TIPS FOR PARENTS 11 | Regras e mais regras. Será que o seu filho precisa de regras?

A resposta é sem margem de dúvida SIM. A criança precisa de regras e precisa que os pais sejam consistentes na implementação dessas regras. A maioria das crianças tem pais que implementam e até conversam com as crianças sobre as regras mas depois muitos não são consistentes e quando isso acontece baralham aquela cabeça pequenina.

Imagine que eu quero muito jogar à bola na sala e sei porque já me explicaram o motivo de não o poder fazer, mas percebi que sempre que grito ou digo que estou com sono já posso jogar e ainda oiço a minha mãe comentar “ela está com sono é melhor não contrariar”, qual será o meu pensamento seguinte?

A criança pede regras e as regras dão-lhe segurança. Claro que não devem ser excessivas, até porque a criança deve poder experimentar o mundo. Houve um tempo em que a maioria das crianças tinham regras em excesso, não podiam isto, não podiam aquilo, não, não, não, o que também não era positivo.

Hoje a moda é diferente, muitas vezes elas não existem porque é extremamente difícil ser coerente com o nível de cansaço que os pais têm ao final do dia.  Mas não se esqueça, que mesmo sendo difícil numa fase, ser firme nas regras vai diminuir o desgaste da sua relação com o seu filho e isso terá consequências muito positivas a médio prazo.

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TIPS FOR PARENTS 10 | Esteja atento a sinais de tensão

É muito importante que esteja atento a alguns sinais de tensão nas crianças, ninguém melhor que os pais para conhecer o seu filho e perceber que ele não está bem, mas para isso tem que estar atento às pistas que a criança lhe dá.

Alguns sinais de alerta

A criança que deixa de comer; que volta a fazer xixi na cama; que não dorme ou passa a ter um sono agitado; que desenvolve fobias; mais do que todos estes, preocupa-me quando uma criança evita o contacto olhos nos olhos em situações do dia a dia e demonstra apatia.

Quando uma criança está zangada é normal que evite olhar para si e não deve insistir que o faça, mas se o seu filho habitualmente conversa consigo e a olha nos olhos e de um momento para o outro a evita, principalmente quando lhe pergunta se está tudo bem, então é sinal de alerta. Fiz já alguns despistes em que se conseguiu evitar situações mais complexas porque pais atentos perceberam os sinais e recorreram a mim para que os ajudasse a perceber o que se passava. Por vezes não se passa nada de grave à luz de um adulto mas muito grave na cabeça de uma criança e se ela está em sofrimento temos que agir o quanto antes. Outras vezes infelizmente passa-se algo de grave, pode mesmo ser no interior de uma família e quanto mais cedo se analisar a situação menos danos provocará na criança.

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TIPS FOR PARENTS 9 | Gritar é descontrolar uma situação

O grito é uma forma descontrolada de agir que provoca comportamentos negativos em espiral, isto significa que cada vez que grita a probabilidade de se tornar cada vez menos eficaz é enorme. Quando a criança ou o aluno se habitua a só alterar o seu comportamento perante o grito cria-se um ciclo difícil de quebrar. Gritar é descontrolar uma situação, é aumentar o risco do problema e descarregar no outro a nossa incapacidade de nos controlarmos e é modelar o comportamento do outro numa situação semelhante.

São muitas as famílias que relatam situações de gritos regulares em suas casas ou na rua, o primeiro passo para que isso não aconteça é você acreditar que tem o poder e a capacidade de não gritar e de utilizar essa energia para desenvolver comportamentos mais assertivos e com menor impacto negativo no outro.

Já pensou quanto tempo fica a ressoar na cabeça de uma criança os gritos dos pais e dos professores?

A criança, ao contrário do adulto, não tem filtros tão desenvolvidos para que isso não a afete, ainda que depois o demonstre de formas muito pouco perceptíveis.

Não vale a pena sentir-se frustrada se os gritos já fazem parte do seu dia a dia, ou se aconteceu uma ou outra vez. O que interessa é que daqui em diante faça o exercício de tentar controlar este impulso e acredite que é capaz.

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“És preguiçoso! És mau!”

Quando dizemos a uma criança que ela é isto ou aquilo estamos a confirmar e a isolar características que queremos transformar. Percebo que a ideia é boa mas a estratégia podia ser melhor.

Se alguém muito próximo passar o dia a chamar a atenção para o pequeno sinal que tem na mão direita no final do dia esse sinal tomou uma dimensão enorme, certo?

Pois passa-se o mesmo com a criança, se lhe dizemos que ela é desorganizada, é má aluna, é antipática, ela incorpora estas ideias como traços da sua personalidade e muito facilmente começa regularmente a agir assim, já que o seu cérebro no momento da decisão, tem uma indicação muito clara: “A tua mãe bem sabe que não és pontual, atrasas-te sempre, o melhor é dormires mais um bocadinho” ou “Bem que o teu pai te diz que és antipático, para quê um sorriso?”

Conselho da semana

Faça então o seguinte exercício:

Χ  Tu és teimoso.

           Tu estás a ser teimoso.

Χ  Tu és mau.

  √ Tu estás a magoar o teu irmão.

Χ Tu és antipático.

          Tu estás a ser antipático.

Repare como uma simples palavra faz com que a mesma frase passe uma mensagem muito diferente. Quando uma pessoa está a ser teimosa, pode no momento seguinte deixar de ser e tentar outra forma de agir, mas se lhe atribuem um traço e isto lhe é dito dia após dia então, com muita probabilidade, isso passará a fazer parte da sua forma de agir.

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Antecipar a acção

“Já chamei 5 vezes para virem para a mesa!

Se esta frase lhe é familiar encontre estratégias divertidas para que eles venham para a mesa.

Conselho da semana

Comece por antecipar a acção,  avisar que vão jantar dentro de 10 minutos. Não os surpreenda com o famoso “Para a mesa!” Eles estão tão entretidos na sua rotina, nas atividades que escolheram para aquele momento, que isso é tudo o que menos lhes apetece e ainda por cima surge como uma imposição de última-hora sem aviso prévio.

Se os seus filhos ainda são pequenos diga-lhes que tem um desafio para eles, avise que vai começar esse desafio e comece mesmo, se o seu filho chegar atrasado o desafio fica para o dia seguinte, sem zangas nem reações fortes.

Pense em adivinhas, anedotas, histórias cómicas, qualquer coisa que vos faça rir em conjunto e torne assim o tempo de refeição um momento mágico, um momento pelo qual eles esperam o dia todo.

 

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Fala-se muito em tempo de qualidade, mas os pais acabam por se ver enredados em tanta coisa do seu dia-a-dia que, às vezes, passam 1 hora ao lado dos filhos, mas com a  atenção no seu mundo, naquilo que deixaram por fazer, naquilo que ainda têm de executar, no chefe que estava mal disposto … Em tudo, menos na criança que está ao lado.

Na realidade, vale mais menos tempo, mas de total atenção.

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Tente fazer isso durante uma semana todos os dias, peço-lhe apenas 15 minutos do seu dia. Se tem vários filhos pode fazer ao mesmo tempo com todos eles, o que é mesmo importante é que nesse momento seja mesmo você e eles, não há telemóveis, televisão, cozinhados, arrumações. Você está ali para eles, não importa o que faz, importa que está numa escuta ativa.

Conselho da semana

Nestes momentos repita a informação que eles lhe deram por outras palavras, por exemplo “Que bom, então deves estar mesmo contente com a novidade que o Miguel te deu isso é mesmo importante”. Nesse momento o seu filho pensará “uau, a mãe está mesmo a ouvir, não respondeu apressadamente Boa, boa, que giro”.

 

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Mudam-se os tempos…

“Eu é que passo o dia a trabalhar e ele é que vem irritado”

Eu percebo que o seu dia de trabalho seja desafiante e esgotante, pense que o do seu filho pode não ser menos. Os tempos mudaram, a tecnologia entrou nas nossas vidas, aprenderam-se técnicas de comunicar com o público, a informação passou a estar ao alcance de um clique.

Nem tudo acompanhou esta mudança.

Mudam-se os tempos mas a escola da maioria das crianças continua igual, algumas têm cadeiras e mesas modernas, outras investiram em quadros interativos e tablets, ouvem-se as crianças falar outras línguas mas o modelo transmissivo lá continua como base do ensino em Portugal.

Quem é a criança que precisa de ouvir, fazer fichas (sejam elas eletrónicas, coloridas ou cheias de flores), voltar a ouvir e fazer fichas num ensino feito dentro de 4 paredes, fazer TPC que nunca mais acabam e testes a perder de conta, onde a transmissão do conhecimento é a base do dia, o investimento em relações positivas não faz parte da rotina, a aprendizagem ativa é um sonho sem expressão.

Quando assim é, claro que o seu filho vem irritado e tem toda a razão para assim estar, eu diria mesmo é funcional ele (re)agir ao sistema.

Conselho da semana

Valorize o seu filho, converse com ele sobre o dia que teve e façam atividades em conjunto de modo a que a aprendizagem ativa que ele deveria realizar na escola, pelo menos a realize em casa. Note, eu sei que não são todas as escolas assim e conheço bem de perto a realidade, estamos num caminho de mudança que no ensino básico e secundário ainda irá levar algum tempo.

 

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“Ele não faz nada, tenho que ser eu a preparar a mochila e depois diz que não coloquei a roupa que ele queria”.

 A autonomia não cai do céu aos trambolhões!

Não é uma questão de tudo ou nada, a criança precisa de autonomia e o pai deve vê-la como um investimento não como uma perda de segurança. O primeiro motivo para muitos pais não darem autonomia aos filhos é o medo inconsciente de os começarem a ver ter vidas independentes, de perderem o controlo da situação.

Não se esqueça que, quer queira quer não, um dia isso vai acontecer e se essa autonomia for dada passo a passo com intencionalidade, ela fará parte do crescimento do seu filho e da vossa relação de confiança, não se tornando assim um monstro de sete cabeças, nem para si, nem para o seu filho. Se a autonomia surgir de uma forma gradual e natural, não só estará a incutir responsabilidade ao seu filho como, quando ele lhe exigir mais autonomia, será apenas mais um passo num caminho que já fazem juntos.

Autonomia e confiança têm que andar de braço dado.

Conselho da Semana

Escolha uma situação concreta para aumentar a autonomia do seu filho e garanta, mas garanta mesmo que ele tem sucesso na sua implementação. Comece por coisas tão simples quanto, deixá-lo escolher à noite uma das peças de roupa que usará no dia seguinte. Use a sua criatividade e reforce quando ele for bem sucedido.

 

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Dizem que aos 3 anos as crianças não podem usar chucha

“Não te dou a chucha, ai que feio ficas com a chucha, é minha, queres ser bebé?” – toda a conversa à volta da chucha tão frequente e sistemática leva a que a criança centre muito mais da sua atenção neste pequeno objeto do que aquilo que seria necessário.

A chucha é um elemento de conforto muito importante desde que bem utilizado.

Conselho da Semana. Tips For Parents.

Se o seu filho usa chucha deixe que seja ele a pedir quando sente necessidade, não a use como arma e não deixe que a criança fale com a chucha na boca. Para tal não é preciso criar confusão, basta com um ar convicto dizer-lhe que não percebe o que ele diz, tem é que o fazer sempre que ele tente falar com a chucha na boca. Não se esqueça que cada caso é um caso e a decisão de continuar a usar chucha ou não deve ser analisada de acordo com questões de saúde como deformação dentária, otites frequentes e questões emocionais.

Todas as crianças têm ritmos de crescimento diferentes e não é por terem feito 3 anos naquele dia que passam automaticamente a ter outras atitudes e comportamentos. A verdade é que com compreensão e calma os objectivos acabam por ser atingidos.

Não conhece ninguém que use chucha aos 18 anos, pois não? Então, desde que não seja um problema para a saúde, não desespere, pode  fazer esta transição de forma natural, sem frases humilhantes ou pressas desmedidas.

 

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Não receie esta palavra. Quando devidamente utilizada saber dizer NÃO é um ato de carinho, de amor e de segurança.

A criança precisa de regras para viver em sociedade, precisa perceber o que pode e não pode e nem sempre o que ela quer é o melhor para ela.

O problema surge quando a famosa palavrinha é utilizada como arma em vez de ser utilizada como instrumento para regular comportamentos. Imagine que chega a casa, o seu filho está mesmo contente por o ver, nesse instante você atende o telefone e ele não para de andar à sua volta, começa por brincar e depois pede para comer chocolates, você diz-lhe duas vezes que NÃO mas ele pede mais alto, grita e você acaba por aceitar. Precisa mesmo conseguir acabar o tal telefonema e esta é, sem dúvida, a forma mais fácil, mais imediata. Ele, contente com a sua conquista, entretém-se a comer chocolates enquanto você continua a falar ao telefone. O telefonema acaba e a espectativa de brincarem juntos por 15 minutos termina em desilusão, ainda assim o seu filho vai para o banho sem grande resistência, veste o pijama e quando chega a hora de jantar instala-se a confusão: ele recusa-se a comer, diz que não tem fome, você diz-lhe que então ele NÃO vê televisão durante os próximos dias.

Quem pode recriminar?

Sabemos que a sociedade não pára e tantas e tantas vezes não conseguimos acompanhar os filhos como queremos, pois estamos numa espiral alucinante. Mas, a verdade, é que a famosa palavrinha tornou-se, nesse caso, realmente um inimigo a combater. Imagine que voltava o filme atrás e que dizia firmemente a famosa palavrinha em duas situações: “NÃO posso falar agora ao telefone porque acabei de entrar em casa!“NÃO podes comer os chocolates porque vamos jantar dentro em pouco!

NÃO posso falar agora ao telefone” – sei que é uma medida impopular, achamos que temos mesmo que falar, no seu caso seria impossível não o fazer, mas será que seria mesmo? Terá escassas situações por semana em que isso é mesmo assim e todas as outras, não podem esperar uma hora, ou umas horas?

NÃO podes comer os chocolates” – este NÃO tem que ser mantido, se ceder está a garantir que vai gastar muito tempo nesta guerra, está a ensinar o seu filho que gritando e levando o outro ao desespero se consegue o que quer. É essa a mensagem que quer passar?

Aceite o CONSELHO DA SEMANA e seja um aliado do NÃO, diga-o com convicção, escolhendo as alturas certas para o fazer. Tips For Parents.