Todas sabemos o quanto a maternidade é um momento incrível e como a nossa vida muda para melhor. Não conseguimos imaginar a nossa vida sem os nossos bebés, que fazem transbordar de amor os nossos corações. Mas, para além do lado maravilhoso, surgem coisas que não gostamos de ouvir ou que nos incomodam profundamente.

Para escrever este post conversei com diversas amigas e juntei as coisas mais destacadas por elas, para além da minha opinião pessoal.

Convido-vos a ajudarem-me a acrescentar itens à lista, comentando aquelas coisas que mais vos irritam na maternidade!

Vamos aos tópicos:

1) Competição entre mães

Quando acabamos de ter os nossos filhos (principalmente o primeiro), ficamos bastante inseguras. É um mundo totalmente novo e queremos viver todos os momentos intensamente e aproveitar os nossos bebés a cada minuto.

É neste cenário que chega outra mãe “mais experiente” e começa a fazer as famosas comparações! É verdade que muitas vezes elas não são feitas com maldade, mas, mesmo assim, são coisas que ninguém gosta de ouvir. Esse tipo de comentário faz-nos sentir como “más mães”. E a insegurança que já estava alta, vai até ao limite! Já para não falar que este tipo de comentários faz parecer que os nossos filhos são menos capazes e inteligentes… Coisas como: “Mas como é que o seu filho ainda não dorme a noite toda? O meu com 1 semana já dormia 10 horas seguidas!”, ou “Com esta idade o meu filho já falava há muito tempo!”, ou até “O meu filho come de TUDO! O seu não?”, são coisas que devemos evitar comentar porque irritam muito!

2) Baby-sitters/enfermeiras que se aproveitam da falta de experiência de uma “new mom

Lembro-me de que quando tive os gémeos contratei uma enfermeira para me ajudar. Eram dois bebés, estava insegura com toda a situação. Claro que ela me ajudou bastante, afinal, eram dois bebés! Mas eu sentia-me um pouco mal, às vezes ia pegá-los ao colo e ela tirava-os de mim, eu ficava extremamente irritada com isso! Quatro meses depois, quando ela saiu de casa, senti-me livre! Parece que, a partir daí, me tornei realmente mãe dos meus filhos!

Obs: Quero deixar claro que as baby-sitters e enfermeiras ajudam muito, esta foi uma sensação pessoal (antes que me julguem).

3) Os que adoram mandar palpites

Assim como em relação à competição entre mães, alguns palpites (a maioria deles) não são ditos com maldade, mas são extremamente irritantes para as mães. “Devia calçar-lhe umas meias, está com os pés gelados”, “Ele está a chorar porque está com fome! Será que o seu leite é fraco?”, “Não o deixe dormir ao colo, senão ele habitua-se!”… Estas frases incomodam a maioria das mães, pois parece que não estamos a saber cuidar dos nossos filhos de forma correta, dá a impressão de que somos desatentas!

4) Marido que não ajuda em nada

Eu, graças à Deus, tenho um marido que me ajuda bastante e é “pau para toda a obra”! Mas quando perguntei a algumas mães o que mais as incomodavam na maternidade, muitas citaram “o marido que não ajuda”. Realmente deve ser bem stressante precisarmos da ajuda do parceiro na rotina do nosso filho e não a termos! #ficaadica para os maridões!

5) Pressão social

Atualmente, a internet faz com que as informações cheguem até nós de modo muito rápido e as mães têm sofrido com a “síndrome da mãe perfeita”. Mas não existe um manual para ser “A” mãe!

A patrulha social tem vindo a julgar e qualificar quem são as boas e as más mães e isto está a deixar as mulheres malucas. Se não amamenta até aos seis meses exclusivamente, se não teve um parto normal, se trabalha fora e deixa o seu filho com a baby-sitter boa parte do dia: então não é uma boa mãe. Até as piadas sobre a  maternidade nas redes sociais fazem com que os dedos se virem para nós, com comentários do tipo: “Então, por que teve filhos? Não deveria ter tido!”. Este género de coisas, em particular, irrita-me profundamente.

6) Mães xiitas

Cada vez mais tenho observado mães xiitas, principalmente no mundo virtual. Escrevo um blogue, acompanho diversos outros, tenho redes sociais e é impressionante verificar como não podemos falar absolutamente NADA que não seja perfeito ou politicamente correto quando o assunto é a maternidade. Se damos algum alimento que não seja orgânico, somos péssimas mães! Se comentamos que estamos cansadas, somos piores ainda! Não existe um meio-termo, não existe exceção! Não sei se estas mães não saem realmente da linha uma única vez ou se apenas escrevem e julgam as outras pelo outro lado do ecrã do computador. #prontofalei #desabafo

Artigo publicado em Just Real Moms, adapatado por Babelia Traduções para Up To Kids®

logobabelia

 

Mudam-se os tempos…

“Eu é que passo o dia a trabalhar e ele é que vem irritado”

Eu percebo que o seu dia de trabalho seja desafiante e esgotante, pense que o do seu filho pode não ser menos. Os tempos mudaram, a tecnologia entrou nas nossas vidas, aprenderam-se técnicas de comunicar com o público, a informação passou a estar ao alcance de um clique.

Nem tudo acompanhou esta mudança.

Mudam-se os tempos mas a escola da maioria das crianças continua igual, algumas têm cadeiras e mesas modernas, outras investiram em quadros interativos e tablets, ouvem-se as crianças falar outras línguas mas o modelo transmissivo lá continua como base do ensino em Portugal.

Quem é a criança que precisa de ouvir, fazer fichas (sejam elas eletrónicas, coloridas ou cheias de flores), voltar a ouvir e fazer fichas num ensino feito dentro de 4 paredes, fazer TPC que nunca mais acabam e testes a perder de conta, onde a transmissão do conhecimento é a base do dia, o investimento em relações positivas não faz parte da rotina, a aprendizagem ativa é um sonho sem expressão.

Quando assim é, claro que o seu filho vem irritado e tem toda a razão para assim estar, eu diria mesmo é funcional ele (re)agir ao sistema.

Conselho da semana

Valorize o seu filho, converse com ele sobre o dia que teve e façam atividades em conjunto de modo a que a aprendizagem ativa que ele deveria realizar na escola, pelo menos a realize em casa. Note, eu sei que não são todas as escolas assim e conheço bem de perto a realidade, estamos num caminho de mudança que no ensino básico e secundário ainda irá levar algum tempo.

 

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A mente que se abre a uma nova ideia jamais regressa ao seu tamanho original.

Se há seres que vêm para nos transformar, para expandir a nossa percepção, são as crianças. As crianças como um todo. E cada uma delas. Individualmente.

Se conseguimos entender, se estamos dispostos a aceitar que assim é, isso já é um desfio diferente. No entanto isso não anula esta verdade. As crianças são catalisadores de expansão. Todas elas e cada uma individualmente.

Mas para que possam fazer bem o seu trabalho, precisam de ter ao seu lado adultos conscientes, que os aceitem. Que os respeitem. Que mesmo que não consigam entender na totalidade a forma como se expressam, a forma como sentem ou vivem, consigam nutrir e acompanhar partindo do ponto mais importante. Da raiz fundamental.

Ficamos frustrados quando não conseguimos compreender os nossos filhos.

“Mas eu quero a minha chávena amarela com riscas azuis!”… “Não quero ir à escola hoje. Não vou!”… “Não me lavaste as calças e hoje tenho treino de ginástica, tiro ao alvo e salto à vara!”

Só conseguimos ver o que está à superfície. Então o nosso piloto automático fica no comando. Reagimos. Recorremos àquilo que aprendemos ao longo do nosso próprio crescimento. Às nossas referências.

No entanto, muitos pais – cada vez mais reconhecem que o seu piloto automático não se coaduna com o caminho que querem seguir na educação dos seus filhos.

É o coração a falar mais alto.

Não é por acaso que o coração é o primeiro órgão a formar-se. Já pensou porque razão não é o primeiro nas nossas decisões e escolhas?

A resposta é simples. Não aprendemos. Não sabemos. Crescemos desconectados do nosso coração. Das nossas emoções.

Passamos a vida inteira a sentir: segue o teu coração. Mas no dia-a-dia, atolado de situações e posições desafiantes e pensamos: Sim. Pois. Claro. O coração.

E, claro, depois há a nossa infância – o gigante disfarçado onde vivem todas as raízes de como pensamos e agimos.

Na infância, somos permanentemente bombardeados com frases que nunca esperámos ouvir.

Porque na infância não se vive noutra frequência senão a do coração. Que é a frequência da conexão.

Quem não ouviu frases do tipo: “Usa a cabeça. Tens de usar a cabeça.”… “Quem manda aqui sou eu.”… “Não quero saber se a Agripina se deita às 11 da noite!”

E o coração vai-se desvalorizando. Vai perdendo a força enquanto elemento fundamental na conexão entre as pessoas. De confiança. De valor.

Quando o coração é, não apenas a raiz física – fisiológica –  como também, a raiz emocional. Simbólica. De onde tudo parte.

Crescemos – e daí vivermos – de forma tão desconectada que se torna tarefa quase impossível reconectarmo-nos. Parece impossível mas não é.

No entanto, reconectarmo-nos, de forma a podermos Criar com o Coração, implica refazer ligações – novas ligações – que ficaram danificadas ao longo do nosso próprio crescimento.

Então o que é Criar Com o Coração? Começo pelo que Criar Com o Coração NÃO É. Criar Com O Coração não é uma escolha que se faz uma vez e se abandona.

Criar Com O Coração é libertar-se do controlo. É libertar-se da necessidade de poder. É libertar-se de todos os mitos, preconceitos e percepções que construiu durante o seu próprio crescimento. Das suas próprias experiências de desconexão.

É conectar-se consigo mesmo em primeiro lugar. E amar-se como um ser pleno.

Criar com o Coração é ancorar, depois, na sua forma de educar apenas em práticas e ferramentas que partem de um ponto de amor. De gratidão.

Criar Com O Coração É deitarmo-nos hoje e decidir: sou grato pelas crianças que estão na minha vida. Pode nem sempre ser fácil, mas hoje tenho CORAGEM de escolher MUDAR a maneira como ajo com os meus filhos.

É acordarmos amanhã de manhã e pensarmos que por mais difícil que seja, hoje vou ser corajoso e conseguir gerir as minhas emoções antes de falar/ de agir/ de reagir.

Hoje, em vez de ser a projecção das minhas dores ansiedades ou do meu passado, hoje vou ser quem eu SOU. Hoje vou abrir uma nova página e ser quem eu quero ser.

Quero desde já assegurar que apesar de à primeira vista isto parecer aterrador  ou mesmo até conversa fiada –  garanto-lhe que esta pequena prática vai provocar alterações significativas num processo a que vou chamar reconexão (rewiring em inglês).

Há inúmeros estudos que cobrem esta matéria. O seu cérebro vai fisicamente estabelecer novas conexões e restituir ligações que estavam quebradas.

Criar Com O Coração é um processo, uma caminhada de avanços, recuos e novos avanços. Não é um toque de varinha mágica que elimina desafios, momentos difíceis os medos ou as incertezas.

Não, não vai acordar amanhã e o mundo estar perfeito. Vai continuar a ter momentos em que vai ter vontade de trepar paredes, arrancar os cabelos ou enfiar-se num vaivém espacial e aterrar noutro planeta. E ficar lá até os seus filhos terem trinta e cinco anos.   

Mas a boa notícia é que não temos de ser perfeitos. Temos de ir caminhando. Não gostamos da maneira como agimos com os nossos filhos? Arrependemo-nos constantemente do que dizemos ou fazemos?

Esta é uma forma de o nosso coração nos confirmar que estamos  prontos para mudar. Devemos escutá-lo.

Parece ser demasiado exigente? É na verdade apenas mais consciente. E esta é uma palavra vital na interacção humana. E muito em especial na formação de crianças mentalmente saudáveis.

Não vamos acordar amanhã e estar diferentes. Não. Espere. Isso provavelmente vai acontecer. É um dos efeitos de expandir a nossa percepção e de absorver novo conhecimento.

Sei que cada adulto que implemente esta prática verá melhorias não apenas na comunicação com as crianças, nas suas manifestações verbais e não verbais, mas também melhorias na sua própria vida.

Ao ampliar a sua percepção, o seu cérebro vai fazer novas conexões.

A mente que se abre a uma nova ideia jamais regressa ao seu tamanho original.  Jamais. Já dizia Einstein.

 

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Mães e Pais têm licença poética para serem ridículos

Quando nasce um filho, nasce também uma mãe e um pai. O “nascer” mãe/pai não se dá como a data e horário do parto dos bebés, por exemplo: nasceu dia 04 de fevereiro de 2013, às 15:47 horas. A Mãe e pai vão nascendo aos poucos, adaptando-se às necessidades do rebento e transformando-se para acompanhar as fases de seus filhos. Haja amor para tantos partos de um mesmo filho, primeiro bebés e crianças, depois pré-adolescentes, adolescentes e, finalmente, adultos.

Lembro-me quando as minhas amigas me mostravam incansavelmente as fotos de seus filhos no telemóvel. Eram milhares, todas iguais. Que chatice! Eu não era mãe! Além do mais para mim recém-nascidos sempre foram parecidos com joelhos: eram bonitinhos, mas inchados e sem forma.

Desmarcar compromissos de trabalho porque não tinham com quem deixar o bebé ou porque este adoeceu, sempre achei pouco ético e irresponsável. Emocionar-se quando o filho deu o primeiro passo ou disse a primeira palavra era desnecessário, afinal, é isso que se espera de uma criança, que ela se desenvolva. Mãe/pai a chorar porque chegou o dia de a criança ir para a escola, qual o sentido? Afinal, todas as crianças precisam de sociabilizar e aprender a ler e a escrever.

Até que, também eu fui mãe e, aos poucos, tudo isto foi fazendo sentido. Mostrar fotos a toda a gente, incluindo aqueles que não querem ver (não são mães/pais), era quase uma obsessão. Os recém-nascidos já não têm cara de joelho, consigo identificar as características que são da mãe e as que são do pai, mesmo numa cara tão pequenina.

Quando o meu filho adoece, desmarco os compromissos pessoais, profissionais e, se no dia tiver um encontro com o papa, infelizmente também terá de ser desmarcado. Entendi perfeitamente o drama de mães/pais que deixam um filho no primeiro dia de escola, pois hoje eu sei que é a primeira “grande” separação.

Nascer mãe/pai faz com que nos preocupemos com uma possível terceira guerra mundial, com a fome, a Batalha de Aleppo, tsunamis, terremotos, falta de acesso à educação, saúde e segurança; surtos de doenças, acidentes de trânsito, política e economia, enfim, preocupamo-nos com tudo e com todos.

As Mães/pais têm um olhar refinado para identificar a dor dos outros, maior disponibilidade interna para perceber as crianças ou famílias que precisam de apoio e ajudá-los. Não digo que quem não tem filhos não seja capaz de se preocupar e se mobilizar para fazer um mundo melhor, mas sim que o “olhar” de mãe/pai faz uma leitura diferente de tudo à sua volta.

Nascer mãe/pai traz muitas alegrias: damos outro significado à vida e importância às pequenas coisas, mas viver dói mais. Tornar-se mãe/pai é preocupar-se com tudo o que acontece à volta e principalmente com o filho. É consultar a previsão do tempo antes de sair de casa, especializar-se em comidas saudáveis, pesquisar se existe um sequestrador de plantão nos arredores, tornar-se PHD em vacinas, estudar como se deve criar um filho no Google (porque tem horas em que não confiamos no nosso instinto).

Ser mãe/pai também é tornar-se mais sensível: choramos pelos filhos dos outros, pelas crianças inocentes que morrem, sofremos com as mães/pais que perdem seu filho. As Mães/pais são pessoas fáceis de se reconhecerem, choram até num anúncio de margarina, mas são sábios o suficiente para dar importância ao que realmente vale a pena. É apreciar um domingo de sol para passear no parque, é identificar o sorriso das pessoas na rua, é admirar a professora do filho, é conciliar o trabalho com a parentalidade, é manter as amizades nessa trajetória da vida.

Talvez sejam coisas singelas, mas, possivelmente, sejam essas coisas que dão sentido à vida: sorrisos, beijos, abraços, momentos e a paz. Ser mãe/pai traz muitos desassossegos, mas refinar  o nosso olhar para observar a beleza nas pequenas coisas e acreditar no que vale a pena é ter fé na vida.

E o que seria do mundo se não fossem as mães/pais que fazem outra leitura dele? Que sentem, compreendem a vida com mais ternura? Que transbordam um amor diferente?

Assim, digo que as mães têm o direito de mostrar as fotos dos seus filhos a todas as pessoas, de chorar quando os deixam na porta da escola, de se emocionar com o primeiro passo e a primeira palavra, de não dormir na véspera das vacinas dolorosas, de se deprimirem diante das atrocidades que são cometidas com milhares de crianças no mundo, porque tudo isso faz sentido quando se nasce mãe.

As Mães estão sempre com lágrimas nos olhos que podem ser de amor ou dor. Estão sempre em estado de alerta para protegerem o filho ou outra criança. Somos bons a ensinar a afetividade e a ternura, mas somos melhores ainda quando se trata de defender as nossas crias.

Eu duvido que as mães não tenham exercido a sua “ridiculez” defendendo com “unhas e dentes” o seu ideal de criar o próprio filho, quando duvidou do pediatra, quando o filho apanhou de um colega, quando algum familiar questionou a educação dada à criança, quando houve criticas à comida oferecida ao bebé, enfim, a lista é infindável.

Por isso eu digo: nós, mães, temos licença poética para sermos “ridículos”!

E vamos continuar a ser “ridículos”, pois ainda há muitas coisas a serem feitas para melhorar o mundo para as  nossas crianças.

Por Elisangela Siqueira, para ContiOUTRA

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image@shutterstock

“Ele não faz nada, tenho que ser eu a preparar a mochila e depois diz que não coloquei a roupa que ele queria”.

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Não é uma questão de tudo ou nada, a criança precisa de autonomia e o pai deve vê-la como um investimento não como uma perda de segurança. O primeiro motivo para muitos pais não darem autonomia aos filhos é o medo inconsciente de os começarem a ver ter vidas independentes, de perderem o controlo da situação.

Não se esqueça que, quer queira quer não, um dia isso vai acontecer e se essa autonomia for dada passo a passo com intencionalidade, ela fará parte do crescimento do seu filho e da vossa relação de confiança, não se tornando assim um monstro de sete cabeças, nem para si, nem para o seu filho. Se a autonomia surgir de uma forma gradual e natural, não só estará a incutir responsabilidade ao seu filho como, quando ele lhe exigir mais autonomia, será apenas mais um passo num caminho que já fazem juntos.

Autonomia e confiança têm que andar de braço dado.

Conselho da Semana

Escolha uma situação concreta para aumentar a autonomia do seu filho e garanta, mas garanta mesmo que ele tem sucesso na sua implementação. Comece por coisas tão simples quanto, deixá-lo escolher à noite uma das peças de roupa que usará no dia seguinte. Use a sua criatividade e reforce quando ele for bem sucedido.

 

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Lembro-me perfeitamente do momento em que a professora de inglês nos pediu para escrever uma composição sobre os nossos “role models”, as pessoas em quem nos inspirávamos, as que admirávamos, e porquê.

Lembro-me perfeitamente de a minha melhor amiga da época ter escrito sobre mim e de me ter sentido importante, no sentido em que alguém via qualidades em mim, qualidades a que eu não dava grande importância.

Hoje considero que, de facto, sou boa ouvinte, mas o resto talvez estivesse a ser empolado pelo facto de naquela idade, aos quinze anos, sentirmos tudo a mil porcento.

Pensava eu sobre isto quando me dei conta de que hoje, aos quase trinta e um, sou uma role model. E das a sério. Daquelas que deixam marcas. Das que podem influenciar o futuro. Das que podem dar confiança ou retirá-la para sempre.

Sou mãe.

E para a minha filha, não há quem a inspire mais que eu. E não há vaidade nestas palavras, simplesmente eu e o pai somos o porto mais seguro que conhece e, por isso, os seus modelos de eleição. Bem sei que as pessoas que a rodeiam têm a sua influência, mas ninguém tem a importância que nós temos.

E é aqui que me preocupa pensar o que há para a acrescentar à lista onde já está escrito “boa ouvinte”.

Porque quero que a minha filha, quando um dia fizer uma composição sobre mim (seja ela sobre as pessoas que admira ou simplesmente sobre a pessoa que a trouxe ao mundo), seja capaz de escrever pelo menos umas cinco coisas muito positivas sobre mim.

Isso quererá dizer que fiz um bom trabalho.

Sou o espelho das suas emoções, dos seus sonhos, das suas dúvidas. Sou eu quem lhe devolve a resposta a tudo. E tento que seja o mais positiva possível. O mais realista mas, ao mesmo tempo, a mais impulsionadora do verbo “sonhar”.

Hoje sou uma role model a sério e preocupo-me com o que vou pôr na mesa ao jantar.

Com os livros que lemos encostadinhas uma à outra.

Com as corridas que fazemos no corredor.

Com as flores que apontamos no jardim, com os animais que conhecemos pelo nome.

Com as músicas que ensino e as que já vou aprendendo.

Com a forma como reajo em situações de stress.

Como me dirijo aos outros.

Como respondo às perguntas que a minha filha me faz.

Como ajudo quem precisa e quem não parece precisar.

Como reparo em coisas que aparentemente não têm importância.

Porque tudo conta.

Porque tudo serão referências.

Tudo fará parte da pessoa em que em já se está a tornar.

Muita pressão?

Nem por isso, basta-me querer ser a melhor versão de mim mesma.

Sei que à minha filha isso bastará.

Isso e o amor que lhe tenho.

E que sei que será para ela um exemplo.

Sempre.

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Estímulos a mais Concentração a menos. Estamos a enlouquecer os nossos filhos

imagem@weheartit

Sabe o que há de maravilhoso em ter filhos? Só tem quem quer. Não é obrigatório! Isso mesmo, ter ou não ter filhos é uma escolha absolutamente racional. Não é uma decisão que se tome porque se está apaixonado por alguém, ou porque está à procura de um sentido para a vida, ou porque se esteja a sentir solitário e ande a sonhar com uma família daquelas dos anuncios. Tornar-se pai ou mãe envolve um enorme compromisso que é responsabilizar-se cem por cento pela vida de uma outra pessoa que, não escolheu ser a sua extensão, continuação, inspiração ou coisa que o valha.

E sabe o que há de terrível em ter filhos? É que um grande número de homens e mulheres tomam essa decisão para cumprir um papel social ou fazem-no, simplesmente, por acidente, ou porque fizeram sexo sem proteção ignorando o facto de que é exatamente assim que nós, seres humanos, nos reproduzimos. E o que se pode esperar de pessoas que trouxeram outra pessoa a este mundo por pressão social ou por imprudência?

Seguindo esta linha de raciocínio, passemos a uma necessária reflexão sobre o que é responsabilizar-se pela existência de um ser humano. Nascemos filhotes, exatamente como as outras espécies animais, só que com uma pequena diferença: dependemos dos nossos pais para absolutamente tudo; e se formos abandonados sem cuidados, morremos; tão simples quanto isto!

Ao contrário das outras espécies animais, permanecemos dependentes durante grande parte das nossas vidas. Bem, na verdade, alguns  ficam dependentes eternamente. Mas, voltando ao fulcro da questão, os seres humanos costumam depender dos seus progenitores até que sejam capazes de prover seu próprio sustento e responsabilizar-se por si mesmos. E antes disso acontecer, os seres humanos passam pela infância e não há o que se possa fazer para alterar esse fato.

Sendo assim, fica claro que ter filhos é um projeto e uma tarefa de longo prazo. Passados os primeiros desafios de cuidar de um bebé, o que envolve noites sem dormir, alterações importantes na rotina de vida, choros indecifráveis, um amor de tirar o fôlego, fraldas sujas, intercorrências de saúde inesperadas, alegrias desmedidas e mais um tanto imenso de outras variáveis que ocupariam páginas e mais páginas de texto, esse bebé vai crescer e passará a ser uma versão de ser humano tão encantadora quanto desafiadora, chamada criança.

As crianças são seres humanos na fase mais interessante da vida. Costumam ser inquietas, curiosas, desconcertantemente espontâneas, algumas vezes cruéis, muitas vezes apaixonantes e são um mistério quase completo para os adultos que teimam em não admitir que já foram crianças um dia.

As crianças precisam de atenção, de carinho, de cuidados físicos, de autoridade amorosa, de exemplos vivos de comportamento ético, de coerência entre ação e discurso, de um ambiente alegre e saudável para se desenvolver. Uma criança precisa de educação e educar é uma função intransferível daqueles que se responsabilizaram por ela, seja por vias biológicas ou não.
Educar uma criança não é tarefa fácil, sendo muito exaustivo tanto do ponto de vista físico quanto emocional e psicológico. Há crianças que necessitam de mais de cuidados, exatamente pelo facto de serem mais difíceis de se lidar porque acreditam que o mundo lá fora terá dificuldades em amá-las e é, exatamente por isso que precisam de ser amadas dentro desse núcleo familiar que ESCOLHEU tê-la.

Não se bate nas crianças. Nunca. De jeito nenhum. Sob nenhum pretexto. E, não, não pode dar nem uma palmada na hora certa, nem uma chinelada no rabo. Não pode e pronto! Quando o adulto responsável chega ao cúmulo de desejar ferir uma criança, é porque perdeu completamente a dimensão da sua missão em relação a ela. O adulto responsável que recorre a gritos, ameaças e agressões (por menores que sejam), passam para a criança a seguinte mensagem: “Estou perdido. Não sei o que fazer contigo.”

Além disso, o facto de se descontrolar perante uma criança porque está a desafiar a sua autoridade, seja ela parental ou não; ou porque parece ter muitas dificuldades em seguir regras ou porque teima em não cumprir as combinações e está constantemente a testar a sua paciência, equivale a ensiná-la que é isso que ela deve fazer perante os inúmeros e variados desafios ao longo da vida.
Educar uma criança requer que o responsável se lembre SEMPRE que ele é que é o adulto da relação. Que as crianças são seres em formação e o seu comportamento pode e vai ser difícil muitas vezes. Corrige-se uma criança com firmeza e doçura ao mesmo tempo, olhando nos olhos, em voz baixa e calma. Corrige-se uma criança, oferecendo-lhe meios de transformar o seu comportamento a partir de exemplos de conduta estável e coerente. Corrige-se uma criança em privado, nunca à frente dos outros. Corrige-se sem humilhar.

Portanto, se fez a escolha de se responsabilizar por uma criança, entenda de uma vez por todas que essa escolha redefinirá a sua vida a partir do nascimento, ou melhor, desde a concepção deste bebé.  Esqueça as expectativas de trazer uma bonequinha ou um bonequinho para casa e aproveite a oportunidade para trazer à tona a sua melhor versão de si mesmo, para que esse filho se possa sentir seguro, amado e respeitado.

E, assim possa ter orgulho dos pais que optaram por tê-lo.

 

Por Ana Macarini, para A Soma de Todos os Afetos

adaptado por Up To Kids®

Dizem que aos 3 anos as crianças não podem usar chucha

“Não te dou a chucha, ai que feio ficas com a chucha, é minha, queres ser bebé?” – toda a conversa à volta da chucha tão frequente e sistemática leva a que a criança centre muito mais da sua atenção neste pequeno objeto do que aquilo que seria necessário.

A chucha é um elemento de conforto muito importante desde que bem utilizado.

Conselho da Semana. Tips For Parents.

Se o seu filho usa chucha deixe que seja ele a pedir quando sente necessidade, não a use como arma e não deixe que a criança fale com a chucha na boca. Para tal não é preciso criar confusão, basta com um ar convicto dizer-lhe que não percebe o que ele diz, tem é que o fazer sempre que ele tente falar com a chucha na boca. Não se esqueça que cada caso é um caso e a decisão de continuar a usar chucha ou não deve ser analisada de acordo com questões de saúde como deformação dentária, otites frequentes e questões emocionais.

Todas as crianças têm ritmos de crescimento diferentes e não é por terem feito 3 anos naquele dia que passam automaticamente a ter outras atitudes e comportamentos. A verdade é que com compreensão e calma os objectivos acabam por ser atingidos.

Não conhece ninguém que use chucha aos 18 anos, pois não? Então, desde que não seja um problema para a saúde, não desespere, pode  fazer esta transição de forma natural, sem frases humilhantes ou pressas desmedidas.

 

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Chuchas, sim ou nunca?

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O título é provocatório! À partida todos os pais pensarão nos filhos. No entanto, em casos de separação e divórcio, nem sempre há a capacidade de “separar águas” (temas do casal e temas da parentalidade) acabando as crianças por cair numa rede densa de emoções complexas, sentindo-se desprotegidos e no meio de um campo de batalha, provocado por aqueles em quem mais confia para cuidarem dele – os seus pais.

Mas, felizmente, nem todas as situações são assim! Recebo no consultório, com alguma frequência, pais que me procuram no sentido de encontrarem orientações que os ajudem a gerir uma fase de separação, tendo como principal foco o bem-estar global dos filhos. Diria que (o simples facto de) procurarem ajuda para minimizar impactos nas crianças é, por si só, um sinal muito positivo. Um sinal de afeto e respeito pelas crianças. Isto é ainda mais válido, enquanto potencial fator de proteção, quando recebo em consulta, pai e mãe – pais que compreendem que embora deixe de existir a “figura” casal, continuará a existir, para sempre, a “figura” pais.

As questões são múltiplas: umas mais gerais e outras mais específicas àquelas famílias. E, precisamente porque cada caso é um caso, cada dinâmica tem as suas especificidades, cada família tem as suas histórias e estão em fases diferentes do seu ciclo familiar e cada elemento da família tem as suas idiossincrasias, não existem verdades únicas e absolutas. Ainda assim, há um conjunto de cuidados e de práticas que vale a pena considerar, quando se quer gerir um processo de separação, não fazendo com que as crianças se sintam inseguras, desprotegidas ou desrespeitadas.

O melhor preditor de “sucesso” num processo desta natureza, envolto sempre num turbilhão de emoções, e com vista à proteção das crianças e à promoção do seu desenvolvimento de forma harmoniosa, é precisamente a capacidade dos adultos gerirem o processo com bom senso e a capacidade de compreenderem que, embora se dissolva uma relação de casal é perentório que não se dissolva a relação de pais. Essa sintonia e capacidade de agir em prol dos filhos é determinante para o bem-estar das crianças.

Partilho algumas das muitas questões que os pais colocam em consulta e algumas orientações gerais associadas às mesmas.

No momento de lhes explicarmos o que vai acontecer que cuidados devemos ter?

Alguns cuidados a ter no momento de partilhar com os filhos as mudanças que se avizinham:

– Não associar a notícia a uma data ou época especial, como uma data de aniversário ou o Natal, por exemplo;

– Não tornar o momento de dar a notícia numa reunião familiar demasiado formal, “séria”;

– Assegurar à criança que independentemente do que se está a passar na relação dos pais enquanto casal, estes continuarão a amá-la incondicionalmente e a funcionar como uma equipa em tudo o que respeita aos filhos – os pais deixam de ser namorados, mas continuam a ser amigos e nunca deixarão de ser pais dos seus filhos e de cuidar deles;

– Usar uma linguagem simples, adequada ao nível de desenvolvimento da criança, não dando detalhes desnecessários;

– Explicar o que vai ser diferente (exemplo: duas casas) e o que se manterá (exemplo: mesmo amor dos pais, mesma escola, mesmos amigos);

– Dar espaço e tempo, mas sem pressionar, para que a criança possa fazer questões;

– As crianças sintonizam emocionalmente com os adultos. Se os adultos se mostrarem calmos, seguros, confiantes, no momento de darem a notícia aos filhos, as crianças irão reagir com maior tranquilidade.

As crianças devem participar nas mudanças?

Uma separação conduz a uma nova versão de vida familiar, diferente daquela que a criança conhecia até então. A criança poderá participar nalgumas fases da mudança mas tal depende de vários fatores, como as características da família, a idade da criança, se a criança passará a viver também, nalgum período da semana, na casa do outro pai… Pode inclusivamente, se a criança já possuir alguma maturidade, perguntar-se se ela quer participar, de algum modo, na mudança. Por exemplo, em situações em que se prevê uma regulação das responsabilidades parentais igualmente repartida, em que a criança passará a ter dois quartos, em duas casas, é bastante benéfico que ela possa participar na mudança (escolhendo alguns brinquedos ou objetos que transitam de uma casa para a outra, ajudando o pai/a mãe na decoração de alguns elementos da nova casa…)

Como devemos fazer naqueles momentos em que estávamos os dois presentes e passará a estar só um de nós presente?

Acima de tudo descomplicando e validando aquilo que a criança possa estar a sentir. É normal que sintas a falta da mãe na hora de * Queres ligar-lhe para lhe dar um beijinho? Se o adulto agir com naturalidade e confiança nas novas rotinas, a criança também se sentirá segura e conseguirá adaptar-se à nova realidade com maior tranquilidade.

Que perguntas posso esperar que ele nos faça? Quando surgem essas perguntas?

As perguntas que as crianças fazem são muito variadas, dependendo da idade e das características de personalidade da própria criança. O momento em que elas surgem pode também variar: há crianças que formulam imensas questões quando os pais partilham o que se está a passar e o que irá acontecer, há crianças que vão fazendo perguntas espaçadas no tempo, há crianças que só quando “instaladas” nas novas dinâmicas se sentem seguras para expor as suas dúvidas…

Em crianças mais pequenas tendem a surgir questões muito pragmáticas: Onde vou morar? Onde vão estar os meus brinquedos? Quem me vai buscar à escola? Em crianças mais crescidas podem surgir outro tipo de dúvidas: A culpa foi minha? Tenho de mudar de escola? Tenho de escolher com quem vou morar? Eu não quero que tenhas uma namorada. Não quero outra mãe. Vão deixar de gostar de mim? Nunca mais vou ver o pai/mãe?

Também neste caso, não existe uma forma única ajustada para se dar resposta às perguntas das crianças, mas existem alguns cuidados a considerar, aliados a muito bom senso:

– mostrar disponibilidade e dar espaço para que a criança possa expressar aquilo que pensa e sente, e para colocar as questões que quiser;

– não pressionar a criança a fazer perguntas ou comentários;

– dar respostas honestas, verdadeiras, numa linguagem simples e que seja ajustada ao nível de desenvolvimento da criança;

– garantir sempre respostas que ajudem a diminuir possíveis níveis de ansiedade.

Devemos estar à espera de algum tipo de mudanças de comportamento nesta fase?

Ajustamento das crianças a uma separação/divórcio está em larga medida relacionado com a forma como os adultos gerem o tema. Ainda assim, mesmo quando a gestão é feita de forma estruturante, é natural que, numa fase transitória, possa surgir a tristeza, a zanga, a ansiedade, a irritabilidade… Podem surgir também alterações de comportamento, como mudanças nos padrões de sono (como maior dificuldade em adormecer, pesadelos), alteração no controlo dos esfíncteres (como voltar a fazer xixi na cama), alterações de apetite. Todas estas mudanças, desde que não se prolonguem no tempo, podem ser encaradas como naturais num processo de divórcio, mesmo quando este decorre de forma tranquila.

Quando é que é necessário procurar ajuda?

Numa fase de tomada de decisão, e quando existem crianças, pode fazer sentido agendar uma consulta de aconselhamento parental, no sentido dos pais da criança tomarem maior consciência da melhor forma de abordar o tema junto dos filhos, considerando a sua fase de desenvolvimento e características pessoais e de tomarem conhecimento das reações que podem ocorrer, normativas e não normativas, e como lidar com elas, por forma a garantir o bem-estar físico e emocional das crianças.

Posteriormente, caso as reações que podem ser expectáveis se prolonguem no tempo, ou caso os pais não estejam a ser capazes de lidar com elas de forma eficaz e estruturante para a criança, é aconselhável procurar ajuda especializada, junto de um Psicólogo infanto-juvenil.

 

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De mãe a Momster – Consequências de reprimir as nossas emoções

Amar o nosso monstrinho

Às vezes fico tão zangada. Zangada com uma pitadinha de danada e, uma redução de irritação fumada a sair pelas orelhas. A zanga é por vezes tão intensa que juro que me crescem garras afiadas, nos pés e nas mãos. Não são garras discretas. Nada disso. São de um vermelho vivo, quase florescente, e têm pintinhas verdes nas pontas. Assim, de certeza que ninguém se aproxima! Aumento muito de tamanho… Andar a andar, vou crescendo, crescendo até me transformar num gigantesco prédio peludo com olhos amarelos lançadores de raios fulminantes. Nesse momento, surge a pergunta “Estás bem?” e a resposta fumegante do costume: “Estou óptima!”

Desde pequeninos que aprendemos que demonstrar os nossos sentimentos mais desafiantes “é feio”. Assim, cada vez que eles aparecem escondemo-los dos Outros. Ficam arrumadinhos, bem fundo, nas caixas do “NÃO MEXER”. Os anos passam e, as caixas aumentam. Já que as temos, aproveitamos e começamos a colocar lá outras coisas, que sentimos que os Outros não vão gostar e, que fazem de nós “pessoas más”. Aquela raiva, quando o Joãozinho me passou à frente na corrida na escola. Aquela tristeza, quando as férias de Verão acabaram. Aquela revolta, quando o Pedrinho me chamou nomes e chamaram-me a atenção a MIM. O ciúme do meu irmão, o medo de cair da bicicleta, a repulsa aos brócolos da avó…Todas essas coisas ficaram nas caixinhas, sem voz, reprimidas, sem oportunidade ou espaço para virem cá para fora.

Aprendemos a esconder.

Escondemos tão bem que nos tornamos especialistas no assunto. Às vezes, ainda a emoção não tomou forma e ZUMM, já está a entrar na caixa. Mas a caixa está lá. Mesmo que eu não olhe para ela, ela está lá. Paradinha, à espera, cheiiinha até cima.

Existe, no entanto, um comando cheio de botões coloridos que permite abrir cada uma dessas caixas. E sabem onde ele está? Ah pois é! Bem na mão dos nossos filhos. Sabem como eles gostam de carregar em botões, não sabem? “Uuuuuuu e este o que é que faz? E se carregar em dois ao mesmo tempo o que acontece?” Acontece uma mãe monstrinha sem filtros.

Consequências de reprimir as nossas emoções

Reprimir as nossas emoções, principalmente na infância, além de nos tornar umas bombas relógio peludas, torna-nos incapazes perceber as verdadeiras necessidades dos nossos filhos e de aceitar verdadeiramente as suas emoções. Ou projetamos inconscientemente as nossas necessidades, aumentadas por anos de frustração, ou negamos as suas necessidades para evitar mexer na caixa nº 354.

As nossas caixas estão lá dentro e, os nossos filhos estão dispostos a ajudar-nos, para finalmente, conseguirmos abri-las. Olhar para elas e receber de braços abertos tudo o que não foi recebido, na altura, com presença e amor.

Todas as emoções são importantes, as “boas” e as “más”. Todas fazem parte de nós, mas não são “nós”. São como nuvens que passam no céu, ficam um bocadinho e flutuam para outro sítio. Porquê guardar nuvens em caixas?

Ama o teu monstrinho.

Recebe com a mesma presença as emoções pequenas e grandes do teu filho. Respira fundo e deixa-as ir quando for a altura. Mostra-lhe que o amas por inteiro, desde as assustadoras garras afiadas vermelho vivo, até ao sorriso mais doce. Mostra-lhe que ele tem um espaço seguro para ser quem ele é, onde é sempre recebido de braços abertos por um coração monstruosamente grande.