“Construir a mais pequena democracia no coração da sociedade – a família (1) foi o mote que deu início a um pioneiro e audaz projeto, nascido na Alemanha – o coração do humanismo, para dotar a “célula primeira e vital da sociedade” de ferramentas capazes de ser o fermento e o motor da libertação da forma “autoritária, fechada, e repressiva” verificada até então, na grande maioria das famílias.

Corria o ano de 1994 e hoje, a esta distância – com os exemplos que temos em nossas casas, e nos compêndios que debitam teorias tantas sobre a matéria – estou convencida que mais do que construir uma pequena democracia no seio da família, o que temos efetivamente erguido, é uma grande ditadura no coração dos nossos infantes.

(1)Ano Internacional da Família – ONU

A família, ao contrário do que se pensa, não é um órgão democrático onde as decisões do dia-a-dia e do futuro se votam por maioria dos seus membros. Pelo contrário. Deve possuir de forma bem definida a hierarquia de cada elemento, com as várias e complexas ligações emocionais e materiais que se estabelecem entre si, impondo também hierarquicamente regras claras e leis-raiz que devem ser cumpridas e entendidas, desde sempre por toda a comunidade familiar, como o limite após o qual a família se torna disfuncional.

A fórmula austera que defendo aqui hoje, está muito longe do preceito ditador, de posse, de mando, de submissão [ou enaltecimento] dependente do sexo, que outrora os filhos deviam e significavam para os pais, no entanto uma educação mais severa, menos condescendente, menos infantilizada e mais arreigada, trará maiores proveitos para todos.

Obviamente há quem defenda que a criança deve tomar desde cedo o pulso às rédeas da sua vida, receber o máximo de mimo e inclusão, ser chamada a participar nas decisões, sentir-se responsabilizada e responsável, mas nem tanto ao mar nem tanto à terra, ou como diria a letra da canção: to too much love i will kill you.

Amar uma criança é também saber mostrar a autoridade sem condições, mostrar de forma firme que há galhos onde não deve pendurar-se, que há caminhos proibidos, que não há mas nem meio mas, que o não existe, é saudável e deve ser usado sem renitências. Sem uma figura de respeito, de autoridade, capaz de transmitir à criança, com verticalidade, justiça e, claro, ajustamento etário, as regras mais básicas do coração da sociedade [e que se espelha depois na própria sociedade], como sejam: cumprimentar, agradecer, não agredir, partilhar, dar, retribuir, sorrir, respeitar, pedir desculpa e desculpar, podem colocar em causa todo o processo educativo da criança.

A família é uma unidade de produção

A Família são tantas coisas que é difícil vê-la como uma unidade. Mas é assim que a entendo simplisticamente. A minha ideia de família não é um conceito abstrato, é algo que funciona, com peças e regras, limites e buracos negros, falhas na tesouraria, mal entendidos, lucros e despesas. É como uma grande unidade de produção, uma fábrica que produz diversos produtos, todos eles dependentes uns dos outros e utilizados uns pelos outros. Se a fábrica produzir uma discussão logo de manhã porque uma regra foi abatida a tiro, então a produção para esse dia fica contaminada e tudo o que se produzir depois disso fica irremediavelmente comprometido.

É que a família, como a fábrica, também armazena detritos, lixo, porcarias, e são esses exemplos maus que as esponjinhas – ou estagiários, gostam mais de absorver.

Se os pais são o fermento e o motor da família, gastando todas as suas energias para que nada falhe, nada resulte em paragens ou em perdas, se conseguem ter um emprego, arrumar, cozinhar, lavar e limpar, e ainda amar incondicionalmente os seus filhos, proporcionando-lhes com o resultado da produção muitos dos seus desejos e ambições, então os filhos, pequenos e grandes, devem aprender desde logo que este mecanismo necessita de ser oleado e de ser estimado, e que para isso não podem ser pedras na engrenagem já de si tão delicada. Mas quem lhes ensina a ser óleo e não pedra são os pais, porque nenhuma criança sabe, porque não tem de saber, como funcionam as grandes fábricas que produzem os grandes homens. Se as regras e as leis de funcionamento desta grande unidade não passarem de geração em geração, deixarão de haver famílias-escola, passando a haver apenas famílias-circo, onde só há palhaçada, desorganização, um monte de cocós de cavalo espalhados no meio da arena, um apresentador aos gritos, e eles, os equilibristas, tentando não cair na rede.

O que vemos hoje é o total desequilíbrio nessa unidade de produção. A tendência é cada vez mais para pais que assumem o papel de trabalhadores sem remuneração afetiva, que produzem unicamente em função dos filhos-patrões. E a verdade é que se antes havia uma produção de afetos misturados com a porção exata de regras e leis, o que existe agora é uma produção mecânica, artificial, que debita gadjets, champôs para caracóis perfeitos, vernizes, bonecas que falam, fumam e bebem, roupas de marca, passatempos, e pré-fabricados.

É uma fábrica de produção material, da qual os filhos-clientes exigem cada vez mais perfeição.

Os filhos saíram da linha de produção para se sentarem lá em cima, nos escritórios (como antes a religião), pesando-lhes nos ombros com as suas carências, imposições e manias sociais. Esta situação levará ao ultimato da família enquanto célula primeira e vital da sociedade, porque o conceito simplesmente deixará de existir, isto é, existirá apenas um ou vários seres humanos, que tendo a chave da mesma casa, se agridem continuamente, perdidos nos galhos uns dos outros, usurpando continuamente a felicidade comum, fechados em escritórios com janelas virtuais, onde o amor é feito de plástico.

A democracia instalada na família, de forma errada, como aliás o é na política, criou famílias onde todos decidem sobre todos. Um filho de 4 anos, sem ter ainda consciência racional disso, decide um fim-de-semana de uma família inteira. Parque infantil depois do almoço, cinema ao lanche, e festinha do pijama em casa do colega, pela noite. E porque a família sofre muito por considerar que as crianças são massacradas e sofrem muito por falta de estímulo, e que é praticamente impossível submete-las ao ócio e ao tédio, bombardeiam-nas de estímulos, de festas e de actividades que lhes preenchem o tempo, mas lhes roubam aquilo que nos trouxe a todos aqui com tanto sucesso.

A imaginação.

A ansiedade tomou conta dos meninos.

Nada lhes interessa que não tenha pixels e acenos afirmativos com a cabeça. A ideia utópica [e perigosa] de que todos dentro da unidade familiar podem votar com o mesmo peso, ou ter o mesmo peso numa decisão familiar, é o que podemos chamar de família desajustada.

O que é desajustado é evitar que a criança sinta a responsabilidade de ter mesmo de realizar uma tarefa imposta pelos pais, de ser mesmo castigada, de enfrentar uma tarde inteira sem estímulos, a hora certa para chegar a casa, o ‘não’ para as 27 festas anuais dos colegas da turma, o ‘não’ para ter um cão que ninguém vai conseguir passear, um ‘não’ para uns ténis que são 1/5 do orçamento familiar. O que é desajustado é criar filhinhos-totós, que não sabem limpar o rabo, que não colocam as peúgas no cesto, que não levantam um prato da mesa, que não sabem limpar o pó, o areão do gato, despejar o lixo, fazer a cama, dizer obrigado. Desajustado e ter pais totalmente condescendentes sobre estas e outras anormalidades dos filhos, quando sabem perfeitamente que com aquela idade, notem bem, alguns já trabalhavam, e no duro. Desajustado é não saber mandar e impor regras firmes, sem um pingo de hesitação, a um miúdo de 5 anos, de 6, de 7 ou de 11, e depois, aos 16 vir pedir ajuda aos profissionais para lhes educar os meninos.

O afastamento da criança do centro da família é na verdade o que se impõe.

A criança deve crescer sabendo que há prioridades, pessoas prioritárias e situações prioritárias.

Não há democracia possível quando se cria um filho, porque simplesmente a criança não sabe o que fazer com o seu voto, tornando-o nulo ou inválido para a sua idade.

Obviamente que a criança pode decidir das pequenas coisas da sua vida, brincar de democracia também é possível e desejável, mas na hora de votar a decisão, na hora das grandes (e pequenas) questões da educação, das regras, dos deveres e das leis da família, quem vota são os pais, quem decide se a roda gira para a esquerda, para a direita ou se fica parada é quem tem maturidade suficiente para perceber se é possível inverter, ou parar a produção, para fazer a vontade do cliente.

Também nos castigos a democracia não funciona.

Aposto que ninguém pensou em dar a escolher aos filhos que castigo lhes apetece cumprir. Queres ficar três dias sem ver televisão ou três semanas sem ir visitar a avó ao lar? Obviamente que aqui a ‘ditadura parental’ deve trilhar o seu caminho e instituir um castigo sem escolha.

Ter mão firme na criançada não é bater, torturar, deixar de abraçar, de mimar, de dar, dar muito; tudo isso deverá ser feito ao máximo, mas de acordo com o comportamento da criança. Confundir o carácter da criança com o comportamento da criança é o grande erro dos pais. O comportamento das crianças em crianças não lhes define o carácter em adulto, o comportamento dos pais é que provoca alterações no carácter dos filhos. Um miúdo mal comportado, irrequieto, mas devidamente educado, balizado naquilo que devem ser as regras do bom comportamento, não é um mau-caracter. A personalidade de cada um constrói-se em cima das reacções que os nossos comportamentos geram nos outros. Se a minha atitude perante o mau comportamento da minha filha for de submissão e banalização, a personalidade dela irá desenvolver-se sobre a premissa de que o seu comportamento (mau ou bom) gera submissão, e quando isso não acontecer numa qualquer altura da sua vida, o seu caracter revolta-se e forma situações que podem custar-lhe até a liberdade.

Com a ânsia de proteger os nossos infantes, não os deixamos crescer ou deixamo-los crescer depressa demais, pelo menos no que respeita às decisões que nós adultos lhes permitimos em nome da democracia familiar. A família atual aceita trabalhar para aquele ser que ali está prostrado com a única finalidade de receber, e decidir o que quer receber, e é este o exemplo que retira da vida, da sociedade, equivocando-se totalmente no seu papel, tomando-o por outra coisa completamente diferente: o recebimento sem dádiva, o merecimento sem mérito. Eu também mando, eu decido, eu respiro, logo mereço.

E é isto mesmo que se procura num pequeno ditador.

Mas não era de democracia que falávamos?

imagem@kino.de

Nas duas últimas semanas, vi-me envolvida em duas situações diferentes, e em que não tinha bem a certeza de como deveria agir em cada caso.

Primeiro um amigo do meu filho acertou-lhe com uma pedra na cabeça, e feriu-o.

Será que eu deveria ter dito alguma coisa à mãe? Eu sei que foi um acidente, e que o miúdo se sentiu mal por isso.

Pensei em dizer alguma coisa, mas acabei por não fazê-lo.

Numa outra situação, e esta não envolve os meus filhos, eu vim a saber que o filho adolescente de uma conhecida minha com quem me dou bastante bem e costumamos encontrar-nos de vez em quando, andava envolvido com coisas pouco saudáveis. E ilegais.

O que devo fazer? Devo dizer alguma coisa, ou não me meter?

Eu sei que se fossem os meus filhos, em qualquer uma das situações eu queria saber.
Acredito que muitas de nós, mães, já passamos por situações destas. Sem saber se devemos falar ou não.

Por isso eu vou deixar bem claro: se o meu filho atirar uma pedra à cabeça do teu, eu quero que me contes. Acidente ou não, eu quero saber!

Se o meu filho te faltar ao respeito, quero que me contes.

Se o meu filho consumir drogas, eu quero que me contes.

Se vires os meus filhos num sítio que não seja suposto estarem, eu quero que me contes.

Se te contarem que o meu filho consome drogas, mesmo que não tenhas a certeza se é verdade ou não, eu quero que me contes.

Se souberes que os meus filhos me andam a mentir, eu quero que me contes.

Se o meu filho faz bullying , quero que me contes.

Se o meu filho não faz bullying, mas é o parvalhão da escola, eu quero que me contes.

Se o meu filho usar uma linguagem totalmente inapropriada eu quero que me contes.

Se o meu marido me andar a enganar (não anda, nunca andou, mas hipoteticamente), por favor conta-me.

Se eu tiver um macaco do nariz a passear do lado de fora, e visível para toda a gente, diz-me!

Se toda a gente souber que estou com a “história” menos eu, por favor avisa-me!

Se descobrires que uma das minhas filhas está grávida, eu quero que me contes.

Se vires um pêlo preto e grande a sair do meu queixo, pescoço ou qualquer parte do corpo acima da cintura (ou já agora abaixo também), quero que me digas!

Se algum dos meus filhos andar sempre com miúdos com problemas de droga, ou com o traficante mesmo, com prostitutas, ou com alguém mais velho, quero que me contes.

Se o meu filho está a fazer ou a ver asneiradas no computador que não deixarias os teus filhos verem, eu quero que me contes.

Se eu tiver a braguilha aberta, quero que me digas.

Se o meu lápis dos olhos está tão borrado, ao ponto de parecer que estive no ringue com o Mike Tyson, quero que me contes.

Se a minha saia estiver entalada nas cuecas, quero que me contes!

Se acontecer qualquer coisa que não está nesta lista, e ficares na dúvida se deves ou não contar-me, eu quero que me contes.

E se me quiseres contar alguma coisa desta lista e não souberes como, basta dizeres: “lembras-te daquela vez que o teu filho estava a ser um idiota, e querias que eu te contasse? Bom…”

imagem@expertbeacon

Publicado em Scary Mommy, traduzido e adaptado com autorização por Up To Kids®
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Os nossos filhos são humanos.

E isso significa que erram.

O que fazem com esse erro é responsabilidade deles mas, até que sejam capazes de o fazer por si mesmos, é uma responsabilidade nossa.

Grande parte dos pais poderia dizer que os “defeitos” dos seus filhos são demorar muito a responder quando os chamam para vir para a mesa, deixarem a mochila no chão quando chegam da escola, beberem leite directamente do pacote ou nunca substituir o rolo do papel higiénico quando o usam até ao fim. Até aqui tudo certo mas que ser humano tem apenas estas características negativas? Ninguém é perfeito e se alguns pais pecam por minimizar as situações há também os que tendem a transformar a mais pequena coisa numa calamidade a nível mundial e a tratar os filhos com a chamada rédea curta, demasiado curta para que possam usar as ferramentas certas para não voltarem a cair nos mesmos erros. Por si.

Mas não é destes pais que escrevo hoje. Nem dos filhos destes pais.

Falo dos filhos que tudo têm para ser felizes, saudáveis, educados e responsáveis e mesmo assim não o são.

Falo dos filhos que, apesar de isso ser algo absolutamente contrário à sua educação, são expulsos das aulas dia após dia (coisa que os pais desculpam porque tal acontece devido ao colega do lado que se comporta mal e que os faz rir), dos filhos que não almoçam em casa como os pais pensam (e porque pensariam outra coisa se lhes ligam para casa e eles não atendem mas atendem o telemóvel e advogam que o telefone anda sempre perdido pela casa e não o conseguiram encontrar a tempo de atender a chamada), falo dos filhos que mudam de roupa assim que chegam à escola, assim como o penteado e a maquilhagem que passa de inexistente a brutal.

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Estes filhos têm pais de vários tipos, bem sei, mas quero referir-me àqueles que tendem a fechar os olhos e a desculpar o que eles fazem de errado. Porque a culpa nunca é deles. Porque a professora embirra, porque calhou estarem numa turma problemática, porque o mundo não vê como estes miúdos são especiais e lhes aponta o dedo. Pode até ser verdade, mas fechar os olhos ao comportamento, não lhe dar o devido acompanhamento, faz com que os miúdos se sintam perdidos.

Perdidos porque ainda estão a tentar perceber quem são e se desafiam os professores para serem expulsos e a consequência desse acto é passarem-lhes a mão pelo pêlo isso acaba por os confundir e, a longo prazo, fragilizar. Se não sabes quem és mas estás a testar um lado teu mais negativo e os teus pais te dizem que és perfeito vais sentir que não és nem uma coisa nem outra. E vais sentir que consegues enganar os teus pais tranquilamente e isso dá-te uma aura de vitória mas também de desgosto, porque no fundo sabes que se eles acham que só te consegues comportar bem então por que é que te comportas tão mal?

Quando um pai não vê um filho por aquilo que ele é deixa de ser um porto de abrigo. Deixa de ser alguém que é procurado em alturas de crise. Deixa de ser alguém a quem pedimos desculpa. Porque ele não entende. Nada sabe. Não nos conhece. Muitos adolescentes passam pela fase de repetir este mantra mas é saudável quando sentem que isso acontece porque há um gap geracional. Porque é isso que os separa dos pais – o tempo que passou entre os pais serem adolescentes e serem pais. Não dialogam porque não se entendem, mas é melhor um não diálogo em que se diz o que realmente se sente e pensa do que um diálogo que nunca tem oportunidade de existir porque “está tudo bem”. Sempre.

Falo como filha. Falo como mãe. Falo como testemunha de alguns casos que tenho à minha volta e que me preocupam. Porque sem comunicação, seja ela o mais mínima que for, há muitos problemas que não são detectados. E o tempo aqui é de ouro.

Acha que conhece os seus filhos?
Quando teve a última conversa sincera com eles?
Ouviu-os verdadeiramente?
Tem a certeza do que acontece quando sai de casa e os deixa livres e soltos no seu tempo?
Está a pensar que também fez das suas, que os seus pais também nunca sonharam com muitas das coisas que fez e isso não fez de si alguém perdido no mundo?
Ainda bem. Tenha é a certeza que daqui a alguns anos o seu filho vai poder dizer o mesmo.

Os nossos filhos são humanos.

Erram.

E precisam de nós.

Precisam que não desistamos deles.

Precisam que os vejamos por quem são.

Precisam que lhes demos a mão.

Da melhor maneira que soubermos.

Que hoje ao jantar se construa uma conversa ou se comece a construir um diálogo. Porque ele é sempre rico. E é também nos silêncios que aprendemos a perceber aquilo que nos escapa e a que temos de nos dedicar mais.

Porque os nossos filhos são humanos.

Erram.

E nós também.

 

imagem@weheartit

Nós, mulheres, somos fantásticas! Somos seres incríveis e imbatíveis, numa constante luta pela felicidade! Somos capazes de tudo! Somos tudo o que precisamos ser, somos a excelência do ser humano… Somos Fantásticas!
Esta bajulação gratuita do ser magnifico que é a mulher tem uma razão…
Desde pequenas que nos “atiram” bebés para as mãos… e nós gostamos! Está na nossa natureza, a maternidade!
Quando casamos ou nos juntamos começa a pressão. “Para quando um bebé?“. O que muita gente não sabe ou não pensa, é qual o preço de ter um filho.
Há muitas mulheres cujo sonho de ser mãe lhes corre nas veias! Mas a vida tem esta forma cruel de nos pôr constantemente à prova e, muitas vezes, quanto mais se anseia ser mãe, mais dificuldades se tem em engravidar ou levar uma gravidez até ao fim. Há mulheres que fazem tudo para realizarem o sonho de ser mãe!
Os tratamentos de fertilidade não são de todo fáceis… São fisicamente agressivos e psicologicamente violentos. São medicações com efeitos adversos horríveis e para muitas insuportáveis… São exames e análises constantes, são injeções, são testes negativos atrás de testes negativos! As semanas transformam-se em meses, e os meses em anos, e os anos em frustração e depressões!
Quando estes tratamentos (pelos quais ninguém deveria ter que passar) acabam, a luta continua! Perdas gestacionais, o pânico que algo corra mal, gravidezes instáveis…
Há gravidezes muito diferentes daquela que tive! Há gravidezes dolorosas e até assustadoras. Há problemas de peso, descolamentos de placentas, perdas de sangue, ritmos cardíacos instáveis do bebé, há infeções, diabetes, dores ciáticas, dores lombares, dores de cabeça insuportáveis, há perda de liquido amniótico, roturas de bolsas… um sem fim de coisas que correm mal e contra as quais nós mulheres lutamos com unhas e dentes.

Um dia, muitas vezes antes do que era suposto, o bebé nasce!

Contrações insuportáveis, dores de parto, epidurais pelas costas adentro, fazer força que nunca sonhámos ter, pontos e mais pontos, sete camadas de pele cozidas, e horas depois do bebé nascer, a mãe levanta-se e vai dar de mamar! Mamilos feridos, caroços no peito, febre, mastites… Vamos para casa. Toda uma casa para limpar e arrumar, receber visitas, o bebé a chorar, acordar milhões de vezes à noite mesmo só para ver se ele está a respirar. Olhar no espelho e não reconhecer aquela mulher…

Um turbilhão de hormonas descontroladas em nós, o corpo que nunca mais será o mesmo, sentirmo-nos tristes, felizes, deprimidas, alegres, sozinhas e completas tudo isto ao mesmo tempo.
Ser mãe é nunca mais sermos a primeira em nada!

Quando temos um bebé, podemos entrar numa sala cheia de gente e a maior parte nem repara que ali estamos, é dar o ultimo pedaço de chocolate, é dar a refeição aos filhos e só depois pensamos em nós… É prescindir para sempre de pequenos prazeres da vida como um banho demorado, ou um copo de vinho no silêncio de Blues à noite! É trocar o saxofone pelas musicas do panda, é ir comprar roupa e voltar cheia de sacos mas sem nada para nós, e com tudo para eles…

Ser mãe, é vê-los crescer, e um dia a voar para as suas vidas sem olhar para trás e ficarmos de colos vazios!
O preço de ter um filho é caro! Muito caro! É mudarmos tudo aquilo que somos… Ter um filho é para muitos um processo longo, demorado e doloroso…

E o mais incrível em nós mulheres…. É que, depois de sermos mães, passaríamos por tudo novamente.
Sem pensar duas vezes… está no nosso ser… a maternidade, o altruísmo!
Ter um filho tem um preço caro, mas que é impagável! É o nosso esforço derradeiro, para termos o melhor que a vida tem para nos dar!

Para todas as mulheres que têm/tiveram dificuldades em engravidar e/ou gravidezes e partos complicados só vos posso dizer uma coisa:
VOCÊS SÃO GRANDES!
Do tamanho do mundo!

imagem@Donagiraffa

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Não senti.

A maternidade é a recruta das mulheres

As mães também têm medo

Costumo dizer às crianças e jovens com quem trabalho que trabalho com perguntas. Digo muitas vezes que gosto de as colecionar, guardar, emprestar, oferecer, dar – tal como se fossem coisas físicas que podemos levar no bolso e partilhar com alguém. O meu trabalho consiste em construir e desconstruir essas perguntas, em grupo, investigando as suas possíveis respostas.

Assim sendo, gostaria de partilhar convosco algumas perguntas que os meus alunos partilharam. Algumas delas são fruto da troca de correspondência que tenho levado a cabo com crianças e jovens de todo o país – e não só*

Deixo-vos o desafio de pensar e de perceber se estas perguntas vos incomodam ou não. Se tiverem esse efeito, suspeito que serão perguntas importantes para vós. **

12 perguntas para 2016 (e para toda a vida?)

  1. A filosofia é um acto para saber?
  2. Por que é que nos obrigam a comer lulas?
  3. Por que é que nós, as crianças, somos obrigadas a desenhar?
  4. O que é a filosofia?
  5. Por que é que eu sou eu?
  6. É possível deixar de pensar?
  7. O que é que sentimos enquanto e depois de estarmos a morrer?
  8. Por que é que não podemos andar para trás, no tempo?
  9. Por que é que existe o mundo?
  10. Qual é o sentido da vida?
  11. Por que existe o mundo?
  12. O que é ser tratado como uma pessoa?

*Espreitem no Blog
**Escusado será dizer que aceito e agradeço perguntas que queiram partilhar comigo.
Usem e abusem do e-mail joanarssousa@gmail.com

imagem@colecaodepaginas

Ler primeiro “Mensagem que deixei ao meu filho adolescente na noite de Natal”

Olá mãe,

Pensavas que não tinha lido a mensagem que me escreveste no Natal? Apanhei-te! Li e reli, mas não me apeteceu logo falar contigo sobre ela. Eu sei que tens razão, mãe. Reparo como às vezes ficas a olhar para mim de longe, como se a tentar perceber. Quando fazes isso volto sempre atrás no tempo: tu sentada no banco do parque a olhar-me com muita atenção, para o caso de eu precisar de ajuda. Lembro-me de adorar que tu ficasses ali a observar-me, de fazer coisas só para exibir-me aos teus olhos. Mas agora sinto-me diferente e até um bocado parvo por ter feito essas gracinhas só para te conquistar.

Às vezes também não sei o que te dizer, por isso espero que esta resposta à mensagem que me deixaste no travesseiro nos ajude a melhorar para que possamos rir-nos dela daqui a uns anos. Tenho a certeza que tudo vai passar, porque tu fizeste tudo bem, mãe. Havemos de continuar a ser grandes amigos.

Há uns tempos – não te contei, sobreviverás – distraí-me com uma coisa que ia a ouvir a caminho das aulas e cortei caminho fora do passeio para atravessar a rua. Não vi,nem ouvi um carro que saiu de uma curva a grande velocidade. Quando dei conta já estava muito perto, saltei para voltar ao passeio, mas ainda me tocou na mochila. Caí. Apanhei um valente susto, muito maior do que aquele que estás a apanhar agora, acredita. Esses poucos segundos pareceram horas e durante o resto do caminho até a escola só pensava em ti, não sei porquê. Lembro-me das minhas mãos tocarem no chão, das pessoas correrem todas para me ajudar, e desta frase na minha cabeça: – Quero a minha mãe. Depois, não conseguia parar de imaginar-te a receber um telefonema, de ver a expressão na tua cara a mudar quando te dissessem que eu me tinha magoado a sério. Ainda bem que não foi preciso, porque ver o terror do teu rosto no meu pensamento, foi pior do que ter passado por aquilo tudo.

Quantas vezes me avisaste para não ouvir música com headphones na rua? Mil. Eu sei mãe, desculpa. Isso não interessa agora. O que me aconteceu serviu para perceber que tu és mesmo muito importante para mim. Esse foi um dos poucos dias em que tivemos contacto físico, porque quando cheguei a casa, pus os braços à volta da tua cintura e levantei-te no ar. Deves lembrar-te de ter respondido: – Olha, este meia leca já pode comigo! Prometo que vais dizê-lo mais vezes em 2016.

Não sei se consigo explicar-te o meu isolamento, mãe, nem a minha necessidade de ver um filme sossegado (podias fazer menos comentários bolas, já sei ler as legendas). Quando dou conta, já entrei no quarto, já fechei a porta e liguei o computador. Deve ser porque as aulas são muitas e barulhentas, porque há dias bem compridos. Muitas vezes, tudo o que me apetece quando chego a casa é distrair-me com alguma coisa. Não quero que fiques ainda mais preocupada, mas a maior parte dos dias não gosto nada da escola. Sei que tenho que estudar, já me chateia ouvir-te dizer isso, mas duvido que aquilo que ando a aprender desde setembro me vá servir de alguma coisa no futuro. Se ao menos me deixassem desenhar mais, tu sabes como eu adoro desenhar (e como detesto inglês). Eu podia ilustrar a matéria toda se me deixassem, toda! Dava muito mais trabalho, mas era muito mais interessante que fazer resumos. Depois não se deve falar nas aulas, mas ouvir o dia inteiro já se pode? Ando farto! Ninguém aguenta chegar a casa e ouvir cheio de vontade o que os pais têm para dizer, percebes?

Não sei se leres tudo isto é boa ideia, mas como tu costumas dizer, a verdade pode sempre ajudar.

Quero que saibas que se um dia eu precisar mesmo de ajuda, tu vais ser a primeira pessoa que eu vou procurar. E que também vou pensar em ti antes de me sentir tentado a fazer uma grande asneira, daquelas que todas as mães temem que os filhos façam (parece mesmo que te estou a ver a suspirar de alívio, também te conheço).

E por favor, guarda bem este papel juntamente com o que me escreveste no Natal. Quando eu já não for um meia leca e tiver preocupações destas com um neto teu, talvez me faça bem voltar a lê-los. Se isso me impedir de desabafar com outros pais sobre os dilemas do meu filho adolescente, esta nossa conquista terá valido bem a pena.

Claro que já te perdoei. És a maior.

Feliz Ano Novo, mãe.

imagem@digistar

Em 2016, tome uma resolução: comece a motivar de forma positiva os seus filhos!

Quando chega a altura de fazer as tarefas, motive e guie os seus filhos, adaptando às suas maneiras de ser a sua forma de comunicar.

Com a escola, actividades extracurriculares, os seus próprios problemas e as hormonas, não admira que as crianças e jovens tenham tanta dificuldade em lembrarem-se das suas tarefas. O que para nós enquanto adultos é importante e prioritário, para as crianças não é. Para as crianças e jovens há coisas bem mais importantes do que as suas tarefas. E não é compreensível? Não éramos assim, também?

Mas para os pais, as tarefas regulares introduzem, igualmente, o espírito de trabalho em equipa, de cooperação e de entreajuda. No entanto, antes de conseguir introduzir e passar esses conceitos, é necessário motivar as crianças a fazer as tarefas. Ensinar a ter gosto e prazer em cada coisa que fazemos, que aprendemos e motivar de forma positiva é o caminho para que consigamos que os nossos filhos cresçam a fazer mais entusiasticamente até as coisas que consideram mais difíceis e aborrecidas.

E o segredo está no prazer, na diversão, no sentir orgulho em si próprias por conseguirem fazer um trabalho bem feito. Se as tarefas forem apresentadas e demonstradas como algo positivo, divertido, como mais uma brincadeira ou um jogo – mesmo que não sejam nada divertidas para nós – desde que os nossos filhos são pequenos, em vez de uma obrigação chata, enfadonha e quase mortalmente necessária, a forma natural com que vão olhar e encarar as tarefas vai ser totalmente e surpreendentemente diferente.

Então se substituir a palavra tarefa – com a carga pesada que ela tem e o tom de voz que habitualmente lhe vem associada – por outra ajustada à idade e à personalidade dos seus filhos, ainda melhor! Faça das tarefas uma festa! Só depois de tentar poderá ver como resulta.

Pode usar gráficos, listas, notas bem posicionadas pela casa. São tudo formas bastante eficazes de motivar os seus filhos. Aos seus filhos mais velhos, mande emails! Aos seus mais pequenos, faça listas com bonecos fofos e divertidos. Jogue ao “vou varrer os teus pés” ou ao “vou aspirar-te” com um sorriso nos lábios. Dance ou cante enquanto varre o chão ou lava a loiça. Depois brinquem ao “agora és tu/agora é a tua vez” e vá introduzindo assim. Nos trabalhos de casa, partilhe a leitura de um texto “pataca a mim, pataca a ti”, que é como quem diz um bocadinho eu, um bocadinho tu. E vá criando outros jogos motivadores. Não tenha pressa, incuta a alegria e vai ver como resulta.

Motive o seu filho de forma personalizada

Ajustar a forma de motivar uma criança passa por ter em consideração o seu estilo pessoal: a forma como reage às pessoas, ao tempo, às situações e às tarefas em si. Durante os vinte anos que trabalhei com crianças, jovens e até com adultos, introduzir as coisas de forma divertida, natural e o mais personalizada possível, mostrou-se sempre a forma mais eficaz e compensadora.

Há pessoas que valorizam mais as relações interpessoais acima de tudo, outras que valorizam mais a pontualidade. Enquanto outros ainda empenham-se mais com a velocidade e a eficiência. Saber como os seus filhos reagem às tarefas é o segredo. E estas reacções estão relacionadas com o seu estilo pessoal.

Existem quatro estilos pessoas gerais, apesar de estes estilos não serem tão lineares assim. Mas ajudam a compreender o estilo de cada pessoa e a ajustar a forma de comunicar.

  • Estilo Cognitivo

É organizado, analítico, consistente, critico, lógico, persistente, sério e disciplinado

Gosta que lhe digam para fazer as tarefas primeiro, de ter muito tempo para completar as tarefas, e de ter um tempo definido para finalizar a tarefa.

Não gosta de não ter tempo suficiente para terminar uma tarefa, sentir que os seus esforços não são valorizados, de ser apressado ou ser interrompido.

Como motivar: Diga à criança que tarefa quer que faça e como fazê-la. Depois dê-lhe um prazo para cumprir, certificando-se que tem mais do que tempo suficiente para terminá-la.

  • Estilo Comportamental

É Independente, produtivo, competitivo, orientado para os resultados, impaciente, resolvedor de problemas, age depressa e caminha ao seu próprio ritmo.

Gosta de ritmo rápido, de cooperação, de ter liberdade, que lhe digam o que fazer e quando fazer, que lhe seja permitido encontrar atalhos e de ser recompensado.

Não gosta de perder tempo, de lidar com detalhes, que outros tentem controlar, quando as outras pessoas falam demasiado, quando outros agem ou reagem emocionalmente.

Como motivar: Diga à criança que tarefa fazer e quando. Essa é toda a instrução que precisa. Não tente controlá-la. Deixe-a completar a tarefa exactamente à sua maneira.

  • Estilo Afectivo

É entusiástico, enérgico, criativo, social, facilmente perde noção do tempo. É muito intuitivo e faz as coisas de forma muito intuitiva, sem regras definidas.

Gosta de ser desafiados de forma divertida, de flexibilidade, de passo rápido, de se divertir, de entusiasmo, de afectos, de brincar e jogar jogos.

Não gosta quando os outros são demasiado orientados para obrigações e tarefas, de estarem confinados, de lidar com detalhes, e de quando os seus esforços e conquistas não são reconhecidos.

Como motivar: Diga à criança que tarefa realizar e quando precisa de terminar. Como tem tendência para perder noção do tempo, dê-lhe um tempo generoso como guia.

  •  Estilo Interpessoal

É descontraído, persistente, maduro, cooperativo, ajudante, prático, paciente, leal, tenaz, introvertido e fidedigno.

Gosta que lhe sejam confiadas tarefas importantes, de uma abordagem factual e prática, que lhe perguntem em vez de lhe dizerem o que fazer, e que os outros definam as expectativas.

Como motivar: Peça-lhe para realizar uma tarefa e dê-lhe instruções práticas. Certifique-se de que explica exactamente quais as suas expectativas para que saiba exactamente o que é esperado.

 

A maioria das pessoas têm uma combinação de traços, mas há um que predomina. Ao observar e interagir com estas reacções é possível motivar as crianças para realizar as suas tarefas com menos oposição e conflito.

Comece 2016 em grande.
Comece 2016 a motivar de forma positiva os seus filhos.
Encoraje, apoie, guie. É que só assim os seus filhos conseguirão olhar para as coisas de forma positiva.
Dando o exemplo.

imagem@vk.com

Monstra? | Autor Elsa Serra | Edição das autoras

«Era uma vez uma monstra que estava cansada de assustar os outros».
Este é o mote que uma contadora de histórias, Elsa Serra, e uma designer e ilustradora, Carlota Flieg, usam como ponto de partida para falar de forma divertida sobre medos, diferenças e o modo como nos vemos a nós próprios.
O Doutor Risada, a Senhora Pé Grande, e a Doutora Dentolas, entre outros personagens, vão ajudar a nossa Monstra a perceber que os medos injustificados estão dentro de nós e que, espantando-os, podemos viver mais felizes.

E os seus filhos, já conhecem a Monstra?

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FICHA TÉCNICA
Monstra?
Autor: Elsa Serra (texto) e Carlota Flieg (ilustrações)
Nº de páginas: 48
Editor: Edição das autoras
Data de edição: Outubro 2015
ISBN: 9789892060699
PVP: 8€

ANIMAÇÃO

Uma sugestão Leituria

Síndroma do Ninho Vazio

O tempo parece passar por nós mais rápido do que o desejado. Parece que é insuficiente para usufruímos de todos os momentos em que os nossos filhos são pequenos e indefesos e num ápice eles já leem, já privilegiam mais o tempo com o grupo de amigos do que com os pais, já entraram para a universidade, para o mundo do trabalho, aventuram-se num país estrangeiro, namoram, partem para uma relação conjugal… Enfim, quando damos conta eles cresceram e tornaram-se autónomos.

Diz-se que “é a vida”, que os filhos “não são nossos, são do mundo”… é, na perspectiva integrativa, a função biológica de mãos dadas com a função social.

Contudo, apesar de se concordar que faz parte da vida, a aceitação nem sempre se verifica e aquando da independência dos filhos, muitos pais sentem-se menos importantes na vida dos descendentes, abandonados e tristes. Não raramente, o silêncio e a solidão passam a predominar na casa paterna.

Quando os filhos saem de casa

A Síndroma do Ninho Vazio surge dessa auto-centralização, desse sentimento de dependência e de perda do papel da função de pais, dessa tristeza que os pais começam por experienciar e que pode transformar-se em depressão.

Estatisticamente, estes sintomas afectam mais a mãe do que o pai. Geralmente coincidindo com a fase de menopausa e com o turbilhão de emoções associado, a mulher sente a sua função reprodutora esvanecer, sente-se envelhecida, com o seu papel tradicional enquanto cuidadora da família a perder importância, com auto imagem e auto estima reduzidas.

O investimento numa vida mais dedicada aos outros do que a si própria gera também uma conjuntura propícia à patologia e, consequentemente, afecta as relações familiares.

No entanto, tal não significa que os homens também não vivenciem os mesmos sentimentos e demonstrem vulnerabilidade durante este período de adaptação. Podem é reagir de forma diferente da mulher, acomodando-se à nova situação mais facilmente (o que, por outro lado, também pode agudizar os conflitos conjugais).

Características da personalidade medeiam também o modo como pai e mãe lidam com a separação dos filhos.

No geral, verifica-se que indivíduos mais auto vitimizados, histriónicos, sugestionáveis, dramáticos são os que sofrem mais com a situação. Por outro lado, factores externos como o motivo da saída do filho podem igualmente minimizar ou maximizar a intensidade do sofrimento e a adaptação. Se os pais sentirem que a separação traz mais-valias a mesma é melhor elaborada e portanto, torna-se menos dolorosa e mais tranquila.

Esta passagem por um processo mais ansiogénico e de dualidade de sentimentos faz parte do ciclo de vida. A transição para um estado de (re)estruturação familiar consegue-se através da aceitação dos períodos de crescimento, de maturidade e de declínio, inerentes a qualquer ciclo vital e que em si incluem perdas e ganhos biológicos e sociais. Enfrentando um estado que sabemos ser natural, porque no passado também fomos actores da mesma mudança e as gerações anteriores a nós igualmente, que tal assumirmos a nossa (boa) parte, enquanto pais, na educação para a independência dos filhos e também gozarmos esses louros?

A Síndroma do Ninho Vazio é pontual, logo, mais facilmente pode ser superada.

Se o nosso papel enquanto pais muda e se torna mais distante (mas não desaparece), então, há que proceder a ajustamentos da nossa parte, como por exemplo:

– Partilhando o que sente, para mais facilmente identificar soluções;

– Permitindo-se sentir as próprias emoções (tristeza, alegria, receio, optimismo …);

– Ouvindo e apoiando o/a parceiro/a;

– Promovendo momentos e acções que contribuem para o nosso bem-estar;

– Realizando projectos que vinham sendo adiados, sozinho, com o/a companheiro/a e encontrando novos prazeres;

– Listando actividades pessoais prazerosas que há muito gostaria de fazer e foi adiando;

– Retomando o papel de mulher para além do papel de mãe;

– Cultivando as relações sociais;

– Usufruindo do contacto com o ar livre e a natureza;

– Apostando na melhoria contínua da relação com o filho, na qualidade da comunicação, nos afectos, no apoio, sem ser invasivo.

Excepto quando os objectivos são difíceis de definir, quando o filho se “esquece” dos pais e a tristeza destes se prolonga podendo adquirir contornos de depressão, a dor sentida termina quando a ordem familiar é refeita e os aspectos sociais da vida são restabelecidos. A Síndrome do Ninho Vazio resume-se a um problema temporário psíquico com cunho emocional-social, sem necessidade de medicação para o que não chega a ser fisiológico.

imagem@bolsademulher

 

 

E se existisse um livro que além de letras para leres e imagens para viajares na história tivesse também espaço para fazeres tu os desenhos e tornavas-te no próprio ilustrador, e quem sabe até o narrador ou o escritor desta história! E se esse livro fosse composto por vários textos, várias histórias todas diferentes, sem qualquer ligação entre si?
No Livro “Histórias minhas, desenhos teus” podes finalmente ir até onde a tua imaginação te levar. Podes desenhar um OVNI recheado de extra-terrestres que desceram à terra para conhecer a tua personagem favorita! Ou podes fazer uma máquina do tempo e regressar tantos que até um DINOSSAURO aparece no teu livro.
Tudo a teu gosto. Como sempre quiseste!

SINOPSE

Os livros são objetos que eternizam momentos, vivências e sentimentos. Este livro consiste num conjunto de textos, alguns dos quais com características “non sense”, que exploram os casos especiais de leitura. Pretende-se que este livro não seja explorado de forma solitária.
É um livro, não só para ser lido, mas para ser partilhado e vivido.
Esta pode ser uma oportunidade para alunos e professores, pais e filhos, juntos, darem largas à imaginação e explorarem não só os textos, mas também as ilustrações, criando um livro que será único. 

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INSTRUÇÕES
Este livro, que agora é teu,foi começado por mim, mas foi de propósito que não o acabei.

E porquê? Perguntas tu! 

Porque eu gostava que este livro se tornasse único e nosso.

O que eu quero dizer com isto é que terás oportunidade de o acabar, dando largas à imaginação e ilustrando os textos que faltam.

Para além disso, quero desafiar-te a fazê-lo sem que utilizes os materiais habituais. 

Que tal experimentar os lápis de cera, as aguarelas ou até as canetas de acetato? Não te esqueças que a criatividade permite-nos inventar, criar e sonhar, ela não tem limites ou barreiras…aceitas o desafio?!

Todos vamos querer ver o teu livro terminado!


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FICHA TÉCNICA
Autor: Andreia Reis
Data de publicação: Junho de 2015
Número de páginas: 48
ISBN: 978-989-51-5044-1
Colecção: Literatura Juvenil
Género: Conto Infantil

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