Como promover competências chave para a preparação para o 1º ciclo?

A entrada para a escola é uma realidade obrigatória para todas as crianças a partir dos 6 anos de idade, porém, o mesmo não acontece com algumas crianças em idade pré-escolar, que por opção dos pais, por falta de vagas na escola pública e/ou por impossibilidade financeira de recorrerem ao ensino privado, optam ou são obrigados a encontrar alternativas para os seus filhos.

A não frequência da escola em idade pré-escolar, não é, no entanto, sinónimo de não educação ou de não preparação da criança para a entrada no ensino formal.

Sabemos que o cérebro da criança nos primeiros 5 anos de vida está particularmente activo, atingindo 90% do tamanho adulto. Como tal, em casa ou na escola, é fundamental estimular o desenvolvimento global da criança, através da promoção de competências sociais, emocionais e intelectuais, consideradas chave para a vida adulta e para a entrada no ensino formal. É por isso, importante, envolver a criança em actividades que estimulem estas competências chave.

Se para a maior parte dos profissionais da área da educação, estes são fundamentos inerentes à sua prática profissional diária, para os pais, avós ou outros adultos que ficam responsáveis a tempo inteiro pela criança, nem sempre é assim tão simples.

Por este motivo, aqui ficam algumas dicas, que o vão ajudar a promover na criança, as competências necessárias à sua entrada no ensino formal. São estas as competências chave para a preparação para o 1º ciclo:

Competências Intelectuais de preparação para o 1º ciclo:

⁃ Ler histórias

⁃ Cantar e ensinar cantigas, rimas e/ou lenga-lengas

⁃ Ensinar uma letra – mostrar à criança palavras e objectos começados por uma letra, de preferência palavras com significado para a criança – (exemplo: Letra A – Água, Árvore)

⁃ Ensinar a criança a contar – (exemplo: contar os brinquedos, ou os carros que passam na rua)

⁃ Ensinar as cores – (exemplo: “Vamos procurar a cor verde!”);

⁃ Brincar às construções

⁃ Brincar ao faz de conta – (exemplo: fingir que somos cozinheiros e vamos preparar o almoço; fingir que somos animais, etc.)

Competências sociais de preparação para o 1º ciclo:

⁃ Levar a criança ao parque infantil

⁃ Levar a criança ao café, ao supermercado, etc.

⁃ Participar em workshops ou espetáculos para crianças

⁃ Proporcionar o convívio e a interacção com outras crianças e adultos

Competências artísticas de preparação para o 1º ciclo:

⁃ Desenhar, pintar com diferentes objectos (pincéis, esponjas, escovas de dentes, etc.), fazer colagens, brincar com plasticina.

Competências musicais de preparação para o 1º ciclo:

– Dar um concerto com a criança e explorar diferentes sons e ritmos – usar tachos, colheres, embalagens, etc.

⁃ Ouvir e dançar diferentes tipos de música.

Competências Físicas de preparação para o 1º ciclo:

⁃ Correr

⁃ Andar de baloiço e escorrega

⁃ Saltar

⁃ Dançar

⁃ Nadar

A par destas actividades, os adultos devem estimular regras e rotinas. Estas vão fazer parte do dia a dia da criança quando entrar para a escola, por isso, porque não começar aos poucos a introduzi-las na sua vida?

Estas são apenas algumas sugestões, de actividades simples e acessíveis a todos, que promovem a aprendizagem e que preparam a criança para a entrada na escola e para a vida adulta.

imagem@expertbeacon

A importância da arte na educação infantil

Enquanto profissional em Educação de Infância, questiono-me várias vezes no quanto é importante o investimento no trabalho que me proponho realizar, pelo prazer em ensinar crianças, pela satisfação em sentir que o contributo educativo terá os seus frutos…!

Numa das minhas reflexões, ponderei na importância da arte na educação infantil, visto que o meu trabalho direto, é uma forma de expressão artística em pleno!

4 RAZÕES PELAS QUAIS A ARTE É TÃO IMPORTANTE NA EDUCAÇÃO DE INFÂNCIA

“As crianças adoram música, dançar, pintar, jogar, e expressar-se de formas criativas. Adoram dar sentido ao mundo ao seu redor.

No entanto, como se essas razões não fossem suficientes para incluir componentes como arte e música na educação infantil, a pesquisa indica que as artes, incluindo a educação musical para as crianças, têm impactos significativos no desenvolvimento cognitivo, aumenta a autoestima, e envolve ativamente todos os agentes envolvidos na aprendizagem: as crianças, os pais e os professores!

As artes criativas envolvem as crianças através de um ensino multissensorial

É importante que a criança tenha oportunidade de aprender num formato multissensorial, tais como a música e as artes visuais. Isto porque, cada um dos cinco sentidos (visão, olfato, audição, tato, paladar), ativam neurónios específicos no cérebro.

Para as crianças, atividades multissensoriais proporcionam mais oportunidades de aprendizagem do que as atividades individuo-sensorial, uma vez que o cérebro se torna envolvido no processo de apreensão da “matéria”. Por exemplo, numa aula de música, as crianças experimentam a aprendizagem multissensorial quando ouvem e imitam sons de animais, quer seja vocalmente ou através de um instrumento, quando vêm os animais na história, e depois se movimentam como eles.

Atividades de arte, podem estimular o sentido do olfato e do paladar através de obras de arte comestíveis, como por exemplo fazer um arco-íris em cereais coloridos ou mesmo usar tintas de dedo comestíveis para as crianças mais jovens. Além do mais, as experiências que integram vários sentidos simultaneamente são responsáveis por impressões duradouras e com maior retenção.

Atividades musicais estimulam o desenvolvimento em todas as áreas do cérebro.

Enquanto a aprendizagem multissensorial envolve crianças e proporciona maior retenção, a educação fornece benefícios cognitivos comprovados pela investigação. Incorporando música e movimento na rotina de aprendizagem da criança consegue-se estimular todas as áreas do cérebro, incluindo a visão, o equilíbrio, a audição, a fala, o comportamento, a sensação, a cognição, o movimento e as emoções

Deixo este vídeo que aborda de forma acessível, quais os benefícios para o cérebro da reprodução musical.

Aulas de arte e música ensinam as crianças a gostar de aprender e da escola.

Professores e pais concordam. Todos queremos crianças a adorar a escola e a aprender.
Quando perguntamos:
Qual foi a coisa que mais gostaste na escola hoje,”  – a arte e a música são consistentemente classificadas no topo da lista para as crianças. Por quê? Porque é divertido!

Com o passar dos anos, as crianças carregam o amor e o interesse em aprender e ir à escola, para os anos elementares e superiores. Além disso, as matérias aprendidas nas aulas de música podem ser aplicadas ao longo do dia. As crianças que participam ativamente em aulas de música coletivas, aprendem a trabalhar em equipa, a partilhar, a ouvir e a incorporar as ideias dos outros. Aprendem o valor das suas próprias ideias! Além disso, as atividades musicais podem ajudar as crianças a aprender a autorregulação, a capacidade de regular pensamentos, sentimentos e ações.

Estas competências traduzem-se em estar pronto para aprender e ter sucesso na escola.

 

Adaptado de mindsonmusic,
by Kindermusik para Up To Kids®

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[Para saber tudo o que o seu filho precisa que lhe assegure, na sua entrada para a Creche.]

Olá Creche.
Eu estou quase a chegar. Estou quase a entrar por essa tua porta colorida, sorridente e pronto a descobrir um novo mundo, repleto de descobertas e muitas conquistas!

Desde que eu nasci, já passaram alguns meses. Tive muito miminho e atenção só para mim, entre colinhos da família e dos amigos da família, essencialmente na minha casa. Mas, agora, é tempo de criar novos laços! Este vai ser um marco importante. Para mim e para os meus pais.

Eu estou um pouco nervoso, mas acho que os meus pais ainda estão mais! Por isso, querida Creche, para ajudarmos os meus pais a ficarem mais calmos, e para que eu me sinta corajoso e entusiasmado por passar aí o dia, tens de garantir aos meus pais que me vais proporcionar um ambiente seguro, um serviço que respeita as necessidades, momento a momento, de cada criança e que me vais oferecer desafios promotores de um desenvolvimento harmonioso. Sim, eu quero aprender a raciocinar e a usar a lógica. Sim, eu quero aprender a gerir as minhas emoções. Sim, eu quero desenvolver os meus músculos, e tornar-me mais ágil. Sim, eu quero aprender a respeitar regras e as rotinas e a controlar o meu comportamento. Sim, eu quero fazer novos amigos e… Quero brincar muito! Acima de tudo quero crescer a brincar! E, ao final do dia, correr para os braços dos meus pais, de coração cheio e feliz!

Vou contar-te um segredo. Foi muito importante para os meus pais, quando te foram visitar pela primeira vez e puderam conhecer as tuas instalações, as pessoas que cuidam das crianças, as rotinas de todos os dias, as actividades que as crianças podem fazer e o projecto educativo que norteia o nosso quotidiano.

Sinto-me preparado. Os meus pais têm falado comigo sobre as novidades que se aproximam. Felizmente, não deicidiram fazer-me uma surpresa e só me falar de ti, querida Creche, no primeiro dia. Aliás, foi muito bom poder já ter feito uma primeira visita e conhecer a minha educadora e a auxiliar da minha sala. Sei que vou poder brincar muito, aprender imenso, conhecer novos amigos… Também sei que a primeira semana será de adaptação e que vou começar por ir por poucas horas, nestes primeiros dias. Isso vai ajudar-me a “separar-me” dos meus pais, com menos receios. Os meus pais também me garantiram que se vão despedir sempre de mim, com um beijo, um abraço e um sorriso, mesmo nos dias em que as minhas lágrimas teimem em percorrer a minha cara, tentando dizer que aquela despedida está a custar mais. Eles prometeram que nunca vão sair sorrateiramente. Assim sei que não me vou sentir inseguro, nem desconfiado.

Também sei que vou poder levar o meu amigo ursinho para a creche. Poder levar algo especial da minha casa, para me acompanhar durante o dia, dá-me ainda mais conforto e segurança.

Querida Creche, sei que tudo vai correr bem. E os meus pais, apesar de nervosos, também!

Não tarda estarei a correr alegremente nos teus corredores.

Até já,

O teu novo amiguinho

Por Inês Afonso Marques, para Up To Kids®
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Era uma vez …e assim começam as histórias lidas, relidas, e inventadas.

Histórias em prosa, histórias em verso, embrulhadas, ou não, em música …intemporais …que transportam as crianças nas asas da imaginação para tempos e lugares longínquos, onde grandes emoções são experimentadas …

No universo da fantasia, as histórias deliciam pequenos e crescidos. As personagens movimentam-se numa azáfama simbólica através da qual nos mostram que os valores existem.

A Amizade, a Solidariedade, a Ternura, a importância da existência de um lar, de uma Família e Amigos e a implementação de regras, são os condimentos utilizados nas histórias de encantar e na VIDA!

As histórias ensinam a criança a perceber, a detalhar, a raciocinar, a sentir, a analisar, sendo um canal de extrema importância para que a criança entre em contacto com diversos modos de ver e sentir o mundo. É através das histórias que a dimensão simbólica da linguagem é experimentada, de mãos dadas, com o imaginário e o real.

Na era em que a tecnologia toma lugar na 1ª fila, as histórias e os contos tradicionais continuam, com os seus enredos e tramas a potencial um esclarecimento às crianças, tranquilizando os seus receios e medos mais primários e a enquadrar conceitos como “bom” e “mau”, “certo” e “errado”, entre outros.

As histórias passam-se em lugares esboçados fora do limite do tempo e do espaço, mas onde qualquer um de nós pode caminhar, percetível pelas crianças nos seus mais ínfimos detalhes. Elas contribuem para que a criança entre em contacto com diversos modos de ver e sentir o mundo à sua volta.

Sempre que a criança ouve uma história, enriquece a sua imaginação, aumenta o seu vocabulário, aprende a refletir, desenvolve o pensamento lógico favorecendo a memória e o espirito crítico, através da manifestação de humor e da sua curiosidade natural.

As histórias inventadas requerem eximia, por parte de quem as conta! A criança gosta de ouvir a mesma história muitas vezes, mas …deverá ser contada de igual forma para que a criança não se sinta “enganada”.

O contar e “recontar” da história por parte da criança, também deve ser fomentada. Esta prática pedagógica desenvolve a auto estima, a sociabilização e prepara a criança para o exercício da cidadania.

E por tudo que aqui foi dito e …muito mais, deliciemos as crianças ….

Vem …vou contar-te uma história!

Por Inês Clímaco, para Up To Kids®
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Porque é que ter menos brinquedos irá beneficiar o seu filho

“As potenciais possibilidades de qualquer criança, são o mais intrigante e estimulante em toda a criação” – Ray L. Wilbur

Os brinquedos não servem apenas para brincar. Os brinquedos são os alicerces na construção do futuro dos nossos filhos. Ensinam as crianças a conhecer o mundo e a conhecer-se si próprias. Enviam mensagens e comunicam valores.
Assim, os pais devem preocupar-se com o que podem os brinquedos ensinar aos seus filhos. Sendo a quantidade de brinquedos acumulada, muitas vezes absurda, ficam aqui 8 razões para se livrar do excesso de brinquedos, e como isso irá beneficiar os seus filhos a longo prazo:

1. Criatividade

Uma grande quantidade de brinquedos irá impedir que as crianças desenvolvam plenamente o seu dom da imaginação. Dois trabalhadores alemães (Strick e Schubert) realizaram uma experiencia em que convenceram uma sala de aula do jardim de infância a remover todos os seus brinquedos durante três meses. Embora, inicialmente, as crianças tenham estranhado e sentido falta dos brinquedos, rapidamente começaram a usar objetos básicos para inventar jogos revelando-se bastante criativas.

2. Capacidade de concentração e atenção direcionada.

Uma criança com acesso a muitos brinquedos ao mesmo tempo, terá a sua atenção dispersa. Uma criança dificilmente irá aprender a apreciar plenamente o brinquedo à sua frente enquanto existirem inúmeras opções que ainda permanecem na prateleira.

3. Competências sociais

As crianças com menos brinquedos aprendem a desenvolver relações interpessoais com outras crianças e adultos. Aprendem a começar e manter uma conversa. Estudos revelam que as amizades de infância contribuem para uma maior hipótese de sucesso académico e mais facilidade em lidar com situações sociais durante a idade adulta.

4. Valorizar as coisas.

Quando as crianças têm muitos brinquedos, naturalmente têm menos cuidado com eles. Não vão aprender a valorizá-los se houver sempre um substituto pronto na prateleira. Se o seu filho estraga e perde os brinquedos constantemente, experimente tirar-lhe metade dos que tem, e verá como ele passará a valorizar mais aqueles que lhe restam.

5. Gosto pela leitura, escrita e arte.

Ter menos brinquedos irá criar espaço e tempo para que a criança aprenda a apreciar a leitura, a música, o desenho e a pintura. O amor pela arte vai ajudá-los a apreciar melhor a beleza, as emoções e a comunicação

6. Habilidade e engenho

Na escola não se dão as respostas aos problemas mas sim as ferramentas para que os alunos consigam encontrar a resposta. No entretenimento e jogo, pode ser aplicado o mesmo princípio. “a necessidade aguça o engenho” – menos brinquedos faz com que as crianças se tornem engenhosas, resolvendo problemas apenas com os materiais à mão. A desenvoltura é um presente com potencial ilimitado.

7. Harmonia e Partilha.

Isto é, um pouco, contraintuitivo. Muitos pais acreditam que havendo mais brinquedos haverão, consequentemente, menos desavenças, porque há mais opções disponíveis. No entanto, verifica-se frequentemente o oposto: os irmãos discutem constantemente por causa de brinquedos. E cada vez que “aparece” um novo brinquedo no relacionamento, damos-lhes também mais um motivo para estabelecer o seu “território”. Por outro lado, irmãos com menos brinquedos são obrigados a partilhar, colaborar e trabalhar em conjunto, reforçando a relação entre eles.

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Férias são férias e as rotinas do ano podem ser quebradas. Aproveite este período para descontrair um pouco em relação às exigências diárias. Afinal, o que acontece se o seu filho não comer sempre sopa a todas as refeições, ou for para a cama um pouco mais tarde, durante as férias? Absolutamente nada…

As férias são boas, também, por permitirem que as crianças estejam de forma diferente. Verá o brilho no olhar e o seu sorriso aberto se permitir a cumplicidade, à laia de “estamos de férias e isto é uma excepção”, de umas quantas prevaricações sazonais.

Arrisque um pouco e saia da sua zona de conforto. Não faça das férias uma constante de preocupações, chatices, castigos e afins comportamentais. Fazer um pouco “ouvidos moucos” ou “fazer de conta que não vê” uma macacada, pode ser, dentro de certos limites, uma estratégia para evitar os ralhetes sistemáticos. Não se preocupe que não os “deseduca” por se soltar um pouco e possibilitar que se soltem também. As crianças facilmente aprendem que há momentos em que podem “esticar a corda”, sem perderem a noção que essa não é a regra, e sim uma forma de estar mais relaxada, para todos, durante um breve período.

Manter a mesma disciplina pode ser contraproducente e transformar as férias de todos num verdadeiro inferno. Lembre-se que o seu filho, também, precisa de um período de descontracção e de diversão. Precisa de bons momentos para recordar quando estiver sentado durante várias horas na escola. E muitos desses momentos, são guardados para toada a vida.

Quem não se recorda, com um sorriso nos lábios, das tropelias que fez nas férias? Quantas histórias recordamos e contamos aos amigos sobre as brincadeiras e “malandrices” que fizemos com amigos, primos ou outros familiares?

Descontraia e tente relaxar. Recupere a criança que está dentro de si e brinque com eles. Faça jogos, ao ar livre ou outros, passeios de bicicleta, caminhadas e deixe-se contagiar pela boa disposição e pela energia das crianças. E porque não os bons velhos jogos de tabuleiro, em particular os que apelam à imaginação e à expressão criativa? Aprecie a deliciosa sensação das genuínas gargalhadas e dos bons momentos que passam juntos.

Claro que há que manter a sensatez e há situações que, até pela delicadeza ou perigosidade, são incontornáveis, mas umas esfoladelas nos joelhos ou uns pequenos arranhões só os ajudam a crescer com mais cuidado e a entender que os alertas dos pais servem para os proteger.

 

Helena Coelho para Up To Kids®
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Um dos meus filhos é extremamente criativo. A sério, ele nem sequer chega a ser mentiroso, é mesmo criativo. Próprio da idade, os amigos, por vezes, chamam-lhe mentiroso. É já um clássico eu chegar ao colégio e virem confirmar comigo as histórias que  lhes conta. “É verdade que o João vai ter um gato?”. “- Sim, é verdade”, confirmo. “E que o gato vai ter uma mochila cósmica e vão viajar juntos no tempo?” ” – Hum… Ora então vamos lá saber: Existem mochilas cósmicas que nos permitem viajar no tempo?” – “Não!” ” – Então esqueçam essa parte!”

Acho graça que não tenham a capacidade de distinguir o que é inventado daquilo que é real. Receio até, que o meu filho também acredite nas suas próprias histórias!

Já quando era mais novo, os desenhos realizados no colégio sobre o fim de semana, nunca correspondiam à verdade, mas sim a algo bastante mais interessante do que aquilo que tinha feito. Ou era uma pesca em alto mar, ou tinha ido a uma corrida de cavalos, ou até a um concerto de musica Rock aos 4 anos! E o mais engraçado é que a Educadora achava de facto que tínhamos fins de semana muito preenchidos!

A pesquisar sobre o tema, e a tentar perceber o porquê desta necessidade ou vontade de desancorar da realidade, encontrei este texto na Revista Crescer , que me deixou bastante mais descansada.

Criativo, mas com memória de elefante! Deixa-lo crescer fora da caixa. Tem tempo para ser quadrado o resto da vida!

“Seu filho é desses que vivem inventando histórias? Diz que foi a lugares que não foi, que comeu coisas que não comeu, que passeou por lugares onde, na verdade, nunca esteve? Ela conta que leu livros que nunca nem tocou?

Sim, é natural que os pais se preocupem quando surpreendem a criança contando uma mentira. Mas pesquisas apontam que esse “talento” para inventar  lorotas não é, de todo, ruim. Um estudo publicado no Journal of Experimental Child Psychologyconstatou que crianças que são boas em mentir tem uma melhor memória de curto prazo, principalmente sob o aspecto verbal. Isso porque é preciso ter certa habilidade para inventar histórias, sustentá-las sem cair em contradição e ainda convencer seu interlocutor pelos detalhes.

Os pesquisadores chegaram a essa conclusão ao realizarem um teste com crianças entre 6 e 7 anos. Eles propuseram aos pequenos um jogo de perguntas e respostas. Havia três cartas, cada uma com uma pergunta de um lado e a resposta no verso, ilustrada por um desenho. Os pesquisadores faziam a pergunta e as crianças deveriam respondê-la, se soubessem. Na última carta, a questão se referia ao nome de um personagem de um determinado desenho que… nunca existiu. Ou, seja as crianças jamais poderiam acertar a resposta. No entanto, antes de os pequenos terem a chance de contestar essa última questão, o pesquisador saía da sala por um momento – enquanto isso, as crianças eram gravadas.

Foram avaliadas as respostas de todas essas crianças que espiaram a carta enquanto o pesquisador não estava na sala e, portanto, responderam corretamente à questão. A qualidade da mentira foi avaliada pela riqueza de detalhes que cada criança deu. Alguns até disseram coisas como: “Esse é o meu personagem favorito, assisto todo sábado, então, conheço os personagens”.

Essas crianças que mentiram melhor também alcançaram notas mais altas nos testes de memória. Para os pesquisadores essa vantagem ficou evidente pela forma desenvolta com que os melhores mentirosos responderam. “É preciso muito esforço mental para manter em mente o que você sabe que disse, o que você acha que o pesquisador sabe e planejar uma maneira de não ser pego”, comentou a autora do estudo Tracy Alloway.” in Crescer

Por Up To Kids®

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Crianças transgénero. Uma palavra que nos assusta, seja pela estranheza, seja pela conotação muitas vezes dada. Crianças transgénero são crianças cujo expressão ou identidade de género é diferente da esperada tendo em conta o seu sexo biológico.

Falamos de crianças transgénero, por exemplo, quando uma criança rapaz brinca com bonecas, gosta de se vestir com vestidos ou prefere praticar ballet. Muitos cuidadores não veem (e bem) nisto qualquer problema em termos de desenvolvimento. Outros ficam assustados, com receio de que seja um indicador da orientação sexual dos filhos. No raciocínio de que “quer vestir vestidos e ir para o ballet? É gay”, reprimem os filhos, ensinando-lhes que é “errado” comportarem-se assim (muito baseado no pressuposto infeliz de que “ser gay é mau e/ou inferior”, (o que dará matéria para outro artigo).

Com efeito, a literatura indica-nos que o principal grupo que inflige maus tratos às crianças é o familiar, principalmente familiares mais próximos. Acontece que, muitas vezes, os cuidadores não estão preparadas para aceitar a expressão ou identidade de género não normativa dos seus filhos, o que pode desencadear, por um lado, sentimentos de culpabilização dos pais e conflitos no sistema conjugal (caso um dos pais integre mais facilmente estas questões) ou, por outro, rejeição do membro da família que seja transgénero.

Ler também Nós somos as mães dos homens de amanhã: Educar para a igualdade de género

Desfazendo a primeira confusão, criada com base nos estereótipos existentes: a orientação sexual é independente da expressão/identidade de género. Isto significa, por exemplo, que um rapaz gostar de vestir saias em nada indica qual é a sua orientação sexual. Impedi-lo de se expressar porque “é isto que os meninos/meninas fazem são” apenas o vai tornar mais triste e ensinar-lhe que é errado ser quem ele é.

A importância da família, enquanto instituição social responsável pela transmissão de competências sociais e morais às crianças e aos jovens, é inquestionável. Deste modo, uma comunicação efetiva no âmbito de uma relação positiva é essencial para a promoção de práticas parentais mais adaptativas. No que concerne a vivência de questões de expressão e identidade de género, estudos sugerem que tem um impacto significativo no desenvolvimento destas crianças e jovens, nomeadamente no seu ajustamento psicológico, perceção de suporte e envolvimento no meio social.

Para pais que possam ter dúvidas ou sejam curiosos, deixo-vos dois artigos interessantes de  ler, um com testemunhos na primeira pessoa  e um outro com alguns dos principais mitos sobre estas questões de género.

Andreia Pires Pereira, Psicóloga Clínica da Horas de Sonho, apoio à criança e à família,
para Up To Kids®

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Brincar ao Faz de Conta

O faz de conta permite à criança resolver problemas presentes, mas também passados.

Servir chá às bonecas, brincar aos polícias e ladrões e fazer teatro de fan.oches.

Conversar com o amigo imaginário, trocar de papéis com os pais, fingir ser a personagem de desenhos animados que adoramos, cozinhar com lama,…

Quem nunca? Quem já não observou os mais pequenos a fazê-lo?

Embora manifestando-se de forma diferente, o faz de conta está presente nas crianças de todas as idades. E ainda bem! De facto, ele é fundamental para o crescimento e desenvolvimento da criança aos níveis intelectual, social e motor.

Ao recriar o “mundo real” no seu mundo imaginário, a criança está a compreendê-lo e a assimilá-lo da forma como o apreende. Ao simular situações, está a desenvolver a imaginação, a fantasia, a criatividade.

Ao imitar o polícia, o bombeiro ou outra qualquer profissão, está a assimilar os valores que lhes estão subjacentes e a criar o seu próprio “quadro ético”.

O faz de conta permite à criança resolver problemas presentes, mas também passados. Isto contribui para a aprendizagem da tomada de decisões, reforçando a sua autonomia e sem medo das imposições dos adultos.

A capacidade de planeamento é também reforçada, bem como a assimilação de regras sociais, familiares e/ou escolares que lhe são impostas.

Mesmo a simulação de lutas de faz de conta é muito importante para o desenvolvimento das crianças.

Canaliza a agressividade natural para uma experiência lúdica. E observar uma criança a brincar ao faz de conta é muito enriquecedor. Permite não só conhecê-la melhor, mas perceber como ela interpreta o mundo que a rodeia. Não raramente, permite também tomarmos consciência de como ela nos vê e aos nossos comportamentos.

Todos os pais e educadores deveriam facilitar e incentivar actividades de faz de conta.

Algumas brincadeiras estruturadas são muito importantes, mas fundamental mesmo é deixar a criança brincar livre e naturalmente, participando quando a tal é convidado.

 

 

Sabe-se que nem sempre as pessoas bem-sucedidas foram as que obtiveram as melhores classificações no seu percurso escolar, assim como a capacidade intelectual não é necessariamente prognóstico de um bom desempenho pessoal e social.

A habilidade de uma pessoa para compreender os seus sentimentos e os dos outros é uma das capacidades mais importantes do ser humano, designando-se Inteligência Emocional. Trata-se de um conceito que ganhou mais visibilidade após a publicação de Daniel Goleman que, em 1998, definiu Inteligência Emocional como a “capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerir bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos”.

Uma pessoa emocionalmente inteligente identifica as suas próprias emoções, gere as suas reações emocionais de forma adequada, pratica o auto-controlo e a empatia e desenvolve uma aceitação incondicional de si mesmo e dos outros.

Embora exija treino, existem várias formas de estimular a Inteligência Emocional nas crianças, sendo que esta pode e deve ser estimulada desde o nascimento, através das crescentes interações entre o bebé e as figuras de vinculação e, à medida que as crianças vão crescendo, através da qualidade das interações da criança com os outros. A vida diária é uma ótima escola de aprendizagem para o desenvolvimento da Inteligência Emocional, pelo que ajudar a criança a resolver os desafios que surgem diariamente será um excelente ponto de partida para criar uma criança emocionalmente inteligente. Os pais ou cuidadores estão na primeira linha de ação enquanto preparadores emocionais dos seus filhos.

Atente algumas das estratégias mais eficazes para fomentar a Inteligência Emocional na criança:

  • Dê espaço à criança para se expressar abertamente sobre os seus sentimentos e ajude-a a verbalizar o que está a sentir, dando-lhe um nome e significado;
  • Ouça a criança com empatia e fomente a importância do saber escutar;
  • Desenvolva brincadeiras de reconhecimento de emoções nas personagens favoritas da criança em histórias ou desenhos animados;
  • Brinque regularmente com a criança, fomentando a interação e o respeito pela opinião do outro;
  • Fale das situações do dia-a-dia, perguntando-lhe o que faria em determinada ocasião;
  • Fomente o diálogo familiar e oriente a criança nas suas escolhas e decisões, entendendo as suas angústias;
  • Estimule a resiliência, ao explicar à criança que nem sempre tudo irá acontecer como deseja, ensinando-a assim, a lidar com problemas e a superar obstáculos;
  • Imponha limites e ensine a criança a lidar com a frustração dizendo “não”.
  • Perante a desmotivação da criança para enfrentar um desafio mostre-lhe a necessidade de se superar, valorizando o seu esforço acima das suas capacidades;
  • Não negue a sua tristeza como forma de proteger a criança. Encare esse momento como uma oportunidade para ela reconhecer a emoção nos outros, através da empatia.

O uso eficaz das emoções permite que a criança ganhe um maior controlo sobre os seus impulsos, ajudando-a a ser menos agressiva e mais sociável. Ao aprender a comunicar de forma mais adequada o seu estado emocional, a criança desenvolverá relações mais saudáveis ao longo da sua vida, com base no respeito e na assertividade.

As crianças emocionalmente inteligentes são crianças mais seguras na procura de soluções para os seus problemas, bem como na adversidade, isto é, em eventos como perdas de entes queridos, separações ou outros acontecimentos críticos.

Ao permitir que a criança desenvolva a sua Inteligência Emocional estará a dar-lhe a oportunidade de crescer de forma saudável e tranquila, vacinando-a contra possíveis perturbações de foro psicológico, como depressões, ansiedades ou outras, fomentando uma personalidade sólida e significativamente mais impermeável a eventos críticos.

Cristina Reis, Psicóloga Clínica

imagem capa original de Luís Nobre