Os Gregos descreviam os quatro elementos como ponto de partida para a compreensão do mundo e do ser humano. E a natureza oferece-nos diversas possibilidades de matérias/materiais que podem ser tocados, experienciados, e, consequentemente, permitem estimular os sentidos e as várias capacidades da criança.

A areia seca, a terra húmida, ramos, seixos, a água, ajudam-na a moldar bonecos, a criar canais e a edificar torres (que por sua vez permite vivenciar um processo arquitetónico), o calor que sente na praia solidifica o castelo que construiu na areia (ou fá-la perceber que tem de fugir do sol quente), as nuvens podem entretê-la durante as viagens…

Tudo isto soa bem, lugar-comum… mas o fato é que a tendência atual é a de levar os mais pequenos a brincar na rua apenas quando o tempo está “bom”. Assim que começam os primeiros pingos ou ar frio, ou porque achamos que se pode aborrecer, recolhemos.

E aqui reside uma enorme e perigosa limitação: se é no exterior que a criança experiencia os elementos e toma contato com desafios, como pode dar-lhes resposta se for resguardada em casa ou levada de volta à sala de aula, ou porque o tempo mudou ou porque há uma série de trabalhos a fazer?  

Fala-se cada vez mais na importância do brincar lá fora. Por quê? A chuva, a lama, o vento, a água, a areia, proporcionam desafios reais, cujo risco propicia oportunidades de crescimento. O risco ensina, tem consequências reais que nos torna mais cautelosos e criativos para lhe fazermos face. Além disso, tornam-nos mais conscientes de nós mesmos, dos outros e do ambiente que nos rodeia. Imagine-se uma criança para quem os desafios do brincar lá fora são apenas obstáculos a ser ultrapassados: em adulto terá provavelmente maior capacidade de resposta às intempéries da vida do que outra que foi privada de desafios e consequências na infância.

Nas grandes cidades obviamente é mais difícil relacionarmo-nos com os quatro elementos, até porque nesta cultura tecnológica em que vivemos a criança movimenta-se menos, e o seu corpo fica menos hábil. Mas ainda há parques, pequenos e grandes, praias e quintas com animais. E se a terra, os troncos e a água não chegarem para a brincadeira, há brinquedos que, pela sua qualidade, são também mais próximos da própria natureza da criança.

Brinquedos simples, de materiais ecológicos em vez de eletrónicos, podem potenciar os estímulos básicos da criança, ao invés de a limitar a um ecrã, que facilmente a faz esquecer-se do resto do mundo.

E se esses brinquedos puderem servir para o exterior e para casa, então é ouro sobre azul. É mais ecológico (do ponto de vista ambiental, económico e educacional) escolher brinquedos que não fiquem limitados à estação do ano: camiões que sirvam para brincar no quarto todo o ano, que carreguem areia da praia durante o Verão e depois possam ir ao parque levar as pedrinhas no Outono e Inverno. Ou um barquinho que sirva para tornar o banho mais divertido e na época balnear pode ser levado à praia. Ou um regador que para além de regar as plantas em casa pode refrescar na praia.

Portanto, faça chuva ou faça sol, e obviamente com as devidas adaptações seja ao nível do vestuário (com roupas de fibras naturais, em que a pele respira), do calçado (ténis flexíveis), da pele (com recurso ao protetor solar caso necessário) ou até da utilização de um playmat para o bebé estar sentado a brincar, é fundamental levarmos as nossas crianças a vivenciar o mundo lá fora. Crianças que brincam no exterior tornam-se mais aptas, criativas e positivas. Porque os desafios não as impedem de fazer novas coisas

Um grupo de investigadores da Universidade de Uppsala, na Suécia concluíram que existe um método capaz de estimular a capacidade intelectual das crianças desde tenra idade.  Trata-se de uma plataforma realmente amigável e intuitiva, de baixo custo e fácil acesso para a grande maioria das pessoas.

A pesquisa demonstrou que crianças ou bebés que utilizam esta plataforma, desenvolvem não só a parte intelectual, cognitiva, mas também a capacidade criativa, além de criarem vínculos afetivos mais sólidos.

Em geral, os pais demonstram-se preocupados em encontrar estratégias para desenvolver o potencial dos filhos. Vale tudo: desde passar música clássica enquanto o bebé ainda está na barriga da mãe, até a aquisição de mobiles que se propõem a desenvolver aptidões matemáticas nas crianças.

Os especialistas suecos destacam este método como primordial para alavancar o potencial dos nossos filhos desde criança até à idade adulta.

Mas, nem tudo é perfeito. Este método exige, no mínimo, a aquisição da plataforma e um adulto com tempo e vontade de utilizá-la com a criança. A partir de uma certa idade, a própria criança será capaz de manusear a plataforma, mas mesmo nessa fase, a presença de um adulto, participativo, potencializa os benefícios da metodologia.

A partir dos 6/7 anos, a maioria das crianças deve conseguir utilizar o método de forma autónoma.

Trata-se de Lições Interativas de Visualização e Relacionamento de Ordem afetiva. 
Mas em que consta este método inigualável de estimulação intelectual e emocional da criança?

Ora vejamos as primeiras letras do método: LIVRO!

Daqui, ouço um óhhh de decepção, vindo de um grupo de pais mais tecnológicos, para quem o progresso terá sempre uma
solução melhor do que o passado. Também vejo um sorriso amarelo de alguns pais que esperavam algo mais do que um livro!

O meu lado otimista (que não é muito desenvolvido) consegue supor alguns sorrisos de pais que por experiência própria (são leitores) conhecem o poder que os livros possuem no desenvolvimento do ser humano.

Brincadeiras à parte, há um consenso entre diferentes profissionais de saúde que, se fossemos escolher apenas um método  para desenvolver a capacidade cognitiva das crianças este seria a leitura de livros, já a partir dos 6 meses de idade.

Claro que não é o único e todos são complementares. O brincar criativo e as brincadeiras ao ar livre como saltar, girar, pedalar, nadar, de forma a desenvolver de forma lúdica as capacidades motoras, seria outro.

Obviamente, nenhum método  funciona sem o amor incondicional dos pais!

Repare-se que os gadgets não constam no topo da lista. Isso porque, à partida, sugerem mais passividade e menos criatividade, embora também maior capacidade de reação e reflexos. E convém reforçar que programas muito acelerados, podem desenvolver nas crianças pequenas uma “necessidade” de hiperestimulação. Se não forem hiperestimuladas, sentirão tédio o que pode gerar dificuldades no momento da alfabetização que é, obrigatoriamente, lenta.

Voltando ao LIVRO:  o livro estimula a criatividade na medida em que o leitor (ou, no caso da criança- ouvinte), cria a história na sua cabeça. Serão sempre 3 porquinhos e um lobo, mas cada um cria os seus 3 porquinhos e o seu lobo! Além disso, a proximidade física com quem conta a história cria um momento de vínculo afetivo com contato corporal.

A leitura pode contribuir para a implantação de determinadas rotinas, como dormir ou jantar.  Sinaliza mudanças de ritmo (da brincadeira mais agitada, para um momento mais calmo). Um aspeto pouco lembrado é o de que nós adoramos contar histórias!

Ao contarmos histórias usando os livros unimos a fala com a escrita e podemos desenvolver nos nossos filhos o hábito da leitura. Um hábito que, por não ser natural, precisa ser desenvolvido de forma gradual e prazerosa.

Aliás, hoje em dia, embora haja um grande desenvolvimento nos media, a capacidade analítica e crítica de um indivíduo, o entendimento de complexidades como a vida em sociedade, economia, medicina, engenharia, astronomia, cultura, arte etc. vai depender da capacidade de leitura da pessoa.

Num mundo competitivo essa competência pode fazer a diferença. Além de ser um hábito que produz prazer a quem o desenvolveu.

Se alguém ficou chateado com a brincadeira dos pesquisadores de Uppsala, peço desculpas.
Só queria chamar a atenção, de forma provocadora, para a importância do livro.
E boa leitura com seus filhos!

Texto de Dr. Roberto Cooper, adaptado por Up to Kids®

Quem tem filhos que passam horas a frente dos aparelhos electrónicos e se deu ao trabalho de observar o comportamento deles quando se “desconectam”, notou com certeza certas alterações. As crianças que veem televisão ou estão a jogar nas consolas ou nos tablets durante algum tempo seguido, sem interrupção, estão mais cansadas e mal-humoradas, respondem torto e de forma tendencialmente agressiva, e estão num estado contraditório de alta agitação e exaustão difícil de gerir.
A Victoria L. Dunckley, M.D. (psiquiatra integrativa, especialista nos efeitos dos ecrãs no desenvolvimento do sistema nervoso e autora do livro “Reinicia o Cérebro do teu Filho”) fala em 6 mecanismos fisiológicos que explicam porque os aparelhos electrónicos geram distúrbios de estado de espírito e alterações comportamentais.

Nos últimos anos têm aparecido vários estudos que alertam sobre o efeito dos gadgets no nosso cérebro e no nosso corpo, com especial nota para o caso das crianças. Os especialistas avisam que os altos níveis de excitação afetam a memória e o relacionamento, o que dá origem à dificuldades escolares e sociais em consequência.

  1. Os gadgets perturbam o sono e dessincronizam o relógio biológico

A luz dos ecrãs imita a luz do dia, o que determina o nosso corpo a suprimir a produção de melatonina, hormona que regula o nosso sono e que o nosso corpo produz na presença do escuro. Apenas alguns minutos de estimulação de um ecrã pode retardar a produção de melatonina por algumas horas e dessincronizar o relógio biológico da criança. Isso desencadeia outras relações dentro do corpo, como o desequilíbrio hormonal, uma vez que a excitação não permite ao corpo mergulhar no sono profundo e reparador que precisa para recarregar energias.

  1. Os ecrãs viciam o cérebro 

Muitas crianças ficam viciadas nos electrónicos. O acto de jogar nestes aparelhos liberta tanta dopamina (o neurotransmissor do “bem-estar” que o nosso corpo produz) que ao realizarmos uma imagem do nosso cérebro naquele momento, ela é muito semelhante a um cérebro sob efeito da cocaína. À semelhança do que acontece com os outros vícios, quando o cérebro recebe dopamina em excesso, os seus receptores tornam-se cada vez menos sensíveis e é necessário um estímulo mais intenso para sentir o mesmo nível de prazer.

No entanto, uma vez que a dopamina é fundamental para o nosso foco e motivação, é totalmente compreensível que qualquer pequena alteração na sensibilidade à esta hormona pode alterar profundamente a forma como a criança se sente e funciona.

  1. O ecrã expõe o corpo à luz durante a noite

A luz produzida pelos electrónicos tem sido associada com estados depressivos em inúmeros estudos, que demonstraram que a exposição à este tipo de luz antes ou durante o sono causa depressão, mesmo quando não se está a olhar diretamente para o ecrã.

Por vezes, os pais estão relutantes ao restringirem o uso dos electrónicos, cedendo às insistências dos seus filhos e deixando-os usarem os eletrónicos no quarto ou em qualquer lado a toda a hora. O que é um facto é que remover o acesso à esta luz especialmente no final do dia e de noite é algo que os protege de várias formas a longo prazo.

  1. Os ecrãs induzem reações de stress

Tanto o stress agudo (reações do tipo luta ou foge) como o stress crónico produzem alterações na química cerebral e geram hormonas que aumentam a irritabilidade. A produção de cortisol, a hormona do stress crónico, aparenta ser a causa e o efeito da depressão, criando um ciclo vicioso. Adicionalmente, tanto a excitação aguda e o vício suprimem o funcionamento normal do lobo frontal, a área do cérebro onde é realizada a regulação do nosso estado de espírito.

  1. Os ecrãs sobrecarregam o sistema sensorial, quebrando a atenção e gastando as reservas mentais

Os especialistas dizem que o que está frequentemente na origem de um comportamento explosivo e agressivo é a falta de concentração. Quando a atenção sofre, sofre também a habilidade de processar o que acontece interna e externamente, pelo que, as pequenas solicitações tornam-se tarefas enormes. Desgastando a energia mental com estímulos visuais e cognitivos, os ecrãs contribuem para a redução das reservas mentais. Uma forma de as aumentar temporariamente é tornando-nos agressivos, pelo que as birras são de facto um mecanismo de lidar com esta escassez.

  1. Os ecrãs reduzem os níveis de atividade física e a exposição à natureza

As investigações mostram que o tempo passado ao ar livre, especialmente em contacto com a natureza, restaura naturalmente a atenção, diminui o stress e reduz a agressão. O tempo passado à frente dos electrónicos reduz assim a exposição aos elementos que naturalmente aumentam o bem estar e o estado de espírito da criança.

No mundo de hoje, pode parecer estranho restringir o acesso aos electrónicos. As crianças estão claramente atraídas pela interatividade, pelas cores, pelo entretenimento ininterrupto. E os pais conseguem ganhar alguns minutos de sossego e descanso.

Mas quando se nota claramente que as crianças estão a manifestar comportamentos de falta de atenção e concentração, agressividade, depressão, mau-humor, não lhes fazemos nenhum favor deixando os electrónicos à mão e esperar que se acalmem usando-os com moderação.

Não funciona, mesmo!

Pelo contrário, permitindo que o seu sistema nervoso regresse a um estado mais natural, com uma abstinência completa de ecrãs, podemos dar o primeiro passo em ajudar os nossos filhos a tornarem-se mais calmos, fortes e felizes.

 

 

imagem@bolsademulher

“Para compreender o coração e a mente de uma pessoa, não olhes ao que ela já alcançou mas sim àquilo a que aspira.” Kahlil Gibran

Sim, as crianças que conheço não têm tempo para sonhar! Faz-lhes falta tempo para “não darem pelo tempo passar”. Falta-lhes tempo para percorrerem os castelos da sua imaginação.

Quer seja pelos seus pesados horários escolares, com pouco tempo de actividade nos recreios, quer seja pelos horários de trabalho dos pais, com avós que (ainda) trabalham, as crianças acabam por ficar muitas horas em contexto escolar. E na escola, os currículos para cumprir, e as metas para atingir, parecem fazer com que se esqueça a importância das horas do recreio. É nos recreios que as crianças mais sonham! E mais crescem. Em tamanho, físico mas também emocional e social, e em sonhos! Sem dúvida, num recreio a criança cresce de forma completa e plena, nas suas dimensões cognitiva, emocional, social e física.

As agendas das crianças, entre escola e actividades estruturadas, é tão ou mais preenchidas que a dos seus pais. E onde fica a mais importante – o brincar? Onde fica a possibilidade da criança se deitar no chão do seu quarto a rebolar ao sabor da imaginação? Onde fica o tempo para acriança se deitar na relva do jardim e olhar para o céu a sonhar? Onde fica o tempo para as cócegas, as lutas de almofadas e os colos e festinhas na cabeça?

Aprende-se a fazer escolhas. Leio um livro ou faço um desenho? Brinco sózinho ou procuro companhia?

Usa-se a criatividade. Como me vou entreter? Vou transformar esta caixa em quê? Como finjo ser um urso? E onde arranjo um chapéu de bombeiro?

Desenvolve-se a capacidade de raciocínio. Explora-se o mundo e o espaço. Observa-se o eu e a sua relação com os outros.

O tempo de sonhar é o tempo que gera os porquês. É o tempo das perguntas e das respostas.

O tempo de sonhar é o tempo dos sorrisos. O tempo de sonhar é o tempo da brincadeira.

Que nunca lhes falte tempo para sonhar!

Quando uma criança faz uma birra, enquanto uns se apressam a rotular a criança de teimosa, e imediatamente surge um familiar com quem a identificam, outros preocupam-se com a forma como podem lidar com a situação.

“Serão normais estas birras?”, “Por que é que acontecem?”, ou “Como devo reagir?”, são algumas das questões que surgem com frequência.

Mas afinal, qual o segredo das birras?

As birras são muito comuns na fase dos 2/3 anos de idade e são até saudáveis, isto é, são comuns a todas as crianças dessa faixa etária (ou espera-se que sejam) e são consideradas saudáveis porque acabam por passar uma aprendizagem à criança, se o adulto/cuidador reagir adequadamente à situação.

Antes de começar a caminhar, a falar e a conseguir o controlo dos esfíncteres, a criança é muito dependente dos cuidadores. É a partir do momento que começa a poder deslocar-se – com a aquisição da marcha; a começar a falar – aquisição da linguagem, e a controlar os esfíncteres que consegue sentir-se mais autónoma; mais independente. Ora a autonomia permite-lhe a possibilidade de opor-se aos outros e dá-lhe uma maior sensação de poder: “posso ir para onde quero; posso dizer “NÃO” e decidir onde e quando saem os meus cócós e xixis”. Esta “força” que sente vai tentar aplicar a todas as circunstâncias em que a vida não lhe corra como mais deseja. E usa o espernear, gritar, pontapear e atiradas para o chão como argumentos de peso.

Ler também As Crianças não fazem birras

Como ser intuitivo e muito perspicaz que é (todas as crianças o são), lança os ditos argumentos de peso e aguarda pela reação dos cuidadores para perceber:

  1. Se assentem ao desejo, validando o argumento – que passa de negado, em primeiro plano, a consentido, logo a seguir;
  2. Ou, então, os cuidadores suportam a birra; não a valorizam e esperam calmamente que a criança consiga tranquilizar-se

É nesta reação dos adultos que pode residir a chave para que as birras sejam uma mera fase do desenvolvimento emocional infantil, considerada por si só como transitória, ou assumam contornos de comportamento característico da criança.

Os cuidadores devem esperar que a criança se tranquilize sem ceder ao que originou a birra, quer este comportamento seja em casa, num ambiente mais privado, quer seja fora, num espaço público. Os desejos concedidos durante uma birra promovem o continuar deste comportamento porque a criança percebe “isto funciona”.

A capacidade dos cuidadores suportarem/aguentarem o momento da birra, proporciona à criança:

  1. A possibilidade de aprender a tolerar a frustração. Efetivamente, nem tudo o que se deseja pode ser alcançado e é desde pequeninos que essa aprendizagem é feita, através destas pequenas frustrações.
  2. A sensação de limites que conduz a criança a sentir-se mais segura, mais apoiada, vivenciando os cuidadores como fontes de suporte.

Espera-se que a atitude dos cuidadores seja consistente no tempo, permitindo à criança espaço para compreender que os pais estão seguros de si e têm regras bem definidas, o que se traduz em conforto e segurança para a mesma. Desta forma, conseguirá sentir os pais como os pilares fortes que precisa para crescer confiante.

Muito embora as já referidas birras sejam comuns no processo de desenvolvimento emocional, é importante ter em atenção a idade da criança para poder definir o comportamento como ajustado (ou não).

Se persistirem dúvidas, não hesite em contactar-nos.

imagem@gazetadopovo.br

Quando Procurar um terapeuta da fala?

Ao contrário do que muitas vezes é sugerido podemos recorrer a um terapeuta da fala, mesmo quando ainda não sabemos falar. Por diversas vezes ouvimos como é prematuro iniciar terapia da fala antes dos 3 anos de idade, mas a idade não é o factor determinante para procurar ou não a opinião de um Terapeuta da Fala, mas sim as dificuldades que a criança poderá apresentar. A intervenção precoce ajuda a prevenir problemas que podem comprometer uma aprendizagem saudável e um normal desenvolvimento.

Sempre que se verifiquem alterações no domínio da comunicação, linguagem (oral ou escrita), articulação, fluência, voz, audição, motricidade orofacial, sucção, mastigação e deglutição, deve-se recorrer à avaliação de um especialista.

É importante que os pais estejam atentos a variados sinais de alerta ao longo do crescimento da criança, permitindo diagnosticar precocemente possíveis patologias e intervir adequadamente.

 

Sinais de alerta no desenvolvimento da comunicação e linguagem*

Idade

Sinais de alerta

0-2 m

– Não reage aos sons e ao meio.- É demasiado irritável e sonolento

2-4 m

– Não sorri- Não discrimina vozes familiares- Chora ou grita sempre que se lhe toca

4-6 m

– Tem falta de interesse pelas pessoas e pelos objectos- Não localiza ou deteta um som- Não vocaliza ou deixa de emitir sons

6-8 m

– Não faz trocas de diálogos, conversas- Não faz balbucio ou vocaliza de modo monótono- Não faz ou não mantém contacto ocular

8-12 m

– Apenas compreende linguagem acompanhada de gestos- Não entende “adeus” para ir embora- Não responde ao nome

– Não olha para a mãe ou pai em resposta a um pedido

– Não imita acções e sons familiares

– Vocaliza pouco e não faz um pedido de forma clara

12-18 m

– Compreende poucas palavras ou frases- Não usa palavras ou deixou de usar- Não imita e não balbucia

– Não aponta

– Não olha quando o chamam

18-24 m

– Não sabe o nome de objectos familiares- Não responde a ordens simples- Não faz pedidos

– Tem vocabulário reduzido

– produz poucas consoantes

2-3 anos

– Não responde a perguntas fechadas (“sim” e “não”)- Não aponta para partes do corpo a pedido- Só usa palavras simples e não combina duas palavras

– Não tem intenção de comunicar

– Repete o que os outros dizem, mas não responde ou interage com o outro.

3-4 a

– Tem uma compreensão fraca e não executa ordens de duas ideias- Não responde ou não faz perguntas- Tem dificiculdade em exprimir-se e fá-lo essencialmente por gestos

– Usa apenas frases simples e curtas

– O discurso é imperceptível para estranhos

4-5 a

– Não diz o nome das cores primárias- Não responde a perguntas: “O que é?”, “Porquê?”, “Como?” e “Quanto?”- Não usa a linguagem socialmente

– Não faz diálogos

5-6 a

– Pronuncia mal as palavras- Não conta o seu dia a dia, nem histórias- Não usa Frases complexas e não compreende noções de tempo e espaço

– Não usa pronomes possessivos

>6 anos

– Não mantém o tópico de uma conversa ou responde fora do contexto- Precisa de repetição constante quando se pede algo- Tem dificuldades na rima e nos sons das palavras

*Adaptado de: “O gato comeu-te a língua?” de Joana Rombert

 

Para além destes sinais de alerta é de ter em atenção também se a criança:

não faz sucção; tem dificuldades em engolir e/ou engasga-se com muita frequência; baba-se muito e tal não é justificado pelo surgir da dentição; não mastiga, prefere tudo passado a sólidos; gagueja há 6 meses de modo persistente ou cada vez de modo mais acentuado.

Se observar alguns destes sinais de alerta existem razões para pedir uma avaliação ao Pediatra ou Terapeuta da Fala. É importante detectar alguma alteração no desenvolvimento da criança o mais cedo possível , uma vez que a intervenção terapêutica apresenta um prognóstico tanto mais favorável quando mais precocemente for iniciada.

No entanto, a deteção mais tardia das dificuldades não impede uma intervenção bem sucedida. Esta poderá ser mais demorada, uma vez que a criança terá que reaprender novos comportamentos linguísticos, comunicativos e/ou musculares, tendo que substituí-los pelos padrões que entretanto foi automatizando.

 

Marta Nunes, Terapeuta da Fala na Psicomindcare

para Up To Kids®

Todos os direitos reservados

Perde tudo… Não ouve o que lhe digo… Não pára quieto… Tem pilhas que não acabam… Está sempre a mudar de brincadeira… É desorganizado… É muito desatento aos detalhes… Não fica sentado… Parece que não está cá… Está sempre a mexer em qualquer coisa… Só podem ser “bichinhos carpinteiros”!

Reconhece estas características nalgum dos seus pequenotes?

Há quem lhe chame um nome mais pomposo. Eu gosto de lhe chamar “bichinhos carpinteiros”. Quando estes bichinhos “atacam,” as crianças têm dificuldade em focar e manter a atenção, distraíndo-se com muita facilidade. Isto torna difícil dizer que a criança está envolvida na tarefa, seja ela ouvir o professor ou terminar um recado.

Os bichinhos carpinteiros podem deixar as crianças distraídas.

Os bichinhos carpinteiros dificultam tantas vezes a capacidade da criança prestar atenção. E por isso parecem ter dificuldade em seguir direcções, terminar tarefas ou controlar os seus pertences. Parecem “sonhar acordadas” e frequentemente cometem erros por descuido. Muitas vezes, na sequência destas dificuldades, a criança tende a evitar actividades que requerem longos períodos de concentração ou que considere aborrecidas.

Os bichinhos carpinteiros não deixam as crianças ficarem sossegadas.

A criança poderá passar muito tempo a correr e a trepar, mesmo dentro de casa. Quando sentada tende a contorcer-se e a saltitar. Algumas crianças falam muito e rapidamente e consideram difícil brincar em silêncio.

Os bichinhos carpinteiros deixam as crianças sempre com muita pressa, sem conseguirem esperar.

A criança interrompe os outros, fala atabalhoadamente e responde abruptamente antes de ouvir as questões até ao fim. Esta impulsividade interfere negativamente na capacidade da criança esperar a sua vez e de pensar antes de agir.

Mas os bichinhos carpinteiros afectam o desenvolvimento socio-emocional e o desempenho social e académico da criança? Depende da criança, depende da Família, depende da Escola. E, por isso mesmo, chame por socorro apenas se a dose de bichinhos carpinteiros for demasiada, ao ponto de interferir e prejudicar o dia a dia da criança nos seus diferentes contextos.

Por tudo isto, e antes de ser necessário gritar por socorro, há algumas estratégias que ajudam a crianças e a família a não deixar os bichinhos carpinteiros crescerem em demasia. Tanto em casa como na escola, o desenvolvimento de actividades lúdicas que promovam o auto-controlo, estratégias para lidar com a frustração, o desenvolvimento de uma auto-imagem positiva e a capacidade de planeamento podem revestir-se de grande utilidade. E o melhor de tudo: são actividades divertidas e em família!

Do 5 para o 0. Para controlar a impulsividade, poderá ser proposto à criança um jogo em que antes de falar, responder ou agir deverá contar de 5 para 0 e só depois responder ou agir. Poderá usar-se a dinâmica do jogo “O rei manda”, em que a criança só poderá executar a ordem depois de contar de 5 para 0. Caso contar em sentido inverso se revele demasiado exigente para o nível de desenvolvimento da criança, nas crianças mais novas, a contagem poderá ser feita do 0 para 5, de forma pausada.

Jogo do SIM, NÃO, JÁ. De modo a treinar o auto-controlo, o adulto faz perguntas à criança e esta deverá responder sem usar as palavras Sim, Não e Já. Depois, poderá ser a criança a fazer perguntas ao adulto, treinando a atenção na busca das “falhas” do adulto.

Jogo das Estátuas
O adulto põe uma música animada. Enquanto a música dá, a criança pode dançar, saltar, mexer-se como quiser. Assim que a música pára (sempre que o adulto pretender, em intervalos de tempo irregulares e sem aviso prévio), a criança deve parar exactamente onde está, mantendo essa posição enquanto durar o silêncio. Este jogo treina a atenção e o auto-controlo.

Para crianças mais crescidas, pode propor-se um treino de respiração Mindfulness. Pode sugerir-lhe para ambos fecharem os olhos e respirarem fundo, lentamente, como se quisessem encher um balão que têm na barriga, muito devagarinho para ele não rebentar. Através desta imagem, está a ajudar a criança a conseguir concentrar-se e a mobilizar toda a atenção para a sensação da barriga. Ao longo das respirações pode introduzir o suster a respiração para o balão ficar cheio durante um bocadinho, o que vai aumentar a atenção para a sensação. É natural que a criança se distraia com os barulhos do exterior ou qualquer outra situação ou pensamento. Se isto acontecer, peça-lhe que repare melhor no que o distraiu e depois tente novamente concentrar-se em encher e esvaziar o seu balão, que está na barriga, como se isso fosse agora a única missão que tem. Faça-o de forma tranquila, sem pressas ou sem o acusar de não conseguir. Estas tentativas de mudanças dos focos de atenção permitem treinar a atenção e lidar com os diferentes tipos de acontecimentos que nos rodeiam e pelos quais passamos (pensamentos que nos distraem, sentimentos, desconforto físico).

Perde tudo… Não ouve o que lhe digo… Não pára quieto… Tem pilhas que não acabam… Está sempre a mudar de brincadeira… É desorganizado… É muito desatento aos detalhes… Não fica sentado… Parece que não está cá… Está sempre a mexer em qualquer coisa… Só podem ser “bichinhos carpinteiros”!

Ainda bem que existem bichinhos carpinteiros ao longo do crescimento. Não é isso ser criança?

imagem@flickr

Muito se tem falado e escrito sobre a relação pais-filhos, no entanto, pouco ainda se sabe e se estudou, até ao momento, sobre as relações entre irmãos e nomeadamente sobre a influência dos mais velhos no crescimento e desenvolvimento físico e psíquico dos mais novos.

Será que existe uma influência? Qual será o papel dos irmãos mais velhos no crescimento dos irmãos mais novos? Em que se manifesta esta influência? É uma influência positiva ou negativa?

As relações dos irmãos são marcadas por vínculos e emoções fortes, como a amizade, a cumplicidade e/ou zangas e rivalidades. Estas relações são marcadas por diferenças individuais de personalidade e pela diferença de idades. Sendo reguladas e mediadas pelos pais, principais modelos de referência e a quem cabe o importante papel da educação, as relações entre irmãos, parecem constituir um lugar protegido e seguro, para aprender a interagir com outras crianças, aprender formas construtivas de resolver desacordos e problemas e a regular emoções positivas e negativas.

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Os irmãos mais velhos, são muitas vezes cuidadores, figuras de suporte e amigos e as relações que estabelecem com os irmãos mais novos, são mediadas pela socialização, por comportamentos de ajuda em diferentes tipos de tarefas, por actividades de cooperação e por brincadeiras e desafios que proporcionam o desenvolvimento cognitivo, social, emocional e físico.

Assim, embora muitas vezes estas relações, sejam verdadeiros desafios e por vezes, verdadeiros testes à paciência dos pais, estes devem proporcionar, desde o início, uma relação favorável entre irmãos, devendo estimular a relação, o respeito mútuo, a cooperação e a habilidade para resolver problemas.

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Termino, com o testemunho de 3 mães e também irmãs:

Carolina, 32 anos. | Irmã de dois rapazes  | Mãe de uma rapariga e de dois rapazes
“Os irmãos mais velhos “puxam” pelos mais novos. São modelos, são heróis, são mais fortes e mais capazes aos olhos dos mais novos.
Os mais novos seguem os mais velhos, vão atrás deles para brincar, seguem-nos com o olhar e correm para os apanhar, mas também lhes “roubam” os brinquedos e destroem as construções de legos.
Os irmãos são companheiros inseparáveis mas por vezes querem mesmo estar separados:)
A Leonor que é a mais velha diz muitas vezes que não quer os rapazes no quarto dela porque desarrumam tudo, mas outras vezes quer partilhar brincadeiras com o mais novo e tem paciência para emprestar brinquedos e dar-lhe sugestões de brincadeiras: “Olha leva os copinhos da Nô e faz um chá…”.
E também pede ao do meio para brincar com ela. Nesta fase em que estamos, a Leonor e o Miguel brincam mais juntos e o Francisco assalta as brincadeiras deles ou vai andando pela casa atrás da mãe:)
Os mais velhos podem ajudar os mais novos a superar dificuldades ou a desmistificar algum medo”.

Sofia, 30 anos. | Irmã de duas gémeas. | Mãe de três raparigas.
“Ter irmãos é o melhor do mundo! Crescer numa casa cheia ajuda-nos a aprender a viver com pessoas com feitios diferentes e até gostos! Há sempre alguém para brincar, para partilhar, para aprender ou ensinar, para emprestar coisas, para ajudar, para embirrar, para defender, para chatear, para dormir agarradinhos, para cantar em coro, para ter cumplicidades imensas… Ter segredos que os pais não podem saber! Ter irmãos é partilhar uma vida, uma casa e dividir as melhores memórias da infância!”

Margarida, 33 anos. | Irmã de dois rapazes. | Mãe de um rapaz e duas raparigas.
“Ter irmãos-mais-velhos…
Para além de ser o melhor presente que os Pais podem dar aos seus filhos, ter irmãos (ou irmãs) mais velhos é ter sempre, e para sempre, com quem partilhar – alegrias e tristezas, brincadeiras e birras, saltos na cama e quedas de bicicleta, bolachas e brócolos! Contas feitas, os nossos irmãos (mais velhos ou mais novos) são os nosso primeiros melhores-amigos e aqueles que nos ensinam o que é o Amor”.

Afinal como diz o filósofo Agostinho da Silva:

Ninguém reprovará o seu irmão por ele ser o que é; mas com paciência e persistência, com inteligência e com amor; procurará levá-lo ao nível mais alto”

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A importância de ter irmãos mais velhos! ? #uptohappykids www.uptokids.pt

Um vídeo publicado por Up to Kids (@uptokids) a

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A infância é uma fase crucial de aquisição de diversas competências motoras, cognitivas e sociais. Competências que permitirão, a seu tempo, inúmeras conquistas pessoais e profissionais.

Neste sentido, a infância é a fase em que os pais devem estar mais atentos a todas as conquistas da criança, conseguindo assim despistar discrepâncias no seu desenvolvimento. É tão simples quanto observá-lo, de forma informada, enquanto brinca, come ou experimenta o ambiente que o rodeia, tendo em conta alguns aspetos que vamos abordar.

A monitorização do desenvolvimento infantil é uma ferramenta chave para identificar se a criança está a adquirir as competências previstas em cada etapa do desenvolvimento. Este controlo, além de permitir a resolução de atrasos identificados, é também tranquilizante para os pais que, observando o seu filho conscienciosamente, vão adquirir um conhecimento aprofundado sobre as suas capacidades.

Para promover um desenvolvimento infantil saudável para o seu filho deve ter em atenção:

  1. Ritmo
    Cada criança tem o seu próprio ritmo de desenvolvimento. Esse ritmo deve ser respeitado para uma eficiente aquisição de cada competência. Para adquirir competências a criança tem de passar por várias passos – observar/sentir necessidade, imitar/experimentar, realizar e compreender – e em cada passo a criança precisa do seu tempo para o poder ultrapassar, não se podendo saltar ou acelerar o processo.
  1. Sequência
    A criança deve atravessar cada etapa de desenvolvimento segundo uma sequência regular. Isto significa que as fases de desenvolvimento são sequenciais.
    Esta sequência ocorre pela complexidade crescente das ações a realizar, que implicam a aquisição prévia de competências mais simples.
    É difícil conceber que alguém consiga aprender a atar os sapatos sem antes dominar a preensão dos atacadores apenas com o polegar e o indicador.
  1. Dependência vs Autonomia
    Para a criança ter um desenvolvimento saudável tem de vivenciar uma dinâmica de dependência e autonomia. Experimentar a segurança que a resposta dos pais às suas necessidades lhe aporta, sem prejuízo da necessária autonomia que lhe possibilitará explorar, tentar e errar.
    É fundamental encontrar um equilíbrio entre a necessidade da criança de descobrir o mundo que a rodeia e de se sentir segura de que nada de grave lhe acontecerá.
    A pergunta que se deve fazer neste caso é: o risco é demasiado grande ou devo deixar o meu filho correr, explorar e eventualmente ter uma pequena queda?
  1. Estímulos
    O desenvolvimento infantil dá-se à medida que a criança vai crescendo e se vai desenvolvendo de acordo com o meio onde vive e os estímulos que dele recebe. Através destes e da interação com os objetos, com os outros e com o meio, a criança descobre, interpreta e compreende o mundo, ao mesmo tempo que desenvolve as suas capacidades motoras, cognitivas, emocionais e sociais. A criança, ao não ser estimulada ou motivada no devido momento, terá mais dificuldades na aquisição das competências adequadas à sua faixa etária.
  1. Afeto
    Por último, mas da maior importância, é o afeto.
    A qualidade das relações na primeira infância é a base para todo o desenvolvimento da criança enquanto ser humano. São o fundamento para o ser. É assim que a criança ganha confiança e auto-estima e por conseguinte coragem para experimentar o mundo que a rodeia.
    Crianças a quem não é dado um ambiente familiar afetuoso e a quem não seja dado um reforço positivo quando realizam uma tarefa, têm tendência a ser mais tímidas e inseguras. Por outro lado, as crianças a quem é dito “boa, fizeste um bom trabalho” têm tendência a ser confiantes e a enfrentar desafios de forma mais autónoma.

É importante manter-se atento ao desenvolvimento do seu filho, monitorizando-o para que não tenha ansiedades e receios desnecessários.

Pensar em avaliar o desenvolvimento do seu filho pode ser um pouco assustador. Porém, é na avaliação do desenvolvimento infantil que é possível determinar se está tudo a correr dentro da normalidade ou se é preciso ter atenção em relação a algum dos fatores de desenvolvimento.

A avaliação formal pode ser realizada após os pais terem identificado alguma discrepância no desenvolvimento normal da criança ou pode resultar apenas do desejo de que a monitorização do desenvolvimento do seu filho seja feita por um profissional.

Mas convém ter sempre presente que os pequenos atrasos no desenvolvimento, além de poderem não ter significado, podem ser rapidamente corrigidos por uma boa estimulação e um ambiente positivo.

Por Ana Ferreirim Lopes, Psicomotricista na +Eu Desenvolvimento Humano

 

Evidenciemos a necessidade de desmistificar o conceito de que o Terapeuta da Fala (TF) é o profissional de saúde que intervém, , na fala das crianças e adultos.

Noutros países somos apelidados de Fonoaudiólogos, Logopédas, Orthophonistes, Speech & Language Therapists or Pathologists porque, definitivamente, intervimos em todas as áreas que condicionem a comunicação oral/escrita de qualquer indivíduo, e não só meramente na fala.

Desta forma, se considera que não faz sentido ir a um rastreio de Terapia da Fala porque “fala bem”, consciencialize-se que o TF é o profissional de saúde responsável pela prevenção,  avaliação e  intervenção da comunicação humana e deglutição.

A importância dos rastreios em Terapia da Fala mede-se por serem de carácter preventivo, não definem um diagnóstico terapêutico mas conseguem despistar qualquer desenvolvimento atípico da comunicação oral/escrita.

Sabia que…

Desde o nascimento que o TF tem um papel fundamental para o desenvolvimento harmonioso do bebé? Presta cuidados na área da amamentação, alimentação e comunicação ao bebé e aos seus pais ou cuidadores.

Em crianças em idade pré-escolar,  a sua intervenção centra-se na promoção das competências linguísticas, vocais e de comunicação, bem como na intervenção das suas perturbações?

Em crianças e jovens em idade escolar exerce um papel crucial na intervenção das perturbações da leitura e escrita, na potencialização da comunicação e na gaguez?

Na idade adulta, o seu foco de intervenção é maioritariamente em perturbações adquiridas, patologias vocais e de deglutição, alterações fisiológicas na estrutura orofacial que limitam a funcionalidade dos órgãos fonoarticulatórios? E que ainda tem um papel preponderante na promoção das competências da comunicação e qualidade vocal?

Após a realização de cada rastreio é elaborado um relatório com as devidas conclusões retiradas da observação, e serão sugeridas recomendações, bem como aconselhamento sobre a necessidade de acompanhamento.

Não é necessário ter um problema ou uma doença para procurar um TF, nem existe uma idade definida para consultar um especialista nesta área. Neste sentido, uma observação feita atempadamente é tanto mais favorável quanto mais precocemente for iniciada a intervenção terapêutica.

Aproveite os rastreios que decorrem durante o mês de Janeiro e esclareça todas as suas dúvidas.

Estaremos no Dolce Vita de Miraflores na loja da Multiopticas nos dias 16 e 23 de Janeiro de 2016 (das 10h às 18h).

Este rastreio é direcionado exclusivamente para crianças e adolescentes. No entanto, na eventualidade de existir interesse por parte de um adulto ou seu cuidador poderá contactar-nos através do e-mail howto@sapo.pt ou 966 370 349 para marcação de rastreio.

Patrícia de Sousa Teixeira & Leonor Barruncho (Terapeutas da Fala)

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