
“Aqui temos 2 crianças que são o exemplo que se forem estimuladas em casa desenvolvem como se estivessem no infantário!

Deixar os bebés no infantário antes dos 2 anos, não traz qualquer mais-valia para a criança.

Os bebés até aos 2 anos, por vezes até mais, não têm vantagens nenhumas, nesta dita “socialização”

Nestes dois primeiros anos de vida o que é importante é o desenvolvimento emocional. É a altura ideal para uma boa base afectiva. Ele precisa de rotinas, do seu espaço, mimos, basicamente o seu “minimundo”! O bebé ainda não está preparado, nem interessado no que se passa fora do seu minimundo.

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Quem já ouviu esta frase:
“ Sei que se colocar o bebé no infantário vai adoecer mais vezes, mas vai acabar por ganhar mais imunidade!” Será?

Os bebés e a imunidade

Crianças que frequentam o infantário têm duas a três vezes mais probabilidade de adoecerem com otites médias, constipações, gastroenterites, bronquites, faringites … pneumonias. Consequentemente, acabam por tomar mais medicamentos, inclusive antibióticos, do que as restantes.
Sabia que o sistema imunitário só está completamente desenvolvido por volta dos 2-3 anos? O mesmo vírus, num bebé de 6 meses pode deixa-lo de cama durante uma semana e numa criança de 4 anos não desenvolver qualquer sintoma?

Vamos deixar de inventar desculpas!

Não existe nenhum estudo científico que comprove que meninos colocados precocemente no infantário têm melhor desempenho escolar ou profissional!
Voltando à minha experiência como mãe, posso dizer-vos que no primeiro dia de “escolinha” ambos me viraram as costas e  disseram: – “Adeus, mãe!”. Sem uma única lágrima. Estavam preparados para esta nova etapa e sem a angustia da separação comum em bebés mais pequenos.
Em suma os infantários, são uma excelente solução para o problema:
– “Não tenho com quem deixar o meu bebé quando começar a trabalhar”.
Se não há outra solução, nada melhor que deixar os bebés com profissionais experientes em espaços certificados para o efeito. Neste caso, a escolha do local, é importante e deve ser feita com antecedência.
Procurem informações sobre o infantário, visitem-no e aproveitem para fazer todas as questões que vos preocupam

 

É no mês de Setembro que grande parte das crianças regressa à escola, e os piolhos também!

Para os pais que não colocaram pela primeira vez os filhos na escola, a questão é: – “ – Quem não recebeu já uma circular da escola, sobre piolhos? “

E a sensação de “comichão na cabeça” que a leitura dessa circular provoca? Recordam-se?

Vamos falar sobre estes “ animais” e evitar que se tornem de “estimação”!

Antes de mais, é bom esclarecer que os piolhos não transmitem doenças e não aparecem por maus cuidados de higiene. São insectos mas não voam, nem saltam. E as complicações mais habituais devem-se a feridas no couro cabeludo, consequência do coçar, ou em casos mais raros, aumento dos gânglios linfáticos da região do pescoço. Neste duas situações sugiro sempre uma avaliação do Pediatra.

Conhecer o ciclo de vida do piolho ser-lhe-á útil para tratar mais eficazmente a infestação.

O piolho adulto fêmea põe os seus ovos presos ao cabelo o mais próximo possível do couro cabeludo, para terem mais calor e incubarem melhor.  A região preferida é a nuca e por detrás das orelhas.

Passados  cerca de 8-10 dias, o piolho jovem sai do ovo, e permanece colado ao cabelo, já vazio. O piolho jovem ou ninfa demora cerca de 7-10 dias a atingir a fase adulta, a acasalar e a pôr ovos (Lêndeas) . A vida média de um piolho é de aproximadamente 30 dias e um piolho fêmea pode pôr uma média de 7 ovos por dia. Os piolhos “comem” (picam) sangue do couro cabeludo a cada 4 horas. Fora do Homem morrem em 24 horas, por isso os objectos não são uma fonte importante de contágio.

As Lêndeas,  têm um aspecto branco-amarelado, ou até acastanhado, estão agarradas ao couro cabeludo e não se soltam com  água.

Por vezes confundem-se com caspa, mas o truque, é soprar, se se desprende é caspa, se ficou agarrado ao couro cabeludo, acabaram de descobrir umas lêndeas!

Os Piolhos fogem rapidamente quando se aponta luz, o piolho é de cor escura, por isso recomendo pentear o cabelo com um pente com pouca distancia entre dentes e um fundo branco (uma toalha sobre os ombros)

Os Piolhos vivos são os que provocam comichão e fazem com que a criança se coce com muita frequência, sinal que por vezes desperta a atenção dos pais e posteriormente o diagnóstico da presença de piolhos. É muito comum as crianças que já tiveram piolhos  se auto –diagnosticarem, pedindo  aos pais uma avaliação das cabeças.

Tal como já disse anteriormente,  os piolhos não voam, nem saltam, o contagio faz-se por contacto direto,  de fio de cabelo para fio de cabelo! Cabeça com cabeça. É certo que não é impossível, mas menos comum (esperança de vida Piolho = 24h sem contacto com o humano) o contagio por bonés, gorros, acessórios de cabelo, os piolhos não são aventureiros!

O tratamento da infestação por piolhos consiste em muita paciência e em aplicar um produto pediculicida. Pentear com periodicidade, com pente próprio é importante para eliminar os piolhos mortos. Existem dois tipos de tratamento no mercado à base de insecticidas (Permetrina 1%) ou tratamento sem insecticidas (Dimeticona). Em ambos deve seguir as recomendações do produto e do Pediatra. As que são mais fáceis, para as crianças são as loções que se aplicam com o cabelo seco e lavagem a seguir. Nenhuma destas duas vias de tratamento deve ser utilizada de forma preventiva no dia-a-dia.

Recentemente o British Medical Journal , publicou um estudo, sobre o “Octanediol” uma substância que para além de muito eficaz no tratamento, também pode ser usada como repelente de piolhos, mas depois de uma pesquisa exaustiva, não encontrei nenhum produto comercializado em Portugal.

Chegou recentemente a Espanha um produto (spray) que os responsáveis pela marca asseguram que a aplicação 2 vezes por semana, é o suficiente para fazer desaparecer os piolhos da nossa vida.

Sendo assim, temos que aguardar que este “milagre” chegue a Portugal e que as circulares sobre os Piolhos deixem de chegar às nossas casas.

imagem@medicsindex.ning.com

O ser humano é um mamífero mas, a sua principal característica de mamífero, amamentar as suas crias, está em retrocesso. A Sociedade atual obriga a um ritmo de vida que para algumas mulheres torna incompatível a amamentação natural com a vida laboral. A Organização Mundial de Saúde (OMS), recomenda que o leite Materno deve ser o alimento exclusivo nos primeiros 6 meses de vida. Mas, a realidade é que a mama é facilmente substituída por biberões e por leites artificiais.  Nos dias de hoje, lamentavelmente ainda existem muitos profissionais de saúde que desconhecem os benefícios da amamentação e estratégias de apoio para mães com dificuldades em amamentar. A sociedade está cada vez mais cheia de mitos que alimentam a insegurança de muitas mães, que rapidamente optam por complementar a amamentação com leites artificiais. Quem não ouviu já as seguintes expressões: – “o meu leite é fraco”, ou “ Não tenho leite suficiente”?

A sociedade leva-nos para um caminho que nos afasta do natural. Embora, na teoria,  muitas são as mães que já tiveram acesso a informação sobre as vantagens do leite materno. Muitas na prática, desistem no primeiro obstáculo. O Leite Materno para além de alimentar,  protege o bebé contra doenças e fortalece o vinculo afectivo. Três aspectos, com que nenhum biberão poderá competir. No entanto, neste momento o biberão vai ganhando a batalha. É sabido que cerca de 90% das Mulheres, amamenta o bebé quando nasce, mas só cerca de 36%, consegue chegar aos seis meses de vida do bebé, ainda a amamentar. Os casos de amamentação prolongada são ínfimos, e a sociedade, vê esta relação entre mãe e filho, exagerada quando se prolonga para além de um ano. Estamos a perder orgulho em ser mamíferos! Somos a única espécie sobre a terra que desiste tão rapidamente de amamentar a sua cria.

A introdução de biberões ainda na maternidade, atrapalha desde logo a amamentação. O Mito que a mãe não tem leite que chegue para o bebé nos primeiros dias, e a dificuldade na pega correta do bebé, faz com que muitos profissionais de saúde ofereçam leites artificiais logo nas primeiras horas de vida.

Se isto não acontecesse e o bebé não fosse “entupido” de Leite artificial, este iria mais vezes à mama. Estas idas repetidas, à mama, estimulariam a adaptação do bebé a mama, um instinto animal, que tem de ser desenvolvido com a prática. A sucção realizada no biberão é totalmente diferente da que o bebé tem de aplicar no mamilo. Para que haja saída de leite da mama, têm de haver um esforço maior do bebé na sucção, comparando com a que este tem de fazer no biberão. Este esforço adicional, faz com que o bebé rapidamente, se desinteresse pela mama e fique fã do biberão.

Agora ,“o dedo” não pode ser apontado apenas às mães que desistem! Muitas fazem-no, pensando que estão a fazer o melhor para o seu bebé. Se a enfermeira ou o Pediatra lhe dizem que o leite não é suficiente ou que é fraco, é natural que a mãe, porque quer o melhor para o seu bebé, acabe por introduzir leite artificial na alimentação do bebé.

Não existe leite materno que não alimente! Dou-vos o exemplo de algumas mães de países subdesenvolvidos que no seu dia-a-dia passam fome. Estas mães com uma alimentação pobre e em reduzida quantidade, conseguem ter leite para alimentar os seus bebés. Então, porque pensamos que as mães com uma alimentação saudável e adequada não conseguem ter leite em quantidade e qualidade suficiente?

Amamentar um bebé em exclusivo, requer pela parte da mãe uma entrega e dedicação a 100%. Principalmente no inicio! Pois para a amamentação ser um sucesso, a mãe deve ter a mama disponível sempre que o bebé solicitar. É mais uma das informações, que nos dias hoje baralha as mães! A nossa sociedade está preparada para tudo ter um horário. Uma das perguntas mais frequentes que me fazem nas formações sobre amamentação é: – “De quantas em quantas horas deve mamar o meu bebé?”

Ora a resposta mais sensata, é um bebé não tem horários, nem para comer, nem para dormir. Cumprir horários é uma função de adultos, envolvidos numa sociedade, que assim o exige. O bebé, não sabe que existem relógios, nem ainda aprendeu a ver as horas. Inicialmente o mais adequado e saudável para ele, é oferecer a mama, sempre que ele a solicita. Nos primeiros dias o estômago do bebé tem a capacidade para cerca de 5ml de Leite, é natural que encha e esvazie rapidamente. O bebé quando solícita várias vezes Leite Materno, não é sinónimo que a mãe não tem quantidade suficiente, mas sim devido à capacidade do estômago e à facilidade na digestão do leite materno. Inevitavelmente, este ritmo tão exigente, vai interferir com a vida social da mãe, que por vezes,acaba por não conseguir conciliar ambas as coisas.

Em muitas Tribos africanas, o bebé, anda sempre junto da mãe, atado com tecidos junto ao peito, isto permite-lhe que vá mamando sempre que necessite. Atualmente, não estamos preparados, para esta prática. Mas podemos continuar a permitir, que o leite materno esteja disponível e seja uma opção exclusiva durante os meses de licença de Maternidade.

Comodidade, desconhecimento e uma sociedade cheia de obstáculos, faz com que o leite materno esteja a entrar num círculo vicioso, em que, cada vez menos mães dão mama e consequentemente, perde-se um ato essencial para a vida que se aprende por imitação (somos descendentes de primatas, cuja principal forma de aprendizagem é copiar os progenitores). As filhas de mães que não deram mama, dificilmente saberão fazê-lo. A transmissão destes valores vai-se perdendo e já se vai ouvindo frases de avós que reforçam a jovem mãe a desistir em dar de mamar: – “eu não dei de mamar e tu aqui estás saudável, o bebé têm é fome! 

Será que vamos deixar de ser Mamíferos?

Por Enfermeira Célia Martins,
para Up To Lisbon Kids®  
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Já agora, o que é o Babywearing?

O Babywearing é uma técnica usada há mais de dois séculos para transportar o bebé, que foi entrando em desuso com a industrialização, começando a ser cada vez mais usual a cadeirinha. Nos últimos anos, esta técnica tem ganho novos adeptos e foram surgindo vários artigos/produtos como slings, panos, marsúpios, entre outros, para os pais praticarem o Babywearing.

Mas, então devemos trazer o bebé ao colo?

Vários pediatras e investigadores na área infantil descrevem os benefícios de criar um ambiente parecido ao que o bebé tinha no útero materno nos primeiros tempos de vida. Ao longo da Gravidez, o bebé encontra-se num ambiente aconchegado em posição fetal, aninhado em si próprio,  e inevitávelmente sempre que a mãe se desloca de um lado para o outro ele anda ao colo.

Então, pergunto eu: – Porque insistimos em mudar tão radicalmente isto tudo, quando o bebé nasce?

Ao deitarmos o bebé na cama ou no berço, ele vai sentir-se só! A sua mãe de repente desapareceu!!! Ele não é balouçado, como era. Os ruídos cardíacos e intestinais que o acompanharam ao longo de sensivelmente 40 semanas, também já não se fazem escutar e o espaço onde está deitado é tão grande que até dá para estar todo esticado! É uma grande mudança, que não pode ser radical

Tentar simular o que o bebé sentia ao longo da gravidez, transportando o bebé junto à mãe no colo, é a solução. Mas nem sempre estamos preparadas para carregar um bebé durante tanto tempo na mesma posição, especialmente quando ele começa a ganhar peso. Assim, o transporte ao colo é, muitas vezes, substituído pelo carrinho (uma troca que, em termos emocionais, prejudica a relação).

É sabido, que bebés, que andam mais tempo ao colo, são bebés mais tranquilos, menos agitados e que choram menos. Em algumas culturas indígenas onde transportar o bebé ao colo (Babywearing) é comum, os bebés choram normalmente alguns minutos por dia. Ao contrário dos bebés ocidentais que chegam a chorar horas por dia. Chorar em demasia pode prejudicar o desenvolvimento mental do bebé, devido à quantidade de hormonas de stress que inunda o cérebro do bebé. Assim os bebés que não choram tanto, vão gastar as suas energias em actividades mais importantes como comer, observar, brincar e até crescer. 

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 Os bebés que são transportados num sling/pano, tem a oportunidade de aprender e assimilar o mundo de uma forma mais fácil, visto estarem com mais frequência ao colo e acabarem por participarem de forma activa nas actividades do dia-a-dia de quem o transporta. Inicialmente praticar o babywearing em espaços públicos é o ideal para o bebé! Ele acaba, por estar “ escondido” no colo da mãe e os desconhecidos já não travam contacto directo com o bebé, através do toque. O que no carrinho acaba por ser muito comum,  porque ninguém resiste a um bebé! E os “cutxi cutxi” nas mãos ou nas “ bochechinhas” acabam por ser inevitáveis.

Posteriormente o babywearing permite aos bebés verem o mundo na mesma linha de quem o carrega, o que é sem sombra de dúvidas, muito diferente da perspectiva baixa que um carrinho oferece. As outras pessoas mais facilmente mantêm o contacto ocular com o bebé e falam com ele. Os movimentos – caminhar, inclinar, alcançar – são sentidos e vivênciados pelo corpo do bebé, provocando o uso de músculos em desenvolvimento para se agarrar, virar a cabeça ou mantê-la numa determinada posição. Esta estimulação vai ajudar no desenvolvimento natural do sistema vestibular que controla o equilíbrio e os mecanismos neuro-musculares do bebé. Resumindo  os bebés que são transportados ao colo choram menos, têm a oportunidade de gastar a sua energia desenvolvendo-se mais rapidamente seja ao nível do desenvolvimento motor, cognitivo e também social.

“ O Colo é um direito de todos os bebés!”

 

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